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				<title>UFSM ensina a história afro-brasileira de forma lúdica por meio de maquetes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/historia-afro-brasileira-em-maquetes</link>
				<pubDate>Wed, 17 Nov 2021 14:47:06 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência Negra]]></category>
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						<description><![CDATA[Projeto desenvolvido pelo Departamento de História da universidade incentiva futuros professores a buscarem novos métodos de educação]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Novembro é conhecido como o Mês da Consciência Negra. A data mais importante deste período é o dia 20, que marca a morte de Zumbi dos Palmares, um dos principais ícones nacionais de resistência ao racismo. No entanto, uma luta que já perdura por cinco séculos não pode ser resumida a um mês, tampouco a um mero dia. O principal espaço para discutir este tema com o intuito de formar cidadãos conscientes do passado e, principalmente, dispostos a mudar o futuro, é a sala de aula.</p><p>O Laboratório de Arqueologia, Sociedades e Culturas das Américas (LASCA), ligado ao Departamento de História da Universidade Federal de Santa Maria, produz maquetes com intuito pedagógico desde 2006. Após a atualização nas diretrizes e bases da educação nacional, que determinou a obrigatoriedade da história e cultura afro-brasileira e indígena nos currículos da rede básica, o LASCA começou a criar maquetes para ensino da história afro-brasileira em 2010.</p><p>André Luis Ramos Soares é o coordenador do laboratório e também do projeto “Construindo Maquetes: Um suporte lúdico para o ensino de história”. Seis de suas maquetes, que retratam a história africana e afro-brasileira, foram tema de <a href="https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/HistRev/article/view/20163/12133" target="_blank" rel="noopener">artigo em uma revista de história da Universidade Federal de Pelotas</a>. “Minha proposta é trabalhar a pedagogia de forma lúdica. Quero não apenas que as pessoas vejam o conteúdo, mas que se envolvam com ele”, comenta.</p><p>O principal objetivo das maquetes é incentivar os futuros professores de história a investirem em abordagens lúdicas de ensino. O projeto deixa de lado o giz e o quadro verde para “dar vida” aos temas abordados nos livros teóricos. Cada maquete proporciona a visualização concreta das representações dos acontecimentos históricos, tipologias arquitetônicas, acidentes geográficos, fenômenos climáticos e ambientais, entre outros.</p>		
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			<h3>História de longa duração</h3>		
		<p>Fernand Braudel, historiador francês e um dos principais representantes da “Escola dos Annales", movimento historiográfico do século 20 que incorporava métodos das Ciências Sociais à História, desenvolveu uma série de noções temporais que se tornaram basilares nos estudos do campo. O francês dividiu os eventos históricos em acontecimentos de tempo curto, tempo cíclico e longa duração. É neste último aspecto que as maquetes se encaixam. </p><p>Cada miniatura apresenta eventos que duraram mais de um século e que repercutem na formação social do país até os dias atuais. “A casa grande e a senzala remetem a uma estrutura de poder que durou mais de 300 anos e deixou marcas até hoje. O quarto de empregada e o elevador de serviço, por exemplo, é a metamorfose da senzala nos dias atuais”, compara o professor André Soares. </p><p>Os períodos retratados em cada maquete são os seguintes:</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EIqt2Y96S8U" target="_blank" rel="noopener"><b>Grande Zimbábue</b></a>: O Reino de Zimbábwe (c.1220-1450) estava localizado no atual Zimbábue, sua formação antecede o século 11 e teve seu apogeu entre os séculos 13 e 15. A maquete apresenta um reino com características similares a outros reinos contemporâneos.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=skZdW0jok-I" target="_blank" rel="noopener"><b>Navio Negreiro</b></a>: A base para a criação da maquete vem do poema homônimo de Castro Alves. Além da obra literária, foi utilizada pesquisa arqueológica e documental sobre o período de tráfico humano pelo Atlântico que ocorreu do século 16 até meados do século 19.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ED-tzpVPwwQ" target="_blank" rel="noopener"><b>Casa Grande e Senzala</b></a>: O livro de Gilberto Freyre publicado em 1933 mostra como a arquitetura do espaço colonial expressa organização social e política vigente no Brasil antes do processo de urbanização e industrialização. A arquitetura da época era pensada para reforçar a segregação e a opressão.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LSdGqTaxREQ" target="_blank" rel="noopener"><b>Quilombo dos Palmares</b></a>: Se não o maior, o quilombo mais famoso da História Afro-Brasileira.  Era espaço de resistência à escravidão que, além da população negra, abrigava todo o tipo de excluídos - como índios, e brancos à margem do regime escravista.