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Colaboração como prática

Autores: Daniel Jaenish Lopes, Pablo Rodrigues Pinheir, Rebeca Sasso Laureano, Rosmarine Jaskulski Capiotti, Ruth Maria Alfaro Bibiano, Yuri Fontenla.
Farol
EntreConversa - CULTURA INDÍGENA…

Como resistir aos processos hegemônicos da contemporaneidade e…

Este trabalho é o resultado de uma investigação realizada no primeiro semestre de 2018, na disciplina de Arte Mídia II do curso de licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, onde foi desenvolvida uma prática colaborativa junto ao grupo de funcionárias responsáveis pela limpeza do prédio do Centro de Artes e Letras – CAL. Tendo como intenção propor outros olhares para o ambiente cotidiano e de serviço do grupo que trabalham diariamente por este centro  de artes, porém não participam de suas atividades. 

Tendo como foco traçar algumas considerações acerca de trabalhos de arte de cunho mais processual e colaborativo, onde obra e público são deslocados de suas posturas mais tradicionais, provocando questionamentos no próprio fazer artístico, nos quais os papéis do artista  se fundem com atravessamentos de diferentes saberes, construindo pontes entre territórios. 

Decidimos instigar não somente as responsáveis da limpeza, mas a nós mesmos, como outras formas de enxergar o nosso ambiente comum de estudo e trabalho para outras maneiras de ver o nosso próprio espaço. Chamando atenção para outros olhares que possibilitem a troca de afetos e cruzamentos de saberes. Por isso a elaboração de início de nosso trabalho pensamos em construir um mapa cartográfico para ordenar as coisas que iríamos precisar pensar nossos encontros e esboçar nossas ideias e conceitos.

Pensamos como seria nosso primeiro, foi então introduzida a ideia de fazer um convite e assim pensarmos em uma possibilidade de trabalharmos juntos em uma arte colaborativa, até pelo fato de não sabermos se iriam aceitar nossa proposta. No primeiro encontro colocamos disparadores (palavras chaves) , sobre a mesa com o intuito de provocar nossas convidadas ao entrarem na sala e tomarem um café/chá conosco.

Durante o café nos foi compartilhados seus interesses, demonstrando uma inclinação para a costura e a utilização do tecido como suporte. Foi a partir das possibilidades de uso de máquinas de costura e outros materiais, bem como o compartilhamento de técnicas que surge a ideia de começar a trabalhar a costura, bordados e pintura em tecido. Neste encontro, elas trouxeram materiais e ideias que tiveram durante a semana, potencializando então as possibilidades pensadas no encontro anterior. Essas propostas demonstram o envolvimento delas com o núcleo familiar. Também a proposta de customização de uma saia jean a partir de múltiplas técnicas, entre elas bordado e estampas feitas de gravura, associadas a criação de patchwork.

Com o passar do tempo, cada encontro foi se tornando mais aconchegante, mais produtivo. As práticas colaborativas e de grupo já são vistas com mais intensidade e o amadurecimento do convívio em grupo pode ser percebido nas falas e comentários, possibilitando um cruzamento de ideias, e encontros com as técnicas propostas.

Quando a primeira voluntária para testes na máquina surgiu, as outras duas espectadoras a apoiaram, auxiliaram na trajetória da linha e fizeram elogios quanto ao resultado. Nisto, decidiram todas tentar, dividindo a mesma capa de travesseiro, cada uma costurou um pedacinho. 

Após nossos momentos de costura, conversa, chás e cafés, ocorreu a ideia de confeccionar bolsas e pintura em tecido. Todos do grupo compartilharam o prazer de ver surgir objetos que resultaram de ideias coletivas, trocas de conhecimentos e ajuda mútua.