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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>8 Mulheres Empreendedoras da UFSM</title>
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				<pubDate>Thu, 09 Feb 2023 11:50:06 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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						<description><![CDATA[Empresas incubadas colaboram com a transformação social a partir da atuação em áreas como meio ambiente, gestão de pessoas e arte]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><!-- wp:tadv/classic-paragraph --></p>
<p>Com o estabelecimento do Parque de Inovação, Ciência e Tecnologia da UFSM e a <a href="https://www.ufsm.br/2023/01/31/com-a-proinova-ufsm-inclui-a-inovacao-como-pilar-e-quer-aproximacao-maior-com-a-sociedade">criação da Pró-Reitoria de Inovação e Empreendedorismo (Proinova)</a>, o empreendedorismo ganha destaque na Instituição. As mulheres empreendedoras são personagens importantes nesse cenário de desenvolvimento. De acordo com o relatório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), as mulheres lideram 34% dos negócios brasileiros. Na Pulsar Incubadora Tecnológica da UFSM, elas estão à frente de 10 empresas, o que contabiliza uma porcentagem de 24,39% em um total de 41 empreendimentos. Apesar do percentual ainda baixo, as lideranças femininas têm sido agentes de transformação social a partir do trabalho desenvolvido, seja à frente de empresas, seja com a criação de espaços que fomentem essa prática.&nbsp;</p>
<p>O início do empreendedorismo na UFSM teve como liderança uma mulher: Nilza Venturini Zampieri, na época docente do curso de Engenharia Elétrica, foi a fundadora da Incubadora Tecnológica de Santa Maria (ITSM), hoje incorporada pela Pulsar. Primeira tutora da primeira empresa júnior da UFSM - a Objetiva Jr -, Nilza conta que se apaixonou quando ouviu falar na ideia de incubadora, e decidiu trazê-la para a Universidade. O objetivo era criar um local em que os estudantes pudessem praticar os aprendizados a partir da criação de empresas. “Tudo que pudesse fazer para transformar o sonho de jovens em realidade, em estar em uma universidade, estar trabalhando, estar em um projeto, estar fazendo, eu ia me dedicar pra isso. Gosto muito e tenho feito isso a minha vida inteira”, comenta Nilza.</p>
<p>Nos espaços em que ocupava por conta da Incubadora, como em palestras e eventos, a presença de mulheres era rara. Nilza conta que era comum receber olhares e comentários de descrença sobre a ideia de criar uma incubadora. A primeira sede da Incubadora foi um prédio antigo doado pela Universidade, e que ficava localizado no terreno em que hoje está a Pulsar, próximo ao Arco da UFSM. A construção era um depósito, e foi reformada a partir de projetos posteriores. Hoje, a sede tem uma sala de convivência, situada no prédio 2 da instituição, com o nome de Nilza Zampieri, como forma de homenagear seu pioneirismo.</p>
<p>Nesta lista, feita com base na série Mulheres Empreendedoras, da TV Campus, você conhece 8 mulheres que estão à frente de empresas incubadas na Pulsar. Confira:</p>
<h3><b>Andrea Capssa</b></h3>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/02/andrea1.jpeg" alt="" width="500" height="281">A arte esteve presente de diversas formas na trajetória de Andrea Capssa. Hoje doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGART/UFSM), ela começou nesse meio como artista independente. A partir dessa experiência e dos estudos do doutorado, criou a <a href="https://www.mobartapp.com/">Mobart</a>, um aplicativo que faz a projeção de obras de arte por meio da realidade aumentada. Esse mecanismo foi escolhido por ser de fácil uso e instalação, já que dispensa a necessidade de óculos (utilizados na realidade virtual). Disponível de forma gratuita, o aplicativo auxilia artistas e galeristas no processo de vendas, além de proporcionar aos apaixonados por arte a possibilidade de ver e conhecer diferentes obras em tamanho real com todos os seus detalhes.&nbsp;</p>
<p>Atualmente, a ferramenta reúne cerca de 54 artistas e mais de 250 obras disponíveis. “A Mobart vem a ser uma ponte entre o produtor e o público consumidor”, afirma Andrea. Ao lembrar da trajetória, ela fala com entusiasmo da ascensão de mulheres à frente de startups, especialmente em sua área: “Fico feliz porque a mulher tem todo o potencial para fazer cada vez mais e melhor”. Para superar os preconceitos e julgamentos que podem acompanhar o sucesso profissional, ela comenta que sempre buscou ter confiança no seu trabalho. Para ela, esse tipo de comportamento deu forças para que situações desagradáveis, que já viu acontecer com outras mulheres, não fizessem parte de sua carreira.</p>
<h3><b>Betania Vahl de Paula</b></h3>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/02/betania1.jpeg" alt="" width="500" height="281">Betania Vahl de Paula é formada em Biologia e Mestra em Agronomia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Em Santa Maria, fez seu doutorado em Ciência do Solo na UFSM e deu início à trajetória no empreendedorismo feminino ao assumir o cargo de diretora geral na <a href="https://www.performancevegetal.com.br/">Performance Vegetal</a>. Betania conta que durante o doutorado, ao trabalhar com nutrição de plantas, percebeu que os produtores tinham dificuldade no processo de adubação. Até aquele momento, não existia nenhuma plataforma que oferecesse uma recomendação mais assertiva em relação ao uso de fertilizantes, levando em consideração fatores como o clima e o solo de cada propriedade.&nbsp;</p>
<p>“Eu vou aplicar o meu conhecimento em algo que eu possa levar para o produtor”: foi com esse pensamento que Betania resolveu ultrapassar os limites da UFSM e chegar até as propriedades rurais com a criação da Performance Vegetal. A plataforma usa inteligência artificial para integrar dados referentes ao solo e ao clima de cada região para montar um diagnóstico que indica quais são os manejos mais eficientes de acordo com o objetivo do produtor. Com ela, agricultores de diferentes regiões garantem maior precisão, produtividade e qualidade em suas propriedades. A ideia da Betania também proporciona uma diminuição de custos. “Quando o produtor coloca o que ele realmente precisa no solo, não coloca em excesso. E o excesso é dinheiro indo fora”, completa.</p>
<h3><b>Camila Monteiro</b></h3>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/02/camila1.jpeg" alt="" width="500" height="281">Empreender é criar e colocar em prática novas ideias, assim como fez Camila Monteiro. Ela é cientista de alimentos formada pela Unipampa e atualmente faz doutorado na UFSM pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia dos Alimentos. Durante as pesquisas, ela identificou uma necessidade em comum de produtores e indústrias de azeite de oliva: o reaproveitamento de resíduos da olivicultura. Especialmente o bagaço da oliva, que possui diversos nutrientes, mas não tem utilização nessa área. Assim, Camila criou e colocou em prática a ideia da <a href="https://www.instagram.com/oliveeplus/?igshid=YmMyMTA2M2Y%3D">Olive Plus</a>, startup que trabalha com o reaproveitamento desse resíduo para ser aplicado na alimentação. Além de agregar valor ao produto, o tratamento do bagaço de oliva é importante para a redução do impacto ambiental, já que cerca de 80% da produção de azeite de oliva é resíduo.</p>
<p>Para Camila, o empreendedorismo feminino é importante para a quebra de estereótipos, mas também por servir de exemplo para as mulheres que têm o desejo de empreender. Assim como outras lideranças foram inspiração para a criação da Olive, Camila espera que seu trabalho possa encorajar outras mulheres. Apesar de observar uma maior inserção feminina no cenário de startups, ela conta que os olhares de julgamento ainda se fazem presentes em alguns espaços. “Já houve situações em que eu falava e era um pouco subestimada, como se não tivesse propriedade naquela informação que estava passando. Isso mexe com a nossa autoconfiança e, por isso, busco ter mais resiliência e determinação para dar continuidade a minha trajetória”, comenta.</p>
<h3><b>Cassandra de Deus e Thaiane Marques da Silva</b></h3>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/02/thaianiecassandra1.jpeg" alt="" width="500" height="281">Foi durante as aulas de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos na UFSM que nasceu a ideia da <a href="https://weecaps.com.br/">Weecaps</a>, startup que trabalha para melhorar a qualidade dos alimentos por meio da aplicação de probióticos. Os probióticos são definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como microrganismos vivos, ou seja, bactérias, que, quando ingeridos em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde. As CEOs Cassandra de Deus e Thaiane Marques da Silva, através da atuação na startup, desenvolveram uma tecnologia de microencapsulação, que possibilita a aplicação dos microrganismos em alimentos. Esse tipo de aplicação evita perdas de compostos durante a passagem pelo estômago. Em cápsulas de medicamentos convencionais, por exemplo, a abertura e liberação da substância começa no estômago. “E o nosso diferencial está nesse gatilho de abertura: a microcápsula passa intacta pelo estômago e começa a liberar o composto somente no intestino", completa Cassandra. Ela também explica que somente no intestino ocorre a absorção da maioria das substâncias. </p>
<p>Durante o estabelecimento da empresa, elas contam que tiveram uma grande rede de apoio composta por profissionais que já atuavam na área, o que foi fundamental para a inserção no empreendedorismo feminino. Além do apoio, elas buscam ter persistência diante dos desafios e colocar em prática uma premissa que as acompanha desde a graduação: “Não aceitar os ‘não’ e correr atrás dos ‘sim”, revela Thaiane.</p>
<h3><b>Lidiane Bertê&nbsp;</b></h3>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/02/lidiane2.jpeg" alt="" width="500" height="281">Empreendedora há mais de 12 anos, a trajetória de Lidiane Bertê veio acompanhada de desafios. “No início do meu fazer profissional, escutava muito ‘tu é uma menina’, sendo que eu já era uma psicóloga formada atuando”, conta. Mas, apesar dessas desqualificações, pelo lugar da mulher e por ser jovem, aprendeu a “não dar ouvidos” e seguir com o trabalho. “Tem situações em que eu bato de frente e outras que ignoro porque não vale a pena. E mais do que isso: eu vou fazer o que tenho que fazer, apesar dos questionamentos”, revela.&nbsp;</p>
<p>Formada em psicologia e especialista em gestão de pessoas, atualmente Lidiane lidera 3 empresas. Uma delas é a <a href="https://nekto.com.br/">Nekto</a>, startup incubada pela UFSM. Ela busca oferecer uma ferramenta de gestão de pessoas que ajuda empresas e pessoas nesse processo. A plataforma da Nekto auxilia o candidato no preenchimento do currículo ao mesmo tempo que ajuda empresas no recrutamento e seleção de futuros empregados. Lidiane ainda conta que, por trás da empresa, existe seu propósito pessoal de impactar positivamente a vida das pessoas. “Eu estou oferecendo oportunidades de vida para essas pessoas. E também para as empresas que precisam de profissionais qualificados. Quando a gente consegue entregar essa solução para empresas e candidatos, impactamos a vida dessas pessoas”, completa.&nbsp;</p>
<h3><b>Pauline Sagrilo</b></h3>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/02/pauline1.jpeg" alt="" width="500" height="281">A ideia da empresa que colocou Pauline Sagrilo na lista de mulheres empreendedoras da UFSM surgiu em 2018, durante sua participação na <a href="https://www.ligai9.com.br/">Liga i9</a> - em que alunos desenvolvem ideias de startup com o apoio de diversos mentores. Após alguns meses de trabalho, surgiu a <a href="https://www.connectsust.com.br/">Connect Sust</a>, iniciativa que busca levar educação ambiental e sustentabilidade para as empresas por meio da coleta de resíduos sólidos urbanos. Após a coleta, esses resíduos são destinados para os catadores da Associação de Reciclagem Seletivo Esperança (ARSELE), que recebem a doação e obtêm renda para suas famílias. Em 2021, foram 50 toneladas de resíduos sólidos urbanos destinados adequadamente através da atuação da Connect Sust e do trabalho das 30 famílias da ARSELE.</p>
<p>Pauline começou a empreender durante a graduação em Engenharia de Produção e revela que já notou alguns olhares de julgamento. “Eu era vista como uma menina que queria empreender e mudar o mundo sem ter muito conhecimento”, conta. Mas, por entender o espaço de transformação social que ocupa hoje, sempre busca levantar a bandeira do empreendedorismo feminino para que mais mulheres possam atuar na área e colaborar com o cenário do meio ambiente.</p>
<h3><b>Rosana Taschetto Vey</b></h3>
<p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/02/rosana2.jpeg" alt="" width="500" height="281">Rosana Taschetto Vey é engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal do Pampa e Mestra em Agrobiologia pela UFSM. Atualmente, é CEO da <a href="https://www.instagram.com/inocular_solucoesagricolas/?igshid=YmMyMTA2M2Y%3D">Inocular</a>, empresa que trabalha com consultoria e desenvolvimento de produtos agrícolas relacionados à utilização de microrganismos em diferentes culturas. Hoje, o foco da Inocular está nas bactérias promotoras de crescimento. Elas auxiliam na agricultura ao proporcionar maior absorção de água e nutrientes, além de tornar a planta mais tolerante ao ataque de pragas.&nbsp;</p>
<p>Ao falar sobre empreendedorismo feminino, ela revela que vê uma maior inserção de mulheres nesse meio, especialmente nos últimos anos. Para Rosana, ter outras lideranças femininas auxilia na sequência do trabalho. “Com a presença de outras mulheres, nos sentimentos mais incluídas e aceitas nesse meio”, comenta.</p>
<h3><b>Série “Mulheres Empreendedoras” da TV Campus</b></h3>
<p>A série “Mulheres Empreendedoras”, da TV Campus, conta a história dessas oito lideranças femininas à frente de empresas incubadas na Instituição. <a href="https://youtu.be/flxL1tFFCEo">O primeiro episódio</a> aborda o início do empreendedorismo na Universidade. Para contar essa história, a TV Campus conversou com Nilza Zampieri, que foi fundamental para a fundação da Incubadora Tecnológica de Santa Maria (ITSM). Assim, o episódio conta como o protagonismo feminino foi fundamental para o desenvolvimento do empreendedorismo na UFSM. Assista:</p>
<p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p>https://www.youtube.com/watch?v=flxL1tFFCEo<p><a style="color: #204c90;font-size: 16px" href="https://youtu.be/x2Pp0lIxzL4">O segundo episódio</a> da série conta a história da Rosana, da Betânia, da Cassandra e da Thaiane. A partir do trabalho desenvolvido, elas contribuem com a qualidade de vida da comunidade com o desenvolvimento de plantas e alimentos. Confira:</p>https://www.youtube.com/watch?v=x2Pp0lIxzL4<p>A história da Pauline e da Camila são destaque no <a style="color: #204c90;font-size: 16px" href="https://youtu.be/wGd--Xf_T5E">terceiro episódio</a>. Elas compartilham o propósito da criação das empresas e inspiram a partir de suas trajetórias no empreendedorismo feminino. Assista:</p>https://www.youtube.com/watch?v=wGd--Xf_T5E<p>O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=2TpjnOe-vck">quarto episódio</a> da série conta a história de Andrea e a Lidiane, lideranças femininas que fazem a diferença a partir do trabalho desenvolvido na Mobart e na Nekto. Assista:</p>https://www.youtube.com/watch?v=2TpjnOe-vck<p>Os próximos episódios da série “Mulheres Empreendedoras” seguem colocando em destaque o protagonismo feminino. Eles vão compartilhar a história de outras mulheres e contar como o trabalho desenvolvido pelas empresas incubadas na UFSM impacta positivamente a sociedade, especialmente de Santa Maria.</p>
<h3><b>Como empreender na UFSM</b></h3>
<p>Para fazer parte da lista de empreendimentos da UFSM, os projetos podem se candidatar por meio de <a href="https://www.ufsm.br/orgaos-executivos/agittec/busca?q=&amp;sites%5B%5D=399&amp;area=editais&amp;orderby=date&amp;tags=">editais</a> para iniciar o vínculo com o Programa de Incubação oferecido pela Pulsar. Ele tem como objetivo fortalecer e preparar as empresas por meio do monitoramento da evolução do negócio e conexão com outras empresas incubadas. O Programa de Incubação contempla a fase em que o empreendimento deixa de ser ideia e passa a ser uma empresa. Durante o programa, os empreendedores utilizam a infraestrutura e os serviços de apoio científico e tecnológico e de suporte operacional oferecidos pela Pulsar.</p>
<p><em><strong>Expediente:</strong><br /><strong>Reportagem:</strong> Samara Wobeto e Thais Immig, acadêmicas de Jornalismo;<br /><strong>Design gráfico: </strong>Daniel Michelon De Carli, Unidade de Comunicação Integrada<b>;</b><br /><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>Mulheres na Paleontologia</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/mulheres-na-paleontologia</link>
				<pubDate>Fri, 11 Mar 2022 13:29:01 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cappa]]></category>
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		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>

