{"id":86,"date":"2024-06-28T22:19:25","date_gmt":"2024-06-29T01:19:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/?p=86"},"modified":"2024-06-29T13:32:17","modified_gmt":"2024-06-29T16:32:17","slug":"sonia-bridi-ou-voce-e-um-jornalista-do-clima-ou-nao-esta-fazendo-o-seu-trabalho-como-deveria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/2024\/06\/28\/sonia-bridi-ou-voce-e-um-jornalista-do-clima-ou-nao-esta-fazendo-o-seu-trabalho-como-deveria","title":{"rendered":"S\u00f4nia Bridi: &#8220;Ou voc\u00ea \u00e9 um jornalista do clima, ou n\u00e3o est\u00e1 fazendo o seu trabalho como deveria&#8221;"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"86\" class=\"elementor elementor-86\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-c5887cf elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"c5887cf\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-991d9cb\" data-id=\"991d9cb\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1d5e653 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1d5e653\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cFuturos Poss\u00edveis: Comunica\u00e7\u00e3o, Informa\u00e7\u00e3o e Desastres\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foi tema de evento promovido pelos grupos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">milpa &#8211; laborat\u00f3rio de jornalismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e3o na M\u00eddia<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Agenda 2030<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, da Universidade Federal de Santa Maria, campus Frederico Westphalen. Na programa\u00e7\u00e3o, o painel <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cJornalismo na Cobertura de Desastres\u201d <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">discutiu a tarefa de narrar acontecimentos de grande impacto que mobilizam o jornalismo tradicional e as m\u00eddias independentes. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O momento <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">contou com a participa\u00e7\u00e3o da jornalista<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> S\u00f4nia Bridi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Rede Globo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, e do <a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/2024\/06\/28\/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes\">jornalista <\/a><\/span><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/2024\/06\/28\/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Lu\u00eds Gomes<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, do portal <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Sul21<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. A media\u00e7\u00e3o foi realizada pela jornalista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Anna J\u00falia C. da Silva<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p><p><i><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f4nia Bridi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 jornalista e escritora, refer\u00eancia em reportagens investigativas e na cobertura de quest\u00f5es sociais e ambientais. Foi correspondente da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Rede Globo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> em Londres, Nova York, Pequim e Paris. No programa <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fant\u00e1stico<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, s\u00e3o destacadas produ\u00e7\u00f5es assinadas por ela abordando de forma aprofundada as transforma\u00e7\u00f5es do nosso tempo. \u201cTerra, que Tempo \u00e9 Esse?\u201d, de 2010, \u201cPlaneta Terra: Lota\u00e7\u00e3o Esgotada\u201d, de 2012, e \u201cA Jornada da Vida\u201d, de 2014, s\u00e3o alguns exemplos. Entre as suas principais coberturas, est\u00e3o o desastre da regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro, em 2011, e a trag\u00e9dia humanit\u00e1ria dos Yanomami, em 2023. \u00c9 autora dos livros \u201cLaowai &#8211; Aventuras de uma rep\u00f3rter brasileira na China\u201d, de 2008, e \u201cDi\u00e1rio do Clima\u201d, de 2012.