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				<title>Lar, sustentável lar</title>
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				<pubDate>Tue, 07 Jan 2014 19:34:57 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Moradia popular é construída a partir de materiais e tecnologias sustentáveis]]></description>
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Um sonho. Talvez seja essa a melhor definição de uma casa popular para quem, depois de muitos planos e economias, consegue finalmente ter a sua casa própria. Para Marcos Vaghetti, professor do Departamento de Estruturas e Construção Civil da UFSM, uma simples casa popular serviu como inspiração para um grande projeto. Sonho de uns, inspiração de outros, a ideia se consolidou como projeto e, hoje, a Casa Popular Eficiente: um benefício ambiental aliado a um custo mínimo impulsiona grande pesquisa na área de tecnologias sustentáveis na Universidade.

O projeto nasceu em 2008, idealizado por Marcos Vaghetti, então professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Ulbra. “Destinado a um público de baixa renda, o diferencial era uma casa onde fossem utilizados materiais sustentáveis em sua construção”, explica o professor. O foco do projeto era minimizar os danos ao meio ambiente a partir de materiais alternativos na construção, mas sem perder de vista a qualidade de vida dos moradores.

A partir daí, um ano foi destinado à pesquisa de materiais que causassem o menor impacto ao meio ambiente. Então, chegou-se às mais diversas alternativas sustentáveis para compor a casa, desde as telhas tetra pak construídas a partir de caixas de leite, até o piso de PVC reciclado.

Atualmente, a construção civil é responsável por grande parte da emissão de resíduos que causam poluição, como o cimento, além de contribuir para o efeito estufa com a emissão de gases. O projeto da Casa Popular Eficiente promove essa mudança na lógica de produção, necessária para a preservação do ambiente.
<h3><strong>EXPANDINDO SABERES</strong></h3>
Com a vinda do professor para a UFSM, o projeto ganhou um novo caráter. A parceria com os cursos de Engenharia possibilitou que a casa se tornasse ainda mais ecologicamente correta. Além dos materiais sustentáveis, diferentes tecnologias, como a captação da água da chuva para utilização doméstica, passaram a ser pesquisadas para serem inseridas no projeto. “Além de fazer um produto sustentável para a sociedade, o projeto busca transmitir para esses futuros profissionais essa cultura ambiental”, considera Vaghetti.

Hoje a Casa Popular Eficiente é um dos projetos integrantes do Grupo de Estudo e Pesquisa em Tecnologias Sustentáveis, coordenado pelos professores Marcos Vaghetti e Elvis Carissimi. Compõem o grupo cerca de 30 alunos de graduação divididos em subgrupos. As engenharias Acústica, Civil, Elétrica, Sanitária e Ambiental e o curso de Arquitetura e Urbanismo se dividem, cada um em sua área específica, para agregar ao projeto as chamadas soluções sustentáveis.

As soluções sustentáveis são maneiras desenvolvidas para aproveitar os recursos naturais, como, por exemplo, a utilização da energia solar para produção de energia elétrica para a própria casa, e até mesmo o tratamento da água do chuveiro para reaproveitá-la para regar plantas.

Outro diferencial do projeto é que ele foi produzido pensando no microclima da região. Os sistemas de aquecimento e ventilação foram planejados de acordo com os fatores climáticos de Santa Maria, onde o calor predomina na maior parte do ano. O projeto ainda permite ampliações, tanto para os lados quanto para cima, facilitando uma possível reforma, o que é comum em casas populares.

Já em 2012, a possibilidade de construir a casa de fato, levantando o projeto do papel, impulsionou os estudos da casa, que tem 55 m² divididos em dois quartos, sala, banheiro, cozinha e área de serviço. “Uma coisa é estudar um projeto, outra coisa é ter a materialidade, a casa construída”, destaca o professor. A construção da casa, no Centro de Eventos da UFSM, terminou em maio de 2013 e, a partir daí, os materiais e tecnologias empregados puderam ser analisados e testados.

Por se tratar de um projeto de pesquisa, devem ser necessários mais alguns anos para que o projeto esteja pronto para ser executado. Segundo Vaghetti, a Casa Popular Eficiente poderá servir de modelo para a construção de uma vila ecológica. “Além de gerar pesquisa dentro da universidade, é uma maneira de transferir pra sociedade uma casa sustentável, sem deixar de lado a qualidade de vida da população”, finaliza.

