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ContraMonumentos | CounterMonuments*

Integrantes: Andreia Machado Oliveira, Matheus Moreno dos Santos Camargo,  Barbara Almeida de Souza, Camila dos Santos, Davi Carvalho, Fabiane Urquhart Duarte, Hermes Renato Hildebrand, Luyanda Zindela, Milena Szafir, Niresh Singh, Rene Alicia Smith, Tasneen Seedat, Túlio Chiodi e Wagner de Souza Antonio.

ContraMonumentos | CounterMonuments problematiza, em propostas artísticas, monumentos urbanos tradicionais. Este projeto, em 2020 e 2021, transformou ambientes imersivos e interativos em memórias compartilhadas. Em 2021, houve a implementação de Inteligência Artificial na proposta, investigando emoções conectadas/desconectadas da vida em um mundo COVID-19. As emoções são analisadas e classificadas por uma IA, que fornece dados para o software Touch Designer alterar imagens e áudios relacionados com cada emoção. Há uma performance de duas arquiteturas de aprendizado profundo na tarefa de identificação de emoções em áudios de fala para diferentes idiomas: TCNs e YAMNet. Esta proposta é realizada pelo LabInter, na Universidade Federal de Santa Maria/Brasil e pelo itdLab na Durban University of Technology/África do Sul, com colaboração dos laboratórios: LAD/UFSM, Projet’ares ÁudioVisuais/UFC, IHAC/UFBA e CSGames/PUC/SP

Em 2020, o projeto foi apresentado no evento internacional DIGIFEST 2020 e, em 2021, nos eventos internacionais Hiperorgânicos/Open live 2/, realizado pelo Nano/UFRJ, e Mostra AIR: Arte e Ambientes Imersivos e Interativos em Rede[1], na plataforma virtual SANSAR[2]. Em diferentes versões, ContraMonumentos | CounterMonuments tem sido produzido para os formatos: fulldome nas cúpulas de planetários, telas panorâmicas 360o, video mapping em fachadas arquitetônicas, performance online e instalações imersivas para realidade virtual.

Nosso processo para desenvolver o projeto ContraMonumentos | CounterMonuments (CM) parte de procedimentos colaborativos transdisciplinares, deliberadamente Sul-Sul, promovendo experiências diversificadas e inclusivas na produção de arte e tecnologia e narrativas visuais. Nossos projetos refletem os contextos socioeconômicos compartilhados e divergentes e as experiências vividas por professores, pesquisadores, artistas e estudantes desses dois países no Sul Global. Através do envolvimento contínuo, cocriamos experimentalmente e virtualmente, de maneira transformadora e reflexiva, na pesquisa e na prática. Para tanto, a conceitualização e o processo criativo priorizam a consciência crítica e social; contextualização global e agência cultural. O processo criativo e a produção de CM refletem a interconectividade entre realidades vividas, histórias compartilhadas e contestadas, democracia participativa, descolonialidade e justiça social. Isso faz parte de nossa jornada para questionar a universalidade das normas e epistemologias dominantes, enquanto estamos ativos no processo de reimaginação do Antropoceno.

Boa parte das trocas inter-laboratoriais acontece via Internet e redes virtuais, como trocas de e-mails, compartilhamentos de arquivos em drives de nuvens, mensagens via aplicativo WhatsApp, videoconferências e, ainda, em alguns momentos, intercâmbio presencial entre artistas/pesquisadores dos laboratórios envolvidos. Por exemplo, para compor o banco de imagens e áudios do projeto, todos os laboratórios participantes sobem seus materiais para um drive, compartilhando suas experiências locais.

O tema dos monumentos que transcendem uma hegemonia discursiva e de poder estabelecidos é resultado de muitas conversas e discussões. E o objetivo artístico, o de descontruir uma composição imagética visual e sonora como unidade e centrada em diferentes superfícies e formatos imersivos e interativos, de reconfigurar novos espaços expositivos e de projeção, transformando as cidades e suas fachadas, suas faces “monumentais”, através de um audiovisual expandido, decorre de alguns anos de conversações dos laboratórios, com seus diversos perfis de artistas/pesquisadores, de projetos e de conjunturas estruturais. 

Em 2020, CM centraliza-se em torno de figuras, eventos, heranças ou práticas dentro das cidades participantes – grandes ou pequenas – que foram tornadas invisíveis ou negligenciadas através do poder hegemônico. Reflete as experiências na COVID-19, usando o espaço virtual como contra-monumento. Considerando que monumentos públicos (físicos) tradicionais e locais de memória buscam fixar permanentemente a memória por meio do poder e são imponentes, os monumentos e memoriais digitais criados por meio desse projeto buscam ser líquidos, flexíveis, inclusivos e com os quais haja interação.

