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			<title>Revista Arco - Feed Customizado RSS</title>
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				<title>Intolerância religiosa em ambiente escolar provoca silenciamento, exclusão e evasão de estudantes</title>
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				<pubDate>Tue, 15 Nov 2022 16:10:51 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Preconceitos são praticados principalmente por meio de microagressões]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  A intolerância religiosa dentro do ambiente escolar começa quando, em salas de aula de escolas públicas, há um crucifixo instalado acima do quadro. “Pela <u><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm">Constituição Federal</a></u>, o Estado tem que ser laico, a laicidade tem que estar em todos os ambientes públicos. Se colocarmos os crucifixos, deveríamos colocar todos os outros símbolos [de religiões]”, afirma Lorena Marquezan, professora do curso de Ciências da Religião da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Além disso, práticas intolerantes também acontecem de maneiras explícitas, quando a fé alheia é questionada e criticada - tanto por parte de colegas quanto de professores -, e de maneiras implícitas, por meio da exclusão dos alunos em grupos, de risos e deboches e do silenciamento. Para Marcelo Pires, professor de história que fez sua dissertação sobre a temática, muitas vezes os estudantes que têm religiões diferentes da cristã se silenciam com medo de represálias, de deboches e de reprovações por parte de professores e colegas.

<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/11/Intolerancia_capajp-1024x667.jpg" alt="Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de uma sala de aula vista dos fundos. No centro ao fundo da imagem, quadro verde escuro com símbolos de várias religiões desenhados com giz branco. Ao lado, um homem alto de pele branca aponta para o quadro. Ele tem cabelos escuros e veste camiseta de manga comprida na cor verde pastel. Acima do quadro, um crucifixo amarelo. A parede é verde marinho. À frente do quadro, quatro alunos sentados junto a mesas brancas. Eles estão de costas e olham para a frente. São dois meninos e duas meninas. A parede do lado esquerdo é amarela mostarda e tem cartazes com a tabela periódica e uma lista. No lado direito, há janelas grandes e verticais. O chão da sala é laranja." loading="lazy">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Victor O’xalá é batuqueiro, quimbandeiro e umbandista, criador e coordenador da Marcha contra a Intolerância Religiosa de Santa Maria. Ele também é diretor do Batuque do Rio Grande do Sul e membro do Conselho Municipal dos Povos de Terreiro. Essa atuação vai ao encontro da luta contra a intolerância religiosa, pois Victor já sofreu várias microagressões por praticar sua fé. Quando vai a escolas para dar palestras sobre religiões de matriz africana e está vestido de branco - cor que marca as vestes típicas da religião umbanda em períodos de resguardo -, Victor já percebeu risos, deboches e olhares desconfiados. Ações como esta em escolas estão previstas na <u><a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm" target="_blank" rel="noopener">lei 10.639</a></u>, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira. “A gente vê que fica desconfortável, fica mais seco o tratamento com o aluno, né? Começa aí a intolerância religiosa dentro do ambiente escolar”, afirma. No culto aos orixás, que faz parte dos cultos de nações africanas, há rituais que tem como uma das obrigações ficar em recesso por um período de 32 dias, o que envolve usar roupas brancas e usar turbantes. Quando estava na escola, Victor passou por esse processo: “Eu sofri preconceito dos meus colegas. Ficavam zoando e começaram a debochar, não encostaram em mim porque poderiam pegar algo negativo, [diziam] que era pra ter cuidado comigo porque eu poderia rogar uma praga, fazer alguma maldade. Em nenhum momento foi transmitido que a minha religião é algo positivo”, conta Victor. O episódio não teve reconhecimento da diretoria e dos professores. “Em nenhum momento eu tive alguém me acolhendo, e isso é muito sério. É algo que vou lembrar pra sempre, essas ações ficam marcadas na nossa mente”, desabafa.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Tanto as microagressões quanto as violências mais explícitas afetam, principalmente, o psicológico dos estudantes. Jonson Borges Porto é evangélico e cursou Ciências da Religião na UFSM. Para ele, o processo da exclusão e do silenciamento que ocorrem na intolerância religiosa é o mesmo do racismo, agressão que ele sofreu também no ambiente escolar. Em atividades em grupo, Jonson era deixado de lado. “Aquela pequena exclusão dos meus colegas me levou a um sentimento ruim. Eu não sabia como falar, não sabia como procurar ajuda”, relembra. Essas microagressões fizeram com que ele não tivesse mais vontade de estudar. “Eu abandonei a escola. Mas essa influência e esse sentimento de desistência com certeza começou quando comecei a ser excluído”, explica Jonson. Para o cientista religioso, esse processo também acontece com a intolerância religiosa.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Durante o estágio final da graduação, Jonson ensinou uma turma de cerca de quinze alunos em que diversidade religiosa se manifestava por meio de cinco religiões. Para o professor, foi desafiador: “Eu tive que deixar a minha formação como pessoa cristã de lado e entrar ali como professor. O Estado é laico e é vetada toda a possibilidade de proselitismo. Na condição de professor, eu tinha que fazer uma mediação entre as religiões e trabalhar a ética, a moral e o respeito entre as religiões”, ilustra Jonson. Além disso, ele ainda pontua que o ensino sobre a tolerância deve ir além da sala de aula e incluir a família do estudante.</p>