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						<description><![CDATA[Machismo em saídas de campo é fato que permeia a rotina das paleontólogas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1023" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/CAPA_.GIF_3-1023x682.gif" alt="Gif horizonte e em tons de azul. São duas telas: na primeira, um grupo de seis homens está ao redor de uma pedra com duas marcas de fósseis de pé de dinossauros. Dois dos homens tem pele negra, e quatro tem pele branca. Eles vestem jaleco branco sobre camiseta verde claro. Dois deles seguram ferramentas como martelo, espátula e pincel de limpeza. Outro segura uma lupa. Outro uma câmera fotográfica. Ao fundo , quadro de esqueleto de dinossauro. A parede é azul marinha. A segunda tela desliza para a direita. Nela, há uma mulher negra de cabelos loiros em frente a uma rocha com fósseis de três conchas. Ela veste jaleco branco sobre camiseta verde claro. Segura uma lupa na mão. Na mesa em frente, há um livro aberto, um pincel de limpeza e uma faca pequena. O fundo é uma parede azul marinho." loading="lazy" />														
		<p>A Paleontologia é um campo tradicionalmente reconhecido como masculino em todo o mundo. Uma forma de demonstrar isso é bem simples: quando pesquiso o termo no <a style="text-decoration: none" href="https://www.google.com/search?q=paleontologia&amp;sxsrf=APq-WBu39bEsz9BL5Pcb3tBoAlsnlrlgUA:1646935986025&amp;source=lnms&amp;tbm=isch&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwiax6jTkrz2AhXJGbkGHQgkCtQQ_AUoAnoECAEQBA&amp;biw=1920&amp;bih=969&amp;dpr=1">Google Imagens</a>, o algoritmo mostra principalmente homens em campo - mulheres demoram a aparecer nos resultados da busca. Ou seja, influenciados pela representação midiática, associamos a profissão a homens brancos (independentemente de sermos leigos ou escolarizados). Mas será que esse cenário condiz com a realidade da pesquisa paleontológica no Brasil? </p>		
												<img width="1024" height="582" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/1-1024x582.jpg" alt="Captura de tela de resultado de busca no Google, na aba imagens. A aba de busca tem o texto &quot;Paleontologia&quot;. Abaixo, oito imagens em duas linhas. São quatro imagens de fósseis de dinossauros, um carta, de curso sobre Paleontologia básica, duas imagens de homens mexendo com fósseis e uma ilustração de um fóssil de lagarto com o título &quot;Paleontologia: o que é?&quot;" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-319c0e10-7fff-40d8-5bb3-3315c184ece2" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Em um<a style="text-decoration: none" href="https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/13279"> resumo</a> publicado em 2017 pelas pesquisadoras  Mell Siciliano e Jacqueline Leta, foi observado que, em trabalhos de autoria compartilhada na Revista Brasileira de Paleontologia, “praticamente para cada autor há metade de uma autora”. Essas informações reforçam a predominância de autores masculinos na área da Paleontologia no Brasil.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Outro exemplo é a história dos estudos de roedores no Brasil (<a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/nem-todo-fossil-e-de-dinossauro/">área de Paleomastozoologia</a>, na qual eu atuo), que iniciou no século 19, com os trabalhos de Peter W. Lund (1801-1880) e posteriormente com Herluf Winge (1857-1923), ambos naturalistas dinamarqueses. Na década de 1940, após um hiato nos estudos de roedores do Brasil, Bryan Paterson realizou algumas descobertas sobre o grupo de animais. Somente a partir da década de 1960, esses estudos se intensificaram, começando pelos trabalhos de George Gaylord Simpson (1902-1984), paleontólogo e evolucionista estadunidense. Na década de 1980, destacaram-se os trabalhos de Kenneth E. Campbell Jr. e David Frailey, do Museu de História Natural da cidade de Los Angeles. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Atualmente, têm se dedicado ao estudo de roedores caviomorfos (roedores sul-americanos, como chinchilas e capivaras) os professores Ricardo Francisco Negri e Leonardo Kerber. Ou seja, até aqui, todos homens. Após quase dois séculos, eu sou primeira mulher brasileira a também me dedicar a esta área de estudos (em outros países, como na Argentina, existem mulheres paleontólogas que estudam roedores extintos, como  María Guiomar Vucetich, Michelle Arnal, María Encarnación Pérez, Myriam Boivin - francesa, mas atualmente trabalhando na Argentina, entre outras).</p>		
									<figure>
										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/IMG_1003-1024x768.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de três mulheres agachadas sobre solo de terra vermelha. Elas vestem camiseta branca e calça preta, e chapéu de tecido bege ou boné branco. Mexem no solo com ferramentas como martelo, espátula e pincel de limpeza. Ao lado, uma bacia de plástico transparente. Ao fundo, é possível ver água." loading="lazy" />											<figcaption>Da esquerda para direita: Paula Dentzien Dias, Débora Diniz e Emmanuelle Fontoura. Arquivo pessoal.</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-391b336e-7fff-ae0f-e2bd-3a34579cfa5f" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">O coletivo <a style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/paleomulheres/">Mulheres na Paleontologia</a>,  é composto por docentes, pesquisadoras e estudantes que atuam na Paleontologia brasileira. Foi criado em 2017, sob a coordenação da pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Annie Schmaltz Hsiou, a partir de denúncias de discriminação, violência e assédio relatadas por mulheres da graduação e pós-graduação. Em 2020, essas cientistas criaram o projeto de pesquisa ‘Perfil de Gênero da Paleontologia’, que tem o  objetivo de “realizar o levantamento do perfil de gênero na Paleontologia brasileira, compreendendo qual a sua diversidade atual e como esse perfil se alterou ao longo da história da Sociedade Brasileira de Paleontologia”. O projeto busca gerar “argumentos baseados em evidências para debates sobre a estrutura opressora do machismo na academia e no universo científico”, segundo consta nas redes sociais da iniciativa. Alguns dos resultados mostram que há uma diversidade muito grande na área paleontológica (49,4% homens, 47,8% mulheres, 1,9% não-binários, 0,5% homens trans, 0,2% mulheres trans e 0,2% agêneros). Entretanto, ainda há  predominância de homens quando comparamos gênero em cada área dentro da Paleontologia (Paleoinvertebrados: 57.1% homens, 42.9% mulheres; Paleovertebrados: 60.1% homens, 39.9% mulheres; Paleoicnologia: 60.5% homens, 39.5% mulheres; Paleopalinologia: 32.3% homens, 67.7% mulheres; Paleobotânica: 40% homens, 60% mulheres; Micropaleontologia: 42% homens, 58% mulheres; Tafonomia: 56.9% homens, 43.1% mulheres).</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Recentemente, o coletivo publicou uma <a style="text-decoration: none" href="https://drive.google.com/file/d/1cdgNNOe_z3wnAacAwRHvRpGUshcYT9iO/view">Carta Aberta da Rede Mulheres na Paleontologia - PaleoMulheres</a>, em razão de um paleontólogo, servidor público e docente ter sido denunciado por assédio moral e sexual - fato que foi reportado no programa televisivo <a style="text-decoration: none" href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/12/13/ele-destroi-a-vida-e-os-sonhos-de-muita-gente-diz-aluna-de-professor-da-unirio-acusado-de-assedio.ghtml">Fantástico.</a> Nesta carta, as mulheres manifestaram seu repúdio e fizeram solicitações à Sociedade Brasileira de Paleontologia, além de se dispor para auxiliar as vítimas.</p>		
									<figure>
										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/20180123_095252-1024x576.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de duas mulheres e um homem trabalhando sobre uma mesa branca. Na mesa, há pedaços de pedra, pedras dentro de plásticos, caixa de papelão, ferramentas como pincéis e pinças. As pedras com as quais mexem estão sobre almofadas. Os três tem pele branca, cabelos castanho escuros e lisos, presos em um coque. Vestem jaleco branco. As duas mulheres usam óculos. Ao fundo, prateleiras de alvenaria com cerâmica, em que estão depositadas caixas e variados ossos." loading="lazy" />											<figcaption>Da esquerda para direita: Débora Moro, Emmanuelle Fontoura e Yan Silva.</figcaption>
										</figure>
			<h3>Maternidade e Paleontologia</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-4c22c7ad-7fff-ad98-092b-e8a4e01fbfcf" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">A desconsideração da <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/maternidade-no-lattes/">licença maternidade</a> na aferição de produção acadêmica e científica era um fator importante na produção científica feminina. Apenas no ano de 2021, a plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), possibilitou inserir os registros de períodos de licença maternidade no currículo. Até então, a qualidade e capacidade profissional do cientista, que é medido através da quantidade de publicações e atividades inseridas no Lattes, era mensurado de forma semelhante para homens e mulheres, desconsiderando que as mulheres teriam 120 dias ausentes das atividades acadêmicas por motivos intransferíveis, além de que elas têm que ultrapassar mais barreiras para estruturar suas carreiras do que homens, como dupla jornada, preconceito, competição e segregação. Uma pauta feminista e materna, que finalmente foi conquistada. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Além de tudo que foi citado, a paleontologia possui a necessidade de saídas de campo para coleta de material (outras áreas científicas também têm essa necessidade, porém vou comentar sobre a área na qual eu atuo). Para além do deslocamento até o sítio paleontológico - que exige aptidão física para caminhar longas distâncias, desbravar mata fechada, escalar morros escorregadios ou lamosos -, a coleta de material fóssil necessita de força física para remover um bloco rochoso do chão e transportá-lo até o laboratório. Nesse cenário, o machismo é presente de diversas formas, seja no pensamento das pessoas de que esse é um “trabalho para homens” e que mulheres não são capazes de realizá-lo - portanto, preferem contratar homens para esse emprego; seja quando presenciamos homens constantemente interrompendo nossa atuação para “fazer um trabalho melhor”; ou até no conhecido “mansplaining”, em que homens tentam explicar algo que sabemos - e muitas vezes somos especialistas no assunto. </p>		
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										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/gravida-7-meses-Fm-Guara-coordenando-coleta-de-pegada-de-dinossauro-1024x768.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de seis pessoas. No centro, duas pessoas estão agachadas ao redor de um círculo na terra, em meio a uma estrada de chão. No círculo, há um fóssil. São dois homens, um de pele branca e outro de pele negra, que seguram marretas na mão. Outro homem, em pé ao lado, também segura uma marretinha. Na esquerda, mulher de pele branca em pé; ela está de costas, tem cabelos escuros, ondulados e compridos presos em um rabo de cavalo baixo; veste camiseta branca, calça preta e usa Chapéu de tecido bege. Está grávida e aponta o dedo para o círculo. Ao fundo, outra mulher, de pele parda, em pé, sorri. Estão em uma estrada de chão. O fundo é uma paisagem de campo, com gramíneas baixas e árvores ao fundo." loading="lazy" />											<figcaption>À esquerda, professora Paula Dentzien-Dias, grávida de sete meses, coordenando a coleta de pegada de dinossauro na Formação Guará. Imagem cedida pela Paula.</figcaption>
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		<p id="docs-internal-guid-b09a38e8-7fff-543a-58da-3349bb8e5a71" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">A maternidade ou a própria manutenção da família e da casa podem afetar a produtividade acadêmica das paleontólogas mulheres, uma vez que  algumas saídas de campos podem durar horas, dias ou semanas, o que pode ser um tempo longo para uma mulher que é mãe se ausentar de casa. Essa preocupação ainda não é tão comum para homens, pois eles costumavam ser moldados para se dedicar ao seu trabalho - e apenas isso. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Para as paleontólogas realizarem as saídas de campo, é necessário encontrar um espaço seguro, um familiar ou uma amiga para deixar os filhos.  Os campos costumam ser  ambientes perigosos para uma criança. Ou seja, a situação exige uma rede de apoio, muitas vezes negligenciada. Tenho certeza que muitas mães já ouviram frases como: “por que resolveu ser mãe agora?”, “deveria ter se planejado melhor”, ou então “uma mãe ausente não é uma boa mãe”. São inúmeras críticas às mulheres cientistasque querem conciliar o trabalho e a família. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.2;text-align: justify;margin: 0pt -35.45669291338578pt 8pt 120.47244094488187pt">“Uma vez feita a opção pela carreira científica, a mulher se depara com o conflito da maternidade, da atenção e obrigação com a família vis-a-vis as exigências da vida acadêmica. Algumas sucumbem e optam pela família, outras, pela academia, e um número decide combinar as duas. Sobre essas últimas, não é necessário dizer quanto têm que se desdobrar para dar conta não apenas das tarefas múltiplas, mas também para conviver com a consciência duplamente culposa: por não se dedicar mais aos filhos e por não ser tão produtiva quanto se esperaria (ou gostaria). (VELHO, 2006, p. xv, retirado de Silva e Ribeiro, 2014)</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Para exemplificar, pedi à minha orientadora da graduação, a professora da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) Paula Dentzien-Dias, que me enviasse uma foto de alguma situação relativa à maternidade, visto que ela recentemente tornou-se mãe do Vicente. Ela me enviou esta imagem, um frame de um vídeo para aula prática de uma disciplina de Icnologia atual e fóssil da Pós-Graduação em Oceanologia que ela ministra. Ela se deslocou até o local onde seria realizada a aula prática de campo com os alunos, se não estivessemos em pandemia, para fazer a gravação e levou o Vicente junto - e ele acabou aparecendo sem querer no vídeo. </p>		
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										<img width="352" height="640" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/WhatsApp-Image-2022-03-08-at-11.08.561.jpeg" alt="Fotografia vertical e colorida de um pedaço do chão. Há areia ao redor de um pedaço de fóssil branco. No canto superior esquerdo, sobre o fóssil, pedaço de pé de bebê." loading="lazy" />											<figcaption>Imagem cedida pela professora Paula Dentzien-Dias 
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			<h3>O “Teto de Vidro”</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-a2102223-7fff-48ee-8952-fcf009c9e643" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">A autora Londa Schiebinger utiliza a expressão “teto de vidro” para se referir, como metáfora, à “barreira supostamente invisível que impede as mulheres de atingirem o topo”, pois não existem barreiras físicas que explicam o porquê de as mulheres não conseguirem avançar  profissionalmente na mesma proporção que os homens.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Além disso, é válido destacar que a ciência ainda permanece com uma estrutura patriarcal, baseada em um “modelo masculino” de carreira, com valores e padrões também tidos como masculinos. Isso seria aquele modelo em que a ciência deve ocupar o tempo integral das nossas vidas, já que homens estruturalmente ainda não possuem a responsabilidade da casa e da família. Esse modelo dificulta e limita a participação feminina na ciência. As pesquisadoras Silva e Ribeiro escreveram um artigo intitulado <a style="text-decoration: none" href="https://www.scielo.br/j/ciedu/a/wNkT5PBqydG95V9f4dJH4kN/?lang=pt">“Trajetórias de mulheres na ciência: "ser cientista" e "ser mulher"</a> no qual trazem a ideia de Fanny Tabak sobre a dificuldade de ser uma mulher cientista, ainda no século 21: “é muito mais difícil para a mulher seguir uma carreira científica numa sociedade ainda de caráter patriarcal e em que as instituições sociais capazes de facilitar o trabalho da mulher ainda são uma aspiração a conquistar’.” </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">E talvez estejamos pensando: “como fazer para quebrar o ‘teto de vidro’”? Essa é uma pergunta que não tem uma resposta precisa, mas muitas atitudes que tomamos no nosso dia a dia podem influenciar na fragilidade que este vidro possui - e facilitar a sua quebra total no futuro. Por exemplo, podemos buscar exemplos de mulheres cientistas para mostrar o que é ciência; buscar parcerias femininas para trabalhos; incluir mulheres nas suas pesquisas; divulgar a ciência feita por mulheres e as próprias cientistas; dar oportunidades para mulheres na iniciação científica; respeitar o tempo e ter empatia por mães cientistas; mostrar para colegas quando eles têm uma atitude machista; introduzir na ciência uma perspectiva de gênero;  reforma curricular na ciência, abordando temáticas de gênero; entre muitas outras atitudes. A ciência não é neutra.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Dentro da paleontologia, é importante destacar algumas ações fundamentais: contratar paleontólogas e geólogas para trabalhos pesados e de campo; repreender quando ouvir alguma frase machista, como “preparar um fóssil exige delicadeza e, por isso, é um trabalho feminino”; não excluir mulheres das saídas de campos; não fazer comparações sobre capacidade e esforço físico entre homens e mulheres; ao presenciarem comentários ou piadas sobre uma mulher no campo, repreender imediatamente; não se oferecer para carregar alguma ferramenta, mochila e equipamento só porque é uma mulher; na dúvida, se ainda houver, trate sua colega da mesma forma que você trataria seus colegas homens. Nós não precisamos de ajuda, conseguimos fazer tudo sozinhas, sim! O que precisamos é de respeito.</p>		
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										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/gravida-7-meses-protegendo-pegadas-de-dinossauro-da-patrola-1024x768.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de uma mulher em frente a uma patrola. A mulher está de costas, tem pele branca, cabelos escuros, ondulados e compridos presos em um rabo de cavalo baixo. Usa Chapéu de tecido bege. Veste camiseta branca, calça preta e calçado marrom. A patrola é cinza, velha e com aspecto enferrujado, passa po uma estrada de chão. Ao lado esquerdo, três pessoas paradas olham para a patrola. Duas são mulheres e um é homem. O homem tem pele negra e as mulheres tem pele branca. Estão no acostamento, sobre gramínea baixa e acinzentada. O fundo é o céu azul." loading="lazy" />											<figcaption>Paula Dentzien-Dias (de branco), grávida de 7 meses, protegendo a pegada de dinossauro da patrola que estava passando. Imagem cedida pela pesquisadora.</figcaption>
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		<p id="docs-internal-guid-efb5b510-7fff-ab4d-76d2-0f16974d771b" dir="ltr" style="line-height: 1.2;text-align: justify;margin: 0pt -35.45669291338578pt 8pt 113.38582677165354pt">“O preconceito de gênero, como produto social, cultural e histórico, que institui e determina constantemente uma imagem negativa e inferiorizada das mulheres, nem sempre se dá de forma explícita; muitas vezes, ele se dá de forma velada, sutil, e aí residem, justamente, sua força e eficácia.” (Silva e Ribeiro, 2014)</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">A seguir divulgarei o trabalho de algumas cientistas, paleontólogas e estudantes. Que seja uma fonte de inspiração às nossas meninas e mulheres para que consigam quebrar o “teto de vidro” e ocupar espaços que, por muito tempo,  foram ocupados por homens devido à disparidade de gênero. De antemão, peço desculpas às cientistas que não citei por mero esquecimento ou porque nossos caminhos ainda não se cruzaram. Todas vocês são importantes! Alguns textos foram retirados e adaptados dos currículos Lattes das pesquisadoras, outros do site do <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccne/cappa/equipe/">Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM</a> e outros, ainda, foram enviados pelas próprias paleontólogas. </p>		
												<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/paula-1024x768.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-2028ceae-7fff-82d7-2b3d-f338a244c064" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -37.476377952755826pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><a style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/pauladentzien/">Paula Dentzien Dias</a>: Professora associada da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), com atuação no Programa de Pós-Graduação em Oceanologia e líder do Grupo de Pesquisa em Icnologia. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Paleontologia, atuando principalmente nos seguintes temas: <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/nem-todo-fossil-e-de-dinossauro/">Icnologia</a> (estudo de vestígios), Permiano, Jurássico, Quaternário, Bacias de Pelotas, Paraná e Parnaíba. Tem atuado na área de extensão e pesquisa, trabalha com icnofósseis, principalmente coprólitos (fezes fossilizadas), e já encontrou espécies novas de actinomicetos (bactérias)actinomisseti e os parasitas de tênia mais antigos de tênia, ambos em coprólitos! </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -37.476377952755826pt;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p>		
		<p><a id="docs-internal-guid-06cb8e82-7fff-fd5d-ff97-bb701fcb5b33" style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/alinemghilardi/">Aline Ghilardi</a>: Paleontóloga com foco em Paleobiologia, Paleoicnologia e Osteohistologia de Vertebrados e atua na área de Divulgação Científica. Ela é criadora da rede "Colecionadores de Ossos", vinculada às iniciativas Science Blogs e Science Vlogs Brasil, e também realiza divulgação de forma independente em suas redes sociais. Atualmente, Aline é professora adjunta de Paleontologia no Departamento de Geologia e do Programa de Pós-Graduação em Geodinâmica e Geofísica (PPGG) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).</p>		
												<img width="512" height="512" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/aline.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="227" height="286" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/annie.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-e57cfce7-7fff-b077-0411-8a32cdb25c16" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><a style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/anniehsiou/">Annie Hsiou</a>: Professora associada e livre docente junto ao Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), ligado à Universidade de São Paulo (USP). É membra efetiva da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP) e foi diretora da SBP, ocupando o cargo de vice-presidente (gestão 2017/2019), além de ter sido 1ª tesoureira (gestões 2013/2015 e 2015/2017). Atualmente é a 1ª vice-presidente da Associação de Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp). Estuda morfologia comparada de lepidossauros fósseis (esfenodontes, lagartos e serpentes) através do Mesozóico e Cenozóico sul-americano. Também atua na compreensão e evolução da biota do Neógeno da Amazônia Brasileira da Bacia do Acre, com ênfase nas faunas de répteis, idade e resolução temporal do Mioceno do norte da América do Sul. É mãe de dois filhos e esteve de licença maternidade entre maio a outubro de 2014 e entre junho e dezembro de 2018.</p><p> </p>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">Ana Maria Ribeiro: Bióloga/pesquisadora da Seção de Paleontologia do Museu&nbsp;de Ciências Naturais do Rio Grande do Sul&nbsp; (SEMA/RS), coordenadora do&nbsp;Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica/CNPq&nbsp; e curadora da&nbsp;coleção científica <br></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">de Paleontologia no Museu de Ciências Naturais (MCN),&nbsp;editora da Revista Brasileira <br></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">de Paleontologia, docente permanente do&nbsp;Programa de Pós-Graduação em <br></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">Geociências na Universidade Federal do Rio&nbsp;Grande do Sul (UFRGS) e do Programa <br></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">de Pós-Graduação em Sistemática e Conservação da Diversidade Biológica (SEMA - UERGS). Tem experiência na&nbsp;área de Geociências, com ênfase em Paleontologia de Vertebrados, atuando principalmente nos seguintes temas: sistemática de mamíferos e cinodontes, Triássico e Cenozóico.&nbsp;</p>
<p></p>		
												<img width="290" height="315" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/ana-maria.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="1024" height="680" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/elizete-1024x680.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-dbefebe9-7fff-2fc8-9336-ad39d079f250" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><a style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/celeste.holanda/">Elizete Holanda</a>: Doutora em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) desde 2011. Atualmente é professora associada do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Roraima (UFRR), coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (ProfÁgua/UFRR) e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais. Atua principalmente nos temas da Paleontologia da Amazônia e Ensino em Geociências.</p><p> </p>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left"><a style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/marinabentosoares/">Marina Bento Soares</a>: Professora associada Nível 3 do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e orientadora permanente do PPGeo - Patrimônio Geopaleontológico do Museu Nacional</p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">e do Programa de Pós-Graduação em Zoologia do Museu Nacional. Também atua como docente colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Geociências -PPGGeo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Tem experiência na área de Paleontologia (Paleozoologia e Paleontologia Estratigráfica), com ênfase em</p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">Paleontologia de Vertebrados, atuando principalmente nos seguintes temas:</p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">Morfo-anatomia, Filogenia, Histologia, Tafonomia e Bioestratigrafia de tetrápodes</p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">fósseis do Permo-Triássico do Rio Grande do Sul. Sua pesquisa tem como foco principal</p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">o estudo dos cinodontes não-mamaliaformes (Therapsida, Cynodontia), como </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">Exaeretodon, e paleohistologia de tetrápodes fósseis. </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left"> </p>		
