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				<title>Dossiê Mudanças Climáticas: Segurança alimentar em xeque</title>
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				<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 13:02:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê UFSM]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
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		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[produção de alimentos]]></category>

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						<description><![CDATA[Eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos afetam a produção mundial de comida e intensificam a insegurança alimentar em comunidades locais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Milho, soja, feijão, arroz, leite, carne bovina e frango tiveram aumento significativo de preços em 2022. Além da crise econômica, os eventos climáticos extremos que atingiram o Brasil em 2021 e 2022 também são motivos do maior custo dos alimentos. Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro registraram enchentes com centenas de mortos, de acordo com o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres do Ministério do Desenvolvimento Regional (S2ID/MDR). Além disso, no sudeste e sul do país, principalmente em São Paulo e no Rio Grande do Sul, a ausência de chuvas provocou uma estiagem severa que, no estado gaúcho, é a segunda maior já registrada, de acordo com o Monitor de Secas do Brasil, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Tanto o excesso quanto a falta de água afetam a produção de alimentos: a agricultura funciona por meio de ciclos e de cadeias de produtividade e, caso haja desequilíbrios em alguma etapa, a safra pode ser prejudicada. De acordo com o relatório de 2021 do Painel Intergovernamental sobre o Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), com a intensificação dos fenômenos das mudanças climáticas, a produção de alimentos brasileira será menor, principalmente em função da maior frequência dos eventos climáticos extremos, como secas, enchentes e incêndios.

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Para Dilson Bisognin, professor no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o aumento da temperatura impacta todas as populações de plantas, inclusive no crescimento de patógenos - como bactérias, fungos e vírus - e plantas daninhas mais resistentes, além de afetar os animais.&nbsp;“Qualquer mudança no ambiente vai afetar a vida do planeta. Mínimas mudanças têm um enorme efeito nas populações. Por exemplo, em 2022, os meses de restrição hídrica tiveram um enorme impacto nas plantas e microorganismos”, explica o docente. Segundo o relatório "Mudanças Climáticas e Eventos Extremos no Brasil", da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), durante os últimos 50 anos, a América do Sul teve ampliação de intensidade e frequência dos eventos climáticos extremos. Isso aumenta os custos econômicos e sociais e impacta principalmente os setores da agricultura, da geração de hidroeletricidade, os centros urbanos e a biodiversidade.
<h3>4 pilares</h3>
A segurança alimentar se baseia em quatro pilares: disponibilidade, utilização, estabilidade e acesso.

<em>Com base em dados do relatório do IPCC 2020 - 2021.</em>
<h4>DISPONIBILIDADE</h4>
Resultado dos processos de produção, armazenamento, processamento, distribuição e troca de alimentos. Se a produção é afetada, as outras etapas também serão. Em uma estiagem, a ausência de água na produção pode acarretar, por exemplo, a falta de tomate na prateleira do supermercado.
<h4>UTILIZAÇÃO</h4>
Modo como se utilizam os alimentos (envolve a composição nutricional, a preparação e a qualidade). As mudanças climáticas influenciam o modo como os alimentos serão consumidos. Na safra de tomate prejudicada pela estiagem, a pouca disponibilidade eleva os preços, o que impacta a capacidade de compra das pessoas, que deixam de consumir o alimento.
<h4>ESTABILIDADE</h4>
Capacidade das pessoas em acessar e usar alimentos diariamente. Em um cenário de aumento do preço dos alimentos, que é intensificado pelos eventos climáticos extremos, uma família de média ou baixa renda pode não ter dinheiro para comprar comida de qualidade todos os dias.
<h4>ACESSO</h4>
Capacidade de obter comida com preços acessíveis. Os itens mais afetados com o aumento de preços costumam ser os cereais e produtos de origem animal. O acesso influencia a estabilidade alimentar.
<h3>Sistemas produtivos</h3>
Os últimos relatórios do IPCC, inclusive o de 2022, apontam que as mudanças climáticas podem afetar diferentes sistemas produtivos, como a pecuária, a polinização, a aquicultura e a agricultura familiar (veja detalhes na próxima página). Além disso, são os locais mais vulneráveis que têm maior possibilidade de serem atingidos pelos efeitos de eventos climáticos extremos. “Os alimentos, nos últimos tempos, têm sido encarados enquanto mercadoria e não são produzidos com a finalidade de consumo e de alimentar as pessoas”, argumenta Cleder Fontana, docente no Departamento de Geociências da UFSM e líder do Núcleo de Estudos em Geografia, Agricultura e Alimentação (NUGAAL). Ou seja, a produção de commodities - em grande escala, como os grãos - deve continuar crescendo globalmente e gerar riscos à segurança alimentar, devido à conversão de áreas produtoras de alimentos em áreas produtoras de matéria-prima para os agrocombustíveis.
<h3>Efeito cascata</h3>
De acordo com Juliano Barin, docente no Departamento de Tecnologia e Ciência dos Alimentos da UFSM, elementos como os insumos, a água, o solo e o trabalho humano também são parte integrante dos sistemas produtivos alimentares. “São cadeias que estão interligadas. Por exemplo, o milho é muito usado para ração animal. Então, se tiver uma quebra na produção do milho, o preço da carne vai aumentar, especialmente a de frango. Qualquer alteração climática que tenha uma quebra na produção vai impactar em efeito cascata”, explica.

