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				<title>Hortaliças hidropônicas são orgânicas?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/hortalicas-hidroponicas-sao-organicas</link>
				<pubDate>Tue, 11 Sep 2018 12:49:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[hidroponia]]></category>
		<category><![CDATA[hortaliças]]></category>
		<category><![CDATA[Mitômetro]]></category>
		<category><![CDATA[orgânicos]]></category>

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						<description><![CDATA[Ao invés de crescerem na terra, esses alimentos são cultivados na água. Como acontece isso? E o que faz com que sejam (ou não) orgânicos?]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">O cultivo de plantas na água, sem contato algum com o solo ou substrato, e em ambiente protegido, é chamado de hidroponia (</span><i><span style="font-weight: 400;">hydro</span></i><span style="font-weight: 400;"> = água, </span><i><span style="font-weight: 400;">ponos</span></i><span style="font-weight: 400;"> = trabalho) ou ainda sistema NFT (Nutrient Film Technique). </span><span style="font-weight: 400;">A maioria das hortaliças pode ser cultivada neste sistema, especialmente as folhosas, como alface, rúcula, salsa e cebolinha.</span>

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<span style="font-weight: 400;">O jeito mais fácil de identificar uma planta hidropônica na prateleira do supermercado é observando a embalagem, que normalmente contém uma unidade da hortaliça e está devidamente identificada, ou pela presença da raiz (no caso da alface), em tonalidade clara. Além disso, as hortaliças hidropônicas geralmente apresentam boa aparência, sendo o aspecto visual do produto bastante levado em conta pelo consumidor na hora da compra. Mas é possível que hortaliças hidropônicas sejam orgânicas?</span>

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<span style="font-weight: 400;">A professora de Olericultura do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais da UFSM, Natalia Teixeira Schwab, explica que, se levado ao pé da letra o que diz a </span><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Decreto/D6323.htm"><span style="font-weight: 400;">legislação</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a produção orgânica no Brasil, seria difícil enquadrar a produção hidropônica em um sistema orgânico certificado. “Muitas pessoas pensam que a produção orgânica é aquela que não utiliza agrotóxicos, mas não é só isso. Existem diferenças no processo de preparação do solo - no caso da produção convencional no solo, na seleção dos adubos, que devem ser oriundos de fontes renováveis [aquelas que se regeneram espontaneamente ou através da intervenção humana] e no controle de doenças e pragas”, explica Natalia. </span><img class="aligncenter size-full wp-image-4456" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/08/Infografico_Hidroponia.png" alt="" width="765" height="1005" />

<span style="font-weight: 400;">No entanto, para sanar completamente a questão, é necessário antes conhecer mais sobre a hidroponia. A técnica é bastante antiga, contudo chegou ao Brasil somente na década de 1980. </span><span style="font-weight: 400;">Surgiu inicialmente com o sistema de </span><i><span style="font-weight: 400;">floating </span></i><span style="font-weight: 400;">(flutuante, em português), </span><span style="font-weight: 400;">também conhecido como DFT (</span><span style="font-weight: 400;"><em>Deep Film Technique</em> ou técnica de filme profundo, </span><span style="font-weight: 400;">em português) ou piscina. Nele não existem canais de cultivo, m</span><span style="font-weight: 400;">as sim uma mesa na qual permanece uma lâmina de solução nutritiva em contato com as plantas. O sistema evoluiu até chegar ao formato utilizado atualmente, conhecido por NFT, no qual um filme de água nutritiva passa pela raiz da planta através de calhas.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Segundo a professora Natalia, o sistema de hidroponia, por ser conduzido em ambiente protegido (estufas), possibilita o controle de todo o processo produtivo, desde as condições ambientais, como a temperatura e a umidade do ar, até a quantidade de nutrientes recebida pelas hortaliças. Com isso, é possível cultivar plantas em um ciclo mais curto, aumentando a produção por área, além de garantir a qualidade visual do produto, tornando-o mais valorizado no mercado.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Porém, apesar dos benefícios da produção hidropônica em estufas, esta é uma das características que dificultam a execução da lei para a produção orgânica, que preconiza o emprego de  recursos renováveis, e a estufa, por ser de plástico, e este derivar do petróleo, vai contra o determinado. Além disso, muitos dos adubos utilizados nesse sistema não são derivados de fontes renováveis. O que o cultivo em estufa permite, segundo Natalia, é a redução ou substituição de agrotóxicos por outros insumos e técnicas - cumprindo parte da lei. Uma delas é realizar o controle de insetos por meio de iscas entomológicas - placas coloridas que atraem e capturam tais pragas - o que resulta em uma produção mais limpa.</span>

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<img class="aligncenter size-large wp-image-4544" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/viagem_de_estudos_agua_boa_28-1024x684.jpg" alt="" width="1024" height="684" />

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<span style="font-weight: 400;">O sistema, se comparado ao convencional, possui custo mais elevado, especialmente na fase de instalação, nas manutenções da estrutura física e na compra de adubos - mais caros que os utilizados no cultivo convencional no solo. Além disso, é altamente dependente de energia elétrica - na falta dela, a produção é perdida - e exige conhecimento técnico elevado. Contudo, a hidroponia, se bem manejada, proporciona todas as condições que a planta precisa para crescer, de acordo com Natalia, que complementa: “É um sistema muito interessante, uma fábrica de alimentos. Acredito que a tendência da produção de hortaliças seja ir para a hidroponia”.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Neste sentido, refinamentos da técnica já foram desenvolvidos: a aquaponia, na qual é consorciada a criação de peixes com o cultivo de hortaliças; e a aeroponia, que, em vez de filme de água com nutrientes, ocorre a aspersão de nutrientes nas plantas, reduzindo o consumo de água. No entanto, ainda não existem linhas específicas de incentivo governamental à produção de hortaliças e, por consequência, da produção hidropônica.</span>

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<img class="aligncenter size-full wp-image-4549" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/ATUALIZADO-Box_hidroponia.png" alt="" width="800" height="679" />

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<b>Agora, no supermercado, vo</b><b>cê já sabe: hortaliças hidropônicas não são necessariamente orgânicas. De qualquer forma, são alimentos extremamente saudáveis e devem ser consumidos sem moderação.</b>

<img class="aligncenter size-full wp-image-4556" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/Mitômetro_3_depende.png" alt="" width="690" height="450" />

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<strong>Reportagem:</strong> Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo
<strong>Edição:</strong> Tainara Liesenfeld, acadêmica de Jornalismo
<strong>Ilustração:</strong> Juliana  Krupahtz, acadêm ica de Desenho Industrial

<strong>Fotografia: </strong>Arquivo pessoal]]></content:encoded>
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