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LSdGqTaxREQ" target="_blank" rel="noopener"><b>Charqueada de São João</b></a>: A indústria do charque foi o grande motor da economia agropecuária no Rio Grande do Sul. No entanto, esses espaços também ficaram conhecidos como “purgatório dos negros”, por conta das condições degradantes de trabalho, mesmo para o contexto de escravidão. A maquete retrata a Charqueada de São João, em Pelotas, onde Soares fez escavações no sítio arqueológico.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=99A6T7yjcGE" target="_blank" rel="noopener"><b>O Cortiço</b></a>: Baseado no livro de Aluísio de Azevedo, retrata a marginalização da população negra no pós-abolição, a qual continuou a sofrer com a invisibilidade e exclusão social decorrentes do racismo estrutural e que se estendem até os dias atuais.</p>		
			<h3>Processo de criação</h3>		
		<p>Cada maquete leva de seis meses até um ano para ficar pronta. A maior parte desse tempo é investido em pesquisas bibliográficas, que servem como a planta de cada maquete. Cada detalhe presente nas representações possui a sua própria história. Algumas maquetes, como a do navio negreiro e casa grande e senzala, foram construídas com o suporte de alunos do curso de Arquitetura, a fim de conferir a máxima precisão teórica e técnica aos projetos. </p><p> “A maquete do navio negreiro, por exemplo, contém uma série de informações históricas. É uma nau típica portuguesa. A vela traseira em formato de triângulo é chamada de vela redonda porque ela gira em torno do eixo. A vela quadrada já é diferenciada. A pesquisa serve para colocar detalhes nas maquetes que sejam fidedignas ao que deveria ser uma embarcação desse tipo.  Cada uma dessas maquetes é muito detalhada, porque estamos usando elas em uma proposta de ensino de história”, detalha o professor André Luis Ramos Soares.</p><p>As maquetes mais baratas custam cerca de R$ 100, enquanto as mais caras podem custar de R$ 200 até R$ 400. O nível de detalhes e elementos utilizados torna o valor final considerável. “Por conta da ausência de recursos públicos, eu mesmo compro os materiais. Não sei o quanto já gastei”, relata Soares.</p>		
			<h3>O outro lado da história</h3>		
		<p>O professor destaca que o principal papel da escola é proporcionar conhecimento de caráter técnico e científico, pois os alunos já trazem sua bagagem de valores humanos por meio do convívio da sua família. O que os professores podem fazer para promover uma educação que não combata apenas o racismo, mas também misoginia, homofobia e demais formas de opressão é apresentar o outro lado. “O papel da escola é levantar as questões para serem discutidas. A gente não pode convencer as pessoas, mas a gente pode tentar mostrar pra elas que existem outras abordagens,&nbsp; Outros pontos de vista, outros vieses. Meu papel é colocar o dedo na ferida, tirar as pessoas da sua zona de conforto”, considera o professor.</p>
<p>Soares relata que o ensino decolonial - que busca contar a história por perspectivas diferentes da eurocêntrica, branca e católica - tem ganhado cada vez mais adeptos entre as novas gerações de professores. “Professores da minha faixa etária e mais velhos não conseguiram fugir do modelo tradicional. Atualmente, cada vez mais professores têm procurado fazer especialização e mestrado na área de estudos decoloniais, tentando contar uma versão diferente da história”.</p>
<p>No artigo já citado, é contada a experiência da apresentação das maquetes no Colégio Estadual Elpídio Ferreira Paes, em Porto Alegre. O colégio tem em torno de 850 alunos e&nbsp; atende aos bairros periféricos da zona sul da capital, que sofrem com altos índices de criminalidade. Desde 2005, as áreas de História, Sociologia e Filosofia passaram a ter uma condução afrocentrada. Por causa desse trabalho, a escola foi escolhida para receber as maquetes.&nbsp;</p>
<p>O professor detalha a experiência de apresentar o seu trabalho em um colégio com boa parte do seu corpo discente composta por estudantes negros. “A questão do protagonismo negro, do se ver, é essencial. Por isso que muitos professores levaram seus alunos para assistir ao filme do Pantera Negra, por trazer esse protagonismo. Meu trabalho é proporcionar essa visibilidade por meio das maquetes”.</p>
<p>O professor já tem planos de criar uma nova maquete. Esta irá retratar impérios africanos que construíam pirâmides antes mesmo do império egipcio, 5 mil anos antes de Cristo.</p>
