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			<title>Revista Arco - Feed Customizado RSS</title>
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			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>Vai fazer o teste de suficiência em língua inglesa da UFSM? Temos um guia para você!</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/guia-teslle-suficiencia-em-ingles</link>
				<pubDate>Mon, 13 Sep 2021 15:29:47 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[língua inglesa]]></category>
		<category><![CDATA[suficiência]]></category>

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						<description><![CDATA[Para ajudar os candidatos ao TESLLE-LI, o guia detalha a estrutura do teste com base na análise de 96 questões dos últimos seis anos
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Todo ano, 1,2 mil estudantes que integram ou pretendem integrar algum programa de pós-graduação na UFSM realizam o <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prpgp/teslle/" target="_blank" rel="noopener">Teste de Suficiência em Leitura em Língua Estrangeira</a> (TESLLE). Destes, 700 alunos prestam o exame para a língua inglesa (TESLLE-LI). Até a chegada da prova, ansiedade, apreensão e dúvidas são naturais frente a esse processo que compõe a vida acadêmica. Mas, a partir da edição de 2021, os alunos que irão realizar o teste em inglês contarão com uma grande ajuda: <b>o guia prático de estudo para o teste de suficiência em inglês da UFSM.</b></p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/09/TESLLE_Capa-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>O guia para o TESLLE-LI é fruto de um <a href="https://repositorio.ufsm.br/handle/1/11828" target="_blank" rel="noopener">Trabalho Final de Graduação</a> (TFG) ( equivalente ao TCC na área de Letras) e de uma <a href="https://www.researchgate.net/publication/348144730_TESTES_DE_PROFICIENCIA_COMO_PRATICAS_SOCIAIS_O_TOEFL_ITP_DA_ETS_E_O_TESLLE_DA_UFSM">dissertação</a>, de autoria de Amanda Petry Radünz e William Dubois, respectivamente. </p><p>Segundo Patrícia Marcuzzo, professora no Departamento de Letras Estrangeiras Modernas (DLEM) da UFSM e elaboradora do guia, o objetivo das pesquisas era compreender os testes de suficiência e fazer uma análise minuciosa de determinados aspectos com base em teorias da linguística. Ou seja, inicialmente os trabalhos não tinham sido pensados para servirem como manual.</p><p>O contexto atual, marcado pela desvalorização da ciência e cortes orçamentários para a educação pública, fez com que a professora começasse a pensar em maneiras de divulgar de forma didática o que produzia com seus discentes. “Eu me questionei: como as pessoas vão valorizar o que a gente faz se elas nem conhecem? Então eu pensei, junto com os meus alunos, em um projeto que divulgasse os nossos resultados”. Assim, nasceu o projeto de extensão “Didatização e divulgação de resultados de pesquisas da área de Linguística Aplicada”, que tem como objetivo popularizar o conhecimento científico na área de língua inglesa.</p><p>No<a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/um-guia-para-mandar-bem-nas-questoes-de-lingua-inglesa-do-enem/" target="_blank" rel="noopener"> ano passado, esse mesmo projeto lançou o Manual para o ENEM</a>, também desenvolvido com base em resultados de pesquisas científicas. O manual para o TESLLE-LI se baseia nas questões dos últimos seis anos. "É algo inédito, nunca foi feito nada semelhante. Analisamos todas as questões que tínhamos disponíveis, tentando ver o enfoque dessas questões, a estrutura, os textos bases dessas questões”, destaca Patrícia.</p><p>O conteúdo do material é dividido em cinco itens. O primeiro trata sobre a estrutura do TESLLE-LI, a quantidade e o tipo de questões, a aplicação dos idiomas português e inglês, o que e como o candidato deve responder cada questão. O segundo tópico aborda o texto base que compõe o teste, sua origem, seu tema e tamanho. Já o terceiro explica sobre a forma que as questões são estruturadas, e quais os cinco tipos mais frequentes - de acordo com os testes anteriores. O quarto tópico complementa o anterior, com orientações sobre os 12 tópicos mais exigidos no exame.</p><p>Por último, é mostrado o processo de resposta às questões, o tempo total de resolução, qual deve ser o tempo médio para desenvolver cada uma das atividades, por onde começar e o que fazer ao se deparar com palavras desconhecidas. Exemplos de questões são apresentados para ilustrar a explicação. </p><p>A professora Patrícia acredita que essa análise estrutural do TESLLE-LI também pode ser útil para os examinandos que realizarão a prova em outros idiomas, visto que há um padrão lógico similar em todos os testes. “É preciso que haja uma semelhança entre as provas, os textos base serão autênticos em todas as línguas, o que fazer e o tempo de duração do teste permanecem iguais”, complementa.</p>		
			<h3>A história e a importância do TESLLE</h3>		
