{"id":730,"date":"2012-12-19T19:17:27","date_gmt":"2012-12-19T21:17:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/corpus\/2012\/12\/19\/1620-entrevista-com-fernanda-kieling-pedrazzi\/"},"modified":"2012-12-19T19:17:27","modified_gmt":"2012-12-19T21:17:27","slug":"1620-entrevista-com-fernanda-kieling-pedrazzi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/corpus\/2012\/12\/19\/1620-entrevista-com-fernanda-kieling-pedrazzi","title":{"rendered":"Entrevista com Fernanda Kieling Pedrazzi"},"content":{"rendered":"<p><em>Fernanda Kieling Pedrazzi \u00e9 Professora Assistente N\u00edvel 4 do Departamento de Documenta\u00e7\u00e3o do CCSH\/UFSM, Graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social \u0096 Jornalismo e em Arquivologia, Mestre em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o\/CT\/UFSM e Doutoranda em Estudos Lingu\u00edsticos\/PPGL\/UFSM.<\/em>  <strong>\u00a0<\/strong>  <strong><a href=\"http:\/\/corpus.ufsm.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/Foto-de-Rosanara-Urbanetto.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-1621\" title=\"Foto de Rosanara Urbanetto\" src=\"http:\/\/corpus.ufsm.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/Foto-de-Rosanara-Urbanetto-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a>01.Cara Fernanda, conte-nos um pouco sobre o seu percurso como profissional da Arquivologia e sua vida profissional na UFSM. Por que escolheu a \u00e1rea? Arquivologia foi a sua primeira op\u00e7\u00e3o? Em que \u00e1rea realizou seu mestrado? Por que decidiu ingressar no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras para realizar seu doutorado?<\/strong>  &nbsp;  A Arquivologia surgiu como uma paix\u00e3o, no ano de 2000, quando j\u00e1 era formada em Jornalismo, j\u00e1 cursava o mestrado na \u00e1rea de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o e trabalhava na organiza\u00e7\u00e3o do acervo do professor Jos\u00e9 Mariano da Rocha Filho preservado na casa da fam\u00edlia. Eu tinha sido aluna e orientanda da professora Eugenia, filha de Mariano, durante a gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social \u0096 Jornalismo, tendo sido bolsista CNPq por dois anos em um projeto que fazia um levantamento da \u00e1rea geo-educacional da UFSM e j\u00e1 na minha primeira gradua\u00e7\u00e3o aprendi o valor da hist\u00f3ria da nossa Universidade tornando-me uma admiradora do Dr. Mariano. Foi atrav\u00e9s dela que, no ano de 1999, dei in\u00edcio ao trabalho junto aos documentos do Reitor-fundador da UFSM.  &nbsp;  Neste contexto, tive acesso ao que fazia o arquivista em julho de 2000, na formatura da turma de Arquivologia de Glaucia Konrad (hoje minha colega de Departamento na Documenta\u00e7\u00e3o). Glaucia, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o conhecia, era a oradora da turma e suas palavras sobre a Arquivologia e o papel do arquivista me tocaram profundamente. Foi amor \u00e0 primeira palavra. Neste dia, decidi que faria uma segunda gradua\u00e7\u00e3o, e que esta seria Arquivologia.  &nbsp;  Naquele mesmo ano, concorri a uma vaga oferecida como ingresso de graduado e em 2001 comecei a cursar Arquivologia na UFSM, tendo me formado no ano de 2004. No ano seguinte, como j\u00e1 tinha conclu\u00eddo o mestrado em 2002 e tinha alguma experi\u00eancia em doc\u00eancia na Comunica\u00e7\u00e3o, ingressei como professora substituta do Departamento de Documenta\u00e7\u00e3o ficando ali at\u00e9 o ano seguinte quando fui chamada pela UFSM para assumir uma vaga de arquivista no Arquivo de Prontu\u00e1rios do Hospital Universit\u00e1rio, para o qual havia feito concurso.  &nbsp;  Deixei o Hospital e o cargo de servidor t\u00e9cnico-administrativo da UFSM poucos meses depois para assumir, em outubro de 2006, uma vaga de professora de ensino superior no rec\u00e9m criado Centro de Educa\u00e7\u00e3o Superior Norte do RS (CESNORS) da UFSM, campus de Frederico Westphalen, para dar aulas no Curso de Jornalismo, onde fiquei por pouco mais de dois anos. Era a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho, minha meta profissional: ser professora da UFSM.  &nbsp;  A pedido, em 2008, fui removida para a ent\u00e3o nov\u00edssima Unidade de Educa\u00e7\u00e3o Superior da UFSM em Silveira Martins-RS (UDESSM) na qual coordenei, nos primeiros tempos, o Curso de Turismo. S\u00f3 sa\u00ed de Silveira quando fui chamada para assumir uma vaga no Departamento de Documenta\u00e7\u00e3o, em novembro de 2009, depois de realizar concurso p\u00fablico novamente. Minha volta a este Departamento, agora como professora efetiva, fechou um ciclo.  &nbsp;  J\u00e1 em Santa Maria, voltei a pensar na quest\u00e3o da hist\u00f3ria e da mem\u00f3ria vinculadas as discuss\u00f5es da Arquivologia, o que me aproximou, definitivamente, da linha de pesquisa L\u00edngua, sujeito e hist\u00f3ria, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras, para a qual concorri a uma vaga de doutorado no final de 2011. Aqui estou, trabalhando em minha tese sobre o discurso em atestados de \u00f3bito da Santa Maria do final do s\u00e9culo XIX, trabalhando com minhas paix\u00f5es: Arquivologia, documentos, mem\u00f3ria e a l\u00edngua, meio pelo qual o sujeito se faz presente na hist\u00f3ria.  &nbsp;  Em 2010, quando assumia o cargo de coordenadora substituta do Curso de Arquivologia da UFSM, o professor Felipe Muller, nosso Reitor, me designou, em p\u00fablico, como \u0093a professora n\u00f4made da UFSM\u0094. Orgulho-me da minha trajet\u00f3ria e acho que minhas andan\u00e7as \u00e9 o que tornaram-me diferente, singular. Por ter sido itinerante \u00e9 que conhe\u00e7o, hoje, muito da minha querida Universidade.  &nbsp;  <strong>02. No dia 13 deste m\u00eas, um projeto coordenado por voc\u00ea foi agraciado com o M\u00e9rito Extensionista \u0093Prof. Dr. Jos\u00e9 Mariano da Rocha Filho\u0094. Conte-nos um pouco sobre esse projeto.<\/strong>  &nbsp;  Neste ano, a Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o come\u00e7a um novo ciclo de avalia\u00e7\u00e3o das A\u00e7\u00f5es de Extens\u00e3o contemplando com o M\u00e9rito Extensionista &#8220;Prof. Dr. Jos\u00e9 Mariano da Rocha Filho&#8221; a\u00e7\u00f5es das \u00e1reas de Cultura, Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade. A A\u00e7\u00e3o de Extens\u00e3o da Cultura escolhida por uma comiss\u00e3o <em>ad hoc<\/em> foi \u0093Digitaliza\u00e7\u00e3o do Fundo Intend\u00eancia do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal de Santa Maria: subs\u00eddio para pesquisa social\u0094. Sinto uma imensa felicidade em ser a coordenadora desta A\u00e7\u00e3o e com isso poder receber este M\u00e9rito. Primeiro, por trazer consigo o nome da personalidade que mais admiro como educador, empreendedor e realizador, que \u00e9 Jos\u00e9 Mariano da Rocha Filho; depois, e n\u00e3o menos importante, por valorizar o trabalho de toda a equipe envolvida no projeto, realizado ao longo de 2011, e que fa\u00e7o quest\u00e3o de nominar: a acad\u00eamica Eliete Camrgo, que foi bolsista do Fundo de Incentivo \u00e0 Extens\u00e3o (FIEX\/UFSM), os acad\u00eamicos volunt\u00e1rios Paulo Henrique Trennepohl, Rita Dias dos Santos e Let\u00edcia Fausto da Silva, a colega de Departamento e de projetos Sonia Constante e a diretora do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal de Santa Maria, Dani\u00e9le Xavier Calil. Todos envolveram-se plenamente para a consecu\u00e7\u00e3o dos objetivos e foram incans\u00e1veis para que cheg\u00e1ssemos a um resultado positivo, com qualidade. Ao final do trabalho, o grupo higienizou e digitalizou 908 documentos, obtendo mais de 1800 representantes digitais, o que potencializa o acesso e uso deste material em pesquisas sem prejudicar os originais. Hoje j\u00e1 est\u00e3o sendo realizados estudos nos documentos digitalizados pela equipe. O <em>corpus<\/em> que analiso em minha tese conta com os documentos de um tomo deste Fundo Intend\u00eancia digitalizado. \u00c9 uma grande realiza\u00e7\u00e3o.  &nbsp;  <strong>03. O que significa para voc\u00ea e seu grupo o reconhecimento desse projeto e o recebimento do certificado do M\u00e9rito Extensionista?<\/strong>  &nbsp;  O significado de receber o M\u00e9rito \u00e9 ter a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho. Os acad\u00eamicos e professores da UFSM que se dedicam a projetos o fazem por acreditarem em suas propostas e por idealismo, por pensar que uma sociedade diferente \u00e9 poss\u00edvel. Quando se recebe um reconhecimento da academia, como o M\u00e9rito Extensionista, vemos que aqueles que est\u00e3o convivendo conosco, em nosso tempo, compreenderam o que fizemos e entendem que o que realizamos teve valor para nossa comunidade. Penso que este tipo de premia\u00e7\u00e3o \u00e9 um est\u00edmulo para que continuemos investindo em extens\u00e3o, pois \u00e9 com ela que chegamos fora dos muros da UFSM. A extens\u00e3o \u00e9 o espa\u00e7o de maior contato entre universidade e comunidade e, como trip\u00e9 da UFSM, deve ser estimulada e cada vez mais consolidada na Institui\u00e7\u00e3o.  &nbsp;  <strong>04. Voc\u00ea destacou a utilidade dos resultados desse projeto na coleta de dados para o desenvolvimento da sua tese. Por que o uso deste material? Com que vi\u00e9s te\u00f3rico voc\u00ea ir\u00e1 analis\u00e1-lo? Por que o interesse nesse tema?<\/strong>  &nbsp;  Nada do que fazemos na academia est\u00e1 desvinculado ao que somos, ao que reunimos como conhecimento ao longo de nossa trajet\u00f3ria acad\u00eamica. \u00c9 engra\u00e7ado pensar, mas cada aspecto que envolve meu tema de pesquisa de tese j\u00e1 passou por mim sob outros pontos de vista na minha forma\u00e7\u00e3o e na minha atua\u00e7\u00e3o como servidora da UFSM (enquanto t\u00e9cnica-administrativa ou docente). Minha proposta \u00e9 usar a an\u00e1lise de discurso de linha francesa, fundada por Michele P\u00eacheux, para observar o que se diz sobre a morte em atestados de \u00f3bito do ano de 1896 que, em um conjunto de 86 documentos, formam o Tomo 13 do Fundo Intend\u00eancia.  &nbsp;  Como pesquisadora eu j\u00e1 trabalhei com o registro fotogr\u00e1fico de um cemit\u00e9rio desativado, o que remete \u00e0 tem\u00e1tica morte e, indiretamente, atestado de \u00f3bito. Tamb\u00e9m no Arquivo de Prontu\u00e1rios do HUSM tive acesso a documentos que registram a doen\u00e7a e a morte. Na Comunica\u00e7\u00e3o Social e na Arquivologia, sempre busquei privilegiar temas envolvendo Santa Maria, muitos deles relacionados com personagens locais, o que permite contato com personalidades que est\u00e3o presentes como autores de atestados neste Tomo que trabalho, tais como o primeiro intendente Vale Machado, os m\u00e9dicos Pantale\u00e3o Jos\u00e9 Pinto e Astrogildo de Azevedo, entre outros. \u00c9 interessante ver a hist\u00f3ria da cidade atrav\u00e9s dos registros manuscritos destes homens e como a ideologia aparece nas diferentes Forma\u00e7\u00f5es Discursivas.  &nbsp;  Algo que tem me chamado a aten\u00e7\u00e3o ultimamente \u00e9 o aspecto pol\u00edtico presente neste estudo, o que \u00e9 muito vibrante e que me traz muitas novas quest\u00f5es. O cen\u00e1rio pol\u00edtico-social de Santa Maria no final do s\u00e9culo XIX \u00e9 especialmente instigante.  &nbsp;  Como o Tomo que estudo j\u00e1 estava descrito e digitalizado, percebi uma oportunidade de olhar para este material com um gesto de leitura diferenciado, vinculando os aspectos que est\u00e3o em torno da linha de pesquisa que fa\u00e7o parte no Doutorado em Letras: \u0093L\u00edngua, sujeito e hist\u00f3ria\u0094. Sinto-me realizada em congregar tantas paix\u00f5es e interesses em um s\u00f3 trabalho, e esta satisfa\u00e7\u00e3o, aliada a minha curiosidade acad\u00eamica, \u00e9 o que me move como pesquisadora. <!