<p>O professor deixa o convite para que as escolas&nbsp; de Santa Maria o chamem a levar esta e outras maquetes para os alunos. Sua condição, no entanto, é que esse pedido não seja feito apenas no mês de novembro: “ É um absurdo abordar a história afro-brasileira apenas no dia 20 de novembro, esse é um processo que deve ser trabalhado todos os dias pelos professores”.</p><section data-id="22bec03" data-element_type="section"><section data-id="d47bb32" data-element_type="section"><section data-id="8605efb" data-element_type="section"><section data-id="cb499fa" data-element_type="section"><section data-id="98ed197" data-element_type="section"><section data-id="5f882e8" data-element_type="section"><p><em><strong>Expediente</strong></em></p><p><i><strong>Reportagem:</strong> Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e bolsista<br /></i></p><p><strong><em>Ilustração:</em> </strong><i> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário</i></p><p><i><strong>Mídia Social:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária<br /></i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p></section></section></section></section></section></section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Para manter viva a história negra local</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/para-manter-viva-a-historia-negra-local</link>
				<pubDate>Wed, 10 May 2017 13:05:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Escravidão]]></category>
		<category><![CDATA[História negra]]></category>

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						<description><![CDATA[União Familiar, clube social negro de Santa Maria, é rememorado em livro]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="688" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2017/08/7-Edicao_HISTORIA_Historia-Negra-1024x688.jpg" alt="" loading="lazy" />											
		<p>Quando estuda na escola, a gente acha que a escravidão é algo que só existiu no Nordeste e em São Paulo, com as lavouras do café. A gente nunca pensa que a escravidão foi tão difundida em todo o país, inclusive em Santa Maria”, constata a historiadora Franciele Rocha de Oliveira.</p>
<p>Em 2010, quando era acadêmica no curso de História da UFSM, Franciele começou a trabalhar no Museu Treze de Maio — antigo clube social negro que foi transformado em museu comunitário em 2001 e que busca preservar e estimular a autoestima e autoimagem positivas de homens, mulheres e crianças negras. O convívio com a rotina do “Treze” mostrou a Franciele como a história local negra é esquecida e muitas vezes não mencionada em bibliografias locais.</p>
<p>Nos encontros no museu, Franciele soube que existiu um outro clube negro em Santa Maria: “No museu havia rodas de lembranças, onde as pessoas iam rememorar o Treze e também falavam que ‘existia outro clube, o clube dos negros pobres, o União Familiar’, do qual não havia muitas informações em livros e registros”.</p>
<p>Franciele começou a se aprofundar no tema e decidiu escrever, em 2014, seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre o ‘outro clube’. Intitulada Moreno rei dos astros a brilhar, querida União Familiar, a monografia rememorou a história do União Familiar e a luta por justiça e direitos do povo negro em Santa Maria.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Memória impressa</b></h3>
<p>Vencedora do Prêmio Lei Municipal do Livro 2015, a pesquisa de Franciele virou livro e foi lançada na Feira do Livro santa-mariense de 2016. A publicação teve distribuição gratuita e contou com tiragem de 1.500 exemplares.</p>
<p>A obra contém imagens de arquivos de pessoas ligadas ao clube, além de relatos e documentos que datam do século 19. Franciele realizou cinco entrevistas, com frequentadores que tinham entre 61 e 87 anos e que revelaram a história do União e sua importância para a sociedade negra local.<br></p>
<p>Dividido em três capítulos, o livro inicia contando sobre o movimento abolicionista no país, a questão dos movimentos negros em Santa Maria e a precária condição de liberdade obtida pelo povo negro após o decreto da Lei Áurea.</p>
<p>Já no segundo capítulo, o clube União Familiar é apresentado com detalhes. Franciele também comenta neste capítulo sobre a importância política dos clubes negros para quem os integrava: “Tem clubes que amparavam mulheres viúvas, ajudavam na aposentadoria de trabalhadores negros. Tem clubes que se organizavam para fazer o que o Estado não fazia para essas pessoas”.<br></p>
<p>O terceiro capítulo conta sobre as práticas dentro do Clube, mostrando suas festas e costumes. Nesse capítulo, Franciele apresenta a prática do carnaval organizado pelo União, por meio do bloco de rua, e também a história de um jornal negro, que contemplava assuntos que os demais jornais locais não abordavam, como denúncias de racismo.<br></p>
<p>Franciele conclui sua pesquisa ressaltando a importância de dar voz a uma comunidade negra que não possui visibilidade na História tida como oficial. Ela ressalta, no entanto, que ainda há muito a ser estudado sobre o tema: “É fundamental dizer que esse trabalho não se encerra em si mesmo. Pelo contrário, é um ponto de partida que assume a necessidade em falar do tema, olhando para os sujeitos históricos protagonistas desse processo histórico”.<br></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><b>Repórter:</b> Guilherme Gabbi ·</i></p>
<p><i><b>Diagramação: </b>Kennior Dias</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
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