		<p>Toda instituição de Ensino Superior com ao menos um curso de pós-graduação credenciado pela Capes deve ofertar testes de suficiência, principalmente para alunos de pós-graduação, uma vez que a suficiência em língua estrangeira é pré-requisito para a defesa da dissertação. Seu formato atual, no entanto, é bastante diferente do que era no passado, como relata Patrícia: “Colegas mais experientes contam que, no passado, os alunos chegavam no departamento para pedir uma comprovação e era realizado um teste de balcão, feito na hora. Com o tempo e crescimento da universidade e dos programas de pós-graduação, o teste foi intitucionalizado”.</p><p>As regras para o TESLLE foram estabelecidas por meio de uma portaria publicada em 2010. O documento definiu que o DLEM seria o responsável pela elaboração de um teste padrão, aplicável a alunos de todos os departamentos. Além disso, foi estabelecida a criação de uma comissão específica para o teste, composta por professores de Letras e servidores da universidade.</p><p>Foi por influência desta comissão que Patrícia começou a definir sua área de pesquisa. Ao ingressar como docente na universidade em 2011, logo ela foi encarregada de atuar na comissão do TESLLE junto a outros professores. Ao longo de seis anos, ela participou e influenciou algumas das mudanças que o teste sofreu. “Minha trajetória começa participando da comissão e, com o tempo, eu pensei em investigar esses testes, sempre com o objetivo de melhorar, de dar uma visão de fora como perspectiva de pesquisa”. </p>		
			<h3>TESLLE ou TOEFL? Proficiência ou suficiência?</h3>		
		<p>Uma dúvida que surge em boa parte dos examinandos é a diferença entre o TESLLE-LI e o TOEFL. O primeiro ponto a se destacar é a abrangência: o TESLLE-LI é feito apenas por pessoas vinculadas à UFSM, enquanto o TOEFL é aberto para o público em geral. Ainda, o TESLLE aborda apenas a questão da leitura, enquanto o TOEFL pode englobar compreensão e expressão oral. Outra diferença é a fonte dos textos: enquanto o teste da Universidade seleciona textos de publicações científicas, o TOEFL cria os textos especificamente para as suas avaliações.</p><p>Apesar das diferenças, o  TOEFL também serve como atestado de suficiência para a Universidade, porém é preciso apresentar o resultado do teste para que ele seja validado.. A certificação do TESLLE, por sua vez, fica registrada no histórico assim que o candidato for aprovado.</p><p>Uma dúvida que, segundo Patrícia, atinge até mesmo colegas de sua área é a diferença entre o teste de suficiência e o teste de proficiência. Apesar do significado distinto entre proficiência (maestria) e suficiência (quantidade o suficiente para algo), o objetivo dos testes é o mesmo. “Eles, muitas vezes, são equivalentes, mas em outras instituições é chamado de teste de proficiência”, explica Patrícia.</p>		
			<h3>Próximos passos do projeto</h3>		
		<p>Para aqueles que estão interessados em realizar o TOEFL, a previsão de Patrícia é que, no início de 2022 ou até mesmo no final deste ano, comece a elaboração de um manual específico para o teste: “Nós também já temos resultados de pesquisa referentes a ele. E, nesse caso, o TOEFL é mundialmente conhecido e tem um alcance maior entre o público brasileiro”.</p><p>Já a prova do TESLLE-LI ocorrerá no dia 7 de novembro. Para os que irão realizar o exame, o  <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/483/2021/07/Guia-TESLLE-LI-1.pdf" target="_blank" rel="noopener">guia completo</a> já está disponível. Boa sorte!</p><p><strong><i>Expediente</i></strong></p><p><strong><i>Repórter: </i></strong><i>Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Ilustrador:</strong> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</i></p><p><strong><i>Mídia Social:</i></strong> <i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Eloíze Moraes, estagiária de Jornalismo</i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Arco entrevista escritor Milton Hatoum</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/arco-entrevista-escritor-milton-hatoum</link>
				<pubDate>Thu, 22 Jul 2021 11:14:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Flism]]></category>
		<category><![CDATA[leitura]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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						<description><![CDATA[Autor brasileiro foi convidado para encerrar o último dia da festa literária de Santa Maria (FLISM)]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:image {"align":"center","id":8551,"width":1024,"height":668,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/07/Entrevista_MiltonHatoum_EP-1024x668.jpg" alt="Ilustração colorida na horizonal. O fundo da imagem é dividido ao meio entre duas cores - verde e vermelho bordô. À esquerda, a silhueta de um homem com óculos lendo um livro. À direita, a legenda de &quot;Entrevista: Milton Hatoum&quot;. " class="wp-image-8551" width="1024" height="668" /></figure></div>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:spacer {"height":12} -->
<div style="height:12px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
<!-- /wp:spacer -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Com o intuito de promover debates e divulgar a literatura para a comunidade santa-mariense, a Festa Literária de Santa-Maria (FLISM) foi realizada pela primeira vez, em 2018, no auditório da Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria (Cesma). Através de conversas sobre (e com) grandes escritores, as discussões são mediadas por professores, agentes culturais, críticos literários e autores locais.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O evento foi idealizado pelos professores do Curso de Letras da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Raquel Trentin e Enéias Tavares, juntamente com o professor do Curso de Música da UFSM, Gérson Werlang. Durante os quatro anos de realização, vários escritores renomados passaram pelo evento, como Ignácio de Loyola Brandão, Luiz Ruffato e Leticia Wierzchowski.