												<img width="852" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/marina-852x1024.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="1024" height="874" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/taissa-1024x874.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-bc41c769-7fff-0efc-97ed-86e90bb6075e" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Taissa Rodrigues (<a style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/paleomulheres/">Mulheres na Paleontologia (@paleomulheres)</a>): Professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) desde 2011, onde realiza atividades de ensino, pesquisa, extensão e administração. Orienta discentes de mestrado e doutorado em Biologia Animal no Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (PPGBAN) da mesma instituição. Possui graduação em Ciências Biológicas (bacharelado em Zoologia dos Vertebrados) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG/2004) e mestrado (2007) e doutorado (2011) em Ciências Biológicas (Zoologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua pesquisa tem como foco  a anatomia e sistemática de pterossauros e a evolução da biota do Cretáceo. Atua também nos temas da diversidade de gênero na paleontologia e tráfico de fósseis, além de realizar divulgação científica. Atualmente, é podcaster no “Cinema com Ciência”, membra afiliada da Academia Brasileira de Ciências (ABC)  e membra dos comitês de Assuntos Governamentais e do Prêmio Alfred Sherwood Romer da Society of Vertebrate Paleontology (EUA).</p><p> </p>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left"><a style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/a_quezado/">Ana Emilia Quezado de Figueiredo</a>: Bióloga  pela Universidade Estadual do <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">Ceará (UECE/2005), este em Geociências e paleontologia na Universidade <br /></p><p id="docs-internal-guid-00b30bbe-7fff-ae1e-97b0-b6259d4bd291" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/2009).  É doutoranda em Geociências e Paleontologia na UFRGS. Tem experiência em paleontologia, atuando  principalmente nos seguintes temas: Curadoria, Ensino de Paleontologia, <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.3898pt;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">Icnologia de Vertebrados, Tafonomia de Vertebrados e Taxonomia de Peixes.</p>		
												<img width="640" height="480" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/ana-emilia.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="517" height="694" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/carolina.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Carolina Saldanha Scherer: Doutora em Geociências pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente trabalha como professora adjunta na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), na área de Paleontologia. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Mamíferos Fósseis, atuando principalmente nos seguintes temas: camelídeos fósseis, ungulados pleistocênicos e mamíferos fósseis.</p>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"><a style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/di.mothe/">Dimila Mothé</a>: Doutora em Zoologia pelo Museu Nacional/Universidade Federal do </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Rio de Janeiro (UFRJ),  e  Pós-Doutora em Paleoecologia na Universidade </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Federal de Pernambuco (UFPE) e na Universidade Federal do Estado do Rio de </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Janeiro (Unirio). Atualmente faz Pós-doutorado na Unirio com o estudo da </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">evolução e sistemática de Tethytheria. Tem experiência na área de Zoologia, com </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ênfase em Paleontologia, atuando principalmente nos seguintes temas: </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Proboscidea, Paleoecologia, Morfologia, Taxonomia, Evolução, Sistemática e </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Biogeografia.</p>		
												<img width="394" height="396" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/dimila.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h3><p dir="ltr" style="line-height:2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;margin-top:0pt;margin-bottom:0pt" id="docs-internal-guid-614061d2-7fff-972c-39f4-f0701e2e66de">Estudantes do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia - <a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccne/cappa/" style="text-decoration:none">CAPPA</a></p></h3>		
												<img width="173" height="300" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/micheli.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-0ce934eb-7fff-047c-503c-addaaf384aa7" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Micheli Stefanello: Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/2015), mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM e estudante de doutorado na mesma instituição. Desenvolve estudo sobre sistemática e anatomia de cinodontes Probainognathia. </p><p> </p>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Tiane Macedo Oliveira: Bacharela em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Pampa (Unipampa/2016), mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Animal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e estudante de doutorado na <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">mesma instituição. Atualmente desenvolve estudo sobre sistemática e <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">anatomia de Archosauromorpha do Triássico Inferior. </p><p> </p>		
												<img width="240" height="300" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/tiane.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="718" height="718" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/emmanuelle.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p><a id="docs-internal-guid-0f703f73-7fff-35aa-9728-beec05ede291" style="text-decoration: none" href="https://www.instagram.com/manu.biologia/">Emmanuelle Fontoura</a>: Bacharela em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Rio Grande (FURG/2019). Mestra (2021) e estudante de Doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Tem se dedicado ao estudo morfológico de cetartiodáctilos terrestres do Pleistoceno e paleoneurologia de cervídeos. Atualmente desenvolve estudos sobre roedores caviomorfos do Mioceno da Amazônia. </p>		
		<p>Gabriela Menezes Cerqueira: Bacharela em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa/2017), mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas pela mesma instituição (2019) e doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Atualmente desenvolve pesquisa com o uso de proporções corporais como critério taxonômico para Pterosauria.</p>		
												<img width="210" height="300" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/gabriela.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="576" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/debora-576x1024.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Débora Moro: Licenciada em Ciências Biológicas pelo Instituto Federal Farroupilha – Campus São Vicente do Sul (IFFar-SVS/2019), mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/2021), e estudante de doutorado na mesma instituição.  Atualmente desenvolve estudos  anatômicos e filogenéticos de novos espécimes de dinossauros sauropodomorfos do Rio Grande do Sul, dedicando-se também a estudos paleoautoecológicos dos primeiros dinossauros.</p>		
		<p>Tabata Freitas Klimeck: Bacharela em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR/2017). Estudante de Mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Tem se dedicado ao estudo morfológico de Cingulata do Paleogeno da Bacia de Curitiba e da Fauna da Formação Guabirotuba.</p>		
												<img width="223" height="300" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/tabata.jpg" alt="" loading="lazy" />														
												<img width="240" height="300" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/leticia.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Letícia Rezende de Oliveira: Bacharela em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/2019) e estudante de mestrado pelo Programa de Pós Graduação em Biodiversidade Animal na mesma instituição. Desenvolve estudos na área de sistemática de Archosauria. </p><p> </p><p id="docs-internal-guid-ea18430d-7fff-8d72-1858-b5e1eb4f5a6f" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Lívia Roese Miron: Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de <br /></p><p id="docs-internal-guid-ea18430d-7fff-8d72-1858-b5e1eb4f5a6f" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Santa Maria (UFSM/2019). Estudante de mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia Comparada da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente <br /></p><p id="docs-internal-guid-ea18430d-7fff-8d72-1858-b5e1eb4f5a6f" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">estuda a neuroanatomia de répteis rincocefálios fósseis do Triássico do Rio Grande do <br /></p><p id="docs-internal-guid-ea18430d-7fff-8d72-1858-b5e1eb4f5a6f" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Sul e viventes da Nova Zelândia. Recentemente foi aprovada no Doutorado em Biodiversidade Animal (UFSM). </p><p> </p>		
												<img width="1024" height="973" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/livia-1024x973.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h3><p dir="ltr" style="line-height:2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;margin-top:0pt;margin-bottom:0pt" id="docs-internal-guid-c9926515-7fff-d2bc-bffe-67df34994c1a">Estudantes do laboratório de Estratigrafia e Paleontologia - LEP</p></h3>		
												<img width="640" height="640" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/lisie.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-38a62f69-7fff-44fe-8799-8744adee1fad" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Lísie Damke: Bacharela e licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/2021). Ao longo da graduação dedicou-se ao estudo morfológico de Loricata basais do Triássico e às atividades de extensão. Recentemente foi aprovada no mestrado pelo PPG Biodiversidade Animal (UFSM) e estudará dinossauros basais do Triássico. </p><p> </p>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Franciele Fischer Ortiz: Técnica em Controle Ambiental pelo Instituto Federal <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Farroupilha - Campus Panambi (IFFar/2019), licenciada em Ciências Biológicas pelo <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">mesmo Campus (2021). Pós-Graduanda em Docência no Ensino Superior pelo <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Centro Universitário Leonardo Da Vinci - UNIASSELVI e mestranda pelo PPG em <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Biodiversidade Animal da UFSM. Atualmente desenvolve estudos sobre registros de <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -30.389763779527556pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Cingulata no Rio Grande do Sul.</p><p> </p>		
												<img width="217" height="272" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/franciele.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-601fd7b0-7fff-0a2a-a6c3-2135699c261d" dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"><strong>Referências:</strong></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Casagrande, S. L; Schwartz, J; Carvalho, M. G. de; Leszczynski, S. A. 2005. Mulher e ciência: uma relação possível? Cadernos De Gênero E Tecnologia. ISSN: 2674-5704, v. 1, n. 4 </p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"><a style="text-decoration: none" href="https://socientifica.com.br/mary-anning-como-uma-mulher-pobre-se-tornou-uma-das-maiores-paleontologas-do-mundo/">Mary Anning: como uma mulher pobre se tornou uma das maiores paleontólogas do mundo (socientifica.com.br)</a></p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Silva, F. F. da, &amp; Ribeiro, P. R. C. (2014). Trajetórias de mulheres na ciência: “ser cientista” e “ser mulher.” Ciência &amp; Educação (Bauru), 20(2), 449–466. doi:10.1590/1516-73132014000200012</p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">SCHIEBINGER, L. O feminismo mudou a ciência? São Paulo: EDUSC, 2001</p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">VELHO, L. Prefácio. In: SANTOS, L. W.; ICHIKAWA, E. Y.; CARGANO, D. F. (Org.). Ciência,</p><p dir="ltr" style="line-height: 2.4;margin-right: -35.45669291338578pt;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">tecnologia e gênero: desvelando o feminino na construção do conhecimento. Londrina: IAPAR, 2006. p. xiii-xviii.</p><p> </p><strong><em>Expediente:</em></strong><em><strong>Texto:</strong> Emmanuelle Fontoura Machado, bacharela em Ciências Biológicas pela FURG, mestra e doutoranda em Biodiversidade Animal pelo PPGBA-UFSM;</em><em><strong>Ilustração de capa:</strong> Joana Ancinello, acadêmica de Desenho Industrial e voluntária;</em><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;  Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e voluntária;</em><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Projeto 50/50 visa abrir as portas e ampliar as vozes para a equidade de gênero na Comunicação</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/projeto-50-50-visa-abrir-as-portas-e-ampliar-as-vozes-para-a-equidade-de-genero-na-comunicacao</link>
				<pubDate>Mon, 07 Mar 2022 16:43:23 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[mídia]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Publicidade e Propaganda]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9064</guid>
						<description><![CDATA[Iniciativa da Universidade se dedica a ouvir as estudantes e as profissionais da indústria da Comunicação e revela que ainda há muitas portas para serem abertas
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Em qualquer roda de conversa, juntar as palavras “mulher” e “publicidade” é ter a certeza de uma boa discussão pela frente. Não é de se duvidar que, em poucos segundos, o tema junte opiniões tão diversas quanto contraditórias. Alguém poderá evocar a lembrança daquele comercial icônico dos anos 1980, em que uma menina recebe o seu primeiro sutiã. Já outros poderão trazer com indignação exemplos de anúncios que falharam no seu propósito de dialogar com o público feminino, quando resumiram a mulher a um produto a serviço do homem, não raramente a um objeto sexual a ser desejado por ele. Seja para reclamar, seja para elogiar, todo mundo tem algo a dizer sobre a publicidade. E isso só acontece porque a publicidade é um sistema cultural complexo - mais do que nos permite imaginar o rápido comercial antes de um vídeo no YouTube ou um<i> jingle </i>que ouvimos no rádio. Para se fazer presente em nossa vida, articula cultura, economia, política e história. Falar sobre ela é, então, falar um pouco sobre quem somos e como nos vemos como sociedade.</p><p> </p>		
												<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/03/CAPA_.GIF-1024x683.gif" alt="" loading="lazy" />														
		<p> </p><p>Não é de se estranhar, portanto, que a discussão sobre mulheres e publicidade tenha ocupado mais rodas de conversa, principalmente nos últimos dez anos. Foi nesse período que as discussões sobre os direitos das mulheres ganharam um novo impulso a partir do desenvolvimento das redes sociais digitais. Manifestações virtuais, <i>hashtags</i>, memes, campanhas, organização de movimentos, grupos e coletivos passaram a ser mais perceptíveis para os brasileiros que acessam a rede, <a href="https://cetic.br/pt/noticia/cresce-o-uso-de-internet-durante-a-pandemia-e-numero-de-usuarios-no-brasil-chega-a-152-milhoes-e-o-que-aponta-pesquisa-do-cetic-br/">hoje mais de 80% da população</a>. No meio de tudo isso, a indústria da Comunicação não passou sem arranhões e também começou a ser questionada. Onde estavam as mulheres nos anúncios? Elas eram vistas como consumidoras? Será que elas não poderiam tomar uma cerveja no comercial, em vez de sempre servi-la aos homens? Se todo mundo tem algo a dizer sobre a publicidade, essas falas foram amplificadas na arena digital. </p><p>Entre tantas vozes diferentes, coube à Universidade ouvir uma em especial, a das mulheres - estudantes e profissionais - publicitárias. Afinal, os anúncios não nascem espontaneamente, são fruto do árduo trabalho de um conjunto de profissionais, entre eles, muitas mulheres. Conhecer sua realidade se tornou ainda mais necessário quando observamos os números: a área da criação publicitária é constituída <a href="https://www.moregrls.com.br/sobre">74% por homens e somente 26% por mulheres.</a> De que forma a Universidade poderia colaborar para a  transformação desse cenário?</p>		
			<h3>Projeto 50/50</h3>		
		<p>É nesse contexto que surge o<b> projeto 50/50 - Abrindo as portas para a equidade de gênero na Comunicação. A proposta tem </b>o objetivo de rever a configuração de gênero na área, oferecer visibilidade para o assunto e, principalmente, promover ações no ambiente acadêmico, visando que estas repercutam no mercado publicitário e, consequentemente, na sociedade. Afinal, ter uma maior presença de mulheres no contexto das práticas profissionais da Comunicação significa também uma melhor representação feminina na publicidade.</p><p> <b>A ideia básica do projeto é: mudar no ensino para mudar no mercado.</b> Assim, desde 2017, o 50/50 vem propondo uma série de ações, como oficinas de capacitação (edição de <i>softwares</i>, expressão corporal, oratória, fotografia, audiovisual), rodas de conversa e palestras. De lá para cá, muitas coisas aconteceram: no ano de 2017, o projeto foi contemplado com o edital Fundo de Incentivo ao Ensino (FIEN/2017) em 1º lugar, e trouxe para Santa Maria consultorias importantes no mercado publicitário nacional - a <a href="http://meiacincodez.com.br">65/10</a>, especializada em comunicação com mulheres; e a <a href="https://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/2017/07/18/diversidade-alem-do-discurso-muda-estruturas.html">Pajubá Diversidade</a>, consultoria com o conceito de diversidade estrutural para ajudar empresas a tratar do tema internamente. Em 2019, foi a vez do Grupo de Planejamento de São Paulo ser recebido na UFSM, apresentando, pela primeira vez, no Rio Grande do Sul, uma importante <a href="https://grupodeplanejamento.com/wp-content/uploads/2017/11/gp-pesquisa-assedio-report-v-20171127-2236.pdf">pesquisa sobre assédio</a> no mercado da Comunicação. Já no ano de 2021, o 50/50 foi um dos finalistas no Salão ARP de Comunicação e, além disso, a idealizadora do projeto, professora Juliana Petermann, foi citada  como <a href="https://papelecaneta-org.medium.com/30-vozes-que-lutaram-para-mudar-a-ind%C3%BAstria-da-comunica%C3%A7%C3%A3o-em-2021-7dadba1c90f7">uma das 30 vozes que lutaram para mudar a indústria da comunicação</a>, em lista organizada pelo coletivo Papel e Caneta. </p><p>Em 2021, o 50/50 ampliou sua atuação, passando a contar com a colaboração da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), junto da professora Fernanda Sagrilo Andres, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), junto das professoras Elisa Piedras e Laura Wottrich. Contemplado no edital FIEN/PROGRAD/UFSM, o projeto teve sua primeira edição online, com seis encontros destinados às graduandas da Comunicação. Com o envolvimento de alunas da graduação, da pós-graduação e de docentes, o 50/50 promoveu um evento de abertura, três rodas de conversa e quatro palestras inspiradoras com mulheres de referência no mercado da Comunicação. As palestras abordaram temas centrais para avançar no debate: Mulher e síndrome de impostora; Coletividade, criatividade e mudança social; Mulheres na liderança e Criatividade e Diversidade.</p><p>Desde 2017, o 50/50 já alcançou mais de 150 estudantes de 15 universidades do Brasil todo. Antes da pandemia, o projeto possuía também uma versão em formato de oficina nas escolas do ensino médio, ministradas pelas alunas de Publicidade participantes do projeto. Foram três edições e cada uma delas contou com um público de cerca de 30 estudantes, meninas e meninos.</p><p>Como a igualdade de gênero na Comunicação é ainda um longo caminho a ser percorrido, no futuro, a intenção é ampliar a discussão do 50/50: transformar o projeto em uma espécie de matriz com filiais em outras universidades, a partir de uma metodologia de trabalho que será registrada e publicada em um livro-guia do projeto. O livro contará também com artigos resultantes de pesquisas de mestrado que foram inspiradas pelo 50/50. Além disso, o projeto se transformará em um curso hospedado em plataforma virtual, com conteúdos, atividades e dicas. O curso levará o debate realizado na edição 2021 do 50/50 para mais mulheres estudantes e profissionais da Comunicação no Brasil, em uma plataforma aberta e gratuita. Mais portas abertas e mais vozes que, aos poucos, constroem um lugar melhor para as mulheres - seja na Comunicação, seja na sociedade. </p>		
			<h3>5 coisas que você precisa saber sobre as mulheres no mercado publicitário
</h3>		
		<p>Conhecer a realidade das mulheres no mercado publicitário é um passo importante para transformá-lo. Pesquisas realizadas pelas integrantes do 50/50 Carolina Minuzzi (2020) e<a href="https://lume.ufrgs.br/handle/10183/221897"> Ana Clara Vieira (2021)</a> trazem resultados que revelam como ainda há muito trabalho pela frente pela equidade de gênero na Comunicação.</p><p><b>A temática de gênero ainda é um assunto pouco pesquisado na área da Comunicação</b> </p><p>Segundo <a href="https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/URGS_fb96bee2ec1b16937337808082b60128">Tainan Tomazetti (2019)</a>, das 13.625 pesquisas de pós-graduação na área da Comunicação defendidas entre 1972 até 2015, somente 326 abordaram problemáticas de gênero. Se o foco são as pesquisas na publicidade, esse número é ainda menor: somente 26 pesquisas em 43 anos.</p><p><b>As mulheres enfrentam barreiras de entrada e permanência no mercado publicitário</b></p><p>As entrevistadas nas pesquisas de Minuzzi e Vieira apontam os preconceitos de gênero sofridos pelas mulheres em diferentes etapas da trajetória profissional. Vistas como fracas e sensíveis demais para encarar as rotinas desgastantes do mercado, muitas vezes são descartadas em processos seletivos. Uma vez integradas, as mulheres enfrentam rotinas complexas nas agências de publicidade, que exigem dedicação total e integral, resultando em preconceitos de gênero, inclusive com a maternidade.</p><p><b>A hostilidade e a carga de trabalho elevada na criação são apontadas como principais fatores do afastamento de mulheres do mercado publicitário</b></p><p>Nos  trabalhos de Minuzzi e Vieira, as criativas salientam sofrer pressão por entregas de alta performance em prazos apertados; competitividade e conflitos entre colegas; corrida incessante por prêmios; relações complexas entre anunciantes, agências e funcionários; casos de assédio moral e/ou sexual com pouca ou nenhuma assistência por parte das agências para com as vítimas e ambiente majoritariamente masculino que reforça práticas machistas.</p><p><b>O assédio é uma prática frequente nas agências de publicidade</b></p><p>Com base na pesquisa realizada pelo Grupo de Planejamento SP (2017), foi descoberto que 90% das mulheres já sofreram episódios de assédio no mercado publicitário paulista. Nas pesquisas de Minuzzi e Vieira, profissionais do Rio Grande do Sul compartilham casos de assédio moral e sexual sofridos no espaço de trabalho.<br /><br />Apesar desses dados, as mulheres mostram desenvolver mecanismos de resistência às práticas que as oprimem no mercado publicitário.</p><p>Nas pesquisas de Minuzzi e Vieira, é notável o investimento em coletivos e projetos que buscam discutir o papel das mulheres na indústria criativa, como o 50/50. </p><em><em><strong>Texto: </strong></em>Juliana Petermann (Professora no Departamento de Comunicação Social UFSM), Laura Wottrich (Professora na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS), Ana Clara Vieira (Mestra em Comunicação pela Faculdade  de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS) e Carolina Minuzzi</em><em><strong>Design gráfico:</strong> Joana Ancinello, acadêmica de Desenho Industrial e voluntária;</em><em><strong>Mídia Social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;</em><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em>]]></content:encoded>
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				<title>Esporte além das quatro linhas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/esporte-alem-das-quatro-linhas</link>
				<pubDate>Fri, 13 Aug 2021 15:18:10 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[humanidades]]></category>
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						<description><![CDATA[Representatividades negra, feminina e LGBTQI+ trazem pautas políticas para competições como Eurocopa e Olimpíadas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/08/Esportes2-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy">

