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Entrevista com Fernanda Kieling Pedrazzi



Fernanda Kieling Pedrazzi é Professora Assistente Nível 4 do Departamento de Documentação do CCSH/UFSM, Graduada em Comunicação Social – Jornalismo e em Arquivologia, Mestre em Engenharia de Produção/CT/UFSM e Doutoranda em Estudos Linguísticos/PPGL/UFSM.   01.Cara Fernanda, conte-nos um pouco sobre o seu percurso como profissional da Arquivologia e sua vida profissional na UFSM. Por que escolheu a área? Arquivologia foi a sua primeira opção? Em que área realizou seu mestrado? Por que decidiu ingressar no Programa de Pós-Graduação em Letras para realizar seu doutorado?   A Arquivologia surgiu como uma paixão, no ano de 2000, quando já era formada em Jornalismo, já cursava o mestrado na área de Engenharia de Produção e trabalhava na organização do acervo do professor José Mariano da Rocha Filho preservado na casa da família. Eu tinha sido aluna e orientanda da professora Eugenia, filha de Mariano, durante a graduação em Comunicação Social – Jornalismo, tendo sido bolsista CNPq por dois anos em um projeto que fazia um levantamento da área geo-educacional da UFSM e já na minha primeira graduação aprendi o valor da história da nossa Universidade tornando-me uma admiradora do Dr. Mariano. Foi através dela que, no ano de 1999, dei início ao trabalho junto aos documentos do Reitor-fundador da UFSM.   Neste contexto, tive acesso ao que fazia o arquivista em julho de 2000, na formatura da turma de Arquivologia de Glaucia Konrad (hoje minha colega de Departamento na Documentação). Glaucia, que até então não conhecia, era a oradora da turma e suas palavras sobre a Arquivologia e o papel do arquivista me tocaram profundamente. Foi amor à primeira palavra. Neste dia, decidi que faria uma segunda graduação, e que esta seria Arquivologia.   Naquele mesmo ano, concorri a uma vaga oferecida como ingresso de graduado e em 2001 comecei a cursar Arquivologia na UFSM, tendo me formado no ano de 2004. No ano seguinte, como já tinha concluído o mestrado em 2002 e tinha alguma experiência em docência na Comunicação, ingressei como professora substituta do Departamento de Documentação ficando ali até o ano seguinte quando fui chamada pela UFSM para assumir uma vaga de arquivista no Arquivo de Prontuários do Hospital Universitário, para o qual havia feito concurso.   Deixei o Hospital e o cargo de servidor técnico-administrativo da UFSM poucos meses depois para assumir, em outubro de 2006, uma vaga de professora de ensino superior no recém criado Centro de Educação Superior Norte do RS (CESNORS) da UFSM, campus de Frederico Westphalen, para dar aulas no Curso de Jornalismo, onde fiquei por pouco mais de dois anos. Era a realização de um sonho, minha meta profissional: ser professora da UFSM.   A pedido, em 2008, fui removida para a então novíssima Unidade de Educação Superior da UFSM em Silveira Martins-RS (UDESSM) na qual coordenei, nos primeiros tempos, o Curso de Turismo. Só saí de Silveira quando fui chamada para assumir uma vaga no Departamento de Documentação, em novembro de 2009, depois de realizar concurso público novamente. Minha volta a este Departamento, agora como professora efetiva, fechou um ciclo.   Já em Santa Maria, voltei a pensar na questão da história e da memória vinculadas as discussões da Arquivologia, o que me aproximou, definitivamente, da linha de pesquisa Língua, sujeito e história, do Programa de Pós-Graduação em Letras, para a qual concorri a uma vaga de doutorado no final de 2011. Aqui estou, trabalhando em minha tese sobre o discurso em atestados de óbito da Santa Maria do final do século XIX, trabalhando com minhas paixões: Arquivologia, documentos, memória e a língua, meio pelo qual o sujeito se faz presente na história.   Em 2010, quando assumia o cargo de coordenadora substituta do Curso de Arquivologia da UFSM, o professor Felipe Muller, nosso Reitor, me designou, em público, como “a professora nômade da UFSM”. Orgulho-me da minha trajetória e acho que minhas andanças é o que tornaram-me diferente, singular. Por ter sido itinerante é que conheço, hoje, muito da minha querida Universidade.   02. No dia 13 deste mês, um projeto coordenado por você foi agraciado com o Mérito Extensionista “Prof. Dr. José Mariano da Rocha Filho”. Conte-nos um pouco sobre esse projeto.   