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			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>15 fatos sobre cadáveres que você nem fazia ideia que eram reais</title>
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				<pubDate>Mon, 30 Oct 2017 20:51:10 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Corpos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Doação de corpos]]></category>
		<category><![CDATA[Morfologia]]></category>

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						<description><![CDATA[Confira informações curiosas sobre a utilização de cadáveres em estudos acadêmicos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Você sabe o que é a dissecção de cadáveres? E que é possível doar apenas parte do corpo? E sabe que é possível fazer um funeral antes de o corpo ser destinado para a instituição de ensino? &nbsp;Através de artigos científicos e de conversa com os professores do Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Carlos Eduardo Seyfert e Dorival Terra Martini, obtivemos informações curiosas sobre a utilização de cadáveres em estudos acadêmicos. Confira:

<b>1 – Cadáveres originados de morte violenta ou suspeita não pode ser destinados para estudo</b>

Os corpos humanos estudados em universidades podem ser oriundos de doações voluntárias ou provirem do Instituto Geral de Perícias na condição de cadáver não reclamado (que não foram procurados/identificados por parentes ou responsáveis legais). No entanto, os cadáveres de morte provocada por mecanismos violentos ou suspeitos não deverão ser destinados a estudo, visto que há necessidade de esclarecer as circunstâncias em que se deu o fato.

<b>2 - Antes da utilização para estudo, é preciso dissecar o cadáver</b>

A técnica de dissecção de cadáveres consiste na exposição de estruturas, através de cortes na pele, nos ossos, retirada de gordura, entre outros procedimentos que possibilitem maior visibilidade interna. Então, a dissecção acontece de acordo com a estrutura alvo - a região do corpo - que necessita estar disponível com maior urgência. Para isso, são utilizadas ferramentas como pinças e bisturis. Na UFSM, a dissecção é realizada por técnicos em anatomia e necrópsia, mas também pode ser feita por professores do Departamento de Morfologia e estudantes em monitoria.
<figure><img title="_MGM8769" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8769.jpg" alt="_MGM8769"></figure>
<b>3 - Seis meses é o tempo médio para que o corpo esteja preparado para utilização</b>

Antes da dissecção, o ideal é que o cadáver passe um período de, aproximadamente, seis meses em conservação por produtos químicos, como o formol, para melhorar o processo de fixação. Mas nada impede de dissecar o cadáver sem fixador nenhum. Nos Estados Unidos, por exemplo, há centros de estudos com cadáveres frescos, o que é muito procurado por cirurgiões, já que a textura do cadáver fresco e do formolizado é diferente uma da outra.

<em>Leia mais sobre o assunto:</em>

<strong>+<a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2560" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Doação pela ciência: estudante de Odontologia se cadastrou como doadora voluntária do corpo</a></strong>

<strong>+<a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2520" target="_blank" rel="noopener noreferrer">A rotina na segunda trajetória: cadáveres humanos e animais participam da formação de profissionais na UFSM há cerca de cinquenta anos</a></strong>

<strong>+<a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2507" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Quando a história de vida segue ainda após a morte: doação voluntária de corpos é aposta para continuidade de estudos acadêmicos com cadáveres humanos</a></strong>

<b>4 – Cadáveres de qualquer idade podem ser estudados</b>

De modo geral, os corpos estudados são de pessoas idosas, porém, há cadáveres de todas as idades e o estudo em corpos de diferentes faixas etárias é necessário. Na UFSM, existe um laboratório de fetos, que possui corpos de fetos conservados por mais de 30 anos; muitos deles são disponibilizados pelo HUSM, principalmente provindos de casos de aborto espontâneo.
<figure><img title="_MGM8933" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8933-1.jpg" alt="_MGM8933"></figure>
<b>5 - A doação de órgãos pode ser feita antes da doação do corpo</b>

A <a href="http://w3.ufsm.br/morfologia/index.php/programa-de-doacao-de-corpos/passo-a-passo">doação do corpo para estudo </a>pode acontecer mesmo após a retirada dos órgãos. As estruturas restantes sempre podem ser úteis para estudo.

