{"id":63,"date":"2016-09-05T17:55:19","date_gmt":"2016-09-05T20:55:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/lep\/?p=63"},"modified":"2019-07-09T17:59:46","modified_gmt":"2019-07-09T20:59:46","slug":"descobertos-os-mais-antigos-fosseis-de-seres-multicelulares-da-america-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/lep\/2016\/09\/05\/descobertos-os-mais-antigos-fosseis-de-seres-multicelulares-da-america-do-sul","title":{"rendered":"Descobertos os mais antigos f\u00f3sseis de seres multicelulares da Am\u00e9rica do Sul"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"margin-bottom: 10px;color: #666666;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;text-align: justify\">De longe, parecem bolhas achatadas brotando da rocha. Vistas de perto, as centenas de discos de tamanhos variados que estampam as placas de arenito encontradas na Forma\u00e7\u00e3o Cerro Negro, no interior da Argentina, apresentam detalhes que s\u00f3 os corpos de seres vivos possuem: curvas suaves e bordas frondosas, que lembram as de \u00e1guas-vivas. Descobertas no ano passado por pesquisadores brasileiros e argentinos, rochas de 560 milh\u00f5es de anos guardam o registro mais antigo da exist\u00eancia de seres multicelulares na Am\u00e9rica do Sul. Os pequenos discos, com di\u00e2metro variando de 6 cent\u00edmetros (cm) a 16 cm, correspondem, no entanto, a f\u00f3sseis de organismos do g\u00eanero Aspidella. Essa \u00e9 a primeira vez que f\u00f3sseis desse tipo s\u00e3o encontrados nessa regi\u00e3o do planeta, relatam os pesquisadores em artigo publicado em 27 de julho na revista Scientific Reports.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 10px;color: #666666;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;text-align: justify\">As Aspidella foram um dos primeiros organismos multicelulares marinhos a surgir na Terra. Seus f\u00f3sseis j\u00e1 haviam sido encontrados em quase todos os continentes, exceto na Ant\u00e1rtida. O fato de agora terem sido achados tamb\u00e9m na Am\u00e9rica do Sul indica que essa regi\u00e3o do continente teria sido banhada no passado por um mar raso, que cobriu vastas extens\u00f5es do que hoje \u00e9 o Brasil, a Argentina e a \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 10px;color: #666666;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;text-align: justify\">\u201cF\u00f3sseis desses organismos de corpo mole ocorrem em rochas da mesma idade no Canad\u00e1, na Gr\u00e3-Bretanha, na R\u00fassia, na Nam\u00edbia e na Austr\u00e1lia\u201d, explica o ge\u00f3logo Lucas Warren, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro. Ele coordenou a pesquisa em parceria com a sediment\u00f3loga J\u00falia Arrouy e o paleont\u00f3logo Daniel Poir\u00e9, ambos do Centro de Investiga\u00e7\u00f5es Geol\u00f3gicas de La Plata, Argentina.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 10px;color: #666666;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;text-align: justify\">Conhecidos desde o s\u00e9culo XIX, os f\u00f3sseis de Aspidella est\u00e3o entre os mais antigos e abundantes da chamada biota de Ediacara, formada por organismos marinhos cujos corpos, embora relativamente simples, representaram a primeira grande diversidade de formas macrosc\u00f3picas de vida na Terra. Antes de esses organismos surgirem, os mares do planeta eram habitados apenas por seres unicelulares, como as bact\u00e9rias, ou col\u00f4nias formadas por c\u00e9lulas de fun\u00e7\u00f5es variadas.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 10px;color: #666666;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;text-align: justify\">\u201cA biota de Ediacara marca a primeira grande expans\u00e3o da diversidade dos organismos multicelulares\u201d, esclarece Marcello Sim\u00f5es, paleont\u00f3logo da Unesp, campus de Botucatu, que colaborou no estudo. \u201cAinda n\u00e3o sabemos por que essa biota se extinguiu nem qual \u00e9 exatamente a sua rela\u00e7\u00e3o com os filos de animais modernos.