<a class="bigger_image" title="" href="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/soluções-info.jpg"><img class="aligncenter" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/soluções-info.jpg" alt="Infografia de casa sustentável" width="774" height="699" /></a>

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</div>
<div class="texto_rodape"><em><strong>Repórter:</strong> Natascha Carvalho</em></div>
<div><em><strong>Infografia: </strong>Projetar</em></div>]]></content:encoded>
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				<title>Na minha casa sempre chove*</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/na-minha-casa-sempre-chove</link>
				<pubDate>Tue, 07 Jan 2014 19:32:03 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Sustentabilidade]]></category>
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						<description><![CDATA[Já imaginou ter chuva armazenada para poder utilizar sempre que quiser ou precisar?]]></description>
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<h5>*Referência baseada no poema Chove? Nenhuma chuva cai de Fernando Pessoa</h5>
Começa a chover e você já aproveita para tirar o carro da garagem e lavá-lo, enquanto as crianças vão para o gramado refrescar-se com um banho de chuva. A piscina vai enchendo – ou se monta a de mil litros – e a alegria está garantida. A vizinha vai para a janela olhar o jardim se abrindo para receber as gotas de água do céu, e o cheiro de terra molhada invade o ambiente. Se for no verão santa-mariense, logo a chuva passa e o sol e o calor retornam. Mas já pensou poder aproveitar essa mesma chuva por mais tempo?

Foi o que propôs Roberval Bresolin em seu mestrado em Engenharia de Produção na Universidade Federal de Santa Maria. A dissertação, Aproveitamento de água de chuva sem tratamento em uma residência, defendida em 2010, apresentou alternativas para a captação da água da chuva e seu uso sem investimento em beneficiamento. A ideia do projeto surgiu quando Bresolin começou a planejar a construção de sua casa. A preocupação com questões ambientais, somada a necessidades básicas – e custosas – de utilização da água, como irrigação da horta e do jardim, levou-o a pensar em construir também um sistema de captação da água da chuva.

De acordo com Bresolin, o objetivo principal da pesquisa é mostrar que cada um pode e deve fazer a sua parte para a preservação ambiental, pensando globalmente e agindo localmente: “Com a simples ação de captar a água da chuva na nossa residência, nós podemos contribuir para a preservação da água e para demonstrar a importância da conscientização ambiental”.
<h3><strong>DO PLANEJAMENTO À CONSTRUÇÃO <a class="bigger_image" title="" href="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/casa-captação.jpg"><img class="alignright" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/casa-captação.jpg" alt="" width="410" height="428" /></a></strong></h3>
Antes de formular e construir o projeto, Bresolin pesquisou outros sistemas de captação de água da chuva, comparando-os com o referencial teórico, a fim de identificar possíveis falhas e fazer melhorias no sistema a ser instalado em sua própria residência. A partir desse estudo e levantamento prévio, seguiu-se a etapa de calcular as dimensões de cada item do projeto, na qual foram estimados, por exemplo, a área do telhado e o tamanho que o reservatório deveria ter, de acordo com o número de moradores e as necessidades de água da residência.

Nessa etapa, calculou-se que para uma residência com cinco pessoas, necessita-se de uma cisterna com 10m³, que é capaz de abastecer as atividades que usam água da chuva na casa por uma média de 36 dias. “Isso quer dizer que com um reservatório de água de 10m³, em uma residência com cinco pessoas, pode ficar até 36 dias sem chover na cidade que eu vou ter água, seja para molhar a horta, encher a piscina ou usar no vaso sanitário”, explica o pesquisador. O cálculo foi feito considerando também as especificidades do clima santa-mariense, onde a média de tempo sem chuva é de 22 dias. Assim, a probabilidade de ficar sem água no reservatório é mínima.