<img width="126" height="120" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Trigo.jpg" alt="" loading="lazy">

1. Quando há estiagem, a safra de milho é prejudicada (tanto para a colheita do grão quanto para o corte da planta).

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2. Para o gado, a ração e a silagem (milho picado e fermentado) tem custo maior e menos qualidade. O frango também é afetado, a ração, que é a base da alimentação, é feita de milho, cujo custo fica maior.

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3. Com isso, os preços do leite, dos ovos, da carne de gado e de frango aumentam. Nos supermercados, nem todas as pessoas conseguem adquirir estes e outros itens básicos da alimentação.
<h3>Insegurança alimentar e fome</h3>
Somente no Brasil, são mais de 33 milhões de pessoas que passam fome, de acordo com dados do 2º inquérito sobre insegurança alimentar produzido pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan). Conduzida em 2022,
a pesquisa mostra que só quatro a cada dez famílias têm acesso pleno à alimentação. Os números altos mostram um cenário preocupante. Os relatórios do IPCC alertam que a insegurança alimentar e a fome podem aumentar com o cenário de maior frequência
e intensidade dos eventos climáticos extremos. No entanto, para Cleder Fontana, é preciso cautela na análise, uma vez que a fome não é causada apenas pelas mudanças climáticas. “Temos que pensar que a fome é um problema, sobretudo, político. E quando fazemos a relação de mudanças climáticas, aquecimento global e fome, corremos o risco de dar uma explicação simplista, de que a fome é um problema que deriva de uma condição natural, apesar de que os dois problemas guardam similaridades, pois ambos são sociais”, alerta. O docente reforça que abordar outros aspectos que causam a fome e a insegurança alimentar não vão contra o consenso científico da existência das mudanças climáticas e seus efeitos.

Mesmo assim, de acordo com estudos da Organização&nbsp;das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura&nbsp;(FAO), as mudanças climáticas vão impactar,&nbsp;de forma negativa, os pilares da segurança alimentar.&nbsp;De acordo com o IPCC e a Convenção das Nações&nbsp;Unidas para o Combate à Desertificação (UNCDD),&nbsp;os mais afetados serão os produtores e consumidores&nbsp;de baixa renda, principalmente por conta da ausência&nbsp;de recursos que possibilitem o investimento em&nbsp;adaptações, tanto em sistemas produtivos quanto no&nbsp;consumo. “Com certeza pode afetar as populações&nbsp;e produções locais, que abastecem as pessoas com&nbsp;alimentos, especialmente no contexto em que as&nbsp;pessoas não têm recursos financeiros para comprar”,&nbsp;afirma Cleder.
<h3>Insegurança alimentar e fome</h3>
Com base em dados do relatório do IPCC 2020 - 2021.

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PECUÁRIA: impactado pela combinação de temperaturas mais altas, a variação da precipitação, a concentração de
dióxido de carbono atmosférico (CO₂) e a disponibilidade da água. Consequências são a diminuição da oferta e o aumento do preço de carnes, problemas na reprodução, na saúde animal e na qualidade das pastagens, além do aumento de doenças.

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AGRICULTURA FAMILIAR: eventos&nbsp;como estiagens e inundações, principalmente,&nbsp;impedem a produção de&nbsp;alimentos que, muitas vezes, são, além&nbsp;da única fonte de renda, também a&nbsp;fonte alimentar das famílias do campo.

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POLINIZAÇÃO: afetado, principalmente,&nbsp;pelo aumento de patógenos mais virulentos,&nbsp;como o fungo Nosema cerana,&nbsp;que se prolifera em temperaturas mais&nbsp;altas.