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O professor do Departamento de Letras vernáculas da UFSM, Pedro Brum, comenta que a FLISM permite que os participantes desenvolvam o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso de beleza e a percepção da complexidade do mundo, através da experiência literária como atividade que reforça o ato de pensar criticamente sobre o que se lê, sobre as realidades implicadas no ato de produção e de leitura. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em 2020, a pandemia de Covid-19 impossibilitou a realização do evento na Cesma, mas os organizadores conseguiram adaptá-lo para o meio online. Por isso, a terceira edição ficou conhecida como ‘FLISM em Casa’. Nesta quarta edição, em 2021, que aconteceu entre os dias 13 a 16 de julho, também de forma remota - transmitida pelo <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.youtube.com/channel/UCAdQVtO2TNdgVXdkkURzecw" target="_blank">canal do YouTube</a> -, a festa teve, pela primeira vez, a presença de uma escritora internacional, a autora portuguesa Lídia Jorge. Ainda como parte da programação, houve discussões com poetas locais,  uma conversa com André Diniz sobre sua <em>graphic novel</em>, <em>A Revolta da Vacina</em>, publicada pela editora DarkSide Books, e um debate com o escritor Milton Hatoum, mediado pelo professor Brum, que encerrou a FLISM.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Premiado escritor brasileiro, Milton Hatoum nasceu em Manaus, no Amazonas. Seu primeiro livro, o <em>Relato de um Certo Oriente</em>, foi publicado em 1989 e venceu o Prêmio Jabuti - premiação tradicional da literatura brasileira. Em 2006, seu livro <em>Cinzas do Norte</em>, publicado em 2005, também levou o prêmio na categoria de Melhor Romance. <em>Dois Irmãos</em>, publicado em 2000 e <em>Órfãos do Eldorado</em>, publicado em 2008, ganharam adaptações audiovisuais. O autor também foi professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) de 1984 a 1999.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para Brum, o que mais lhe impressiona na obra de Hatoum “é o sentido de busca de uma identidade que é, ao mesmo tempo, manauara, brasileira, libanesa ou tudo isso ao mesmo tempo, expressa sobretudo no engenho de seus narradores”.&nbsp; Diante disso, a Revista Arco conversou com Milton Hatoum sobre suas obras,&nbsp; o contexto da leitura no Brasil e a importância de eventos como a FLISM.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>ARCO: Quais livros formaram quem você é hoje?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Bom, como livros formadores, posso citar o Érico Veríssimo, o Graciliano Ramos, que foram importantes. Li um pouco de literatura francesa, na minha primeira juventude em Manaus, e também os contos do Machado de Assis, li também parte dos <em>Sertões</em>, de Euclides da Cunha, foram autores importantes na minha vida. Naquele momento, dos 12 aos 15 anos, antes de viajar para Brasília, foram autores fundamentais, porque não havia televisão em Manaus, então o nosso acesso ao Brasil era através da literatura e de fotografias. Aprendi muito com <em>Vidas Secas</em>, do Graciliano Ramos, por exemplo, conheci o sertão da vida sertaneja, da cultura sertaneja, da brutalidade social e da miséria. Anos depois, reli esses livros e aos poucos me aprofundei em outras obras também, de outras línguas. Tive sorte, na infância, pela presença de um narrador oral que era o meu avô materno, e isso estimulou a minha imaginação, do contador de histórias com a sua sabedoria, de experiência de vida. Retribuí muito tempo depois com um conto do livro<em> A Cidade Ilhada</em>, que homenageia esse narrador oral. Enfim, tive sorte de ter tido bons professores na escola pública, no Colégio Pedro Segundo em Manaus, depois em Brasília e São Paulo, foi importantíssimo. Enquanto não se investir em educação pública de qualidade, nós vamos ser apenas caricaturas de democracia que nunca foi tão caricata quanto é nos dias atuais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>ARCO - Em relação às suas obras, a memória é o tema em comum que perpassa por todas elas. A vida em Manaus, a herança libanesa e agora na trilogia </strong><strong><em>O Lugar Mais Sombrio</em></strong><strong>, a ditadura. Como é o processo de articular o passado com o presente e colocar suas lembranças nos romances, ou seja, como é distinguir no desenvolvimento da escrita o que é ficcional e o que é memória?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Seria um movimento. Porque a memória de um passado distante - e isso sempre trabalhei nos meus livros, por isso levo tanto tempo para escrevê-los, às vezes dez anos como aconteceu com <em>Dois Irmãos</em> ou com a trilogia <em>O Lugar Mais Sombrio</em> -; a memória, eu penso como um movimento do passado que chega ao presente. Não é algo cristalizado no passado, ela repercute no presente. Portanto, todo esse movimento é construído pela linguagem, pela forma mais importante na literatura. Como que você constrói a sua narrativa?, de qual ponto de vista?, questões técnicas de estrutura de personagem, de conflitos de tempo e de espaço. E tudo isso, relacionado com a minha experiência de vida e de leitura, tem a ver com uma reflexão sobre a minha cidade ou sobre as cidades onde vivi. De alguma forma, todos os meus romances possuem a vontade de dialogar com o presente. Quando escrevo sobre a Amazônia no<em> Dois Irmãos</em> ou no<em> Cinzas do Norte</em>, estou relatando um tempo desses conflitos humanos, de um quadro histórico. A memória assume um papel importantíssimo, daquelas passagens da vida um pouco ofuscadas ou nebulosas, que constrói, através da imaginação, o pilar mais importante de uma obra de arte. A questão é transformar a imaginação em linguagem.