<b>6 –</b> <b>Pode haver um funeral antes de o corpo ser levado para a instituição de ensino</b>

Em caso de um corpo doado, o funeral sempre pode ser feito antes; é uma decisão familiar e os custos também devem ser arcados pela família. Quando se trata de um cadáver não reclamado - que não é identificado ou procurado por responsáveis - o corpo fica congelado no IML durante cerca de um mês até que a documentação esteja concluída e ele possa ser destinado à instituição de ensino.

<b>7 - É possível doar apenas parte do corpo</b>

As doações voluntárias podem acontecer com corpos em parte ou no todo. Partes amputadas de corpos inteiros também podem servir para estudos em universidades.
<figure><img title="_MGM8821" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8821.jpg" alt="_MGM8821"></figure>
<b>8</b> &nbsp;<b>– Temperatura ambiente influencia no cheiro</b>

O produto químico mais utilizado na conservação de cadáveres é o formol. Na UFSM, quando os corpos chegam ao Departamento de Morfologia, o formol é injetado através de acesso arterial, para que penetre em todos os tecidos e garanta a fixação do corpo; o formol também é o fixador utilizado para garantir a conservação ao longo dos anos, sendo que a maior parte dos cadáveres são conservados em tanques de solução com 5% de formol. Há, no entanto, um outro método de utilização mais recente que é denominado Laskowsky, feito com outros produtos químicos e que apresenta distinto odor. Em menores quantidades, utiliza-se também a glicerina e até mesmo o cloreto de sódio (sal). Independentemente da conservação, em dias quentes o cheiro forte é mais perceptível.

<b>9 -</b> <b>É ilusão a ideia de que os cabelos e as unhas crescem ainda após a morte</b>

O tamanho dos pelos pode dar a ilusão de que aumentou após a morte porque o corpo, quando vai a óbito, acaba perdendo tônus musculares - o tecido começa a perder consistência - e, com isso, passa por uma retração. Então, o pelo dá a impressão de que aumenta alguns milímetros, mas nunca, depois de dez anos do falecimento, o cadáver vai acabar com um cabelo estilo Rapunzel.
<figure><img title="_MGM8780" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8780.jpg" alt="_MGM8780"></figure>
<b>10 – Na universidade, os corpos nunca são chamados pelo nome</b>

Com exceção dos cadáveres que não possuem documentos de identificação (indigentes), as universidades têm acesso aos dados da pessoa cujo corpo está sendo estudado. No caso de um cadáver não reclamado, a cópia da certidão de óbito fica em responsabilidade das universidades e, assim, tem-se informações sobre o cadáver. Com o Programa de Doação de Corpos, tem-se os dados dos doadores. Contudo, dentro da universidade, o nome é esquecido; os cadáveres são chamados de “peças” e identificados por números, geralmente.

<b>11 - Não há remuneração pelo corpo humano doado </b>

Não é previsto nenhum tipo de remuneração para a pessoa, ou família da pessoa, que se propõe a doar o corpo.
<figure><img title="_MGM8790" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8790.jpg" alt="_MGM8790"></figure>
<b>12 -</b> <b>Transporte do corpo doado fica por conta da família</b>

Pela doação voluntária, a família tem o dever de transportar o corpo até o Departamento de Morfologia da UFSM com o auxílio de uma agência funerária e, além disso, arcar com os custos desse transporte. Caso seja um corpo não reclamado, cabe à Universidade buscar o cadáver no Instituto Médico Legal (IML), com um veículo especial, e arcar com os custos.

<b>13 - Existem corpos que estão na UFSM há cerca de 30 anos</b>

Há corpos humanos que são estudados na UFSM há cerca de 30 anos. Hoje em dia é mais difícil de conseguir corpos para estudo, principalmente humanos, tanto pela legislação quanto pelo aumento no número de escolas de saúde.
<figure><img title="_MGM8784" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8784.jpg" alt="_MGM8784"></figure>
<b>14 - Corpos animais são mais fáceis de serem adquiridos</b>

A carência de cadáveres humanos é muito maior que a de animais, porque existe maior facilidade em conseguir doação animal e também é possível realizar a compra de material. Na UFSM, animais que vão a óbito no Hospital Veterinário Universitário, algumas vezes, são doados pelos próprios donos. Os gatos e cachorros existentes no Departamento de Morfologia vieram de doações. Ainda assim, ovelhas e carneiros são os animais presentes em maior quantidade, porque são comprados pela instituição.

