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				<title>Humanidades para além das fronteiras</title>
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				<pubDate>Thu, 11 Feb 2021 20:05:23 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Cátedra Unesco na UFSM busca estreitar laços com universidades internacionais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <h3>Cátedra Unesco na UFSM busca estreitar laços com universidades internacionais</h3>
<h3><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/02/arco-sai-catedra_capa_site.jpg" alt="" width="1920" height="1253"></h3>
O ser humano é, por natureza, um ser migrante. Acredita-se que o <em>Homo Erectus</em>, antecessor do <em>Homo Sapiens</em>, costumava migrar em bandos pelos diversos territórios hoje conhecidos como parte do continente africano. Milênio após milênio, manteve-se o desejo humano de buscar melhores condições de vida. No intuito de desvendar o complexo processo das migrações humanas, a Universidade Federal de Santa Maria passa a abrigar a Cátedra de Fronteiras e Migrações da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), instituída e oficializada em março de 2019 no Programa de Pós-Graduação em História (PPGH).

O assunto traz diversas possibilidades de estudo. “Fronteiras e Migrações é um tema que vem desde a pré-história e perpassa toda a América do Sul. Mas ele também diz respeito à atualidade, em entender como o mundo reage diante disso”, comenta o coordenador da Cátedra e professor do PPGH, André Luis Ramos Soares. Além disso, falar do assunto em Santa Maria significa resgatar a história da povoação do estado do Rio Grande do Sul, constituído a partir das migrações e da influência da América Platina, da qual é vizinho. Deste ponto de vista, a UFSM está localizada em uma região estratégica. No entanto, muito mais do que a questão geográfica, as próprias pesquisas realizadas sobre o assunto já chamavam a atenção dos estudiosos da área de fora do país.&nbsp;

A aprovação da Cátedra foi recebida em dezembro de 2018 e o tema veio ao encontro das produções já em andamento no PPGH. “Além de ser a linha de pesquisa do Programa, o tema ‘fronteiras e migrações’ também dá base para nossa rede no Comitê da AUGM [Associação de Universidades Grupo Montevidéu], visto pelos demais agentes como um local e um grupo de referência na produção que trabalha o assunto”, comenta a professora e vice-coordenadora da Cátedra, Maria Medianeira Padoin.

Desde 2003, a UFSM faz parte do Comitê História, Regiões e Fronteiras da AUGM, sendo representada neste pela professora Maria Medianeira Padoin. Cerca de 18 universidades integram o grupo, que realiza intercâmbios de docentes e discentes, orientações e co-orientações de teses, publicações, minicursos, entre outros. “Os vínculos e a experiência da UFSM integrando a AUGM serviram de base para que o PPGH apresentasse a proposta de criação da Cátedra Unesco, procurando consolidar as ações na área das Humanidades”, afirma Maria Medianeira.&nbsp;&nbsp;

Em 2016, a UFSM realizou o I Congresso Internacional de História, também lançado pelo PPGH, o que foi um salto para a internacionalização de suas pesquisas. Diversos palestrantes de países europeus e latino-americanos estiveram presentes. Um dos participantes era Luíz Oosterbeek, professor do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), em Portugal, e secretário do Conselho Internacional de Filosofia e Ciências Humanas da Unesco.&nbsp;