O ano de 2021 entrará para a história do esporte não só pela realização da Eurocopa e das Olimpíadas, adiadas em 2020 devido à pandemia, mas também por questões e bandeiras levadas por atletas que vão muito além das fronteiras de suas modalidades e de seus países. As edições de ambas competições refletem o aumento da diversidade.

A Eurocopa, disputa entre seleções europeias que ocorre a cada quatro anos, já havia atingido um marco histórico na sua penúltima edição, em 2016. A final entre Portugal e França contou com mais jogadores de origem africana do que europeia. Dos 22 jogadores que iniciaram a partida, 12 eram negros. Ao somar os reservas, o número sobe para 15 dos 28 atletas que participaram da partida. Éder, nascido em Guiné-Bissau, saiu do banco de reservas para entrar para a história com seu gol, marcado durante a prorrogação, que rendeu à seleção portuguesa o primeiro título.

Nesta edição do campeonato europeu, 15% eram imigrantes ou filhos de imigrantes, o que tornou este torneio o mais diverso até então. Outro fator que marcou a 16ª edição da Eurocopa foi o aumento do protagonismo de jogadores negros nas principais seleções. Dos cinco times campeões do Velho Continente da Copa do Mundo, três tinham atletas negros com a camisa 10. Kylian Mbappé (França), Raheem Sterling (Inglaterra) e Leroy Sané (Alemanha) usaram o número reservado ao principal jogador do time.

A final de 2021 do Mundial não bateu o recorde da edição anterior, mesmo assim foi multicultural. Pela seleção inglesa, cinco jogadores negros, entre titulares e reserva, participaram da partida. A campeã Itália, por sua vez, tinha em seu elenco três jogadores nascidos no Brasil. Rafael Tolói, Emerson Palmieri e, principalmente, Jorginho foram peças importantes da campanha que rendeu o bicampeonato para a&nbsp;<i>Squadra Azzurra</i>.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio trouxeram mais do que aquilo que o público espera do evento mais importante do esporte, como os melhores atletas e histórias que serão lembradas por gerações. O maior legado não foram as estreias bem sucedidas do surf e do skate, mas sim a maior diversidade já vista em uma Olimpíadas. Segundo levantamento do site <a href="https://www.outsports.com/olympics/2021/7/12/22565574/tokyo-summer-olympics-lgbtq-gay-athletes-list">Out Sports</a>, 183 atletas LGBTQIA+ participaram da última edição das olimpíadas. O número é três vezes maior que o recorde anterior, dos jogos de 2016 no Rio de Janeiro, que contou com&nbsp; 56 atletas.

Se fossem uma delegação, os atletas LGBTQIA+, com 11 medalhas de ouro, 12 de prata e 9 de bronze, ficariam em sétimo lugar no quadro de medalhas. Estariam à frente de países como Holanda, Alemanha, França, Itália e Brasil - que fez sua melhor campanha em uma olimpíada, com 7 medalhas de ouro, 6 de prata e 8 de bronze. A edição também foi a que contou com maior participação feminina, que correspondeu a 48,9% do total de atletas. A marca deve ser superada em breve, já que a previsão é que a edição de Paris, em 2024, seja a primeira com representação igualitária entre mulheres e homens.
<h3><b>Política e esporte: juntos e misturados</b></h3>
As manifestações políticas no esporte começaram a se intensificar no ano de 2020, muito por influência do movimento <i>Black Lives Matter (BLM) - </i>que surgiu em 2013, nos Estados Unidos, com o objetivo de combater a supremacia branca, e ganhou destaque com as mobilizações após George Floyd ser assassinado por um policial de Minneapolis, Minnesota<i>.</i>

Há quem não goste desses atos por acreditar que “política e esporte não se misturam”.&nbsp;Neste sentido, pode-se citar a regra 50 da Carta Olímpica, que proíbe “qualquer tipo de manifestação ou propaganda política, religiosa ou racial em instalações olímpicas”.

Entretanto, por influência do aumento das manifestações políticas nas mais diversas modalidades esportivas, o Comitê Olímpico Internacional (COI) flexibilizou a norma e passou a permitir atos políticos nos ambientes desportivos e antes do início das competições. Por outro lado, as manifestações no pódio - como <a href="https://gq.globo.com/GQ-no-podio/noticia/2016/08/panteras-negras-historia-do-gesto-mais-famoso-dos-jogos-olimpicos.html">os punhos erguidos de Tommie Smith e John Carlos </a>em referência aos Panteras Negras nas Olimpíadas de 1968 - seguem proibidas.

Rubens Guilherme Santos, estudante de Jornalismo e integrante do Ponta de Lança, portal de notícias focado no esporte, cultura e política no continente africano, destaca a importância de desconstruir a ideia de incompatibilidade entre esporte e política. “O esporte é mais um espaço de interação/disputa social e política da sociedade”, argumenta.

A própria história brasileira reforça que a separação entre esporte e política não passa de um mito. Muito antes de os atletas usarem o esporte como espaço de atos políticas em prol da igualdade, políticos já o usavam em manifestações a favor de seus próprios interesses. “As pessoas querem que os esportistas sejam apolíticos, falam que futebol, política e religião não se misturam, mas essa aproximação é histórica. A Era Vargas e a ditadura civil militar, por exemplo, se aproveitaram do esporte para conseguir alavancar os seus objetivos políticos”, explica Taiane Lima, mestranda do Programa de Pós-Graduação em História da UFSM.

Mesmo assim, atletas que ousam cruzar a fronteira ou reagir a uma injustiça podem sofrer por isso. Um exemplo trazido por Taiane é o de Taison, jogador do Internacional com passagem de 11 anos pelo Shakhtar Donetsk da Ucrânia. No clássico ucraniano entre Shakhtar e Dínamo de Kiev, parte da torcida adversária proferiu insultos racistas ao atleta, que reagiu e foi expulso. Além da suspensão automática gerada pelo cartão vermelho, a Associação Ucraniana de Futebol puniu Taison com um jogo de suspensão. “Ele foi punido, não as pessoas que praticaram o ato racista”, destaca.

Para Taiane, o atleta não deve deixar de se posicionar por medo de críticas ou punições, já que sua influência pode ajudar a chamar a atenção do público para causas importantes. “Esporte e política se misturam sim e essas pessoas têm relevância, elas não são alienadas, elas precisam se posicionar. Sempre terá alguém para criticar, dizer que não pode. Mas outras pessoas irão perceber e olhar com mais atenção para essas pautas", defende.
<h3><b>Unidos até que as derrotas os separem</b></h3>
O estudante Rubens&nbsp; explica que a maior parte dos atletas que representam as seleções europeias são da segunda ou terceira geração de imigrantes africanos no continente. As dificuldades enfrentadas pelas suas famílias, como ausência de políticas públicas que lhes assegurassem direitos básicos, além da resistência em reconhecer os filhos de imigrantes como cidadãos europeus, tornaram o esporte a única ferramenta possível para ascender socialmente. “O futebol passa a ser um ambiente de inclusão de jovens em busca de superar as adversidades da vida”, observa.

O talento desses jogadores que viam no futebol a sua única chance de conseguir uma vida melhor passou a auxiliar os clubes europeus. Não demorou muito para que esses atletas fossem incorporados às seleções. “A diversidade étnica propiciou o ápice de muitas seleções de futebol. O caso mais conhecido é o da França”, afirma Rubens.&nbsp;

No final da década de 1990, surgiu a geração mais vitoriosa da história da seleção francesa até o momento. Pela diversidade étnica de seus jogadores, a equipe ficou conhecida como “<i>black-blanc-beur</i>” (negra, branca e árabe). Em 1998, o time conquistou o título inédito da Copa do Mundo. Dois anos depois, os <i>bleus</i> conquistaram o bicampeonato da Eurocopa. Essa geração foi tão bem sucedida que se tornou propaganda de uma França multicultural. Em 2018, a seleção francesa voltaria a conquistar o mundial, com um time que conseguiu ser mais multiétnico. Dos 23 jogadores convocados, 14 tinham ascendência africana.&nbsp;

A história no esporte também é feita de derrotas. E quando uma seleção multirracial é derrotada, logo surgem aqueles que apontam a diversidade como problema. “A atribuição de fracassos e reveses a atletas negros e negras infelizmente é comum no futebol, espaço que, muitas vezes, serve de descarrego de preconceitos”, afirma Rubens.

Nem mesmo a geração francesa de 1998 escapou disso. As campanhas sem título da seleção, somadas à forte polarização presente nos debates sobre migração na Europa, fizeram com que as tensões raciais ressurgissem rapidamente e com força na França.&nbsp;

Talvez o caso mais conhecido pelos brasileiros seja o de Moacyr Barbosa na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil. Dias antes da final contra o Uruguai, o país todo comemorava o título antecipadamente. Na final, a seleção saiu na frente, parecia confirmar o que todos achavam saber. A seleção uruguaia fez o gol de empate, mas o clima ainda era de festa, o resultado dava o título para o Brasil. Porém, aos 34 minutos do segundo tempo,&nbsp; a seleção uruguaia conseguiu virar o jogo e calar os 200 mil espectadores presentes no estádio do Maracanã, construído especialmente para a competição. O fatídico episódio ficou conhecido como Maracanaço.

Barbosa, homem negro, era goleiro da seleção brasileiro e foi eleito como o culpado pela derrota. Ao falar sobre o ostracismo ao qual foi condenado pela derrota, o ex-goleiro disse: “No Brasil, a pena máxima (de prisão) é de 30 anos, mas pago há 40 por um crime que não cometi”. Barbosa carregou esse fardo por quase 50 anos, até sua morte em 2000.

No entanto, Barbosa não foi o único a sofrer as consequências do racismo. Após a derrota, criou-se a crença de que pessoas negras não servem para jogarem em posições defensivas. “Há poucos goleiros negros, poucos zagueiros negros, porque, quando se precisa de confiança, parece que o jogador negro ou a jogadora negra não é adequado. Então a gente percebe que esse acontecimento da copa de 1950 impacta até hoje”, pondera Taiane.

Até hoje, as derrotas são catalisadoras do racismo. A final da Eurocopa de 2021, que foi decidida nos pênaltis, é um exemplo. Após o final do jogo, torcedores ingleses lotaram as redes sociais de Jadon Sancho, Marcus Rashford e Bukayo Saka com ofensas racistas pelos pênaltis desperdiçados na final. Algumas ofensas diziam para que os jogadores, que ajudaram a levar a seleção inglesa para sua primeira final em 55 anos, fossem embora da Inglaterra e voltassem para a África.
<h3><b>A questão da representatividade</b></h3>
Daiane dos Santos, que, em 2003, tornou-se a primeira atleta brasileira a ser campeã mundial de ginástica e a primeira mulher negra a ganhar uma medalha de ouro na modalidade, viveu um dos momentos mais marcantes das Olimpíadas de Tóquio. Como comentarista de ginástica, ela contou como sofreu com o racismo e a segregação enquanto competia. Outros atletas da seleção se recusaram a usar o mesmo banheiro que ela, por isso havia um banheiro para os atletas brancos e outro para ela.

O momento de maior emoção para a ginasta foi quando Rebeca Andrade conquistou a primeira medalha olímpica feminina para o Brasil. A atleta sempre foi fã de Daiane e tinha ela como referência. Ao presenciar a vitória de Rebeca, aos prantos, Daiane lembrou que a primeira medalha de ouro em mundiais do Brasil na ginástica, entre homens e mulheres, foi conquistada por ela, uma mulher negra. Agora, mais uma vez, uma mulher negra levou a primeira medalha brasileira na ginástica olímpica. “Diziam que a gente não podia estar nesses lugares”, recordou.

Uma das principais formas de se perceber o racismo é por meio das ausências, entre elas a falta de referência de pessoas negras tanto na mídia quanto no esporte. “A grande questão da representatividade é se olhar nas diversas modalidades do esporte e não se enxergar. Parece que é um esporte apenas para pessoas brancas. Ainda mais quando se é criança e está desenvolvendo esta consciência”, explica Taiane.

No entanto, a historiadora adverte que é preciso mais do que referências para que uma pessoa negra possa se tornar medalhista olímpica. É preciso investimento, não apenas nos clubes que formam atletas, mas principalmente em comunidades mais pobres, que concentram a maior parte da população negra. Sem investimento, modalidades elitizadas continuarão praticamente inacessíveis para jovens negros e periféricos. Por mais que alguns consigam contornar as dificuldades, a diversidade nessas modalidades se torna a exceção, não a regra.

Rubens acredita que o esporte auxilia no combate de qualquer tipo de preconceito. Mas, para isso, é preciso que a diversidade vá além dos atletas, que, não raro, são vistos apenas como mão de obra para as conquistas desportivas. A diversidade deve se estender aos cargos políticos de entidades esportivas, espaços que pouco mudaram sua demografia ao longo dos anos. “Não é falta de interesse. É falta de oportunidade e discriminação”, conclui Taiane.

<em><strong>Expediente</strong></em>

<i><strong>Repórter</strong>: Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e bolsista
</i>

<i><strong>Ilustrador</strong>: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista</i>

<i><strong>Mídia Social</strong>:</i>&nbsp;<i>Samara Wobeto e Eloíze Moraes, acadêmicas de Jornalismo e bolsistas</i>

<i><b>Edição de Produção</b>: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i>

<i><b>Edição Geral</b>: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i>]]></content:encoded>
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				<title>Cultura gaúcha para todos e todas?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/cultura-gaucha-para-todos-e-todas</link>
				<pubDate>Wed, 19 Sep 2018 19:37:06 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[20 de setembro]]></category>
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		<category><![CDATA[Debate]]></category>
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		<category><![CDATA[tradição]]></category>

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						<description><![CDATA[Com a chegada do Dia do Gaúcho, debate realizado na UFSM buscou demonstrar um ponto de vista mais crítico em relação à cultura do nosso Estado
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">Nesta quinta-feira (20), no Rio Grande do Sul, celebra-se o Dia do Gaúcho. Nesta data, em 1835, iniciava a Revolução Farroupilha na então Província de São Pedro. A guerra, de caráter republicano, foi uma insurreição contra o governo imperial do Brasil. O dia 20, de tão emblemático, tornou-se feriado estadual instituído por lei em 1991, e é motivo de orgulho para muitos gaúchos.</span>

&nbsp;

<span style="font-weight: 400;">No entanto, por trás da história da Revolução, alguns pontos ainda não foram plenamente esclarecidos, muitos dos quais causam divergências, especialmente na literatura. Um dos autores que trata sobre o assunto é o jornalista e historiador Juremir Machado da Silva, da Rádio Guaíba, Jornal Correio do Povo e docente da PUCRS. No livro </span><i><span style="font-weight: 400;">História Regional da Infâmia - o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras</span></i><span style="font-weight: 400;">, o autor desmistifica dados relacionados à presença dos negros durante a Revolução Farroupilha. Conforme a obra, escrita com base em mais de 15 mil documentos, houve uma possível traição na Batalha de Porongos, a última travada na guerra, em 1844. Neste episódio, grande parte dos negros do exército gaúcho foi massacrada durante um ataque surpresa, à noite, no acampamento, pelas forças imperiais. Juremir defende a tese de que a batalha serviu de estratégia vinda dos próprios comandantes gaúchos para o aniquilamento dos negros revolucionários.  </span>

&nbsp;

<span style="font-weight: 400;">Para debater esta e outras questões relacionadas à cultura e às tradições gaúchas, o Sesc/SM e a Gadea Produções promoveram um evento na UFSM, no dia 10 de setembro. Nele, a doutoranda em Etnomusicologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), Clarissa Ferreira, confirmou a tese de Juremir. Além disso, compartilhou experiências próprias em festivais de música gaúcha, fazendo alusão à construção de identidade do gaúcho por meio desta arte. Este, inclusive, é o tema da tese de Clarissa, que será publicada em breve. </span><span style="font-weight: 400;">A pesquisadora, nascida em Bagé, na região da Campanha, graduou-se em Música pela UFPel e fez mestrado, também na área de Etnomusicologia, na UFRGS. Atualmente, além de se dedicar à pós-graduação, mantém o blog </span><a href="http://gauchismoliquido.blogspot.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Gauchismo Líquido </span></i></a><span style="font-weight: 400;">e é colunista do jornal independente </span><i><span style="font-weight: 400;">Sul 21</span></i><span style="font-weight: 400;">. Durante o debate, a jovem ainda performatizou algumas canções do seu repertório - inclusive, no dia 20 foi lançada a música </span><i><span style="font-weight: 400;">Manifesto Líquido</span></i><span style="font-weight: 400;">, disponível em </span><i><span style="font-weight: 400;">Streaming</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">Youtube</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span>

&nbsp;

<img class="aligncenter size-large wp-image-4610" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/DSC_6547_ed-804x1024.jpg" alt="" width="804" height="1024" />

<span style="font-weight: 400;">A reportagem da revista Arco conversou com a pesquisadora e musicista ao final do debate. Confira:  </span>

<span style="font-weight: 400;">       </span>

<b>ARCO: Você acha que a cultura gaúcha é excludente com as minorias?</b>

<b>Clarissa:</b><span style="font-weight: 400;"> Nas minhas pesquisas, percebi que a cultura gaúcha foi uma construção a partir de quem detinha esse poder. E aí houve uma escolha nessa construção, pensando que todas as tradições são inventadas, que houve uma escolha no que deveria ser representado ou não. Então, a gente vê nos escritos do Barbosa Lessa, por exemplo, de como naqueles primeiros resgates do Movimento Tradicionalista Gaúcho houve uma escolha do que seria contado. Nossa cultura é baseada na cultura das elites e é entendida como uma cultura superior, que é super questionável isso no pensamento de hoje. Também tem essa questão da representação do gaúcho pela macheza, pela virilidade, que acabou ficando muito em volta das representações do masculino, negligenciando outras identidades que não ficassem nesse papel, desse mito ocidental do gaúcho. </span>

&nbsp;