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AQUICULTURA: inundações trazem&nbsp;perda na produção, mais risco de doenças,&nbsp;algas tóxicas e parasitas, aumenta&nbsp;o risco de eutrofização (ausência de&nbsp;oxigênio na água, que leva à morte de&nbsp;plantas e animais) e pode provocar a&nbsp;escassez das sementes silvestres.

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<h3>Insegurança alimentar e fome</h3>
Em documento de 2021, o IPCC alerta que ao menos um terço da produção de alimentos está em risco como resultado do aquecimento
global. Apesar de a agricultura familiar figurar como a mais afetada pelas mudanças climáticas, o agronegócio não fica de fora. Dilson Bisognin concorda com essa afirmação e alerta que, uma vez que há alterações em pragas e doenças de plantas, que se tornam mais resistentes, cultivares mais adequadas devem ser desenvolvidas, tanto para cenários de temperaturas mais altas quanto para o enfrentamento dos patógenos. O docente ainda afirma que o cenário brasileiro é preocupante, uma vez que houve redução e restrição de recursos para a ciência e o desenvolvimento tecnológico. “Nós vamos ter que ter uma preparação a longo prazo, e nós não temos uma preocupação a longo prazo. Vamos ter muita dificuldade em ter pessoas qualificadas, tecnologia e ciência para dar resposta a isso. A partir
do momento que se tira recurso da ciência e da tecnologia, está atrasando toda a resposta”, evidencia Dilson.

Um exemplo de como os eventos climáticos extremos afetam&nbsp;o agronegócio está na estimativa feita pela Associação das Empresas&nbsp;Cerealistas do Estado do Rio Grande do Sul (Acergs) em maio&nbsp;de 2022: 65% da safra de milho do ano foi comprometida, o que&nbsp;corresponde a uma perda de quatro milhões de toneladas e R$ 6,3&nbsp;bilhões. Na soja, a redução da produção no mesmo período é de&nbsp;48,7% (10,2 milhões de toneladas ou R$ 32,4 bilhões), de acordo&nbsp;com a Rede Técnica Cooperativa (RTC), filiada à Cooperativa&nbsp;Central Gaúcha Ltda (CCGL). No entanto, o setor do agronegócio&nbsp;tem mais recursos para lidar com o cenário, principalmente&nbsp;por meio do uso e desenvolvimento de tecnologias. Para Dilson,&nbsp;apesar de ser fundamental, a tecnologia não pode ser a única&nbsp;solução para a problemática. “A tecnologia é excludente, e as&nbsp;mudanças climáticas vão favorecer e justificar novas tecnologias”,&nbsp;afirma. Para o docente, a agricultura familiar é mais afetada&nbsp;pelos eventos climáticos extremos já que tem menos recursos&nbsp;financeiros para investir em tecnologia.&nbsp;

Em 2010, Dilson coordenou um estudo no Departamento de&nbsp;Fitotecnia sobre os efeitos da evolução das temperaturas no cultivo&nbsp;de batatas. Na época, a conclusão da pesquisa já apontava que&nbsp;o aumento do CO₂ e de temperatura resulta em consequências&nbsp;para este cultivo, como o menor crescimento da planta, redução&nbsp;do ciclo de desenvolvimento, menor produtividade&nbsp;e mais risco de doenças. “A grande resposta desses&nbsp;estudos é mostrar qual é o impacto que pode ter&nbsp;uma alteração muito pequena de temperatura, que&nbsp;vai causar grandes consequências, porque ela afeta&nbsp;todas as populações de seres vivos. Vão surgir novos&nbsp;patógenos, cada vez mais difíceis de serem controlados&nbsp;porque eles vão chegar em um ambiente que está&nbsp;em desequilíbrio”, destaca Dilson. O docente também&nbsp;afirma que hoje, mais de dez anos depois, o cenário&nbsp;é diferente e que, na época em que desenvolveu a&nbsp;pesquisa, havia mais possibilidades e condições de&nbsp;remediação das consequências. “Estamos muito atrasados”,&nbsp;pontua.

Outro estudo que mede esses impactos foi desenvolvido no campus da UFSM de Cachoeira do Sul. Com as estimativas de crescimento de temperatura de 1º a 1,5º, a produção leiteira no Rio Grande do Sul pode diminuir até cinco litros por dia. “À medida que aumenta a temperatura, vai aumentar o calor e o estresse calórico e, no verão, vai ter muito prejuízo na produção de leite”, afirma Zanandra Boff de Oliveira, docente do curso de Engenharia Agrícola na UFSM Cachoeira do Sul.