<h3>O Estado é laico (ou ao menos deveria ser)</h3>
<p id="docs-internal-guid-ee021e30-7fff-00da-88c0-3222e0f44473" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O Ensino Religioso é inserido na escola como disciplina por meio da <u><a href="http://basenacionalcomum.mec.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">Base Nacional Comum Curricular (BNCC</a></u><a style="text-decoration: none" href="http://basenacionalcomum.mec.gov.br/">)</a>. A oferta é obrigatória nas escolas públicas de Ensino Fundamental, mas a matrícula é optativa, ou seja, os estudantes podem decidir se vão cursar a disciplina. De acordo com <u><a href="https://www.alex.pro.br/BNCC%20Ensino%20Religioso.pdf" target="_blank" rel="noopener">documento</a></u> da BNCC sobre o Ensino Religioso, a intenção deste componente curricular é a promoção do respeito para a diversidade de crenças, a inclusão e a cidadania. O documento afirma que nenhuma crença deve ser privilegiada e, nos conteúdos propostos, estão o ensino sobre diferentes religiões, símbolos, tradições, espaços e territórios, indumentárias, alimentos sagrados, práticas celebrativas e ritos.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">No entanto, de acordo com o professor Marcelo Pires, a BNCC não estabelece, de maneira explícita, os conteúdos propostos para o ensino de diferentes religiões. Ele destaca que, na maioria das escolas, não há professores com formação superior em Ciências da Religião para lecionar esta matéria, o que faz com que professores de outras disciplinas assumam a função. Além de estes não terem preparo para o ensino das ciências da religião, não há oferta de capacitação para formar esses professores. “O professor fica numa situação muito difícil, porque ele não tem conteúdo, tem que buscar e construir ou então se utilizar de materiais de igreja. E eu não digo que sejam ruins, mas professam uma fé, uma visão de mundo e isso é complicado no espaço plural como deve ser o da escola”, reflete Marcelo. Essa lacuna tem como principal consequência a prática do proselitismo religioso por parte dos docentes, o que lembra as práticas de catequização presentes na história de formação do Brasil. “[Acontece] da mesma forma que os jesuítas faziam essa catequização com os indígenas, faziam eles negarem sua cultura e sua fé. É interessante nós pensarmos como, mesmo tantos séculos depois, ainda estamos voltados para uma padronização, em seguir um caminho considerado ideal”, fundamenta Marcelo.</p>
Em sua <a href="https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/699759/2/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Marcelo%20Noriega%20Pires.pdf" target="_blank" rel="noopener"><u>dissertação</u>,</a> Marcelo propõe planos de ensino e temáticas para serem abordados a partir da história das religiões e que contemple o combate à intolerância religiosa. “Eu acredito que a história tem uma potencialidade muito grande de mostrar como as diferentes sociedades se organizaram. E nisso a religião também tem a sua importância social. É para mostrar que existem diferentes religiões, com opiniões, doutrinas e explicações diferentes sobre questões fundamentais”, destaca Marcelo. O docente acredita que a escola deve ser, sobretudo, um espaço democrático, de pluralidade e de convívio, em que as pessoas podem expor opiniões e fés sem sofrer nenhum tipo de preconceito. A proposta de Marcelo é que a educação, no ensino religioso, seja para a tolerância. “A escola deveria ser um grande laboratório de democracia”, afirma o pesquisador.
<h3>A intolerância religiosa</h3>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Um dia, durante o mês de novembro, em que acontecia a Semana da Umbanda, Victor estava no centro de Santa Maria, de branco, com outros integrantes do terreiro, quando foram confrontados por um senhor que cantava e pregava seu louvor junto a um violão. “Fomos pegar algo para comer e ele foi até nós e disse que éramos ‘do demônio’, que iríamos nos arrepender”, conta Victor. Explicar que a religião da umbanda não é o que as pessoas falam não foi suficiente: ele não queria ouvir. Ao contrário da estigmatização social que diz que a religião da umbanda, assim como outras de matriz africana, são demoníacas, perversas e ‘do mal’, Victor salienta que não há tentativa de compreensão de quais são as crenças presentes nas mesmas. Nos rituais sagrados, em que animais são sacrificados, o alimento que é preparado durante as festividades é doado para pessoas e famílias carentes. Além disso, o terreiro em que Victor atua ajuda com doações de roupas e de alimentos de maneira periódica. “Doamos com bom coração pedindo que a espiritualidade encaminhe essa pessoa, que em uma próxima oportunidade [ela] possa se encontrar melhor e ajudar quem precisa. Exu não é o demônio. Exu não vem pra embebedar pessoas. Exu não vem pra fazer as pessoas se prostituírem. Exu vem para abrir caminho, para nos ensinar como lidar com o ser humano”, desabafa Victor.