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			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>Aulas de matemática no YouTube proporcionam o ensino-aprendizagem para crianças e adolescentes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/aulas-matematica-youtube</link>
				<pubDate>Fri, 24 Sep 2021 13:59:45 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
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						<description><![CDATA[Estudantes de Engenharia Elétrica da UFSM desenvolvem projeto de extensão pela internet ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/09/Apoio_pedagogico_1458_x_951-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Quem não sabe que o descontentamento em torno da aprendizagem em Matemática é, muitas vezes, colocado como uma constante entre os estudantes dos ensinos fundamental e médio? Também retratada comumente em séries e filmes adolescentes, a dificuldade de alguns alunos em relação à disciplina não existe apenas no senso comum: é também uma situação identificada por órgãos competentes e responsáveis por avaliações nacionais e internacionais - como o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). Ainda assim, a aprendizagem em Matemática é uma ferramenta essencial para a vida cotidiana e também para a aplicação prática nas mais diversas áreas do conhecimento. </p><p>Reconhecendo esse contexto, César Teixeira Pacheco e Gustavo Lenhardt, ambos acadêmicos do curso de Engenharia Elétrica do campus de Cachoeira do Sul da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), idealizaram um projeto de extensão que busca auxiliar os estudantes a aprenderem e explorarem conteúdos de Matemática. A inspiração para os universitários criarem o <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=63350">projeto</a> foi o trabalho que a professora Ana Luisa Soubhia, também do campus de Cachoeira do Sul da UFSM, desenvolveu, em 2019, com alunos das 3ª, 4ª e 5ª séries da Escola Estadual de Ensino Fundamental Rio Jacuí. A docente comparecia na instituição todas as quartas-feiras, no período da manhã, para tirar dúvidas dos alunos do 3º ano e, no período da tarde, para atender aos alunos do 4º e 5º ano - turnos opostos aos quais eles tinham aula. “Basicamente, as maiores dificuldades eram as quatro operações: multiplicação, divisão, adição e subtração”, relata Ana.</p><p>No começo de 2020, César procurou a professora Ana, depois de ter visto um edital no Observatório de Direitos Humanos (ODH) da UFSM. Além de prestar apoio pedagógico, a ideia do acadêmico era oferecer aulas que fossem voltadas para preparar os alunos para a Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP). A proposta foi aprovada no edital e, assim, César e Gustavo iniciaram as pesquisas referentes aos conteúdos presentes na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A BNCC é um documento normativo para instituições de ensino públicas e privadas, além de referência obrigatória para elaboração dos currículos escolares e propostas pedagógicas para a educação infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio no Brasil. Seu principal objetivo é organizar o que todo estudante da Educação Básica deve saber.</p><p>Ademais, os participantes do projeto pesquisaram os conteúdos programáticos que mais incidem na Olimpíada Brasileira de Matemática, como aritmética e geometria. “A gente também fez aulas voltadas para o pessoal do Ensino Médio. Então a gente tenta explicar de uma maneira fácil, procura passar alguns exemplos bem simples e, com o tempo, vai aumentando o nível de dificuldade”, explica Gustavo. Assim, as aulas que seriam lecionadas foram programadas e preparadas. A previsão era que todas essas atividades fossem realizadas presencialmente, porém, com o avanço da pandemia e sem ter perspectiva de retomar as atividades presenciais, os bolsistas e a orientadora expandiram as atividades para a internet. Como muitas pessoas estão trabalhando de casa, por que não fazer um projeto de forma remota? Foi a partir desse questionamento que os alunos se reinventaram. Assim, todas as aulas planejadas anteriormente foram alteradas para formato de videoaulas e o <a href="https://bit.ly/CanalApoioPedagogicoEAulasExtracurriculares">canal no YouTube Apoio Pedagógico E Aulas Extracurriculares</a> foi criado para a divulgação dos conteúdos. </p>		
												<img width="516" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/09/box_obmep_fonte_35_pts-516x1024.png" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>Canal no YouTube</h3>		
		<p>O conteúdo é planejado, gravado, editado e publicado pelos estudantes. Eles produzem vídeos interativos, com 10 a 20 minutos de duração e os disponibilizam semanalmente na plataforma. Um dos diferenciais é a presença dos professores no vídeo, o que nos remete à sala de aula. "As aulas pensadas para o presencial são mais longas, mas encontramos a necessidade de fazer vídeos mais curtos, porque a aceitação seria melhor", explica César.</p>		
									<figure>
										<img width="657" height="361" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/09/Foto_aula.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Primeiro vídeo no YouTube: apresentação do projeto. </figcaption>
										</figure>