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">A transmiss\u00e3o pode ser revista <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/live\/9lx9zk35Oc4?si=J-aosBx3Cu0hZqnJ\"><b>neste link<\/b><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Leia a transcri\u00e7\u00e3o do painel* com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f4nia Bridi<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, realizado no dia 5 de junho de 2024:<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p><p><b>ANNA J\u00daLIA: Diante do cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da repeti\u00e7\u00e3o de eventos extremos, como voc\u00ea define o papel do jornalismo?<\/b><\/p><p><b>S\u00d4NIA: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 muito tempo, temos repetido que n\u00e3o existe jornalista que n\u00e3o seja um jornalista do clima. O jornalista n\u00e3o vai estar prestando um papel, o seu papel como jornalista, se para cada assunto que ele for tratar, ele n\u00e3o estiver tratando tamb\u00e9m da quest\u00e3o clim\u00e1tica. Todos os setores de nossa vida est\u00e3o relacionados a essa pauta: nossos costumes, nossa cultura, nossa economia, a maneira como consumimos, produzimos energia, usamos a terra, nos deslocamos para o trabalho, tratamos o lixo, constru\u00edmos infraestrutura urbana, desenvolvemos pol\u00edticas p\u00fablicas e, principalmente, fazemos pol\u00edtica. A pol\u00edtica tem ficado extremamente alienada das quest\u00f5es clim\u00e1ticas e n\u00f3s jornalistas n\u00e3o temos feito o nosso trabalho de provocar e cobrar os pol\u00edticos com a intensidade necess\u00e1ria para o momento que vivemos. Ent\u00e3o, tratarmos das quest\u00f5es clim\u00e1ticas neste momento \u00e9 fundamental. <\/span><b>Hoje, ou voc\u00ea \u00e9 um jornalista do clima ou voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 fazendo o seu trabalho de jornalismo como deveria ser feito<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">E este trabalho se torna ainda mais urgente porque permitimos que a situa\u00e7\u00e3o chegasse a esse ponto. At\u00e9 este momento, n\u00f3s j\u00e1 esquentamos o planeta quase um grau e meio. Hoje, foram divulgados dois relat\u00f3rios bastante alarmantes que mostram que os \u00faltimos 12 meses foram os mais quentes da hist\u00f3ria. Assim, podemos afirmar que junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro, dezembro, janeiro, fevereiro, mar\u00e7o, abril e maio foram os meses mais quentes j\u00e1 registrados. Isso n\u00e3o apenas em compara\u00e7\u00e3o com os dados instrumentais, mas tamb\u00e9m com evid\u00eancias como marcos hist\u00f3ricos, testemunhos, gelo, \u00e1rvores, entre outros. <\/span><b>S\u00f3 esteve quente desse jeito h\u00e1 alguns milh\u00f5es de anos e esse calor esteve relacionado a processos de extin\u00e7\u00e3o em massa. Logo, n\u00f3s temos uma urg\u00eancia muito grande e precisamos n\u00e3o s\u00f3 informar sobre o clima, mas tamb\u00e9m sobre o processo dos cientistas<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Uma grande parte do descr\u00e9dito que as pessoas t\u00eam na ci\u00eancia, \u00e9 porque infelizmente as nossas escolas e universidades n\u00e3o explicam como funciona um processo cient\u00edfico. Na pandemia, vimos que nem mesmo as faculdades de medicina. Tem m\u00e9dico que acha que se ele deu um rem\u00e9dio para um paciente e o paciente melhorou, isso \u00e9 um estudo cient\u00edfico. N\u00e3o \u00e9, isso n\u00e3o \u00e9 uma comprova\u00e7\u00e3o de que o rem\u00e9dio funciona. Existe todo um processo de testagem e de garantias. E toda ci\u00eancia trabalha assim. E quando a gente faz as mat\u00e9rias e diz que os cientistas est\u00e3o afirmando isso ou aquilo, a gente tem que sempre responder como \u00e9 que eles sabem isso. <\/span><b>Explicar um pouco do processo cient\u00edfico ajuda n\u00e3o s\u00f3 as pessoas a se sentirem mais satisfeitas de compreender uma informa\u00e7\u00e3o, mas aumenta a credibilidade da ci\u00eancia, que tem sido bombardeada por mentiras profissionais<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> como a gente tem visto nos \u00faltimos tempos. Enfim, acho que a tarefa \u00e9 longa e \u00e1rdua.<\/span><\/p><p><b>\u00a0<\/b><\/p><p><b>ANNA J\u00daLIA: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Via chat do YouTube, temos uma pergunta de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Heverton Lacerda<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (UFRGS):<\/span><b> como os jornalistas podem furar as barreiras da estrutura de reda\u00e7\u00e3o que est\u00e3o ligadas de alguma forma ao comercial de grandes reda\u00e7\u00f5es e ainda \u00e0 dire\u00e7\u00e3o geral dos donos das grandes redes?