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			<title>Revista Arco - Feed Customizado RSS</title>
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			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>7 professores autodeclarados pretos que fazem ciência na UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/7-professores-autodeclarados-pretos-ufsm</link>
				<pubDate>Mon, 22 Nov 2021 17:02:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Listas]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência Negra]]></category>
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						<description><![CDATA[Conheça a trajetória acadêmica e as principais pesquisas dos docentes]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="666" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/capa_01-1024x666.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Na primeira parte do <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/ufsm-docentes-negros/" target="_blank" rel="noopener">dossiê sobre a representatividade de docentes negros</a> na UFSM, a Arco apresentou dados que mostram a escassa presença desses professores na Universidade, além de fazer um apanhado histórico para entender o porquê da falta de pessoas negras em cargos e em locais de poder.</p><p>Nesta segunda parte do dossiê, destacamos a trajetória acadêmica de sete dos professores pretos da UFSM - as pesquisas, o envolvimento com projetos de extensão e o percurso até chegar ao cargo de docente. O foco está nos autodeclarados pretos, pois eles representam apenas 0,5% dos docentes ativos do Magistério Superior da Universidade, segundo dados da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas. </p><p>A lista é composta pelos docentes António Manuel Santos Spencer, Carlos Alberto da Fonseca Pires, Diego Ramires da Silva Leite, Ederval de Souza Lisboa, Leandro Conceição Pinto, Leonice Aparecida de Fátima Alves Pereira Mourad e Mônica Corrêa de Borba Barboza. Confira a seguir:</p>		
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		<p> </p><p><b>ANTÓNIO MANUEL SANTOS SPENCER ANDRADE</b></p><p><b>Formação</b>: Doutor em Engenharia Elétrica </p><p><b>Departamento</b>: Coordenação Acadêmica - UFSM/CS</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade</b>: António nasceu e cresceu em Cabo Verde, país localizado em um arquipélago na costa noroeste da África. Segundo ele, é comum a migração internacional de cabo-verdianos que querem seguir seus estudos no ensino superior. Por meio do sistema Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) - que oferta vagas para estudantes de países da África, América do Sul, Europa e Ásia, António se inscreveu no curso de Engenharia de Controle e Automação e foi encaminhado para o Brasil. O docente recorda que, em suas pesquisas sobre o país, algo que chamou sua atenção foi a temperatura, que fazia frio. Em 2008, veio para o Brasil e ingressou na Universidade de Caxias do Sul: “<i>Eu tive sorte que, quando eu vim, achei alguns companheiros de Cabo Verde que moravam aqui. Isso facilitou bastante</i>”. Na graduação, teve seus primeiros contatos com a pesquisa nas jornadas acadêmicas e na iniciação científica, sob orientação do professor Luciano Schuch. </p><p>Em 2013, António seguiu os passos de seu orientador e optou por realizar o mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFSM, onde continuou seus estudos com o doutorado de 2015 até 2018 e, um ano depois, recebeu menção honrosa de melhor tese pela CAPES. Ainda em 2018, ingressou como professor no curso de Engenharia Elétrica da UFSM em Cachoeira do Sul e, em 2020, entrou no corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica. Atualmente, contribui com ensino, pesquisa e extensão. Faz parte do Núcleo Docente Estruturante do curso, é pesquisador no Grupo de Eletrônica de Potência e Controle (GEPOC) e participa de um projeto de ensino e pesquisa cuja ideia é construir um carro elétrico para se deslocar dentro do campus Cachoeira. Também é membro do corpo editorial da revista Journal of Exact Sciences and Technological Applications da UFSM e do periódico internacional Applied Sciences.</p><p><b>Pesquisa:</b> Seus estudos partem da ideia de uma energia elétrica que todos possam ter, tanto nas regiões urbanas como em zonas mais distantes, onde há maior dificuldade de alcance. A solução para essa maior acessibilidade pode ser dada a partir dos sistemas de microinversores, que extraem energia recebida do sol a partir de um painel e realizam seu tratamento para que ela fique utilizável enquanto eletricidade. Ela pode ser utilizada para conectar baterias, para a energia estar reservada também no período da noite. A pesquisa investiga, portanto, a maior eficiência desse sistema, preocupando-se também com preços acessíveis. <i>“Acredito que, no futuro próximo, todo mundo conseguirá ter acesso a esse tipo de sistema”.</i></p>		
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		<p> </p><p><b>LEANDRO CONCEIÇÃO PINTO</b></p><p><b>Formação:  </b>Doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental </p><p><b>Departamento: </b>Engenharia Sanitária Ambiental </p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Leandro ingressou em 2001 em Engenharia Civil na Universidade Católica do Salvador (UCSAL). Já nos primeiros anos da graduação, participou de grupos de pesquisa e projetos na área de Recursos Hídricos. Seguiu nessa mesma área no mestrado e no doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental no Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). </p><p><i>“O período de estudos foi muito desafiador, pois tive que ficar distante dos meus familiares que vivem no interior da Bahia. O apoio de meus orientadores e da minha esposa foram de fundamental importância para amenizar a saudade de casa”.</i> Ao final do doutorado, em 2012, trabalhou como professor e pesquisador na Escola Politécnica da Pontifícia Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e atuou em um projeto de pesquisa financiado pela Petrobras. Em 2015, ingressou como docente na UFSM.  </p><p>Atualmente, ministra as disciplinas de graduação nos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Sanitária Ambiental, além de ser colaborador no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. Também trabalha em colaboração com o <a href="https://ecotecnologias.org/">Grupo de Pesquisa em Modelagem Ambiental e Ecotecnologias</a>, com estudos sobre o escoamento em sistemas de drenagem urbana.</p><p><b>Pesquisa: </b>Sua linha de pesquisa é sobre modelagem matemática de escoamentos hidrodinâmicos, isto é, atua no desenvolvimento e uso de modelos numéricos computacionais para a representação física do fluxo de fluidos em geral, comuns na natureza e na engenharia. Leandro explica que a pesquisa é voltada para os processos de enchimento rápido das redes de drenagem urbana, pois são um problema frequente devido à ocorrência de falhas em função de eventos de chuva intensa combinados com o crescimento desordenado dos centros urbanos. <i>“Identificar e entender os fenômenos hidráulicos que ocorrem em tais dispositivos pode auxiliar os engenheiros no desenvolvimento de projetos de drenagem que amenizem as falhas de tais dispositivos</i>”.</p>		