<b>15 – &nbsp;O tempo de “vida” útil de cada corpo é indeterminado</b>

A vida útil depende das práticas de manipulação de cada cadáver e, por isso, é indeterminada. Porém, ao longo de anos de utilização, os corpos deixam de serem úteis para alguns estudos (as veias podem se deteriorar, por exemplo). Apenas quando chegam a este ponto é que passa a ser necessário o descarte. No entanto, os corpos que foram conservados durante anos não podem ser enterrados como uma pessoa normal por causa dos resíduos tóxicos; na UFSM, o Departamento encaminha para uma empresa que é responsável pelo descarte.

<i>As fotografias utilizadas nesta reportagem foram autorizadas pelo Departamento de Morfologia da UFSM. </i>

Reportagem: Claudine Freiberger Friedrich

Fotografia: Rafael Happke]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A rotina na segunda trajetória</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/a-rotina-na-segunda-trajetoria</link>
				<pubDate>Mon, 30 Oct 2017 20:48:17 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Corpos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Doação de corpos]]></category>
		<category><![CDATA[Morfologia]]></category>

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						<description><![CDATA[Cadáveres humanos e animais participam da formação de profissionais na UFSM há cerca de cinquenta anos ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Como é a rotina de uma vida acadêmica? É comum vermos reportagens relatando a história de professores e estudantes ao passarem pela universidade. Dentistas, zootecnistas, educadores físicos, médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, entre outros, são profissionais que, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), tiveram um ponto em comum no currículo acadêmico: a passagem pelo Departamento de Morfologia. Entretanto, aqui não pretendemos nos deter no cotidiano desses estudantes. Queremos ir por um caminho além do tradicional, o de relatar a trajetória que é percorrida pelos protagonistas principais dos estudos anatômicos - os cadáveres - no principal cenário de atuação - o Departamento de Morfologia. </p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8966.png" alt="_MGM8966" title="_MGM8966"></figure>		
		<p>“Quando o corpo chega aqui no Departamento, temos que prepará-lo. Através de acesso arterial, injetamos o formol, que irá penetrar nos tecidos para garantir a fixação do corpo. O período médio de fixação leva em torno de seis meses. Esse mesmo formol serve como conservante para o corpo ao longo dos anos.” <b>Gian Marcon - Técnico em Anatomia e Necrópsia</b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8832.jpg" alt="_MGM8832" title="_MGM8832"></figure>		
		<p>“O cadáver fechado é como um livro envolto em plástico. Quando temos um cadáver inteiro sem uso, precisamos dissecá-lo para utilizar. [...] No que consiste o processo de dissecar? É expor as estruturas que precisam ser estudadas. Não pegamos o cadáver formolizado e levamos para a sala de aula, porque primeiro é necessário fazer procedimentos, como incisão na pele, retirada de gordura. [...] Isso acontece conforme a demanda das aulas - às vezes se precisa mais de mão, ou de abdômen – então vamos dissecando o corpo como se fossem páginas de um livro. Rebatemos o tecido adiposo, as fáscias musculares... até chegar na estrutura alvo que necessitamos estudar. Seguimos o tipo de incisão preconizada para a região corporal que estamos precisando. Existem manuais de dissecção que explicam como proceder com cada passo.” <b>Dorival Terra Martini - Professor de Anatomia Humana </b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8959.jpg" alt="_MGM8959" title="_MGM8959"></figure>		