<\/b><\/p><p><b>S\u00d4NIA<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: No meu caso, nunca senti uma press\u00e3o externa, digamos assim, comercial. Eu acho que o maior desafio para mim sempre foi convencer os meus colegas da gravidade da quest\u00e3o clim\u00e1tica. N\u00e3o h\u00e1 uma reuni\u00e3o de pauta em que eu participe e n\u00e3o traga pelo menos tr\u00eas pautas relacionadas ao clima e \u00e0s quest\u00f5es ambientais, seja den\u00fancia ou solu\u00e7\u00e3o. Portanto, uma coisa \u00e9: devemos bombardear os chefes de reda\u00e7\u00e3o com essas pautas. Traz\u00ea-las, sermos propositivos. Eu fiz isso e as coisas foram acontecendo; consegui cada vez mais espa\u00e7o e hoje acredito que convencer se tornou muito mais f\u00e1cil e conseguimos emplacar mais mat\u00e9rias.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 dif\u00edcil assistir a um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Jornal Nacional <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">inteiro sem que o tema do clima seja abordado; \u00e9 raro ver um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fant\u00e1stico <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">sem uma reportagem sobre meio ambiente, seja propositiva, de den\u00fancia ou relacionada a algum outro assunto. E eu acho que essa nova gera\u00e7\u00e3o de jornalistas que est\u00e1 nas reda\u00e7\u00f5es j\u00e1 chega com esse conhecimento.<\/span><b> A minha gera\u00e7\u00e3o \u00e9 cheia de negacionistas, jornalistas negacionistas do clima. \u00c9 claro que eu estou falando de uma regra cheia de exce\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1 uma tend\u00eancia a tratar o clima e a quest\u00e3o ambiental como uma perfumaria, um assuntinho menor. Eu j\u00e1 ouvi coisas do tipo: \u201cvoc\u00ea \u00e9 t\u00e3o boa rep\u00f3rter, pena que se dedica tanto a ficar gastando tempo com essas mat\u00e9rias de meio ambiente\u201d<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Como se a sobreviv\u00eancia da humanidade fosse um assunto pequeno. Ent\u00e3o eu acho que a resist\u00eancia das grandes reda\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande assim, basta apresentarmos nossos projetos.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 uma dificuldade que se relaciona ao custo. Por exemplo, qualquer viagem para a Amaz\u00f4nia custa trinta, quarenta mil reais para uma equipe de televis\u00e3o. Produzir mat\u00e9rias <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">in loco<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, conversar com as pessoas, captar imagens, tudo isso demanda tempo e dinheiro, e dinheiro tem sido escasso nas reda\u00e7\u00f5es brasileiras. As TVs e os jornais trabalham com publicidade. Ent\u00e3o uma coisa que se pode fazer talvez \u00e9 at\u00e9 botar o comercial como proativo, que tente comercializar, vender um determinado espa\u00e7o que vai ser sempre dedicado a quest\u00f5es do clima. Porque qualquer empresa s\u00e9ria e constitu\u00edda hoje tem um departamento de ESG (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">environmental, social e governance <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u2013 traduzido para o portugu\u00eas como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">ambiental, social e governan\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">), e o E \u00e9 de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">environmental <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">(ambiental). As empresas est\u00e3o sendo obrigadas a cada vez mais passar de greenwashing, de criar aquela imagem verde, para realmente agir verde. Ent\u00e3o, acho que a gente tem que ser mais propositivo dentro das reda\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p><p><b>Lembro da rea\u00e7\u00e3o do meu chefe em 2009, quando sugeri uma s\u00e9rie sobre lugares que j\u00e1 mostravam os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Em 2009, ele achava que a gente iria ver mudan\u00e7a clim\u00e1tica em 2070, 2080<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><b>mas j\u00e1 havia muitos exemplos. Quando provei isso a ele, fizemos a s\u00e9rie<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, possivelmente a primeira na TV aberta mundial dedicada exclusivamente \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, em hor\u00e1rio nobre e com bastante tempo. Ent\u00e3o, acho que a gente tem que ser mais propositivo com as chefias, porque \u00e0s vezes eles j\u00e1 tem todo um planejamento, um espelho, uma programa\u00e7\u00e3o, e ao chegarmos com uma coisa diferente temos que insistir, mostrar porque que \u00e9 relevante e apresentar alternativas. Acho que a \u00fanica maneira de dar a volta em todos os problemas para poder emplacar mat\u00e9ria \u00e9 ser propositivo e insistente.