<b>ARCO: Como foram suas vivências nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) e nos festivais pelos quais vocês passou?</b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Clarissa:</strong> Eu estive por uns oito anos em CTGs e por uns 10 anos em festivais nativistas. Foi um meio onde pude me profissionalizar como instrumentista, tive muita experiência prática do instrumento, do palco e de tudo que abarca essa minha atuação como musicista. Consegui conhecer vários músicos, conhecer sobre outros universos musicais a partir dessas vivências, mas também não me senti, só como violinista, completamente falando sobre o que eu deveria. Daí, em um período posterior, veio a composição, pela necessidade que eu tinha de falar através da canção. </span>

&nbsp;

<b>ARCO: O tradicionalismo gaúcho ainda possui um pensamento conservador? Como ele se propõe na sociedade? </b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Clarissa:</strong> Vai desde questões ideológicas até questões</span> <span style="font-weight: 400;">estético-musicais</span><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Ideológico, porque vejo que é um tanto excludente em algumas esferas, que ainda tratam as mulheres de forma machista nas microconvivências,</span> <span style="font-weight: 400;">não só nas representações musicais. Especificamente nesse âmbito, a mulher ainda é muito subestimada. Há um patriarcado musical, e são sempre os homens que fazem as músicas, que fazem os arranjos. </span>

&nbsp;

<b>ARCO: A mulher ainda é vítima de opressão na música gaúcha? </b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Clarissa:</strong> A cultura gaúcha é muito baseada na cultura patriarcal, então vê a mulher como coadjuvante. A gente vê como a literatura gaúcha é sempre baseada em personagens masculinos, e na música é igual. São casos explícitos de violência simbólica e violência física, além da objetificação da mulher e a coisificação. Efetivamente, isso acaba se refletindo quando não nos dão espaço, não nos dão voz, interrompendo quando a mulher fala. São coisas ainda tidas como naturais. Quando eu começo a pensar sobre essa questão do machismo, vejo que não é igualitária a questão de gênero na música gaúcha. </span>

&nbsp;

<img class="aligncenter size-full wp-image-4609" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/41858705_1922887737771484_2832566773214085120_n.jpg" alt="" width="960" height="499" />

&nbsp;

<b>ARCO: Do que o teu blog </b><b><i>Gauchismo Líquido</i></b><b> trata e por que você o criou? </b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Clarissa:</strong> O blog busca trazer reflexões sobre a identidade gaúcha a partir de um viés da pós-modernidade, desse líquido que o Zygmunt Bauman</span> <span style="font-weight: 400;">fala que as coisas, hoje em dia, não são tão estanques. Elas são, na verdade, mais fluidas, que as identidades são de acordo com o lugar e com cada indivíduo. Assim, o blog surgiu quando eu estava no final do mestrado, em 2014, em um momento que eu tive várias reflexões sobre a cultura gaúcha. Além disso, eu já tinha convivido bastante nesse ambiente musical e sentia muito que não havia esse debate nas rodas de conversa. Por isso, criei um lugar de reflexão nesse espaço virtual.</span>

&nbsp;

<b>ARCO: Você falou que as mulheres ainda não podem participar do festival </b><b><i>Barranca, </i></b><b>considerado um dos patrimônios do Estado. Por quê?</b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Clarissa:</strong> O festival iniciou há mais de 45 anos, na cidade de São Borja, e começou como um acampamento de uma família, o grupo musical Angueras, destinado aos homens. Com o tempo, tomou maior proporção. Ter sido considerado patrimônio do Estado elucida bem o quanto esse festival representa para o Rio Grande do Sul e, ao mesmo tempo, o quanto ele é excludente, porque na comunidade existem homens e mulheres. O contraditório no argumento das pessoas que proíbem a inserção de mulheres é que acham que nós vamos sofrer muito assédio. É como se os homens não pudessem controlar ou respeitar uma mulher. Acho que isso elucida bem o machismo. Colocam a proibição pelo fato de o festival não ter uma condição boa, porque lá é preciso ficar acampado e não existe estrutura de banheiros. Essa, para mim, é uma interpretação de ver a mulher como frágil e incapaz de passar por essas condições. A gente poderia passar por isso porque o que nos dá energia é compor e fazer música. A música também é importante para nós e não só para os homens. </span>

&nbsp;

<b>ARCO: E a cultura gaúcha para os LGBTQs?</b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Clarissa:</strong> Eu, inclusive, escrevi um texto que se chama </span><i><span style="font-weight: 400;">Tradicionalismo, está na hora de sair do armário, </span></i><span style="font-weight: 400;">a partir do qual eu fui percebendo como, na verdade, quem banca e quem realiza muitos dos eventos dos CTGs são homoafetivos, em grande maioria. Depois, percebi como isso é muito velado dentro do movimento e também muito criticado em outras esferas não explícitas. A partir dessas representações da macheza houve a proibição de alguns modos porque, dentro da cultura gaúcha, tem toda essa questão ideológica que se constrói, mas tem toda uma questão referente ao controle dos gestos e do comportamento da pessoas, de como se deve apresentar em um CTG, de como performatizar um “gaúcho machão” e como isso pode ser muito mais múltiplo porque existem pessoas de diferentes orientações sexuais. Dicotomizar homens e mulheres como identidade em um momento em que discutimos tanto questões de gênero e uma desconstrução de gênero para as pessoas se identificarem como bem quiserem é bastante questionável. Sem falar de outros preconceitos. Quando alguns homossessuais conseguem expor essa opinião, acabam, infelizmente, tendo que se excluir desse ambiente. </span>

&nbsp;

<b>ARCO: Em dado momento de sua fala, você expõe alguns pontos que esclarecem bastante a respeito do mito de uma cultura estadual totalmente autêntica, sem, talvez, adaptações vindas de outros povos. Então, podemos afirmar que a cultura gaúcha nunca foi pura?</b>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Clarissa:</strong> Nunca foi. A própria miscigenação já comprova que a cultura do Rio Grande do Sul vem de uma hibridização do índio, do negro e do europeu. Todos os povos nativos que estão aqui, por mais que a historiografia tente ocultar, estão no nosso DNA. O chimarrão, por exemplo, é uma prática indígena, a própria erva-mate, também. Têm tantas coisas que a gente não dá os nomes certos aos criadores, esses cultivadores.     </span>

&nbsp;

<b>Repórter: </b><span style="font-weight: 400;">Guilherme de Vargas, acadêmico de Jornalismo</span>

<b>Editora:</b><span style="font-weight: 400;"> Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo</span>

<b>Fotos: </b><span style="font-weight: 400;">Dartanhan Baldez Figueiredo</span>

&nbsp;]]></content:encoded>
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						<item>
				<title>Mulheres em peso</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/mulheres-em-peso</link>
				<pubDate>Thu, 13 Sep 2018 20:38:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Física]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

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						<description><![CDATA[UFSM é destaque na formação de mulheres no curso de Física
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">“O caminho do progresso não é rápido nem fácil”. Essa frase é de Marie Curie, cientista francesa e </span><a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4395"><span style="font-weight: 400;">primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel de Física</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na </span><a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=3095"><span style="font-weight: 400;">vida acadêmica, </span></a><span style="font-weight: 400;">também destacou-se por ter sido pioneira em lecionar na Universidade de Paris. Oitenta e quatro anos depois de sua morte, no dia 9 de agosto de 2018, Marie Curie foi eleita a mulher mais influente de todos os tempos pela BBC History Magazine, o que mostra que conquistar o espaço das mulheres tem sido uma luta árdua, mas que proporciona mudanças significativas na história.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Na UFSM, o percentual de egressas do curso de Física nas áreas de Licenciatura (diurno) e mestrado foi de 50%, percentual significativo se comparado aos cenários nacional e mundial. Esses dados são de uma pesquisa publicada em 2018, em comemoração aos 50 anos da criação do curso de Física na UFSM. O estudo “</span><a href="https://periodicos.ufsm.br/cienciaenatura/article/download/31793/pdf"><span style="font-weight: 400;">O cinquentenário da física na UFSM: uma análise de gênero dos egressos</span></a><span style="font-weight: 400;">“ revelou que a disparidade de egressas do gênero feminino em relação aos homens nos cursos da área das exatas tem diminuído. </span>

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<span style="font-weight: 400;">No entanto, globalmente a área da Física ainda é pouco explorada pelas mulheres, tanto no ensino como na pesquisa. Na graduação em Física, por exemplo, a atuação do público feminino é de apenas 25%. Em relação ao Brasil, os números não diferem muito: a parcela de mulheres na Física representa 24% dos total de alunos no curso.</span>

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[caption id="attachment_4562" align="aligncenter" width="576"]<img class="wp-image-4562 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/percentual-1.png" alt="" width="576" height="335" /> * Referência: E. B., Lima, B., Barbosa, M. C. (2015). Mulheres na física: Por que tão poucas? Em: Mulheres na física, Organizadores: Elisa M. B. Saitovirch, Renata Z. Funchal, Marcia C. B. Barbosa, Suani R. R. de Pinho e Ademir E. Santana - Livraria da Física[/caption]

[caption id="attachment_4561" align="aligncenter" width="576"]<img class="wp-image-4561 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/box_ufsm.png" alt="" width="576" height="540" /> *Os dados apresentados se referem ao período 2011-2016[/caption]

<span style="font-weight: 400;"> </span>

<b>Dificuldades de permanência no curso</b>

<span style="font-weight: 400;">Vivian Escobar decidiu pela Física ainda na escola, durante o ensino médio, gostava principalmente da parte prática da matéria. Almejava um dia ser docente porque se identificava com a área de ensino. Apesar de o curso de Física - Bacharelado da UFSM ter duração de quatro anos, Vivian o concluiu em seis, e relata: “entrar no curso de Física é mais tranquilo, o difícil é se formar”.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Aliar a vida acadêmica à vida pessoal não é uma tarefa fácil. Vivian sente que abdicou da vida pessoal nos momentos em que se dedicou à pesquisa. Um dos motivos que fazem a Física ser um curso de alta dificuldade, segundo a egressa, é a área da pesquisa acadêmica, que demanda publicações rápidas e precisas por conta da grande concorrência. Além disso, Vivian afirma que já passou por situações difíceis por ser mulher.</span>

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<span style="font-weight: 400;">“Mesmo que trabalhe por horas e horas, na física experimental, minha área de formação, nem sempre se encontram resultados satisfatórios para publicação”, afirma Vivian, que estudou Física por dez anos na UFSM, concluindo, inclusive, o pós-doutorado. </span>

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<span style="font-weight: 400;">Após o pós-doutorado, Vivian não prosseguiu com a carreira na Física e atualmente trabalha no ramo gastronômico.</span>

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<b>Mulheres docentes na Física</b>

<span style="font-weight: 400;">Vivian entende que as mulheres têm a capacidade de levar o lado mais humano para a área das exatas. “Acredito que, se as futuras professoras souberem dosar o lado humano dentro da área das exatas, será um ambiente bem mais leve para estudar, com menor desgaste psicológico”, comenta a ex-aluna da UFSM.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, Vivian afirma que o aumento de mulheres graduadas não reflete no quadro de professores. O número de mulheres docentes ainda é pequeno se comparado ao número de homens que lecionam no curso da UFSM. Atuando desde 2011, a professora Cristiane Muenchen é uma das nove mulheres, de um total de 37 docentes, que fazem parte do Departamento de Física. </span>

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<span style="font-weight: 400;">Cristiane concluiu sua graduação em Licenciatura Plena - Física no ano de 2002 na UFSM. Realizou, também na Universidade, mestrado em Educação e doutorado em Educação Científica e Tecnológica na Universidade Federal de Santa Catarina. A ex-aluna afirma ter sentido dificuldades no início do curso, por este exigir muito tempo de estudo, mas hoje reconhece a conquista de ser docente do curso de Física e é muito feliz trabalhando nessa área. A docente menciona que, antigamente, o termo </span><i><span style="font-weight: 400;">cientista</span></i><span style="font-weight: 400;"> era visto como uma palavra majoritariamente masculina e, para ela, a significativa presença das mulheres nos cursos de Física é um exemplo de progresso e uma colaboração para ressignificar este conceito.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Apesar das poucas mulheres docentes, os números da pesquisa representam um grande avanço. “É preciso refletir que mesmo com todas as mudanças no papel da mulher ainda há muito preconceito de gênero na sociedade”, comenta a professora.</span>

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<strong>Reportagem</strong>: Mirella Joels, acadêmica de Jornalismo

<strong>Edição:</strong> Tainara Liesenfeld, acadêmica de Jornalismo

<strong>Ilustração:</strong> Pollyana Santoro, acadêmica de Desenho Industrial]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Energia nuclear também é assunto de mulher</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/energia-nuclear-tambem-e-assunto-de-mulher</link>
				<pubDate>Fri, 17 Aug 2018 21:06:07 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Energia Nuclear]]></category>
		<category><![CDATA[energia nuclear]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[woman in nuclear]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4395</guid>
						<description><![CDATA[Representante da organização Woman in Nuclear participará do Seminário Internacional - América do Sul na era nuclear: riscos, desafios e perspectivas
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">Provavelmente você já tenha ouvido falar sobre a história de Marie Curie. Conhecida como “mãe da Física Moderna”, foi a primeira pessoa a ser laureada duas vezes com o prêmio Nobel. Curie é famosa por sua pesquisa pioneira sobre radioatividade, ao descobrir os elementos polônio e rádio, e isolar os seus isótopos. Ao lado dela, entre os séculos 19 e 20, outra mulher se destacou nas pesquisas no campo nuclear: Lise Meitner. A cientista desempenhou papel importante na descoberta da fissão nuclear.</span>

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<span style="font-weight: 400;">As biografias de ambas revelam os desafios enfrentados pelas cientistas - desde o ingresso à universidade até o exercício da carreira. No tangente ao ramo nuclear, mesmo que sejam raros, há ainda registros do trabalho de mulheres nas fábricas e pesquisas sobre a criação de </span><span style="font-weight: 400;">ogivas</span><span style="font-weight: 400;"> e armas nucleares, durante períodos de conflitos mundiais. Para </span><a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4160"><span style="font-weight: 400;">além do ramo bélico</span></a><span style="font-weight: 400;">, encontramos hoje </span><a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4247"><span style="font-weight: 400;">múltiplas aplicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> da energia nuclear e da radioatividade no cotidiano e o aumento da participação das mulheres nestas áreas. </span>

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<span style="font-weight: 400;">Com o intuito de incentivar o trabalho de mulheres no ramo nuclear, surge a organização mundial </span><i><span style="font-weight: 400;">“ </span></i><a href="http://www.win-global.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Woman in Nuclear</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”.  </span></i><span style="font-weight: 400;">A revista Arco entrevistou a  </span><span style="font-weight: 400;">doutora Juana Gervasoni, presidenta da WiN-Argentina que comparecerá ao Seminário Internacional - América do Sul na era nuclear: riscos, desafios e perspectivas. Confira como foi a conversa: </span>

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<b>ARCO: O que é a “Woman in Nuclear”, como surgiu e por quê?</b>

<b>Juana: </b><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">Woman in Nuclear</span></i><span style="font-weight: 400;"> (WiN) é uma organização mundial, certificada pela </span><a href="https://www.iaea.org/"><span style="font-weight: 400;">Agência Internacional de Energia Atómica</span></a><span style="font-weight: 400;"> (IAEA), que apoia e encoraja as mulheres que trabalham nas indústrias nucleares em todo o mundo, em especial nas aplicações da energia e radiação. Fundada em 1992, tem como objetivo promover a compreensão e a consciência pública dos benefícios das aplicações nucleares e da radiação através de redes nacionais e internacionais. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos que atualmente conta com cerca de 4600 membros em 102 países, e segue crescendo.</span>

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<span style="font-weight: 400;">A WiN Global realiza uma reunião anual, além de publicar um boletim informativo mensal. Na Argentina, a organização iniciou suas atividades em 1992 sob direção da Doutora Maela Vir</span><span style="font-weight: 400;">so,</span><span style="font-weight: 400;"> da </span><span style="font-weight: 400;">Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA) - instituição que concentra a maior atividade nuclear do país. </span>

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<b>ARCO: </b><b>Quem participa da organização?</b>

<b>Juana: </b><span style="font-weight: 400;">Mulheres que trabalham profissionalmente em diferentes áreas do trabalho nuclear, como ciência e tecnologia, medicina e saúde, indústria e pesquisadoras das várias instituições da Argentina. Isto é, para todos os candidatos que desejam participar da promoção de atividades nucleares.</span>

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<b>ARCO: </b><b>Quais são os principais objetivos e ações da organização?</b>

<b>Juana: </b><span style="font-weight: 400;">Na WiN, consideramos fundamental nivelar o caminho para as jovens que estão apenas começando na carreira científica, ajudando a aumentar a conscientização sobre as dificuldades e preconceitos de gênero que ainda existem e que devem ser superados, a fim de alcançar uma autêntica igualdade entre homens e mulheres no campo científico-tecnológico. O objetivo da organização é desenvolver um espaço propício para trocar ideias e estimular iniciativas conjuntas a partir da visão das mulheres que pertencem à atividade nuclear, em distintos setores da sociedade: científico-tecnológico, de saúde, cultural, educacional e social. Tudo isso, sem deixar de desenvolver um diálogo fluido com a sociedade para promover a conscientização, contribuição e educação das pessoas e da sociedade de tecnologias nucleares. </span>

&nbsp;

<b>ARCO: Quando as mulheres começaram a trabalhar nas indústrias nucleares e o que representam atualmente? Desde a fundação da WiN, quais foram os avanços percebidos no ramo? </b>

<b>Juana: </b><span style="font-weight: 400;">No primeiro Intercâmbio de Materiais de Informação Pública (Pime) em 1988, iniciado pelo comitê de informação da ENS, os programas de informação para mulheres foram discutidos como políticas públicas em ciência e tecnologia. Mas apenas três "mulheres nucleares" compareceram. No segundo Pime, em 1989, uma mesa redonda com seis mulheres e um homem discutiu a questão das mulheres e da energia nuclear. Este foi o ponto de partida. Um ano depois, em janeiro de 1990, o comitê de informação da ENS organizou uma reunião especial de mulheres - "Mulheres e energia nuclear" - presidida por Agneta Rising (Suécia) em Ascona, Suíça. A partir daquele momento, em cada reunião do Pime, o comitê de informações deixou espaço para uma reunião das mulheres participantes.</span>

<span style="font-weight: 400;">
</span><span style="font-weight: 400;">Somente na primeira reunião especial realizada em Helsinque, em maio de 1992, organizada pelo grupo finlandês "Energy Channel", a WiN se estabeleceu como um grupo líder. Adotou a Carta WiN e estabeleceu o programa de trabalho de informação para 1993, que inclui a reunião constitucional da Organização WiN no dia da inauguração do PIME '93 em Karlovy Vary, na República Tcheca.</span>

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<b>ARCO: Como vê a participação e a valorização das mulheres na área de pesquisa e produção da ciência e tecnologia? </b>

<b>Juana:</b><span style="font-weight: 400;"> Geralmente, em Ciência e Tecnologia a participação da mulher é altamente importante e de excelência, mas a valorização do seu trabalho ainda não bem é reconhecido, persistindo a invisibilidade.</span>

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<b>ARCO: Quais são as perspectivas futuras da organização para a utilização da energia nuclear e para o trabalho das mulheres na área?</b>

<b>Juana: </b><span style="font-weight: 400;">Nossa perspectiva é d</span><span style="font-weight: 400;">ivulgar ao público em geral, especialmente mulheres, informações sobre a tecnologia nuclear e sua contribuição para a sociedade, promovendo um ambiente colaborativo com outras organizações que contribuem para esse fim. Promover também a transferência de conhecimento e experiência, por meio de reuniões regulares entre seus membros e entre os demais grupos WiN. Além disso, promover o interesse pela formação técnico-científica, especialmente entre as mulheres, em um campo direta ou indiretamente relacionado ao setor nuclear ou à radiação ionizante.</span>

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<b>Reportagem:</b><span style="font-weight: 400;"> Tainara Liesenfeld</span>

