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				<title>Integrante do milpa participa de cobertura jornalística da COP30 em Belém</title>
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				<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 11:53:22 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[milpa]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>

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						<description><![CDATA[O jornalista e integrante do milpa &#8211; laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), Micael dos Santos Olegário, participa neste mês de novembro da cobertura jornalística da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA). Micael é mestrando no Programa de Pós-graduação em Comunicação (Poscom) e pesquisa sobre práxis comunicativa e jornalismo socioambiental. De [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2025/11/micael_COP_30-1024x768.jpeg" alt="" />													
		<p>O jornalista e integrante do <b>milpa - laboratório de jornalismo</b> (CNPq/UFSM), Micael dos Santos Olegário, participa neste mês de novembro da cobertura jornalística da <b>Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30)</b>, em Belém (PA). Micael é mestrando no <b>Programa de Pós-graduação em Comunicação (Poscom)</b> e pesquisa sobre práxis comunicativa e jornalismo socioambiental.</p>
<p>De 10 a 21 de novembro, a COP30 reúne diversas lideranças globais para discutir alternativas para lidar com a crise climática. Esta é a primeira vez que o encontro acontece no Brasil, na Amazônia. Repórter do <a href="https://projetocolabora.com.br/colabora-na-cop30/" target="_blank" rel="noopener">#Colabora - Jornalismo Sustentável</a><b>, </b>Micael atuará na cobertura da conferência, com foco na escuta de pessoas e comunidades já atingidas pelas mudanças climáticas. </p>
<p>O jornalista ficará na <a href="https://projetocolabora.com.br/ods17/colabora-se-junta-a-20-veiculos-em-alianca-inedita-de-cobertura-na-cop30/"><b>Casa do Jornalismo Socioambiental</b></a>, espaço que vai hospedar jornalistas de diferentes estados do Brasil. A iniciativa é uma parceria entre <b>21 veículos de comunicação</b>, entre eles, o #Colabora. O local também contará com uma programação de atividades sobre <strong>j</strong><b>ornalismo e temas socioambientais</b>, além de lançamentos de relatórios, ferramentas e outros produtos para a imprensa e a sociedade civil.</p>
<p>Natural de Caibaté (RS), no interior do Rio Grande do Sul, Micael se formou em jornalismo pela <b>Universidade Federal do Pampa (Unipampa)</b> e ingressou no mestrado em 2024.</p>		
					<a href="https://projetocolabora.com.br/author/micael-olegario/">
									COP 30 | Leia as reportagens produzidas por Micael Olegário direto de Belém
					</a>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Dissertação elaborada no milpa está entre as vencedoras do Prêmio Intercom Nacional</title>
				<link>https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2025/07/25/dissertacao-elaborada-no-milpa-esta-entre-as-vencedoras-do-premio-intercom-nacional</link>
				<pubDate>Fri, 25 Jul 2025 20:26:28 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[poscom]]></category>

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						<description><![CDATA[A doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (Poscom/UFSM) e integrante do milpa &#8211; laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), Anna Júlia Carlos da Silva, conquistou o 3.º lugar no Prêmio Intercom de Pesquisa em Comunicação 2025, na categoria Mestrado Acadêmico. A dissertação “O lugar do jornalismo diante das emergências socioambientais [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>A doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (Poscom/UFSM) e integrante do milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), Anna Júlia Carlos da Silva, conquistou o 3.º lugar no Prêmio Intercom de Pesquisa em Comunicação 2025, na categoria Mestrado Acadêmico. A dissertação “O lugar do jornalismo diante das emergências socioambientais nos discursos de repórteres" foi defendida em 2024 sob orientação do professor Reges Schwaab, parceria que permanece no doutorado.</p><p>A obra, em diálogo com perspectivas críticas latino-americanas, analisa os discursos de jornalistas fundadores da iniciativa amazônica independente Sumaúma: Jornalismo do centro do mundo. Ao investigar métodos de reportagem e discutir o lugar do jornalismo diante de crises comuns à América Latina, a pesquisa destaca práticas não-hegemônicas que emergem em resistência às estruturas tradicionais do campo.</p><p>A premiação, promovida pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), tem como objetivo valorizar a produção científica de qualidade da área em nível nacional, avaliando critérios como contribuição acadêmica, relevância e atualidade, abordagem teórico-metodológica e qualidade textual. O resultado foi divulgado no dia 24 de julho de 2025. Neste ano, a premiação ocorre em setembro, no Centro Universitário FAESA, em Vitória, ES. A pesquisadora receberá certificado e troféu.</p><p>A dissertação pode ser acessada no <a href="https://repositorio.ufsm.br/handle/1/31703">Manancial da UFSM</a>.</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Integrantes do milpa têm trabalhos aprovados para o Intercom Nacional</title>
				<link>https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2025/07/16/integrantes-do-milpa-tem-trabalhos-aprovados-para-o-intercom-nacional</link>
				<pubDate>Wed, 16 Jul 2025 20:01:34 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[poscom]]></category>

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						<description><![CDATA[Amaury Nuñez González, Júlia Raquel Petenon e Reges Schwaab, membros do milpa – laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM), tiveram seus trabalhos aprovados para apresentação no Intercom Nacional 2025. O evento acontecerá de forma híbrida, possibilitando participação virtual, entre os dias 11 e 15 de agosto, ou presencial, entre os dias 1 e 5 de setembro, em [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p style="text-align: justify">Amaury Nuñez González, Júlia Raquel Petenon e Reges Schwaab, membros do <i>milpa – laboratório de jornalismo</i> (CNPq/UFSM), tiveram seus trabalhos aprovados para apresentação no <a href="https://www.intercom2025.com.br/">Intercom Nacional 2025</a>. O evento acontecerá de forma híbrida, possibilitando participação virtual, entre os dias 11 e 15 de agosto, ou presencial, entre os dias 1 e 5 de setembro, em Vitória - ES.</p>
<p style="text-align: justify">O texto <i>“O valor histórico da narrativa jornalística. O caso da Operação Orion (2002) em Medellín, Colômbia”</i>, de autoria de Amaury Nuñez González, examina o valor histórico do jornalismo literário na construção da memória coletiva, focando na cobertura da Operação Orion, e propõe um diálogo interdisciplinar com o saber histórico e o campo da historiografia, destacando o potencial do jornalismo como forma de conhecimento e representação histórica. Ele será apresentado presencialmente, no <i>Grupo de Pesquisa em Gêneros Jornalísticos</i>. Amaury realiza estágio doutoral (sanduíche) no POSCOM/UFSM pelo programa <i>Move La América</i>/CAPES. </p>
<p style="text-align: justify">O texto <i>“A agroecologia e o ecofeminismo como bases epistemológicas para o jornalismo ambiental”</i>, de autoria de Júlia Petenon, Isadora Pellegrini e Reges Schwaab, articula reflexões sobre o jornalismo ambiental a partir da agroecologia e do ecofeminismo, pensando como ambos provocam o jornalismo e suas práticas, já que os campos propõem visões horizontais e transformadoras sobre a relação entre o ser humano, os não humanos e suas relações nos territórios que compartilham. O trabalho será apresentado no <i>Grupo de Pesquisa em Comunicação, Divulgação Científica, Saúde e Meio Ambiente</i>. </p>
<p style="text-align: justify">As datas de apresentação serão divulgadas no site do Intercom Nacional <a href="https://portalintercom.org.br/congresso-nacional/programacao-preliminar-etapa-remota/">Etapa remota</a> e <a href="https://portalintercom.org.br/congresso-nacional/programacao-preliminar-etapa-presencial/">Etapa Presencial</a>.</p>