		<p><b>Vantagens </b></p><p>Pelo celular, tablet ou computador, as aulas podem ser acessadas de qualquer lugar do mundo, basta ter acesso à internet. Como as aulas ficam gravadas, os alunos podem acessar quando quiserem. “Antes a gente ficava restrito a uma sala de 15, 20 alunos. Hoje, nós temos nossos vídeos no YouTube, que podem ser acessados por quem quiser, em tempo indeterminado”, ressalta Gustavo.</p><p><b>Desvantagens</b></p><p>Por meio de uma interface, muitas vezes os docentes se sentem de mãos atadas quanto à aprendizagem dos alunos, principalmente devido à dificuldade de interação direta com eles. Assistir às videoaulas exige mais autodisciplina, foco e dedicação dos estudantes. Além disso, há mais possibilidades de distração e maior  dependência do fator “<a href="https://escoladainteligencia.com.br/cuidados-na-internet/" target="_blank" rel="noopener">internet</a>”. "A gente não consegue sentir o que os alunos estão entendendo e o que eles não estão entendendo, muitos deixam um comentário ali, mas o próprio aluno, a visão, a expressão, não conseguimos ter isso no online", expressa César. Para lidar com essas dificuldades, eles dão atenção e respondem a cada comentário, de forma individual. </p>		
			<h3>O que esperar do futuro</h3>		
		<p>Segundo os participantes, a perspectiva é de 30 vídeos, os quais irão abordar conteúdos que caíram em provas anteriores da Olimpíada. </p><p> Até o início de setembro de 2021, o canal havia disponibilizado 20 vídeos. Ao refletir sobre o processo de transição do projeto durante a pandemia - do presencial para o digital -, a professora Ana reconhece a possibilidade de associar as duas formas: “Eu sinto que vai ficar muita coisa online, mesmo dentro da universidade. Não vai ter como não pensar neste canal, minha ideia é deixá-lo no ar e continuar com os dois. A gente não vai mais conseguir desvencilhar a nossa vida do online”. </p><p><em><strong>Expediente</strong></em></p><p><i><strong>Repórter:</strong> Ana Luiza Deicke</i><i>, acadêmica de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) e estagiária<br /></i></p><p><i><strong>Ilustrador:</strong> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário</i></p><p><strong><i>Mídia Social:</i> </strong><i>S<em>amara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, estagiária de Jornalismo e bolsista; e Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária</em></i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Ciência inspiradora</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/ciencia-inspiradora</link>
				<pubDate>Thu, 22 Oct 2020 20:09:35 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[cientistas]]></category>
		<category><![CDATA[CTISM]]></category>
		<category><![CDATA[ensino remoto]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[popularização da ciência]]></category>

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						<description><![CDATA[Estudantes do CTISM resgatam contribuições e imagens de cientistas ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <h2><b>Estudantes do CTISM resgatam contribuições e imagens de cientistas </b></h2>		
										<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/cientistas_CTISM-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />											
		<p>A ciência, por meio de suas descobertas, é responsável por invenções que aumentaram a qualidade de vida da espécie humana. Mesmo pautada em metodologias, ela é desacreditada pelo movimento negacionista, que se apoia em convicções infundadas. Com o objetivo de estimular a reflexão sobre a importância da ciência, a professora Josiane Menezes, que leciona Biologia no Colégio Técnico Industrial de Santa Maria (CTISM), desafiou seus alunos com uma atividade diferente. Os estudantes dos primeiros e segundos anos dos cursos técnicos integrados tiveram de elaborar um infográfico sobre uma personalidade da ciência que os inspirasse. </p><p>De início, alguns alunos estranharam a ideia de resgatar a história, os desafios e o legado de cientistas em um infográfico, formato de mídia que combina imagens e textos. Além disso, tinham que posar para uma foto que representasse o cientista escolhido. “Foi tirando a foto que comecei a me sentir interessado pelo trabalho”, conta Bruno Barchet, aluno do primeiro ano de Informática para Internet. Já o estudante Victor Machado, do curso de Eletrotécnica, conta que sua família o ajudou na recriação da fotografia. “Acabou sendo um momento muito legal. Nos divertimos e aprendemos juntos”, recorda.</p><h3><b>Novas perspectivas para pensar o cotidiano</b></h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 7pt">O infográfico proposto pela professora Josiane trouxe personalidades não tão conhecidas. “Vários trabalhos de outros colegas me apresentaram diferentes cientistas que eu nunca tinha ouvido falar sobre”, conta a estudante Júlia Firmiano. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 7pt">Luiza Iensen conhecia Hedy Lamarr apenas por sua carreira como atriz. “Não fazia ideia que foi ela quem inventou a base do Wi-fi”, afirma. A estudante reflete sobre o fato de que, apesar de estarmos familiarizados com a tecnologia, não pensamos com ela surgiu. Gabriela Bisso compartilha do mesmo ponto de vista: “Não sabemos quem fez muitas das realizações científicas com as quais convivemos. É muito legal saber quem inventou aquilo e pensar no contexto no qual foi inventado”.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 7pt">Apesar de desafiadora, a tarefa foi bastante divertida para os alunos e fez com que eles se envolvessem. “Com o trabalho, fui mais a fundo na história da cientista e pude conhecer um pouco mais sobre ela. Algo que, sem a atividade, não teria tanto interesse”, afirma Thiaine Padilha. </p><h3><b>Mulheres que mudaram o mundo</b></h3><p>A professora Josiane conta que a avaliação foi inspirada no livro “As cientistas – 50 mulheres que mudaram o mundo”, que ganhou de sua filha e aluna, a estudante de Informática para Internet, Gabrielli Menezes Pedron. A obra, ilustrada pela própria autora, Rachel Ignotofsky, conta os desafios enfrentados por mulheres que marcaram a ciência ao longo da história. </p><p>O formato lúdico tornou a tarefa mais interessante de ser realizada. Colocar as fotos dos alunos ao lado das de personalidades transmitiu a mensagem de que qualquer um pode se tornar um cientista. A experiência foi bastante enriquecedora para Luiza Iensen, que se sentiu muito inspirada por Rita Lobato Velho Lopes, referência na medicina, área que a pretende seguir.  </p><p>Nascida no Rio Grande do Sul, Rita Lobato estudou medicina na Universidade Federal da Bahia. Ela foi a primeira mulher a ser formar em medicina no Brasil e a segunda na América Latina - a universidade inclusive teve que criar um banheiro feminino. Após se formar em metade do tempo previsto do curso, Rita revolucionou a forma de se realizar cesarianas, salvando até hoje inúmeras vidas. “Sua história de vida e seus feitos me inspiram muito. Me fazem ter ainda mais certeza sobre meu futuro e o que desejo fazer pelo mundo. A descoberta dessa personalidade, graças ao trabalho da professora Josiane, vai ser algo que nunca vou esquecer!”</p><h3>Tarefa despertou interesse pela contribuição científica</h3>		
							<figure>
											<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/Neil_DeGrasse_Tyson.jpg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Neil_DeGrasse_Tyson" data-elementor-lightbox-description="Foto de cientista e estudante na mesma pose">
							<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/Neil_DeGrasse_Tyson-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />								</a>
											<figcaption>O astrofísico Neil DeGrasse Tyson e o estudante Ricardo Viçosa</figcaption>
										</figure>
		<p>A avaliação de Biologia despertou o interesse de alunos de fora do CTISM. “Quando contei para os meus amigos que estudam em outras escolas, todos ficaram interessados e quiseram ver como ficou o meu trabalho, também ficaram curiosos sobre qual era o cientista escolhido e quais foram as contribuições dele”, relata Daniel Ros. Após a publicação no Facebook e no Instagram, os infográficos somaram mais de 3 mil visualizações. </p><p>O estudante Ricardo Viçosa completa: “Essa atividade só incentivou o interesse que tenho pela ciência, porque mostra como a gente pode aprender e se divertir ao mesmo tempo. Mesmo a questão da foto sendo um pouco diferente para mim, foi muito divertido, ainda mais compartilhar e ver o trabalho dos colegas”.</p><p>A professora Josiane lembra que discutir ciência sempre foi importante e, com a pandemia do novo coronavírus, tornou-se uma questão de sobrevivência. No entanto, ela reconhece que essa tarefa é bastante árdua e complexa, pois a ciência não detém grande prestígio junto à população. Em pesquisa realizada no ano passado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, os cientistas não apareceram entre as fontes mais confiáveis de informação - lembrados por apenas 12% dos entrevistados, atrás de líderes religiosos, com 15%, médicos e jornalistas com 26% ambos. </p><p>Os estudantes têm uma visão bastante semelhante à da professora. Eles acreditam que, apesar de a ciência proporcionar progressos nos mais diversos âmbitos e nos tornar capazes de entender e interagir com o mundo, a figura do cientista é pouco valorizada no Brasil. Gabrielli Pedron argumenta que o descrédito se deve ao descaso do governo com a educação. Já Daniel Ros acredita que a pandemia trouxe mais visibilidade e valorização ao trabalho do cientista.</p><p>Os alunos do CTISM, como Luiza Iensen, ressaltam que a disseminação de <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/isso-e-fake-news/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">notícias falsas</a> é outro fator que aumenta a importância de se falar sobre ciência. A professora lembra do movimento antivacina e o negacionismo sobre mudanças climáticas. Mas o exemplo em maior evidência é o negacionismo em relação ao coronavírus. O vírus, que já vitimou mais de 1 milhão de pessoas no mundo, ainda é subestimado por figuras políticas, em especial nos Estados Unidos e Brasil - que, não por coincidência, são os dois países com o maior número de vítimas fatais, representando juntos um terço do número total de  mortos. </p><h3><strong>Destaques nacionais na ciência</strong></h3><p>Apesar da dificuldade, a ciência brasileira rendeu e rende frutos. Ao falarem sobre cientistas que admiram e que até os inspiram, os alunos do CTISM citaram tanto figuras históricas como atuais. Oswaldo Cruz, foi um dos responsáveis pelo fim da febre amarela, da varíola e da peste bubônica no Brasil. Nise da Silveira se tornou referência na psicologia por sua luta antimanicomial e pela reinserção de pessoas deficientes mentais na sociedade. Ester Sabino e Jaqueline Goes de Jesus, foram responsáveis por decodificar o RNA do coronavírus menos de 48 horas após o primeiro caso no Brasil. Suzana Herculano-Houzel descobriu um método para contar o número de neurônios em humanos. Também foram lembrados os médicos cearenses responsáveis por desenvolver tratamento para queimaduras graves com pele de Tilápia, considerado revolucionário por acelerar o processo de cicatrização e diminuir a dor do paciente.</p><p>Victor Machado considera inspiradores os jovens cientistas que conseguem transpor as dificuldades para realizar seus objetivos. Seu grande exemplo é a sua mãe, que voltou a estudar, ingressou na UFSM e foi selecionada para uma bolsa de iniciação científica. A universitária já conseguiu publicar um capítulo em um livro. </p><p>A tarefa estimulou ainda a reflexão sobre as desigualdades sociais. Como a professora Josiane lembra: “todos os cientistas têm a mesma sede de conhecimento, mas nem todos têm as mesmas oportunidades de explorar as respostas”. Por questões como gênero, raça e orientação sexual, muitos cientistas sofreram discriminação, que trouxeram muitas dificuldades e, infelizmente, isso não ficou completamente no passado. Mesmo assim, algumas pessoas superaram essas barreiras para colocar seu nome na história da humanidade e servir de exemplo para as futuras gerações.  </p><h3><strong>Brilhantismo contra o preconceito</strong></h3>		