		<p>“Quando o cadáver chega, a gente faz injeção de formol através da artéria femoral. Então, deixamos a solução de formol penetrando nos tecidos através dos vasos sanguíneos por 24 horas. Apenas depois disso é que iniciamos a dissecção e, então, começam os estudos das estruturas. Inicialmente, fazemos dissecção das estruturas mais superficiais e, depois que elas já estiverem mais comprometidas devido ao desgaste natural pelo uso do material, voltamos a dissecar a fim de expormos estruturas mais profundas.” <b>Gian Marcon - Técnico em Anatomia e Necrópsia<br /><br /></b></p><p><em>Leia mais sobre o assunto:</em></p><p> </p><p><strong>+<a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2556" target="_blank" rel="noopener noreferrer">15 fatos sobre cadáveres que você nem fazia ideia que eram reais</a></strong></p><p> </p><p><strong>+<a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2560" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Doação pela ciência: estudante de Odontologia se cadastrou como doadora voluntária do corpo</a></strong></p><p> </p><p><strong>+<a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2507" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Quando a história de vida segue ainda após a morte: doação voluntária de corpos é aposta para continuidade de estudos acadêmicos com cadáveres humanos</a></strong></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8961.jpg" alt="_MGM8961" title="_MGM8961"></figure>		
		<p>“O profissional responsável pela dissecção é o técnico em anatomia e necropsia. Nós, professores, também dissecamos, mas não com a mesma frequência e intensidade que os técnicos. Alunos em monitoria ou que fazem parte de projetos podem acabar dissecando também.” <b>Carlos Eduardo Seyfert - Professor de Anatomia Humana</b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8905.jpg" alt="_MGM8905" title="_MGM8905"></figure>		
		<p>“A gente trabalha tanto com animal quanto com humano e o procedimento em si é o mesmo; os materiais utilizados são os mesmos. Para dissecar, utilizamos pinça, bisturi, tesoura, luvas, máscaras, botas. Conservamos os cadáveres em tanques de solução de formol a 5%, normalmente. [...] O material é recebido, processado e armazenado no subsolo do prédio 19. As aulas práticas com cadáveres humanos são no primeiro andar e as que utilizam cadáveres de animais são no subsolo do prédio. Conforme for solicitado pelos professores, a gente monta cada aula. A preparação começa um dia antes; tiramos o material do formol e deixamos escorrer o máximo de formol possível, para não ficar em muita solução e o cheiro forte em aula.” <b>Gian Marcon - Técnico em Anatomia e Necrópsia</b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/UFSM.2017.001.717.RA.jpg" alt="UFSM.2017.001.717.RA" title="UFSM.2017.001.717.RA"></figure>		
		<p>“Conseguimos atender até quatro cursos de graduação ao mesmo tempo, com três turmas com cerca de trinta alunos e uma com sessenta. E temos material para tudo isso. De qualquer forma, na anatomia animal é bem mais tranquilo, porque temos um hospital veterinário aqui na Universidade e alguns animais que vêm a óbito acabam sendo encaminhados para o Departamento. Nas aulas práticas, são vários corpos e cerca de quatro ou cinco alunos para cada mesa. No curso de Medicina, trabalhamos com doze mesas. Não teremos um corpo inteiro em cada mesa, ,neste curso os doze grupos fazem rodízio em todas as mesas com três professores acompanhando às aulas.” <b>Carlos Eduardo Seyfert - Professor de Anatomia Humana</b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/UFSM.2017.001.702.RA.jpg" alt="UFSM.2017.001.702.RA" title="UFSM.2017.001.702.RA"></figure>		
		<p>“Na disciplina de Anatomia e Escultura Dental, cada aluno deve trazer doações de dentes humanos. Para conseguir isso, levamos um termo de doação para que os dentistas nos cedam esses dentes. No laboratório dessa disciplina, existe um acervo de dentes secos - e são muitos, muitos mesmo -. A gente utiliza para estudar a anatomia, para aprender a identificar qual dente é, e também servem de amostra para pesquisas.” <b>Bernardo Munareto  - Estudante de Odontologia </b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8676.jpg" alt="_MGM8676" title="_MGM8676"></figure>		