Neste ano, a Pró-Reitoria de Extensão começa um novo ciclo de avaliação das Ações de Extensão contemplando com o Mérito Extensionista “Prof. Dr. José Mariano da Rocha Filho” ações das áreas de Cultura, Educação e Saúde. A Ação de Extensão da Cultura escolhida por uma comissão ad hoc foi “Digitalização do Fundo Intendência do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria: subsídio para pesquisa social”. Sinto uma imensa felicidade em ser a coordenadora desta Ação e com isso poder receber este Mérito. Primeiro, por trazer consigo o nome da personalidade que mais admiro como educador, empreendedor e realizador, que é José Mariano da Rocha Filho; depois, e não menos importante, por valorizar o trabalho de toda a equipe envolvida no projeto, realizado ao longo de 2011, e que faço questão de nominar: a acadêmica Eliete Camrgo, que foi bolsista do Fundo de Incentivo à Extensão (FIEX/UFSM), os acadêmicos voluntários Paulo Henrique Trennepohl, Rita Dias dos Santos e Letícia Fausto da Silva, a colega de Departamento e de projetos Sonia Constante e a diretora do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria, Daniéle Xavier Calil. Todos envolveram-se plenamente para a consecução dos objetivos e foram incansáveis para que chegássemos a um resultado positivo, com qualidade. Ao final do trabalho, o grupo higienizou e digitalizou 908 documentos, obtendo mais de 1800 representantes digitais, o que potencializa o acesso e uso deste material em pesquisas sem prejudicar os originais. Hoje já estão sendo realizados estudos nos documentos digitalizados pela equipe. O corpus que analiso em minha tese conta com os documentos de um tomo deste Fundo Intendência digitalizado. É uma grande realização.   03. O que significa para você e seu grupo o reconhecimento desse projeto e o recebimento do certificado do Mérito Extensionista?   O significado de receber o Mérito é ter a valorização do trabalho. Os acadêmicos e professores da UFSM que se dedicam a projetos o fazem por acreditarem em suas propostas e por idealismo, por pensar que uma sociedade diferente é possível. Quando se recebe um reconhecimento da academia, como o Mérito Extensionista, vemos que aqueles que estão convivendo conosco, em nosso tempo, compreenderam o que fizemos e entendem que o que realizamos teve valor para nossa comunidade. Penso que este tipo de premiação é um estímulo para que continuemos investindo em extensão, pois é com ela que chegamos fora dos muros da UFSM. A extensão é o espaço de maior contato entre universidade e comunidade e, como tripé da UFSM, deve ser estimulada e cada vez mais consolidada na Instituição.   04. Você destacou a utilidade dos resultados desse projeto na coleta de dados para o desenvolvimento da sua tese. Por que o uso deste material? Com que viés teórico você irá analisá-lo? Por que o interesse nesse tema?   Nada do que fazemos na academia está desvinculado ao que somos, ao que reunimos como conhecimento ao longo de nossa trajetória acadêmica. É engraçado pensar, mas cada aspecto que envolve meu tema de pesquisa de tese já passou por mim sob outros pontos de vista na minha formação e na minha atuação como servidora da UFSM (enquanto técnica-administrativa ou docente). Minha proposta é usar a análise de discurso de linha francesa, fundada por Michele Pêcheux, para observar o que se diz sobre a morte em atestados de óbito do ano de 1896 que, em um conjunto de 86 documentos, formam o Tomo 13 do Fundo Intendência.   Como pesquisadora eu já trabalhei com o registro fotográfico de um cemitério desativado, o que remete à temática morte e, indiretamente, atestado de óbito. Também no Arquivo de Prontuários do HUSM tive acesso a documentos que registram a doença e a morte. Na Comunicação Social e na Arquivologia, sempre busquei privilegiar temas envolvendo Santa Maria, muitos deles relacionados com personagens locais, o que permite contato com personalidades que estão presentes como autores de atestados neste Tomo que trabalho, tais como o primeiro intendente Vale Machado, os médicos Pantaleão José Pinto e Astrogildo de Azevedo, entre outros. É interessante ver a história da cidade através dos registros manuscritos destes homens e como a ideologia aparece nas diferentes Formações Discursivas.   Algo que tem me chamado a atenção ultimamente é o aspecto político presente neste estudo, o que é muito vibrante e que me traz muitas novas questões. O cenário político-social de Santa Maria no final do século XIX é especialmente instigante.   