Os professores do PPGH da UFSM já conheciam Luiz de outros encontros internacionais, mas foi durante o Congresso, na UFSM, que começou de fato a articulação para a criação de uma Cátedra em Humanidades. “Fomos incentivados ainda mais nesse momento em que a área de maneira global está num processo de descrédito”, comenta o professor André Luis.
<h3><strong>O que é uma Cátedra?</strong></h3>
Diversas entidades têm a iniciativa de instituir cátedras no ensino superior. A Unesco é um exemplo. Seu programa de cátedras foi criado há 27 anos e hoje envolve mais de 700 instituições ao redor do mundo. Se contarmos apenas o território brasileiro, já são 29 cátedras. Esses grupos tem como objetivo “a capacitação por meio da troca de conhecimentos e do espírito de solidariedade estabelecido entre os países em desenvolvimento”, segundo definição da própria entidade. Para isso, há atividades dentro de um eixo temático central, como seminários, disciplinas, cursos e grupos de pesquisa. A cátedra reúne pesquisadores com temas em comum, que podem ou não ser de diferentes áreas ou cursos de atuação. No caso da Cátedra Fronteiras e Migrações, existe a possibilidade de professores de outras áreas aderirem. Assim, centraliza-se um conhecimento antes disperso para que novas produções e ideias surjam em conjunto.
<h3><strong>O que muda com a criação da Cátedra?</strong></h3>
No momento de submeter a proposta de Cátedra para a Unesco, os professores fizeram um planejamento para dois anos. Boa parte dele consistia em ampliar as ações já realizadas pelo PPGH da UFSM. “A diferença é que agora tem um alcance maior, e isso vai nos permitir angariar outros fundos, inclusive por meio de editais internacionais. Mas o objetivo segue o mesmo: fazer discussão acadêmica para tentar resolver problemas pontuais”, reitera André Luis. Além disso, a ampliação torna possível a produção conjunta com parceiros internacionais, assim como a proposição de projetos em editais de órgãos do exterior.&nbsp;

A ação tem como foco a pesquisa e o estudo dos processos migratórios, mas os coordenadores destacam que isso não significa que ações mais práticas, como as de extensão, não possam acontecer. Um exemplo é a iniciativa de criação do Geoparque da UFSM, na região da Quarta Colônia.&nbsp;

Em março de 2019, professores vinculados à Cátedra, juntamente com o reitor da UFSM, Paulo Afonso Burmann, estiveram presentes no IV Seminário Internacional Apheleia, na cidade de Mação, Portugal. No evento foram apresentadas futuras ações a serem desenvolvidas e foi firmado o contrato entre a UFSM e o IPT para a cooperação formal entre as cátedras de Fronteiras e Migrações e a de Gestão Integrada do Território.&nbsp;

A Cátedra Unesco Fronteiras e Migrações iniciou oficialmente seus trabalhos na UFSM em novembro de 2019.
<h3><b>Parcerias</b></h3>
Para ampliar a produção de conhecimento a partir da Cátedra, a UFSM estabeleceu parcerias com diversas universidades de fora do país: o Instituto Politécnico de Tomar, em Portugal; a Universidade de Extremadura, na Espanha; a Universidad de La República, no Uruguai; na Argentina, a&nbsp; Universidad Nacional de Mar del Plata, a Universidad Nacional de La Plata e a Universidad Nacional do Litoral; a Universidad de San Andrés, na Bolívia; e no Brasil, a Universidade Federal de Minas Gerais.
<p style="color: #000000;font-size: 20px"></p>
<p style="color: #000000;font-size: 20px"><i>Expediente</i></p>
<p style="color: #000000;font-size: 20px"><i>Repórter:</i><i>&nbsp;Taísa Medeiros, acadêmica de Jornalismo</i></p>
<p style="color: #000000;font-size: 20px"><i>Ilustradora:</i><i>&nbsp;Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial</i></p>
<p style="color: #000000;font-size: 20px"><i>&nbsp;</i><em style="color: #000000;font-size: 20px">*Texto produzido em 2019 e publicado originalmente em inglês na&nbsp;</em><a style="font-size: 20px;background-color: #ffffff;color: #0d63e6 !important" href="https://issuu.com/revistaarco/docs/revista_sai?fbclid=IwAR2Wj372aGe0vPcASnPYZz4swUBER1S4EEhXzVLEE1swPYXqk83SPu1kqnQ" target="_blank" rel="noopener">edição internacional da revista Arco</a><i style="color: #000000;font-size: 20px">, lançada em 2020.</i></p>]]></content:encoded>
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				<title>Aula em dois idiomas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/aula-em-dois-idiomas</link>
				<pubDate>Thu, 08 Oct 2015 17:56:41 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[América Latina]]></category>
		<category><![CDATA[cidades fronteiriças]]></category>
		<category><![CDATA[ensino de português para estrangeiros]]></category>
		<category><![CDATA[Fronteiras]]></category>
		<category><![CDATA[língua portuguesa]]></category>

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						<description><![CDATA[Programa promove interculturalidade entre crianças que estudam em cidades fronteiriças]]></description>
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<img class=" wp-image-1558 alignleft" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2017/08/5ª-edição-5-sociedade-dois-idiomas-300x196.png" alt="" width="490" height="320" />Em extensão territorial, o Brasil é o maior país da América Latina e possui fronteira com dez países. Para quem vive em cidades fronteiriças, visitar o país vizinho não é difícil. Em algumas delas, como é o caso de Chuí no Brasil e Chuy no Uruguai, só é necessário atravessar uma rua. A proximidade física faz convergirem culturas e idiomas diferentes, e, para os moradores desses locais, saber se comunicar com o vizinho de uma nacionalidade diferente é importante.