--more--> <em>Fernanda Kieling Pedrazzi \u00e9 Professora Assistente N\u00edvel 4 do Departamento de Documenta\u00e7\u00e3o do CCSH\/UFSM, Graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social \u0096 Jornalismo e em Arquivologia, Mestre em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o\/CT\/UFSM e Doutoranda em Estudos Lingu\u00edsticos\/PPGL\/UFSM.<\/em>  <strong>\u00a0<\/strong>  <strong><a href=\"http:\/\/corpus.ufsm.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/Foto-de-Rosanara-Urbanetto.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-1621\" title=\"Foto de Rosanara Urbanetto\" src=\"http:\/\/corpus.ufsm.br\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/Foto-de-Rosanara-Urbanetto-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a>01.Cara Fernanda, conte-nos um pouco sobre o seu percurso como profissional da Arquivologia e sua vida profissional na UFSM. Por que escolheu a \u00e1rea? Arquivologia foi a sua primeira op\u00e7\u00e3o? Em que \u00e1rea realizou seu mestrado? Por que decidiu ingressar no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras para realizar seu doutorado?<\/strong>  &nbsp;  A Arquivologia surgiu como uma paix\u00e3o, no ano de 2000, quando j\u00e1 era formada em Jornalismo, j\u00e1 cursava o mestrado na \u00e1rea de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o e trabalhava na organiza\u00e7\u00e3o do acervo do professor Jos\u00e9 Mariano da Rocha Filho preservado na casa da fam\u00edlia. Eu tinha sido aluna e orientanda da professora Eugenia, filha de Mariano, durante a gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social \u0096 Jornalismo, tendo sido bolsista CNPq por dois anos em um projeto que fazia um levantamento da \u00e1rea geo-educacional da UFSM e j\u00e1 na minha primeira gradua\u00e7\u00e3o aprendi o valor da hist\u00f3ria da nossa Universidade tornando-me uma admiradora do Dr. Mariano. Foi atrav\u00e9s dela que, no ano de 1999, dei in\u00edcio ao trabalho junto aos documentos do Reitor-fundador da UFSM.  &nbsp;  Neste contexto, tive acesso ao que fazia o arquivista em julho de 2000, na formatura da turma de Arquivologia de Glaucia Konrad (hoje minha colega de Departamento na Documenta\u00e7\u00e3o). Glaucia, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o conhecia, era a oradora da turma e suas palavras sobre a Arquivologia e o papel do arquivista me tocaram profundamente. Foi amor \u00e0 primeira palavra. Neste dia, decidi que faria uma segunda gradua\u00e7\u00e3o, e que esta seria Arquivologia.  &nbsp;  Naquele mesmo ano, concorri a uma vaga oferecida como ingresso de graduado e em 2001 comecei a cursar Arquivologia na UFSM, tendo me formado no ano de 2004. No ano seguinte, como j\u00e1 tinha conclu\u00eddo o mestrado em 2002 e tinha alguma experi\u00eancia em doc\u00eancia na Comunica\u00e7\u00e3o, ingressei como professora substituta do Departamento de Documenta\u00e7\u00e3o ficando ali at\u00e9 o ano seguinte quando fui chamada pela UFSM para assumir uma vaga de arquivista no Arquivo de Prontu\u00e1rios do Hospital Universit\u00e1rio, para o qual havia feito concurso.  &nbsp;  Deixei o Hospital e o cargo de servidor t\u00e9cnico-administrativo da UFSM poucos meses depois para assumir, em outubro de 2006, uma vaga de professora de ensino superior no rec\u00e9m criado Centro de Educa\u00e7\u00e3o Superior Norte do RS (CESNORS) da UFSM, campus de Frederico Westphalen, para dar aulas no Curso de Jornalismo, onde fiquei por pouco mais de dois anos. Era a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho, minha meta profissional: ser professora da UFSM.  &nbsp;  A pedido, em 2008, fui removida para a ent\u00e3o nov\u00edssima Unidade de Educa\u00e7\u00e3o Superior da UFSM em Silveira Martins-RS (UDESSM) na qual coordenei, nos primeiros tempos, o Curso de Turismo. S\u00f3 sa\u00ed de Silveira quando fui chamada para assumir uma vaga no Departamento de Documenta\u00e7\u00e3o, em novembro de 2009, depois de realizar concurso p\u00fablico novamente. Minha volta a este Departamento, agora como professora efetiva, fechou um ciclo.  &nbsp;  J\u00e1 em Santa Maria, voltei a pensar na quest\u00e3o da hist\u00f3ria e da mem\u00f3ria vinculadas as discuss\u00f5es da Arquivologia, o que me aproximou, definitivamente, da linha de pesquisa L\u00edngua, sujeito e hist\u00f3ria, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras, para a qual concorri a uma vaga de doutorado no final de 2011. Aqui estou, trabalhando em minha tese sobre o discurso em atestados de \u00f3bito da Santa Maria do final do s\u00e9culo XIX, trabalhando com minhas paix\u00f5es: Arquivologia, documentos, mem\u00f3ria e a l\u00edngua, meio pelo qual o sujeito se faz presente na hist\u00f3ria.  &nbsp;  Em 2010, quando assumia o cargo de coordenadora substituta do Curso de Arquivologia da UFSM, o professor Felipe Muller, nosso Reitor, me designou, em p\u00fablico, como \u0093a professora n\u00f4made da UFSM\u0094. Orgulho-me da minha trajet\u00f3ria e acho que minhas andan\u00e7as \u00e9 o que tornaram-me diferente, singular. Por ter sido itinerante \u00e9 que conhe\u00e7o, hoje, muito da minha querida Universidade.  &nbsp;  <strong>02. No dia 13 deste m\u00eas, um projeto coordenado por voc\u00ea foi agraciado com o M\u00e9rito Extensionista \u0093Prof. Dr. Jos\u00e9 Mariano da Rocha Filho\u0094. Conte-nos um pouco sobre esse projeto.<\/strong>  &nbsp;  Neste ano, a Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o come\u00e7a um novo ciclo de avalia\u00e7\u00e3o das A\u00e7\u00f5es de Extens\u00e3o contemplando com o M\u00e9rito Extensionista &#8220;Prof. Dr. Jos\u00e9 Mariano da Rocha Filho&#8221; a\u00e7\u00f5es das \u00e1reas de Cultura, Educa\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade. A A\u00e7\u00e3o de Extens\u00e3o da Cultura escolhida por uma comiss\u00e3o <em>ad hoc<\/em> foi \u0093Digitaliza\u00e7\u00e3o do Fundo Intend\u00eancia do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal de Santa Maria: subs\u00eddio para pesquisa social\u0094. Sinto uma imensa felicidade em ser a coordenadora desta A\u00e7\u00e3o e com isso poder receber este M\u00e9rito. Primeiro, por trazer consigo o nome da personalidade que mais admiro como educador, empreendedor e realizador, que \u00e9 Jos\u00e9 Mariano da Rocha Filho; depois, e n\u00e3o menos importante, por valorizar o trabalho de toda a equipe envolvida no projeto, realizado ao longo de 2011, e que fa\u00e7o quest\u00e3o de nominar: a acad\u00eamica Eliete Camrgo, que foi bolsista do Fundo de Incentivo \u00e0 Extens\u00e3o (FIEX\/UFSM), os acad\u00eamicos volunt\u00e1rios Paulo Henrique Trennepohl, Rita Dias dos Santos e Let\u00edcia Fausto da Silva, a colega de Departamento e de projetos Sonia Constante e a diretora do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal de Santa Maria, Dani\u00e9le Xavier Calil. Todos envolveram-se plenamente para a consecu\u00e7\u00e3o dos objetivos e foram incans\u00e1veis para que cheg\u00e1ssemos a um resultado positivo, com qualidade. Ao final do trabalho, o grupo higienizou e digitalizou 908 documentos, obtendo mais de 1800 representantes digitais, o que potencializa o acesso e uso deste material em pesquisas sem prejudicar os originais. Hoje j\u00e1 est\u00e3o sendo realizados estudos nos documentos digitalizados pela equipe. O <em>corpus<\/em> que analiso em minha tese conta com os documentos de um tomo deste Fundo Intend\u00eancia digitalizado. \u00c9 uma grande realiza\u00e7\u00e3o.  &nbsp;  <strong>03. O que significa para voc\u00ea e seu grupo o reconhecimento desse projeto e o recebimento do certificado do M\u00e9rito Extensionista?