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			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
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						<item>
				<title>Não é só agosto o “Mês do Cachorro Louco”</title>
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				<pubDate>Thu, 31 Aug 2023 16:35:21 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
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						<description><![CDATA[Professores da UFSM falam sobre a importância de prevenção à raiva, doença com quase 100% de mortalidade]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignright wp-image-9756 " src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/08/Destaque-1-2.jpg" alt="" width="702" height="447" />O fim do mês bate à porta. E, com ele, talvez seja a hora de colocar um fim em certos mitos. Será que agosto é mesmo o “Mês do Cachorro Louco”? Se, até este momento do mês, o seu cachorro não apresentou nenhum comportamento anormal, você já deve desconfiar sobre qual é a resposta dessa pergunta. Mas então, por que agosto é conhecido assim?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">William Schoenau, professor de Bem-Estar animal no curso de Medicina Veterinária e vice-diretor do Centro de Ciências da Saúde (CCS), explica que há maior </span><b>possibilidade </b><span style="font-weight: 400">de casos de raiva neste mês, já que ele apresenta condições climáticas favoráveis para que as fêmeas iniciem o seu período reprodutivo, o que aumentaria as disputas entre machos para conquistá-las. Caso um dos “pretendentes” já tenha o vírus, ele pode ser transmitido aos outros cães por meio de brigas. No entanto, </span><b>não há evidência</b><span style="font-weight: 400"> científica do aumento de casos durante o oitavo mês do ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Outra “injustiça” é insistir em chamar o melhor amigo do homem de louco por conta do vírus da raiva, já que ele não tem sido o animal mais afetado pela doença nos últimos anos. Em 2022, o </span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/raiva-animal#:~:text=No%20ano%20de%202021%20(Tabela,foi%20poss%C3%ADvel%20sequenciar%20a%20variante."><span style="font-weight: 400">Ministério da Saúde registrou 16 casos de raiva em animais domésticos - nove gatos e sete cães.</span></a><span style="font-weight: 400"> Metade desses casos foi transmitido por morcegos, e outros três por canídeos silvestres (cachorro-do-mato, lobo-guará, raposas, etc.) que, desde 2016, são os dois únicos agentes transmissores da doença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A fama de agosto ser o “Mês do Cachorro Louco” é um elemento particular da cultura brasileira. No calendário internacional, o Dia Mundial da Luta Contra a Raiva é celebrado em 28 de setembro. Os “costumes” dos tutores também são responsáveis por facilitar o desenvolvimento de doenças, como não fazer as vacinações de calendário, não realizar castração e deixar os cães soltos, o que pode facilitar a propagação de doenças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No Hemisfério Norte há outro tipo de ligação entre cachorros e o mês de agosto, os </span><i><span style="font-weight: 400">dogs days</span></i><span style="font-weight: 400">, explica o vice-diretor do CCS. O termo se refere aos dias mais quentes e abafados do verão no norte do planeta que ocorrem depois que a estrela Sirius, também conhecida como “estrela do cachorro” fica visível no horizonte antes do nascer do sol, fenômeno que ocorre uma vez por ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Sirius, além de ser a estrela mais brilhante da noite a olho nu, é o principal corpo celeste da constelação de Cão Maior (</span><i><span style="font-weight: 400">Canis Major</span></i><span style="font-weight: 400">). Além do calor, ela ficou conhecida por civilizações milenares como a estrela responsável por trazer doenças, azar e loucura, para cães e também para os homens. </span></p>
<h3>O mês pode ser mito, mas a doença continua real</h3>
<p><span style="font-weight: 400">O professor Saulo Filho, docente de Clínica de Pequenos animais, também do curso de Medicina Veterinária, enfatiza que o aumento da divulgação das campanhas de vacinação, muitas intensificadas em agosto para se apropriar da “fama” de “Mês do Cachorro Louco”, são para auxiliar na prevenção contra a raiva. Em 2002, por exemplo, o Ministério da Saúde registrou</span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/raiva-animal#:~:text=No%20ano%20de%202021%20(Tabela,foi%20poss%C3%ADvel%20sequenciar%20a%20variante."><span style="font-weight: 400"> 635 casos de raiva em cães e 85 em gatos</span></a><span style="font-weight: 400">. “A raiva urbana praticamente desapareceu”, destaca Saulo. “A grande preocupação hoje é a raiva silvestre e no meio rural”, complementa Schoenau.