<b>Ilustração:</b><span style="font-weight: 400;"> Pollyana Santoro</span>

<b>Edição: </b><span style="font-weight: 400;">Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo</span>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Literatura das excluídas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/literatura-das-excluidas</link>
				<pubDate>Thu, 02 Aug 2018 18:33:27 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[autoras afrodescendentes]]></category>
		<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>

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						<description><![CDATA[Doutoranda em Letras desenvolve tese sobre a autoria feminina e afrodescendente no Brasil
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">Mônica Saldanha Dalcol, mestre em Filosofia e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Letras, está realizando uma tese que é inovadora e promete quebrar barreiras. Ela trabalha com a autoria feminina e afrodescendente ao longo de três séculos no Brasil (XIX, XX e XXI). Mônica trata desse assunto a partir da crítica feminista e o relaciona com filosofia e literatura. A doutoranda destaca na sua tese as categorias de violência, como o racismo e, a partir disso, como as autoras conseguem encontrar refúgios ficcionais para trabalhar questões de ética, humanidade e alteridade. Seu trabalho conta com três autoras que são de grande relevância para a literatura: Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Ana Maria Gonçalves. O trabalho aponta que, apesar das mudanças desses três séculos, a autoria feminina e afrodescendente ainda é marcada pelo racismo e pela desigualdade de gênero. Confira a entrevista que a nossa equipe fez com a pesquisadora:</span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-4101" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/08/infográfico_atualizado-607x1024.jpg" alt="" width="607" height="1024" />

<b>ARCO: Como surgiu a ideia de fazer a tese sobre esse tema?</b>

<b>MÔNICA:</b><span style="font-weight: 400;"> Eu sou professora de filosofia de escola e eu sempre tive uma dívida muito grande em trabalhar questões sobre o feminismo, então na sala de aula eu me deparei com alunos e alunas negros que me questionavam a questão da representatividade. Como a minha formação é deficiente nesse sentido de eu não ter estudado nem filósofas e filósofos negros e eu mesma não ter leituras e escritores e escritoras afro-brasileiros, eu acabei sempre tendo uma dívida com isso. É uma questão de consciência ética para mim, então isso sempre me incomodou muito. Eu tinha uma colega na época que me apresentou o professor de Letras, Anselmo </span><span style="font-weight: 400;">Peres Alós</span><span style="font-weight: 400;">, que já tem uma pesquisa gigantesca sobre literatura afro-brasileira e sobre autoria feminina. Ele acolheu super bem e no mesmo ano que eu o conheci, já tive a ideia de ingressar no doutorado.</span>

<b>ARCO: Qual a relevância desse assunto para o seu campo de estudo e a sociedade no geral?</b>

<b>MÔNICA: </b><span style="font-weight: 400;">Para o meu campo do estudo, é primeiro tentar trazer à tona essas vozes que foram silenciadas, principalmente pela questão acadêmica e pelo déficit de formação que a gente tem desde a academia. Isso vai refletir na nossa prática dentro da sala de aula e, consequentemente, refletir na formação humana dos alunos que vão sair da escola sem conhecer esses autores e autoras. Pela questão acadêmica, é quase que tentar sanar uma dívida histórica, porque essas autoras - tirando a Ana Maria Gonçalves, que está viva - não tiveram reconhecimento em vida e ainda não fazem parte do cânone literário. São autoras que são conhecidas mais pelo movimento negro e pelo movimento das mulheres negras do que propriamente pela academia. Então a relevância desse tema é fazer com que as autoras tenham o lugar de fala delas garantido dentro do campo acadêmico também. Se a gente for parar para pensar na Carolina Maria de Jesus, por exemplo, existem mais de cinco mil manuscritos na Biblioteca Nacional, isso não foi reeditado e não veio a público. Têm contos, romances, peças de teatro e a gente não conhece isso. Carolina foi uma autora mais conhecida no exterior do que propriamente no seu país. Eu considero uma relevância urgente para entendermos como é que se dão as desigualdades históricas e a própria conjuntura histórica de um país que foi um dos últimos a abolir a escravidão.</span>

<b>ARCO: Quais foram as maiores dificuldades encontradas?</b>

<b>MÔNICA:</b><span style="font-weight: 400;"> No meu primeiro ano de doutorado, meu orientador estava fazendo pós-doutorado no Recife e eu imaginava que o PPG de Letras da UFSM tinha uma abertura maior para essas temáticas de crítica feminista e autoria feminina afrodescendente e, nem sempre foi assim. Às vezes se mantém uma posição bastante elitista, masculinista, para não dizer machista, e branca de que o que eu estudo e o que essas autoras produzem seria uma literatura menor, diante daquilo que já é considerado cânone. Há um certo receio de achar que as pesquisas que visam o resgate e trabalham com a questão de autoria feminina podem desocupar ou, então, que o cânone poderia perder seu lugar já legitimado e as tais pesquisas fizessem “cair os muros da universidade”. Eu ficaria bem feliz, porque acho que cada vez mais a universidade deveria ter cara de povo. </span>

<b>ARCO: Durante a sua pesquisa, você encontrou alguma curiosidade que não esperava?</b>

<b>MÔNICA:</b><span style="font-weight: 400;"> Eu encontrei através de uma pesquisa de doutorado da UFMG, a questão de que “Casa de Alvenaria”, que até então durante a elaboração da minha qualificação, eu achava que não era um livro que tinha sofrido com edição de cortes do Audálio Dantas, o jornalista que lança a Carolina. E através dessa pesquisa eu descobri que ele também fez alguns cortes em “Casa de Alvenaria” e para mim foi uma grande surpresa, eu fiquei bastante chocada.  Eu fui também para alguns eventos em Teresina, no Piauí, que já tem uma pesquisa bastante avançada com relação à autoria feminina e afrodescendente. As pesquisas deles estão bem mais avançadas do que as nossas aqui no Sul. Lá não se discute se o que essas autoras estão fazendo é literatura ou não. [Essas] foram as duas grandes surpresas que eu tive.</span>

<b>ARCO: Por que alguns trechos do livro sofreram cortes? Por questões de censura?</b>

<b>MÔNICA</b><span style="font-weight: 400;">: Tem toda uma questão de jogo político. Há cortes com relação aos termos que são utilizados pela Carolina, as passagens que abordam a questão do suicídio e todos os termos que soavam muito intelectuais. A própria tese da professora Elzira Perpétua, da UFMG, ressalta que se tinha uma ideia de colocar a Carolina como uma vítima social e não como uma autora autodidata e genial como, de fato, se aparece nos manuscritos.</span>

<b>ARCO: Quando se trata de mulheres afrodescendentes na literatura brasileira, tem algo que não pode deixar de ser comentado?</b>

<b>MÔNICA:</b><span style="font-weight: 400;"> É difícil porque sou uma mulher branca falando. Mas acredito que a primeira coisa é a questão do erro do “feminismo branco” de não ter levado em conta as demandas diferentes das nossas companheiras afrodescendentes. A segunda é a questão da marca histórica da escravidão. Enquanto as demandas de mulheres brancas eram pelo voto, as das mulheres negras eram outras, como por exemplo, ter o que comer. A própria reivindicação da humanidade para as mulheres afrodescendentes vai ser bem tardia. Também existe a ideia de hipersexualização das mulheres na literatura brasileira, isso também é algo que as mulheres afrodescendentes sofrem bem mais do que as mulheres brancas. Para mim, a hipersexualização e a escravidão são questões que a gente não pode deixar de lado.</span>

<b>ARCO: O título da tese começa com “As vozes das excluídas”. Por qual motivo escolhestes essas palavras e qual o real significado delas?</b>

<b>MÔNICA:</b><span style="font-weight: 400;"> Eu escolhi essas palavras junto com o meu orientador, por pensar justamente o lugar dessas mulheres dentro do plano acadêmico. Nos perguntamos: “qual é o lugar dessas mulheres dentro do cânone?”. A gente vive um “boom” de pesquisas sobre a questão de autoria afrodescendente de alguns anos para cá, principalmente da representatividade das mulheres afrodescendentes dentro da academia, mas ainda percebemos uma resistência muito grande pela ideia de que o cânone é feito para homens e por homens. Apesar de nós termos, desde a década de 1980 no Brasil, teóricas feministas tentando revisitar esse cânone e fazendo, em paralelo, um cânone das mulheres sobre escritoras brasileiras. Ainda sim, quando se trata de escrita afrodescendente, esse lugar de subjugação permanece, há uma resistência muito grande.</span>

<b>ARCO: Quais as contribuições pessoais e profissionais que a tese te trouxe? </b>

<b>MÔNICA: </b><span style="font-weight: 400;">Eu estou aprendendo, cada vez mais, a ser gente. Estou aprendendo a reconhecer meu lugar de privilégio. A ideia de privilégio é sempre muito forte pra mim. É uma pesquisa que me apaixono, mas que também me custa muito caro em termos emocionais e psicológicos. Eu posso dizer que estou fazendo algo que eu sempre quis fazer, é uma questão de ter comprometimento principalmente com a questão da minha luta junto de outras mulheres. Tenho ganhado muito em termos humanos e isso tem refletido inclusive na minha prática como professora de Filosofia.</span>

<b>Reportagem: Martina Irigoyen </b>

<b>Fotografia: Rafael Happke</b>

<b>Gráfico: Pollyana Santoro</b>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mulheres no campo: trabalho e protagonismo</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/mulheres-no-campo-trabalho-e-protagonismo</link>
				<pubDate>Fri, 22 Jun 2018 18:32:55 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[protagonismo]]></category>
		<category><![CDATA[rural]]></category>
		<category><![CDATA[sindicato]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisadoras da UFSM estudam a realidade das mulheres rurais na agricultura familiar]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400">Cleci Conoretto é uma das várias mulheres que comercializam seus produtos na Polifeira - a feira da agricultura familiar organizada no largo do Planetário da UFSM todas as quintas-feiras. Começou a trabalhar na lavoura com os pais e segue a profissão até hoje. Quando chega do campo, o trabalho não termina. Ela é responsável por lavar a roupa, cozinhar, organizar a casa e fazer pães, sonhos, <em>agnolini</em> e quiches para vender. Cleci é casada com Luis Conoretto, com quem tem três filhos. Desde muito cedo - eles também iam para a lavoura, enquanto ela e o marido plantavam e colhiam.</span>

<span style="font-weight: 400">Mulher, trabalhadora e mãe, Cleci tem que “se desdobrar” para dar conta de todas as suas demandas. Rotinas como essa são comuns na vida de mulheres do campo e nem sempre são representadas e recebem reconhecimento perante a sociedade. Com o objetivo de entender melhor a relação de trabalho, de gênero e direitos trabalhistas, algumas pesquisadoras se empenham no estudo do cotidiano das mulheres rurais.</span>

<b>Jornadas triplas de trabalho e a desigualdade de gênero</b>

<span style="font-weight: 400">Janaína Betto, mestre em Extensão Rural pela UFSM, defendeu a tese</span><i><span style="font-weight: 400"> Chega de ficar de fora, já chegou a hora de participar: trajetória política do MMC/SC e o engajamento militante das dirigentes, </span></i><span style="font-weight: 400">que tem</span> <span style="font-weight: 400">como tema as mulheres camponesas e o engajamento político, com enfoque no Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina (MMC/SC). Segundo a pesquisadora, a tripla jornada de trabalho de mulheres como Cleci está ligada à estrutura da agricultura familiar. “Historicamente se considerou que a família era um </span><i><span style="font-weight: 400">todo harmônico</span></i><span style="font-weight: 400"> que trabalhava em conjunto de maneira a melhor prover a mão-de-obra dos familiares”, comenta Janaína. Ela explica que essa </span><i><span style="font-weight: 400">estrutura harmônica</span></i><span style="font-weight: 400"> esconde as desigualdades que existem dentro da família, que não são diferentes das que existem na cidade, mas que tem certas peculiaridades.</span>

<span style="font-weight: 400">Na vida das mulheres camponesas, segundo a pesquisa, o serviço doméstico não é visto como trabalho, e o crédito da produção da agricultura familiar é atribuído ao “chefe da família” - nesse caso, o marido. Isso faz com que elas se tornem dependentes dos maridos para terem acesso à renda, destinada à compra de utensílios domésticos, de roupas para a família e de produtos destinados à casa - elementos geralmente tratados como de responsabilidade feminina.</span>

<span style="font-weight: 400">Por outro lado, essa mesma realidade demonstra que dentro da estrutura familiar todos trabalham, porém isso acontece “de forma permeada por diferenças relacionadas a uma divisão sexual do trabalho”. Janaína Betto comenta que “as mulheres trabalham tanto quanto os homens, mas elas têm o seu trabalho no âmbito produtivo (na lavoura, por exemplo) reduzido ao status de </span><i><span style="font-weight: 400">ajuda</span></i><span style="font-weight: 400">, enquanto seu trabalho no âmbito reprodutivo (dentro e na volta de casa) é invisibilizado, pois não é considerado como trabalho”. Assim, a divisão sexual de trabalho encontrada no meio rural demonstra que as mulheres rurais ocupam uma posição subordinada e seu trabalho tem pouco reconhecimento.</span>

<span style="font-weight: 400">Nesse sentido, o MMC/SC pesquisado pela Janaína Betto, surgiu para que houvesse a discussão dessas desigualdades de gênero cotidianas existentes no meio rural, e para provocar o diálogo entre as mulheres sobre as situações que representam a desigualdade de gênero no meio rural. Conforme Janaína, essa desigualdade, para além de afetar as mulheres, também “é um dos pilares que permite que ocorra a exploração de </span><span style="font-weight: 400">toda a classe trabalhadora”. Dessa maneira, o MMC/SC é um movimento social que reivindica também a reforma agrária e a agroecologia.</span>

<b>O protagonismo através das tecnologias de informação</b>

<span style="font-weight: 400">Outra pesquisadora que investiga o tema é Ana Carolina Escosteguy, </span><span style="font-weight: 400">professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM. Ela é autora da pesquisa “</span><a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=3652"><i><span style="font-weight: 400">Tecnologias de Comunicação nas práticas cotidianas: o caso de famílias relacionadas à cadeia agroindustrial do tabaco</span></i></a><i><span style="font-weight: 400">” -</span></i><span style="font-weight: 400"> que está em andamento. Um dos artigos publicados em relação ao tema se intitula </span><i><span style="font-weight: 400">Mulheres e suas interações cotidianas com tecnologias de comunicação: o caso de jovens e adultas relacionadas à cadeia agroindustrial do tabaco</span></i><span style="font-weight: 400">. Neste artigo, a pesquisadora analisa o vínculo das mulheres que trabalham no meio rural do município de Vale do Sol (RS) com a tecnologia.</span>

<span style="font-weight: 400">Em entrevista, a pesquisadora revelou algumas percepções das relações de gênero presentes na rotina dessas mulheres. Para ela, “no contexto urbano também existe desigualdade de gênero, mas tem distinção no meio rural. As próprias mulheres dizem que trabalham duro na lavoura, mas elas fazem a observação de que não trabalham no </span><i><span style="font-weight: 400">pesado</span></i><span style="font-weight: 400">. Isso acontece porque não são elas que vão lidar com agroquímicos, com os venenos, mas elas têm participação </span><span style="font-weight: 400">intensa na lavoura e no trabalho doméstico”.</span>

<span style="font-weight: 400">Ana Carolina, que estuda a relação dessas mulheres com a tecnologia, afirma que algumas têm consciência que dependem financeiramente do marido, e buscam através do desenvolvimento das habilidades com o celular, a internet e as rede sociais uma forma de serem protagonistas. Uma das mulheres que a pesquisadora entrevistou desenvolveu grande proximidade com o computador e a internet, e através de redes sociais e sites de receitas começou a fazer bolos, vendê-los, e conseguir uma renda extra. Entretanto, este caso ainda é uma exceção à realidade das mulheres rurais.</span>

<b>A relação com os sindicatos</b>

<span style="font-weight: 400">A produtora Cleci leva com bom humor a tripla jornada que realiza, e brinca que trabalha mais que o marido, porque ele está doente. Ela também comenta que hoje em dia </span><span style="font-weight: 400">as mulheres têm bem mais direitos, porque antes “as mulheres eram praticamente escravizadas”, declara ela. A relação de Cleci com os direitos trabalhistas se dá fortemente por meio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, e é através dele que ela espera chegar à aposentadoria.</span>

[caption id="attachment_3856" align="aligncenter" width="683"]<img class="wp-image-3856 size-large" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/06/UFSM.2018.028.020.RA_-683x1024.jpg" alt="" width="683" height="1024" /> Cleci Conoretto, produtora rural na Polifeira[/caption]

<span style="font-weight: 400">Cleudia Camargo, do Sindicato Rural de Cachoeira do Sul, corrobora que os direitos das mulheres melhoraram muito nos últimos anos. “Elas conseguem acessar linhas de crédito em seu nome, coisa que alguns anos atrás não ocorria, e muitas delas estão participando ativamente nas atividades juntamente com o marido na hora da compra de sementes e insumos para a lavoura”, afirma a trabalhadora. Ela explica que, para conseguir a aposentadoria, a produtora rural deve comprovar o exercício de atividade rural em regime de economia familiar ou individual, sendo necessário Bloco de Produtor(a) Rural e o documento da propriedade em que trabalha ou é proprietário (a). Essa exigência vale para todos os produtores rurais. São assegurados direitos como o décimo terceiro salário, férias e a licença maternidade. Cleudia enfatiza que o sindicato é uma “ferramenta de luta em defesa dos agricultores familiares e assalariados e assalariadas rurais”.</span>

<span style="font-weight: 400">A pesquisadora Janaína Betto comenta que esses direitos foram uma conquista de mov</span><span style="font-weight: 400">imentos de luta de várias mulheres - como o MMC/SC. Ela afirma que </span><span style="font-weight: 400">a luta inicial delas, na década de 1980, foi pelo reconhecimento da profissão de trabalhadora rural/agricultora, exigindo mudanças nas leis. A partir disso, as mulheres conquistaram os direitos sociais e trabalhistas que os homens do campo já tinham, como é o caso da aposentadoria. E, finalmente, em 1994, elas alcançaram o direito à licença-maternidade.</span><span style="font-weight: 400"> Hoje em dia a legislação trabalhista é igual para homens e mulheres que são assalariados rurais.</span>

<em><span style="font-weight: 400"><strong>Reportagem</strong>: Mayara Souto e Taísa Medeiros </span></em>

<em><span style="font-weight: 400"><strong>Fotografia</strong>: Rafael Happke</span></em>]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>"A exigência sobre o trabalho da mulher na área técnica é maior"</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/a-exigencia-sobre-o-trabalho-desempenhado-pela-mulher-na-area-tecnica-e-maior</link>
				<pubDate>Thu, 08 Mar 2018 22:07:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Mulheres na Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Centro de Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na Ciência]]></category>

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						<description><![CDATA[Luciane Canha, professora e pesquisadora do Centro de Tecnologia da UFSM, fala dos desafios e conquistas das mulheres na ciência e na sociedade
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  A ciência é pilar central para a evolução social e tecnológica de toda a humanidade. As mulheres, que por muito tempo foram mantidas longe do meio científico, vêm garantindo, aos poucos, espaço de destaque em importantes pesquisas desenvolvidas no mundo - e na UFSM não é diferente. Um exemplo disso é a professora Luciane Canha, do Departamento de Eletromecânica e Sistemas de Potência, da Engenharia Elétrica. <a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=3019" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ela é uma das 13 pesquisadoras da Universidade que alcançaram o nível 1 de Produtividade em Pesquisa (PQ)</a>, segundo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Conheça, na entrevista a seguir, o caminho trilhado pela docente, os desafios enfrentados por ela em um ambiente historicamente masculino como o Centro de Tecnologia, e como ela percebe a inserção das mulheres no mundo científico.