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-e301919 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"e301919\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d3f56f8\" data-id=\"d3f56f8\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2c26bff elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"2c26bff\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"659\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/930\/2024\/06\/IMG_0006-3-1024x659.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-95\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/930\/2024\/06\/IMG_0006-3-1024x659.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/930\/2024\/06\/IMG_0006-3-300x193.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/930\/2024\/06\/IMG_0006-3-768x494.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/930\/2024\/06\/IMG_0006-3-1536x989.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/930\/2024\/06\/IMG_0006-3.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-42771c5 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"42771c5\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-eab7215\" data-id=\"eab7215\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-1f749f9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"1f749f9\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><b>ANNA J\u00daLIA: Quais s\u00e3o os principais desafios que voc\u00ea costuma enfrentar ao cobrir desastres ambientais?\u00a0<\/b><\/p><p><b>S\u00d4NIA: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Eu acho que a maior dificuldade geralmente \u00e9 o acesso, porque \u00e9 quando acontece o desastre que o jornalista se desloca, e, \u00e0s vezes, quando ele come\u00e7a a se deslocar, o acesso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. N\u00f3s vimos o que aconteceu no Rio Grande do Sul: havia jornalistas levando trinta, quarenta horas para conseguir chegar ao estado e fazer a cobertura. A\u00ed, chegam em Porto Alegre e n\u00e3o conseguem ir para outros lugares. Ent\u00e3o, h\u00e1 muita dificuldade de acesso. Tamb\u00e9m h\u00e1 dificuldade em conseguir enviar material, porque, quando h\u00e1 um desastre ambiental, h\u00e1 um desastre na infraestrutura, e essa infraestrutura acaba influenciando tamb\u00e9m a comunica\u00e7\u00e3o. A\u00ed, voc\u00ea grava, tem um monte de arquivos, precisa subir pela internet, mas n\u00e3o tem uma internet confi\u00e1vel ou com velocidade. S\u00e3o problemas mais t\u00e9cnicos, n\u00e9? Eu acho que precisamos estar preparados para ir a esses lugares. Quando voc\u00ea vai a um desastre ambiental, enfrenta um desafio f\u00edsico. Voc\u00ea tem que saber se organizar para ir, n\u00e3o quer se tornar mais um problema, mais uma pessoa para socorrer, mais algu\u00e9m a ser tratado no hospital. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem que ir com equipamentos de seguran\u00e7a e garantir que ter\u00e1 alimento por alguns dias, sem precisar usar os poucos recursos que as pessoas j\u00e1 t\u00eam. O jornalista n\u00e3o quer ser um estorvo diante de uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Agora, no que se trata de falar com as pessoas, o desafio \u00e9 controlar as emo\u00e7\u00f5es, porque \u00e9 muito duro, numa hora t\u00e3o dif\u00edcil e tr\u00e1gica. Eu n\u00e3o fui para a cobertura no Rio Grande do Sul, porque fui diagnosticada com uma pneumonia na semana anterior e permaneci em tratamento. Aqui, tentei ajudar na reda\u00e7\u00e3o, na pauta, enfim, com tudo o que pude. Mas, quando voc\u00ea est\u00e1 l\u00e1, compartilha a dor das pessoas. Voc\u00ea n\u00e3o quer sofrer mais do que a v\u00edtima, n\u00e9? Ent\u00e3o, \u00e9 importante administrar suas emo\u00e7\u00f5es para que o rep\u00f3rter n\u00e3o se torne a not\u00edcia. Na televis\u00e3o, essa linha \u00e9 muito dif\u00edcil e, \u00e0s vezes, escorrega. Acho que esse \u00e9 um desafio: estar muito aberto para ouvir as pessoas e dar o tempo delas. Numa trag\u00e9dia, as pessoas querem desabafar; voc\u00ea n\u00e3o pode sair correndo de uma pessoa para outra. Deve dar o tempo necess\u00e1rio para a pessoa falar, desabafar, contar sua hist\u00f3ria. <\/span><b>\u00c0s vezes, as pessoas come\u00e7am a voltar no tempo 20 anos, e v\u00e3o e voltam\u2026 faz parte do trauma que o discurso delas seja mais confuso, e precisamos ter paci\u00eancia para ouvir.