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>ARCO - Qual a importância de eventos que promovem debates literários, como a FLISM?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>É auspicioso, é importantíssimo e fico grato pelo convite de participar desse festival, patrocinado por uma universidade pública. Também fui professor de uma instituição pública, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), durante 15 anos, inclusive no período do governo Collor (1990-1992) - outro mandato presidencial insidioso que trabalhou contra as universidades, contra o ensino público; que não estava interessado na pesquisa, na educação, enfim, no financiamento dessas universidades. Então, o evento é de grande importância, porque assim podem surgir questões literárias e, de modo oblíquo ou indireto, questões políticas também. A presença de professores, de pesquisadores, de estudantes e do público de um modo geral em um evento patrocinado e promovido por uma universidade pública é algo importantíssimo nesse momento trágico da vida política, social e cultural brasileira.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>ARCO - Nos últimos anos, no Brasil, estamos percebendo um aumento da desinformação, de ataques à liberdade de imprensa e de expressão. Enfim, uma intensificação de discursos de ódio. Você considera que a literatura e outras formas de expressões culturais e artísticas podem ser uma maneira de lutar contra esses atos de repressão?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Sim. Mas, a literatura e as artes, de um modo geral, não são discursos ideológicos. Quando você lê um romance, geralmente, o leitor ou a leitora faz perguntas e são elas que conduzem a reflexão de uma questão, de um problema ou de um conflito humano. Então, eu acho que em qualquer circunstância a literatura é uma espécie de salvação. Permite uma viagem da imaginação através da linguagem e também apresenta uma forma de reflexão sobre o presente que vivemos. O que acontece, hoje, no Brasil, é uma forma de opressão que inibe muitas pessoas. Mas não nos cala, nós não somos obrigados a silenciar. Então, por isso, escrevemos, precisamos ler e continuar a fazer o ofício que mais nos satisfaz. No meu caso, o que me move para escrever é o desejo. Porém, a situação é muito adversa para quem admira ou para quem convive ou não pode viver sem a arte, sem a imaginação. A dificuldade de financiamentos para filmes, para peças de teatro, para festivais de músicas, prejudica a produção artística no Brasil, o que é muito preocupante.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>ARCO - Poderia comentar um pouco sobre a problemática levantada pela Receita Federal e por outros membros do governo sobre a taxação de livros e sobre a declaração que “pobres não leem livros”?</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A elite do governo acredita que o livro é artigo de luxo para poucos, consumido por poucos e assim exclui a massa de brasileiros, a grande maioria dos brasileiros que gostariam de ler. Agora, dizer que só os ricos gostam de ler é de fato uma afirmação das mais preconceituosas e uma grande mentira. Uma afirmação sem nenhuma evidência na realidade. Como comentei, fui professor por quase 15 anos em universidade pública. Meus alunos e minhas alunas eram pessoas humildes, de famílias humildes, e todos queriam ler. Havia um desejo enorme de ler e, às vezes, eles não podiam comprar - muitas vezes eu fotocopiava livros ou doava para a própria biblioteca que não possuía certas obras. Então, há uma carência enorme, sobretudo no Amazonas. Por isso, a elite brasileira é preconceituosa e cruel. E o Ministro da Economia responde aos anseios dessa elite, na verdade, ele pertence a essa elite e não está preocupado com a qualidade de vida do povo brasileiro, nem com acesso à educação pública de qualidade e à cultura. Mas nós devemos criticar isso, não silenciar, e apostar na força da literatura cujo alcance aparentemente é pequeno, no entanto tem o poder de formar leitores. Como dizia Antônio Candido, nosso maior crítico literário, “o direito à literatura também faz parte dos direitos humanos”. Então, o festival de literatura promovido por uma universidade pública dá sentido e dá densidade a esse direito.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>&nbsp;<strong>ARCO – Para finalizar, gostaria de saber: o que significa a literatura para você?&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A literatura é uma das formas de se ver o mundo, não é um espelho do real, contudo é uma tentativa de reproduzir a realidade. Na verdade, o escritor ou a escritora, de algum modo, criam um universo ficcional e trabalham com isso para expressar suas inquietações, seus fantasmas e os conflitos humanos. No centro de tudo isso está a linguagem. Muitas vezes, o que se lê expressa o mundo interior, subjetivo, em vez de o mundo no qual vivemos. São mergulhos da intimidade, a obra da Clarice Lispector é um exemplo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:spacer {"height":12} -->
<div style="height:12px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>