<p style="text-align: justify"> </p>
<p style="text-align: justify"><i>Texto: </i><i>Júlia Petenon (milpa/UFSM).</i></p>
<p style="text-align: justify"><i>Revisão: Josué Gris</i><i> (milpa/UFSM) e Reges Schwaab (milpa/UFSM).</i></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Pesquisadora do milpa integra júri do Prêmio de Jornalismo Digital Socioambiental promovido pela Ajor e pela Embaixada do Reino Unido</title>
				<link>https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2025/06/11/pesquisadora-do-milpa-integra-juri-do-premio-de-jornalismo-digital-socioambiental-promovido-pela-ajor-e-pela-embaixada-do-reino-unido</link>
				<pubDate>Wed, 11 Jun 2025 15:03:34 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[poscom]]></category>

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						<description><![CDATA[Anna Júlia Carlos da Silva, que desenvolve pesquisa sobre jornalismo socioambiental no doutorado, foi jurada convidada da premiação]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Anna Júlia Carlos da Silva, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (Poscom/UFSM) e integrante do <em>milpa - laboratório de jornalismo</em> (CNPq/UFSM), foi convidada a compor o júri do <a href="https://ajor.org.br/premio-de-jornalismo-digital-socioambiental/">Prêmio de Jornalismo Digital Socioambiental</a>, organizado pela <a href="https://ajor.org.br/">Associação de Jornalismo Digital (Ajor)</a> em parceria com a <a href="https://www.gov.uk/government/publications/international-climate-cooperation-joint-brazil-uk-statement/joint-brazil-uk-statement-on-international-climate-cooperation">Embaixada do Reino Unido no Brasil</a>. No doutorado, a pesquisadora dá continuidade aos estudos sobre jornalismo socioambiental iniciados no mestrado.</p><p>A premiação homenageia o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista brasileiro Bruno Pereira e faz parte das comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre Reino Unido e Brasil. Na categoria Melhor Reportagem Socioambiental, venceu “<a href="https://oeco.org.br/especial/o_futuro_do_marajo/">O futuro do Marajó</a>”, cobertura especial de Alice Martins Morais, publicada por <a href="https://oeco.org.br/">((o))eco</a>. Já em Melhor Cobertura Socioambiental Local, a série “<a href="https://mais.opovo.com.br/reportagens-especiais/impactos-agrotoxicos/2025/02/19/chuva-de-veneno-o-uso-de-drones-na-pulverizacao-de-agrotoxicos-e-uma-populacao-a-deriva.html">Impacto dos Agrotóxicos</a>”, de Karyne Gomes, veiculada por <a href="https://mais.opovo.com.br/">O Povo+</a>, foi a premiada. Cada vencedora recebeu R$ 10 mil.</p><p>A cerimônia ocorreu em 7 de junho de 2025, no Rio de Janeiro, durante o <a href="https://festival3i.org/">Festival 3i</a>, que reúne profissionais de jornalismo digital, comunicadores indígenas, pesquisadores e representantes de organizações nacionais e internacionais. O evento contou com patrocínio do Google e Luminate, apoio da Ford Foundation, Instituto Serrapilheira, Embaixada Britânica, IFPIM (International Fund For Public Interest Media), ITS Rio, Projor, Cenarium, Aos Fatos e ESPM. São parceiros do evento: ICFJ (International Center for Journalists), JournalismAI, Pulitzer Center, SembraMedia e Greenpeace.</p><p>A participação no júri da premiação destaca a inserção de pesquisadores do milpa e do Poscom/UFSM em espaços de relevância voltados à inovação, ao jornalismo independente e à defesa de direitos socioambientais.</p>		
										<figure>
										<img width="819" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2025/06/IMG_1114-1-819x1024.jpg" alt="" />											<figcaption>Anna Júlia C. da Silva, pesquisadora do milpa.</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="980" height="609" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2025/06/IMG_4318-980x653-2.jpg" alt="" />											<figcaption>Cerimônia do Prêmio de Jornalismo Digital Socioambiental. Imagem: Gabi Falcão.</figcaption>
										</figure>
		<p>*Arte destacada: Ajor/Divulgação.</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Disciplina bilíngue discute Comunicação, Antropoceno e contexto de crise climática</title>
				<link>https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/09/04/disciplina-bilingue-discute-comunicacao-antropoceno-e-crise-climatica</link>
				<pubDate>Thu, 05 Sep 2024 00:32:24 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[antropoceno]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[poscom]]></category>

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						<description><![CDATA[Neste segundo semestre de 2024, o Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFSM oferece disciplina eletiva dedicada a pensar a pesquisa e as práticas comunicacionais diante do cenário de emergências socioambientais na América Latina.  A disciplina Estudos Avançados III &#8211; Comunicação, Antropoceno e Crise Climática tem carga horária de 30 horas e funcionará nas quintas-feiras, [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Neste segundo semestre de 2024, o <a href="https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/poscom" target="_blank" rel="noopener">Programa de Pós-graduação em Comunicação</a> da UFSM oferece disciplina eletiva dedicada a pensar a pesquisa e as práticas comunicacionais diante do cenário de emergências socioambientais na América Latina. </p><p>A disciplina <b>Estudos Avançados III - Comunicação, Antropoceno e Crise Climática</b> tem carga horária de 30 horas e funcionará nas quintas-feiras, entre 13h30 e 15h30, na modalidade remota e em dinâmica bilíngue (português e espanhol). Os encontros iniciam em 12 de setembro e seguem até dezembro. Acolherá estudantes de mestrado e de doutorado do POSCOM, de outros programas de pós-graduação da UFSM ou de outras Universidades.</p><p>Estudantes regulares do POSCOM devem fazer sua matrícula conforme os procedimentos usuais. Estudantes de outros programas ou de outras Universidades, interessados em cursar a disciplina como Aluno Especial, podem solicitar sua matrícula conforme calendário da UFSM (<a href="https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/poscom/aluno-especial">saiba mais</a>). Informações complementares podem ser obtidas pelo e-mail <strong>poscom@ufsm.br</strong>.</p><p>O professor Reges Schwaab, docente permanente da linha de <em>Mídias e Identidades Contemporâneas</em> do POSCOM, e coordenador do <em>milpa - laboratório de jornalismo</em> (CNPq/UFSM), é o responsável pela disciplina. Reconhecer abordagens críticas e proposições de distintos saberes, especialmente os debates emergentes diante do Antropoceno, é um dos objetivos da proposta. Além disso, as atividades buscam fomentar conversações sobre a produção de conhecimento em Comunicação no contexto das Humanidades Ambientais e frente ao cenário de crise climática. </p><p>Os distintos tópicos de estudo incluem novos vocabulários, as interseccionalidades e o reconhecimento da transversalidade do ecológico, com foco em pensar a criação, a investigação e a coexistência de modos de narrar o Antropoceno. Busca, ainda, trabalhar a pluralidade de mundos e a capacidade de imaginar futuros possíveis a partir do contexto latinoamericano.</p>		
			<h5>Saiba mais:</h5>		
		<ul><li>Conheça <strong><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2024/09/comunicacao_antropoceno_e_crise_climatica.pdf" target="_blank" rel="noopener">ementa, programa e bibliografia básica</a></strong> (português/español); </li><li>Informações sobre matrícula: <strong>poscom@ufsm.br; <br /></strong></li><li>Contato com o professor: <strong>reges.schwaab@ufsm.br</strong></li></ul>		
													<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2024/09/Copia-de-Reportagem-e-Reconhecimento-no-Jornalismo-Narrativo-Latinoamericano-1024x576.jpg" alt="" />]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Luís Gomes: “Eu acho que este é o momento central da cobertura de desastres: o antes”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes</link>
				<pubDate>Sat, 29 Jun 2024 01:26:45 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[poscom]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/?p=89</guid>
