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Foge, é sal!



Você já ouviu falar que lesmas e caracóis podem morrer quando entram em contato com o sal? E sabe as diferenças entre esses dois moluscos? A Arco conversou com o professor Sandro Santos, do Departamento de Ecologia e Evolução do Centro de Ciências Naturais e Exatas da UFSM, e vai te explicar esses e outros fatos sobre as lesmas. 

Um inimigo salgado

 

GIF do Garry, caracol de estimação do Bob Esponja, gritando de pavor

 

Se você já colocou sal em uma lesma ou caracol ou presenciou alguém que o fez, deve ter se perguntado como um ingrediente tão comum pode matar esses animais. De acordo com o professor Sandro, o cloreto de sódio – popularmente conhecido como sal de cozinha – possui a chamada capacidade higroscópica. O mineral funciona como um “ímã” para a água e atrai a umidade ao seu redor. 

Assim, ao entrar em contato com lesmas ou caracóis, o sal retira a água do corpo do molusco e causa um desequilíbrio interno. As células do animal começam a se desfazer e esse processo pode levar à morte. Em alguns casos, dependendo da quantidade de sal usada, eles podem se recuperar e fugir.

 

Lesmas x caracóis 

 

GIF de caracol rastejando

 

Dentro da classificação dos moluscos existem os gastrópodes, classe que inclui as lesmas e os caracóis. Conforme Sandro, os dois animais são “parentes”, porém, possuem uma diferença importante: a presença de uma concha calcária. 

Nos caracóis, a concha é necessária para manter a umidade do corpo e dar ao animal uma resistência maior a perigos externos – como o sal, por exemplo. Já entre as lesmas, a concha é dispensável. Embora se tornem mais frágeis sem a estrutura, a ausência da concha permite que elas realizem a respiração cutânea – pela pele. Dessa forma, as lesmas não precisam de órgãos específicos para trocas gasosas, diferentemente de seus parentes caracóis.

 

 

Transmissores de doenças

 

Monstros S.A,

 

Entre as mais conhecidas doenças transmitidas por moluscos está a esquistossomose. Na infecção – causada pelo parasita Schistosoma mansoni – os caracóis de água doce do gênero Biomphalaria funcionam como hospedeiros intermediários. As larvas do parasita se alojam no corpo desses animais e depois chegam até seu hospedeiro definitivo: o ser humano. 

Outra doença transmitida por esses seres rastejantes é a angiostrongilíase abdominal. O verme Angiostrongylus costaricensis fica alocado no corpo ou no muco de caracóis e lesmas que vivem em jardins, canteiros, hortas, etc. Por isso, Sandro recomenda evitar contato direto com esses animais, que podem carregar ovos ou larvas do agente causador da doença. 

 

E então, o que fazer com esses bichinhos? 

 

GIF de lesma batendo a cabeça do piso

As lesmas e os caracóis se alimentam de várias plantas, ingerindo principalmente suas raízes e folhas. Como têm hábito noturno, não costumam ser vistos quando se alimentam. Porém, a presença deles pode ser notada através dos rastros de muco que deixam durante a locomoção.

A maior parte das lesmas e dos caracóis encontrados em plantações não representam dano a plantações. Entretanto, algumas espécies podem, ocasionalmente, trazer prejuízos à agricultura e à horticultura. Apesar disso, esses moluscos fazem parte de uma cadeia alimentar, ou seja, são importantes para o equilíbrio natural. Comem pequenas plantas e servem de alimento para animais maiores, como aves. 

Para afastar esses bichinhos, é comum o uso do sal, como já mencionado antes. Porém, o muco que fica depois da morte do animal pode transmitir doenças se tiver larvas ou ovos de vermes. Assim, a melhor alternativa é retirá-lo de onde não é bem-vindo utilizando luvas ou objetos descartáveis. Além de evitar a contaminação, o animal não sai machucado. 

Reportagem: Paulo Ferraz, acadêmico de Jornalismo

Edição: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo

Ilustração: Pollyana Santoro, acadêmica de Desenho Industrial

 



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