<!-- /wp:spacer -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong><em>Expediente</em></strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em><strong>Reportagem:</strong> Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária da revista Arco</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em><strong>Ilustração:</strong><em> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</em></em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em><strong>Mídia Social:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em><strong>Editora de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalista</em>s</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A linguagem do amor</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/linguagem-do-amor</link>
				<pubDate>Thu, 10 Jun 2021 13:05:31 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[linguagem do amor]]></category>
		<category><![CDATA[linguística]]></category>
		<category><![CDATA[teoria linguística-sistêmica-funcional]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=8489</guid>
						<description><![CDATA[Em análise linguística sistêmico-funcional, pesquisadora revela como adolescentes enxergam o sentimento]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>“<i>All you need is love, love is all you need</i>”. A letra da música dos <i>Beatles</i> talvez represente a visão de muitos – para alguns, ainda mais exacerbada pela chegada do dia dos namorados. A verdade é que, nesse período pandêmico em que vivemos, o amor se transfigurou, foi ressignificado e, muitas vezes, as formas que tínhamos para demonstrar esse sentimento - como encontrar amigos, beijar e abraçar - não estavam mais disponíveis justamente ao considerarmos o cuidado com o outro. Quando falamos de amor – e nesse sentido não mencionamos apenas o amor romântico, e sim todas as suas formas e representações -, é importante entender que existe uma grande influência do contexto cultural, a qual difere as concepções que cada um de nós possui do tema, em escalas subjetiva e social.</p><p>É a partir dessa perspectiva que Graziela Fachim, atualmente doutoranda em Letras na UFSM, desenvolveu o seu projeto de mestrado: “<b><i>A representação do amor entre adolescentes: uma análise sistêmico-funcional</i></b>”. Orientada pela professora do Departamento de Letras Vernáculas, Sara Regina Scotta Cabral, a pesquisadora buscava entender como os adolescentes de turmas do 3º ano de uma escola do ensino médio em Santa Maria enxergavam o amor. O projeto, finalizado em 2019, traz uma análise linguística sistêmico-funcional dos textos elaborados pelos estudantes para descrever e articular o tema, e aplica conceitos teóricos para avaliar os seus significados.  </p><p>Por mais curiosa que possa parecer, a “linguagem do amor” é um aspecto que já vem sendo analisado no mundo acadêmico Brasil afora. Dois exemplos são os artigos “<i>A representação do amor na transitividade: um estudo sobre os processos e metáforas ideacionais em canções de Funk e MPB</i>”, por Cinara Cortez da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; e o “<i>Transitivity Analysis: representation of love in Wilde’s ‘The Nightgale and the Rose</i>’”, de Asad Mehmood e outros autores da Universidade de Sargodah, no Paquistão, o qual busca identificar os conceitos de amor dos personagens criados por Oscar Wilde no conto “<i>O Rouxinol e a Rosa</i>”. O tema se tornou o eixo de dissertação de Graziela a partir do seu interesse em entender como um sentimento tão abstrato poderia ser materializado - representado linguisticamente – e, na época, o seu contato com adolescentes através do trabalho em escolas de línguas foi o que definiu o <i>corpus</i> da pesquisa. </p>		
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		<h3><b>Dois aspectos base: a psicologia e a sociologia&nbsp;</b></h3>
<p>A dissertação de Graziela levanta o conceito de “amor” em três aspectos: o da psicologia cognitiva e histórico-cultural, o da sociologia e o da linguística sistêmico-funcional.</p>
<p>Para a psicologia cognitiva e histórico-cultural, as concepções do romancista e psicólogo Keith Oatley consideram que as emoções são causadas por eventos que nos são importantes – que se relacionam, por exemplo, com as nossas aspirações e preocupações. Com o amor não é diferente, porém, como Graziela cita em seu texto, “Djicik e Oatley (2004) destacam em seu artigo que o amor possibilita identificarmos aspectos de nossa própria individualidade que não poderíamos descobrir sozinhos”. O teórico também acredita que a nossa capacidade de amar é afetada pelas experiências que tivemos na infância. No caso dos adolescentes, essa bagagem de experiências se junta com aspectos culturais - e ambas facetas são internalizadas. Neste campo da psicologia, a adolescência é vista como uma fase cujos sentimentos estão se desenvolvendo. Assim, muitos adolescentes como os da faixa etária da pesquisa de Graziela – entre 17 e 18 anos – estão experienciando o ato de amar pela primeira vez.</p>
<p>Já através dos conceitos da sociologia, a dissertação de Graziela contempla o amor na modernidade – mais especificamente pelas reflexões do sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman em sua obra “<i>Amor líquido</i>”. Para Bauman, os efeitos do capitalismo que se conectam com a ideia de agilidade e rapidez de mudanças também têm consequências para as relações: as organizações sociais são inconstantes e se dissolvem de maneira mais rápida quando comparadas à sua construção. Isso significa que as relações são frágeis e, segundo Graziela, se conectam com a ideia de “serventia de necessidades”. Além disso, a desconfiança e o medo da vulnerabilidade e da perda de autonomia também levam a sociedade à “época do desapego”, na qual laços de lealdade e compromisso mútuo se encontram enfraquecidos. Um reflexo disso na vida dos adolescentes é o hábito de “ficar” – o que, para Bauman, se relaciona a uma fase de testes antes de algo ser classificado como amor.</p>