<\/strong>  &nbsp;  O significado de receber o M\u00e9rito \u00e9 ter a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho. Os acad\u00eamicos e professores da UFSM que se dedicam a projetos o fazem por acreditarem em suas propostas e por idealismo, por pensar que uma sociedade diferente \u00e9 poss\u00edvel. Quando se recebe um reconhecimento da academia, como o M\u00e9rito Extensionista, vemos que aqueles que est\u00e3o convivendo conosco, em nosso tempo, compreenderam o que fizemos e entendem que o que realizamos teve valor para nossa comunidade. Penso que este tipo de premia\u00e7\u00e3o \u00e9 um est\u00edmulo para que continuemos investindo em extens\u00e3o, pois \u00e9 com ela que chegamos fora dos muros da UFSM. A extens\u00e3o \u00e9 o espa\u00e7o de maior contato entre universidade e comunidade e, como trip\u00e9 da UFSM, deve ser estimulada e cada vez mais consolidada na Institui\u00e7\u00e3o.  &nbsp;  <strong>04. Voc\u00ea destacou a utilidade dos resultados desse projeto na coleta de dados para o desenvolvimento da sua tese. Por que o uso deste material? Com que vi\u00e9s te\u00f3rico voc\u00ea ir\u00e1 analis\u00e1-lo? Por que o interesse nesse tema?<\/strong>  &nbsp;  Nada do que fazemos na academia est\u00e1 desvinculado ao que somos, ao que reunimos como conhecimento ao longo de nossa trajet\u00f3ria acad\u00eamica. \u00c9 engra\u00e7ado pensar, mas cada aspecto que envolve meu tema de pesquisa de tese j\u00e1 passou por mim sob outros pontos de vista na minha forma\u00e7\u00e3o e na minha atua\u00e7\u00e3o como servidora da UFSM (enquanto t\u00e9cnica-administrativa ou docente). Minha proposta \u00e9 usar a an\u00e1lise de discurso de linha francesa, fundada por Michele P\u00eacheux, para observar o que se diz sobre a morte em atestados de \u00f3bito do ano de 1896 que, em um conjunto de 86 documentos, formam o Tomo 13 do Fundo Intend\u00eancia.  &nbsp;  Como pesquisadora eu j\u00e1 trabalhei com o registro fotogr\u00e1fico de um cemit\u00e9rio desativado, o que remete \u00e0 tem\u00e1tica morte e, indiretamente, atestado de \u00f3bito. Tamb\u00e9m no Arquivo de Prontu\u00e1rios do HUSM tive acesso a documentos que registram a doen\u00e7a e a morte. Na Comunica\u00e7\u00e3o Social e na Arquivologia, sempre busquei privilegiar temas envolvendo Santa Maria, muitos deles relacionados com personagens locais, o que permite contato com personalidades que est\u00e3o presentes como autores de atestados neste Tomo que trabalho, tais como o primeiro intendente Vale Machado, os m\u00e9dicos Pantale\u00e3o Jos\u00e9 Pinto e Astrogildo de Azevedo, entre outros. \u00c9 interessante ver a hist\u00f3ria da cidade atrav\u00e9s dos registros manuscritos destes homens e como a ideologia aparece nas diferentes Forma\u00e7\u00f5es Discursivas.  &nbsp;  Algo que tem me chamado a aten\u00e7\u00e3o ultimamente \u00e9 o aspecto pol\u00edtico presente neste estudo, o que \u00e9 muito vibrante e que me traz muitas novas quest\u00f5es. O cen\u00e1rio pol\u00edtico-social de Santa Maria no final do s\u00e9culo XIX \u00e9 especialmente instigante.  &nbsp;  Como o Tomo que estudo j\u00e1 estava descrito e digitalizado, percebi uma oportunidade de olhar para este material com um gesto de leitura diferenciado, vinculando os aspectos que est\u00e3o em torno da linha de pesquisa que fa\u00e7o parte no Doutorado em Letras: \u0093L\u00edngua, sujeito e hist\u00f3ria\u0094. Sinto-me realizada em congregar tantas paix\u00f5es e interesses em um s\u00f3 trabalho, e esta satisfa\u00e7\u00e3o, aliada a minha curiosidade acad\u00eamica, \u00e9 o que me move como pesquisadora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernanda Kieling Pedrazzi \u00e9 Professora Assistente N\u00edvel 4 do Departamento de Documenta\u00e7\u00e3o do CCSH\/UFSM, Graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social \u0096 Jornalismo e em Arquivologia, Mestre em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o\/CT\/UFSM e Doutoranda em Estudos Lingu\u00edsticos\/PPGL\/UFSM. \u00a0 01.Cara Fernanda, conte-nos um pouco sobre o seu percurso como profissional da Arquivologia e sua vida profissional na UFSM. 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