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		<p> </p><p><b>LEONICE APARECIDA DE FÁTIMA ALVES PEREIRA MOURAD</b></p><p><b>Formação</b>: Doutora em História da América Latina e em Geografia</p><p><b>Departamento:</b> Metodologia do Ensino </p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Leonice iniciou sua trajetória acadêmica, em 1986, na graduação em Direito na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e, em 1991, começou a especialização em Metodologia de Ensino. A docente comenta que não tinha boas lembranças da escola e, ao ingressar na universidade, sua relação com a educação mudou:<i>“</i><i>Eu queria fazer como docente o que a escola não tinha feito comigo. Dentro da academia, descobri as propostas educacionais emancipatórias</i><i>. </i><i>Então, a partir disso, queria pensar em uma educação que de fato pudesse contemplar a complexidade e a diversidade”.</i> </p><p>Leonice possui uma carreira acadêmica vasta, passando por várias áreas de ensino. A sua primeira licenciatura iniciou em 1995, no curso de História, depois em 2005 em Ciências Sociais e, em 2014, em Geografia. Ainda naquele ano, começou a graduação em Agricultura Familiar e Sustentabilidade. Em 2002, tornou-se mestre e, em 2008, finalizou o doutorado, ambos em História da América Latina. Além disso, em 2015, recebeu o título de mestre em Geografia e, em 2019, de doutora no mesmo programa pela UFSM. Leonice também tem graduação e especialização em Serviço Social, graduação em Pedagogia, Licenciatura em Educação do Campo, em Letras e em Filosofia. </p><p><i>“Minha segunda graduação é em uma licenciatura e foi uma escolha minha começar na educação básica, com escolas de assentamento, de movimentos sociais, predominantemente no campo”. </i>Em 2012, assumiu o cargo de docente na UFSM. Além disso, na área de extensão, um dos projetos que coordenou foi o “<a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/observatorio-de-direitos-humanos/protagonismo-negro/">Protagonismo Negro</a>”, programa da Rádio Universidade, com o objetivo de evidenciar o debate sobre questões referentes à população negra. Atualmente, possui três graduações em andamento: em Educação Especial, em Relações Internacionais e em Ciências Políticas. Também está em prosseguimento com seu mestrado em Políticas Públicas e Gestão Educacional pela UFSM.</p><p><b>Pesquisa: </b>Seu trabalho é voltado para a qualificação e formação de docentes no projeto de pesquisa <b>“</b>A formação de professores de História e Ciências Sociais em Santa Maria - RS”. O objetivo é contribuir para o conhecimento específico em conjunto com o conhecimento didático-pedagógico de egressos e discentes dos cursos. Dessa forma, identifica e problematiza a formação acadêmica e as concilia com as demandas da docência. Leonice comenta que o projeto é uma maneira de a universidade chegar na educação básica de forma efetiva e qualificada. Outro projeto que a professora participa é um mapeamento de quem leciona Sociologia em Santa Maria. <i>“</i><i>O mapeamento dos docentes é para pensar o lugar que a Sociologia ocupa no currículo de educação básica, especificamente em Santa Maria. É uma tentativa de evidenciar a importância desses conteúdos para o ensino”.</i></p>		
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		<p> </p><p><strong>CA</strong><b>RLOS ALBERTO DA FONSECA PIRES</b></p><p><b>Formação</b>: Doutor em Engenharia de Minas Materiais e Metalurgia com pós-doutorado no Centro de Recursos Naturais e Ambiente em Lisboa.</p><p><b>Departamento</b>: Geociências</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Carlos iniciou seus estudos inspirado por um membro da família: “<i>O professor negro que inspirou para almejar o posto de docente foi meu irmão Sérgio José da Fonseca Pires, que foi referência para muitos, especialmente nos duros tempos da ditadura militar”</i>. Começou sua trajetória no Curso de Matemática da UFSM e, simultaneamente, atuou na rede estadual. Seu percurso mudou quando foi morar em Porto Alegre para ingressar na graduação de Geologia, concluída em 1990, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No curso, Carlos foi bolsista de um grupo que estudava a aplicação da matemática no entendimento dos processos de geotermia - energia obtida a partir do calor advindo do interior da Terra. </p><p>Após a graduação, foi convidado para participar de um grupo de pesquisa no Programa de Pós-graduação em Engenharia de Minas da UFRGS - onde realizou mestrado e doutorado - para fazer a reavaliação da Jazida Carbonífera do Iruí - na cidade de Cachoeira do Sul, em um convênio da Universidade com a Companhia Riograndense de Mineração (CRM). Seu trabalho na Jazida Carbonífera do Iruí resultou em sua dissertação de mestrado em 1994 e, ao final do projeto, seguiu atuando junto à CRM para trabalhar no jazimento de cobre e ouro no Complexo Intrusivo Lavras do Sul. Já como docente da UFSM desde 1995, finalizou a tese de doutorado, defendida em 2002. Em 2007, foi convidado para exercer o cargo de Secretário Municipal da Educação do Município de Santa Maria. Atualmente, participa de grupos de pesquisa relacionados a estatística, geologia ambiental e recursos hídricos na UFSM.</p><p><b>Pesquisa</b>: Seus estudos no mestrado e doutorado tiveram como foco a aplicação de procedimentos estatísticos para avaliar fenômenos naturais (as medidas da chuva, comparação de números de dias com muita e pouca chuva) e fazer estimativas dos resultados dessas avaliações. “<i>Esse procedimento foi usado para propor uma metodologia para calcular o volume da jazida de carvão de Iruí; também definição dos corpos mineralizados</i> [rochas que contém minério] <i>na jazida de cobre e ouro em Lavras do Sul”. </i>Essa técnica segue sendo utilizada até hoje por alunos da graduação e pós-graduação da UFSM. A relevância é identificada pela necessidade de fazer a estimativa do valor médio de uma variável numa área ou volume, estimar o valor desconhecido numa localização e usar os valores conhecidos de uma variável para basear os valores de outra. Já sua pesquisa de pós-doutorado permitiu propor mapas mensais das condições de estiagem e chuva  nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nos anos de 1963 a 2012.</p>		