Para a pesquisadora, apesar de ter uma cadeia mais&nbsp;desafiadora, a produção não vai diminuir: “Vamos&nbsp;conseguir avançar para encontrar a melhor forma de&nbsp;produzir diante desse contexto. Talvez com aumento&nbsp;de custo, mas não um desequilíbrio. Não acredito que&nbsp;vai faltar produto. Vamos evoluir junto com o problema”.&nbsp;Soluções possíveis seriam sistemas de pastoreio&nbsp;com mais sombras ou galpões de alimentação com&nbsp;ventilação para a redução do estresse corporal, tipo&nbsp;de construção que demanda investimento.

<strong>Reportagem: </strong>Samara Wobetto
<strong>Diagramação:</strong> Evandro Bertol
<strong>Ilustrração:</strong> Noam Wurzel.]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mudanças climáticas e a saúde humana</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/mudancas-climaticas-e-a-saude-humana</link>
				<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 17:24:08 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê UFSM]]></category>
		<category><![CDATA[dossie-arco-13-materia]]></category>

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						<description><![CDATA[Emergência do clima impacta no surgimento de novas doenças e na piora das já existentesmais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que, atualmente, as mudanças climáticas provocam ao menos 150 mil mortes ao ano, número que deve dobrar até 2030. Aumento de temperatura, derretimento de geleiras e degradação ambiental são alguns dos problemas rapidamente associados à crise climática, mas não são os únicos. A saúde da população está diretamente ameaçada por essas mudanças.</p>		
												<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/Destaque-Mudancas-climaticas-e-a-saude-humana-1024x576.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Um relatório da OMS de 2021 aponta que as mudanças no tempo e no clima causam uma das emergências de saúde mais urgentes enfrentadas atualmente. Em outubro de 2021, pelo menos 300 organizações, representantes de 45 milhões de profissionais de saúde, publicaram uma carta aberta com um chamado pelo empenho da comunidade internacional para a ação climática. “Como profissionais de saúde, reconhecemos nossa obrigação ética de falar sobre essa crise em rápido crescimento que pode ser muito mais catastrófica e duradoura do que a pandemia da Covid-19. Nós pedimos que os governos cumpram suas responsabilidades, protegendo seus cidadãos, vizinhos e gerações futuras da crise climática”, afirmam em trecho da carta.</p><p>O informe do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da OMS, divulgado em agosto de 2022, aponta as mudanças climáticas como piores e mais rápidas do que se temia. Por volta de 2030, uma década antes do estimado, a Terra poderá alcançar o limite de aumento de mais 1,5°C na temperatura.</p><p>Segundo o IPCC, se o planeta alcançar 2°C a mais, os impactos podem ser intensos e generalizados. Caso isso ocorra, um terço da população mundial seria regularmente exposta a um calor severo, recifes de corais de água quente seriam destruídos e o gelo do mar Ártico derreteria inteiramente pelo menos um verão por década.</p>		
			<h3>Consequências para a saúde</h3>		
		<p>As mudanças climáticas também aumentam o risco do surgimento de novas pandemias e doenças infecciosas. “Podemos ver esse impacto no aumento da temperatura do planeta, por exemplo, que é responsável por processos de hipertermia (quando o corpo apresenta um aumento acentuado de temperatura) e morte. O maior volume de chuvas e desastres também é outra condição que eleva o risco das doenças infecto-contagiosas, como leptospirose, hepatites, dengue, chikungunya e zika”, explica Ricardo Heinzelmann, médico e professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).</p><p>Além disso, entre os principais fatores que podem influenciar a saúde humana estão os extremos de temperatura e umidade. Ondas de calor e frio podem ficar mais intensas e afetar diversos sistemas do nosso organismo. É comum a associação do frio com o desenvolvimento de doenças respiratórias; no entanto, o sistema circulatório também pode ser prejudicado.</p><p>Iago Turba da Costa, doutorando de Geografia na UFSM, analisou que ondas de frio podem prejudicar a saúde de pessoas propensas a doenças do coração. De acordo com o pesquisador, o desconforto térmico aumenta a probabilidade de piora do quadro, pois no frio a tendência natural do corpo é encolher. Então, ocorre a vasoconstrição. Como os pacientes cardiovasculares geralmente apresentam os vasos sanguíneos já preenchidos por gordura, nessa condição, o coração precisa forçar muito mais o bombeamento de sangue e por isso bate mais rapidamente.