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<b>ARCO: Qual foi o seu primeiro incentivo para trabalhar na ciência e como você chegou ao cargo que ocupa hoje? </b>

<b>LUCIANE:</b><span style="font-weight: 400;"> Sempre pensei em trabalhar com Engenharia Elétrica por gostar de matemática e física. Na minha família, nunca houve preconceito em relação a isso. Eu era aconselhada a fazer o que eu achasse melhor e sempre tive apoio, o que me ajudou e incentivou bastante. </span><span style="font-weight: 400;">Entrei na UFSM como professora de Engenharia Elétrica em 1997, na época somente com mestrado. Concluí o doutorado em 2004, imediatamente assumindo como orientadora de alunos da pós-graduação. A partir disso, desenvolvemos uma linha de pesquisa que até então não vinha sendo explorada, na área de sistemas elétricos de potência, a qual abrange distribuição, geração e transmissão de energia elétrica. Cerca de quatro anos depois, passei a ser pesquisadora “PQ2” no CNPq, e há três anos passei para a categoria “1D”, sempre desenvolvendo pesquisas na área de energias renováveis, geração distribuída e redes elétricas inteligentes.</span>

&nbsp;

<b>ARCO: Você acredita que enfrentou mais problemas na sua carreira pelo fato de você ser mulher?</b>

<b>LUCIANE:</b><span style="font-weight: 400;"> Acredito que sim. Não é uma área fácil de atuar sendo mulher. Na minha geração, as meninas brincavam de boneca ou de casinha, enquanto os meninos acompanhavam seus pais trocando a bateria do carro ou mexendo na instalação elétrica da residência, na pintura da casa... As meninas não faziam isso. Hoje as coisas estão mudando. Eu creio que a geração da minha filha, por exemplo, vai sofrer bem menos com esse preconceito. Para mim, a exigência sobre o trabalho desempenhado pela mulher na área técnica é maior: nós precisamos trabalhar quase em dobro para mostrarmos que sabemos fazer, pois, em geral, existem restrições do tipo “será que ela sabe mesmo?”, “será que ela não vai ficar com dor de cabeça e voltar para casa?”, “será que ela não vai ter que sair correndo para cuidar dos filhos?”. Por outro lado, na parte de aprovação de projetos de pesquisa, nunca houve nenhuma restrição, já que a licitação é lisa e não considera o gênero. Eu tenho sucesso em praticamente todos os projetos que envio. Nesse caso, existe certa igualdade. Já a sala de aula também pode ser difícil, dependendo da condução dada. Eu comecei a dar aula aos 26 anos, em uma turma onde cerca de 90% dos alunos eram homens. É necessário impor certa dinâmica para que eles saibam que uma professora tem as mesmas condições de ensinar do que alguém do sexo masculino.</span>

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<b>ARCO: A partir da sua experiência, como é conciliar as atividades científicas com as tarefas domésticas, que geralmente são atribuídas às mulheres?</b>

<b>LUCIANE:</b><span style="font-weight: 400;"> É difícil. Eu tenho a sorte de ter o trabalho com o qual eu sempre sonhei. Eu trabalho com o que eu gosto e isso me motiva, mas é um desafio. Na minha área de pesquisa não é possível desenvolver o trabalho em casa, pois eu preciso do laboratório e dos equipamentos, além de estar nas empresas. É um grande desafio conciliar esse trabalho com a vida doméstica. O que eu tenho é um conjunto de pessoas que me ajudam com isso. Eu e meu marido dividimos igualmente as tarefas. Temos duas filhas, e quando preciso viajar, ele fica com elas. Meus pais também me ajudam, eventualmente. Na área de pesquisa, para mim, o desafio é ainda maior. É preciso dedicação total a todo momento. É necessário que tudo funcione bem para que as coisas deem certo.</span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-3144" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/UFSM.2018.003.009.RA-2-1024x683.jpg" alt="" width="1024" height="683" />

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<b>ARCO: Como você vê o ambiente do Centro de Tecnologia com relação à desigualdade de gênero?</b>

<b>LUCIANE:</b><span style="font-weight: 400;"> Numericamente, a diferença é grande. Éramos três professoras quando eu entrei na Engenharia Elétrica, em 2004, e hoje são quatro. Por esse lado, é bem desigual, mas percebo certa evolução. Nas salas de aula vejo bem mais meninas do que antes. A proporção ainda é pequena - cerca de ¼ dos alunos são meninas. Mas na questão de respeito, ao menos aqui no Centro de Tecnologia, eu nunca tive problemas. Ocorrem, às vezes, situações pontuais, mas, em geral, o ambiente é bom.</span>

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<b>ARCO: Para você, a conquista da igualdade de gênero na ciência se dará a curto ou a longo prazo?</b>

<b>LUCIANE:</b><span style="font-weight: 400;"> A curva de evolução está cada vez mais positiva. A geração atual oferece bem mais condições para as mulheres assumirem esse tipo de cargo. A tendência é aumentar, cada vez mais, o número de mulheres na ciência.</span> <span style="font-weight: 400;">Percebo uma mudança na sociedade. Estamos tentando mostrar que não existe diferença de gênero. É um momento em que a sociedade está percebendo que as mulheres e os homens precisam dividir as tarefas domésticas. Não é possível existirem situações do tipo “eu não limpo o banheiro, porque sou homem”, “eu não troco a fralda, porque sou homem”. É preciso dividir as tarefas para não ficar pesado para nenhum dos dois. A partir disso, a sociedade vai ver que essas tarefas não cabem exclusivamente à mulher, e elas serão mais respeitadas nesse meio.</span>

&nbsp;

<b>ARCO: Como incentivar as mulheres a trabalharem na ciência?</b>

<b>LUCIANE:</b><span style="font-weight: 400;"> É preciso certificar as mulheres de que elas terão apoio da sociedade, com salários iguais, oferta de creches, ajuda da família quando necessário, e por aí vai. É preciso que a sociedade mude mais do que tem mudado na questão de respeito, segurança e condições de trabalho. A partir disso, não existem limites para as mulheres.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Repórter: Lucas Gutierres, </span><span style="font-weight: 400;">do Núcleo de Divulgação Institucional do Centro de Tecnologia da UFSM</span>

<span style="font-weight: 400;">Fotografias: Rafael Happke</span>]]></content:encoded>
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				<title>“Se reproduz na UFSM o que acontece no país”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/se-reproduz-na-ufsm-de-forma-um-pouco-mais-acentuada-o-que-acontece-no-pais</link>
				<pubDate>Thu, 08 Mar 2018 21:35:14 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Mulheres na Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[CNPq]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisadora]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisadora Cristina Nogueira, única bolsista mulher Pq 1A da UFSM atualmente, conta sua trajetória e destaca o papel e as dificuldades das mulheres cientistas
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Professora da UFSM há 23 anos, Cristina Wayne Nogueira é <a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=3019" target="_blank" rel="noopener noreferrer">uma das mulheres que se destacam na pesquisa científica da Universidade.</a> Formada em Farmácia e pesquisadora da área da Bioquímica, ela é, atualmente, a única mulher da UFSM, entre 11 homens, a atingir o nível 1A de excelência de produtividade em pesquisa pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)- que ela mantém desde 2008. Trata-se de um nível altamente competitivo, que reflete a excelência continuada dos pesquisadores na produção científica e na formação de recursos humanos, além de liderança de grupos de pesquisa consolidados.

Em 2017, Cristina foi reconhecida com o Prêmio de Pesquisador Destaque UFSM e o <a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2404" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Prêmio Pesquisador Gaúcho Destaque em Ciências Biológicas</a>. Em entrevista à Revista Arco, a docente expõe sua trajetória e destaca o papel da mulher na pesquisa.

<b>ARCO: De onde veio seu primeiro incentivo para trabalhar com ciência?</b>

<span style="font-weight: 400"><strong>CRISTINA WAYNE NOGUEIRA:</strong> Meu primeiro incentivo para seguir na pós-graduação, que é o caminho para se fazer ciência, veio da minha família, dos meus pais. O meu pai e a minha mãe são professores universitários, hoje aposentados, e fizeram a pós-graduação na década de 1960, uma época em que os cursos de PG eram poucos no Brasil. Certamente, o modelo da minha família, no qual minha mãe trabalhava e estudava em condição de igualdade com o meu pai, a forma como a minha mãe administrou sua vida profissional e familiar, o fato de que todos os filhos (um homem e duas mulheres) tiveram direitos iguais no que tange à escolha profissional, e ao incentivo para trilhar a carreira profissional, contribuíram para quem sou profissionalmente.</span>

<span style="font-weight: 400">É preciso destacar também dois grandes mestres: o professor [do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da UFSM] Carlos Eugênio Daudt, meu orientador do mestrado, e o professor [do Departamento de Bioquímica da UFRGS] Diogo Onofre Gomes de Souza [, meu orientador do doutorado.</span>

<b>ARCO: Quais você considera que tenham sido os fatores de sucesso na sua carreira acadêmica e científica?</b>

<span style="font-weight: 400"><strong>CRISTINA: </strong>Esta é uma pergunta de difícil resposta, mas acredito que o sucesso na minha carreira acadêmica e científica deve-se ao prazer e a satisfação que sinto no que faço. O trabalho para mim não tem a conotação de peso, sou uma profissional identificada com as atividades acadêmicas (as aulas) e científicas (as atividades no laboratório de pesquisa assim como o complexo processo de orientação).</span>

<span style="font-weight: 400">Algumas características pessoais talvez tenham sido também importantes, destacaria o foco, a disciplina e a organização. Acredito que para dar conta das diferentes atividades que envolvem a docência e a carreira científica é preciso persistência e muita disciplina.</span>

<span style="font-weight: 400">Não poderia deixar de destacar a importância dos alunos (tanto os ex-alunos, quanto os atuais) do meu grupo de pesquisa (pós-doutores, doutores, mestres e iniciação científica) nesta trajetória. Os alunos que trabalham (ou trabalharam) no meu grupo de pesquisa se identificam com a minha forma de trabalho, aceitam os desafios propostos e, efetivamente, carregam o "piano", isto é, são os que executam os projetos de pesquisa.</span>

<span style="font-weight: 400">Digno de grifo também são os colegas, professores João Batista Teixeira da Rocha e Gilson Zeni, parceiros de grupo de pesquisa e, portanto, colaboradores da minha trajetória científica.</span>

<span style="font-weight: 400">Destaco aqui também a grata satisfação e o desafio, quase que diário, das aulas na graduação, leciono uma disciplina "considerada" difícil [Bioquímica 2], nos primeiros semestres dos cursos de graduação; portanto, "conquistar" os alunos e ajudá-los a "enxergar" o mundo da bioquímica são missões que me engrandecem e gratificam.</span>

<b>ARCO: E quais foram as dificuldades encontradas nesta trajetória?</b>

<span style="font-weight: 400"><strong>CRISTINA: </strong>As dificuldades para quem trabalha com ciência no Brasil, e mais precisamente no Rio Grande do Sul, são muitas, desde problemas estruturais até as limitações financeiras. De fato, o financiamento das pesquisas é um problema sério no país, e principalmente, se levarmos em conta a capacidade de aporte das fundações estaduais, que são muito desiguais.</span>

<span style="font-weight: 400">Entretanto, sou uma otimista e acredito na nossa capacidade de superação. E é isto que demonstramos toda a vez que um pesquisador do interior do estado do Rio Grande do Sul conquista uma bolsa, verbas para pesquisa,</span><span style="font-weight: 400"> prêmios,</span><span style="font-weight: 400"> distinções etc....</span>

<b>ARCO: Você acredita que as mulheres enfrentam mais dificuldades que os colegas homens no mundo acadêmico?</b>

<span style="font-weight: 400"><strong>CRISTINA: </strong>Esta é uma questão muito pertinente. Eu considero que a carreira nas universidades não favorece os colegas homens em detrimento das mulheres. E acho constrangedor a possibilidade de que as mulheres sejam admitidas no serviço público ou contempladas por editais (bolsas de produtividade, fomento etc...) apenas para preencher cotas.  Defendo este ponto de vista sob a ótica de que as mulheres são tão competentes profissionalmente quanto os homens e não vejo injustiças ou iniquidades na carreira universitária.</span>

<span style="font-weight: 400">Entretanto, quando trata-se da academia (refiro-me aqui à carreira de pesquisadora), das representatividades e das distinções e premiações, considero que as mulheres enfrentam mais dificuldades do que os homens, principalmente pelo fato de que as representatividades são majoritariamente masculinas. Alguns dados dão suporte a esta colocação, sabe-se que apenas 10% dos integrantes da Academia Brasileira de Ciências são mulheres e que o universo de mulheres bolsistas de produtividade 1A do CNPq é de 24%, e que esta porcentagem, embora aumente dos estratos 1B para 2, não ultrapassa os 34% (Dados do CNPq 2015).</span>

<span style="font-weight: 400">Portanto, é fato que, apesar dos intensos avanços femininos na carreira científica e participação na Pós-Graduação, há poucas mulheres no topo da carreira científica. Assim como o pequeno aumento percentual de mulheres em nível altamente competitivo (Pq 1A) demonstra que o reconhecimento do mérito acadêmico das cientistas ainda é insignificante.</span>

<span style="font-weight: 400">O que gostaria de diferenciar aqui é que, quando os critérios de julgamento são mais à luz da subjetividade, as mulheres tendem a ter menos chances de serem contempladas, o que poderia ser explicado pelo caráter histórico de representatividade masculina nos cargos diretivos, comitês científicos, associações de classe e fundações.</span>

<b>ARCO: Você sentiu algum tipo de preconceito, por ser mulher, no desenvolvimento da sua carreira?</b>

<span style="font-weight: 400"><strong>CRISTINA: </strong>Retomo aqui o ponto de vista destacado na pergunta anterior, quando se trata de carreira universitária não senti qualquer tipo de preconceito, e galguei todas as categorias da carreira profissional em igualdade de condições às dos colegas homens.</span>

<span style="font-weight: 400">Com relação à carreira científica ratifico também o que já coloquei anteriormente; eu não sofri preconceito no desenvolvimento da minha carreira, mas imagino que um pesquisador homem, com o meu currículo e minha trajetória, poderia ter tido mais facilidades e oportunidades.</span>

<span style="font-weight: 400">Gostaria de deixar claro que estas questões são apenas reflexões e não tem peso na minha trajetória. Talvez o que poderíamos ponderar é que as mulheres precisam trabalhar mais cientificamente para chegar ao mesmo patamar dos homens.</span>

<b><img class="aligncenter size-large wp-image-2406" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/01-1024x683.jpg" alt="" width="1024" height="683" /></b>

<b>ARCO: Pela sua experiência, e de mulheres com as quais você convive, como é conciliar a carreira científica com a vida familiar (matrimônio, gravidez, etc)?</b>

<span style="font-weight: 400"><strong>CRISTINA: </strong>Acho que esta é uma questão muito importante e que certamente impacta na vida profissional das mulheres. É preciso determinação, foco e organização para conciliar a carreira científica com a vida familiar.</span>

<span style="font-weight: 400">No meu caso, como fui mãe muito jovem (aos 17 anos), toda a minha trajetória de formação e de construção da minha carreira acadêmica e científica foi compartilhada com a maternidade. Aprendi a ser mãe e profissional praticamente ao mesmo tempo. Para mim, ser mulher, ser mãe e ser profissional não tem peso, nem culpas.....é ser quem sou!!</span>

<b>ARCO: Na sua opinião, há incentivo para fomentar o equilíbrio de gênero na pesquisa brasileira e mundial?</b>

<span style="font-weight: 400"><strong>CRISTINA: </strong>Esta questão deve ser analisada com cautela. Poderíamos analisar este assunto sob a ótica das bolsas de produtividade, em que a parca presença feminina é histórica e pode ser relacionada com alguns fatores, dentre eles a concentração de bolsas nas diferentes áreas do conhecimento, bem como as características de cada área. </span>

<span style="font-weight: 400">A saber, algumas áreas são mais historicamente masculinizadas, como as Ciências Exatas e da Terra, e Engenharias, em que apenas 20% das bolsas estão com mulheres. Outras têm um maior contingente de mulheres, como a área de Linguísticas, Letras e Artes, na quais as mulheres dão conta de 63% das bolsas de produtividade, e outras, ainda, como as Ciências Biológicas, área na qual atuo, e a Saúde são mais equânimes, nestas áreas em torno de 46% das bolsas estão com mulheres.</span>

<span style="font-weight: 400"> Ainda levando-se em conta a questão histórica, precisamos considerar que as áreas com maior número de bolsas disponíveis são exatamente aquelas nas quais as bolsistas mulheres têm um peso relativo reduzido, o que ajuda a entender o desequilíbrio de gênero na distribuição das bolsas de produtividade do CNPq.</span>

<span style="font-weight: 400">Acho que a forma de tratar o desequilíbrio de gênero na pesquisa brasileira seria a ampliação do número de bolsas, principalmente nas áreas em que este desequilíbrio é maior. Reitero a minha convicção de que não seria necessária a reserva de cotas para mulheres, e que bastaria dar condições de igualdade baseadas no mérito.</span>

<span style="font-weight: 400">Entretanto, precisamos considerar o grave momento em que se encontra a ciência e a educação no país, graças ao avassalador corte de verbas a que estão submetidas. Somos sabedores de que o aumento de bolsas requer aplicação de recursos financeiros, e esta é uma agenda que certamente não será contemplada no cenário atual. Infelizmente, a educação, a ciência e a tecnologia, no Brasil, costumam ficar em segundo plano na hora de se definir prioridades na distribuição dos recursos financeiros. É de conhecimento de todos que a comunidade científica enfrenta problemas de escassez de recursos, ameaça de cortes de bolsas e que este momento se apresenta com enormes desafios em relação ao futuro das pesquisas e da ciência no Brasil. Desta forma, me parece que a luta, do momento, é a manutenção do financiamento existente e a esperança de que, em um futuro próximo, possamos trazer a pauta do desequilíbrio de gênero na pesquisa para discussão.</span>

<span style="font-weight: 400">Com relação às políticas existentes para fomentar o equilíbrio de gênero destacaria: o financiamento de projetos com temáticas relacionadas ao estudo de gênero (CNPq) e a parceria L’Oréal, Unesco e ABC que premia jovens pesquisadoras, tendo reconhecido mais de 70 cientistas brasileiras desde 2006. Destaco também o programa dedicado a mulheres cientistas no mundo, o L’Oréal-UNESCO For Women in Science fundado em 1998, que reconhece pesquisadoras na firme convicção de que o mundo precisa de ciência e a ciência precisa de mulheres.</span>

<b>ARCO: De que forma você acredita que mais meninas poderiam ser incentivadas a se interessar pela ciência e ambicionar se tornar cientistas?</b>

<span style="font-weight: 400"><strong>CRISTINA: </strong>Esta questão me parece mais complexa e pressupõe uma reflexão baseada em dados para que possamos vislumbrar a realidade. Apenas para contextualizar, segundo o censo escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, levando em consideração os anos de 2000 a 2012, há paridade entre o número de homens e mulheres que concluíram o ensino médio- e esta distribuição de gênero se reflete no número de concluintes da graduação. De forma semelhante, os dados de distribuição das bolsas de iniciação científica do CNPq, que se destinam a iniciar os alunos de graduação na carreira científica, dão conta de que 59% dos bolsistas são mulheres. O que nos indica que no ingresso à carreira científica, há equidade entre os gêneros. Entretanto, apenas uma minoria das mulheres atinge o topo da carreira.</span>

<span style="font-weight: 400">Apenas a título de exemplo, a distribuição de gênero no meu laboratório de pesquisa no ano de 2017 foi: pós-doutores (1 homem e 1 mulher), doutorandos (1 homem e 6 mulheres), mestrandos (2 homens e 3 mulheres) e iniciação científica (3 mulheres e 2 homens). Isto é, predominantemente mulheres.</span>

<span style="font-weight: 400">Retomando o que já conversamos anteriormente, o cenário aponta um problemático acesso das mulheres nos pontos mais altos da hierarquia das bolsas e sugere que isto se deva a entraves na manutenção da carreira científica a nível competitivo e não a falta de interesse, ou de acesso, das mulheres à carreira científica.</span>

