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			<title>Revista Arco - Feed Customizado RSS</title>
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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>Malawi: o coração afetuoso da África</title>
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				<pubDate>Thu, 01 Jul 2021 10:55:40 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[cultura africana]]></category>
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		<category><![CDATA[voluntários]]></category>

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						<description><![CDATA[Médico e professor aposentado da UFSM conta sobre a trajetória como voluntário no país africano]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="674" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/07/Capa_Malawi-1-1024x674.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>De julho a outubro de 2018, o professor aposentado de Gastroenterologia do Departamento de Clínica Médica da UFSM Renato Fagundes trabalhou como voluntário na República do Malawi, país da África Oriental. A viagem se deu pelo consórcio AfrECC, um projeto realizado entre o National Institute of Health (NIH) e outros grupos, que identificaram crescente número nos casos de câncer esofágico entre a população malawiana. </p><p>O Rio Grande do Sul, juntamente com o Uruguai e o norte da Argentina, constituem a área de maior risco para esse tipo de câncer na América do Sul. Ciente disso, Fagundes sempre se dedicou ao estudo de tumores no esôfago, com mestrado e doutorado nessa área. O médico relatou à Revista Arco sobre as experiências e trabalhos desenvolvidos no país africano:</p><h3><strong>Povo de Malawi, crenças e costumes</strong></h3><p>Malawi é conhecido como <i>The warm heart of Africa,</i> que eu traduziria livremente por “o coração afetuoso da África”. Eu brincava constantemente dizendo que estava em busca de um um malawiano desagradável e não conseguia encontrá-lo. A afetividade e a disponibilidade em ajudar demonstrada pelas pessoas são muito grandes. Em geral, são pessoas bem-humoradas, um pouco tímidas no primeiro contato e, como a maioria dos africanos, extremamente musicais, caindo na dança por qualquer motivo.</p><p>É um dos países mais pobres e menos desenvolvidos do mundo. Foi colônia do Reino Unido até 1964. O idioma oficial é o inglês, porém uma significativa parte da população não se comunica nesse idioma, mas em alguns dos diferentes dialetos, dos quais o mais comum é o <i>chechewa</i>. A economia é baseada na agricultura, com a maior parte da população vivendo na área rural. O Malawi tem uma baixa expectativa de vida (ao redor de 50 anos), apresenta altas taxas de mortalidade infantil e uma alta prevalência de HIV/AIDS. O risco para doenças infecciosas é muito alto, incluindo hepatite A, febre tifoide, malária e <strong>esquistossomose.</strong></p><h3><strong>Lilongwe</strong></h3><p>Lilongwe é a capital de Malawi, situa-se na região central do país. Apesar de existir como cidade de pequeno porte há mais de 60 anos, adquiriu importância quando foi elevada à condição de capital, em 1975, quando passou a apresentar um aumento da população, que atualmente ultrapassa um milhão de habitantes. Nestes 43 anos de existência, Lilongwe é uma cidade em construção, com algumas vias asfaltadas e muitas ruas sem calçamento. A existência de calçadas para pedestres é quase nula. Os pedestres dividem os acostamentos das vias asfaltadas com ciclistas e com motoristas afoitos que invadem o acostamento colocando todos em risco. </p>		
									<figure>
										<img width="914" height="697" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/07/Mapa_Malawi.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Localização do Malawi no continente africano</figcaption>
										</figure>
