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			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
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				<title>Ferramenta de Luta</title>
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				<pubDate>Mon, 27 Jun 2022 12:12:59 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Rodrigo Kuaray Mariano, 27 anos, Guarani Mbya, nascido e criado em tekoá (aldeia), menino de poucas perspectivas, mas de muitos sonhos. Inicialmente queria cursar Biologia, mas por um impulso – ou melhor, por vontade de Nhanderu – no momento da inscrição para o vestibular, optei por um curso diverso daquele que sempre pensei. Cursar Direito [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <section data-id="f13c81d" data-element_type="section"><p>Rodrigo Kuaray Mariano, 27 anos, Guarani Mbya, nascido e criado em tekoá (aldeia), menino de poucas perspectivas, mas de muitos sonhos. Inicialmente queria cursar Biologia, mas por um impulso – ou melhor, por vontade de Nhanderu – no momento da inscrição para o vestibular, optei por um curso diverso daquele que sempre pensei.</p><p>Cursar Direito na Universidade Federal de Santa Maria foi uma das melhores coisas que pude vivenciar. Desde o ano de 2015, ano em que iniciei meus estudos na instituição, pude perceber muitas evoluções, tanto na minha formação profissional como pessoal, e umas das principais foi sobre novas percepções de mundo e também a possibilidade de um olhar mais crítico e politizado em relação a certos assuntos.</p></section><section data-id="d6983c3" data-element_type="section"><p>Ao longo da caminhada acadêmica, pude me afirmar, ainda mais, como uma pessoa comprometida na defesa de ideais e projeto de povo, de superação da segregação histórica que meu povo e os povos indígenas em geral sofrem.</p><p>A conquista da graduação em Direito me possibilitou muitos caminhos, mas sempre existiu um que era e é ainda o principal: a atuação por justiça social e defesa dos direitos dos povos indígenas. Então, a partir do exposto, é possível afirmar que a UFSM foi uma ponte que me possibilitou alcançar lugares diferentes daqueles que eram os mais próximos à minha realidade.</p></section>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/02/Capa_Recordacoes-1024x668.jpg" alt="Ilustração horizontal e colorida de um homem indígena. Ele está na esquerda da Ilustração, tem pele marrom, cabelos pretos, lisos e curtos. O rosto é redondo, olhos escuros, nariz e boca em tamanho médio. Usa colares grandes de contas circulares. Um deles é bege e o outro preto. Veste camiseta azul marinho. Está em primeiro plano e segura nas maos uma folha de papel bege como linhas em azul. Atrás dele, desenho da estátua de Thêmis, símbolo do Direito. Ela está na cor laranja claro, usa vestido liso e uma venda nos olhos. Na mão direita, levantada, segura uma balança de pesos, e na esquerda, que está para baixo, uma espada. O fundo tem textura de pinceladas e é na cor rosa claro." loading="lazy" />														
		<p>Nesta imagem, está ilustrado um momento que tem um significado muito grande na minha vida: ela marca o início de uma trajetória que não pretendo deixar. Logo nos primeiros dias após minha formatura, já em atuação pela Comissão Guarani Yvyrupa – CGY, organização indígena, representante do povo Guarani do Sul e Sudeste do Brasil, acompanhei uma comitiva de lideranças indígenas da região Sul em mobilização em Brasília-DF. No dia 11 de fevereiro de 2020, realizei visitas aos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal e entreguei, simbolicamente, uma petição de habilitação da Comissão Guarani Yvyrupa em um Recurso Extraordinário que trata dos direitos dos povos indígenas aos seus territórios.</p><p>Para finalizar, sobre a UFSM, é importante destacar que é uma instituição pública de muita qualidade e que está preocupada na formação crítica dos e das estudantes, que me proporcionou novos horizontes e possibilidades e, o mais importante de tudo, considero que o Direito é, em minha vida, uma ferramenta de luta, e a UFSM me proporcionou conhecer, estudar, me apropriar, e agora me utilizar disso para a conquista de meus ideais e do meu povo.</p><p><strong><em>Expediente:</em></strong></p><p><em><strong>Texto:</strong> Rodrigo Kuaray Mariano, primeiro indígena do povo guarani a estudar no curso de Direito da Universidade Federal de Santa Maria.</em></p><p><em><strong>Diagramação e ilustração:</strong> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial.</em></p><p><em>Conteúdo produzido para a 12ª edição impressa da Revista Arco (Dezembro 2021)</em></p>]]></content:encoded>
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				<title>Educação popular como alternativa</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/educacao-popular-como-alternativa-2</link>
				<pubDate>Mon, 25 Apr 2022 16:56:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[impressa]]></category>
		<category><![CDATA[arco impressa]]></category>
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		<category><![CDATA[ensino superior]]></category>

