{"id":43,"date":"2020-01-29T12:16:37","date_gmt":"2020-01-29T15:16:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/rmn\/?p=43"},"modified":"2020-01-29T12:16:40","modified_gmt":"2020-01-29T15:16:40","slug":"ressonancia-nuclear-magnetica-analisa-vinho-sem-abrir-a-garrafa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/laboratorios\/rmn\/2020\/01\/29\/ressonancia-nuclear-magnetica-analisa-vinho-sem-abrir-a-garrafa","title":{"rendered":"Resson\u00e2ncia nuclear magn\u00e9tica analisa vinho sem abrir a garrafa"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"item-page\">\n<div>\n<div>A Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Nuclear (RMN) apareceu na vida do pesquisador Luiz Alberto Colnago em 1979, quando cursava doutorado no Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. Ele desenvolvia um m\u00e9todo para monitorar a varia\u00e7\u00e3o bioqu\u00edmica que ocorre durante a germina\u00e7\u00e3o de sementes. Desde ent\u00e3o, a RMN passou a fazer parte de seus trabalhos, principalmente, na Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Carlos (SP), onde atua desde 1986.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>O primeiro desafio surgiu ainda no fim da d\u00e9cada de 1980: desenvolver um aparelho para analisar o teor de \u00f3leo em sementes, sem destru\u00ed-las. Colnago recorreu ent\u00e3o \u00e0 Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Nuclear, descoberta na d\u00e9cada de 1940, que j\u00e1 contribu\u00eda para o avan\u00e7o cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico em \u00e1reas das ci\u00eancias b\u00e1sicas, como f\u00edsica, qu\u00edmica e biologia, al\u00e9m das \u00e1reas tecnol\u00f3gicas, como engenharia de materiais, agronomia, veterin\u00e1ria, alimentos, e tamb\u00e9m na \u00e1rea m\u00e9dica. A import\u00e2ncia cient\u00edfica da RMN pode ser demostrada pelo n\u00famero de pr\u00eamios Nobel que foram recebidos por desenvolvimentos na \u00e1rea: quatro.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>A RMN est\u00e1 se tornando uma ferramenta poderosa para agregar valor aos produtos in natura e tamb\u00e9m processados. \u00a0As aplica\u00e7\u00f5es podem envolver an\u00e1lise n\u00e3o invasiva da qualidade de frutas, carnes e produtos industrializados e embalados como maioneses, molhos de salada, de mostarda, entre outros.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>E foi justamente com base na demanda do consumidor por alimentos n\u00e3o somente de qualidade, mas tamb\u00e9m com certificado de origem, que o irrequieto pesquisador resolveu partir para um novo desafio, avaliar vinhos dentro da garrafa. O produto pode ter alto valor agregado, pois para um mesmo vinho (mesma variedade de uva), o pre\u00e7o pode variar centenas de vezes, dependendo do local e do ano da produ\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Atualmente, os m\u00e9todos utilizados para avaliar a qualidade do vinho, a origem e at\u00e9 mesmo a safra s\u00e3o baseados, principalmente, em m\u00e9todos qu\u00edmicos invasivos, ou seja, o produto ou amostra tem que ser retirado da embalagem. No caso da Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Nuclear, o que interessa \u00e9 a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica do vinho, que pode ser determinada pela an\u00e1lise espectrosc\u00f3pica.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Nessa an\u00e1lise, cada subst\u00e2ncia qu\u00edmica como \u00e1gua, etanol e outros componentes minorit\u00e1rios do vinho geram um sinal caracter\u00edstico. M\u00e9todos como esse t\u00eam sido divulgados por meio de artigos cient\u00edficos ou em patentes. Entretanto, esses m\u00e9todos necessitam de aparelhos muito caros de alguns milh\u00f5es de reais, operador altamente especializado, ajustes di\u00e1rios, o que eleva o custo da an\u00e1lise.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Na Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Luiz Colnago, a aluna de mestrado do Instituto de Qu\u00edmica da USP de S\u00e3o Carlos Esther Machado Scherrer est\u00e1 trabalhando em um m\u00e9todo de RMN muito mais simples, r\u00e1pido, que n\u00e3o precisa de operador altamente especializado, baseado em um aparelho que custa cerca de um d\u00e9cimo dos aparelhos usados nos outros trabalhos e patentes.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>A ideia por tr\u00e1s desse m\u00e9todo \u00e9 o uso de uma t\u00e9cnica especial de RMN conhecida como RMN no dom\u00ednio do tempo. \u00c9 uma t\u00e9cnica muito mais simples do que a usada em hospitais e na an\u00e1lise qu\u00edmica convencional. Em vez de se obter uma imagem ou um espectro, na RMN no dom\u00ednio do tempo se mede o tempo que o sinal desaparece ap\u00f3s ser irradiado com uma onda de r\u00e1dio como, por exemplo, na frequ\u00eancia de 9 \u00a0MHz.