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		<p> </p><p><b>DIEGO RAMIRES DA SILVA LEITE</b></p><p><b>Formação: </b>Mestrado em Música na área de Criação Musical Interpretação e doutorando em Música</p><p><b>Departamento: </b>Música</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Diego é porto-alegrense, estudou na Escola de Música da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Em 2005, ingressou na graduação em Música na UFSM. Ele ressalta que, para ingressar no curso, os candidatos precisam realizar uma prova de habilidades específicas, por isso é necessário ter prática e conhecimento prévio do instrumento musical, além das teorias. Depois da sua formatura, ingressou na Universidade como docente, em 2009. <i>“Eu tinha 23 anos quando assumi o cargo. Em um semestre eu era aluno e, já no outro, virei professor dos meus colegas e colega dos meus professores”.</i>  </p><p>Diego participou da Banda Sinfônica da UFSM, que tem o intuito de se aproximar da comunidade ao levar a música erudita para além do ambiente acadêmico. Já atuou no projeto “Concertos didáticos de música - RSBONES - Coral de Trombones e Tubas da UFSM”, que possibilita aos alunos do curso de Música a prática de concertos em diferentes lugares do estado. Atualmente, é docente do Programa de Pós-Graduação em Especialização em Música dos Séculos 20 e 21 - Performance e Pedagogia. Em 2019, ingressou no doutorado em Música na Universidade do Estado de Santa Catarina, que está em andamento.          </p><p><b>Pesquisa: </b>A sua tese de doutorado é sobre a relação do compositor e do intérprete (instrumentistas) para a construção de uma nova composição para um mesmo instrumento - no caso, o trombone. O produto final será uma peça, em conjunto com a tese sobre a relação de experiência entre esses dois olhares, <i>“do compositor ‘solitário’ e o do intérprete que recebe as suas instruções. Estamos rompendo essa barreira, porque construímos a peça através do diálogo”.</i></p>		
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		<p> </p><p><b>EDERVAL DE SOUZA LISBOA</b></p><p><b>Formação: </b>Doutor em Engenharia Mecânica</p><p><b>Departamento: </b>Coordenação Acadêmica - UFSM/CS</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade: </b>Ederval é de Jundiaí, interior de São Paulo. Embora seus pais não tenham concluído os estudos, os sete filhos sempre foram incentivados a estudar. Antes de ser professor, vendeu salgados, trabalhou em obras com seu pai, em marcenaria, em indústria e, em 1995, iniciou curso técnico em Mecânica. Por ter gostado da área e adquirido estabilidade salarial, ingressou na graduação em Engenharia Mecânica em 2002. Seguiu o mestrado até 2012 e concluiu o doutorado em 2018. Foi professor em uma universidade particular em Porto Alegre e,  desde 2018, leciona na UFSM. </p><p>A maior inspiração de Ederval é sua irmã, Jeane, que se formou em Pedagogia e hoje é professora de educação infantil em escola pública no interior de São Paulo. Outra pessoa que marcou sua vida foi sua professora da terceira série, Roseli. <i>“Penso como essa professora está? Será que ela sabe que um dia foi determinante para que eu tentasse a docência?”</i>. </p><p>Dentre os três pilares principais das universidades (ensino, pesquisa e extensão), o docente destaca a extensão, porque é por meio dela que a Universidade chega à sociedade. <i>“A universidade não é só dos universitários e professores. É de toda uma população. Enquanto unidade universitária, temos que gerar meios para alcançar essas pessoas de alguma forma</i>”. Um projeto que ressalta é o “Emprego de autômatos na contação de histórias”, que trabalha com mecanismos, como um desenho expandido de um animal ou personagem da história que se movimenta no livro. A intenção é utilizá-los para auxiliar na contação de histórias para instigar crianças à leitura. “<i>Eu entendo que, enquanto docente, cabe a mim também gerar nesse aluno essa preocupação com o lado social.</i>”</p><p><b>Pesquisa</b>: Ederval trabalha com a otimização topológica, fazendo com que a macroestrutura e a microestrutura conversem entre si. Tais estudos buscam entender se todo material que consta naquele componente é necessário e como aquela distribuição pode ser aprimorada com a redução de materiais. Ou seja, a área visa encontrar a melhor distribuição de material, como, por exemplo, em um avião: há  uma estrutura mais leve que demanda menos energia e menos combustível para efetuar o trajeto desejado?</p>		
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		<p> </p><p><b>MÔNICA CORRÊA DE BORBA BARBOZA</b></p><p><b>Formação: </b>Doutora em Educação</p><p><b>Departamento: </b>Desportos Individuais</p><p><b>Trajetória e envolvimento com a Universidade:</b></p>
<p>Mônica é natural de Pelotas e fez toda sua formação profissional como artista, desde criança, em companhias de variados estilos de dança. Quando tinha 14 anos, ela teve suas primeiras experiências como professora em sua escola de balé clássico. “<i>A minha professora me chamou um dia e disse: tu não queres aprender a ser professora e começar a dar aula? Assim, eu tive todo um processo antes da formação formal, já como professora de dança</i>”. Quando ingressou na universidade, escolheu o curso de Pedagogia, em 2000 e, após, trabalhou por quase 15 anos na rede pública. Em 2006, iniciou especialização em Psicopedagogia - e ficou mais próxima das questões de acessibilidade e, em 2008, começou a segunda graduação, em Dança - Licenciatura.&nbsp;</p>
<p>Naquele mesmo ano, fez um concurso para professora temporária. <i>“Eu era aluna do curso, mas ingressei porque tinha toda uma trajetória na dança e ensino superior. Fui professora e aluna do curso ao mesmo tempo”</i>. Ingressou no mestrado em 2013 e doutorado em 2015. Atualmente, atua como docente efetiva na UFSM, participou do <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/todos-os-corpos-dancam/">Grupo de Dança Extremus</a>, projeto de extensão que oportunizava experiências em dança pela inclusão social de pessoas com deficiência. Também faz parte do Laboratório Investigativo de Criações Contemporâneas em Dança, do “NÓS”, grupo de Estudos e Pesquisas em Formação de Professores(as) de Dança e desenvolve projetos relacionados à área, com foco em inclusão e acessibilidade e ênfase em audiodescrição.</p>
<p><b>Pesquisa:</b></p>