Como o Tomo que estudo já estava descrito e digitalizado, percebi uma oportunidade de olhar para este material com um gesto de leitura diferenciado, vinculando os aspectos que estão em torno da linha de pesquisa que faço parte no Doutorado em Letras: “Língua, sujeito e história”. Sinto-me realizada em congregar tantas paixões e interesses em um só trabalho, e esta satisfação, aliada a minha curiosidade acadêmica, é o que me move como pesquisadora. Fernanda Kieling Pedrazzi é Professora Assistente Nível 4 do Departamento de Documentação do CCSH/UFSM, Graduada em Comunicação Social – Jornalismo e em Arquivologia, Mestre em Engenharia de Produção/CT/UFSM e Doutoranda em Estudos Linguísticos/PPGL/UFSM.   01.Cara Fernanda, conte-nos um pouco sobre o seu percurso como profissional da Arquivologia e sua vida profissional na UFSM. Por que escolheu a área? Arquivologia foi a sua primeira opção? Em que área realizou seu mestrado? Por que decidiu ingressar no Programa de Pós-Graduação em Letras para realizar seu doutorado?   A Arquivologia surgiu como uma paixão, no ano de 2000, quando já era formada em Jornalismo, já cursava o mestrado na área de Engenharia de Produção e trabalhava na organização do acervo do professor José Mariano da Rocha Filho preservado na casa da família. Eu tinha sido aluna e orientanda da professora Eugenia, filha de Mariano, durante a graduação em Comunicação Social – Jornalismo, tendo sido bolsista CNPq por dois anos em um projeto que fazia um levantamento da área geo-educacional da UFSM e já na minha primeira graduação aprendi o valor da história da nossa Universidade tornando-me uma admiradora do Dr. Mariano. Foi através dela que, no ano de 1999, dei início ao trabalho junto aos documentos do Reitor-fundador da UFSM.   Neste contexto, tive acesso ao que fazia o arquivista em julho de 2000, na formatura da turma de Arquivologia de Glaucia Konrad (hoje minha colega de Departamento na Documentação). Glaucia, que até então não conhecia, era a oradora da turma e suas palavras sobre a Arquivologia e o papel do arquivista me tocaram profundamente. Foi amor à primeira palavra. Neste dia, decidi que faria uma segunda graduação, e que esta seria Arquivologia.   Naquele mesmo ano, concorri a uma vaga oferecida como ingresso de graduado e em 2001 comecei a cursar Arquivologia na UFSM, tendo me formado no ano de 2004. No ano seguinte, como já tinha concluído o mestrado em 2002 e tinha alguma experiência em docência na Comunicação, ingressei como professora substituta do Departamento de Documentação ficando ali até o ano seguinte quando fui chamada pela UFSM para assumir uma vaga de arquivista no Arquivo de Prontuários do Hospital Universitário, para o qual havia feito concurso.   Deixei o Hospital e o cargo de servidor técnico-administrativo da UFSM poucos meses depois para assumir, em outubro de 2006, uma vaga de professora de ensino superior no recém criado Centro de Educação Superior Norte do RS (CESNORS) da UFSM, campus de Frederico Westphalen, para dar aulas no Curso de Jornalismo, onde fiquei por pouco mais de dois anos. Era a realização de um sonho, minha meta profissional: ser professora da UFSM.   A pedido, em 2008, fui removida para a então novíssima Unidade de Educação Superior da UFSM em Silveira Martins-RS (UDESSM) na qual coordenei, nos primeiros tempos, o Curso de Turismo. Só saí de Silveira quando fui chamada para assumir uma vaga no Departamento de Documentação, em novembro de 2009, depois de realizar concurso público novamente. Minha volta a este Departamento, agora como professora efetiva, fechou um ciclo.   Já em Santa Maria, voltei a pensar na questão da história e da memória vinculadas as discussões da Arquivologia, o que me aproximou, definitivamente, da linha de pesquisa Língua, sujeito e história, do Programa de Pós-Graduação em Letras, para a qual concorri a uma vaga de doutorado no final de 2011. Aqui estou, trabalhando em minha tese sobre o discurso em atestados de óbito da Santa Maria do final do século XIX, trabalhando com minhas paixões: Arquivologia, documentos, memória e a língua, meio pelo qual o sujeito se faz presente na história.   Em 2010, quando assumia o cargo de coordenadora substituta do Curso de Arquivologia da UFSM, o professor Felipe Muller, nosso Reitor, me designou, em público, como “a professora nômade da UFSM”. Orgulho-me da minha trajetória e acho que minhas andanças é o que tornaram-me diferente, singular. Por ter sido itinerante é que conheço, hoje, muito da minha querida Universidade.   02. No dia 13 deste mês, um projeto coordenado por você foi agraciado com o Mérito Extensionista “Prof. Dr. José Mariano da Rocha Filho”. Conte-nos um pouco sobre esse projeto.   