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">De acordo com dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), o primeiro semestre de 2022 registrou 454 denúncias de intolerância religiosa (que também inclui o desrespeito àqueles que não tem uma crença). Os números de 2021 somam 679 denúncias. No entanto, <u><a href="https://projetocolabora.com.br/ods4/casos-de-intolerancia-religiosa-nas-escolas-sao-subnotificados/" target="_blank" rel="noopener">os números são subnotificados</a></u>, já que, em muitos casos, as microagressões não são levadas a sério e passam despercebidas dos dados. <u><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/01/21/denuncias-de-intolerancia-religiosa-aumentaram-56-no-brasil-em-2019" target="_blank" rel="noopener">As religiões mais afetadas pela intolerância religiosa são as de matriz africana</a></u>. “As pessoas julgam sem saber o que é praticado dentro de um terreiro”, afirma Victor. Casos de intolerância religiosa que tiveram repercussão nacional foram o da <u><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/06/16/menina-e-apedrejada-na-saida-de-culto-de-candomble-no-rio.htm" target="_blank" rel="noopener">menina de 11 anos que foi apedrejada na saída de um culto de candomblé</a></u>, em 2015, e, recentemente, o de um <u><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2022/11/08/morre-paciente-que-nao-pode-receber-visita-de-mae-de-santo-em-hospital-do-rio.ghtml" target="_blank" rel="noopener">paciente que morreu após não poder receber visita de mãe de santo no hospital</a></u>. Para Victor, casos como esses e os que ele próprio vivenciou têm origem no racismo: “A minha religião é julgada porque é uma religião de negros. Não existe orixá branco. Esse preconceito já vem lá de trás, em que os meus antepassados tinham que maquiar o culto deles”, destaca.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
Foi com base no combate à intolerância e no entendimento de que as pessoas não entendiam sua religião que Victor criou a <u><a href="https://www.facebook.com/caminhadacontraintoleranciareligiosasm/" target="_blank" rel="noopener">Caminhada Contra a Intolerância Religiosa de Santa Maria</a></u>, cuja segunda edição foi em 2019.&nbsp; O umbandista foi inspirado por seu padrinho religioso, <u><a href="https://www.imdb.com/title/tt6290630/?ref_=nm_knf_i2" target="_blank" rel="noopener">Nei D’Ogum</a></u>, santa-mariense que foi um importante ativista da causa racial, LGBTQIA+ e da comunidade de favela, e que <a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/comportamento/noticia/2017/08/morre-em-santa-maria-o-ativista-religioso-e-social-nei-d-ogum-9878430.html" target="_blank" rel="noopener"><u>faleceu</u> </a>em agosto de 2017. Outra das inspirações foi seu babalorixá, Sidney de Xangô, que é seu pilar de trabalho, educação religiosa e movimentos. “Eu resolvi criar a marcha quando criei o Batuque, porque queria trazer uma movimentação que nunca existiu para dentro de Santa Maria”, relembra Victor. A caminhada complementou ações que já estavam em andamento, como palestras que abordaram a intolerância religiosa. “Fui de casa em casa. Em várias casas religiosas. Fui na igreja, na catedral, em templos budistas, de reiki, largar o convite. Quem queria falar, poderia explicar sua fé”, relata.
<figure>
										<img width="720" height="480" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/11/49682571_2266616783618151_1783335004722429952_n.jpg" alt="Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida em tons frios. No centro esquerdo da imagem, de perfil e em primeiro plano, homem negro com vestes brancas. A parte superior tem detalhes em renda e em pintura e, na cabeça, usa um turbante branco. Ele olha para cima, com o rosto concentrado, e segura um microfone preto próximo à boca. No fundo, no lado direito da imagem, pessoas estão de pé, sendo que três estão em destaque na primeira fileira. São fois homens e uma mulher. Um dos homens e a mulher também usam vestes brancas. No fundo do lado esquerdo, prédio de um andar branco e alongado. Ao fundo da imagem, o céu em azul pastel com a lua no centro." loading="lazy"><figcaption>Victor O’xalá durante a 2ª Caminhada contra a Intolerância Religiosa de Santa Maria, em 2019.</figcaption></figure>
<h3>Fé na política</h3>
<p id="docs-internal-guid-450a48b5-7fff-2b73-ad9f-f3043cc8e3c0" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A fé, que é do ambiente privado, entrou na política, que é do espaço público. No contexto brasileiro atual, a religião é, muitas vezes, utilizada em propagandas políticas e como ferramenta política de convencimento, a exemplo de campanhas eleitorais que exaltam Deus acima de todos. “Eu penso a religião como algo do âmbito privado. Quando falamos em política, em eleições, em escolhas de governantes, vai pro âmbito público. Um governante pode até ter a sua religiosidade, mas ele não vai governar só para o seu grupo”, afirma Marcelo. O pesquisador afirma que a religião no ambiente público desencadeia nas formas como o Estado é gerido, quais pautas e preocupações serão priorizadas. “Na história, todas as vezes que nós misturamos religião e política, fomos para um caminho péssimo, que fortaleceu regimes autoritários, regimes de diferentes formas de opressão. E no Brasil, isso [a mistura de fé e política] está cada vez mais forte”, destaca Marcelo.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Segundo Marcelo, o Brasil é um país formado a partir da intolerância religiosa. “Ela sempre existiu, mas agora está mais explícita, inclusive tomando conta dos debates eleitorais, usada na busca por votos”, fundamenta Marcelo. Conforme o professor, o uso eleitoreiro da fé aumenta a intolerância religiosa, já que fortalece a padronização de discursos, de corpos, de crenças. “Aqueles que não estão inseridos nesse padrão têm problemas, são perseguidos, gera uma situação em que as pessoas sofrem formas de opressão ou se silenciam”, reflete Marcelo.</p>