						<description><![CDATA[O jornalista do Sul21 participou da transmissão de “Futuros Possíveis: Comunicação, Informação e Desastres”, evento da UFSM no Dia Mundial do Meio Ambiente]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><i>“Futuros Possíveis: Comunicação, Informação e Desastres”</i> foi tema de evento promovido pelos grupos <i>milpa - laboratório de jornalismo</i>, <i>Mão na Mídia</i> e <i>Agenda 2030</i>, da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen. Na programação, o painel <i>“Jornalismo na Cobertura de Desastres” </i>discutiu a tarefa de narrar acontecimentos de grande impacto que mobilizam o jornalismo tradicional e as mídias independentes. <i>O momento </i>contou com a participação da <a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/sonia-bridi-ou-voce-e-um-jornalista-do-clima-ou-nao-esta-fazendo-o-seu-trabalho-como-deveria">jornalista</a><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/sonia-bridi-ou-voce-e-um-jornalista-do-clima-ou-nao-esta-fazendo-o-seu-trabalho-como-deveria"><i> Sônia Bridi</i>, da <i>Rede Globo</i></a>, e do jornalista <i>Luís Gomes</i>, do portal <i>Sul21</i>. A mediação foi realizada pela jornalista <i>Anna Júlia C. da Silva</i>.</p><p><i>Luís Gomes</i> é jornalista e Mestre em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com especialização pela Universidade da Califórnia em Los Angeles. Com experiência prévia no <i>Portal Terra</i> e no <i>Diário Gaúcho</i>, ele é repórter do site <i>Sul21</i> desde 2015 e tornou-se sócio em 2020. Tem atuado em cobertura de questões ambientais, com foco especial na capital do Rio Grande do Sul. Em janeiro de 2022, já levantava questionamentos importantes em uma matéria publicada no portal: “Porto Alegre está preparada para os próximos eventos climáticos extremos?”. Agora, segue com uma cobertura abrangente das inundações, reportando o que está sendo considerado o maior desastre ambiental do estado. </p><p>A transmissão pode ser revista <a href="https://www.youtube.com/live/9lx9zk35Oc4?si=J-aosBx3Cu0hZqnJ"><b>neste link</b></a>. </p><p>Leia a transcrição do painel* com <i>Luís Gomes,</i> realizado no dia 5 de junho de 2024:</p><p> </p><p><b>ANNA JÚLIA: A partir da tua experiência, qual é o papel do jornalismo diante dos desastres ambientais?</b></p><p><b>LUÍS: </b>O papel do jornalismo se divide em três fases: antes, durante e depois dos desastres. Estava ouvindo a <i><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/sonia-bridi-ou-voce-e-um-jornalista-do-clima-ou-nao-esta-fazendo-o-seu-trabalho-como-deveria">Sônia Bridi </a></i><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/sonia-bridi-ou-voce-e-um-jornalista-do-clima-ou-nao-esta-fazendo-o-seu-trabalho-como-deveria">falar sobre o jornalismo ter falhado em pressionar os políticos e em cobrar medidas</a>, e acho que esse é o momento central da cobertura de desastres: o antes. Pela minha experiência, no momento específico do desastre, nas primeiras horas, ou uma, duas, três semanas depois, como no caso do Rio Grande do Sul, em que já estamos há mais de um mês nessa situação, esse início é mais de Hard News, de cobertura da tragédia, dos eventos, de passar informações para as pessoas que precisam muito delas – para onde ir, a questão dos abrigos, onde tem água. É a necessidade de informação mais urgente, que foi um pouco também o que fizemos no <i>Sul21</i>.</p><p><b>Nosso site sempre foi voltado para fazer uma cobertura mais analítica sobre temas que não estão tão em pauta no dia a dia</b>. Até pela sua natureza, um veículo pequeno não consegue acompanhar os Hard News, estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Voltamos nas coberturas para aprofundar questões importantes, e essa pauta ambiental é uma delas – depois vou falar mais sobre nosso histórico com o tema ambiental em Porto Alegre e os vários alertas que demos nos últimos anos. <b>No momento do desastre, nossa cobertura vira mais Hard News e, ao longo do tempo, passamos a politizar, não no sentido de partidarizar a discussão, mas de voltar ao debate para procurar apontar responsabilidades</b>. Acho que o <i>Sul21 </i>e o <i>Matinal</i>, outro veículo independente daqui, fizeram um trabalho muito importante ao apresentar as falhas no sistema de proteção contra cheias, no sistema de comportas e de manutenção, que já vinham sendo apontadas pelos próprios técnicos do DMAE (Departamento Municipal de Água e Esgotos).</p><p>Resumindo minha fala, acho que essa cobertura, em um veículo independente como o nosso, se divide em três fases. O <i>antes</i>, que é estar sempre alertando para a possibilidade de um desastre acontecer – como você mesma disse, fizemos aquela matéria em janeiro de 2022 questionando se Porto Alegre estava preparada para eventos extremos, e se provou que não estava. O <i>durante</i>, que é um momento de foco em Hard News e, à medida que conseguimos dividir esse tempo com o aprofundamento dos temas, o <i>depois</i>, em que o desafio é não deixar o acontecimento cair no esquecimento e continuar debatendo e cobrando, especialmente para que medidas de fato sejam implementadas.</p><p> </p><p><b>ANNA JÚLIA:</b> <b>Quais as potencialidades e os desafios de fazer jornalismo independente no contexto de desastres ambientais no Rio Grande do Sul? </b></p><p><b>LUÍS: </b>No <i>Sul21</i>, de forma bem clara, não conseguimos competir em noticiar primeiro e ter muitos furos que a imprensa tradicional tem. Então, o que fazemos é aprofundar. Um desses trabalhos que fazemos para aprofundar os temas ao longo dos anos é uma série de “especiais”. São cerca de cinco matérias que passamos três, quatro, cinco meses apurando e nos dedicamos realmente a debater os temas, trazendo vários especialistas, professores universitários, pessoas que se dedicam a vida inteira a estudar determinados assuntos.</p><p>A página de especiais do <i>Sul21</i> tem vários temas que são totalmente ligados à questão ambiental ou se conectam diretamente. A começar pelo <i>Caminhos do Lixo</i>, <i>Donos da Cidade</i>, <i>Fim da Linha</i> (transporte público), <i>Junho de 2023</i>, <i>Mineração</i>, <i>O Custo Oculto da Privatização</i>, <i>O Custo Oculto dos Agrotóxicos</i>, <i>Que Porto é Esse? </i>Então, essa é uma potencialidade que a imprensa independente tem, inclusive acho que é um pouco a obrigação de fazer: preencher os espaços vazios de cobertura da grande imprensa, especialmente quando se trata de imprensa local. Porque, quais seriam os concorrentes do <i>Sul21</i>? <i>Zero Hora</i>, <i>Correio do Povo</i>, <i>Jornal do Comércio</i>… só que eles têm uma magnitude com a qual é impossível competir.</p><p>Gostaria de chamar a atenção para uma discussão da cidade de Porto Alegre nos últimos 10 anos. Começamos em 2017 com o especial chamado <i>Gentrificação</i>, voltado para discutir os processos que estavam acontecendo na cidade, já desde antes da Copa, falando da remoção de famílias e de vilas inteiras para regiões mais afastadas.<b> Esse primeiro especial não focou muito na questão dos impactos ambientais, mas mais nos impactos sociais. No fim das contas, uma coisa está relacionada com a outra</b>.</p><p>Avançando para julho de 2020, temos o especial <i>Que Porto é Esse? Quem ganha com as transformações na capital</i>, que foi o grande alerta que demos para a população e para a própria prefeitura de Porto Alegre. O que percebemos foi que, ao longo da última década, especialmente a partir do governo de <i>Nelson Marchezan Júnior</i> [ex-prefeito, do <i>Partido da Social Democracia Brasileira</i>], passamos a ter um processo acelerado de desregulamentação do mercado imobiliário e do plano diretor da cidade, com aprovação de projetos que não se enquadram nas regras e exigem uma aprovação especial pelo Conselho Municipal. Ou seja, são projetos que não deveriam ocorrer e que são exceções, porque muitos, ou quase a totalidade deles, infringem a legislação ambiental vigente.