		<p>É uma região árida e seca, nos meses de julho a outubro não chove e a poeira é uma constante. É uma cidade espalhada, com grandes intervalos sem construções, com iluminação e limpeza precárias, com muitas desigualdades, predominando pessoas de baixa condição social, econômica e cultural. Contrastando com a pobreza geral, existem construções públicas suntuosas como os prédios do parlamento, a residência do presidente, o banco central e as embaixadas, assim como o centro internacional de convenções e o estádio de futebol Bingu National Stadium. Apesar das desigualdades, a taxa de criminalidade é baixa e durante o dia é possível se mover em qualquer área da cidade em segurança.</p><h3><strong>Biópsias e próteses</strong></h3><p>O projeto funciona em dois contextos, um trabalho de campo, que visa a inclusão de pacientes com câncer esofágico, e outro de controles sem câncer. A abordagem inicial é feita através de questionários que visam identificar fatores de riscos, ambientais e familiares, seguidos de endoscopia digestiva alta nos pacientes com suspeita ou já diagnosticados previamente com câncer do esôfago. Nesses pacientes, são coletadas biópsias seguindo um protocolo padrão para todos os centros, e colocação de próteses metálicas expansíveis nos pacientes com obstrução esofágica, visando que eles possam deglutir. As biópsias vão ser alvo de identificação de marcadores moleculares para se formar um perfil molecular desses tumores. As próteses são uma inovação de origem chinesa, muito simples e de custo muito baixo, e estão sendo testadas nesses pacientes, aparentemente com bons resultados. Esse projeto é de longo prazo e envolve uma série de questões de pesquisa e de abordagens, com resultados previstos para os próximos cinco anos. </p><h3><strong>Kamuzu Central Hospital (KMC)</strong></h3><p>Fiz a opção para desenvolver o projeto em Lilongwe por ser a região mais carente de pessoal para a realização de exames e procedimentos endoscópicos e, de forma contrastante com o ambiente geral de carência, possuir uma unidade da UNC com laboratórios de ponta para a realização de análises moleculares e genômicas. O Kamuzu Central Hospital é um hospital terciário de referência em Lilongwe, tem em torno de mil leitos, mas muitas vezes sua capacidade é excedida pelo número de pessoas da região (aproximadamente cinco milhões) que estão em sua área de abrangência. A maior parte dos leitos é ocupada por pacientes com HIV/AIDS. Em 2017, aproximadamente 70% dos óbitos ocorridos no hospital foram causados por HIV/AIDS. Exerci minha atividade basicamente na unidade de endoscopia digestiva. Um hospital dessa dimensão tem apenas dois médicos habilitados a realizar exames endoscópicos, e ambos são cirurgiões gerais, também responsáveis pelas cirurgias do hospital. Além disso, uma vez por semana eles devem viajar para os distritos satélites de Lilongwe para executarem pequenas cirurgias, de forma a manter os pacientes nos hospitais distritais. Devido a essa sobrecarga, a realização de endoscopia digestiva fica restrita a duas manhãs por semana, e muito frequentemente, em virtude de alguma urgência cirúrgica, os exames endoscópicos são suspensos.</p>		
												<img width="1024" height="773" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/07/04-1024x773.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="1024" height="767" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/07/05-1024x767.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p style="text-align: center">Entrada do hospital. </p><h3><strong>Desafios na rotina de trabalho</strong></h3><p>A dificuldade inicial foi que, contrariando a norma mundial de se efetuar endoscopia digestiva com sedação, no KMC, por razões econômicas, as endoscopias eram realizadas sem que o paciente estivesse sedado. Foi preciso muito argumento para conseguir sedativos, que, depois de algum tempo, faltaram e não foram repostos. A essa dificuldade, se somaram as relacionadas a equipamento deficiente e falta de pessoal treinado para auxiliar nos procedimentos. A unidade dispunha de somente uma funcionária fixa, que era aposentada e participava de um programa de aproveitamento de aposentados com salário irrisório. </p><p>Um dos procedimentos relacionados à pesquisa incluiu o tratamento paliativo do câncer de esôfago avançado pela colocação de uma prótese metálica expansível através do tumor esofágico. É uma técnica que permite que o paciente possa deglutir e não venha a sucumbir pela fome e pela sede. Para a colocação dessa prótese, é necessário proceder a dilatação do tumor através da inserção de sondas de calibre