<h3>Educação para a tolerância</h3>
Na tentativa de combater a intolerância religiosa, Victor oferece palestras para escolas. Nas falas, ele conta sobre a história das religiões de matriz africana, conteúdo que está previsto na lei nº 10.639. De várias escolas de Santa Maria, ele nem recebeu resposta do convite de oferta da palestra. Mas quando o diálogo é possível na sala de aula, os alunos ficam atentos: “Procuram entender, porque a nossa conversa é séria, mas ao mesmo tempo se torna um bate-papo. Eles fazem perguntas de todo tipo, desde as mais supérfluas até as mais sérias”, relata Victor. Nas ocasiões em que fala sobre sua religião em escolas, o umbandista conta nunca ter sido maltratado. “Eu só peço que as pessoas procurem entender mais sobre a minha fé. Não precisa entrar, só precisa respeitar. A minha tradição alimenta, não violenta”, solicita Victor.

<strong><em>Expediente:</em></strong>

<em><strong>Reportagem:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em>

<em><strong>Design gráfico:</strong> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;</em>

<em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista; e Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária;</em>

<em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em>

<em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb, jornalista.</em>]]></content:encoded>
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				<title>Educação ambiental para crianças: ferramenta de transformação</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/educacao-ambiental-para-criancas</link>
				<pubDate>Wed, 25 Aug 2021 13:28:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Educação]]></category>
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						<description><![CDATA[Projeto de extensão EducaFloresta desenvolve ações com crianças sobre preservação e sustentabilidade
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/08/download-4-1024x657.png" alt="" loading="lazy">