<p>Porém, vale lembrar que ainda existe outra concepção muito forte nas representações culturais: o do amor romântico idealizado. Portanto, o adolescente se veria tendo&nbsp; que assimilar uma dualidade de ideais: o do amor de filmes e livros – “o da metade da laranja” –, e o do amor líquido.</p>
<h3><b>A linguística sistêmico-funcional e o sistema de avaliatividade&nbsp;</b></h3>
<p>Por fim, os conceitos utilizados pela dissertação no sentido da linguística sistêmico-funcional levam em consideração o modelo de descrição e análise lexicogramatical desenvolvido na década de 1960 por Michael A. K. Halliday. Segundo Graziela, o modelo é considerado ‘sistêmico’ porque “nós consideramos a linguagem como um sistema de escolhas. A mesma ideia pode ser escolhida para ser falada de diferentes formas e isso depende do contexto que se está inserido. Então, eu posso estar conversando com um aluno ou com um professor sobre o mesmo tema, mas as minhas escolhas linguísticas vão ser feitas de acordo com o contexto em que eu estou, com um propósito específico. E por isso que ela é funcional: porque eu tenho um propósito a ser cumprido através da comunicação”. Nesse sentido, a linguagem se relaciona com as emoções, pois, a partir dessas escolhas, os recursos linguísticos afetam a comunicação. Isso ocorre porque, ao conversarmos com alguém, as emoções que sentimos fazem parte de uma reação ao que o outro fala – e vice-versa.</p>
<p>“A comunicação faz parte da construção do nosso sentimento e, no momento que o aluno está inserido em um contexto específico, ele também vai aprendendo esses recursos no meio em que ele está imerso. Então ele é culturalmente afetado por isso. Nós temos essa ideia de amor aqui no Brasil, em Santa Maria, mas se formos para a China ou para o Oriente Médio, o conceito de amor vai ser completamente diferente, então as nossas emoções também são feitas culturalmente”, explica.</p>
<p>Para a professora e orientadora da tese, Sara Cabral, “estudar a linguagem é, acima de tudo, buscar compreender como é e como funciona uma sociedade, e quais valores, ideias, opiniões e crenças ali circulam. No âmbito acadêmico, isso nos interessa muito de perto, porque, nos cursos de Letras, somos preparados para lidar com pessoas de diversas etapas de formação, principalmente adolescência e juventude. Entender o jovem e o que ele diz pode nos propiciar condições de realizar trabalhos mais adequados e efetivos, de modo a não só promover a aproximação humana, mas também buscar condições de compreender seu mundo, seus sentimentos e suas ações”.</p>
<p>Ainda, o sistema de avaliatividade utilizado pela autora da dissertação e criado por Martin White considera que, ao nos comunicarmos, estamos fazendo constantemente avaliações. “Essas marcas avaliativas podem ser de três categorias diferentes: de afeto, em que momento que eles avaliam aquilo afetivamente; de julgamento, que entram questões mais éticas; e de apreciação, que seria de descrição, as qualidades daquilo”, explica a doutoranda. Essa ferramenta proporcionou as categorizações finais do que é o amor para os participantes da pesquisa.&nbsp;</p>
<h3><b>Conclusões: um amor não tão líquido assim</b></h3>
<p>Fundamentada em todos esses aspectos teóricos, a pesquisa de Graziela foi colocada em prática. A participação dos adolescentes era totalmente voluntária, contou com um termo de consentimento e, para os menores de idade, de autorização dos pais – ao total, foram 25 participantes. O trabalho foi dividido em dois momentos e o primeiro deles foi o encontro inicial e de apresentação do projeto. Nele, os participantes responderam um questionário de seis questões, de forma anônima. Esse questionário continha perguntas abertas e fechadas e visava identificar o contexto pessoal de cada um dos participantes a fim de situar a discussão sobre o amor. Foram perguntas sobre quem eram as pessoas que os faziam se sentir amados, a quem eles direcionavam o seu amor, e em que situações eles se sentiam e faziam com que outras pessoas se sentissem amadas. O segundo encontro foi marcado pela escrita de um relato pessoal pelos adolescentes, respondendo à pergunta “O que é o amor?”.</p>
<p>Após a coleta e análise dessas respostas, a conclusão do trabalho foi que, na maioria das situações apresentadas pelos adolescentes, eles ainda se percebiam como “Recebedores” desse amor (56%) – o que vai ao encontro da ideia da psicologia cognitiva histórico-social, na medida em que se considera que o papel de “Amante” ainda é visto como algo relativamente novo para esses jovens indivíduos, ainda em construção emocional. Entre o amor sentido e o amor recebido, pessoas que obtiveram destaque foram a mãe e o pai, seguido pelos amigos.</p>
<p>Para Graziela, uma das maiores surpresas foi a consideração do amor como presente em momentos de dificuldade pelos adolescentes – 48% em frases que eles estariam descrevendo experienciar o sentimento e 32% em frases que eles comentaram demonstrar o amor através do apoio. Além disso, a partir das análises de Avaliatividade, a pesquisa mencionou a categorização do amor em três domínios: o amor feliz, o amor zeloso e o amor altruísta. O amor feliz estaria relacionado ao sentimento de felicidade ao amar e ser amado; o amor zeloso é referente a carinho e proteção, o cuidado com o outro; e o amor altruísta está mais ligado com uma característica ética do que carinho em si.</p>