\u201d<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 10px;color: #666666;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;text-align: justify\">Ao certo, sabe-se apenas que a biota de Ediacara prevaleceu nos oceanos do planeta de 580 milh\u00f5es a 542 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, entre o final do per\u00edodo geol\u00f3gico Ediacarano e o in\u00edcio do Cambriano. A maioria dessa biota, entretanto, aparentemente foi extinta no come\u00e7o do Cambriano, quando uma diversidade de esp\u00e9cies ainda maior surgiu e originou animais anatomicamente mais complexos, entre eles os ancestrais dos atuais insetos e vertebrados.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 10px;color: #666666;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;text-align: justify\">\u201cH\u00e1 certa pol\u00eamica na literatura cient\u00edfica sobre a natureza das Aspidella\u201d, conta a paleont\u00f3loga Fernanda Quaglio, da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia, Minas Gerais, colaboradora de Warren no estudo. Alguns pesquisadores defendem que a forma de disco desses organismos n\u00e3o representa o f\u00f3ssil de um animal completo, mas de apenas uma parte dele. O disco seria a base de sustenta\u00e7\u00e3o para uma estrutura filtradora de \u00e1gua do mar em forma de pena, como a de organismos relacionados ao g\u00eanero Charniodiscus, j\u00e1 encontrados em outros s\u00edtios paleontol\u00f3gicos, mas ainda n\u00e3o em Cerro Negro. Para outros pesquisadores, as Aspidella nada teriam a ver com os Charniodiscus. Em vez disso, teriam sido col\u00f4nias de fungos ou representariam ainda evid\u00eancia de formas de vida muito mais simples.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 10px;color: #666666;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px;text-align: justify\">Independentemente da verdadeira natureza dos seres encontrados em Cerro Negro, Warren v\u00ea essa descoberta como mais uma evid\u00eancia de como eram os continentes h\u00e1 cerca de 550 milh\u00f5es de anos. No cen\u00e1rio apresentado em 2014 por Warren e outros ge\u00f3logos, uma grande por\u00e7\u00e3o das massas continentais que originariam o supercontinente Gondwana, do qual surgiram os blocos rochosos mais antigos que formam a Am\u00e9rica do Sul, a \u00c1frica, a Ant\u00e1rtida e a Austr\u00e1lia, eram cobertas por um mar raso, com poucas dezenas de metros de profundidade, parte de um oceano batizado de Clymene. \u201cN\u00e3o existe nenhum mar parecido hoje\u201d, afirma Warren. \u201cPossivelmente o Clymene cobriria com \u00e1gua salgada uma \u00e1rea continental t\u00e3o extensa quanto a Ant\u00e1rtida.\u201d<\/p>\n<p style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 10px;color: #666666;font-family: Helvetica, Arial, sans-serif;font-size: 13px\"><span style=\"font-family: Georgia;font-size: 15px;line-height: 22px\">\u201cF\u00f3sseis desses organismos de corpo mole ocorrem em rochas da mesma idade no Canad\u00e1, na Gr\u00e3-Bretanha, na R\u00fassia, na Nam\u00edbia e na Austr\u00e1lia\u201d, explica o ge\u00f3logo Lucas Warren, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro. Ele coordenou a pesquisa em parceria com a sediment\u00f3loga J\u00falia Arrouy e o paleont\u00f3logo Daniel Poir\u00e9, ambos do Centro de Investiga\u00e7\u00f5es Geol\u00f3gicas de La Plata, Argentina.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De longe, parecem bolhas achatadas brotando da rocha. Vistas de perto, as centenas de discos de tamanhos variados que estampam as placas de arenito encontradas na Forma\u00e7\u00e3o Cerro Negro, no interior da Argentina, apresentam detalhes que s\u00f3 os corpos de seres vivos possuem: curvas suaves e bordas frondosas, que lembram as de \u00e1guas-vivas. Descobertas no ano passado por pesquisadores brasileiros e argentinos, rochas de 560 milh\u00f5es de anos guardam o registro mais antigo da exist\u00eancia de seres multicelulares na Am\u00e9rica do Sul. Os pequenos discos, com di\u00e2metro variando de 6 cent\u00edmetros (cm) a 16 cm, correspondem, no entanto, a f\u00f3sseis de organismos do g\u00eanero Aspidella. 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