Cada arquivo compartilhado no drive coletivo como um repositório comum fez parte de uma gravação de tela desses momentos, buscando detalhes no caminho e outras nuances dessa visualidade. O processo de navegação desse método de revisitar o olhar foi realizado através de um aplicativo em dispositivo móvel, criando rotações do ponto de vista, afastamentos ancorados pela câmera como ponto pivote, contorções da profundidade de campo pelo toque na tela do dispositivo móvel, de forma quase performática. O resultado foram interpretações desses momentos em novas mídias digitais, agrupados e sequenciados, em alguns momentos, ou sobrepostos na montagem da sequência final.

Processo de revisitar o deslocamento alterando os pontos de vista do deslocamento.
Fonte: Acervo LabInter.

Essa montagem surge no processo generativo em TouchDesigner[3] enquanto variável. A concentração de pixels presente nesse deslocamento, distintos pelo seu aspecto cromático, mudam a configuração de linhas verticalizadas, que sugerem junto ao ritmo do áudio a formação de uma topografia, desconectada da topografia original presente na estética videográfica 360°. Como em uma de terraformação[4] numérica, essa síntese visual propõe a transposição de um lugar através de uma variedade de informações, possíveis pela filmagem 360° e suas possibilidades de recomposição dos quadros da filmagem na fundação de um novo modelo imaginário desse lugar, parte visualidade mediada por tecnologia, parte interpretação cromática sujeita a variáveis sonoras em performance audiovisual ao vivo. O arranjo generativo foi gravado como parte da composição final.

 

O processo generativo presente na constituição desta estética videográfica da edição 2020 de CM foi apresentado no Digifest 2020 (Figura 3), que teve como origem arquivos filmados nas diversas cidades participantes. Esta produção audiovisual foi apresentada em uma renderização 3D de um ambiente de planetário virtual[5] como um vídeo de 360o carregado no YouTube. A filmagem mencionada acima foi capturada em formato de vídeo 5K 360o, usando uma câmera GoPro Fusion 360, sendo apresentado um vídeo 360o em um formato esférico, que coloca o visualizador no centro da esfera. Isso cria uma experiência totalmente imersiva na qual o espectador pode vivenciar a cena como se estivesse lá. Como alternativa, os vídeos 360o podem ser visualizados em um computador, usando um mouse para navegar pela cena, ou em dispositivos móveis, movendo o dispositivo ou usando a tela de toque para navegar pela cena. A capacidade do vídeo 360 de capturar toda a cena panorâmica à medida que acontece, apoia a ideia fundamental de capturar os espaços como monumentos às emoções humanas.

Monumentos Virtuais no evento Digifest 2020.   
Fonte: Acervo LabInter.

Em 2021, ao projeto CM, insere-se pesquisas em andamento sobre Inteligência Artificial, realizadas nos laboratórios a fim de trazer as emoções vivenciadas no momento COVID-19. Tais emoções são trabalhadas em nível sonoro e não semântico, decorrendo de pesquisas prévias do LabInter e do #IR/UFC. No LabInter, a IA é trabalha a partir de explorações das diferentes possibilidades e aplicações de redes neurais, e considerando a viabilidade de implementação, dada complexidade, tempo e disponibilidade de bancos de dados, com uma abordagem voltada à análise de emoções nos diálogos e entrevistas entre os pesquisadores e comunidades respectivas. Esse processo de automatização da identificação de emoções, permite a concretização ou transmutação do conteúdo do diálogo num único objeto que sintetiza as emoções dos interatores.

Esta proposta, ainda em construção, participou em 2021 do evento Hiperorgânicos/ Open Live 2[6], em abril de 2021, enviando em tempo real as imagens e os áudios de falas dos pesquisadores para processamento do agente prototipado, que se encontra em servidor do evento, a fim de serem compartilhados tais dados entre laboratórios. A partir desse arsenal online, os laboratórios envolvidos na proposta performaram visualmente e sonoramente durante o evento.