<p>Isso também foi uma surpresa: “Nós tínhamos a expectativa de que talvez o amor para eles fosse líquido, porque eles vivem nesse meio que tudo acontece muito rápido. E, na verdade, quando fomos chegando na conclusão, percebemos que ele não é tão líquido assim - porque ele tem três pilares muito fortes. Na verdade, mostra que o bem próprio não é tão importante para eles - porque existem outros pilares ali. A felicidade não é só a minha, também é a tua. Eu tenho que ter cuidado contigo, eu sei que eu te amo porque eu me preocupo contigo, com o teu bem-estar. E se preciso, coloco as tuas necessidades frente às minhas. De certa forma, eu não estou pensando só em mim, penso no outro”, comenta a autora.</p>
<p>Em 2021, Graziela Fachim trabalha em sua tese de doutorado também sobre a linguagem do amor – porém dessa vez aplicada na literatura. Para ela, os aprendizados do mestrado podem ser considerados ao vivermos uma pandemia, “Eu acredito que pós-pandemia, a nossa concepção de amor pode até sofrer alterações. Porque agora estamos, de certa forma, afastados, mas, ao mesmo tempo, tentando criar laços de solidariedade com as pessoas. Então, uma dessas categorias de amor que nós encontramos no mestrado - que é o amor zeloso, de se preocupar com o outro -, eu acredito estar muito mais aparente nesse momento. Porque é nesse momento que a gente mostra a preocupação por quem se ama”. E você? Como anda aplicando o seu amor zeloso ultimamente?</p><p><b><i>Expediente</i></b></p><p><b><i>Repórter:</i></b><i> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><b><i>Ilustrador:</i></b><i> Renata Costa, acadêmica de Produção Editorial e bolsista</i></p><p><b><i>Mídia Social:</i></b> <i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo</i></p><p><b><i>Edição Geral:</i></b><i> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p>]]></content:encoded>
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				<title>Um guia para mandar bem nas questões de língua inglesa do Enem</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/um-guia-para-mandar-bem-nas-questoes-de-lingua-inglesa-do-enem</link>
				<pubDate>Tue, 23 Jun 2020 16:36:32 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[enem]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[guia prático]]></category>
		<category><![CDATA[Letras]]></category>
		<category><![CDATA[língua inglesa]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

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						<description><![CDATA[Dissertação apresentada no Programa de Pós-Graduação em Letras transformou-se em cartilha para auxiliar estudantes que farão o Enem ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><strong><i>Dissertação apresentada no Programa de Pós-Graduação em Letras transformou-se em cartilha para auxiliar estudantes que farão a prova&nbsp;</i></strong></p>
<p></p>

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<p>A pandemia do novo coronavírus transformou realidades e trouxe grandes desafios. No âmbito educacional, alunos tiveram que deixar de frequentar suas escolas, pois poderiam ser locais de fácil propagação do vírus. Após mais de três meses do início do distanciamento físico, as aulas presenciais seguem suspensas em nosso país, uma vez que a curva de contágio da doença continua em crescimento em praticamente todos os estados. Para quem espera concluir o ensino médio e realizar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para entrar em uma universidade em 2021, a situação é ainda mais difícil.&nbsp;</p>
<p>O desempenho no exame é utilizado pelo Sistema de Seleção Unificado (SiSU), que permite o acesso a várias universidades públicas do Brasil, como a UFSM. Além disso, a nota do Enem é aceita em algumas instituições privadas e proporciona bolsas pelo Programa Universidade Para Todos (Prouni) e o Financiamento Estudantil (FIES).&nbsp;</p>
<p>Segundo o governo, esta edição teve 6,1 milhões de inscritos e, inicialmente, a prova seria realizada no mês de novembro. Entretanto, devido à covid-19, alunos, entidades estudantis e universidades se mobilizaram em campanhas pelo adiamento das provas, uma vez que estudantes de baixa renda têm condições precárias de estudos durante a pandemia. A questão foi levada e aprovada no Senado. Pouco antes da&nbsp;<a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2020/05/19/senado-aprova-adiamento-do-enem-2020-materia-vai-a-camara" target="_blank" rel="noopener noreferrer">votação com placar de 75 a 1</a>,&nbsp;o MEC anunciou o adiamento. A data para aplicação dos testes segue indefinida.</p>
<h2>O Enem de língua inglesa</h2>
<p>										<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/06/Enem_capa-1024x668.jpg" alt="">											</p>
<p>Para auxiliar os estudantes que se preparam para o Enem, a doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM, Amanda Petry Radünz, juntamente com sua orientadora, professora <a href="https://ufsmpublica.ufsm.br/docente/15699">Patrícia Marcuzzo</a>, criaram o “Guia prático para mandar bem no Enem de língua inglesa”. A cartilha foi desenvolvida a partir da dissertação de Amanda, que abordou como são estruturadas as questões de inglês da prova.&nbsp;</p>