</p><p>Além disso, eventos extremos também trazem oscilações de pressão atmosférica, que impactam a pressão sanguínea. “Quando ocorrem processos extremos, o corpo não vai responder tão bem fisiologicamente, e quem já tem algum problema tende a ter uma piora nos sintomas. Muitas vezes, a pessoa necessita de uma internação de urgência, que pode levar à morte”, explica Iago.</p><p>O professor do Departamento de Geografia Cássio Arthur Wollmann, responsável pelo Laboratório de Climatologia em Ambientes Subtropicais da UFSM, explica que, como o calor deve predominar nos próximos anos, as pessoas ficarão acostumadas a viver nesse ambiente. “Temos um clima global que tem se tornado cada vez existentesmais quente, mas isso não significa que nunca mais vai fazer frio. As ondas de frio vão continuar acontecendo e, no momento que atingirem esse corpo ambientado ao calor, a saúde das pessoas ficará extremamente comprometida e frágil”, elucida o professor. </p><p>Conforme Ricardo Heinzelmann, outro problema é o aumento de incêndios florestais naturais devido ao aquecimento do clima. “Os incêndios geram ondas de fumaça que podem desenvolver nos seres humanos graves problemas respiratórios, como a descompensação pulmonar, que pode levar a hospitalizações”, alerta.</p>		
			<h3>Risco de novas pandemias e mais doenças infecciosas</h3>		
		<p>Diante das altas taxas de desmatamento e da consequente perda global de biodiversidade, a ONU reforçou a influência das ações humanas no surgimento de novas pandemias em seu relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES). Segundo a publicação, cerca de cinco novas doenças aparecem anualmente, todas com potencial pandêmico.</p><p>As mudanças climáticas alteram as condições ambientais e, assim, surge uma desregulação daquilo que ocorria naturalmente no ambiente. No cenário de aumento da temperatura, ocorre não apenas a disseminação de novas doenças, mas também o ressurgimento de doenças adormecidas. “Tudo indica que novas pandemias e epidemias vão se tornar cada vez mais frequentes, e o ser humano vai vivenciar uma situação de grande instabilidade. É um cenário de certa forma sombrio, mas fomos nós que o provocamos”, afirma Ricardo.</p><p>O médico também ressalta que o sistema de saúde atual não está preparado para as novas demandas da emergência climática. De acordo com o professor Cássio, o sistema consegue lidar com um determinado conjunto de doenças, mas com o surgimento de novas enfermidades a situação pode entrar em colapso. “Com o aquecimento global, regiões em que a sociedade está mais acostumada com o frio podem ser atingidas por doenças tropicais. Isso é um problema seríssimo, porque no momento que uma doença foge do comum para aquela região o sistema não estará apto”, destaca.</p><p><strong>Reportagem:</strong> Rebeca Kroll<br /><strong>Diagramação:</strong> Evandro Bertol<br /><strong>Ilustrração:</strong> Noam Wurzel.</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Deslocamentos migratórios forçados</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/deslocamentos-migratorios-forcados</link>
				<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 17:00:08 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[13ª Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê UFSM]]></category>
		<category><![CDATA[dossie-arco-13-materia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9842</guid>
						<description><![CDATA[Relatório do Banco Mundial aponta
que 216 milhões de pessoas poderão
ser forçadas a saírem de seus países
até 2050 para fugir de eventos
climáticos extremos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Uma das consequências de eventos climáticos extremos como chuvas torrenciais, ciclones, tufões e secas são os deslocamentos forçados de pessoas que habitam os lugares atingidos. Esses eventos geram problemas sociais, como a falta de alimentos, de<br />moradia e de saneamento básico, que são motivadores da migração. Essas pessoas tornam-se refugiados do clima. A pesquisa denominada “Groundswell”, publicada em 2021 pelo Banco Mundial, aponta que 216 milhões de pessoas poderão ser forçadas<br />a se mudarem de seus países até 2050 para fugirem de eventos climáticos extremos. É como se toda população do Brasil - 214 milhões de habitantes - fosse forçada a sair do país.</p>		