<p>Mônica tem uma pesquisa em andamento relacionada ao acompanhamento dos egressos da Licenciatura em Dança. O trabalho é para entender quais as dificuldades e os dilemas encontrados pelos alunos quando se formam. Além disso, em 2019, contribuiu para o desenvolvimento do espetáculo “Dançar As Coisas Do Pago”, de dança acessível, parceria da Universidade com o Theatro Treze de Maio. <i>"Construímos uma obra artística com bailarinos com e sem deficiência. O espetáculo foi pensado para que todas as pessoas pudessem apreciar. Então, fizemos um trabalho de acessibilização, com audiodescrição, interpretação em Libras e tivemos toda parte da divulgação acessível”.</i> Participou de outras produções de espetáculos e obras artísticas, muitas delas que viraram projetos na área da pesquisa.</p><section data-id="ec6bc59" data-element_type="section"><section data-id="0e6236c" data-element_type="section"><section data-id="22bec03" data-element_type="section"><section data-id="d47bb32" data-element_type="section"><section data-id="8605efb" data-element_type="section"><section data-id="cb499fa" data-element_type="section"><section data-id="98ed197" data-element_type="section"><section data-id="5f882e8" data-element_type="section"><p><em><strong>Expediente</strong></em></p><p><i><strong>Reportagem:</strong> <em>Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária</em>; e Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo e voluntária<br /></i></p><p><strong><em>Ilustração e tratamento de imagem:</em> </strong><i> Renata Costa, acadêmico de Produção Editorial e bolsista<br /></i></p><p><i><strong>Mídia Social:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária<br /></i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p></section></section></section></section></section></section></section></section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>UFSM em números: de 1784 docentes no Ensino Superior, apenas 74 são autodeclarados negros (pretos e pardos)</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/ufsm-docentes-negros</link>
				<pubDate>Fri, 19 Nov 2021 17:17:31 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência Negra]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Docentes]]></category>
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		<category><![CDATA[pedagogia]]></category>
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		<category><![CDATA[representatividade negra]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8753</guid>
						<description><![CDATA[Falta de representatividade evidencia a importância de discutir acesso e permanência na universidade]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/capa-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>* Esta matéria foi atualizada em 25 de novembro, às 18:17, pois, na versão anterior, os dados gerais incluíam os professores inativos.</p><p>A herança do passado escravocrata brasileiro ainda se manifesta na desigualdade social e econômica entre pessoas brancas e negras. A população autodeclarada negra - grupo que reúne pretos e pardos, segundo pesquisa e conceituação do <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf" target="_blank" rel="noopener">Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE)</a> de 2019 - representa 56,1% dos habitantes do país. Porém, dentro das universidades, a escassa presença de negros na comunidade acadêmica ainda é uma realidade. </p><p>A falta de representatividade nesses espaços possui uma origem em comum: a dificuldade do acesso e da permanência de negros no ensino, em especial, o superior. Para mudar esse panorama, foi sancionada a Lei nº <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12711.htm" target="_blank" rel="noopener">12.711</a>, de 2012, conhecida como Lei de Cotas -  que ampliou o ingresso de pessoas pertencentes a grupos em vulnerabilidade social nas instituições federais de ensino técnico e superior.</p><p>A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) <a href="https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2021/08/27/das-cotas-a-assistencia-estudantil-a-luta-pela-educacao/" target="_blank" rel="noopener">aprovou, em 2007</a>, um plano institucional denominado ‘Programa de Ações Afirmativas de Inclusão Racial e Social’, por meio da <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/391/2018/10/Resolu%C3%A7%C3%A3o_011-07.pdf" target="_blank" rel="noopener">resolução 011/07</a>. A proposta estabelecia a oferta de 15% das vagas para afro-brasileiros em cada curso de graduação, 20% para estudantes de escolas públicas, 5% para estudantes com deficiência e 5% para indígenas residentes no território nacional. </p><p>Em 2014, a UFSM aderiu ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU) e, assim, a reserva de vagas para todas as classificações de cotas aumentou para 50%. Já na pós-graduação, a ação afirmativa não se aplica, mas, para concursos de servidores públicos, como docentes, a <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12990.htm" target="_blank" rel="noopener">Lei nº.12.990, de 2014</a>, prevê 20% das vagas para negros (pretos e pardos) do número final de vagas para cada edital.</p><p>Mesmo com as normas, a presença de docentes negros na Universidade é pequena: <b>dos 1784 professores ativos no Ensino Superior, apenas 9  são autodeclarados pretos - </b>0,5% do total <b>- e 65 são autodeclarados pardos -</b> 3,64% do total. Ou seja, há 74 docentes negros no Magistério Superior na UFSM<b>.</b> Os dados foram coletados em novembro de 2021, disponibilizados pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e pelo site <a href="https://portal.ufsm.br/ufsm-em-numeros/publico/index.html" target="_blank" rel="noopener">UFSM em Números</a>, que engloba os quatro campi da universidade.</p>		
			<h3>Autodeclaração, questão racial e limites estruturais</h3>		
		<p>No Brasil, a autodeclaração étnico-racial é feita pela própria pessoa em censos demográficos, como o do IBGE, e documentos para candidatos pretos e pardos que desejam concorrer às vagas de ações afirmativas em concursos públicos, como os realizados para docentes em universidades. Na UFSM, os candidatos enviam o documento assinado para a instituição com informações básicas como nome e dados pessoais e, de forma opcional, motivos que justificam a autodeclaração, como história de vida e identificação com a etnia negra. </p><p>Depois, passam pela Comissão de Heteroidentificação da instituição, explicando por que se autodeclaram negros ou pardos. Os tons de pele de pessoas pretas e pardas são diversos e não há uma escala de determinação racial, uma vez que ambas as classificações incluem cores de pele mais ou menos retintas. As questões de autodeclaração não estão relacionadas apenas com a cor da pele, mas também com características fenotípicas, história de vida familiar e descendência. </p><p>A ação de diferenciar indivíduos pela sua maior ou menor proximidade com as características da negritude é conhecida como colorismo e que, para as pesquisadoras <a href="http://www.evento.abant.org.br/rba/31RBA/files/1539565197_ARQUIVO_ARTIGOCOLORISMO.pdf" target="_blank" rel="noopener">Jéssica Thoaldo da Cruz e Patricia Martins</a>, segrega e anula a identidade negra: “O embranquecimento da população foi política de Estado, mas também foi aplicado por um viés psicológico, interferindo no inconsciente de negros e mestiços e dificultando a busca da identidade e valorização de suas raízes. O resultado são milhares de brasileiros negros de pele clara vivendo na encruzilhada do ser ou não, negro”, segundo artigo publicado na <a href="https://revistaesquinas.casperlibero.edu.br/politica/movimentos-sociais/quanto-mais-escuro-menos-aceitacao-que-colorismo-como-ele-afeta-vida-de-pessoas-negras/" target="_blank" rel="noopener">Revista Digital do Laboratório da Faculdade Cásper Líbero</a>.