<p>Durante sua trajetória acadêmica, Amanda participou do projeto <a href="https://www.facebook.com/linguasnocampus/">Línguas no Campus</a>, no qual ministrava aulas de leitura em língua inglesa e preparatórias para o Teste de Suficiência em Leitura em Língua Estrangeira (TESLLE) - Inglês, o qual foi seu objeto de análise no Trabalho de Conclusão de Curso. Já para o mestrado, ela e a orientadora Patrícia fizeram um estudo semelhante, a partir de sete exemplares do Enem - língua inglesa, dos anos de 2010 a 2017.&nbsp;&nbsp;</p>
<p>“O primeiro enfoque da análise foi estrutural: entender como as questões se organizam. Depois, a análise voltou-se para o conteúdo das questões: o que, em termos de linguagem, o examinando precisa entender nos textos-base para responder às questões?”, explica a pesquisadora. Dentre os resultados encontrados, ela observa que todos os textos-base são escritos em inglês, mas, a partir do enunciado da questão, redigido em português, pode-se ter uma contextualização e retirar informações dos textos, como a autoria, o público-alvo e o local de publicação.&nbsp;</p>
<p>Além dessas referências que podem ajudar o participante no processo de leitura e contextualização, Amanda também concluiu que, quanto aos enfoques das questões, é necessário que o estudante identifique informações específicas sobre o conteúdo, o objetivo e também o assunto dos textos-base. Ela afirma que o estudo é relevante, pois explica com detalhes a língua inglesa dentro do exame. “Ele pode auxiliar tanto os professores que orientam os alunos na preparação para o Enem, quanto os próprios alunos, ao demonstrar como o teste se estrutura e quais aspectos de linguagem são mobilizados pelas questões”, ressalta.&nbsp;&nbsp;</p>
<p>A professora Patrícia, que orientou Amanda na dissertação, detalha que “no contexto acadêmico, há vários estudos sobre gêneros escolares, como a própria redação do Enem e de exames vestibulares. No entanto, há poucos estudos sobre o gênero teste, como o Enem”. Segundo ela, as pesquisas existentes analisam o efeito retroativo dessas avaliações no ensino, enquanto a pesquisa de Amanda traça um panorama do teste como um todo, com configurações macro e microestruturais.&nbsp;</p>
<p>A pesquisa fez parte de um projeto guarda-chuva, que buscou analisar outras avaliações, como o TOEFL-ITP, Teste de Suficiência em Língua Estrangeira e vestibulares de língua inglesa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal de Santa Catarina. O "Guia prático para mandar bem no Enem de língua inglesa" foi o primeiro a ser produzido, mas Patrícia conta que a ideia é elaborar outras cartilhas sobre os testes estudados por outros alunos de graduação e mestrado.&nbsp;</p>
<h2>Cartilha com dicas para os participantes da prova</h2>
<p>Com o estudo, após analisar 40 questões de língua inglesa do Enem, os resultados da dissertação foram resumidos e adaptados para que possam servir de auxílio para estudantes que irão prestar o Enem. O guia final é organizado no formato de pergunta-e-resposta, com seis tópicos que orientam no estudo para o teste. Além disso, também são apresentadas seis questões-modelo para exemplificação.&nbsp;</p>
<p>Dentre as dicas, o material inicia com a explicação geral da quantidade e modelo das questões de língua inglesa, que são cinco, compostas por um texto-base, uma situação problema a ser resolvida e cinco alternativas (quatro distratores e um gabarito). Os textos-base foram escritos originalmente em inglês e são de cinco esferas diferentes: jornalística, literária, pedagógica, publicitária e turística.&nbsp;</p>
<p>Já os enunciados são escritos em português e neles é possível encontrar uma contextualização do texto em inglês, com informações sobre o gênero, autoria, assunto, contexto de publicação ou público alvo. Eles também podem indicar alguma parte do texto a ser lida mais detalhadamente para obter a resposta. São informações que auxiliam o participante a encontrar a resposta da pergunta.&nbsp;</p>
<p>Mesmo que as questões sejam estruturadas com início pelo texto-base, depois o enunciado e, por fim, as alternativas, outra recomendação é que o examinando não leia a questão a partir dessa ordem. É sugerida primeiro a leitura do enunciado e, em seguida, as alternativas de resposta. Só depois o participante deve ler o texto em inglês para identificar a resposta, uma vez que as alternativas podem conter pistas que auxiliem na compreensão.&nbsp;</p>
<p>Esse guia também é uma maneira de retribuição que as professoras encontraram, uma vez que a pesquisa não fica apenas no âmbito acadêmico, mas pode ser utilizada de maneira prática por professores e alunos. “Como pesquisadora do assunto e também professora, entendo que, para se sair bem em uma prova ou em um teste, é fundamental conhecê-los antes! Alguns aspectos do teste (como estrutura, número de questões, enfoque etc) devem fazer parte do estudo preparatório”, finaliza Patrícia.&nbsp;&nbsp;</p>
<p></p>
<p><strong><a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/06/Guia-Enem-última-versão-1.pdf">O guia completo já está disponível</a>.</strong> Em breve as pesquisadoras pretendem enviar o material para o curso <a href="https://www.facebook.com/PreUniversitarioPopularAlternativa/">Pré-Universitário Popular Alternativa</a>, da UFSM, e para a plataforma <a href="https://momentodeaprender.com/">Momento de Aprender</a>.&nbsp;</p>
<p><b><i>Reportagem</i></b><i>: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo</i></p>
<p><b><i>Ilustrações</i></b><i>: Marcele Reis, acadêmica de Publicidade e Propaganda</i></p>
<p><b><i>Mídias Sociais</i></b><i>: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas</i></p>
<p><b><i>Edição</i></b><i>: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
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