<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Outro grande desafio \u00e9 conseguir cobrir as etapas da not\u00edcia [o antes, o durante e o depois da trag\u00e9dia], mas <a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/2024\/06\/28\/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes\">isso o <\/a><\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/2024\/06\/28\/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes\">Lu\u00eds Gomes<\/a><\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/2024\/06\/28\/luis-gomes-eu-acho-que-este-e-o-momento-central-da-cobertura-de-desastres-o-antes\"> explicou muito bem<\/a>. H\u00e1 a etapa em que foi feito o aviso, o alerta de que as coisas podiam acontecer. Quando a trag\u00e9dia ocorre, voc\u00ea deve se concentrar nela, mas n\u00e3o pode demorar muito para come\u00e7ar a apontar responsabilidades. <\/span><b>Ainda mais num pa\u00eds como o nosso, onde temos que lidar com duas manifesta\u00e7\u00f5es horr\u00edveis da mesma fonte, do mesmo movimento, que s\u00e3o o negacionismo e as mentiras plantadas e disseminadas de maneira profissional e planejada<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Ent\u00e3o, precisamos ter um momento ali, aquele tempo de cuidar, o resgate, o socorro, a ajuda humanit\u00e1ria e tal, mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio apontar as culpas e responsabilidades rapidamente. <\/span><b>Tristemente, digo que me d\u00f3i no cora\u00e7\u00e3o saber que at\u00e9 hoje n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m preso pelo que aconteceu na Boate Kiss. E ningu\u00e9m vai pagar pelo que aconteceu com essa trag\u00e9dia no Rio Grande do Sul. Ningu\u00e9m pagou por Brumadinho, pelo Ninho do Urubu<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Mas isso n\u00e3o deve ser raz\u00e3o para nos calarmos e pararmos de apontar os culpados. \u00c9 preciso que isso seja feito no tempo certo, sem demorar muito.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p><p><b>ANNA J\u00daLIA: Como fazer uma cobertura eficaz e sens\u00edvel, considerando o contexto de desastres?<\/b><\/p><p><b>S\u00d4NIA: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Na hora do desastre, voc\u00ea precisa ver o que est\u00e1 acontecendo agora, as consequ\u00eancias desse desastre. Uma cobertura sens\u00edvel, eu acho, \u00e9 a que deixa as pessoas falarem, que abre espa\u00e7o para que elas contem as hist\u00f3rias do que est\u00e1 acontecendo ali. Mas, \u00e9 preciso tamb\u00e9m haver uma compreens\u00e3o de como tudo aconteceu, isso precisa ser feito, porque, quando compreendemos como tudo aconteceu, j\u00e1 estamos come\u00e7ando a desenhar a cadeia de responsabilidades.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, por exemplo, na semana seguinte \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul, no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fant\u00e1stico<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, eu fiz a apura\u00e7\u00e3o e as artes que foram apresentadas pelas apresentadoras \u2013 porque eu estava em casa, com pneumonia, e isso era a contribui\u00e7\u00e3o que eu podia dar \u2013, sobre como \u00e9 a topografia da regi\u00e3o, como as \u00e1guas se movimentam, por que Porto Alegre inundou, como foi a sequ\u00eancia das comportas que falharam, das bombas que n\u00e3o funcionaram, mostrando a rapidez com que essa \u00e1gua subiu por causa dessa falha em todos os sistemas, enfim, todo esse processo. Por mais que essas coisas j\u00e1 tivessem sido ditas, uma coisa aqui, outra ali, eu acho que o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fant\u00e1stico <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">tem esse papel importante de agrupar aquelas informa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o saindo picadas e colocar uma linha do tempo e um sentido nelas. Porque, quando voc\u00ea faz isso, j\u00e1 tem um caminho de responsabilidades, mostrando como as coisas aconteceram.