</p><p>Um exemplo muito claro que quem conhece Porto Alegre vai perceber de imediato é o Pontal Estaleiro. Pelas regras, aquilo nunca poderia ter sido construído à margem do Rio Guaíba. Ele teve uma aprovação especial. Outro caso é a construção de um bairro privado na Fazenda do Arado, em Belém Novo. A ideia é construir centenas de moradias, concretando uma área de preservação ambiental que é um dos últimos banhados da cidade – o que salvou a região de Belém Novo de ser alagada nesta inundação, pois serviu como uma esponja, absorvendo a água. Acompanhamos esse caso há pelo menos 10 anos, porque ele também passou por uma longa discussão ambiental que foi atropelada no âmbito municipal. Nunca se olhou para essa questão da Fazenda do Arado e tantas outras, na minha opinião.</p><p>Qual é a consequência para a cidade de concretar a Fazenda do Arado e colocar um condomínio fechado no local? Isso foi questionado nesse especial, olhando para vários aspectos, não só o ambiental, mas também o econômico e o social.</p><p>Finalizamos essa trilogia com talvez o trabalho mais ambicioso que o <i>Sul21 </i>já fez: <i>Os Donos da Cidade</i>, em 2023. Acho que esse é o melhor trabalho que já fizemos. É uma série de reportagens que buscou analisar mais de 100 projetos especiais aprovados em Porto Alegre nos últimos cinco, seis anos, ou que estão em andamento ou que serão realizados nos próximos anos. Voltamos a falar de outros projetos, como a <i>Cassol Centerlar</i>. Dou esses nomes porque são importantes: a Cassol Centerlar está localizada junto ao dique do Sarandi que rompeu, na região mais dramática. Há também uma fábrica gigantesca da <i>Coca-Cola</i> e a loja da <i>Havan</i>, que teve uma grande discussão em Porto Alegre, mas não sobre ela estar localizada no entorno do Sarandi, uma área alagável que deveria ser de preservação ambiental. Mesmo quando se discute esses empreendimentos problemáticos, a questão ambiental muitas vezes fica em segundo, terceiro, quarto plano ou sequer é discutida.</p><p>Essa é a principal potencialidade e o principal dever de uma imprensa que se diz <b>independente: existir para ocupar espaço e tentar fazer diferente. Se é para fazer a mesma coisa em uma escala menor, obviamente não conseguiremos, pois não temos os recursos, a expertise, as décadas de consolidação que a grande imprensa tem. Mas existe um vazio que não é preenchido pela grande imprensa, e é aí que devemos atuar, especialmente na questão ambiental. Ela tem que ser transversal, presente em todo tipo de pauta que fazemos.</b></p><p>Por isso trouxe o exemplo dos especiais do <i>Sul21</i>. A questão ambiental foi transversal nessa discussão nos últimos 10 anos de transformações em Porto Alegre. Podemos dizer: nós avisamos. Temos batido nessa tecla há muitos anos, discutindo se Porto Alegre estava ou não preparada para eventos climáticos extremos e, mais uma vez, a cidade mostrou que não estava.</p>		
													<img width="1024" height="657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2024/06/IMG_0007-3-1024x657.jpg" alt="" />													
		<p><b>ANNA JÚLIA: Como você tem decidido quais histórias contar em meio à tragédia?</b></p><p><b>LUÍS: </b>É um pouco difícil, porque também temos uma limitação: na tragédia, o jornalista é ao mesmo tempo a vítima. Minha casa não foi alagada, mas tivemos colegas que ficaram mais de vinte dias sem conseguir chegar em casa, e por um tempo não conseguimos acessar a redação física. Tratávamos as pautas pelo WhatsApp. <b>Achei muito importante sair de casa e visitar os lugares, às vezes sem uma pauta pronta</b>.</p><p>Por exemplo, uma pauta que gostei de fazer e que consegui captar antes de muita gente foi quando visitei os abrigos uma semana após o início do desastre. Percebemos que haveria problemas na convivência nos abrigos e que não havia um plano para onde as pessoas iriam depois, no pós-enchente. Isso antecipou a discussão sobre as cidades provisórias, que cresceu a partir da segunda metade de maio, porque evidenciava que aquelas pessoas tinham perdido tudo e não teriam para onde voltar. Algumas tiveram suas casas destruídas, outras perderam grande parte da moradia em áreas de risco, especialmente nas ilhas de Porto Alegre, que estavam debaixo d'água no início da semana.</p><p>Mas essa não era minha pauta inicial. Pensei: “Vou ao abrigo e verei o que consigo captar.” <b>Sempre confiei que, para algumas pautas, temos que ir atrás das pessoas e ver o que está acontecendo</b>. Ao visitar o abrigo, ficou claro que já havia um constrangimento por parte dos voluntários, por não poderem oferecer perspectivas às pessoas. O que mais queriam saber era: “Quando poderei voltar para minha casa?”, “O que sobrou da minha casa?”. E ninguém podia dar essas respostas. O poder público já estava ausente, e eram os voluntários que faziam a maior parte do trabalho. Havia uma unidade de saúde nos principais abrigos, com uma equipe vinculada à prefeitura, mas todo o suporte às famílias era dado pelos voluntários, que também não sabiam muito bem como lidar. Muitos eram psicólogos com treinamento profissional para lidar com traumas, mas não com situações de trauma coletivo.</p><p>Hoje vemos que a questão das pessoas não terem para onde retornar gerou uma das pautas mais importantes no momento na cobertura local, que é a discussão das cidades provisórias.</p><p> </p><p><b>ANNA JÚLIA: Quais impactos esse contexto trouxe para a sua rotina de trabalho e para a rotina de trabalho dos jornalistas que você têm convivido?</b></p><p><b>LUÍS: </b>No meu caso específico, não fui diretamente afetado. Fiquei um dia sem água, luz e internet, mas consegui trabalhar durante todo o período. <b>No primeiro momento, de Hard News, trabalhei até 14 horas por dia</b>, especialmente naquele fim de semana em que a água subiu muito em Porto Alegre [nos dias 4 e 5 de maio]. Toda a redação funcionou em sistema de plantão diversas horas ao longo daquela semana, um período de trabalho muito intenso. Porém, quando as coisas começaram a se organizar novamente, voltamos àquele equilíbrio entre Hard News e aprofundamento.</p><p><b>Faz um mês que não fazemos nenhuma matéria que não esteja vinculada à questão ambiental; toda a cobertura do nosso site se voltou para isso</b>. Temos muitos conhecidos que nos passam informações e aprofundamos nossa relação com essas fontes permanentes, que são voltadas para áreas afins do meio ambiente. Por exemplo, os hidrólogos do IPH (Instituto de Pesquisas Hidráulicas) da UFRGS, com quem tivemos uma grande parceria nesse período para fazer várias matérias.</p><p>Não sei quando teremos uma pauta que não tenha nenhuma ligação com as inundações. Diria que essa é a principal mudança na rotina: entender que essa é a pauta, e não apenas que temos que dar atenção total, mas que essa atenção deve ser exclusiva.</p><p> </p><p><b>ANNA JÚLIA: </b>Via chat do YouTube, temos uma última pergunta, de <i>Josimari Quevedo</i> (UFSM): <b>a questão do plano diretor de Porto Alegre é icônica para entender as perdas diárias ambientais da cidade. Quais são os principais desafios do jornalista em chamar a atenção para essa problemática?</b></p><p><b>LUÍS: </b>De fato, é icônico. Primeiro, vou traçar um breve histórico para quem não conhece. O plano diretor deve ser revisado a cada 10 anos. Ele foi revisado pela última vez em 2009 e deveria ter sido revisado novamente em 2019. O que aconteceu? Veio a pandemia, em 2020. Só que a pandemia foi uma desculpa, né? Porque o <i>Marchezan </i>nem tinha começado a revisar em 2019, quando o plano diretor já deveria estar sendo colocado para votação. Com a pandemia, os prazos foram suspensos e, no meio disso, o governo do <i>Sebastião Melo </i>[atual prefeito, do partido <i>Movimento Democrático Brasileiro</i>] assumiu. O que acontece no governo <i>Melo</i>? Ele inicia o processo de revisão, acho que em 2022, mas paralelamente faz duas grandes mudanças que praticamente inutilizam o processo de revisão do plano diretor: os planos específicos do Centro e do Quarto Distrito, localidades que eram os principais alvos do mercado imobiliário naquele período. Ou seja, para o Centro e o Quarto Distrito, eliminaram-se basicamente as regras do plano diretor. Nessas regiões, passou a valer que as alturas máximas para cada empreendimento seriam balizadas a partir de uma referência de cada quarteirão.