progressivo, até se atingir um túnel adequado para se introduzir a prótese. Trata-se de um procedimento extremamente doloroso, que deve ser realizado sob sedação e analgesia. Na maior parte das vezes, os sedativos e analgésicos estavam em falta e tive de executar o procedimento sem sedação, surpreendentemente com pouca reação por parte dos pacientes. </p><p>O equipamento de endoscopia consta fundamentalmente de duas partes: o tubo que é introduzido no tubo digestivo do paciente e uma processadora que gera a iluminação no interior do órgão e processa a imagem para um monitor. A única processadora era mantida ligada por, literalmente, um “curativo” feito com gases e esparadrapo que mantinham pressionado o botão comutador do aparelho. Quando eu cheguei estava assim, e assim permaneceu até a minha partida. Sem contar com os frequentes “apagões” de energia elétrica, que podiam durar alguns segundos ou se prolongar por tempo indefinido. Muitas vezes, com o endoscópio dentro do paciente, ficava na dúvida se deveria retirá-lo e aguardar a vinda da luz ou esperar com o instrumento inserido até a volta da energia. Esses apagões aconteciam em média cinco a seis vezes por dia.</p>		
									<figure>
										<img width="1024" height="759" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/07/06-1024x759.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>“Curativo” que mantinha ligada a processadora do endoscópio.</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Quando a vida diz para deixar a infância</b></h3><p>Uma menina de 11 anos, vinda de um distrito distante, acompanhada da mãe, compareceu no dia aprazado para realização de endoscopia digestiva alta, indicada para esclarecimento de vômitos com sangue há dez dias. Não havia sedativos disponíveis. Explicamos a situação para a mãe e solicitamos que ela definisse um dia para o agendamento com o anestesista. A mãe, muito angustiada, disse que seria impossível voltar outro dia pois não teria dinheiro para a condução. Todo o dinheiro que dispunha tinha sido gasto nas passagens daquele dia. Expliquei, via intérprete (ela não falava inglês), os desconfortos do exame e as possíveis reações a esses desconfortos. Omiti minha angústia de realizar o exame em uma criança de 11 anos, a mesma idade de minha neta. A mãe conversou alguns minutos com a menina em dialeto <i>chechewa. </i></p><p>Depois de um diálogo permeado de temor e ansiedade, a mãe falou com a enfermeira que servia de intérprete. A tradução da enfermeira, seguida do olhar ansioso da mãe, foi que eu não só poderia, como deveria fazer o exame, garantindo que a menina suportaria os desconfortos com a menor reação possível. Considerando que a menina poderia sofrer outros episódios de hemorragia digestiva, tomei a difícil decisão de tentar o exame. Somente com um spray de xilocaína na garganta para reduzir o reflexo de vômito, iniciei o exame. A reação da menina foi mínima, fez uma arcada de vômito, na introdução do endoscópio, e permaneceu imóvel, com lágrimas escorrendo de seus olhinhos fechados durante o tempo que durou o exame. </p><p>A suspeita diagnóstica se confirmou. Ela apresentava varizes esofágicas de grande calibre e com sinais de sofrimento, o que significa risco de novos sangramentos. Para realizar o procedimento, é necessário retirar o endoscópio, montar o kit de ligadura elástica no endoscópio e reintroduzi-lo. A resposta da menina para nossa explicação foi um cerrar de dentes seguido de um balançar afirmativo da cabeça. Reintroduzimos o endoscópio com o kit de ligadura, que torna um pouco mais desconfortável a introdução. Houve a mesma reação do início do exame, seguido de lágrimas. Consegui colocar com sucesso cinco anéis nas varizes e completei o procedimento. Ao terminar, ela se abraçou à mãe e deixou vir o choro contido, soluçando convulsivamente, sem emitir nenhum som. Foi de cortar o coração.