<\/span><\/p><p><b>Enfim, acho que essas duas coisas precisam ser feitas: contextualizar o que e como aconteceu, tentar dar uma explica\u00e7\u00e3o mais completa do passo a passo de todas as coisas que influenciaram, mas tamb\u00e9m parar e ouvir as pessoas e entender como est\u00e3o sendo atendidas<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Eu me lembro que, quando estava na faculdade, tinha uma mat\u00e9ria do jornalista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Ricardo Kotscho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Folha de S\u00e3o Paulo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, que era um estudo de caso em que ele mostrava uma inunda\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo em que o prefeito estava em uma festa e n\u00e3o saiu. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem que mostrar como est\u00e3o posicionadas e o que est\u00e3o fazendo as autoridades. Nesse caso, algumas coisas foram muito bem feitas, como, por exemplo, a entrevista da jornalista <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kelly Matos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Grupo RBS<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">] com <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Hamilton Mour\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [senador eleito pelo RS, do partido <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Republicanos<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">], que revela muito sobre com quem se pode contar numa hora de desgra\u00e7a.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p><p><b>ANNA J\u00daLIA: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Via chat do YouTube, temos uma pergunta de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">M\u00e1rcia Franz Amaral<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (UFSM): <\/span><b>o que se espera do jornalismo neste momento p\u00f3s-desastre que viveremos no Rio Grande do Sul. Quais as especificidades deste momento?<\/b><\/p><p><b>S\u00d4NIA: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Eu acho que existem v\u00e1rias frentes. Uma delas \u00e9 um jornalismo que aponte as responsabilidades, n\u00e3o s\u00f3 em casos criminosos, mas tamb\u00e9m na pol\u00edtica p\u00fablica. Como a pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 e foi negligenciada, isso precisa ser muito bem acompanhado. Outra coisa que podemos fazer, e eu produzi no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Fant\u00e1stico <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">tamb\u00e9m nos bastidores, \u00e9 o exemplo da mat\u00e9ria que foi feita em Nova York e em Londres sobre as cidades-esponja: <\/span><b>podemos ajudar divulgando informa\u00e7\u00f5es de que existem, sim, solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza, que podem tornar os ambientes mais resilientes<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Ent\u00e3o, no Rio Grande do Sul, eu gostaria muito de ver um mapeamento de como est\u00e1 a vegeta\u00e7\u00e3o nas cabeceiras do Rio Taquari, que permitiu que esse volume de chuva fosse absorvido e escoado para o rio com tanta rapidez. As margens desse rio s\u00e3o protegidas ou t\u00eam pasto e lavoura at\u00e9 a margem? Existe mata ciliar ao longo do rio e de seus afluentes? Qual \u00e9 a cobertura de mata nativa nas propriedades dessa regi\u00e3o? Est\u00e1 respeitando os 30% de reserva natural? Esse tipo de levantamento, eu acho, \u00e9 fundamental at\u00e9 para ajudar a pautar a discuss\u00e3o de pol\u00edtica p\u00fablica.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Se voc\u00ea n\u00e3o tiver um ambiente resiliente&#8230; \u00e9 como ter um paciente doente que qualquer gripe pode matar. Agora, se voc\u00ea tem um paciente mais resiliente, ele vai suportar melhor os ataques \u00e0 sua sa\u00fade. E isso \u00e9 muito verdadeiro para o meio ambiente. Se voc\u00ea tem rios com margens bem florestadas, cujos afluentes s\u00e3o igualmente bem cuidados, um sistema de microbacias bem mantido, com solo que absorve a \u00e1gua. Em um evento extremo como esse que aconteceu, provavelmente n\u00e3o vai evitar que tanta chuva ocorra, mas talvez evite a gravidade e a rapidez com que os danos se espalhem. A velocidade com que a \u00e1gua desceu essa serra pode ser um indicativo. Isso precisa de um estudo. Isso eu gostaria de ver, por exemplo. Isso \u00e9 trabalho para n\u00f3s. Trabalho para n\u00f3s, jornalistas.