Em 2019, <i>Emergência Climática (Climate Emergency) </i>foi eleita a “<a href="https://languages.oup.com/word-of-the-year/" target="_blank" rel="noopener">Palavra do Ano</a>” pelo dicionário Oxford. A expressão significa, segundo o texto britânico, “uma situação em que uma ação imediata é necessária para reduzir ou parar as mudanças climáticas e prevenir danos graves e permanentes ao meio ambiente”. A escolha do termo se divide em dois processos: inicialmente, os lexicógrafos do dicionário observam milhões de palavras em inglês para identificar as mais utilizadas e pesquisadas na internet a cada ano. Os vocábulos selecionados são, então, debatidos por um júri, que analisa o impacto cultural para, finalmente, definir aquele(s) que represente(m) o ano. De acordo com a equipe do Oxford, o uso da palavra escolhida para o ano de 2019 aumentou cerca de cem vezes desde o ano anterior.&nbsp;

Anualmente, a <a href="https://www.footprintnetwork.org/" target="_blank" rel="noopener">Global Footprint Network</a> realiza uma projeção para comparar a capacidade do planeta de gerar recursos ecológicos em doze meses com o consumo que a humanidade faz desses no mesmo período. A data que marca o momento em que os seres humanos utilizam mais recursos naturais do que o planeta é capaz de renovar em um ano é chamada de Dia da Sobrecarga da Terra. Em 2021, esse dia chegou em 29 de julho, o que significa que, nos cinco últimos meses, o planeta estará em déficit ecológico.

A emergência climática perpassa ações e comportamentos individuais e coletivos que potencializam as emissões de poluentes na Terra e a degradação do ecossistema. Os altos números de exploração de recursos naturais - como o aumento do <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/pantanal-em-chamas/" target="_blank" rel="noopener">desmatamento</a> -, a poluição de mares e rios, o baixo índice de reciclagem - que no Brasil é de apenas 2.1%, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) - são algumas das ações que afetam diretamente a preservação ambiental.
<h3>EducaFloresta: preservação e Ensino Fundamental</h3>
Incluir a preservação ambiental no dia a dia das pessoas significa desenvolver iniciativas teóricas e práticas que aproximem as pessoas da natureza. A <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm" target="_blank" rel="noopener">lei Nº 9.795</a>, criada em 1999, prevê que a educação ambiental “é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal”. Porém, mesmo havendo esforços legais para a integração da sociedade com o meio ambiente, ainda se observa um distanciamento entre o discurso e a prática.&nbsp;

Ao analisar as relações entre a natureza e os seres humanos, o jornalista André Trigueiro observou, em seu livro <i>Meio ambiente no século 21</i>, que grande parte da população brasileira não se considera parte integrante do meio ambiente. Diante de tal cenário, o autor destaca a necessidade de desenvolver a consciência de que o meio ambiente e os seres humanos vivem em constante interação, de forma interdependente.

A partir dessa problemática, a professora Damáris Gonçalves Padilha, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), reflete sobre a necessidade de incorporar a sensibilização ambiental e o uso racional dos recursos naturais na vida das pessoas desde cedo. Junto a docentes dos departamentos de Ciências Florestais e de Engenharia Rural da UFSM, Damáris coordena o projeto de extensão EducaFloresta. Com início em 2019, o projeto trabalha a educação ambiental com estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Nóbrega, localizada no bairro Nossa Senhora das Dores, em Santa Maria/RS.

Damáris explica a importância de aprender sobre a problemática ambiental e entender que qualquer consequência para o meio ambiente, positiva ou negativa, é influenciada pelo ser humano: “Se tu não se entende como parte daquele meio, daquela sociedade, tu dificilmente vai prezar para mantê-lo”. Pensando nisso, o EducaFloresta desenvolve atividades e aborda temas relacionados à preservação da biodiversidade com estudantes do Ensino Fundamental. De acordo com Damáris, por não ser comumente abordada na formação escolar, a educação ambiental é uma questão que demora a amadurecer nas pessoas.&nbsp;

Assim, a fim de facilitar a compreensão dos conceitos relacionados ao meio ambiente pelas crianças, os integrantes do projeto priorizam a ludicidade na abordagem dos conteúdos - ensinando a importância e os benefícios das árvores, do solo e da água através de atividades teóricas e práticas. “O projeto preza mostrar para as crianças que nós podemos usar os recursos ambientais de uma forma sustentável e racional, que a legislação nos permite, que têm populações que vivem do uso da floresta”, explica Damáris.&nbsp;