</p><p>Em Porto Alegre, a discussão acaba sendo muito voltada para essa questão da altura, como se fosse resolver a situação do próprio mercado imobiliário, como se tivessem a capacidade de construir dezenas de prédios de 100, 150 metros de altura – o que é uma maluquice, considerando que a cidade hoje tem 30% do Centro e do Quarto Distrito com unidades habitacionais e escritórios vazios. Então, já existe uma demanda não preenchida que só iria aumentar. <b>O desafio principal para discutir o plano diretor é justamente contrapor os interesses da prefeitura e do mercado imobiliário</b>.</p><p>É preciso apontar: primeiro, não faz sentido, porque a cidade não tem como suprir essa oferta; segundo, muitos desses prédios estão sendo construídos na beira do Guaíba, com um impacto ambiental e social gravíssimo. Vão congestionar o sistema de trânsito e de saneamento. Não poderíamos deixar de falar disso numa discussão sobre a pauta ambiental. Já estamos operando no limite, com muito mais exceções do que deveríamos. <b>Se tivermos em Porto Alegre um plano diretor cuja ideia da prefeitura é basicamente acabar com as restrições e deixar a cargo do empreendedor definir os limites, quais consequências teremos?</b></p><p>Há também o problema de ser ridicularizado por tentar tratar desses temas. Tem um empreendimento daqui que está em discussão desde o ano passado, um prédio de 41 andares na Duque de Caxias, que fere as regras de tombamento do museu de Júlio de Castilhos e não faz sentido do ponto de vista de proteção ambiental. Fizemos várias matérias chamando a atenção para isso. E logo a primeira coluna que saiu no jornal <i>Correio do Povo</i>, assinada pelo então diretor de jornalismo, ridicularizava as reportagens que questionavam o prédio – e, no caso, até então, só existiam reportagens do <i>Sul21 </i>sobre o tema. Nunca dão atenção para o que falamos, o <i>Sul21 </i>sequer existe para a grande imprensa. Mas, quando conseguimos pautar de alguma forma o debate e trazer uma discussão importante, como motivar ações judiciais, só lembram da gente para ridicularizar. Felizmente, por enquanto, a justiça barrou aquele prédio, porque, além de ele ser totalmente ilegal e contrariar as regras de tombamento, sequer tinha passado pelas próprias instâncias da prefeitura – ainda que já estivesse em construção.</p><p><b>Essa é a dificuldade dessa discussão urbana e ambiental na cidade: estamos discutindo coisas que já estão acontecendo mesmo antes de terem as aprovações e licenças todas encaminhadas</b>. Esse prédio estava sendo construído por brechas na lei e, quando chamamos a atenção para isso, perceberam: “Bah, não pode, né? Tem uma lei do museu de tombamento que permite 15 andares, não 41”.</p><p><b>Em Porto Alegre, há um apelido para as pessoas que questionam essa ideia de desenvolvimento voltado para o mercado imobiliário. Todos que ousam questionar essa visão de progresso, que envolve concretar mais e subir prédios cada vez mais altos, são chamados de caranguejos. E eu brinco que os caranguejos são muito poucos, conheço todos pelo nome. Hoje, já me sinto quase um caranguejo honorário, de tantas matérias que fiz com esse pessoal, especialmente os integrantes de coletivos e os professores da UFRGS.</b></p><p> </p><p>*Editado para fins de concisão.</p><p>Texto: <i>Anna Júlia C. da Silva</i> | Doutoranda (Poscom/UFSM) e pesquisadora discente do <i>milpa - laboratório de jornalismo</i> (CNPq/UFSM)</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Sônia Bridi: "Ou você é um jornalista do clima, ou não está fazendo o seu trabalho como deveria"</title>
				<link>https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/sonia-bridi-ou-voce-e-um-jornalista-do-clima-ou-nao-esta-fazendo-o-seu-trabalho-como-deveria</link>
				<pubDate>Sat, 29 Jun 2024 01:19:25 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>

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						<description><![CDATA[A jornalista da Rede Globo participou da transmissão de “Futuros Possíveis: Comunicação, Informação e Desastres”, evento da UFSM no Dia Mundial do Meio Ambiente]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><i>“Futuros Possíveis: Comunicação, Informação e Desastres”</i> foi tema de evento promovido pelos grupos <i>milpa - laboratório de jornalismo</i>, <i>Mão na Mídia</i> e <i>Agenda 2030</i>, da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen. Na programação, o painel <i>“Jornalismo na Cobertura de Desastres” </i>discutiu a tarefa de narrar acontecimentos de grande impacto que mobilizam o jornalismo tradicional e as mídias independentes. <i>O momento </i>contou com a participação da jornalista<i> Sônia Bridi</i>, da <i>Rede Globo</i>, e do <a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes">jornalista </a><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes"><i>Luís Gomes</i>, do portal <i>Sul21</i></a>. A mediação foi realizada pela jornalista <i>Anna Júlia C. da Silva</i>.</p><p><i>Sônia Bridi</i> é jornalista e escritora, referência em reportagens investigativas e na cobertura de questões sociais e ambientais. Foi correspondente da <i>Rede Globo</i> em Londres, Nova York, Pequim e Paris. No programa <i>Fantástico</i>, são destacadas produções assinadas por ela abordando de forma aprofundada as transformações do nosso tempo. “Terra, que Tempo é Esse?”, de 2010, “Planeta Terra: Lotação Esgotada”, de 2012, e “A Jornada da Vida”, de 2014, são alguns exemplos. Entre as suas principais coberturas, estão o desastre da região serrana do Rio de Janeiro, em 2011, e a tragédia humanitária dos Yanomami, em 2023. É autora dos livros “Laowai - Aventuras de uma repórter brasileira na China”, de 2008, e “Diário do Clima”, de 2012. </p><p>A transmissão pode ser revista <a href="https://www.youtube.com/live/9lx9zk35Oc4?si=J-aosBx3Cu0hZqnJ"><b>neste link</b></a>. </p><p>Leia a transcrição do painel* com <i>Sônia Bridi</i>, realizado no dia 5 de junho de 2024:</p><p> </p><p><b>ANNA JÚLIA: Diante do cenário de mudanças climáticas e da repetição de eventos extremos, como você define o papel do jornalismo?</b></p><p><b>SÔNIA: </b>Há muito tempo, temos repetido que não existe jornalista que não seja um jornalista do clima. O jornalista não vai estar prestando um papel, o seu papel como jornalista, se para cada assunto que ele for tratar, ele não estiver tratando também da questão climática. Todos os setores de nossa vida estão relacionados a essa pauta: nossos costumes, nossa cultura, nossa economia, a maneira como consumimos, produzimos energia, usamos a terra, nos deslocamos para o trabalho, tratamos o lixo, construímos infraestrutura urbana, desenvolvemos políticas públicas e, principalmente, fazemos política. A política tem ficado extremamente alienada das questões climáticas e nós jornalistas não temos feito o nosso trabalho de provocar e cobrar os políticos com a intensidade necessária para o momento que vivemos. Então, tratarmos das questões climáticas neste momento é fundamental. <b>Hoje, ou você é um jornalista do clima ou você não está fazendo o seu trabalho de jornalismo como deveria ser feito</b>.</p><p>E este trabalho se torna ainda mais urgente porque permitimos que a situação chegasse a esse ponto. Até este momento, nós já esquentamos o planeta quase um grau e meio. Hoje, foram divulgados dois relatórios bastante alarmantes que mostram que os últimos 12 meses foram os mais quentes da história. Assim, podemos afirmar que junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, março, abril e maio foram os meses mais quentes já registrados. Isso não apenas em comparação com os dados instrumentais, mas também com evidências como marcos históricos, testemunhos, gelo, árvores, entre outros. <b>Só esteve quente desse jeito há alguns milhões de anos e esse calor esteve relacionado a processos de extinção em massa. Logo, nós temos uma urgência muito grande e precisamos não só informar sobre o clima, mas também sobre o processo dos cientistas</b>. </p><p>Uma grande parte do descrédito que as pessoas têm na ciência, é porque infelizmente as nossas escolas e universidades não explicam como funciona um processo científico. Na pandemia, vimos que nem mesmo as faculdades de medicina. Tem médico que acha que se ele deu um remédio para um paciente e o paciente melhorou, isso é um estudo científico. Não é, isso não é uma comprovação de que o remédio funciona. Existe todo um processo de testagem e de garantias. E toda ciência trabalha assim. E quando a gente faz as matérias e diz que os cientistas estão afirmando isso ou aquilo, a gente tem que sempre responder como é que eles sabem isso. <b>Explicar um pouco do processo científico ajuda não só as pessoas a se sentirem mais satisfeitas de compreender uma informação, mas aumenta a credibilidade da ciência, que tem sido bombardeada por mentiras profissionais</b> como a gente tem visto nos últimos tempos. Enfim, acho que a tarefa é longa e árdua.