</p><p>Nos últimos anos, o número de brasileiros que se autoidentificam como negros aumentou. Segundo análise realizada pelo <a href="https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/11/20/dia-de-consciencia-por-que-cada-vez-mais-brasileiros-estao-se-autodeclarando-negros.ghtml">G1</a>, a partir de dados do IBGE, o número de autodeclarados negros cresceu em torno de 12 milhões de 2012 até 2018. O coordenador do Observatório de Direitos Humanos da UFSM, Victor De Carli Lopes, mestre em História, explica que o aumento desses números não está necessariamente relacionado ao acréscimo de negros no país, mas com uma nova visão das pessoas que antes se autodeclaravam de outras formas. </p><p>É também consequência de uma elevação social da estética negra e das ações de empoderamento da negritude: “Muitas vezes, as pessoas acabavam não se autodeclarando negras porque existe um problema de aceitação, por conta de todo racismo que temos no nosso país”.</p><p>No Brasil, por 353 anos a população negra foi escravizada e considerada socialmente inferior à etnia branca. A abolição da escravidão ocorreu tardiamente, por meio da Lei Áurea, em 1888, e, a partir daí, o cenário nacional se mostrou de pouca abertura para os negros se integrarem enquanto cidadãos na vida social, já que as classes dominantes não se interessaram em inseri-los nos trabalhos da época. Essa falta de oportunidade para a população negra gera reflexos até hoje: na questão financeira, visto que os negros são maioria em tópicos que determinam os menores rendimentos per capita da população definidos pelo <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf" target="_blank" rel="noopener">IBGE de 2019</a>; eles possuem mais dificuldades de acessar cargos de poder, além de serem discriminados socialmente.</p><p>Embora o preconceito de raça ou de cor e a injúria racial estejam previstos como crimes no sistema jurídico brasileiro, ainda são frequentes casos de racismo estrutural, institucional, velado, e explícito no Brasil. Tais questões históricas e a atual realidade do país geram limites estruturais em todas as esferas sociais - entre elas, na dificuldade de acesso e da permanência à educação para pessoas negras e, consequentemente, ao cargo de docente nas universidades.</p>		
												<img width="783" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/box-783x1024.png" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>Acesso e permanência na pós-graduação</h3>		
		<p>As políticas de cotas auxiliam na transformação para um cenário universitário mais plural. Porém, a discussão atual deve se ampliar a ações afirmativas para a permanência, como comenta a professora da UFSM, Leonice Mourad, doutora em História da América Latina e em Geografia. Para a docente, essa é uma pauta recente e ainda estamos distantes de um patamar racial razoável de representatividade negra nas universidades. </p><p>Além disso, outro ponto relevante se refere à criação de políticas públicas de acesso a mestrados e doutorados, ainda incipientes nas universidades do país: “Precisamos de uma pós-graduação plural em todos os âmbitos, não pensando apenas na questão da negritude, mas também na inclusão de indígenas, pessoas transgêneras, enfim. É urgente que a pós-graduação seja acessada para termos equidade e uma universidade plural”, reforça Leonice Mourad. </p><p>Os dados obtidos na pesquisa em andamento do doutorando e jornalista Wagner Machado, na Pontifícia Universidade Católica do  Rio Grande do Sul (PUCRS), ilustram essa falta de diversidade. Ele investigou a (in)visibilidade dos doutorandos negros na pós-graduação em Comunicação em quatro universidades do Rio Grande do Sul e descobriu que, de 2015 a 2020, mais de 300 pessoas entraram nos programas das universidades analisadas, mas apenas 10% eram negros. A existência de poucos docentes negros nas universidades também foi estudada pelo jornalista em um <a href="https://midiaticom.org/anais/index.php/seminario-midiatizacao-resumos/article/download/929/902/" target="_blank" rel="noopener">artigo publicado em 2019</a>. No texto, o pesquisador analisa a situação como um efeito ‘cascata’, pois, para obter representatividade racial entre professores do ensino superior, é preciso, primeiramente, de mestres e doutores - visto que a maioria dos editais solicitam o título de mestre ou doutor para o ingresso no cargo. </p><p>As ações afirmativas para o acesso à pós-graduação já existem em algumas universidades do Brasil. A UFSM, por exemplo, discute sobre a política de cotas, já adotada pelo Programa de Pós-Graduação em História - oferta no mínimo 40% e no máximo 50% das vagas como reserva para as cotas, a partir do total ofertado por ano, dentre essas, três são para pessoas autodeclaradas negras, <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/345/2021/07/EdEsp19.45-21-MestHistoria.pdf" target="_blank" rel="noopener">segundo edital de 2021</a>. No entanto, além do ingresso, precisa-se pensar sobre a permanência dos discentes. Sendo assim, o valor das bolsas de mestrado e doutorado oferecidas é um ponto importante.</p><p>A <a href="http://www.anpg.org.br/categoria/noticias/" target="_blank" rel="noopener">Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG)</a> divulgou, em uma matéria de outubro de 2021, que as bolsas de mestrado e de doutorado vinculadas à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) são, respectivamente, de R$1,5 mil e R$2,2 mil e não são reajustadas desde 2013. Em oito anos de déficit, segundo as contas dos bolsistas, a perda de poder de compra supera 60%.</p><p>“Precisamos de algo que justifique o discente estar desenvolvendo essa atividade dentro da academia e não realizando outro trabalho fora [e ganhando mais, na maioria dos casos]. Porque é uma questão de custos, o valor recebido deve pagar as contas, por isso se coloca os custos na balança. Então, precisa de uma bolsa com valores razoáveis para se manter, precisam ser atrativas”, explica o professor Ederval de Souza Lisboa, doutor em Engenharia Mecânica da UFSM/CS. O regime de dedicação exclusiva que impede qualquer outro vínculo empregatício para a obtenção de renda extra, em conjunto com o descaso com a ciência no Brasil, leva o estudante, em muitos casos, a deixar a academia e ingressar para o mercado de trabalho. </p><p>Diante disso, a dificuldade de acesso e permanência na pós-graduação afeta, em especial, a população negra, devido ao recorte de raça e classe. Em consequência, gera um déficit de docentes negros no ensino superior, como observa-se nos números da UFSM. “A dificuldade de acesso presente na pós-graduação permanece nos concursos públicos. O problema é quando abre apenas uma vaga. A Lei de Cotas reserva 20% para a população negra, ou seja, acaba sendo nenhuma para as cotas [quando o número de vagas não ultrapassa 2]. Uma das soluções é a criação de bancos de vagas ou de editais maiores, com mais de cinco, no mínimo três, para garantir uma vaga nas ações afirmativas”, relata Victor de Carli.</p>		