O projeto desenvolve atividades com turmas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, e um dos desafios iniciais foi adaptar os conteúdos para cada faixa etária. Por isso, além do constante estudo sobre a abordagem da questão ambiental com crianças, a participação dos professores da escola Padre Nóbrega foi essencial para a compreensão das diferentes necessidades de cada turma. Damáris ressalta que a educação ambiental é um processo lento e que, principalmente para as crianças, é preciso dar exemplos positivos para que desenvolvam hábitos saudáveis.
<figure>
										<img width="1024" height="657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/08/download-5-1024x657.jpg" alt="" loading="lazy"><figcaption>Alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Nóbrega participando do EducaFloresta durante o período presencial, em 2019 (primeira e segunda fotos), e também no período remoto (da terceira à sexta foto).</figcaption></figure>
<h3>Desafios da educação ambiental na pandemia</h3>
O projeto foi realizado durante um ano de forma presencial. Nesse período, os integrantes do EducaFloresta desenvolveram e distribuíram uma cartilha didática sobre a importância das florestas. Também foram realizadas atividades práticas como observação da vegetação da escola, medição e avaliação de árvores, além de relatórios nos quais os alunos podiam expressar o que pensaram de cada atividade e qual a importância do que aprenderam. No entanto, novos desafios surgiram quando o projeto teve de se adaptar ao ensino remoto, implementado em março de 2020 devido à pandemia do vírus Covid-19.

Para se ajustar ao ensino virtual, o EducaFloresta desenvolveu novos materiais em formato digital e as atividades passaram a ser enviadas via e-mail. A reformulação das propostas teve de ser planejada para possibilitar a realização dos exercícios no ambiente doméstico dos estudantes. Com o auxílio dos pais e/ou responsáveis, os alunos realizaram atividades práticas como a fabricação de papel reciclado. O projeto também passou a compartilhar o seu conteúdo nas redes sociais, transformando a página no <a href="https://www.facebook.com/profile.php?id=100058196245007" target="_blank" rel="noopener">Facebook</a> e o perfil no <a href="https://www.instagram.com/educafloresta/" target="_blank" rel="noopener">Instagram</a> em um caderno didático digital.&nbsp;

Além da reorganização do projeto, também se observou que o alcance dos conteúdos diminuiu no período remoto, já que alguns alunos não possuem acesso à internet. O <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/ufsm-analisa-impactos-socioeconomicos-da-pandemia/" target="_blank" rel="noopener">aumento das desigualdades sociais</a> se intensificou durante a pandemia, período de grande aumento do desemprego e elevação dos preços de produtos de alimentação e outros serviços básicos.&nbsp;

Diante do cenário de retomada gradual de alguns setores da sociedade ao modo presencial, Damáris Padilha explica que a prioridade do projeto é garantir a sua adaptação a qualquer formato de ensino: presencial, híbrido ou remoto; oferecendo aos alunos diferentes possibilidades para aprender sobre o meio ambiente. O EducaFloresta também está expandindo a sua atuação e inicia as suas atividades em mais uma instituição de ensino. A Escola Marista da Nova Santa Marta, localizada no bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria - RS, é a nova parceira do projeto e a faixa etária foi expandida, agora contemplando estudantes dos seis aos 15 anos.

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<section data-id="6c53c41" data-element_type="section"><em><strong>Expediente</strong></em>

<i><strong>Repórter</strong>: Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária
</i>

<i><strong>Ilustrador</strong>: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</i>

<i><strong>Mídia Social</strong>:</i>&nbsp;<i>Samara Wobeto e Eloíze Moraes, acadêmicas de Jornalismo e bolsistas</i>

<i><b>Edição de Produção</b>: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i>

<i><b>Edição Geral</b>: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i>

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				<title>Cantina escolar: um lugar para promover a alimentação saudável</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/cantina-escolar-alimentacao-saudavel</link>
				<pubDate>Mon, 23 Aug 2021 16:21:49 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8634</guid>
						<description><![CDATA[Pesquisadores do Rio Grande do Sul  realizaram projeto que resultou em curso de extensão e livro sobre o tema]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Em tempos anteriores à pandemia, a escola costumava ser o local onde as crianças passavam boa parte de seus dias. Por isso, a preocupação por ter opções de alimentação saudável nas cantinas escolares e os problemas decorrentes de hábitos alimentares pouco saudáveis têm pautado discussões e pesquisas nacionais e internacionais. Em seu estudo mais recente, de outubro de 2017, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que, no Brasil, 9,4% das meninas e 12,4% dos meninos são considerados obesos, de acordo com os critérios adotados para classificar a obesidade infantil. Segundo a organização, uma pessoa é considerada obesa quando o Índice de Massa Corporal (IMC) está acima de 30. O IMC é resultado de um cálculo que considera peso, altura e idade.

