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				<title>Na minha casa sempre chove*</title>
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				<pubDate>Tue, 07 Jan 2014 19:32:03 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Sustentabilidade]]></category>
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						<description><![CDATA[Já imaginou ter chuva armazenada para poder utilizar sempre que quiser ou precisar?]]></description>
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<h5>*Referência baseada no poema Chove? Nenhuma chuva cai de Fernando Pessoa</h5>
Começa a chover e você já aproveita para tirar o carro da garagem e lavá-lo, enquanto as crianças vão para o gramado refrescar-se com um banho de chuva. A piscina vai enchendo – ou se monta a de mil litros – e a alegria está garantida. A vizinha vai para a janela olhar o jardim se abrindo para receber as gotas de água do céu, e o cheiro de terra molhada invade o ambiente. Se for no verão santa-mariense, logo a chuva passa e o sol e o calor retornam. Mas já pensou poder aproveitar essa mesma chuva por mais tempo?

Foi o que propôs Roberval Bresolin em seu mestrado em Engenharia de Produção na Universidade Federal de Santa Maria. A dissertação, Aproveitamento de água de chuva sem tratamento em uma residência, defendida em 2010, apresentou alternativas para a captação da água da chuva e seu uso sem investimento em beneficiamento. A ideia do projeto surgiu quando Bresolin começou a planejar a construção de sua casa. A preocupação com questões ambientais, somada a necessidades básicas – e custosas – de utilização da água, como irrigação da horta e do jardim, levou-o a pensar em construir também um sistema de captação da água da chuva.

De acordo com Bresolin, o objetivo principal da pesquisa é mostrar que cada um pode e deve fazer a sua parte para a preservação ambiental, pensando globalmente e agindo localmente: “Com a simples ação de captar a água da chuva na nossa residência, nós podemos contribuir para a preservação da água e para demonstrar a importância da conscientização ambiental”.
<h3><strong>DO PLANEJAMENTO À CONSTRUÇÃO <a class="bigger_image" title="" href="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/casa-captação.jpg"><img class="alignright" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/casa-captação.jpg" alt="" width="410" height="428" /></a></strong></h3>
Antes de formular e construir o projeto, Bresolin pesquisou outros sistemas de captação de água da chuva, comparando-os com o referencial teórico, a fim de identificar possíveis falhas e fazer melhorias no sistema a ser instalado em sua própria residência. A partir desse estudo e levantamento prévio, seguiu-se a etapa de calcular as dimensões de cada item do projeto, na qual foram estimados, por exemplo, a área do telhado e o tamanho que o reservatório deveria ter, de acordo com o número de moradores e as necessidades de água da residência.

Nessa etapa, calculou-se que para uma residência com cinco pessoas, necessita-se de uma cisterna com 10m³, que é capaz de abastecer as atividades que usam água da chuva na casa por uma média de 36 dias. “Isso quer dizer que com um reservatório de água de 10m³, em uma residência com cinco pessoas, pode ficar até 36 dias sem chover na cidade que eu vou ter água, seja para molhar a horta, encher a piscina ou usar no vaso sanitário”, explica o pesquisador. O cálculo foi feito considerando também as especificidades do clima santa-mariense, onde a média de tempo sem chuva é de 22 dias. Assim, a probabilidade de ficar sem água no reservatório é mínima.

Após o dimensionamento dos itens, é chegada a etapa da construção do sistema. Nessa fase, é importante buscar materiais alternativos para diminuir os custos da obra. Filtros industrializados, por exemplo, utilizados para a retenção de folhas e pequenos galhos que vêm junto com a água do telhado, são vendidos por valores muito elevados no Brasil. Em 2010, custavam aproximadamente R$ 920,00, mas o estudo mostra que é possível construir um filtro alternativo com um cano de PVC e uma tela por apenas R$ 24,00, reduzindo consideravelmente o custo final do sistema. Bresolin destaca a importância de trabalhar com materiais alternativos não somente para diminuir os custos, como também para despertar na população o interesse pela captação de água da chuva, já que com os materiais industrializados os valores ainda ficam muito elevados.
<h3><strong>APROVEITE (MAIS) A CHUVA</strong></h3>
Após a construção do sistema de captação planejado no mestrado, contendo, simplificadamente, calhas, tubulação, filtros e cisterna, a água da chuva está pronta para ser utilizada. No projeto de Bresolin, o reservatório é subterrâneo. “Como ela é armazenada em um local fechado, lacrado, sem pegar sol, não tem perigo de a água estragar ou apodrecer com o tempo – ela fica bem transparente e sem cheiro algum”, explica.