		<p>“Durante as aulas, eu peço aos alunos que prendam os cabelos, que usem sapato fechado e luvas; o uso da pinça é facultativo; e ressaltamos sempre o respeito ao cadáver. Não permitimos fotografia nem filmagem dentro da sala de aula. Eu, no início do semestre, converso com os alunos sobre a importância, a nobreza deste estudo e a dificuldade que é para conseguir o material. Os problemas são raros... mas acontece, às vezes, de um aluno desmaiar, não conseguir comer no Restaurante Universitário depois da aula, de dificuldades com perda recente de familiares... O fato de olhar o rosto, às vezes, causa um certo desconforto. Com corpos recém doados, normalmente, se tapa o rosto. Alguns alunos não querem ter aula em cadáver inteiro, preferem com as estruturas isoladas; mas vai muito de cada turma.” <b>Dorival Terra Martini - Professor de Anatomia Humana </b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/UFSM.2017.001.720.RA.jpg" alt="UFSM.2017.001.720.RA" title="UFSM.2017.001.720.RA"></figure>		
		<p>“Lembro que uma vez teve uma menina que, durante a aula, percebemos que estava passando mal. Olhamos pra ela e ela estava muito branca, mais branca que um papel, mas tinha saído de casa sem tomar café da manhã, eu acho. Depois tomou água, comeu alguma coisa e ficou bem, mas eram as primeiras práticas. [...] Durante as aulas, sempre recebemos orientações por parte dos professores para não fazer comentário de mau gosto e cuidar das peças para não deteriorar.” <b>Jainara Medina Teixeira - Estudante de Fonoaudiologia</b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/UFSM.2017.001.708.RA.jpg" alt="UFSM.2017.001.708.RA" title="UFSM.2017.001.708.RA"></figure>		
		<p>“O sistema nervoso é extremamente frágil e, por isso, utilizamos peças sintéticas. Para os demais estudos, temos corpo humano. O material sintético vai ser normalmente um igual ao outro, podendo apresentar pequenas diferenças; já um estudo com cadáveres proporciona maior variedade no aprendizado, porque cada corpo possui suas particularidades, em relação à localização e trajeto de nervos, veias e músculos, por exemplo.” <b>Jainara Medina Teixeira - Estudante de Fonoaudiologia</b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8800.jpg" alt="_MGM8800" title="_MGM8800"></figure>		
		<p>“Corpos inteiros estão guardados em lugar de corpos inteiros, membro inferior em outro, coração por serem menores em caixas plásticas. Mesmo que os corpos venham inteiros, ao longo do tempo, é preciso separar em partes para vermos como são por dentro.” <b>Carlos Eduardo Seyfert - Professor de Anatomia Humana</b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8816.jpg" alt="_MGM8816" title="_MGM8816"></figure>		
		<p>“Aqui no Departamento, há um cavalo e uma vaca que vieram da Alemanha há cerca de quarenta anos. [...] As estruturas anatômicas humanas e animais são muito parecidas; há algumas especificidades em relação ao tamanho e à posição de estruturas.” <b>Gian Marcon - Técnico em Anatomia e Necrópsia</b></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/MGM8699.jpg" alt="_MGM8699" title="_MGM8699"></figure>		
		<p>“Há corpos que já estão na UFSM há cerca de trinta anos. Antigamente, existia um maior número, mas hoje é mais difícil de conseguir, tanto pela legislação quanto pelo aumento no número de escolas de saúde. [...] Atualmente, não há uma falta, mas é um material escasso e se não renovarmos, um dia vão acabar.” <b>Carlos Eduardo Seyfert - Professor de Anatomia Humana</b></p><p> </p><p><i>As fotografias utilizadas nesta reportagem foram autorizadas pelo Departamento de Morfologia da UFSM. </i></p><p> </p><p>Reportagem: Claudine Freiberger Friedrich</p><p>Fotografia: Rafael Happke </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Doação pela ciência</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/doacao-pela-ciencia</link>
				<pubDate>Mon, 30 Oct 2017 20:45:51 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Corpos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Doação de corpos]]></category>
		<category><![CDATA[Morfologia]]></category>