Ações por parte do Estado já foram tomadas em relação ao estabelecimento de regras para a alimentação consciente nos colégios. Uma delas é a <a href="http://www.al.rs.gov.br/filerepository/repLegis/arquivos/LEI%2015.216.pdf" target="_blank" rel="noopener">Lei nº 15.216, de 30 de julho de 2018</a>, que dispõe sobre a promoção da alimentação saudável e proíbe a comercialização de produtos que colaborem para obesidade, diabetes e hipertensão em cantinas e similares instaladas em escolas públicas e privadas do Rio Grande do Sul.

<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/08/download-3-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy">

A partir dessa perspectiva, a professora Vanessa Ramos Kirsten, do curso de Nutrição da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), deu início ao projeto “Cantina Saudável: a gente apoia esta ideia”, proposto como uma atividade de extensão no campus da UFSM em Palmeira das Missões. Segundo a docente, “o objetivo inicial era mapear as cantinas do município, ou seja, quais escolas tinham e quais escolas não tinham cantina. E, entre aquelas que tinham, como eram? O que vendiam?”. O início do projeto coincidiu com a época em que a lei estadual que promovia a alimentação saudável foi criada.&nbsp;

Além de ser uma atividade de extensão, o projeto também ficou vinculado a uma disciplina de educação alimentar nutricional, no curso de Nutrição do campus. Após o mapeamento feito nas cantinas das escolas em Palmeira das Missões, o foco passou a ser ajudá-las a oferecer opções mais saudáveis aos alunos.
<h3>Desenvolvimento do projeto</h3>
<p style="margin: 0cm 0cm 8.0pt 0cm">Em 2016, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico (CNPq) lançou um edital de apoio a projetos relacionados à segurança alimentar. A iniciativa buscava fomentar núcleos e grupos de ensino, pesquisa e extensão com expertise em segurança alimentar e nutricional. O objetivo era apoiar a produção, a humanização, a socialização e a popularização de conhecimento e tecnologias relacionadas ao tema no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Além disso, buscava formar e fortalecer uma rede de instituições para o intercâmbio de pesquisadores sobre o tema na América do Sul. Uma das exigências da chamada pública era que o projeto não fosse apenas de pesquisa, mas também de extensão, e que pudesse gerar um curso sobre o tema de pelo menos 160 horas.</p>
<p style="margin: 0cm 0cm 8.0pt 0cm">O projeto “Cantina Saudável” participou da seleção por meio de uma proposta pensada para o território do Noroeste Colonial - uma região do Rio Grande do Sul que abrange 34 municípios. A ideia era realizar um curso para implementar cantinas saudáveis nas escolas das cidades da região. Para tal, a partir do mapeamento realizado previamente, um diagnóstico mais completo seria feito com as escolas que tinham cantina, levando em consideração aspectos dos alimentos e a higiene dos locais. A iniciativa foi selecionada e ficou entre os primeiros lugares na chamada pública do CNPq.</p>
O desenvolvimento do projeto foi interinstitucional, pois teve parceria com outras instituições gaúchas. Uma delas foi a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): "A Mariana Balestrin, uma egressa nossa, fazia doutorado lá, em saúde da criança e do adolescente. Então o doutorado dela também faz parte desse projeto", conta a profesora Vanessa. O curso de Sistemas de Informação, da Universidade de Passo Fundo (UPF), também auxiliou na proposta, através do desenvolvimento de um aplicativo criado para ajudar os pesquisadores na coleta de dados sobre as escolas: "Informações sobre os alimentos comercializados e as condições higiênicas das cantinas foram obtidas", explica a docente. Posteriormente, tal aplicativo foi patenteado e validado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI.

Houve também uma parceria com o professor Oscar Agustín Torres Figueredo, do Departamento de Engenharia Florestal do campus de Frederico Westphalen da UFSM. O edital do CNPq exigia um intercâmbio com algum país latinoamericano que, no caso do projeto da UFSM, foi realizado no Paraguai. “O professor Oscar é paraguaio, então nós fizemos um intercâmbio para conhecer as cantinas do seu país de origem”, destaca Vanessa, ressaltando que as características das cantinas foram semelhantes às analisadas no Rio Grande do Sul. Um dos pontos realçados pelos pesquisadores é de que o país não tem políticas públicas muito fortes para a alimentação escolar.&nbsp;