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p><p><b>ANNA J\u00daLIA: Muito obrigada pelo relato, <\/b><b><i>S\u00f4nia<\/i><\/b><b>. Gostaria de fazer mais algum coment\u00e1rio?<\/b><\/p><p><b>S\u00d4NIA: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Eu queria dizer o seguinte: <\/span><b>hoje \u00e9 Dia Mundial do Meio Ambiente e tamb\u00e9m o dia em que se completam dois anos desde que<\/b><b><i> Bruno Pereira<\/i><\/b><b> e <\/b><b><i>Dom Phillips<\/i><\/b><b> foram brutalmente assassinados<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> no Vale do Javari, defendendo o que o Estado deveria estar defendendo, que \u00e9 a integridade do territ\u00f3rio contra crimes ambientais.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Quando falamos, por exemplo, da prote\u00e7\u00e3o dos banhados, \u00e9 porque os banhados s\u00e3o as cidades-esponja j\u00e1 prontas. Eles existem para isso, para absorver o impacto de grandes inunda\u00e7\u00f5es. Quando acabamos com eles, criamos instabilidade. <\/span><b>E eu acho que algo que precisamos sempre conectar \u00e9 a quest\u00e3o da nossa seguran\u00e7a com a quest\u00e3o ambiental. As pessoas que morreram e que perderam tudo foram v\u00edtimas dos crimes ambientais.<\/b><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Os analistas de economia agora finalmente est\u00e3o falando do impacto econ\u00f4mico do clima, que vai impactar o PIB do Brasil e tal, mas quando voc\u00ea fala de licenciamento ambiental, muitas vezes voc\u00ea os v\u00ea dizendo que isso \u201catrapalha e atrasa obras, torna dif\u00edcil fazer infraestrutura\u201d. H\u00e1 uma tend\u00eancia a diminuir e desvalorizar a import\u00e2ncia de rigorosos licenciamentos ambientais de prote\u00e7\u00e3o. Dizem, \u201cah, mas querem deixar 30% [de reserva natural] da terra, coitado do agricultor, n\u00e3o pode aproveitar a terra dele\u201d. A terra \u00e9 um bem p\u00fablico tamb\u00e9m. E se ele n\u00e3o cuidar dos 30% de preserva\u00e7\u00e3o ambiental ou, enfim, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o para cada tamanho de propriedade \u2013 50%, 80% na Amaz\u00f4nia \u2013, n\u00e3o vai ter nada para colher. A terra vai embora, o solo f\u00e9rtil vai embora.<\/span><\/p><p><b>Ent\u00e3o, temos que conectar o clima com essa destrui\u00e7\u00e3o de vidas, de formas de vida e de meios de vida \u2013 que s\u00e3o o seu trabalho, o seu emprego, a empresa que voc\u00ea tem, ou a vendinha, a sua casa, os seus m\u00f3veis, a escola das suas crian\u00e7as<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Tudo isso se perde e \u00e9 um gasto de infraestrutura absurdo comparado com o custo do plantio de \u00e1rvores, reservas legais e licenciamento ambiental. Isso vira troco, \u00e9 irris\u00f3rio perto do desastre. E essas contas precisam ser feitas e escancaradas sempre que falarmos sobre os desastres. \u00c9 isso, gente. Obrigada pelo convite.<\/span><\/p><p><span style=\"text-align: var(--bs-body-text-align);font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight )\">\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"text-align: var(--bs-body-text-align);font-weight: var( --e-global-typography-text-font-weight )\">*Editado para fins de concis\u00e3o.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Texto: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Anna J\u00falia C. da Silva<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> | Doutoranda (Poscom\/UFSM) e pesquisadora discente do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">milpa &#8211; laborat\u00f3rio de jornalismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> (CNPq\/UFSM)<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jornalista da Rede Globo participou da transmiss\u00e3o de \u201cFuturos Poss\u00edveis: Comunica\u00e7\u00e3o, Informa\u00e7\u00e3o e Desastres\u201d, evento da UFSM no Dia Mundial do Meio Ambiente<\/p>\n","protected":false},"author":5698,"featured_media":93,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[24,27,22,23,18],"class_list":["post-86","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-comunicacao","tag-jornalismo","tag-meio-ambiente","tag-mudancas-climaticas","tag-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5698"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/milpa\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}