			<h3>Por que a urgência de ampliar o acesso de negros à docência?</h3>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/jornada_academica-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Várias são as questões que tornam a necessidade de um aumento imediato desses números, mas, principalmente, a busca por justiça social e igualdade. </p><p>O professor Ederval Lisboa ressalta a falta de representatividade negra em locais de poder, como no judiciário, por exemplo: “No Supremo Tribunal, tem vários homens brancos, há algumas mulheres brancas, teve um homem negro. E mulher negra? Isso só demonstra a desigualdade que nós temos. E se a gente compara com os números de pretos e pardos que temos na sociedade, será que reflete? Não”. Ele se preocupa com a questão da representatividade que esses números transmitem para as crianças, como sua filha. “Qual sociedade que nós vamos entregar pra elas? Quais vão ser as chances que elas vão ter de ocupar um posto de reitor de uma universidade? De ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal?”.</p><p>Já o professor da UFSM, Diego Ramires, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Músicaexplica que sente essa ausência de negros em locais de lazer. “Quando eu vou em um parque, um restaurante ou em algum local que não seja de comum acesso a todos, a primeira questão que eu levanto é essa: onde nós estamos, onde os negros estão? A constatação que eu tenho é que eles não estão. Por vários momentos, eu sou o único”. </p><p>Essas problemáticas também incidem na escassez de docentes negros. Segundo o IBGE, 56,1% é o índice de pessoas autodeclaradas negras no Brasil, enquanto 16% é o percentual de docentes negros nas universidades - de acordo com o <a href="https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carreiras/noticia/2018/11/20/negros-representam-apenas-16-dos-professores-universitarios.ghtml" target="_blank" rel="noopener">G1</a> a partir de dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Victor de Carli elenca três principais tópicos que destacam a necessidade urgente de maior representatividade: </p><p><b> I) </b>A primeira vai ao encontro da fala de Ederval: quando os alunos têm essas representações, podem se enxergar e ver uma perspectiva de futuro, se inspirarem em pessoas negras e as verem em locais de prestígio como detentoras de conhecimento. Ademais, essa representatividade precisa ser ampla: professores autodeclarados negros, de pele mais ou menos retinta, assim como é a sociedade brasileira - miscigenada. A professora da UFSM, Mônica Corrêa de Borba Barboza, doutora em Educação, acredita na importância de se reafirmar enquanto mulher negra na academia: “Penso no meu aluno que entra na sala de aula, que vê que sua professora doutora é uma mulher negra, parecida com ele ou tem alguém na família que é parecida”.</p><p><b> II)</b> O segundo é que, com o aumento de docentes negros, as pesquisas em relação as questões raciais são estimuladas. “Não necessariamente eles irão trazer essas temáticas, mas muitas vezes quem lidera os grupos sobre negritude são negros. Então, quando a gente tem o aumento de docentes negros nas universidades, se tem um aumento dos trabalhos de alunos que querem se debruçar  nos estudos sobre o tema”, explica Victor de Carli.</p><p><b> III) </b>A última é que a falta de representatividade, pelas questões explicadas no tópico acima, pode gerar uma falta de profissionais qualificados para ensinar sobre a cultura afro brasileira: Victor comenta que as consequências desse déficit vão além: “Os alunos, principalmente da licenciatura, vão ser os professores nas redes básicas. Se não tiveram esse estudo nas universidades, eles também vão ter dificuldade de ensinar para os seus próprios alunos e isso implica em um problema na aplicabilidade da norma” - se trata da <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm" target="_blank" rel="noopener">lei 10.639</a>, que inclui o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira nos currículos do ensino básico.</p><section data-id="0e6236c" data-element_type="section"><section data-id="22bec03" data-element_type="section"><section data-id="d47bb32" data-element_type="section"><section data-id="8605efb" data-element_type="section"><section data-id="cb499fa" data-element_type="section"><section data-id="98ed197" data-element_type="section"><section data-id="5f882e8" data-element_type="section"><p><em><strong>Expediente</strong></em></p><p><i><strong>Reportagem:</strong> <em>Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária</em>; e Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo e voluntária<br /></i></p><p><strong><em>Ilustração:</em> </strong><i> Renata Costa, acadêmico de Produção Editorial e bolsista<br /></i></p><p><i><strong>Mídia Social:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária<br /></i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p></section></section></section></section></section></section></section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>E agora, quem dá a aula?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/e-agora-quem-da-aula</link>
				<pubDate>Mon, 25 Mar 2019 20:11:07 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Inovação no Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[10ª edição]]></category>
		<category><![CDATA[alunos ativos]]></category>
		<category><![CDATA[Docentes]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê Inovação no ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[metodologias ativas]]></category>
		<category><![CDATA[sala de aula]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=5437</guid>
						<description><![CDATA[Metodologias ativas colocam o aluno em foco e tornam o ensino mais atrativo]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span class="fontstyle0">Ao chegar ao restaurante, você se acomoda à espera de alguém que lhe atenda. O garçom chega com o cardápio, e então você faz o pedido. No entanto, em vez de esperar pela entrega do prato pronto, você é convidado a ir à cozinha para auxiliar os </span><em><span class="fontstyle2">chefs </span></em><span class="fontstyle0">na escolha e no preparo dos alimentos. A experiência, ainda que cause estranhamento, faz com que você saia da zona de conforto. No âmbito das salas de aula, essa é a proposta das metodologias ativas: incentivar o envolvimento dos alunos no processo de ensino, tornando-o mais horizontal e efetivo.</span>

