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DESENVOLVIMENTO, uma TAREFA de TODOS

Nos últimos dias, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a atualização da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – (PNAD Contínua). Nesta, é possível observar que o Brasil entá consolidando uma tendência de redução na taxa de desemprego, que chegou ao nível 13,1% no início do ano de 2018 e na média de jul-ago-set ficou em 11,9%.
Esta, de fato, é uma preocupação de abrangência nacional, uma vez que está presente em diversas regiões e tem prejudicado o desempenho das economias, pois a capacidade de consumo das famílias e o nível de emprego da população estão diretamente associados aos volumes de venda e produção do sistema econômico.
Com o objetivo de elaborar uma breve análise sobre o mercado de trabalho em municípios do Corede Celeiro-RS e considerando que neste momento não se dispõe de uma taxa de desemprego calculada para esta importante região, buscou-se as estatísticas mais recentes do Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET), em especial as informações oriundas da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Estes dados permitem identificar o número de empregos formais (celetistas e estatutários) gerados nos municípios, bem como o total de salários recebidos pelos empregados.
Os resultados mostram que ao final de 2017, o número de empregados nos municípios do Corede Celeiro foi de 23.240 pessoas (equivalente a 0,8% do total do estado), que receberam, em média, um salário mensal total de R$ 44,16 milhões. Três Passos com 5.821, Santo Augusto com 2.740 e Tenente Portela com 2.466 empregados são os municípios com os maiores números de vínculos ativos, conforme pode ser observado na figura a seguir.

Um dado que chama atenção é a elevada participação dos empregos gerados pela administração pública, que equivalem a 25,21% do total no Corede. Entende-se por administração pública o código CNAE 84.11-6, que compreende as atividades executivas e legislativas, exercidas pelos poderes públicos, nas três esferas de governo: federal, estadual e municipal, e em nível de administração direta e indireta. Inclui-se escolas públicas e demais organizações vinculadas aos poderes.
Neste contexto, observa-se que quanto menor é o município, maior é a dependência dos empregos gerados nos órgãos públicos. Em São Valério do Sul, Barra do Guarita e Inhacorá, por exemplo, 81%, 79% e 75% dos empregos formais estão vinculados à administração pública. Isto mostra a importância do emprego público para as economias dos municípios, mas também revela uma dificuldade destas economias em criar postos de trabalho com carteira assinada em outras atividades.
Muitos podem buscar diversas explicações para esta conjuntura, mas uma condição é dada: nossos municípios estão distantes dos principais centros consumidores e regiões metropolitanas e excetuando-se os produtos do agronegócio, encontram no fraco mercado interno (municipal ou regional) o principal canal para comercializar as mercadorias. Portanto, o mercado interno nos limita.
A situação torna-se mais complexa na medida em que os investimentos do setor privado são pontuais e a infraestrutura, logística e condições de competitividade da região dificultam a vinda de grandes empreendimentos para a região, sobretudo em períodos de baixo crescimento, como verificado neste momento.
Conforme pode ser observado na Figura 2, Três Passos, Tenente Portela, Santo Augusto, Miraguaí, Crissiumal e Campo Novo são os municípios com menor participação do setor público na massa de trabalhadores.

Em Três Passos, as atividades que mais geram empregos estão ligadas frigoríficos (891 empregados) e administração pública (674). Em Tenente Portela, as atividades de atendimento hospitalar englobam 472 vínculos ativos e a administração pública chega a 408 empregados. Já, em Santo Augusto, a administração pública é a atividade mais relevante e é composta por 507 postos de trabalho, seguida pelas atividades de comércio e cultivo de soja.
Em Miraguaí, o abate de aves, com 702 postos de trabalho, é de longe a maior atividade empregadora, seguida da administração pública com 226 postos. Crissiumal, com 459 postos na administração pública, 449 na fabricação de calçados e 145 na fabricação de móveis também apresenta uma economia relativamente menos dependente do setor público.
Em Campo Novo, a administração pública em geral e as atividades vinculadas à Cotricampo são as maiores geradoras de empregos formais.
Diante deste cenário, conclui-se que o desenvolvimento deve ser perseguido através do planejamento público e privado, do fomento à iniciativa privada e do fortalecimento das instituições. Neste processo, uma liderança municipal tem um papel importante, sobretudo para estimular o empreendedorismo, o trabalho e o investimento privado.
Antes de buscar culpados, precisamos lembrar que desenvolvimento não é algo que pode ser recebido ou comprado e também não é um produto que um agente público externo ou interno possa ofertar. Desenvolvimento é um processo de transformação socioeconômica que prospera onde os sentimentos de pertencimento e de confiança são fortes. O engajamento das comunidades pode ser o início deste processo!
Portanto, vencer o desafio do desenvolvimento continua a ser uma TAREFA COLETIVA, conforme destaca o Professor e pesquisador Jandir Ferrera de Lima, um grande estudioso do assunto e amigo nosso.
Para finalizar, tomo a liberdade de utilizar a frase do empresário paranaense Neuri Dalmina: “o município é de todos nós. Nós é que temos de ajudar o município e não apenas esperar que o município nos ajude”.

Prof. Dr. Nilson Luiz Costa

Artigo publicado em Observador Regional no dia 24/11/2018.