Após o dimensionamento dos itens, é chegada a etapa da construção do sistema. Nessa fase, é importante buscar materiais alternativos para diminuir os custos da obra. Filtros industrializados, por exemplo, utilizados para a retenção de folhas e pequenos galhos que vêm junto com a água do telhado, são vendidos por valores muito elevados no Brasil. Em 2010, custavam aproximadamente R$ 920,00, mas o estudo mostra que é possível construir um filtro alternativo com um cano de PVC e uma tela por apenas R$ 24,00, reduzindo consideravelmente o custo final do sistema. Bresolin destaca a importância de trabalhar com materiais alternativos não somente para diminuir os custos, como também para despertar na população o interesse pela captação de água da chuva, já que com os materiais industrializados os valores ainda ficam muito elevados.
<h3><strong>APROVEITE (MAIS) A CHUVA</strong></h3>
Após a construção do sistema de captação planejado no mestrado, contendo, simplificadamente, calhas, tubulação, filtros e cisterna, a água da chuva está pronta para ser utilizada. No projeto de Bresolin, o reservatório é subterrâneo. “Como ela é armazenada em um local fechado, lacrado, sem pegar sol, não tem perigo de a água estragar ou apodrecer com o tempo – ela fica bem transparente e sem cheiro algum”, explica.

A água da chuva, assim captada, pode ser aproveitada em vários usos que não exigem água tratada, como na irrigação da horta e do jardim, na lavagem do carro e de calçadas, na piscina ou na descarga do vaso sanitário. De acordo com Bresolin, esses usos somados correspondem a cerca de 45% do consumo de água de uma residência, ou seja, com o sistema de captação de água pode-se reduzir em média 45% também da conta de água da moradia. “Em longo prazo, o investimento que você faz reflete na economia da casa, com uma redução bastante significativa do que se gasta normalmente em água. Em alguns anos, paga-se o investimento e o resto é economia”, afirma Bresolin.

O pesquisador coloca, no entanto, que o fundamental mesmo para definir a construção de um sistema de captação de água da chuva não é a questão financeira, e sim a questão ambiental. “Um projeto de captação tem que ser focado ambientalmente, porque o retorno financeiro, apesar de certo, só vem em longo prazo. Mas é a tranquilidade de saber que você está contribuindo para a preservação da água e do ambiente, que você está fazendo sua parte”.

O professor orientador da dissertação, João Hélvio Righi de Oliveira, também destaca a necessidade de encarar o custo dos equipamentos necessários para a construção do projeto de captação de água da chuva como um “investimento social em nível de cidadão”. Acrescenta ainda que o aproveitamento da água da chuva é necessário enquanto conscientização e compromisso com as gerações futuras.
<div id="parent">

[caption id="" align="aligncenter" width="888"]<a class="bigger_image" title="Algumas possibilidades de uso da água da chuva" href="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/infográfico-usos-da-agua.jpg"><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/infográfico-usos-da-agua.jpg" alt="Algumas possibilidades de uso da água da chuva" width="888" height="303" /></a> Algumas possibilidades de uso da água da chuva[/caption]

<div class="img-caption"></div>
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<h3><strong>UM ‘OBRIGADO’ DO FUTURO</strong></h3>
Problemas relacionados à água são cada vez mais frequentes nos noticiários. Inundações, secas, contaminação, escassez. As notícias raramente são positivas. Alguns países já vivem situações bastante críticas e estudos recentes afirmam que 2/3 da população mundial sofrerão com escassez de água para consumo humano até 2050. Nesse contexto, a captação da água da chuva pode ser uma alternativa simples e prática de contribuir para a questão ambiental.

Bresolin acredita que assim cada um pode contribuir um pouco para a preservação do ambiente, mas acrescenta que também são fundamentais ações mais amplas com esse propósito, como políticas públicas e educação ambiental nas escolas. “Ensinando desde o primário a necessidade da preservação, nós podemos pouco a pouco mudar a mentalidade da população”, corrobora.

Apesar das vantagens e da simplicidade da captação da água da chuva, o sistema ainda não é muito utilizado. Conforme Bresolin, o principal entrave do projeto é o desconhecimento dos benefícios que ele pode proporcionar. Pensando nisso, a dissertação inclui também uma proposta de cartilha informativa para explicar à população e às instituições públicas os passos para a construção de uma cisterna para armazenamento da água da chuva e de como essa água poderia ser utilizada na residência, de forma a economizar a água tratada.

O professor João Hélvio lembra também do potencial de socialização da informação e dos benefícios que as pesquisas científicas podem trazer à sociedade, desempenhando um papel de conscientização do cidadão. “O leitor poderá ter a noção exata do custo necessário e a certeza que o investimento terá retorno e que teremos feito a nossa parte para a sustentabilidade do planeta”, finaliza.

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<div class="texto_rodape"><em><strong>Repórter</strong>: Camila Marchesan Cargnelutti</em></div>
<div><em><strong>Ilustrações</strong>: Projetar</em></div>
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