Neste ano, a Pró-Reitoria de Extensão começa um novo ciclo de avaliação das Ações de Extensão contemplando com o Mérito Extensionista “Prof. Dr. José Mariano da Rocha Filho” ações das áreas de Cultura, Educação e Saúde. A Ação de Extensão da Cultura escolhida por uma comissão ad hoc foi “Digitalização do Fundo Intendência do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria: subsídio para pesquisa social”. Sinto uma imensa felicidade em ser a coordenadora desta Ação e com isso poder receber este Mérito. Primeiro, por trazer consigo o nome da personalidade que mais admiro como educador, empreendedor e realizador, que é José Mariano da Rocha Filho; depois, e não menos importante, por valorizar o trabalho de toda a equipe envolvida no projeto, realizado ao longo de 2011, e que faço questão de nominar: a acadêmica Eliete Camrgo, que foi bolsista do Fundo de Incentivo à Extensão (FIEX/UFSM), os acadêmicos voluntários Paulo Henrique Trennepohl, Rita Dias dos Santos e Letícia Fausto da Silva, a colega de Departamento e de projetos Sonia Constante e a diretora do Arquivo Histórico Municipal de Santa Maria, Daniéle Xavier Calil. Todos envolveram-se plenamente para a consecução dos objetivos e foram incansáveis para que chegássemos a um resultado positivo, com qualidade. Ao final do trabalho, o grupo higienizou e digitalizou 908 documentos, obtendo mais de 1800 representantes digitais, o que potencializa o acesso e uso deste material em pesquisas sem prejudicar os originais. Hoje já estão sendo realizados estudos nos documentos digitalizados pela equipe. O corpus que analiso em minha tese conta com os documentos de um tomo deste Fundo Intendência digitalizado. É uma grande realização.   03. O que significa para você e seu grupo o reconhecimento desse projeto e o recebimento do certificado do Mérito Extensionista?   O significado de receber o Mérito é ter a valorização do trabalho. Os acadêmicos e professores da UFSM que se dedicam a projetos o fazem por acreditarem em suas propostas e por idealismo, por pensar que uma sociedade diferente é possível. Quando se recebe um reconhecimento da academia, como o Mérito Extensionista, vemos que aqueles que estão convivendo conosco, em nosso tempo, compreenderam o que fizemos e entendem que o que realizamos teve valor para nossa comunidade. Penso que este tipo de premiação é um estímulo para que continuemos investindo em extensão, pois é com ela que chegamos fora dos muros da UFSM. A extensão é o espaço de maior contato entre universidade e comunidade e, como tripé da UFSM, deve ser estimulada e cada vez mais consolidada na Instituição.   04. Você destacou a utilidade dos resultados desse projeto na coleta de dados para o desenvolvimento da sua tese. Por que o uso deste material? Com que viés teórico você irá analisá-lo? Por que o interesse nesse tema?   Nada do que fazemos na academia está desvinculado ao que somos, ao que reunimos como conhecimento ao longo de nossa trajetória acadêmica. É engraçado pensar, mas cada aspecto que envolve meu tema de pesquisa de tese já passou por mim sob outros pontos de vista na minha formação e na minha atuação como servidora da UFSM (enquanto técnica-administrativa ou docente). Minha proposta é usar a análise de discurso de linha francesa, fundada por Michele Pêcheux, para observar o que se diz sobre a morte em atestados de óbito do ano de 1896 que, em um conjunto de 86 documentos, formam o Tomo 13 do Fundo Intendência.   Como pesquisadora eu já trabalhei com o registro fotográfico de um cemitério desativado, o que remete à temática morte e, indiretamente, atestado de óbito. Também no Arquivo de Prontuários do HUSM tive acesso a documentos que registram a doença e a morte. Na Comunicação Social e na Arquivologia, sempre busquei privilegiar temas envolvendo Santa Maria, muitos deles relacionados com personagens locais, o que permite contato com personalidades que estão presentes como autores de atestados neste Tomo que trabalho, tais como o primeiro intendente Vale Machado, os médicos Pantaleão José Pinto e Astrogildo de Azevedo, entre outros. É interessante ver a história da cidade através dos registros manuscritos destes homens e como a ideologia aparece nas diferentes Formações Discursivas.   Algo que tem me chamado a atenção ultimamente é o aspecto político presente neste estudo, o que é muito vibrante e que me traz muitas novas questões. O cenário político-social de Santa Maria no final do século XIX é especialmente instigante.   Como o Tomo que estudo já estava descrito e digitalizado, percebi uma oportunidade de olhar para este material com um gesto de leitura diferenciado, vinculando os aspectos que estão em torno da linha de pesquisa que faço parte no Doutorado em Letras: “Língua, sujeito e história”. Sinto-me realizada em congregar tantas paixões e interesses em um só trabalho, e esta satisfação, aliada a minha curiosidade acadêmica, é o que me move como pesquisadora.

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