</p><p><b> </b></p><p><b>ANNA JÚLIA: </b>Via chat do YouTube, temos uma pergunta de <i>Heverton Lacerda</i> (UFRGS):<b> como os jornalistas podem furar as barreiras da estrutura de redação que estão ligadas de alguma forma ao comercial de grandes redações e ainda à direção geral dos donos das grandes redes?</b></p><p><b>SÔNIA</b>: No meu caso, nunca senti uma pressão externa, digamos assim, comercial. Eu acho que o maior desafio para mim sempre foi convencer os meus colegas da gravidade da questão climática. Não há uma reunião de pauta em que eu participe e não traga pelo menos três pautas relacionadas ao clima e às questões ambientais, seja denúncia ou solução. Portanto, uma coisa é: devemos bombardear os chefes de redação com essas pautas. Trazê-las, sermos propositivos. Eu fiz isso e as coisas foram acontecendo; consegui cada vez mais espaço e hoje acredito que convencer se tornou muito mais fácil e conseguimos emplacar mais matérias.</p><p>É difícil assistir a um <i>Jornal Nacional </i>inteiro sem que o tema do clima seja abordado; é raro ver um <i>Fantástico </i>sem uma reportagem sobre meio ambiente, seja propositiva, de denúncia ou relacionada a algum outro assunto. E eu acho que essa nova geração de jornalistas que está nas redações já chega com esse conhecimento.<b> A minha geração é cheia de negacionistas, jornalistas negacionistas do clima. É claro que eu estou falando de uma regra cheia de exceções, mas há uma tendência a tratar o clima e a questão ambiental como uma perfumaria, um assuntinho menor. Eu já ouvi coisas do tipo: “você é tão boa repórter, pena que se dedica tanto a ficar gastando tempo com essas matérias de meio ambiente”</b>. Como se a sobrevivência da humanidade fosse um assunto pequeno. Então eu acho que a resistência das grandes redações não é tão grande assim, basta apresentarmos nossos projetos. </p><p>Há uma dificuldade que se relaciona ao custo. Por exemplo, qualquer viagem para a Amazônia custa trinta, quarenta mil reais para uma equipe de televisão. Produzir matérias <i>in loco</i>, conversar com as pessoas, captar imagens, tudo isso demanda tempo e dinheiro, e dinheiro tem sido escasso nas redações brasileiras. As TVs e os jornais trabalham com publicidade. Então uma coisa que se pode fazer talvez é até botar o comercial como proativo, que tente comercializar, vender um determinado espaço que vai ser sempre dedicado a questões do clima. Porque qualquer empresa séria e constituída hoje tem um departamento de ESG (<i>environmental, social e governance </i>– traduzido para o português como <i>ambiental, social e governança</i>), e o E é de <i>environmental </i>(ambiental). As empresas estão sendo obrigadas a cada vez mais passar de greenwashing, de criar aquela imagem verde, para realmente agir verde. Então, acho que a gente tem que ser mais propositivo dentro das redações. </p><p><b>Lembro da reação do meu chefe em 2009, quando sugeri uma série sobre lugares que já mostravam os efeitos das mudanças climáticas. Em 2009, ele achava que a gente iria ver mudança climática em 2070, 2080</b>, <b>mas já havia muitos exemplos. Quando provei isso a ele, fizemos a série</b>, possivelmente a primeira na TV aberta mundial dedicada exclusivamente às mudanças climáticas, em horário nobre e com bastante tempo. Então, acho que a gente tem que ser mais propositivo com as chefias, porque às vezes eles já tem todo um planejamento, um espelho, uma programação, e ao chegarmos com uma coisa diferente temos que insistir, mostrar porque que é relevante e apresentar alternativas. Acho que a única maneira de dar a volta em todos os problemas para poder emplacar matéria é ser propositivo e insistente.</p>		
													<img width="1024" height="659" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2024/06/IMG_0006-3-1024x659.jpg" alt="" />													
		<p><b>ANNA JÚLIA: Quais são os principais desafios que você costuma enfrentar ao cobrir desastres ambientais? </b></p><p><b>SÔNIA: </b>Eu acho que a maior dificuldade geralmente é o acesso, porque é quando acontece o desastre que o jornalista se desloca, e, às vezes, quando ele começa a se deslocar, o acesso já não é fácil. Nós vimos o que aconteceu no Rio Grande do Sul: havia jornalistas levando trinta, quarenta horas para conseguir chegar ao estado e fazer a cobertura. Aí, chegam em Porto Alegre e não conseguem ir para outros lugares. Então, há muita dificuldade de acesso. Também há dificuldade em conseguir enviar material, porque, quando há um desastre ambiental, há um desastre na infraestrutura, e essa infraestrutura acaba influenciando também a comunicação. Aí, você grava, tem um monte de arquivos, precisa subir pela internet, mas não tem uma internet confiável ou com velocidade. São problemas mais técnicos, né? Eu acho que precisamos estar preparados para ir a esses lugares. Quando você vai a um desastre ambiental, enfrenta um desafio físico. Você tem que saber se organizar para ir, não quer se tornar mais um problema, mais uma pessoa para socorrer, mais alguém a ser tratado no hospital. Então, você tem que ir com equipamentos de segurança e garantir que terá alimento por alguns dias, sem precisar usar os poucos recursos que as pessoas já têm. O jornalista não quer ser um estorvo diante de uma situação difícil.</p><p>Agora, no que se trata de falar com as pessoas, o desafio é controlar as emoções, porque é muito duro, numa hora tão difícil e trágica. Eu não fui para a cobertura no Rio Grande do Sul, porque fui diagnosticada com uma pneumonia na semana anterior e permaneci em tratamento. Aqui, tentei ajudar na redação, na pauta, enfim, com tudo o que pude. Mas, quando você está lá, compartilha a dor das pessoas. Você não quer sofrer mais do que a vítima, né? Então, é importante administrar suas emoções para que o repórter não se torne a notícia. Na televisão, essa linha é muito difícil e, às vezes, escorrega. Acho que esse é um desafio: estar muito aberto para ouvir as pessoas e dar o tempo delas. Numa tragédia, as pessoas querem desabafar; você não pode sair correndo de uma pessoa para outra. Deve dar o tempo necessário para a pessoa falar, desabafar, contar sua história. <b>Às vezes, as pessoas começam a voltar no tempo 20 anos, e vão e voltam… faz parte do trauma que o discurso delas seja mais confuso, e precisamos ter paciência para ouvir.</b></p><p>Outro grande desafio é conseguir cobrir as etapas da notícia [o antes, o durante e o depois da tragédia], mas <a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes">isso o </a><i><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes">Luís Gomes</a></i><a href="https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/06/28/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes"> explicou muito bem</a>. Há a etapa em que foi feito o aviso, o alerta de que as coisas podiam acontecer. Quando a tragédia ocorre, você deve se concentrar nela, mas não pode demorar muito para começar a apontar responsabilidades. <b>Ainda mais num país como o nosso, onde temos que lidar com duas manifestações horríveis da mesma fonte, do mesmo movimento, que são o negacionismo e as mentiras plantadas e disseminadas de maneira profissional e planejada</b>. Então, precisamos ter um momento ali, aquele tempo de cuidar, o resgate, o socorro, a ajuda humanitária e tal, mas também é necessário apontar as culpas e responsabilidades rapidamente. <b>Tristemente, digo que me dói no coração saber que até hoje não há ninguém preso pelo que aconteceu na Boate Kiss. E ninguém vai pagar pelo que aconteceu com essa tragédia no Rio Grande do Sul. Ninguém pagou por Brumadinho, pelo Ninho do Urubu</b>. Mas isso não deve ser razão para nos calarmos e pararmos de apontar os culpados. É preciso que isso seja feito no tempo certo, sem demorar muito.