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Chá para a autoestima



Você já deve ter tomado um chá de camomila para ficar mais tranquilo ou até mesmo um chá de boldo para resolver um desconforto estomacal. Essas ervas, conhecidas como plantas medicinais, são estudadas por projetos do Colégio Politécnico e do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais da UFSM. Confira:

 

PROJETO MANDALA

Composta por diferentes formas geométricas e muito utilizada para fins de meditação, a mandala representa a relação entre o homem e o cosmo, simbolizando harmonia e integração. Devido ao significado, Mandala foi o nome escolhido para batizar o projeto do Curso Técnico em Paisagismo do Colégio Politécnico, que leva conhecimentos acerca do uso de plantas medicinais e temperos a escolas de Santa Maria.

A iniciativa foi das egressas Jussara Pedroso, Michele Rech e Aline Segatto Dellamea, desenvolvida como Trabalho de Conclusão de Curso em 2014. Desde então, o projeto possibilita que alunos e professores trabalhem em conjunto na criação e manutenção da mandala paisagística – formada por desenhos geométricos com centro em comum. 

Além de enfeitar a escola, a mandala oportuniza o estudo de outras áreas do conhecimento. 

Em 2016, o projeto realizou oficina na E.E.E.F. Marieta D’Ambrósio em Santa Maria. O desenho foi construído com pneus e tintas que foram coletados na comunidade e as tarefas para montá-lo foram divididas entre turmas. As atividades para criação do item paisagístico tornaram-se material de estudo em algumas disciplinas como: leituras informativas e produção textual (Português), desenhos (Artes); cálculos para demarcar a área a ser usada (Matemática); pesquisa sobre os chás e temperos, formas de plantar e tipos de substrato (Ciências). Para a professora da Escola Marieta, Patrícia Wienandts Flores, o projeto foi acolhido com carinho, interesse e responsabilidade. “A mandala ainda é usada, especialmente para merenda, pois usam os temperos cultivados. Também são muito usados os chás medicinais”, comenta a professora Patricia que participou da implementação do projeto em 2016.

As mandalas já foram produzidas em escolas municipais e estaduais da cidade, como Reinaldo Fernando Cóser – que tem formação em língua de sinais e português – e Antônio Francisco Lisboa – de educação especial. Além dessas, a Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan) e o Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) receberam o projeto. 

No Case, também ocorreram oficinas sobre o uso de plantas medicinais para alimentação e outros fins. “Eles podem aproveitar o conhecimento como fonte de renda, ao saírem de lá. Quando os meninos vão para casa no fim de semana querem levar mudas para a família”, compartilha Jussara, bolsista do projeto. Após a ação, o projeto firmou parceria com a Promotoria da Criança e do Adolescente para dar continuidade ao trabalho com os adolescentes do Centro.

Mais recentemente, projeto desenvolveu um relógio biológico que mostra os melhores horários para consumo de plantas medicinais, além de relacionar as partes do corpo com os benefícios de cada chá. Além disso, elaborou novas oficinas, que ensinam a fazer shampoo, azeite, vinagre e travesseiro medicinal a partir de chás. O projeto possui produção e viveiro de plantas no setor de floricultura do Politécnico e local de vendas na Floresce, em frente ao Colégio. 

 

DEPARTAMENTO DE FITOTECNIA DA UFSM

Em 2018, uma mandala foi criada na disciplina Produção de Plantas Condimentares, Medicinais e Aromáticas, do curso de Agronomia da UFSM. O objetivo dos professores responsáveis Fernanda Backes, Rogério Bellé e Jerônimo Andriolo, do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais, era propagar e reproduzir as espécies das plantas e aprender sobre seu uso. O jardim em formato de mandala é utilizado pelos professores, alunos e servidores em geral.

Não são aplicados produtos químicos nas plantas que compõem a mandala. Desta forma, para manter o ecossistema saudável, são utilizadas plantas com propriedades que podem repelir a “doença” das outras: os manjericões, por exemplo, auxiliam na retenção de sujeira; já a menta ajuda a forrar o terreno. 

No centro da mandala é trabalhada a autoestima por meio das plantas medicinais. “Se nós não tivermos a nossa autoestima e nosso bem estar sempre num alto astral não adianta tomar o chá, pois ele não vai te melhorar”, comenta a professora Fernanda, que explica: “A organização começa pela mente, depois pelo coração. Depois, envolve os demais sistemas”.

A professora atesta, ainda, que a prática é uma forma de desestressar. E o professor complementa: “o aroma que fica em nossas mãos e circula em nossos pulmões. Ele age como calmante purificador”. 

Reportagem: Mirella Joels e Camila Oliveira, acadêmicas de Jornalismo
Edição: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo
Ilustração: Lidiane Castagna, acadêmica de Desenho Industrial



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