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						<description><![CDATA[Estudante de Odontologia da UFSM conta sobre a decisão de cadastrar-se como doadora voluntária do corpo]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>O Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), desde 2016, instituiu o Programa de Doação Voluntária de Corpos, que busca garantir a continuidade dos estudos científicos com corpos humanos através da conscientização do sentido altruístico da doação. O Programa é coordenado pelo professor de anatomia humana do Departamento, Carlos Eduardo Seyfert, e disponibiliza informações aos possíveis doadores no encaminhamento da documentação necessária para a legalização do ato.</p><p> </p><p>Laura Betina Lopes Pinheiro, 22 anos, natural de Três Passos (RS), é estudante do quinto semestre de Odontologia da UFSM e, no início deste ano, decidiu encaminhar a documentação para se cadastrar no Programa de Doação Voluntária de Corpos da Universidade. Na entrevista abaixo, Laura conta como foi o processo que despertou nela o interesse em doar o próprio corpo para a ciência: </p><p> </p><p><b>ARCO: Por que você escolheu fazer faculdade de Odontologia?</b></p><p>Laura Betina: Na verdade, foi um pouco por teimosia. Eu fui secretária em um consultório odontológico e o dentista sempre dizia “Eu, se fosse começar de novo, não faria Odonto”. Aí, eu fiquei com isso na cabeça. A minha sobrinha também é dentista. Então, com um pouco de influência e um pouco de teimosia, eu resolvi fazer Odonto. E agora eu gosto, gosto bastante, sempre quis e estou bem realizada, bem feliz com o que encontro aqui.</p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/C36A1000-1.jpg" alt="_C36A1000" title="_C36A1000"></figure>		
		<p><b>A: O contato com o material humano influenciou na  decisão de doar o corpo?</b></p><p>L: Durante o ensino médio, a gente fez algumas visitas em universidades. Mas foi na PUC e na UFRGS; a minha região [Três Passos] ficava mais perto de Porto Alegre e, por isso, a gente não veio pra cá [UFSM]. Ali, eu já tive contato com os laboratórios de anatomia, mas eu sabia que a gente teria contato com as peças [corpos] no curso de Odonto. Então, na faculdade, eu tive dois semestres da disciplina básica de anatomia geral e depois a disciplina de anatomia aplicada à Odontologia [que utilizou material humano para estudo]. Mas foi bem tranquilo. E isso [a doação] foi mais pela deficiência que a gente tem. Porque as nossas peças, os nossos cadáveres são muito antigos e, com a manipulação que a gente tem (tira do tanque, põe na mesa, leva pro laboratório, os alunos mexem, manipulam) acaba estragando. Mesmo que seja utilizado com todo cuidado, acaba estragando com o tempo, porque é muito frágil. Apesar de a gente ter tecnologia para fazer bonecos de plástico, não é a mesma coisa que ‘de verdade’. Então, eu pensei <strong>‘poxa, não é certo da minha parte vir aqui, usar e depois não retornar para ciência’.</strong> Foi uma escolha bem pela ciência. Até porque enterrar, hoje em dia, não dá; os cemitérios estão superlotados, não existe mais lugar; e cremação, vai fazer o que com aquelas cinzas?</p><p>A minha primeira escolha, na verdade, é a doação de órgãos. Se eu puder doar, eu quero doar os órgãos e depois o resto do meu corpo pode ficar pra universidade. O porém é que a gente só pode doar os órgãos se for com morte encefálica então, na maioria dos casos, não se pode doar os órgãos.<br /></p><p> </p><p><em>Leia mais sobre o assunto:</em></p><p> </p><p><strong>+<a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2556" target="_blank" rel="noopener noreferrer">15 fatos sobre cadáveres que você nem fazia ideia que eram reais</a></strong></p><p> </p><p><strong>+<a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2520" target="_blank" rel="noopener noreferrer">A rotina na segunda trajetória: cadáveres humanos e animais participam da formação de profissionais na UFSM há cerca de cinquenta anos</a></strong></p><p> </p><p><strong>+<a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2507" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Quando a história de vida segue ainda após a morte: doação voluntária de corpos é aposta para continuidade de estudos acadêmicos com cadáveres humanos</a></strong></p>		
			<figure><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/C36A0961-1.jpg" alt="_C36A0961" title="_C36A0961"></figure>		
		<p><b>A: E como foi a reação da tua família quando soube da decisão de doar o corpo?</b></p><p>L: A família... a mãe não gostou muito. A gente perdeu o pai cedo e a mãe ainda não superou.  É bem difícil. Mas depois de várias conversas, eu disse ‘mãe, você precisa assinar, está ciente de que se acontecer alguma coisa…’. E a gente foi conversando, e conversando, devagar... e aí ela aceitou. Tenho amigas também que pretendem fazer Medicina, estão no cursinho e que apoiam. Disseram: ‘Ah Laura, quando a gente entrar também vai fazer [o cadastro para doação]’. </p><p> </p><p><b>A: Você pretende doar para a UFSM?</b></p><p>L: Sim, pra UFSM. O termo de doação já está assinado, só que está na minha cidade, eu ainda não trouxe pra Universidade. Porque são três vias, uma para mim, uma pra família e outra pra Universidade. Inclusive eu conversei com o professor que era da disciplina, o professor Dorival; a gente conversou bastante antes, teve uma conversa bem séria. Ele me agradeceu.</p><p><br /><br /></p><p>Entrevista: Maria Helena da Silva</p><p>Texto: Claudine Freiberger Friedrich</p><p>Fotografia: Rafael Happke </p>]]></content:encoded>
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