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O vírus da raiva tem três ciclos de transmissão: urbano, rural e silvestre. Os dois últimos foram os responsáveis pelos dois casos da doença registrados no país em humanos este ano. Ambos os pacientes faleceram. Os professores destacam que o homem cada vez mais invade o habitat e entra em contato com animais silvestres. Essa aproximação pode ser perigosa, uma vez que todos os mamíferos podem contrair o vírus e transmiti-lo para o ser humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Sem vacinação, a doença tem taxa de letalidade de quase 100%, o que inclui a raiva humana que deixa sequelas severas em seus raros sobreviventes. Para que a doença continue sob controle nos centros urbanos, o professor de Fisiologia Animal lembra que é preciso uma cobertura vacinal de 80% da população canina, de acordo com as orientações do Ministério da Saúde. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No entanto, a taxa atual de cobertura pode estar significativamente abaixo deste nível. De acordo com os dados do próprio ministério, a </span><a href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/r/raiva/cobertura-vacinal-de-caes-e-gatos#:~:text=Com%20base%20nesses%20dados%2C%20o,Brasil%2C%202021*"><span style="font-weight: 400">cobertura vacinal de cães e gatos era de 60,4% em 2021</span></a><span style="font-weight: 400"> (último ano disponível). Essa média se aplica a menos da metade do país, já que apenas 12 das 27 unidades federativas enviaram seus índices de vacinação para o levantamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além de letal, a enfermidade que afeta o sistema nervoso evolui de forma dolorosa.  “Em cães, ela termina por atingir o nervo faríngeo, o que os impede de beber e se alimentar. Por isso, quando um animal é diagnosticado com raiva, o protocolo indicado é a eutanásia”, descreve o professor Saulo. A doença pode se manifestar de diferentes formas, a depender de onde o animal foi mordido. Ferimentos próximos à medula podem resultar em raiva paralítica, na qual o cão fica quieto e triste, com sinais de paralisia. Há também a raiva muda, ou atípica, que traz alguns sintomas semelhantes à raiva paralítica, mas menos intensos e que podem passar despercebidos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O vírus é transmitido pela saliva, o que significa que, além das mordidas, é possível contrair raiva pela lambedura de um animal infectado e, em alguns casos, também pela arranhadura. De acordo com o professor da disciplina Clínica de Pequenos animais, os principais sintomas da doença em cães são: agressividade, ansiedade, desconfiança, mordedura, lambedura, medo, depressão, salivação excessiva, paralisia, desorientação, convulsões, aversão à água - cão fica desorientado e não reconhecimento do proprietário.</span></p>
<h3>Propaganda enganosa, mas com boas intenções </h3>
<p><span style="font-weight: 400"><img class="wp-image-9757  alignright" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/08/Informacoes-Utilidade-Publica-1.jpg" alt="" width="429" height="763" />Por ter um efeito direto no ser humano, a raiva é a doença canina mais conhecida, mas, atualmente, há outras patologias que são mais letais para os cães. A parvovirose é uma doença que afeta filhotes com até um ano de idade, enquanto a cinomose pode afetar o cão durante toda a vida, em especial durante os primeiros meses de vida do animal. Ambas as doenças possuem alta taxa de letalidade sem vacinação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A leptospirose também é uma doença animal que pode ser contraída pelo ser humano (zoonose). Geralmente associada a ratos, a infecção também afeta cães, que são a principal fonte de transmissão para o homem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As três doses da vacina polivalente compõem o esquema vacinal básico em filhotes e protegem contra essas enfermidades. O ciclo da imunização polivalente inicia entre os primeiros 45 e 60 dias de vida e vai até a sexta ou oitava semana de idade. A vacina contra a raiva pode ser aplicada em um intervalo mínimo de 21 a 30 dias após o esquema vacinal básico, quando o cão está entre quatro e cinco meses de idade. É possível vacinar o cachorro contra a raiva mesmo sem o esquema vacinal básico, desde que ele tenha idade compatível com a imunização. As vacinas para raiva, cinomose e leptospirose devem ser reforçadas anualmente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“Propaganda é a alma do negócio.  Mas, em termos de vacinação, depende do calendário vacinal de cada animal. Se quiser vacinar em agosto, vacine. Melhor vacinar do que não vacinar, mas é possível fazer isso em qualquer época do ano”, finalizam os professores que não se opõem à fama de “Mês do Cachorro Louco” carregada por agosto, desde que ela seja utilizada para que cães e humanos fiquem sãos e salvos.</span></p>
<p><b><i>Reportagem:</i></b><i> <span style="font-weight: 400">Bernardo Silva, estudante de jornalismo e bolsista de Agência de Notícias</span><br /></i><b><i>Ilustração:</i></b><i> Daniel Michelon De Carli, Unidade de Comunicação Integrada;</i><i><br /></i><b><i>Edição:</i></b><i> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</i></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>Sangue bom pra cachorro</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/sangue-bom-pra-cachorro</link>
				<pubDate>Tue, 26 Mar 2019 18:40:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[cachorro]]></category>
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		<category><![CDATA[saúde animal]]></category>