<span class="fontstyle0">O termo engloba as técnicas que quebram rotinas tradicionais de sala de aula, como estudos de caso, simulações e debates – conhecidas há anos pelos alunos brasileiros. No entanto, foi a partir de 2010 que o conceito de </span><span class="fontstyle2">metodologias ativas </span><span class="fontstyle0">ficou conhecido no país, adaptado pela incorporação das tecnologias da informação e comunicação (TICs) como ferramentas de aprendizagem.</span>

<span class="fontstyle0">Em qualquer dos formatos, o processo de ensino deixa de ser atribuído apenas ao professor, tornando-se um trabalho coletivo, que demanda a multiprofissionalidade. “O professor não é mais professor. Ele passa a ser um curador, um orientador, que guia e instiga o aluno. Nesse sentido, é fundamental contar com as orientações pedagógica e tecnológica”, explica Gisele Santiago, doutora em Agronomia pela UFSM e pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática na Universidade Franciscana (UFN), onde pesquisa sobre o ensino de genética mediado por metodologias ativas, empregando uma de suas ramificações, o ensino híbrido – o qual, por sua vez, compreende técnicas como a sala de aula invertida e a rotação por estações.</span>

<img class="aligncenter size-full wp-image-5438" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/03/DossiÊ_1_box_1.png" alt="" width="800" height="372" />

