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Aulas de matemática no YouTube proporcionam o ensino-aprendizagem para crianças e adolescentes

Estudantes de Engenharia Elétrica da UFSM desenvolvem projeto de extensão pela internet



Quem não sabe que o descontentamento em torno da aprendizagem em Matemática é, muitas vezes, colocado como uma constante entre os estudantes dos ensinos fundamental e médio? Também retratada comumente em séries e filmes adolescentes, a dificuldade de alguns alunos em relação à disciplina não existe apenas no senso comum: é também uma situação identificada por órgãos competentes e responsáveis por avaliações nacionais e internacionais – como o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Ainda assim, a aprendizagem em Matemática é uma ferramenta essencial para a vida cotidiana e também para a aplicação prática nas mais diversas áreas do conhecimento. 

Reconhecendo esse contexto, César Teixeira Pacheco e Gustavo Lenhardt, ambos acadêmicos do curso de Engenharia Elétrica do campus de Cachoeira do Sul da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), idealizaram um projeto de extensão que busca auxiliar os estudantes a aprenderem e explorarem conteúdos de Matemática. A inspiração para os universitários criarem o projeto foi o trabalho que a professora Ana Luisa Soubhia, também do campus de Cachoeira do Sul da UFSM, desenvolveu, em 2019, com alunos das 3ª, 4ª e 5ª séries da Escola Estadual de Ensino Fundamental Rio Jacuí. A docente comparecia na instituição todas as quartas-feiras, no período da manhã, para tirar dúvidas dos alunos do 3º ano e, no período da tarde, para atender aos alunos do 4º e 5º ano – turnos opostos aos quais eles tinham aula. “Basicamente, as maiores dificuldades eram as quatro operações: multiplicação, divisão, adição e subtração”, relata Ana.

No começo de 2020, César procurou a professora Ana, depois de ter visto um edital no Observatório de Direitos Humanos (ODH) da UFSM. Além de prestar apoio pedagógico, a ideia do acadêmico era oferecer aulas que fossem voltadas para preparar os alunos para a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP). A proposta foi aprovada no edital e, assim, César e Gustavo iniciaram as pesquisas referentes aos conteúdos presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A BNCC é um documento normativo para instituições de ensino públicas e privadas, além de referência obrigatória para elaboração dos currículos escolares e propostas pedagógicas para a educação infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio no Brasil. Seu principal objetivo é organizar o que todo estudante da Educação Básica deve saber.

Ademais, os participantes do projeto pesquisaram os conteúdos programáticos que mais incidem na Olimpíada Brasileira de Matemática, como aritmética e geometria. “A gente também fez aulas voltadas para o pessoal do Ensino Médio. Então a gente tenta explicar de uma maneira fácil, procura passar alguns exemplos bem simples e, com o tempo, vai aumentando o nível de dificuldade”, explica Gustavo. Assim, as aulas que seriam lecionadas foram programadas e preparadas. A previsão era que todas essas atividades fossem realizadas presencialmente, porém, com o avanço da pandemia e sem ter perspectiva de retomar as atividades presenciais, os bolsistas e a orientadora expandiram as atividades para a internet. Como muitas pessoas estão trabalhando de casa, por que não fazer um projeto de forma remota? Foi a partir desse questionamento que os alunos se reinventaram. Assim, todas as aulas planejadas anteriormente foram alteradas para formato de videoaulas e o canal no YouTube Apoio Pedagógico E Aulas Extracurriculares foi criado para a divulgação dos conteúdos. 

Canal no YouTube

O conteúdo é planejado, gravado, editado e publicado pelos estudantes. Eles produzem vídeos interativos, com 10 a 20 minutos de duração e os disponibilizam semanalmente na plataforma. Um dos diferenciais é a presença dos professores no vídeo, o que nos remete à sala de aula. “As aulas pensadas para o presencial são mais longas, mas encontramos a necessidade de fazer vídeos mais curtos, porque a aceitação seria melhor”, explica César.

Primeiro vídeo no YouTube: apresentação do projeto.

Vantagens 

Pelo celular, tablet ou computador, as aulas podem ser acessadas de qualquer lugar do mundo, basta ter acesso à internet. Como as aulas ficam gravadas, os alunos podem acessar quando quiserem. “Antes a gente ficava restrito a uma sala de 15, 20 alunos. Hoje, nós temos nossos vídeos no YouTube, que podem ser acessados por quem quiser, em tempo indeterminado”, ressalta Gustavo.

Desvantagens

Por meio de uma interface, muitas vezes os docentes se sentem de mãos atadas quanto à aprendizagem dos alunos, principalmente devido à dificuldade de interação direta com eles. Assistir às videoaulas exige mais autodisciplina, foco e dedicação dos estudantes. Além disso, há mais possibilidades de distração e maior  dependência do fator “internet”. “A gente não consegue sentir o que os alunos estão entendendo e o que eles não estão entendendo, muitos deixam um comentário ali, mas o próprio aluno, a visão, a expressão, não conseguimos ter isso no online”, expressa César. Para lidar com essas dificuldades, eles dão atenção e respondem a cada comentário, de forma individual. 

O que esperar do futuro

Segundo os participantes, a perspectiva é de 30 vídeos, os quais irão abordar conteúdos que caíram em provas anteriores da Olimpíada. 

 Até o início de setembro de 2021, o canal havia disponibilizado 20 vídeos. Ao refletir sobre o processo de transição do projeto durante a pandemia – do presencial para o digital -, a professora Ana reconhece a possibilidade de associar as duas formas: “Eu sinto que vai ficar muita coisa online, mesmo dentro da universidade. Não vai ter como não pensar neste canal, minha ideia é deixá-lo no ar e continuar com os dois. A gente não vai mais conseguir desvencilhar a nossa vida do online”.

Expediente

Repórter: Ana Luiza Deicke, acadêmica de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) e estagiária

Ilustrador: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, estagiária de Jornalismo e bolsista; e Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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