Na Argentina, existe uma espécie de curso técnico em língua estrangeira, em que alunos do ensino secundário (que corresponde ao Ensino Médio brasileiro) podem ter uma carga maior de aulas em estudos de língua estrangeira, como inglês e português. A partir dessa experiência, começou a ser planejada uma maneira de ampliar o ensino de português na Argentina e o de espanhol no Brasil. Entre 2004 e 2005, os ministérios da Educação dos dois países começaram o projeto das Escolas Interculturais Bilíngues de Fronteira, em cidades como Passo de Los Libres/Uruguaiana e Bernardo de Irigoyen/Dionísio Cerqueira. O objetivo era promover a integração de culturas e idiomas entre escolas municipais brasileiras e argentinas, a partir das séries iniciais.

Primeiramente, o projeto foi financiado pela Unesco; porém, institucionalizou-se e tornou-se um programa, com recursos fixos. Em 2009, incluiu Paraguai e Uruguai e, desta maneira, passou a fazer parte do setor educacional do Mercosul. Com a entrada do Paraguai, o programa foi adaptado e deixou de adotar a palavra “bilíngue” no nome, pois em países como Paraguai e Bolívia algumas crianças saem de casa falando apenas guarani.

A ideia do programa é oportunizar à criança o aprendizado de conteúdos através do uso de dois idiomas em sala de aula. Para isso, as professoras das escolas trocam de cidade de uma a duas vezes por semana. Na escola brasileira, por exemplo, no dia em que os alunos têm aula de matemática e as professoras fazem a troca, eles aprendem a matéria com alguma atividade ensinada em espanhol. Sendo assim, o aluno não aprende sobre o idioma, mas no idioma.

Para a formação continuada dos professores que cruzam as fronteiras, entra a função das universidades. Na UFSM, o programa é coordenado pela professora do curso de Letras Eliana Sturza, desde 2009. Junto a alunos de graduação e pós-graduação, Eliana acompanha as atividades de extensão, planeja oficinas, seminários e palestras, e desenvolve projetos de pesquisa e trabalhos acadêmicos sobre o Projeto Escola Intercultural de Fronteira (PEIF) e seus resultados. Por motivos de proximidade física, a UFSM trabalha na fronteira do Brasil com a Argentina.

A professora Cecília Saueressig, coordenadora do PEIF na Escola Municipal Ubaldo Sorrilho da Costa, em São Borja, conta que é difícil manter o funcionamento do programa, porque a Argentina ainda não o institucionalizou. No entanto, em sua escola ocorrem oficinas para as séries iniciais. As crianças aprendem em espanhol sobre o alfabeto, numerais, profissões e canções. De acordo com a experiência de Cecília, há uma dificuldade de aprendizado maior das crianças brasileiras do que das argentinas, pois do lado de lá eles assistem aos canais de televisão e escutam a música brasileira. O PEIF contribui para mudar isso: “a diferença e o distanciamento estão diminuindo”, completa a professora.

Por depender da afinidade de gestões políticas entre os países, o programa enfrenta dificuldades. No entanto, como informa Eliana Sturza, a realização das atividades depende muito do comprometimento das escolas e dos responsáveis. “Deve-se pensar que o programa vai contribuir para a formação dos alunos. É aquilo que se pode fazer localmente. A escola pode fazer essa ligação, estimular essa cidadania, através do compartilhamento de experiências, e também eliminar preconceitos”, ela finaliza.

</div>
</div>
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<div class="arco_creditos"></div>
<em><strong>Repórter</strong>: Myrella Allgayer</em>
<em><strong>Ilustradora</strong>: Carolina Delavy Chagas</em>

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