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						<description><![CDATA[Já imaginou o seu cão doando sangue? Esse procedimento é mais comum do que você imagina ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 500;">Com frequência vemos campanhas procurando doadores de sangue para pessoas com algum problema de saúde. Mas você sabia que seu cão também pode doar e receber sangue de outros cachorros? Assim como nas transfusões feitas entre seres humanos, a doação de sangue de um cachorro para outro tem como objetivo auxiliar no tratamento de doenças, como hemorragias e anemias, além de ajudar em processos cirúrgicos.</span>

&nbsp;

<span style="font-weight: 500;">Entre os cães, como ocorre com as pessoas, existe uma classificação para diferenciar o sangue. Nos humanos, o grupo ABO registra os tipos A, B, AB e O.  Já para os cachorros, o chamado sistema DEA (Dog Erythrocyte Antigen) aponta os tipos DEA 1.1, DEA 1.2, DEA 1.3, DEA 3, DEA 4, DEA 5 e DEA 7, sendo os dois primeiros os mais comuns na população canina.</span>

&nbsp;

<span style="font-weight: 500;">Apesar dos componentes do sangue - células, hormônios, nutrientes e outros - serem os mesmos em humanos e cachorros, a doação de uma espécie para a outra não é possível. Saulo Pinto Filho, professor adjunto de clínica médica de pequenos animais do curso de Medicina Veterinária da UFSM, explica: “Existem</span><span style="font-weight: 500;"> diferenças genéticas, como o número de cromossomos - sequências de DNA - particulares de cada espécie. Por isso, não se pode transfundir sangue de um cão para um humano”.</span>

&nbsp;

<strong>Como funciona a doação?</strong>

<span style="font-weight: 500;">Se você já doou sangue ou viu uma coleta ser realizada em um humano, sabe que o líquido é retirado de uma veia do braço. Entretanto, com os cães o processo é um pouco diferente. Na maioria dos casos, os veterinários extraem o sangue da veia jugular do animal, na região do pescoço. Depois, o colocam no receptor através da veia cefálica, na pata do cachorro. Para realizar o processo é necessária a remoção dos pelos do animal na região em que a transfusão é feita.</span>

<img class="aligncenter wp-image-5474 size-large" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/03/infográfico_doguinho-01-819x1024.png" alt="" width="819" height="1024" />

<span style="font-weight: 500;">Para o cachorro Apólo, que doa sangue desde 2015 no Hospital Veterinário Universitário (HVU) da UFSM, o procedimento é tão simples que ele até dorme durante a coleta. Sua tutora, Larissa Schlottfeldt, conta que o animal doou pela primeira vez quando a mãe estava doente: “a Hebe era a cachorra do meu irmão. Durante anos ela sofreu com uma patologia desenvolvida na gestação. Quando o Apólo tinha um ano, ela precisou de doação de sangue”. Desde então, o rottweiller frequenta o hospital a cada três meses - intervalo de tempo mínimo entre cada doação - para ajudar outros cães.</span>

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[caption id="attachment_5483" align="aligncenter" width="960"]<img class="wp-image-5483 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/03/IMG-20181223-WA0000.jpg" alt="" width="960" height="720" /> Cão Apólo antes de doar sangue[/caption]

<span style="font-weight: 500;">Apesar de existirem cães como o Apólo, que doam regularmente, a coleta de sangue entre cachorros ainda é pequena. No HVU estão registrados 62 doadores, enquanto o ideal seria ter em torno de 200. Saulo Filho conta que, na maioria dos casos, o sangue é transfundido no receptor logo após a coleta, sem ficar armazenado. Isso ocorre devido à escassez de doadores, já que muitas pessoas não imaginam que seus pets podem doar.</span>

&nbsp;

<span style="font-weight: 500;">Quer fazer o bem e levar seu cão para doar sangue? O laboratório do HVU fica aberto para coleta de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h. O procedimento é simples e retira 400 mililitros de sangue. Os gatos também podem doar, basta ter no mínimo quatro quilos, estar em boas condições de saúde, ter feito os exames necessários e estar cadastrado na lista de doadores do HVU. </span>

&nbsp;

<b>Reportagem: </b><span style="font-weight: 500;">Paulo César Ferraz, acadêmico de Jornalismo</span>

<b>Edição: </b><span style="font-weight: 400;">Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo</span>

<b>Ilustração: </b><span style="font-weight: 500;">Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial</span>

<b>Fotografia:</b><span style="font-weight: 500;"> Larissa Schlottfeldt/arquivo pessoal</span>]]></content:encoded>
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