							<figure>
											<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/Annie_Easley.jpg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Annie_Easley" data-elementor-lightbox-description="Foto de cientista e de estudantes com a mesma pose">
							<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/Annie_Easley-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />								</a>
											<figcaption>A matemática Annie Easley e a estudante Andressa Schons</figcaption>
										</figure>
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 7pt">Na década de 1960, nos Estados Unidos, homens e mulheres lutavam para conquistar o espaço: os homens, o espaço sideral; e as mulheres - em especial as negras - seu espaço no mercado de trabalho. Katherine Johnson e Annie Easley são exemplos dessa luta e deram contribuições importantes à engenharia espacial. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 7pt">Katherine Johnson trabalhou para a NASA como “computador humano”. A partir dos seus cálculos, foi possível que se orbitasse a Terra pela primeira vez no ano de 1962 e o homem fosse a lua em 1969. A estudante Gabriela Bisso conheceu sua história através do filme <a style="text-decoration: none" href="https://www.youtube.com/watch?v=wx3PVtrU-Os">Estrelas Além do Tempo</a> e achou muito interessante como, apesar das oportunidades limitadas pelo machismo, o racismo e a segregação racial, Katherine conseguiu se tornar uma grande cientista. “Eu escolhi falar de uma cientista negra justamente pelo fato de que ela pode servir de inspiração para muitos outros jovens negros, que, infelizmente, sofrem diariamente com o racismo”, afirma.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 7pt">A matemática e cientista da computação da NASA, Annie Easley foi uma das responsáveis pelo primeiro lançamento bem sucedido de um foguete, em 1963. A partir da década de 1970, ela participou de projetos sobre energias renováveis, implementando programas que auxiliaram na produção de energia solar e eólica. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 7pt">Apesar de suas contribuições para a ciência espacial, Easley foi cortada de praticamente todas as fotos dos projetos que participou por ser negra. A estudante de Informática para Internet, Andressa Schons desde o início queria dar visibilidade a uma mulher cientista pois é notável que ao longo da história elas não recebem os créditos por seus feitos. Além de encontrar um perfeito exemplo da invisibilidade das mulheres cientistas em Annie Easley, Andressa encontrou um exemplo, já que pensa em atuar na área da ciência da computação. “A história dela me inspirou ainda mais a seguir na carreira e usar os conhecimentos adquiridos no curso para, como ela, estudar maneiras de melhorar as tecnologias atuais tentando diminuir a emissão de gases poluentes”, afirma.</p><h3><b>Uma mãozinha hollywoodiana</b></h3>		
							<figure>
										<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/Hedy_Lamarr-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>A inventora Hedy Lamarr e a aluna Gabrielli Menezes</figcaption>
										</figure>
		<p>Na época da Segunda Guerra Mundial, uma estrela de Hollywood deixou sua marca na ciência: Hedy Lamarr usou seu tempo livre fora dos sets para revolucionar a telecomunicação. Lamarr, junto com o músico George Antheil, criou um sistema de comunicação extremamente seguro, incapaz de ser detectado pelos radares nazistas. A invenção não foi aceita pela marinha norte-americana na época, mas posteriormente a tecnologia possibilitou o surgimento de celulares, do Wi-fi, bluetooth e GPS.</p><h3><b>Precursora em uma área ainda masculina</b></h3><p>A matemática inglesa Ada Lovelace é considerada a primeira programadora da história, graças ao algoritmo que escreveu em 1843. Ada é um exemplo por ser pioneira em uma área que era - e ainda é - em sua maioria masculina. Thaiaine Padilha, estudante de Informática para Internet, diz: “Uma mulher na computação no século XIX é algo para se admirar muito e que pode inspirar mais mulheres a seguirem na área” e conta que se sentiu muito parecida com Ada durante o desenvolvimento da fotografia por ela ser uma referência na sua área de estudo.</p><h3><strong>Gênio da matemática sem ensino formal</strong></h3><p>Outro destaque da matemática é o indiano Srinivasa Ramanujan. Após enfrentar a extrema pobreza durante toda a sua vida e mesmo sem um ensino acadêmico formal, Ramanujan trouxe contribuições que abriram áreas completamente novas para a matemática e inspiraram vastos campos de pesquisa - como a análise matemática, teoria dos números, séries infinitas, frações continuadas e outras, onde ele resolveu problemas que eram considerados insolúveis. Seu esforço e talento o fizeram ser considerado o maior matemático indiano de todos os tempos e até ser equiparado a grandes nomes da história da matemática.