</p><h3><b>Jornada de uma mãe ao fundo de sua dor</b></h3><p>Este foi um dos fatos mais tristes que presenciei em minha vida calejada de médico. Uma criança de colo morreu no hospital. Uma enfermeira enrolou cuidadosamente seu corpinho inanimado em um lençol e o entregou à mãe, que estava sozinha. A mãe, num silêncio profundo que gritava aos corações de quem estava presente, colocou o pequeno fardo em seu xale, colocou-o em suas costas e iniciou sua jornada solitária para casa, distante quatro horas de caminhada. Confesso que me foi impossível reter as lágrimas ao ver aquela mãe afastando-se lentamente em direção ao seu destino, para enterrar sua carga física juntamente com a dor de sua alma.</p><h3><b>O que Malawi me acrescentou</b></h3><p>Sempre considerei a resiliência, a capacidade de adaptação e a tolerância como os pontos fortes de minha personalidade. Essas características foram testadas ao máximo em minha estada no Malawi. A carência de medicamentos e materiais limitando um trabalho adequado pode ser frustrante, mas é melhor fazer improvisando do que não executar a tarefa. Trabalhar com funcionários despreparados, e muitas vezes indolentes em situações delicadas, representou um grande esforço de autocontrole. Ao me sentir violentado por fazer procedimentos sem um mínimo de alívio do paciente aos meus cuidados, tive de me consolar que todo o sofrimento infligido por meus atos iria ser compensado pelos resultados decorrentes do procedimento. Acho que contribuí de forma significativa, tanto do ponto de vista científico quanto do ponto de vista humano e social, mas deixo os testemunhos de minhas ações em Malawi para os representantes das organizações, que promovem e patrocinam estas ações, com quem convivi.</p>		
									<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/07/07-768x1024.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Ao lado de uma paciente.</figcaption>
										</figure>
		<section data-id="0d0f865" data-element_type="section"><p><em><strong>*Texto:</strong></em> Renato Fagundes</p><p><em><strong>Expediente:</strong></em></p><p><i><strong>Ilustrador:</strong> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</i></p><p><i><strong>Mídia Social:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo<br /></i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb, jornalista</i></p></section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Olimpíada Santa-Mariense de Neurociências: Incentivo ao conhecimento científico</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/olimpiada-santa-mariense-neurociencias</link>
				<pubDate>Thu, 15 Apr 2021 13:12:34 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Colégio Politécnico]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[neurociência]]></category>
		<category><![CDATA[olimpíadas de conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[olimpíadas escolares]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>

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						<description><![CDATA[Competições escolares despertam o interesse dos estudantes pela pesquisa As olimpíadas de conhecimento, também chamadas de olimpíadas escolares, possuem um longo legado que remonta ao século 19. No Brasil, elas começaram a ganhar notoriedade em 2005, com a criação da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). As principais áreas contempladas nas provas, desde [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <h2>Competições escolares despertam o interesse dos estudantes pela pesquisa</h2>		
		<p>As olimpíadas de conhecimento, também chamadas de olimpíadas escolares, possuem um longo legado que remonta ao século 19. No Brasil, elas começaram a ganhar notoriedade em 2005, com a criação da <a href="http://www.obmep.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP)</a>. As principais áreas contempladas nas provas, desde o princípio, são as ciências exatas e as naturais. Entretanto, no século 21, surgiram competições relacionadas às ciências humanas - como a de história, a de língua portuguesa, a de filosofia e a de geografia -, com o objetivo de incentivar professores e alunos nas diversas áreas do conhecimento.</p><p>As provas têm o intuito de ser práticas não apenas de competição - já que estimulam os estudantes a se desafiarem além do contexto da sala de aula - mas também possibilitar o aprofundamento sobre um determinado conteúdo, além de ajudar na integração entre os participantes. Esses foram alguns dos propósitos que levaram os integrantes da Liga Acadêmica de Neurociência da Universidade Federal de Santa Maria (Neuroliga UFSM) a criarem, em 2019, o comitê local para realizar a Olimpíada Santa-Mariense de Neurociências.</p><p>A Neuroliga UFSM é um projeto de extensão criado por acadêmicos do curso de Medicina que trata de assuntos relacionados às neurociências. Hoje em dia, o projeto tem caráter multidisciplinar e abrange outros cursos da área da saúde e até mesmo cursos de outros Centros, como Psicologia, do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH).</p>		