A água da chuva, assim captada, pode ser aproveitada em vários usos que não exigem água tratada, como na irrigação da horta e do jardim, na lavagem do carro e de calçadas, na piscina ou na descarga do vaso sanitário. De acordo com Bresolin, esses usos somados correspondem a cerca de 45% do consumo de água de uma residência, ou seja, com o sistema de captação de água pode-se reduzir em média 45% também da conta de água da moradia. “Em longo prazo, o investimento que você faz reflete na economia da casa, com uma redução bastante significativa do que se gasta normalmente em água. Em alguns anos, paga-se o investimento e o resto é economia”, afirma Bresolin.

O pesquisador coloca, no entanto, que o fundamental mesmo para definir a construção de um sistema de captação de água da chuva não é a questão financeira, e sim a questão ambiental. “Um projeto de captação tem que ser focado ambientalmente, porque o retorno financeiro, apesar de certo, só vem em longo prazo. Mas é a tranquilidade de saber que você está contribuindo para a preservação da água e do ambiente, que você está fazendo sua parte”.

O professor orientador da dissertação, João Hélvio Righi de Oliveira, também destaca a necessidade de encarar o custo dos equipamentos necessários para a construção do projeto de captação de água da chuva como um “investimento social em nível de cidadão”. Acrescenta ainda que o aproveitamento da água da chuva é necessário enquanto conscientização e compromisso com as gerações futuras.
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[caption id="" align="aligncenter" width="888"]<a class="bigger_image" title="Algumas possibilidades de uso da água da chuva" href="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/infográfico-usos-da-agua.jpg"><img src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2014/01/infográfico-usos-da-agua.jpg" alt="Algumas possibilidades de uso da água da chuva" width="888" height="303" /></a> Algumas possibilidades de uso da água da chuva[/caption]

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<h3><strong>UM ‘OBRIGADO’ DO FUTURO</strong></h3>
Problemas relacionados à água são cada vez mais frequentes nos noticiários. Inundações, secas, contaminação, escassez. As notícias raramente são positivas. Alguns países já vivem situações bastante críticas e estudos recentes afirmam que 2/3 da população mundial sofrerão com escassez de água para consumo humano até 2050. Nesse contexto, a captação da água da chuva pode ser uma alternativa simples e prática de contribuir para a questão ambiental.

Bresolin acredita que assim cada um pode contribuir um pouco para a preservação do ambiente, mas acrescenta que também são fundamentais ações mais amplas com esse propósito, como políticas públicas e educação ambiental nas escolas. “Ensinando desde o primário a necessidade da preservação, nós podemos pouco a pouco mudar a mentalidade da população”, corrobora.

Apesar das vantagens e da simplicidade da captação da água da chuva, o sistema ainda não é muito utilizado. Conforme Bresolin, o principal entrave do projeto é o desconhecimento dos benefícios que ele pode proporcionar. Pensando nisso, a dissertação inclui também uma proposta de cartilha informativa para explicar à população e às instituições públicas os passos para a construção de uma cisterna para armazenamento da água da chuva e de como essa água poderia ser utilizada na residência, de forma a economizar a água tratada.

O professor João Hélvio lembra também do potencial de socialização da informação e dos benefícios que as pesquisas científicas podem trazer à sociedade, desempenhando um papel de conscientização do cidadão. “O leitor poderá ter a noção exata do custo necessário e a certeza que o investimento terá retorno e que teremos feito a nossa parte para a sustentabilidade do planeta”, finaliza.

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<div class="texto_rodape"><em><strong>Repórter</strong>: Camila Marchesan Cargnelutti</em></div>
<div><em><strong>Ilustrações</strong>: Projetar</em></div>
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