												<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/24-Destaque-deslocamentos-migratorios-forcados-1024x576.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>A problemática que envolve as pessoas deslocadas de maneira forçada devido às emergências climáticas ainda não é reconhecida pela legislação internacional. De acordo com o professor do Departamento de Economia e de Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), André Pozzatti Júnior, os refugiados, migrantes ou deslocados climáticos (veja box na página seguinte) podem não ser acolhidos por outros países, caso seja necessário cruzar fronteiras para além da nação de origem. “Essas pessoas não têm como provar que são refugiadas, porque o termo se refere a casos de ameaça à vida por meio da violência, da perseguição, mas não relacionados às questões climáticas”, explica o professor. Ou seja, o deslocado climático muitas vezes não consegue amparo em outras nações por não existir um critério legal internacional que prevê, neste caso, o refúgio como direito.</p><p>Nesse contexto, o professor, que também é doutor em Direito das Relações Internacionais, ressalta que os Estados são relutantes em estabelecer um novo marco jurídico para proteger tais migrantes: “A partir disso, o termo injustiça climática e ambiental vem à tona. Os países ricos são os mais procurados por refugiados, porém essas mesmas nações são as maiores responsáveis pelas mudanças no clima”, destaca. Segundo o relatório da Oxfam (Oxford Committee for Famine Relief - Comitê de Oxford para Alívio da Fome, em português) em parceria com o Stockholm Environment Institute (Instituto de Meio Ambiente de Estocolmo), publicado em 2020, a parcela 1% mais rica da população mundial é responsável por mais que o dobro das emissões de Dióxido de Carbono (CO₂) - gás poluente para o Planeta Terra - produzidas pela metade econômica mais vulnerável. Como exemplo, podem-se citar as populações dos países do Norte Global - Estados Unidos e Europa Ocidental, que são as que detêm a maior concentração de riquezas.</p><p>Os mais ricos do planeta, que correspondem a 63 milhões de pessoas, já emitiram 15% de CO₂, entre 1990 e 2015, enquanto a população mais vulnerável economicamente - 3,1 bilhões de pessoas - emitiu 7% dos gases neste período, aponta o relatório da Oxfam. Nesse sentido, a chamada injustiça climática ou injustiça socioambiental refere-se a como os impactos das mudanças climáticas são e serão sentidos de forma desigual por diferentes grupos e lugares do mundo. De acordo com Pozzatti, as desigualdades entre Norte e Sul Global estão relacionadas ao colonialismo.</p><p>No período das explorações, nos séculos 16 e 17, as nações mais ricas beneficiaram-se das riquezas das colônias. As consequências do colonialismo não afetam os países ricos, e sim aqueles que sofreram com regimes escravistas, com a degradação da natureza e com conflitos internos gerados pelo sistema imperialista, que deixou heranças nos dias atuais. Dessa forma, o professor utiliza o termo “racismo climático ou ambiental” para referir-se tanto à situação da desigualdade global quanto à interna dos países.</p>		
			<h3>Das fronteiras internacionais aos limites internos</h3>		
		<p>De acordo com a pesquisa “Groundswell”, a região mais afetada deverá ser a África Subsaariana – parte situada ao sul do Deserto do Saara –, com quase 40% dos migrantes climáticos (86 milhões de pessoas). Na sequência aparece o Leste Asiático e Pacífico, com 22,6% (49 milhões). Já a América Latina também é classificada como área de alerta, de onde deverão sair 17 milhões de migrantes climáticos, por causa de estiagem, enchentes e tempestades extremas.</p><p>Giuliana Redin, professora do Programa de Pós-Graduação em Direito e coordenadora do Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional da UFSM (Migraidh), comenta que, no Brasil, não existem políticas públicas que possam dar respostas efetivas às vítimas de deslocamento climático interno.</p>		
												<img width="366" height="762" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/09/ACNUR-materia-Arco-13-2.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h4>Conforme o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR):</h4>		