</p><p> </p><p><b>ANNA JÚLIA: Como fazer uma cobertura eficaz e sensível, considerando o contexto de desastres?</b></p><p><b>SÔNIA: </b>Na hora do desastre, você precisa ver o que está acontecendo agora, as consequências desse desastre. Uma cobertura sensível, eu acho, é a que deixa as pessoas falarem, que abre espaço para que elas contem as histórias do que está acontecendo ali. Mas, é preciso também haver uma compreensão de como tudo aconteceu, isso precisa ser feito, porque, quando compreendemos como tudo aconteceu, já estamos começando a desenhar a cadeia de responsabilidades.</p><p>Então, por exemplo, na semana seguinte à inundação no Rio Grande do Sul, no <i>Fantástico</i>, eu fiz a apuração e as artes que foram apresentadas pelas apresentadoras – porque eu estava em casa, com pneumonia, e isso era a contribuição que eu podia dar –, sobre como é a topografia da região, como as águas se movimentam, por que Porto Alegre inundou, como foi a sequência das comportas que falharam, das bombas que não funcionaram, mostrando a rapidez com que essa água subiu por causa dessa falha em todos os sistemas, enfim, todo esse processo. Por mais que essas coisas já tivessem sido ditas, uma coisa aqui, outra ali, eu acho que o <i>Fantástico </i>tem esse papel importante de agrupar aquelas informações que vão saindo picadas e colocar uma linha do tempo e um sentido nelas. Porque, quando você faz isso, já tem um caminho de responsabilidades, mostrando como as coisas aconteceram.</p><p><b>Enfim, acho que essas duas coisas precisam ser feitas: contextualizar o que e como aconteceu, tentar dar uma explicação mais completa do passo a passo de todas as coisas que influenciaram, mas também parar e ouvir as pessoas e entender como estão sendo atendidas</b>. Eu me lembro que, quando estava na faculdade, tinha uma matéria do jornalista <i>Ricardo Kotscho</i>, da <i>Folha de São Paulo</i>, que era um estudo de caso em que ele mostrava uma inundação em São Paulo em que o prefeito estava em uma festa e não saiu. Então, você tem que mostrar como estão posicionadas e o que estão fazendo as autoridades. Nesse caso, algumas coisas foram muito bem feitas, como, por exemplo, a entrevista da jornalista <i>Kelly Matos</i> [<i>Grupo RBS</i>] com <i>Hamilton Mourão</i> [senador eleito pelo RS, do partido <i>Republicanos</i>], que revela muito sobre com quem se pode contar numa hora de desgraça.</p><p> </p><p><b>ANNA JÚLIA: </b>Via chat do YouTube, temos uma pergunta de <i>Márcia Franz Amaral</i> (UFSM): <b>o que se espera do jornalismo neste momento pós-desastre que viveremos no Rio Grande do Sul. Quais as especificidades deste momento?</b></p><p><b>SÔNIA: </b>Eu acho que existem várias frentes. Uma delas é um jornalismo que aponte as responsabilidades, não só em casos criminosos, mas também na política pública. Como a política pública é e foi negligenciada, isso precisa ser muito bem acompanhado. Outra coisa que podemos fazer, e eu produzi no <i>Fantástico </i>também nos bastidores, é o exemplo da matéria que foi feita em Nova York e em Londres sobre as cidades-esponja: <b>podemos ajudar divulgando informações de que existem, sim, soluções baseadas na natureza, que podem tornar os ambientes mais resilientes</b>.</p><p>Então, no Rio Grande do Sul, eu gostaria muito de ver um mapeamento de como está a vegetação nas cabeceiras do Rio Taquari, que permitiu que esse volume de chuva fosse absorvido e escoado para o rio com tanta rapidez. As margens desse rio são protegidas ou têm pasto e lavoura até a margem? Existe mata ciliar ao longo do rio e de seus afluentes? Qual é a cobertura de mata nativa nas propriedades dessa região? Está respeitando os 30% de reserva natural? Esse tipo de levantamento, eu acho, é fundamental até para ajudar a pautar a discussão de política pública.</p><p>Se você não tiver um ambiente resiliente... é como ter um paciente doente que qualquer gripe pode matar. Agora, se você tem um paciente mais resiliente, ele vai suportar melhor os ataques à sua saúde. E isso é muito verdadeiro para o meio ambiente. Se você tem rios com margens bem florestadas, cujos afluentes são igualmente bem cuidados, um sistema de microbacias bem mantido, com solo que absorve a água. Em um evento extremo como esse que aconteceu, provavelmente não vai evitar que tanta chuva ocorra, mas talvez evite a gravidade e a rapidez com que os danos se espalhem. A velocidade com que a água desceu essa serra pode ser um indicativo. Isso precisa de um estudo. Isso eu gostaria de ver, por exemplo. Isso é trabalho para nós. Trabalho para nós, jornalistas.</p><p> </p><p><b>ANNA JÚLIA: Muito obrigada pelo relato, </b><b><i>Sônia</i></b><b>. Gostaria de fazer mais algum comentário?</b></p><p><b>SÔNIA: </b>Eu queria dizer o seguinte: <b>hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente e também o dia em que se completam dois anos desde que</b><b><i> Bruno Pereira</i></b><b> e </b><b><i>Dom Phillips</i></b><b> foram brutalmente assassinados</b> no Vale do Javari, defendendo o que o Estado deveria estar defendendo, que é a integridade do território contra crimes ambientais.</p><p>Quando falamos, por exemplo, da proteção dos banhados, é porque os banhados são as cidades-esponja já prontas. Eles existem para isso, para absorver o impacto de grandes inundações. Quando acabamos com eles, criamos instabilidade. <b>E eu acho que algo que precisamos sempre conectar é a questão da nossa segurança com a questão ambiental. As pessoas que morreram e que perderam tudo foram vítimas dos crimes ambientais.</b></p><p>Os analistas de economia agora finalmente estão falando do impacto econômico do clima, que vai impactar o PIB do Brasil e tal, mas quando você fala de licenciamento ambiental, muitas vezes você os vê dizendo que isso “atrapalha e atrasa obras, torna difícil fazer infraestrutura”. Há uma tendência a diminuir e desvalorizar a importância de rigorosos licenciamentos ambientais de proteção. Dizem, “ah, mas querem deixar 30% [de reserva natural] da terra, coitado do agricultor, não pode aproveitar a terra dele”. A terra é um bem público também. E se ele não cuidar dos 30% de preservação ambiental ou, enfim, de acordo com a legislação para cada tamanho de propriedade – 50%, 80% na Amazônia –, não vai ter nada para colher. A terra vai embora, o solo fértil vai embora.</p><p><b>Então, temos que conectar o clima com essa destruição de vidas, de formas de vida e de meios de vida – que são o seu trabalho, o seu emprego, a empresa que você tem, ou a vendinha, a sua casa, os seus móveis, a escola das suas crianças</b>. Tudo isso se perde e é um gasto de infraestrutura absurdo comparado com o custo do plantio de árvores, reservas legais e licenciamento ambiental. Isso vira troco, é irrisório perto do desastre. E essas contas precisam ser feitas e escancaradas sempre que falarmos sobre os desastres. É isso, gente. Obrigada pelo convite.</p><p> </p><p>*Editado para fins de concisão.</p><p>Texto: <i>Anna Júlia C. da Silva</i> | Doutoranda (Poscom/UFSM) e pesquisadora discente do <i>milpa - laboratório de jornalismo</i> (CNPq/UFSM)</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Série “Futuros Possíveis” promoverá evento sobre comunicação em desastres</title>
				<link>https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/05/23/serie-futuros-possiveis-promovera-evento-sobre-comunicacao-em-desastres</link>
				<pubDate>Thu, 23 May 2024 15:46:56 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[futuros possíveis]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[poscom]]></category>
		<category><![CDATA[RS]]></category>