										<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/04/capa_simplificada_11-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />											
		<h3><b>A Neuroliga UFSM e a disseminação das neurociências</b></h3><p>Antes de continuar a leitura, você sabe o que é a neurociência? É uma ampla área de estudo, a qual engloba desde pesquisas relacionadas às investigações filosóficas entre a relação do cérebro físico e a mente humana a pesquisas sobre os neurônios – células responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos, que transmitem a outras células do organismo uma determinada informação - por exemplo, retirar a mão de um objeto muito quente. </p><p>A acadêmica do 7º semestre de Medicina e diretora da Comissão de Comunicação da Neuroliga UFSM, Eduarda Kunkel, comenta que um dos pontos de partida dos integrantes ao desenvolver a Olimpíada Santa-Mariense de Neurociências para estudantes do ensino médio partiu da questão “Por que precisamos de pesquisadores nessa área?”. Kunkel ressalta que a competição consiste em uma maior divulgação do campo das neurociências, com o objetivo de incentivar os alunos a conhecerem e até mesmo pensarem em seguir no ramo científico. </p><p>Com o acelerado envelhecimento da população mundial, o índice de casos de demências cresce e se torna um dos desafios atuais da saúde pública. Segundo dados da <a href="https://www.who.int/mental_health/publications/dementia_report_2012/en/" target="_blank" rel="noopener">Organização Mundial da Saúde (OMS)</a>, de 2017, os casos de demência no mundo são estimados em 35,6 milhões - esse número deve dobrar até 2030 e triplicar até 2050. Existem várias formas diferentes de demência, sendo que a mais conhecida é a doença de Alzheimer.</p><p>Vale lembrar que as doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson, não têm cura até o momento, e afetam, em sua maioria, a parcela com idade mais avançada da população. “As pessoas que estudam neurociências, para chegar no nível acadêmico, precisam se dedicar por muito tempo. E um dos propósitos da olimpíada é justamente incentivar o pessoal do ensino médio a já sair pensando em talvez seguir na área, porque demanda muito tempo de estudo e especialização”, afirma Kunkel.</p><h3><b>Como a pandemia afetou a Olimpíada</b></h3><p>Parte dos integrantes da Liga organizam um curso preparatório para instruir os alunos a  realizar a prova da Olimpíada Santa-Mariense. Os estudantes podem se inscrever de forma gratuita e não existe nenhum tipo de processo seletivo para participar. As aulas são ministradas pelos monitores do curso e são divididas em três principais áreas: Morfologia, Neurociências Básicas e Neurociências Clínicas.</p><p>Antes da pandemia de Covid-19, era realizada uma prova teórica para selecionar os alunos para uma segunda etapa de aulas - a parte prática - em um dos laboratórios do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFSM, já que o local não comportava um grande número de participantes. No laboratório, ocorriam as aulas de histologia, com microscópios, lâminas e eram mostradas as peças anatômicas. Em 2021, o curso vai ser realizado de forma remota, via plataforma de videochamada, e não será necessário aplicar a prova para a segunda etapa.</p>		
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										<img width="960" height="960" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/04/laboratorio_neuroliga_ufsm.jpg" alt="" loading="lazy" />											<figcaption>Aula prática do curso preparatório da Neuroliga UFSM, no laboratório do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFSM, em 2019.  Créditos: Arquivo da Neuroliga UFSM</figcaption>
										</figure>
