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				<title>Agroflorestas estimulam a proteção do meio ambiente e a relação saudável entre o homem e a natureza</title>
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				<pubDate>Thu, 20 Apr 2023 14:17:44 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
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						<description><![CDATA[ Lugares como o Jardim Botânico e o Residencial Dom Ivo Lorscheiter são exemplos do sistema agroflorestal em Santa Maria]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são modelos de produção de alimentos que têm origem na tradição dos povos originários. Segundo o instituto de pesquisa World Resources Institute (<a href="https://www.wribrasil.org.br/" style="font-size: 16px">WRI Brasil</a>), as agroflorestas visam à plantação e ao cultivo de árvores e de produtos agrícolas na mesma área. De acordo com o WRI, a implantação deste tipo de sistema tem ganhado força em alguns estados do país, como São Paulo e Paraná, por trazer benefícios tanto para a economia quanto para o meio ambiente.</p>
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<p>Os modelos de agroflorestas permitem a plantação e o cultivo de árvores, como as seringueiras, em conjunto com produtos agrícolas como o café. Essa união dá a possibilidade do que foi plantado trabalhar em conjunto com o que já existia no local, sem a necessidade de retirar árvores. Por isso, o modelo traz benefícios ambientais, pois evita o desmatamento e a retirada de plantas dos espaços.</p>
<h3>Agrofloresta no Jardim Botânico</h3>
<p>Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o professor de Ciências Biológicas e ex-diretor do Jardim Botânico Renato Záchia, juntamente com um grupo de alunos, realizou a inserção da agrofloresta no Jardim. O primeiro contato do professor com os sistemas agroflorestais ocorreu quando ele estudava as culturas dos povos indígenas: “Eu nem sabia que existia a palavra ‘agrofloresta’ na época. Minha relação com a temática começa a partir do contato com a cosmologia indígena, dos povos originários, de perceber a maneira como eles se vinculam com a natureza”, relata Záchia.</p>
<p>A ideia de uma agrofloresta na Universidade surgiu a partir de uma proposta dos estudantes, que queriam começar o cultivo de árvores na instituição. Záchia, então, propôs um novo modelo: “A agrofloresta surge da ideia de plantar árvores, mas trabalha dentro de uma compreensão didático-pedagógica. Ela não trata uma árvore separada. Se plantar uma árvore, eu tenho que trazer a família dela, que é o sistema em que ela vive”.&nbsp;</p>
<p>A agrofloresta do Jardim Botânico valoriza, principalmente, a colaboração entre as pessoas e depende delas para que continue em funcionamento. É cuidada por alunos e, segundo Záchia,&nbsp; é por causa deles que a área pode ser mantida. Alimentos como alface, mostarda e couve podem ser encontrados na agrofloresta e estão disponíveis para consumo tanto para quem cuida do espaço quanto para quem é visitante.&nbsp;</p>
<p>Os SAFs não são apenas um modelo de agricultura, portanto, visar apenas o lucro não faz parte de quem estabelece e segue esse tipo de sistema. A ideia da construção de uma agrofloresta é reunir agricultura,&nbsp; natureza,&nbsp; questões sociais e entender que tudo isso faz parte de um único espaço. A Agrofloresta do Jardim Botânico funciona quando tem a colaboração das pessoas. Záchia comenta que ali também são trabalhadas questões sociais, já que depende das pessoas para existir, e, por isso, esse modelo é o conceito inverso de competição.&nbsp;</p>
<p>Atualmente, poucas pessoas trabalham na Agrofloresta do Jardim Botânico. Como o sistema só funciona com a ajuda da comunidade municipal e acadêmica, as plantas correm o risco de ficar sem os cuidados adequados, caso os responsáveis não possam se dedicar às tarefas. A mandioca é um exemplo disso: como não havia ninguém que pudesse fazer a plantação na época correta ela acabou sendo deixada de lado. Apesar disso, esse sistema tem grande importância para a Universidade. “Ter uma agrofloresta dá a possibilidade de as pessoas enxergarem que, em um mesmo espaço, podem coexistir plantas não convencionais e a fauna, sem precisar matar nenhuma planta”, destaca Záchia.&nbsp;</p>
<h3>Agrofloresta no Residencial Dom Ivo Lorscheiter</h3>
<p>Santa Maria também tem uma Agrofloresta no Residencial Dom Ivo Lorscheiter, localizado no bairro Diácono João Luiz Pozzobon. O presidente do Residencial, Luiz Antônio, também conhecido como Mestre Militar Capoeira, conta que a agrofloresta daquele local surgiu com o intuito de recuperar uma área que era usada como lixão pelos moradores. As pessoas deixavam garrafas, móveis, alimentos e até pneus. “O que antes era um lixão, hoje é um local em que são produzidos alimentos para as famílias da comunidade”, relata Luiz.&nbsp;</p>
<p>Apesar de ter sido um processo lento, a comunidade do Residencial Dom Ivo Lorscheiter tem se envolvido para manter a agrofloresta em boas condições. Mesmo que algumas pessoas não tenham apoiado a criação de um SAF naquela área, hoje os moradores plantam, cuidam e desfrutam dos benefícios do sistema.</p>
<p>Luiz é mestre da associação da capoeira e aproveita sua liderança na comunidade para envolver os moradores e passar o modelo de agrofloresta adiante. Ele relata sua preocupação com o futuro, por isso aproveita de sua presidência na capoeira para influenciar os jovens e seus familiares, deixando novas lideranças para o futuro. “Eu envolvo as crianças, os adolescentes e os pais. Isso vai fazendo com que eles aceitem a ideia, assim, futuramente, novas lideranças vão manter a agrofloresta. Digamos que eu vá embora: quem vai cuidar da agrofloresta? A gente forma novas lideranças para seguir esse mesmo trabalho”, conta Luiz.</p>
<h3>Meio Ambiente&nbsp;</h3>
<p>O professor Renato Záchia comenta que, além de proporcionar alimentos para as pessoas, a agrofloresta tem a possibilidade de cultivar a terra sem causar três grandes prejuízos: “a perda de água potável no planeta, a perda da biodiversidade e a perda do solo. Eles acontecem devido à maneira como as pessoas estão se relacionando com o meio ambiente”.&nbsp;</p>
<p>O efeito do sistema agroflorestal não só auxilia o meio ambiente em grande escala como também nas mudanças dentro de casa. Luiz conta que, desde a implantação do sistema no Residencial Dom Ivo Lorscheiter, os moradores já mudaram alguns hábitos, como a separação do lixo: os resíduos orgânicos são separados e levados para a agrofloresta.&nbsp;<br><br><strong><em>Expediente:</em></strong></p>
<p><em><strong>Reportagem:</strong> Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo;<br></em><em><strong>Design gráfico:</strong> Lucas Zanella, estagiário de Desenho Industrial<br></em><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto;<br></em><em><strong>Edição geral:</strong>&nbsp;Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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