</p><h3><strong>Persistência como maior legado</strong></h3><p>Outra cientista premiada com o Nobel de Medicina foi Gertrude Elion. Por ser mulher, a bioquímica estadunidense enfrentou dificuldades para conseguir um emprego e nunca conseguiu realizar um doutorado. Mesmo assim desenvolveu diversos medicamentos, entre eles, para tratamentos de leucemia, de malária, e para combater a rejeição de órgãos transplantados. Gertrude é uma figura inspiradora para a estudante Júlia Firmino porque ela se recusou a desistir: “Mesmo com todas as dificuldades que a época apresentava para uma mulher na ciência, ela prosseguiu e conseguiu realizar grandes coisas”, afirma.</p><h3><strong>Pai das invenções</strong></h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 7pt">A persistência foi a característica de Thomas Edison que mais chamou a atenção do estudante do curso de Eletrotécnica, Daniel Ros. Segundo ele, assim que a proposta da atividade foi apresentada, Edison foi o primeiro nome a vir em sua cabeça - devido às contribuições do cientista para a sua área de estudo. Thomas Edison é um dos grandes responsáveis pela revolução tecnológica do século XX. Ao longo de sua vida, registrou 2332 patentes de inventos, entre elas a lâmpada elétrica, a câmera cinematográfica e o fonógrafo – o primeiro aparelho a gravar e reproduzir sons -, além de ter aperfeiçoado outras criações como o telefone e a máquina de escrever. O estudante lembra de uma frase de Edison que ilustra bem a sua dedicação: “Nunca fiz nada dar certo por acidente; nenhuma das minhas invenções surgiu por acidente; elas vieram do meu trabalho.”</p><h3><b>Um empurrãozinho do destino</b></h3><p> <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/ciencia-inspiradora#more-6277" class="more-link">(more...)</a></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Teletrabalho e ensino à distância na pandemia: quais são as consequências?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/teletrabalho-ead-pandemia</link>
				<pubDate>Thu, 01 Oct 2020 13:51:47 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
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		<category><![CDATA[trabalho remoto]]></category>

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						<description><![CDATA[Como o isolamento e a acelerada adaptação a essas modalidades podem afetar a saúde mental

]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>A existência da internet tal qual conhecemos é um resultado da criação da World Wide Web, por Tim Berners-Lee, no início dos anos 90. O sistema proposto por Berners-Lee é baseado em uma organização de documentos na rede a partir de hipertextos, cuja conexão se dá a partir de hiperlinks. O famoso WWW representa a popularização da internet – antes usada apenas para fins militares e acadêmicos. Desde então, passamos a viver em uma era conectada. No decorrer dos anos, a importância da internet no contexto social apenas cresceu, ao ressignificar os mais diversos aspectos de nossas vidas: a informação, a comunicação, o consumo, os comportamentos, o transporte, a educação e o trabalho.</p>
<p>Em 2020, a pandemia do novo coronavírus também provocou mudanças nas nossas vida e,  consequentemente, na relação que temos com a rede. No âmbito profissional, ela aproximou ainda mais o trabalho e a internet – de maneira que, ao seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), muitas empresas encontraram no trabalho remoto a forma de evitar aglomerações e preservar a saúde de colaboradores e clientes. As escolas e as universidades seguiram o mesmo caminho ao explorar a educação à distância como alternativa para a longevidade do distanciamento.</p>
<p>Assim, para muitos de nós, foi exigida uma acelerada mudança: aquela tendência que já observávamos no mercado há algum tempo, agora faz parte de nossas rotinas. Nos vimos rodeados por e-mails, mensagens no Whatsapp, reuniões e aulas em forma de videoconferências. Mas afinal, quais são as principais diferenças entre as atividades online e as presenciais? E como tudo isso nos afeta psicologicamente?</p>		
											<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/distracoes_tecnologia_renata_costa.gif" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="distracoes_tecnologia_renata_costa" data-elementor-lightbox-description="Animação de pessoa que trabalha ao notebook, em sua casa, enquanto é interrompida com os alertas de mensagens no celular. ">
							<img width="1023" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/distracoes_tecnologia_renata_costa-1023x668.gif" alt="" loading="lazy" />								</a>
		<h3><b>O teletrabalho </b></h3><p>O termo<a href="http://www.sobratt.org.br/"> teletrabalho</a> – também conhecido como Home Office – refere-se a qualquer atividade laboral realizada remotamente. A origem mundial é imprecisa, mas é citada ainda no século 19, com o uso telégrafo.  A aplicação a partir da internet começou a se desenvolver no Brasil após os anos 2000, porém foi incluído pela primeira vez em uma pesquisa nacional pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2012. Desde então, os estudos representam um aumento - entre alguns anos, flutuante - das suas taxas ao longo dos anos. Entre elas, foi reportada uma alta de 44% na vigência entre 2012 e 2018.</p>