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Os resultados iniciais indicam que o tempo que o sinal leva para desaparecer varia de acordo com a regi\u00e3o em que o vinho (uva) foi produzido. A explica\u00e7\u00e3o para isso vem da composi\u00e7\u00e3o dos micronutrientes que a uva retira do solo e est\u00e3o presentes no vinho. Como esse decaimento depende do tipo e concentra\u00e7\u00e3o do micronutriente como ferro, mangan\u00eas, cobre, van\u00e1dio, entre outros, tem-se obtido uma boa correla\u00e7\u00e3o entre o decaimento do sinal de RMN e a origem do vinho diretamente nas garrafas.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Para realizar a medida, \u00e9 utilizado um \u00edm\u00e3 permanente, que tem um &#8220;buraco&#8221; com um di\u00e2metro de dez cent\u00edmetros. Dentro desse \u00edm\u00e3, h\u00e1 tamb\u00e9m a antena de RMN que envia e recebe os sinais de RMN em 9 MHz. A garrafa n\u00e3o interfere na an\u00e1lise, pois as ondas de r\u00e1dio n\u00e3o s\u00e3o totalmente absorvidas pelo vidro, pl\u00e1stico ou outras mat\u00e9rias n\u00e3o met\u00e1licas.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Al\u00e9m desse conjunto \u00edm\u00e3\/antena, o aparelho de RMN tem um transmissor e receptor de r\u00e1dio de 9 MHz. O transmissor \u00e9 similar ao de uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio AM e o receptor, a um r\u00e1dio AM. Para fazer a an\u00e1lise, esse transmissor e receptor s\u00e3o controlados por um microcomputador, que tamb\u00e9m pode processar o sinal de RMN e classificar os vinhos.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>A pesquisa analisou 50 amostras de diferentes pa\u00edses. Al\u00e9m dos vinhos do Brasil (comerciais e outros produzidos pela Embrapa), foram inclu\u00eddos tintos do Chile, Uruguai, Argentina, Portugal, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha e \u00c1frica do Sul. As principais variedades vin\u00edferas em an\u00e1lise s\u00e3o a Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e Tannat. As garrafas s\u00e3o analisadas tr\u00eas vezes em tr\u00eas m\u00e9todos, num total de 450 medidas. O tempo de resposta \u00e9 de um segundo e o tempo total para cada medida gira em torno de um \u00a0minuto.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>&#8220;O que medimos \u00e9 a relaxa\u00e7\u00e3o, o desaparecimento do sinal de resson\u00e2ncia ap\u00f3s a irradia\u00e7\u00e3o da amostra. J\u00e1 constatamos que nos vinhos brasileiros, por exemplo, o sinal desaparece mais rapidamente do que nos vinhos argentinos. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 de que a composi\u00e7\u00e3o de micronutrientes da uva varia de acordo com o solo, clima, ou seja, com o terroir do vinho&#8221;, explica Luiz Colnago.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Para confirmar a hip\u00f3tese, as garrafas dever\u00e3o ser abertas e avaliadas pelo m\u00e9todo convencional (qu\u00edmico). &#8220;Ainda n\u00e3o analisamos safras diferentes do mesmo vinho, n\u00e3o sabemos se h\u00e1 influ\u00eancia da rolha (normal ou screw cap), se a avalia\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ocorrer com a garrafa na posi\u00e7\u00e3o horizontal, como \u00e9 hoje, ou na vertical, qual ser\u00e1 o comportamento para vinhos brancos e ros\u00e9s e ap\u00f3s a abertura das garrafas, e, ainda, que outros indicadores a avalia\u00e7\u00e3o ter\u00e1&#8221;, acrescenta o pesquisador.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Em meio \u00e0 s\u00e9rie de d\u00favidas, neste momento da pesquisa, uma certeza: a possibilidade de identifica\u00e7\u00e3o de eventuais falsifica\u00e7\u00f5es poder\u00e1 ajudar produtores, importadores, lojistas e, especialmente, os consumidores. &#8220;Esse m\u00e9todo poder\u00e1 tornar-se universal, ou seja, a calibra\u00e7\u00e3o servir\u00e1 para qualquer lugar do mundo. O produtor poder\u00e1 colocar o valor de refer\u00eancia no r\u00f3tulo e, seguindo o protocolo de an\u00e1lise, ser\u00e1 poss\u00edvel uma esp\u00e9cie de rastreamento, identificando a safra e a regi\u00e3o de origem, dentro da garrafa, e, ainda, se houve adi\u00e7\u00e3o de \u00e1gua\/\u00e1lcool\/corante&#8221;, detalha, esperan\u00e7oso, o pesquisador Luiz Colnago.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/3447739\/ressonancia-nuclear-magnetica-analisa-vinho-sem-abrir-a-garrafa\">https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/3447739\/ressonancia-nuclear-magnetica-analisa-vinho-sem-abrir-a-garrafa<\/a>\u00a0Acessado \u00e0s: 11:39 03\/04\/2016<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Resson\u00e2ncia Magn\u00e9tica Nuclear (RMN) apareceu na vida do pesquisador Luiz Alberto Colnago em 1979, quando cursava doutorado no Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. 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