		<p>O curso preparatório era divulgado nas escolas de Santa Maria. Contudo, neste ano a disseminação das informações sobre as aulas e sobre a 3ª edição da Olimpíada precisou ficar restrita às redes sociais. O curso começou no dia 17 de março e vai até o dia 30 de abril, e as inscrições para participar estão abertas até o dia 15 de abril . A competição será realizada no dia 2 de maio e o resultado sairá no dia posterior, 3 de maio. A prova conta com questões de múltipla escolha e com uma parte prática, na qual o estudante vai ter que analisar vídeos e imagens sobre morfologia e casos clínicos para responder às questões propostas.</p><p>Uma novidade em 2021 é o sistema de cotas. Vão ser três vagas para a ampla concorrência e três vagas para escolas públicas. Assim, os seis alunos selecionados na fase local poderão competir na <a href="https://brazilianbrainbee.org/" target="_blank" rel="noopener">Olimpíada Brasileira de Neurociências (OBN)</a> ou <i>Brazilian Brain Bee</i>. Nas duas edições anteriores, apenas três competidores iam para a fase nacional.</p><h3><b>Por que estudar neurociências na escola?</b></h3><p>Alexandre Vargas se formou ano passado no ensino médio e participou das duas edições anteriores da disputa. Este ano, vai participar como monitor do curso preparatório. Diante disso, vai ministrar as disciplinas de sentidos químicos – a neurociência do olfato e do paladar –, e também as sobre a fisiologia do sono e os estados do cérebro. “Temas que gosto muito e que agora vou ter a oportunidade de passar para frente o que aprendi”.</p><p>A estudante Laís Foster, do terceiro ano do Colégio Politécnico da UFSM, vai participar novamente do curso preparatório. Ela já havia feito parte da 2ª edição da Olimpíada, a qual contou com duas fases - a primeira presencial em 2019 e a segunda já de forma virtual em 2020. A aluna conheceu a competição por meio da divulgação feita pela Neuroliga UFSM em sua escola. Ela conta que alguns colegas já haviam participado e relatavam as experiências práticas nos laboratórios. Assim, decidiu ingressar no curso para aprofundar-se mais no tema. Foster ressalta a importância de estudar sobre o assunto, “o nosso sistema nervoso comanda tudo o que nós fazemos, desde o nosso sono, desde a fala, movimentos, a memória. Então, é importante que conheçamos e saibamos desde cedo como nós, seres humanos, funcionamos”.</p><p>O estudante Alessandro Dutra, também do terceiro ano do Politécnico, participa das aulas realizadas pela Liga desde seu primeiro ano do ensino médio. Ele reforça a necessidade de conhecer as neurociências com mais profundidade já no ensino médio e no fundamental, e conta que o processo favorece o autoconhecimento. Dutra ainda ressalta sobre como a neurociência ajuda a ter um conhecimento maior sobre temas como transtornos mentais e doenças psicológicas. Além disso, para o aluno, uma das motivações ao aprender sobre a área é o fato de ainda haver muito o que descobrir, “é uma ciência que ainda está em desenvolvimento, muitas coisas que ainda os pesquisadores não sabem. Aprender sobre isso é uma motivação para que no futuro possamos descobrir.”.</p><p>A coordenadora do Ensino Médio do Politécnico da UFSM, professora Terezinha Cleoni Dalmolin, afirma que as Olimpíadas ajudam na dedicação dos alunos em relação às disciplinas da matriz curricular. “Para nós, educadores, a Olimpíada Santa-Mariense de Neurociências veio contribuir para o aprendizado dos estudantes.”.</p><h3><b>A Olimpíada Brasileira de Neurociências</b></h3>
<p>No ano passado, os três estudantes foram selecionados para competir na Olimpíada Brasileira de Neurociências, já de forma online. Vargas teve a oportunidade de ser selecionado também em 2019, antes da pandemia. Dessa forma, pôde competir na capital fluminense, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sede da fase nacional. “A oportunidade de participar da Olimpíada Santa-Mariense de Neurociências já havia sido excepcional, e a chance de participar duas vezes da Olimpíada Brasileira de Neurociências foi, de todos os modos, mágica”, relata.</p>