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						<description><![CDATA[Marcado para o Dia Mundial do Meio Ambiente, evento contará com palestra, painel e roda de conversa on-line com a participação de jornalistas e pesquisadores/as]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Os desafios da comunicação e informação no contexto de desastres será tema de evento promovido pela série <em>Futuros Possíveis - Encontros de Pesquisa,</em><b> </b>no Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de junho. A iniciativa procura ampliar e aprofundar as reflexões em torno da área da comunicação diante da emergência climática e de desastres socioambientais, como o enfrentado pelo estado do Rio Grande do Sul neste mês de maio de 2024.<em><strong> </strong></em><em><strong>"Futuros Possíveis: Comunicação, Informação e Desastres"</strong></em> é o título do encontro que poderá ser acompanhado, a partir das 13h45, em formato on-line via YouTube ou presencial na sala 19 do bloco 1 da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen (UFSM/FW). Haverá espaços reservados para perguntas e diálogo entre participantes e público. Não é necessário inscrição prévia para assistir. </p><p>A organização do evento é realizada em uma parceria entre o <i style="color: #000000;font-size: 1rem;font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight );text-align: var(--bs-body-text-align)"><b>milpa - laboratório de jornalismo</b></i>, Grupo de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Poscom) da UFSM, e o Programa de Extensão <b style="color: #000000;font-size: 1rem;text-align: var(--bs-body-text-align)"><i>Mão na Mídia</i></b>, do Departamento de Ciências da Comunicação (Decom) da UFSM/FW<b style="color: #000000;font-size: 1rem;text-align: var(--bs-body-text-align)"><i>. </i></b>O encontro faz parte da programação do<em> "Pensando Verde: Semana do Meio Ambiente"</em>, promovida pelo Grupo Agenda 2030, da UFSM/FW.</p><p>Inicialmente, haverá a participação de <em>Fernanda Damacena</em>, advogada com pós-doutorado em Direito Socioambiental e Sustentabilidade, com a palestra <em>"Direito à Informação no Contexto de Risco e de Desastres"</em>. A mediação será do jornalista e mestrando <em>Micael Olegário</em> (POSCOM/UFSM). </p><p>Em seguida, será aberto um painel com a participação da jornalista<em> Sônia Bridi</em>, da Rede Globo, e do jornalista<em> Luís Eduardo Gomes</em>, do portal Sul21, que irá tematizar o <em>"Jornalismo na Cobertura de Desastres"</em>. A mediação será da jornalista e doutoranda <em>Anna Júlia Carlos da Silva</em> (POSCOM/UFSM).</p><p> </p><p><b>Espaço para a pesquisa</b></p><p>Além da palestra e do painel temático, o evento terá um terceiro momento com uma roda de conversa sobre<em> "A Pesquisa em Comunicação diante das Mudanças Climáticas"</em>. Estarão presentes a professora <em>Ilza Maria Tourinho Girardi</em> e a pesquisadora <em>Eloisa Beling Loose</em>, do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (PPGCOM/UFRGS); a professora <em>Márcia Franz Amaral</em>, do Grupo de Estudos em Jornalismo (POSCOM/UFSM); a professora <em>Cláudia Herte de Moraes</em>, do Programa <b><i>Mão na Mídia</i></b> (UFSM/FW); e o professor <em>Reges Schwaab</em>, do <b><i>milpa - laboratório de jornalismo </i></b>(POSCOM/UFSM).</p>		
													<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2024/05/Wordpress-Evento-5-de-junho-2-1024x576.jpg" alt="" />													
		<p>Link para acesso à transmissão ao vivo: <a style="font-size: 16px;font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight );text-align: var(--bs-body-text-align);color: #204c90" href="https://www.youtube.com/live/9lx9zk35Oc4">https://www.youtube.com/live/9lx9zk35Oc4</a></p><p><em> </em>–</p><p><em>Fernanda Damacena</em> é advogada, consultora e pesquisadora. Realizou pós-doutorado na área de concentração Direito Socioambiental e Sustentabilidade. É doutora e mestra em Direito, além de especialista em Direito do Estado. Visiting Research Fellow na UWA Law School - Austrália.</p><p><em>Sônia Bridi</em> é jornalista, escritora e repórter especial, com vasta experiência em reportagens investigativas e coberturas de questões ambientais e sociais. Foi correspondente da Rede Globo em Londres, Nova Iorque, Pequim e Paris. Autora de <i>Laowai - aventuras de uma repórter brasileira na China</i> (2008) e <i>Diário do Clima</i> (2012).</p><p><em>Luís Eduardo Gomes</em> é graduado e mestre em Comunicação Social, com especialização na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). É repórter do site Sul21 desde 2015 e sócio desde 2020. Possui passagens anteriores pelo Portal Terra e pelo Diário Gaúcho.</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Série "Futuros possíveis" recebe a escritora Maria Petrucci</title>
				<link>https://www.ufsm.br/laboratorios/milpa/2024/04/17/futuros-possiveis-recebe-a-escritora-maria-petrucci</link>
				<pubDate>Thu, 18 Apr 2024 00:12:55 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[antropoceno]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>

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						<description><![CDATA[Em evento híbrido, dia 24 de abril, pesquisadora falará sobre a proposta do livro "Antropoceno: da crise climática à crise de pensamento"]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2024/04/Captura-de-Tela-2024-04-17-as-21.00.35.jpg" alt="" width="958" height="529" /></p>
<blockquote>
<h6><em>Maria Petrucci: “Pois, talvez mais do que tudo, o Antropoceno é sobre a percepção de que práticas políticas, gestos criativos, seleções ecológicas, histórias, conceitos, formulações, territórios, em suma, maneiras de dizer, explicar e habitar o mundo fazem um mundo". Imagem: Ed. Contratempo.<br /></em></h6>
</blockquote>
<p> </p>
<p>A série <strong>Futuros Possíveis - Encontros de Pesquisa</strong> abre sua programação pública de 2024 na próxima quarta, dia 24 de abril, às 15h30. O projeto recebe a escritora e pesquisadora Maria Petrucci, que lançou, em março, o livro <em>Antropoceno: da crise climática à crise de pensamento</em> (Ed. Contratempo). <span class="selectable-text copyable-text">A convidada é mestre em Letras pela UFRGS, onde atualmente cursa o Doutorado. Integra o grupo de estudos <em>Atlas do Antropoceno</em>, da PUC-RS, e o grupo de pesquisa <em>A Terra e Nós</em>, vinculado ao CNPq. É professora e tradutora freelancer e autora do livro de ficção <em>prelúdios</em> (Víbora Edições).</span></p>
<p>O encontro será em formato híbrido. Presencialmente, na Sala de Reuniões do campus da UFSM Frederico Westphalen, sem necessidade de inscrição prévia. Para participar via <em>Google Meet, </em>é necessária inscrição até às 20h do dia 23 de abril (link abaixo). As informações para participação por videoconferência serão remetidas por e-mail na manhã do dia 24.</p>
<p>No livro, Maria Petrucci propõe uma aproximação detalhada e pertinente ao conceito de <em>Antropoceno</em>, debatido por várias áreas do conhecimento, das humanidades às ciências naturais, sobre a possível "nova época da Terra", que nos convida a questionar nossas práticas e, especialmente, imaginar novos modos de vida.</p>
<p>A série <strong>Futuros Possíveis</strong> promove reuniões quinzenais com o objetivo de estudar e de debater proposições de pensadores e de pesquisadores contemporâneos, de distintos campos de conhecimento. As perspectivas centrais de estudo compreendem abordagens sobre a Comunicação diante do Antropoceno e das Mudanças Climáticas.</p>
<p>A atividade tem coordenação dos professores Reges Schwaab e Cláudia Herte de Moraes, com a participação dos seus orientandos de graduação e de pós-graduação, bolsistas e voluntários de projetos de pesquisa, de ensino e de extensão, e também de estudantes interessados/as, independente de semestre e de curso. Neste ano, a doutoranda Anna Julia Carlos da Silva (POSCOM/UFSM) é a discente responsável pela dinâmica dos encontros. Para estudantes, a participação é certificada.</p>
<p>Os encontros são fruto de uma colaboração entre o <em><strong>milpa - laboratório de jornalismo (CNPq/UFSM)</strong></em> e o projeto de extensão <strong>Mão na Mídia</strong> e estão em sua segunda edição.</p>
<p>Outras informações: milpa@ufsm.br.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->

<h3 style="text-align: center"><a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeJgD0BEKQIVvZWEey9ZHJpuAw82xJp_bIll_KDKtCRlf7wYg/viewform"><strong>Inscrições | Clique aqui para participar via Google Meet.</strong></a></h3>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/930/2024/04/banner_futuros_possiveis_2024-1024x256.jpg" alt="" width="1024" height="256" /></p>]]></content:encoded>
													</item>
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