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						<description><![CDATA[Há 21 anos, cursinho popular da UFSM democratiza o acesso dos santa-marienses ao ensino superior]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>As noites no prédio da Antiga Reitoria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no centro da cidade, têm um movimento diferente – não só de alunos universitários, mas de quem ainda quer chegar lá. Nos corredores do 6o andar, as expectativas e dúvidas sobre a temida prova do Enem e a faculdade são as mesmas, do jovem de 18 que está no ensino médio à senhora de 60 que decidiu voltar a estudar.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/Capa_Extenda-1024x668.png" alt="Ilustração horizontal e colorida de uma roda de pessoas sentadas em cadeiras verde água. Na frente de algumas, há mesas escolares. São nove pessoas: seis mulheres e três homens, quatro pessoas brancas e cinco pessoas negras. Em duas carteiras, há cadernos abertos e xícaras com líquido preto fumegante. Em uma cadeira há outra ficará com líquido preto fumegante, ao lado de uma mulher branca de óculos preto, cabelos castanhos claros, que está com a boca aberta e uma mão levantada; veste camiseta preta e calça azul. Uma mulher, de costas no canto inferior direito, está com uma caneta preta sobre o caderno. Há duas mochilas cinzas e uma vermelha perto de cadeiras ou pendurada em cadeiras. A roda de pessoas está em primeiro plano. Em segundo plano, quadro escolar verde escuro azinzentado e com moldura de madeira clara. O quadro é retangular, horizontal e comprido. No fundo, parede bege." loading="lazy" />														
		<p>Desde 7 de março de 2000, o Pré-Universitário Popular Alternativa democratiza o acesso ao ensino superior de pessoas sem condições financeiras para pagar um cursinho particular. Até hoje, mais de 3 mil vagas já foram abertas. Além disso, possibilita que acadêmicos de graduação e pós-graduação da UFSM e de outras instituições ganhem experiência em sala de aula, como educadores.</p><p> </p><p>O projeto é vinculado à Pró-Reitoria de Extensão, que abriga o cursinho e cuida do financeiro. Já o Laboratório de Metodologia de Ensino (Lamen), órgão do Centro de Educação, orienta a parte político-pedagógica. Na coordenação executiva, responsável por gerir o espaço físico, os educandos e educadores, estão alunos bolsistas da UFSM e voluntários.</p><p> </p><p><br />“É um lugar acolhedor, onde você não só recebe conteúdo, mas compartilha conhecimentos e troca experiências com pessoas que estão na faculdade, o que é muito positivo para estarmos preparados”, diz Vinicius dos Santos Borges, que foi aluno do Alternativa, passou no Enem e hoje cursa Engenharia Florestal na UFSM – seu sonho.</p><p> </p><p>Fui professora de redação do Vinicius na segunda passagem dele pelo cursinho, em 2019. Na turma, o olhar crítico e as experiências de vida, que muitos compartilhavam, davam rumo aos debates sobre temas atuais –como trabalho informal, situação indígena e saúde mental – que depois virariam redações. As correções, ao longo do ano, diminuíam. As notas aumentavam. E era visível o orgulho deles com a própria evolução.</p><p> </p><p>O projeto, pautado pela educação popular, também oferece atividades extracurriculares e formações pedagógicas para educandos e educadores. A equipe de biologia, por exemplo, fazia o Sábado da Biologia, com aulas práticas nos laboratórios da UFSM. Em 2020, com aulas a distância devido à pandemia do coronavírus, encontros online abordaram educação sexual e desastres ambientais.</p><p> </p><p>Atualmente, 120 novos alunos ingressam por ano, selecionados de acordo com critérios socioeconômicos. Cerca de 50 chegam até o final. Muitos acabam desistindo porque precisam procurar emprego, ajudar financeiramente em casa ou não têm dinheiro para a passagem de ônibus. “Nossa principal dificuldade continua sendo a evasão ao longo do período letivo”, diz Júlia Bolzan Cardoso, uma das coordenadoras do pré-universitário.</p><p> </p><p>Para Vinicius, o cursinho representa exatamente o que está em seu nome: a alternativa para os santa-marienses que não têm condições de pagar um cursinho particular. “Cada um que faz parte do projeto faz por que ama, pois são todos voluntários. Muitos ex-alunos que foram beneficiados voltam como professores para fazer a sua parte em retribuição e gratidão”, diz o ex-aluno.</p><p> </p><p>Depois do Enem 2019, recebi mensagens de alguns alunos felizes com o desempenho na prova e na redação. Não havíamos debatido em aula sobre o tema daquele ano, o acesso ao cinema, mas eles sabiam o que fazer. E essa é a essência da educação popular: acolher, preparar e abrir caminhos. Vida longa ao Alternativa!</p><strong><em>Expediente:</em></strong><em><strong>Reportagem: </strong>Andressa Motter (jornalista formada pela UFSM que foi professora de redação no Alternativa em 2018);</em><em><strong>Ilustração e diagramação:</strong> Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial..</em><em>Conteúdo produzido para a 12ª edição da Revista Arco (Dezembro 2021)</em>]]></content:encoded>
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