		<p><strong>MIGRANTE:</strong> é um termo que não tem uma definição universalmente aceita, mas a mais utilizada é a que engloba qualquer indivíduo que tenha deixado o local onde vive, de forma voluntária ou involuntária, independentemente do status jurídico, duração da estadia ou causa do deslocamento, a fim de melhorar as condições materiais e sociais suas e dos familiares.</p><p><strong>REFUGIADO:</strong> como definido pela Convenção de Genebra, adotada em 1951, o termo aplica-se a qualquer pessoa que: “temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, encontra-se fora do país de sua nacionalidade e não pode ou, devido ao medo e à insegurança, não quer voltar a ele”.</p><p><strong>PESSOAS DESLOCADAS:</strong> sujeitos que tenham sido forçados a fugir de suas casas ou locais de residência habitual, em especial para evitar os efeitos de conflitos armados, situações de violência generalizada, violações de direitos humanos ou catástrofes naturais e de origem humana. Essa definição abrange tanto o deslocamento interno, de uma região para outra, como os internacionais.</p>		
			<h3>Direitos humanos</h3>		
		<p>Por não existir ainda uma categoria internacional e nacional para garantir o direito dessas pessoas, iniciativas são criadas para auxiliar e proporcionar uma vida mais digna para elas. O Migraidh é um desses projetos. Iniciou as atividades em 2013 junto ao curso de Direito da UFSM, e, em 2015, foi firmado o Termo de Parceria entre a ACNUR e a Universidade. “Trabalhamos com assessoria jurídica, documental, apoio psicossocial, acessibilidade linguística, acesso a serviços públicos e ações efetivas no combate à xenofobia”, descreve Giuliana.</p><p>Além disso, o Migraidh é responsável pela política do ingresso para migrantes e refugiados na Instituição. Em 2016, foi aprovado o documento que prevê a abertura de editais para pessoas refugiadas de outras nacionalidades estudarem na UFSM.</p>		
			<h3>Deslocamentos forçados</h3>		
		<p>O egresso da UFSM formado em Estatística Pierre Louis Termidor ingressou na Instituição no segundo semestre de 2017, pelo edital do Migraidh. Pierre veio para o Brasil em novembro de 2013, após o terremoto que ocorreu no Haiti em 2010. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 300 mil pessoas morreram devido às consequências do desastre. </p><p>Por causa do terremoto, pessoas que ficaram desabrigadas ou que não tinham condições de construir uma residência segura mudaram-se para locais que, em muitos casos, não tinham acesso ao saneamento básico, à água potável e à energia elétrica. No Haiti, existem áreas com secas extremas ou ciclos de cheias. As consequências de desastres naturais como o terremoto são mais severas por causa dos efeitos das mudanças climáticas no país.</p><p>Após o sismo, junto com os impactos climáticos que o Haiti ainda sofre, a crise socioeconômica no país aumentou. “Tudo foi destruído pelo terremoto. Eu vim para o Brasil tentar continuar meus estudos e procurar melhores oportunidades”, conta Pierre. A família dele continuou no país. </p><p>O estudante morou primeiro em Florianópolis, em Santa Catarina, e lembra que a maior dificuldade no início foi a questão da língua. No Haiti, Pierre cursava Economia, mas tinha interesse em estudar Estatística. Foi por meio de um amigo que ele descobriu a respeito do projeto para imigrantes e refugiados do Migraidh. Assim, pelo ingresso no edital, conseguiu dar continuidade aos estudos na área que sempre quis.</p><p>“Em Santa Maria, eu não tinha ninguém, mas o Migraidh, a Universidade e a comunidade da Casa de Estudante me acolheram. Mas sempre tem pessoas que não vão ficar satisfeitas com a nossa presença”, relata. Atualmente, Pierre faz mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e não pensa em voltar para o país de origem. No momento, tem planos de atuar profissionalmente na área de estatística ou de seguir a carreira acadêmica.</p>		
			<h3>Migrações climáticas</h3>		
		<p>Mudanças climáticas impulsionam deslocamentos forçados ao redor do mundo. As populações dos países em conflitos, com problemas sociais e econômicos, são as mais afetadas pelas emergências no clima. Confira, no mapa, detalhes sobre alguns desses países. Além disso, em destaque, está a previsão do número de deslocados climáticos internos (dentro dos próprios países) para 2050, em seis regiões do mundo, segundo a pesquisa "Groundswell".</p>		
			<h4>Países mais afetados pelas emergências climáticas</h4>		
		<p>Segundo relatório da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), na última década, eventos climáticos resultaram em uma média de 21,5 milhões de novos deslocamentos a cada ano.</p><p>Os novos deslocamentos se referem ao número de movimentos. Um sujeito pode ser forçado a se deslocar mais de uma vez, sendo cada um desses movimentos contabilizados como um novo deslocamento.</p>		
			<h4>Números</h4>		