<p>Contudo, só no ano de 2017 o teletrabalho foi regulamentado no país, a partir da <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm">Lei nº 13467/2017</a>. Entre as observações está que os processos, em suas especificidades, deveriam ser acordados entre o chefe e o trabalhador, de maneira que este tenha recursos para efetuar as atividades remotas e, caso não os tenha, o empregador os forneça. O acompanhamento também vale a mesma regra de negociação. Essa regulamentação foi um marco para a metodologia, que estava mais presente entre as empresas. Ela era observada pelo mercado como uma maneira de aumentar a flexibilidade da jornada de trabalho, diminuir a mobilidade urbana e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Durante a pandemia da COVID-19, segundo<a href="https://covid19.ibge.gov.br/pnad-covid/"> dados</a> do IBGE (entre 16/08 e 22/08), 8.3 milhões de brasileiros trabalharam remotamente.</p><h3><b>O ensino à distância</b></h3><p>O estudo à distância surgiu no país também a partir do início do século 20, com cursos de qualificação profissional. O termo se refere a quaisquer mediações didático-pedagógicas que, por meio de tecnologias de comunicação e informação, apliquem-se com diferença de espaço ou tempo no contato entre professores e alunos. Antes mesmo das redes digitais, os cursos eram desenvolvidos ao longo do século passado por meio de correspondência, rádio e televisão. O EAD era uma ferramenta para ampliar o acesso à educação, ao letramento e à inclusão social de adultos. Então, com o passar o tempo, começaram a serem oferecidos cursos para o nível de ensino fundamental, e na década de 1970, cursos superiores.  Nos anos 1990, o advento da internet comercial provocou um crescimento de universidades que ofereciam esse método de ensino, o que foi reforçado em 1996, com a criação da Secretaria de Educação à Distância (<a href="http://portal.mec.gov.br/e-mec-sp-257584288/193-secretarias-112877938/seed-educacao-a-distancia-96734370">SEED</a>), do MEC. Nesse ano, também se estabeleceram<a href="http://portal.mec.gov.br/e-mec-sp-257584288/193-secretarias-112877938/seed-educacao-a-distancia-96734370/12778-legislacao-de-educacao-a-distancia"> legislações</a> que identificaram essas práticas, e garantiram, por exemplo, a validade de diplomas.</p>
<p>Hoje, entende-se que podem existir diferentes classificações para esses cursos: os que são predominantemente à distância, com encontros mensais ou semestrais na sede da organização; os semi-presenciais (ou híbridos), com uma quantidade maior de encontros, por exemplo, semanalmente; e os cursos presenciais com apenas contribuições à distância. Quanto à sua popularidade, é estimado que o número de alunos do ensino superior na modalidade EAD será maior do que na presencial em 2022. Esses dados são de um estudo da Associação Brasileira Mantenedora de Ensino Superior (<a href="https://abmes.org.br/abmes-pesquisas">ABMES</a>), em parceria com a empresa<a href="https://educa-insights.com.br/category/projecoes/"> Educa Insights</a>. A projeção inicial era de 2023, porém o processo foi acelerado pela pandemia do novo coronavírus – com as quedas nos índices de emprego e renda da população, as orientações da OMS para o distanciamento social e o aumento de ofertas de cursos dessa modalidade.</p>
<p>A verdade é que antes mesmo da covid-19 o EAD já era uma tendência crescente: o ensino à distância atingia mais de 2 milhões de matrículas em 2018, o que representava uma participação de 24,3% do total de matrículas de graduação, segundo o<a href="http://download.inep.gov.br/educacao_superior/censo_superior/documentos/2019/censo_da_educacao_superior_2018-notas_estatisticas.pdf"> último</a> Censo da Educação Superior, do MEC. O porquê do seu destaque tem relação com suas mensalidades serem mais acessíveis e, assim como uma das vantagens do Home Office, por dispensar a locomoção – e o seu tempo – até o local de ofício.</p><h3><b>Experiência no campus Frederico Westphalen</b></h3><p>No campus da UFSM em Frederico Westphalen, as aulas online já eram exploradas. Desde 2017, o projeto “Produção de Videoaulas e o <i>Streaming</i> de vídeo no EaD” é desenvolvido com o objetivo de estudar metodologias para a modalidade e de entender mais acerca da tecnologia <i>streaming</i> de vídeo e da sua integração em Ambientes Virtuais. As videoaulas produzidas foram aplicadas nos cursos de Bacharelado em Sistemas de Informação e Licenciatura em Computação, e tinham como finalidade servir como um material de apoio para as aulas presenciais.</p>
<p>Segundo a coordenadora do projeto, doutora em Sistemas de Computação e professora associada da UFSM, Adriana Soares Pereira, outro objetivo era proporcionar maior aproximação entre aluno e professor. A partir das experiência que obteve, ela destaca a importância da criação de um roteiro para as aulas em EAD que leve em consideração as particularidades da disciplina e os seus alunos: “A didática está muito relacionada com o conteúdo, então tivemos que pensar em possíveis dificuldades que o aluno já teve [com a disciplina presencial]. Por exemplo, em uma disciplina mais prática - ensinando a usar um software -, nós tivemos que gravar o professor falando e conectar ao mesmo tempo a imagem no computador, para mostrar passo a passo como usar aquela ferramenta”. A professora lembra que a contribuição do estudante  é necessária – de maneira que, ao dar sua opinião, ele auxilia para uma melhor adaptação por parte dos professores.</p>
<p>Ainda assim, Adriana acredita que no futuro educacional existirá público tanto para a modalidade EAD quanto para a presencial: “Eu vejo que o perfil do aluno está em primeiro lugar: cada um de nós tem um perfil de aprendizado diferente - então se eu aprendo mais com vídeos, outra pessoa aprende mais lendo textos. Então existem alunos que realmente não conseguem estudar e aprender dessa forma”, explica. Ela complementa que existem cursos que necessitam dos encontros presenciais para as aulas práticas.</p>
<p>Por fim, a professora imagina que após esse momento, os alunos irão exigir uma maior diversidade de metodologias oferecidas por seus professores, que terão a necessidade de ir além de apenas as aulas presenciais. Os docentes deverão buscar se capacitar e explorar essas novas tecnologias: “uma das vantagens de fazer uma videoaula é que o aluno pode a assistir várias vezes e se ficar alguma dúvida, voltar e ouvir de novo”, exemplifica.  </p><h3><b>As consequências </b></h3>		