<strong><img class="alignleft wp-image-5439 size-medium" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/03/Dossiê_1_alunos_ativos-300x97.png" alt="" width="300" height="97" /></strong>

<strong>Alunos ativos</strong>

<span class="fontstyle0">Os discentes desempenham papel fundamental no processo de ensino-aprendizagem: “O professor pode propor, mas tudo depende de o aluno querer, se não vai voltar a ser uma sala de aula tradicional. O aprendizado é algo muito particular e depende do indivíduo”, explica Gisele, que elucida: as metodologias ativas pressupõem a maturidade e o compromisso do aluno em aprender.</span>

<span class="fontstyle0">Essa mudança fez com que a turma de Bernardo Moro, acadêmico de Enfermagem da UFSM, reagisse com estranhamento aos debates, leitura e produção de cartazes propostos pelo professor de uma disciplina. “Foi difícil aceitar que uma dinâmica poderia ensinar mais do que algo copiado do quadro. A gente pensa que o jeito que aprendeu a vida toda é o certo”, relata o aluno. </span>

<span class="fontstyle0">Segundo o técnico-administrativo da UFSM Alberto Pedro Antonello Neto, que estudou sobre o ensino híbrido em seu mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica, defendido em 2017, o desconforto inicial com as novas técnicas faz parte do processo. “No sistema tradicional de ensino, o aluno aguarda passivamente a transmissão do conteúdo pelo professor”, pontua o servidor, ressaltando a importância da capacitação docente para melhorar a aceitação e o aproveitamento por parte da turma. Neste sentido, Alberto Pedro ressalta que o Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) é um dos setores que oferece cursos de aperfeiçoamento para os professores, com foco no emprego de tecnologias nas salas de aula.</span>

<strong><img class="alignleft wp-image-5440 size-medium" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/03/Dossiê_1_mudanças-na-base-300x95.png" alt="" width="300" height="95" />Mudanças na base</strong>

<span class="fontstyle0">O professor do Departamento de Matemática do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE) Ricardo Fajardo, que há 20 anos coordena um projeto de extensão que usa técnicas lúdicas para explicar matemática às séries finais do ensino fundamental, defende: “Para a escola básica mudar, é preciso que a universidade mude, porque a formação dos professores acontece aqui”.</span>

<span class="fontstyle0">Para expandir a aplicação de metodologias ativas na UFSM, Gisele argumenta que são necessárias adequações pontuais no Projeto Pedagógico Institucional (PPI) da Universidade. A Técnica em Assuntos Educacionais da Pró-Reitoria de Graduação da UFSM Juliane Paprosqui Marchi da Silva ressalta que o PPI vigente, aprovado em 2016, dá abertura para que os professores inovem em sala de aula. Ela explica que a UFSM, por ser relativamente antiga, trabalha com base em disciplinas e departamentos, enquanto novas universidades estão organizadas de maneira a possibilitar maior contato dos alunos com projetos e problemas reais. “Uma mudança estrutural na UFSM seria complexa, e dependeria da alteração da Estatuinte, nosso maior documento”, explica Juliane, que esteve envolvida na construção do PPI.</span>

<img class="aligncenter size-full wp-image-5441" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/03/Dossiê_1_box_2.png" alt="" width="800" height="721" />

<span class="fontstyle0">Os resultados obtidos pelo professor em conjunto com a turma, ao final do semestre, foram positivos – como apresentados nos gráficos abaixo, feitos com base nos números levantados por Thayse:</span>

<img class="aligncenter size-full wp-image-5442" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/03/Dossiê_1_box_3.png" alt="" width="800" height="404" />

<span class="fontstyle0">A pesquisa da acadêmica vai ao encontro da opinião de Bernardo, aluno da Enfermagem: “Não importa se o professor tem apenas um quadro negro e um giz. Se ele tiver criatividade para passar o conteúdo, e o aluno estiver disposto a aprender, o ensino vai ser efetivo”. Diante disso, o senso comum de que as salas de aula brasileiras e os professores estão atrasados, enquanto alunos se atualizam, é colocado em xeque.</span>

<strong>Reportagem:</strong> Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo

<strong>Diagramação:</strong> Lidiane Castagna, acadêmica de Desenho Industrial

<strong>Ilustração: </strong>Pollyana Santoro, acadêmica de Desenho Industrial

<strong>Lettering:</strong> Deirdre Holanda, acadêmica de Desenho Industrial

<strong>Fotografia de capa:</strong> Thomás Dalcol Townsend]]></content:encoded>
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