		<p>Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 30,7 milhões de novos deslocamentos humanos  foram registrados em 2020 devido a desastres relacionados ao clima.</p><p>Os desastres ambientais já provocaram três vezes mais deslocamentos do que aqueles relacionados a conflitos e violência. Além disso, a pressão sobre recursos naturais, como água e terra, pode aumentar a tensão entre grupos sociais e levar a conflitos.</p>		
			<h4>Motivos para o deslocamento</h4>		
		<p>De acordo com a pesquisa “Groundswell", os principais motivos para o deslocamento climático são escassez de água, diminuição da produtividade no campo, secas, aumento do nível do mar e eventos climáticos extremos como tempestades.</p><ul><li><strong>AMÉRICA CENTRAL</strong> – Secas persistentes, chuvas irregulares, temperaturas mais altas e extremas e inundações estão afetando toda a região da América Central, incluindo seu Corredor-Seco. A produção agrícola local diminuiu drasticamente, fomentando o deslocamento populacional e a migração.</li><li><strong>HONDURAS</strong> - Milhares de mulheres responsáveis por empacotar bananas em plantações no país perderam seus empregos após os furacões ocorridos em 2020, que se tornaram mais fortes e mais frequentes na América Central com as mudanças climáticas.</li><li><strong>BURKINA FASO</strong> - Pertencente à região do Sahel - uma faixa de 500 a 700 km de largura, em média, e 5,4 mil km de extensão, entre o deserto do Saara, ao norte, e a savana do Sudão, ao sul.<br />Alguns dos piores episódios de deslocamento e violência em Burkina Faso ocorreram nas áreas mais pobres e afetadas por secas, onde grupos armados exploram tensões relacionadas ao acesso a fontes de água e a terras aráveis. A Al Qaeda - organização fundamentalista islâmica - e o Estado Islâmico - grupo jihadista islâmico, entendem que a luta violenta é necessária para erradicar obstáculos para a restauração da lei de Deus na Terra e para defender a comunidade muçulmana -, controlam mais de 30% do país. </li><li><b>BANGLADESH</b> - Bangladesh sempre foi suscetível a tempestades tropicais e enchentes, por causa do período de monções - é um fenômeno que provoca mudança entre a estação de chuvas abundantes e longas secas. Entretanto, as mudanças climáticas estão causando enchentes e ciclones mais frequentes e intensos que ameaçam tanto a população bengalesa como os mais de 870 mil refugiados Rohingya vindos de Mianmar abrigados no sul do país. As enchentes causam deslizamentos e destroem muitos abrigos dos refugiados.<br />Os Rohingya são uma minoria muçulmana apátrida de Mianmar. Em 25 de agosto de 2017, quando a violência eclodiu no estado de Rakhine, em Mianmar, a crise humanitária tomou grandes proporções, levando mais de 742 mil pessoas a buscar refúgio em Bangladesh.</li><li><b>AFEGANISTÃO </b>- O país sofre com a violência há anos. Em 2021, o regime Talibã - um grupo fundamentalista e nacionalista que defende uma visão radical da lei islâmica - reassumiu o poder do país.<br />Além disso, cheias e secas recorrentes, como também crescimento populacional, aumentam a vulnerabilidade do Afeganistão à escassez de água e comida, reduzindo a perspectiva de pessoas refugiadas e deslocados internos em retornar para seus locais de origem. Estimativas da ACNUR apontam que até 16,9 milhões de afegãos – quase metade da população do país – não tiveram comida suficiente no primeiro trimestre de 2021, incluindo pelo menos 5,5 milhões que enfrentam níveis emergenciais de escassez alimentar.<br />Em 2020, mais de 2,6 milhões de afegãos estavam deslocados internamente, e outros 2,7 milhões estavam vivendo como refugiados em outros países, como no Paquistão e no Irã.</li><li><b>PACÍFICO</b> – Embora contribua com apenas 0,03% das emissões globais de gases de efeito estufa, a região sofre alguns dos piores efeitos do clima, incluindo aumento do nível do mar, aumento da salinização do mar e da terra, perda de terras e de pesca, entre outros.</li></ul><p><b>América Latina<br /></b>17 MILHÕES</p><p><strong>África do Norte<br /></strong>19 MILHÕES</p><p> </p><p><b>África Subsaariana</b><br />86 MILHÕES</p><p><b>Europa Oriental e Ásia Central</b><br />5 MILHÕES</p><p><b>Sul Ásia</b><br />40 MILHÕES</p><p><b>Leste Asiático e Pacífico</b><br />49 MILHÕES</p>		
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		<p><strong>Reportagem:</strong> Eduarda Paz <br /><strong>Diagramação:</strong> Evandro Bertol<br /><strong>Ilustração:</strong> Noam Wurzel.</p>]]></content:encoded>
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