										<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/Estresse-renata-costa-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />											
		<p>O teletrabalho e o ensino à distância são exemplos de uma sociedade que caminha para a convergência digital. As duas modalidades têm características e vantagens semelhantes e, para algumas pessoas, são opções que facilitam a produtividade e se encaixam com o seu estilo de vida. Entretanto, não são todos que se adaptam bem e preferem essas metodologias; e a pandemia do novo coronavírus também tem forçado esse grupo a participar dessa transição, quase que súbita, desde o começo do ano.</p>
<p>São tempos singulares que implicam em uma necessidade de maior empatia por parte de empresas e instituições de ensino. Para os que tiveram que se adaptar repentinamente, não foi fácil - sem falar que não são todos que têm as ferramentas ou o espaço adequado para o desenvolvimento de atividades à distância. Isso, juntamente com o confinamento, pode trazer consequências negativas para a saúde mental de qualquer um - confira a outra <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/distanciamento-fisico-saude-mental/">matéria</a> da Arco sobre os efeitos colaterais do distanciamento físico. Já em abril de 2020 – aproximadamente um mês após a COVID-19 ter sido declarada como uma pandemia pela OMS - a startup de tecnologia<a href="https://behup.io/estudos/"> Behup</a> conduziu uma pesquisa com 1.561 participantes no país, e concluiu que 53,8% dos participantes disseram estar um pouco ou muito mais estressados e 60,3% um pouco ou muito mais ansiosos após as primeiras semanas de quarentena.</p>
<p>Segundo a doutora em psicologia, Adriane Rubio Roso, que também realizou estudos pós-doutorais em Comunicação na UFSM e em Psicologia Social, na Universidade de Harvard, a pandemia pode nos impactar integralmente, apesar de muitas vezes não notarmos: “Algumas pessoas sentem dores de cabeça, dores nas costas, ansiedade, estresse, insônia e podem não correlacionar esses sintomas com o que estamos vivendo. Certamente, eles podem ser decorrentes de problemas que antecedem à pandemia, e, agora, podem estar se exacerbando em decorrência do que ela dispara em nós: medo da própria morte, medo da perda de entes queridos, medo de perder o emprego, medo da solidão, entre outros.”.</p>
<p>Adriane também destaca que os impactos da pandemia não são os mesmos para todos – já que eles dependem das condições sócio-estruturais, econômicas e afetivas de cada um. Ela observa que as pessoas que já tinham o costume de ficar mais em casa e focar em relações sociais no círculo privado aparentam lidar melhor com o isolamento social. Por outro lado, pessoas com vida social mais agitada no espaço público e pessoas que sofrem grande risco de contágio – como profissionais da área de saúde na linha de frente – o estresse proporcionado pelo período é maior. </p>
<p>Quanto às consequências psicológicas da pandemia do novo coronavírus e a sua relação com fatores sociodemográficos, a UFSM se faz presente no âmbito científico:  está em desenvolvimento o<a href="https://www.covidpsiq.org/"> COVIDPsiq</a>, grupo de pesquisa liderado pelo professor e doutor Vitor Calegaro, que tem como objetivo monitorar a evolução de sintomas pós-traumáticos relacionados ao vírus em brasileiros – como depressão e ansiedade. O projeto, que conta com o apoio da Prefeitura de Santa Maria, da Universidade Franciscana e da Lauduz COVID-19 – Saúde Pública Online, entre outras instituições, terá quatro fases. A primeira delas foi <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/820/2020/06/COVIDPsiq_1etapa.pdf">divulgada</a> no início de junho e contou com 3.633 participantes que tinham a partir de 18 anos anos – em grande parte, do Rio Grande do Sul e de Santa Maria. Dentre suas coletas, concluiu-se que a saúde mental de 65% dos participantes piorou pouco ou muito com o distanciamento social, com destaque para o aumento de sintomas pós-traumáticos relacionados com menor escolaridade – e idade inferior -, menor renda – assim com estudantes e desempregados-, histórico de transtornos mentais e uma maior exposição  à mídia.   </p><h3><b>O fenômeno das videoconferências </b></h3>		
										<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/10/videoconferencia-renata-costa-1024x668.png" alt="" loading="lazy" />											
		<p>À medida que empresas e instituições de ensino se viram obrigadas a migrar para o ambiente virtual, uma ferramenta que tem sido muito utilizada como uma forma de reestruturar a convivência são as videoconferências. Esse fenômeno ocupou espaço nas relações tanto no teletrabalho – com reuniões – quanto no ensino à distância – com aulas online. Apesar de ser uma boa alternativa para manter o contato, o uso de aplicativos como Zoom, Skype, Teams, Google Meet e Google Hangouts pode provocar uma exaustão ainda maior do que se os encontros fossem presenciais. No exterior, o cansaço após as videoconferências está sendo chamado de “Zoom Fatigue” – em tradução literal, Fadiga de Zoom.</p>