 

 Performance do ContraMonumentos no evento Hiperorgânicos 2021/Open Live 2.                                                                                                               Fonte: Acervo Hiperorgânicos/Nano. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=__IZM-n5dj0

Atento à vazão de dados gerados pelo processo de Inteligência Artificial, o processo generativo tem, em sua proposição inicial, especificar e espacializar as emoções identificadas pelo método. Atribuir coordenadas de forma a criar uma bússola sujeita ao coeficiente numérico. usando um polígono como base, um heptágono rotacionado em cópias de 52 graus como estratégia de atração de partículas, de acordo com a intensidade de cada emoção enviada para o banco de dados do Hiperorgânicos. Atualizado em tempo real no Touch Designer[7], cada leitura sonora presente enquanto coeficiente numérico reposicionava uma nuvem de partículas, conferindo formas e espacialidades inerentes à emoção predominante no instante da leitura. Somado às partículas, o sistema generativo presente no CM da edição 2020, essa espacialização se sobrepõe aos deslocamentos em 360° e imprime sobre a visualidade do trajeto por Durban emoções presentes durante o evento online do Hiperorgânicos, de forma a dobrar duas porções de tempo sobre o mesmo ponto fixadas pelo processual generativo, sujeito à interferência do agora, numérico da Inteligência Artificial.

 Performance do ContraMonumentos no evento Hiperorgânicos 2021/Open Live 2.                                                                                                                             Fonte: Acervo LabInter e Hiperorgânicos/Nano. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=__IZM-n5dj0

Nesta OpenLive, fica evidente a característica aberta e coletiva desta obra colaborativa em rede, na diversidade de imagens e sons que produz uma composição efêmera e dinâmica, em que podemos perceber a atuação de cada indivíduo na performance online, todavia se conectando aos demais, reinterpretando os dados gerados pela rede neural de uma maneira específica, capturados do servidor no NANO e associando estes às imagens e aos sons dos outros participantes.

Ainda em 2021, CM[8] participa da Mostra Internacional AIR: Arte e Ambientes Imersivos e Interativos em Rede[9], que conta com diversas exposições, exibições, propostas artísticas e apresentações na plataforma de realidade virtual SANSAR[10].

CM 20/21 na Mostra AIR 2021.                                                                                                                                                                                                                          Fonte: Acervo LabInter.

Entre as propostas artísticas da mostra AIR, CM compõe uma instalação em realidade virtual, visando explorar possibilidades imersivas e interativas da plataforma SANSAR. Estes sons, de falas em diversas línguas (zulu, inglês, português, espanhol e “portunhol”), coletadas do banco de dados compartilhado do projeto, são distribuídos pelo espaço virtual do ambiente deste trabalho, associando estes a modelos de monumentos tradicionais e objetos tridimensionais (3D) digitais de esculturas como Moisés e Davi, de Michelangelo, que têm sua materialidade transgredida neste meio, quando entrecruzadas e ao receberem em suas superfícies imagens em movimento.

ContraMonumentos 20/21 na EFEMERA Imagem – Exibição AudioVisual FullDome. Realidade Virtual no Sansar, 2021.                                                                        Fonte: Acervo LabInter.

Publicação:

Oliveira, Andreia M.; Souza, Bárbara A.; Santos, Camila dos; Alvim, Luiz Augusto T. F.; Zindela, Luyanda; Camargo, Matheus Moreno dos S.; Singh, Niresh; Seedat, Tasneem. (2020). Monumentos Virtuais e Memória: uma experiência interdisciplinar e colaborativa transnacional em projection art. In: Revista Vazantes, vol. 04, n.  02 202, p.  93 – 113.

[2] https://atlas.sansar.com/experiences/labinter21-4436/air-21

[3] Linguagem de programação em nós para geração síntese visual ao vivo disponível em versão grátis e limitada no endereço: https://derivative.ca

[4] Termo proposto por Jack Williamson em seu conto de ficção científica “CollisionOrbit” (1942) como sinônimo de uma engenharia planetária capaz de adaptar outros planetas para a vida humana. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Terraforma%C3%A7%C3%A3o.

[5] Modelagem 3D de Luiz Augusto Alvim/LabInter/UFSM.

[6] https://nano.eba.ufrj.br/hiper9/OpenLive2.html

[7] Linguagem de programação em nós para geração síntese visual ao vivo disponível em versão grátis e limitada no endereço: https://derivative.ca

[8] Andreia Machado Oliveira Bárbara Almeida de Souza Camila dos Santos Davi Carvalho Fabiane Urquhart Duarte Hermes Renato Hildebrand Matheus Moreno dos Santos Camargo Milena Szafir, Túlio Chiodi (Brasil), LuyandaZindela, Niresh Singh, Rene Alicia Smith TasneenSeedat (Africa do Sul).

* Apoio CNPq, CAPES e FAPERGS.