Após o mapeamento de mais de 300 escolas, feito através de ligações telefônicas, o grupo percebeu que só 8% das escolas tinham cantina. Um número baixo, em virtude de a maioria das cidades da região serem pequenas, de aproximadamente 4 mil habitantes, e com características majoritariamente rurais. O estudo detectou a presença de cantinas em escolas privadas e públicas - porém, em sua maioria, em instituições privadas. “Nós utilizamos como protocolo de coleta dessas informações o <a href="http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/manual_cantinas_escolares_saudaveis.pdf" target="_blank" rel="noopener">manual</a> da cantina saudável, que é do Ministério da Saúde, publicado em 2010”, relata a professora.&nbsp;

Com o apoio da professora Carla Brasil, do Departamento de Alimentos e Nutrição do campus de Palmeira das Missões, o grupo utilizou um <em>checklist</em>, ou seja, uma lista de checagem validada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para avaliar as condições das cantinas. A análise concluiu que havia baixa preocupação com os alimentos que eram oferecidos. As poucas escolas que ofereciam alimentos <em>in natura</em>, como sucos e frutas, eram de escolas privadas, mas essas instituições também ofereciam alimentos ultraprocessados. O mais grave, segundo a professora Vanessa, foram questões de risco sanitário: “A maioria das cantinas não tinham nem água potável para higienizar as mãos”.&nbsp;

Outra etapa do projeto foi a realização de um ensaio clínico. Nele, os responsáveis pelas cantinas que faziam parte do estudo foram separados em dois grupos: um deles faria um curso (que teve de oito a dez semanas de duração) e o outro receberia só o manual. Tal experimento fez parte da pesquisa da doutoranda Mariana Balestrin. Para Vanessa, algo que chamou a atenção nessa fase foi a desconfiança dos proprietários das cantinas: “As pessoas não nos viam como agentes para ajudá-los, as pessoas nos viam como fiscalizadores. Esse é um grande problema que a gente tem nessa área de pesquisa” revela Vanessa.
<h3>Alimentação na prática</h3>
Para muitas famílias, a venda de alimentos na escola é uma facilidade que garante o lanche das crianças de segunda a sexta-feira, pois muitos pais têm uma jornada de trabalho integral, o que dificulta o preparo do lanche para seu filho levar ao colégio. Segundo Geonice Hauschildt, vice-diretora do colégio Antônio Alves Ramos Pallotti, de Santa Maria, na escola, o estímulo a uma alimentação saudável pode ser estabelecido em sala de aula - o que vai desde o professor de ciências até o de educação física. “Já fizemos, por exemplo, espetinho de frutinhas com a educação infantil, mostrando a necessidade que a criança tem de consumir alimentos saudáveis”, conta Geonice.

Na cantina do colégio Pallotti, chefiada por Cristina de Carvalho, não há mais guloseimas à venda. Agora, as balas são <i>diet</i>, sem açúcar. “Nós substituímos os lanches fritos pelos assados, inclusive ofereço sucos sem a adição de açúcar. No começo, com a nova lei, a aceitação foi difícil, mas temos diversas opções para substituir por lanches saudáveis”, comenta. Segundo Cristina, saladas de frutas e sanduíches são opções que possuem boa aceitação entre os alunos da instituição.
<h3>Desenlaces do projeto</h3>
Com a conclusão do projeto, em 2019, e o início da pandemia, a professora Vanessa teve a ideia de criar um curso de extensão, que foi disponibilizado na plataforma Moodle da UFSM para a população em geral. Houve 1,3 mil inscritos, e 315 pessoas terminaram os oito módulos, sendo que, entre os interessados, poucos deles eram proprietários de cantinas: “Eram mais estudantes de nutrição, nutricionistas, professores e funcionários de escolas”, revela a professora.&nbsp;

O curso está sendo transformado em livro, cujo objetivo é oferecer meios para a comunidade escolar promover uma alimentação saudável e adequada. “A gente pensa não só no caminho da cantina, mas quais são os ambientes, dentro da escola, que promovem (ou não) a alimentação saudável. Não é só a alimentação escolar, é o que traz de casa, o entorno da escola e a cantina, e como todos esses atores da escola podem se ajudar”, conclui Vanessa.

<section data-id="ff2f2c8" data-element_type="section"><strong><i>Expediente</i></strong>

<i><strong>Repórter:</strong> Ana Luiza Deicke</i><i>, acadêmica de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) e estagiária
</i>

<i><strong>Ilustrador:</strong> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário</i>

<strong><i>Mídia Social:</i> </strong><i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Eloíze Moraes estagiária de Jornalismo</i>

<i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i>

<i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i>

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