<p>Baseado nisso, a Harvard Bussiness Review publicou um<a href="https://hbr.org/2020/04/how-to-combat-zoom-fatigue"> artigo</a> para explicar o que acontece nesse processo. O site, com revistas, livros e conteúdos digitais é produto do<a href="https://www.harvardbusiness.org/"> Harvard Business Publishing</a>, que tem como objetivo refletir sobre práticas de gestão de negócios. Segundo o estudo, a fadiga proporcionada pelas videoconferências é consequência de um conjunto de questões. A primeira delas é a facilidade que temos de nos distrair nesses contextos: enquanto estamos em uma chamada de vídeo, temos ao nosso redor diversos estímulos que facilitam a perda de foco – as notificações e o celular na mão nos atraem para a tentação de fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, como por exemplo ouvir a fala dos colegas e também checar as redes sociais.&nbsp; Além disso, temos contato com uma pequena imagem de nós mesmos – o que nos torna extremamente conscientes de cada detalhe e cada movimento que fazemos. Por fim, temos a sensação de que para absorver todas as informações e demonstrar o devido interesse, devemos estar constantemente prestando atenção na tela. Isso não acontece em trocas presenciais, pois eventualmente nos sentimos livres para olhar para a janela, ou ao redor da sala.</p>
<p>No geral, devemos entender que ao participarmos das videoconferências, o nosso cérebro não funciona normalmente. Fora outras questões como confusões por problemas de rede e silêncios desconfortáveis, também perdemos uma parcela de linguagem corporal. O psicólogo e cineasta David Cohen afirma em seu livro “A linguagem do corpo” que ao nos comunicarmos, absorvemos informações sem nem perceber: “Responder instintivamente ou com intuição não é mágica. O que realmente estamos fazendo é reunir, quase instantaneamente, dezenas de pequenas pistas que captamos da linguagem corporal das pessoas”. O contato apenas através das telas nos priva dessa absorção inconsciente das reações e nos obriga a dispor de um esforço a mais na busca por um “retorno externo”. Isso, no caso de muitas pessoas em uma chamada, é cognitivamente cansativo.</p>
<p>A pesquisadora Adriane Roso ressalta que não mudamos nosso caráter e nosso modo de pensar no ambiente on-line, porém destaca a falta de contato físico nas interações. “O contato físico é uma experiência vital, que nos acompanha desde o nascimento. [...] Sob este prisma, a interação online exige dos humanos novas formas de expressão e reconhecimento de afetividade", comenta. Sobre as novas tecnologias, ela afirma que “não sabemos o suficiente sobre os efeitos delas na constituição da subjetividade. Algo está mudando. Algo vai mudar. Essas mudanças deverão ser foco de atenção de diferentes campos do saber de modo a encontrarmos caminhos alternos recorrendo à potencialidade do trabalho interdisciplinar.”</p><h4><b>Dicas: como encontrar o equilíbrio?</b></h4><p>O segundo semestre letivo do ano de 2020 na UFSM se iniciará no dia 19 de outubro sob o Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) - confira o calendário completo <a href="https://www.ufsm.br/calendario/2020-50833/">aqui</a>. Os alunos que decidirem por se matricular e desenvolver suas atividades de graduação ou pós-graduação durante este período terão de se adaptar à vigência do ensino à distância. Ao levar em consideração as particularidades de cada um e a importância de uma manutenção da saúde mental durante todo esse período, é extremamente importante ter uma rotina equilibrada entre o lazer e as obrigações.  </p>
<p>Visto isso, leia abaixo algumas dicas inspiradas no artigo da <a href="https://hbr.org/2020/04/how-to-combat-zoom-fatigue">Harvard Business Review</a> para vivenciar esse período da maneira mais saudável possível: </p><p><b>1) Em uma videoconferência, evite fazer muitas coisas ao mesmo tempo</b></p>
<p><i>Ao tentar fazer muitas coisas, você não vai conseguir se concentrar em nenhuma e pode perder informações importantes</i></p>
<p><b>2) R</b><b style="color: black;font-size: 1rem">espeite seus limites e tenha períodos de descanso entre tarefas e chamadas de vídeo</b></p>
<p><i>Ter de 5 a 15 minutos para poder tomar uma água, levantar da cadeira e se alongar é essencial</i></p>
<p><b>3) Cuide da sua saúde: se alimente bem e pratique exercícios físicos</b></p>
<p><i>Isso vai evitar o cansaço em demasia e o estresse</i></p>
<p><b>4) Tente manter uma rotina</b></p>
<p><i>Busque ter horários usuais para dormir, acordar, trabalho e lazer. Isso vai lhe ajudar a manter uma rotina equilibrada e vai dar uma sensação de maior controle do contexto atual</i></p>
<p><b>5) Não deixe a internet tomar conta do seu cotidiano</b></p>
<p><i>Faça questão de ter momentos longe das telas: leia um livro ou passe um tempo com seu pet ou sua família</i></p><h4><strong>Dicas para professores ou chefes</strong></h4><p><b>1) Analise se a videoconferência é realmente necessária</b></p>
<p><i>Às vezes, ela pode ser substituída por um e-mail ou por uma ligação normal</i></p>
<p><b>2) Deixe disponível a opção de não ligar a câmera eventualmente</b></p>
<p><i>Principalmente em chamadas mais longas, isso pode ajudar a reduzir um pouco o estresse</i></p>
<p></p>
<p>Caso necessário, não hesite em buscar apoio psicológico. A UFSM oferece apoio psicopedagógico e suporte psicológico na modalidade on-line através do Núcleo de Apoio à Aprendizagem da CAED. <a href="https://www.ufsm.br/orgaos-executivos/caed/2020/09/28/apoio-psicopedagogico-e-suporte-psicologico-no-segundo-semestre-de-2020/">Saiba mais</a>.</p><p><b><i>Expediente</i></b></p>
<p><i><b>Reportagem</b>: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p>
<p><i><b>Ilustradora</b>: Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista</i></p>
<p><i><b>Mídia Social</b>: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista</i></p>
<p><i><b>Edição de produção</b>: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p>
<p><i><b>Edição geral</b>: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
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