<p>Em 2020, os participantes selecionados para a etapa nacional puderam participar de um curso de formação inicial em neurociências pela UFRJ organizado pela OBN. Dutra teve a chance de realizar o curso e conta que aprendeu como o campo das neurociências é amplo, “eu consegui abrir um pouco mais meus olhos para o campo das neurociências. Não engloba só a Biologia ou a Medicina, mas também a Psicologia e a Informática, áreas muito distintas”.</p>
<p>Foster diz que foi uma experiência única participar do curso, pois tiveram uma série de aulas mais aprofundadas sobre o sistema nervoso. “Foram aulas muito relevantes. Além da possibilidade de ter contato com outros alunos interessados pelo tema. Toda essa relação foi muito significativa”.</p>
<p>A OBN foi instituída em 2013, a partir da iniciativa do professor associado da UFRJ do Programa de Neurobiologia, Alfred Sholl-Franco, doutor em Ciências Biológicas, e da criação de um comitê nacional do Núcleo de Divulgação Científica e Ensino de Neurociências (NuDCEN) nas dependências do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (BCCF). A Olimpíada contou também com o apoio da UFRJ e&nbsp; da Organização Ciências e Cognição (OCC).</p>
<p>Em 2021, a primeira etapa da fase nacional será no dia 30 de maio. Nela, serão realizadas três provas: a primeira de Morfologia – Neuroanatomia, Neurohistologia e Embriologia do Sistema Nervoso – com questões de múltipla escolha; na segunda, o Quiz - que também terá questões de múltipla escolha sobre conhecimentos gerais em neurociências, como o sistema nervoso e os sistemas sensoriais- ; e a Clínica Neurofuncional, que será a última parte, a qual envolve a apresentação de casos clínicos, através de vídeos e desafios, para o aluno desvendar.</p>
<p>A segunda etapa da fase nacional ocorrerá no dia 13 de junho e apenas os 10 primeiros colocados na primeira fase competem na prova <i>Live Questions, </i>que consiste em uma avaliação oral, na qual o candidato responde perguntas apresentadas por uma banca de juízes. As questões envolvem conhecimentos gerais em neurociências como envelhecimento, mecanismos de ação do álcool e de drogas, entre outros temas específicos. A <i>live</i> de premiação é no dia 14 de junho.</p>
<p>O ganhador da OBN, além de uma premiação da própria competição, pode disputar a etapa internacional, a <i>International Brain Bee -</i>&nbsp;fundada em 1998 por Norbert Myslinski, da Universidade de Maryland (Estados Unidos), em um período de grande incentivo relacionado à pesquisa e à divulgação das neurociências no mundo. Até o momento, não foi divulgada a data da etapa internacional, que ocorrerá também de forma virtual.</p>
<h3><b>Ciência em pauta</b></h3>
<p>Por fim, o objetivo de concretizar as Olimpíadas é fomentar a divulgação científica entre professores e alunos. A OBN pode ser realizada por candidatos independentes ou por células descentralizadas. O modelo de organização descentralizada permite que professores do ensino médio realizem a competição em sua escola ou comunidade sem precisar de uma estrutura completa do comitê local - com especialistas para construir a prova. Por isso, a prova recebida pelas células ou pelos candidatos independentes é feita pela própria OBN.</p>
<p>Ademais, as competições são oportunidades de os alunos conhecerem o que gostam de estudar ou até mesmo o que não sentem muita afinidade. Kunkel ressalta a importância de participar, pois abrem caminhos e oportunidades para os estudantes. As provas, muitas vezes, auxiliam na decisão sobre qual área seguir no ensino superior. “Incentivo a participação para todo o aluno do ensino médio. É nesta etapa que o estudante acaba optando pelos cursos superiores onde poderá dar continuidade a esta descoberta”, comenta Dalmolin.</p><p><strong><i>Expediente</i></strong></p>
<p><i><b>Reportagem:</b>&nbsp;Eduarda Paz, acadêmica de Jornalismo e voluntária da revista Arco</i></p>
<p><i><strong>Ilustração:</strong> Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista</i><i></i></p>
<p><i><b>Mídia Social</b>: Nathália Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista, e Ana Ribeiro, acadêmica de Produção Editorial e voluntária</i></p>
<p><b><i>Editora de Produção</i></b><i>: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p>
<p><i><b>Edição Geral</b>: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p>]]></content:encoded>
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