<b>ARCO: O fato de você ser a única pesquisadora 1A na UFSM indica que há um déficit importante de pesquisadoras mulheres com essas bolsas de produtividade, que representam, segundo o CNPQ, "excelência continuada na produção científica e na formação de recursos humanos, e que liderem grupos de pesquisa consolidados". Você poderia fazer uma análise de a que se deve essa quase 'exclusividade' masculina na UFSM de bolsistas 1A (são 11 no total, somente você mulher)?</b>

<span style="font-weight: 400"><strong>CRISTINA: </strong>Várias das questões abordadas anteriormente nos ajudam a entender este "fenômeno", isto é, se reproduz na UFSM, de forma um pouco mais acentuada, o que acontece no país.  Se o percentual de mulheres pesquisadoras 1A é de aproximadamente 20% no país, na UFSM esta percentagem cai para 9% (1 de 11). Portanto, não é um fenômeno da UFSM.</span>

<span style="font-weight: 400">Ao analisar os dados de professores da UFSM que possuem bolsa de produtividade nos deparamos com o seguinte cenário: 10% do total de professores é bolsista, 44% das bolsas no estrato 2 (início da carreira científica) são de mulheres, isto é, não há desequilíbrio de gênero neste estrato. Entretanto, o fenômeno que discutimos anteriormente, também se revela na UFSM, isto é a porcentagem média de mulheres bolsista no estrato 1 (1B, 1C e 1 D) cai para 20% e quando analisamos o estrato 1A chegamos a 9% (1 mulher pesquisadora em um total de 11).</span>

<span style="font-weight: 400">Portanto, a distribuição de bolsas da UFSM segue o cenário nacional apontando as dificuldades das mulheres em acessar os níveis mais altos da hierarquia das bolsas de produtividade, possivelmente devido aos entraves na manutenção da carreira científica a nível altamente competitivo.</span>

<span style="font-weight: 400">Precisamos considerar também que a maioria dos pesquisadores homens na UFSM é vinculada a áreas com prevalência de profissionais deste gênero (Ciências da Terra, Engenharias e Ciências Rurais).</span>

<em><b>Repórter: </b>Luciane Treulieb</em>

<em><b>Fotografia: </b>Rafael Happke</em>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>19 mulheres da UFSM que nos inspiram a fazer ciência</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/13-mulheres-da-ufsm-que-nos-inspiram-a-fazer-ciencia</link>
				<pubDate>Wed, 07 Mar 2018 21:17:07 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Mulheres na Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Lista]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Mulheres na Ciência]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=3019</guid>
						<description><![CDATA[Conheça as dezenove pesquisadoras da Universidade com nível 1 de Produtividade em Pesquisa de acordo com o CNPq]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <strong>ATENÇÃO: esta matéria foi atualizada no dia 12 de março de 2018, às 23h15min. Devido a problemas no <a href="http://cnpq.br/bolsistas-vigentes" target="_blank" rel="noopener noreferrer">sistema de buscas de bolsistas do CNPq</a>, havia imprecisão nos dados apresentados anteriormente. </strong>

Anualmente, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) concede bolsas de auxílio para formação de recursos humanos na pesquisa científica e tecnológica. A categoria de Produtividade em Pesquisa (PQ), destinada a pesquisadores e pesquisadoras que se destacam entre seus pares, valoriza a produção científica a partir de critérios normativos que os qualificam em níveis 1 (1A, 1B, 1Ce 1D) e 2.

Um levantamento de dados realizado pela Revista Arco em 2018 concluiu que as pesquisadoras mulheres da UFSM são menos contempladas com as bolsas PQ do que seus colegas homens — situação que ocorre também nacionalmente, onde apenas 33% das bolsas de pesquisa por produtividade são destinadas às mulheres. <a href="http://cnpq.br/web/guest/noticiasviews/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/6037048" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Levamos em conta o resultado divulgado pelo CNPq, no final de fevereiro, com os pesquisadores e pesquisadoras contempladas em 2018.</a>

A parcela feminina nos níveis mais altos da hierarquia científica na UFSM é baixa: são somente 19 mulheres que alcançaram nível 1, ao lado de 67 homens. Dessa forma, as mulheres representam apenas 28% da listagem PQ1.

Com base nessas informações, a Arco preparou uma lista com as 19 pesquisadoras da UFSM nível 1 em produtividade a partir da avaliação do CNPq. Confira:

<img class="wp-image-3090 size-full alignleft" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/1A-2.jpg" alt="" width="680" height="40" />
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td align="right" valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3058 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/UFSM.2017.048.022.RA-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td align="left" valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>CRISTINA WAYNE NOGUEIRA</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">Cristina foi a primeira pesquisadora a atingir o nível 1A de excelência de produtividade em pesquisa pela UFSM. Formada em Farmácia pela instituição, possui doutorado em Ciências Biológicas (Bioquímica) pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Suas pesquisas perpassam a área da Bioquímica, com ênfase em Bioquímica Toxicológica. Em 2017, recebeu o Prêmio de Pesquisador Destaque UFSM e <a href="http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2404" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Prêmio Pesquisador Gaúcho Destaque em Ciências Biológicas</a>.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4728219Y9" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<img class="wp-image-3091 size-full alignleft" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/1B-2.jpg" alt="" width="680" height="40" />
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3059 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/UFSM.2018.007.002.RA-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>CINTHIA MELAZZO DE ANDRADE</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">A pesquisadora</span><span style="font-weight: 400;"> atua no Hospital Veterinário de Santa Maria</span><span style="font-weight: 400;"> e é também coordenadora do Programa de Residência em Medicina Veterinária. Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Uberlândia, mestrado em Medicina Veterinária pela UFSM e doutorado em Ciências Biológicas (Bioquímica) pela UFRGS. Bolsista produtividade 1B.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4776635P4" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3060 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/11156167_414435255393112_7515046681004534572_n-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>MARIA ROSA CHITOLINA </b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">Formada em Biologia pela UFRGS, onde também realizou seu mestrado, concluiu doutorado pela Universidade Federal do Paraná e pós-doutorado no Albert Einstein College of Medicine, nos Estados Unidos. Atualmente, é professora da UFSM no Centro de Ciências Naturais e Exatas, com ênfase em Enzimologia. Nos últimos anos, realizou visitas de colaboração científica a algumas instituições internacionais, na Europa e na África. Bolsista produtividade 1B.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4784946T3" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3086 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/Sonia.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>SONIA ZANINI CECHIN</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">A pesquisadora, que atualmente está na direção do Centro </span><span style="font-weight: 400;">de Ciências Naturais e Exatas da UFSM, </span><span style="font-weight: 400;">possui graduação em Ciências Biológicas pela UFSM, </span><span style="font-weight: 400;">mestrado e doutorado em Biociências (Zoologia) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Suas pesquisas têm ênfase em Herpetologia, que é o estudo de répteis e de anfíbios. Recebeu o prêmio Quarta Colônia de Desenvolvimento Regional. Bolsista produtividade 1B.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4782165H6" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h2></h2>
<img class="wp-image-3092 size-full alignleft" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/1C-2.jpg" alt="" width="680" height="40" />
<table style="height: 274px;" width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3061 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/maribel-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>MARIBEL ANTONELLO RUBIN</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">As pesquisas da professora  — que é também chefe do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFSM —  são voltadas à Neuropsicofarmacologia, com destaque para os temas: memória, poliaminas e analgesia. Maribel tem graduação em Farmácia e Bioquímica pela UFSM, mestrado e doutorado em Ciências Biológicas pela UFRGS e pós-doutorado em Psicobiologia pela University of Kentucky dos Estados Unidos. Bolsista produtividade 1C.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4794806H7" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table style="height: 274px;" width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3157 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/tatiana-2.jpg" alt="" width="249" height="400" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>TATIANA EMANUELLI </b></span></h4>
Professora da UFSM desde 1997 e pesquisadora nível 1C de produtividade pelo CNPq. Com graduação em Farmácia – Tecnologia dos Alimentos pela UFSM, mestrado e doutorado em Ciências Biológicas pela UFRGS, atua principalmente nos seguintes temas: compostos bioativos, oxidação, enzimas antioxidantes e pescados. Recebeu em 2014 o prêmio <a href="http://www.capes.gov.br/36-noticias/6968-capes-e-elsevier-entregam-premiacao-a-cientistas-brasileiras">Mulheres na Ciência 2014 da Capes-Elsevier.</a>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4797080Z5" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table style="height: 274px;" width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3154 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/vania-loro.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>VANIA LUCIA LORO</b></span></h4>
Líder do grupo de pesquisa Biomarcadores de toxidade em organismos aquáticos, Vania é graduada em Ciências Biológicas e Zootecnia pela UFSM, doutora em Genética e Evolução pela Universidade Federal de São Carlos e pós-doutora pela Universidade Mcmaster, do Canadá. A professora do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular tem experiência na área de toxicologia de pesticidas e uso de antioxidantes em rações para peixes. Suas pesquisas têm o objetivo de minimizar efeitos de pesticidas e metais pesados. Bolsista produtividade 1C.
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4796333D7" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<img class="wp-image-3093 size-full alignleft" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/1D-2.jpg" alt="" width="680" height="40" />
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3063 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/cláudia-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>CLÁUDIA RIBEIRO BELLOCHIO</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">Cláudia possui graduações em Música e Pedagogia pela UFSM, mestrado em Educação também pela UFSM, e doutorado em Educação pela UFRGS. A pesquisadora é líder do grupo Formação, Ação e Pesquisa em Educação Musical (Fapem). Ela integra </span><span style="font-weight: 400;">o Departamento de Metodologia do Ensino e </span><span style="font-weight: 400;">trabalha principalmente com educação musical, formação de professores, pedagogia e práticas educativas. Bolsista produtividade 1D.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4794804H4" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3160 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/desiree-2.jpg" alt="" width="214" height="442" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>DÉSIRÉE MOTTA ROTH </b></span></h4>
Désirée é professora do curso de graduação e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM e coordenadora científica do Laboratório de Pesquisa e Ensino de Leitura e Redação (LABLER). A pesquisadora desenvolve seu trabalho na área de Linguística Aplicada sobre análise de práticas discursivas em contextos específicos, teoria e análise crítica de gêneros discursivos, produção textual, leitura e multiletramentos, formação de professores, ensino e aprendizagem de línguas. É Licenciada em Letras pela UFSM, Mestre em Linguística Aplicada pela PUCRS e Doutora em Letras pela Universidade de Michigan. Bolsista produtividade 1D.
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4793139Y7" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3064 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/UFSM.2018.003.009.RA-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>LUCIANE NEVES CANHA</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">Os cursos de graduação, mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica de Luciane foram concluídos na UFSM. Suas pesquisas perpassam sistemas elétricos de potência, fontes renováveis de energia, redes elétricas inteligentes, armazenamento e gestão de energia elétrica. É membro do IEEE Power Engineering Society, associação mundial sem fins lucrativos dedicada à Engenharia Elétrica. Bolsista produtividade 1D.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4798975Y0" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3087 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/Maria-Ester.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>MARIA ESTER PEREIRA</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">Metais pesados, metais traços, metalotioneinas e colinesterases são alguns dos principais temas de pesquisa de Maria Ester, que atua no Programa de Pós-Graduação em Bioquímica Toxicológica na UFSM. </span><span style="font-weight: 400;">Possui graduação em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestrado em Ciências Biológicas (Bioquímica) pela UFRGS e doutorado em Ciências (Bioquímica) pela Universidade Federal do Paraná. Bolsista produtividade 1D.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4728086Y2" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3065 " src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/marlove-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>MARLOVE FATIMA BRIÃO MUNIZ</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">Marlove possui graduação em Agronomia pela </span><span style="font-weight: 400;">Universidade da Região da Campanha, mestrado em Produção e Tecnologia de Sementes pela Universidade Federal de Pelotas e doutorado em Fitotecnia-Fitossanidade pela UFRGS. Seus principais temas de estudo são sementes, sanidade, florestais, qualidade e fungos. Bolsista produtividade 1D.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4785175A9" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table style="height: 274px;" width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter size-full wp-image-3155" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/michele.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>MICHELE RECHIA FIGHERA </b></span></h4>
Michele é graduada em Medicina e Doutora em Ciência Biológicas: Bioquímica Toxicológica pela UFSM, com residência em pediatria pela UFSM. Possui também especialização em Neurologia pela PUCRS e em Epilepsia e Eletroencefalografia pelo Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A pesquisadora do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM tem experiência na área médica e neurociências, com destaque para Epilepsia Experimental e Clínica, Erros Inatos do Metabolismo, Doenças Neurodegenerativas, Inflamação e Estresse Oxidativo. <span style="font-weight: 400;">Bolsista produtividade 1D.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4762398D8" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3066 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/nerineia-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>NERINEIA DALFOLLO RIBEIRO</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">A pesquisadora e presidente da Sociedade Brasileira de Melhoramento de Plantas (SBMP) tem graduação, mestrado e doutorado em Agronomia pela UFSM. Com ênfase em genética e melhoramento do feijão, suas pesquisas são em torno da qualidade nutricional e tecnológica, resistência a fatores abióticos e interação genótipo x ambiente. Bolsista produtividade 1D.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4728724T9" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3067 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/nilda-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>NILDA BERENICE DE VARGAS BARBOSA</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">Tem</span><span style="font-weight: 400;"> experiência na área de Bioquímica com ênfase em Fisiologia Humana. O</span><span style="font-weight: 400;">s </span><span style="font-weight: 400;">seus</span><span style="font-weight: 400;"> principais temas de pesquisa </span><span style="font-weight: 400;">são</span><span style="font-weight: 400;">:</span> <span style="font-weight: 400;"> estresse oxidativo, antioxidantes naturais e/ou sintéticos e modelos experimentais de patologias humanas. A professora se formou</span><span style="font-weight: 400;"> em Ciências Biológicas pela UFSM, atingiu grau de mestre em Ciências Biológicas (Bioquímica) pela </span><span style="font-weight: 400;">UFRGS</span><span style="font-weight: 400;"> e grau de doutora em Bioquímica Toxicológica pela UFSM. Bolsista produtividade 1D.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4795127P7" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3158 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/rosani-2.jpg" alt="" width="251" height="434" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>ROSANI ÚRSULA KETZER UMBACH </b></span></h4>
As pesquisas de Rosani são desenvolvidas na área das Letras, com ênfase em Literatura Comparada e atuação principalmente nos temas: ficção e história, cultura, memória e identidade, autoritarismo e repressão, narrativas (auto) biográficas. Rosani tem graduada em Comunicação Social e Letras pela UFSM, mestrado em Letras também pela UFSM, doutorado e pós-doutorado  pela Universidade de Tübingen, na Alemanha. <span style="font-weight: 400;">Bolsista produtividade 1D.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4766005J9" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3068 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/UFSM.2018.005.021.RA-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>SILVIA GONZALEZ MONTEIRO</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">Silvia possui graduação em Medicina Veterinária pela </span><span style="font-weight: 400;">Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, mestrado em Medicina Veterinária e doutorado em Ciências Veterinárias pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Atualmente, atua nos programas de pós-graduação em Medicina Veterinária Preventiva e Farmacologia da UFSM. Em 2017, Silvia recebeu o Prêmio Pesquisador Gaúcho pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul. Estuda controle biológico, protozoários, ectoparasitos e helmintos. Em 2019, Silvia obteve o nível 1A de produtividade do CNPq.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4700451Z9" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3108 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/UFSM.2018.008.005.RA_.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>STELA MARIS DE MELLO PADOIN</b></span></h4>
<span style="font-weight: 400;">Stela Maris atua na graduação e pós-graduação do departamento de Enfermagem, tendo experiência na área de saúde das mulheres e de doenças como a AIDS e o HIV. Stela é graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela UFSM, possui mestrado em Assi</span><span style="font-weight: 400;">stência em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina, doutorado e pós-doutorado em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Bolsista produtividade 1D.</span>
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4762908D7" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table style="height: 274px;" width="680">
<tbody>
<tr>
<td valign="top" width="250px"><img class="aligncenter wp-image-3153 size-full" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/03/vera-morsch-1.jpg" alt="" width="250" height="444" /></td>
<td width="15px"></td>
<td valign="top">
<h4><span style="color: #3a378c;"><b>VERA MARIA MELCHIORS MORSCH </b></span></h4>
Professora do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, Vera Maria é graduada em Química Industrial e mestra em Química pela UFSM e Doutora em Engenharia de Minas pela UFRGS. Tem experiência na área de Farmacologia, com ênfase em Toxicologia, atuando principalmente nos seguintes temas: NTPDase, 5'-nucleotidase, acetylcholinesterase. Bolsista produtividade 1D.
<h6><strong><a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4784273E6" target="_blank" rel="noopener noreferrer">LATTES</a></strong></h6>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<em><strong>Repórteres</strong>: Tainara Liesenfeld e Mariana Machado</em>

<em><strong>Fotografias</strong>: Rafael Happke e arquivo pessoal/redes sociais das pesquisadoras</em>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A vida após cirurgia</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/a-vida-apos-cirurgia</link>
				<pubDate>Thu, 19 Oct 2017 19:38:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Câncer de mama]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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						<description><![CDATA[Relatos de mulheres que passaram por mastectomia são reunidos em pesquisa]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">Chega o mês de outubro e muito se fala da prevenção ao câncer de mama. As campanhas surgem como incentivo à realização do autoexame e/ou do teste de mamografia, a fim de detectar previamente possíveis sintomas do tumor que ocupa o segundo lugar no número de incidências a nível mundial,  perdendo somente para o câncer de pele. Quanto mais cedo for detectado, maiores são as chances de obter a cura. Já em um estágio mais avançado da doença, muitas vezes, se faz necessária a mastectomia, cirurgia de retirada de uma ou ambas as mamas. </span><span style="font-weight: 400;">A recuperação após o procedimento costuma ser rápida, mas, na maioria dos casos, a mudança é muito mais interna do que externa.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Para muitas mulheres, retornar para casa e ver o corpo modificado pela cirurgia e pelo pós-operatório (sessões de quimio e radioterapia) é um grande desafio. A retirada da mama e a queda dos cabelos podem afetar diretamente a autoestima e a sexualidade das mulheres. O seio feminino sempre foi uma parte do corpo muito valorizada pela cultura que se tem imposta, e remete a valores como feminilidade e fertilidade. Logo, para além da aceitação do próprio corpo, há ainda a aceitação da sociedade em relação a isso.</span>

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<span style="font-weight: 400;">As repercussões na vida de dez mulheres que derrotaram o câncer depois de se submeterem ao procedimento de mastectomia são relatadas em uma pesquisa feita por Elisa da Luz Adorna, Elhane Glass Morari-Cassol e Nara Maria Severo Ferraz. O estudo tem como objetivo apresentar aos profissionais de fisioterapia e de outras áreas da saúde, situações pelas quais passam as mulheres mastectomizadas, a fim de auxiliar no tratamento da recuperação física e emocional das pacientes. </span>

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<span style="font-weight: 400;">As autoras buscaram entrevistar e analisar qualitativamente as respostas e, então, identificaram seis categorias afetadas pelo pós operatório, sendo três delas abordadas no artigo: vida afetiva, vida familiar e vida social. Publicado na </span><a href="https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/23332/pdf"><i><span style="font-weight: 400;">Revista Saúde</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Centro de Ciências da Saúde da UFSM, o texto conta a experiência de pacientes que participam do grupo de apoio </span><a href="https://www.facebook.com/renascer.grupo.husm/"><span style="font-weight: 400;">Renascer.</span></a>

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<img class="wp-image-2464 alignleft" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/10/Mastectomia_box-250x300.png" alt="" width="292" height="351" />                                                                                                                                                <span style="font-weight: 400;">Os problemas apontados com mais frequência remetem ao relacionamento com familiares, companheiros e amigos, o afastamento das pessoas, a dificuldade de diálogo sobre o câncer de mama e o preconceito.  Diante de todas as funções sociais delegadas à mulher, o aparecimento do câncer pode criar um estereótipo e acarretar a afastamento ou exclusão de determinados grupos.</span>

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<i><span style="font-weight: 400;">“Eu não falava muito porque tem pessoas que ficam achando que vai morrer, deu aqui já vai dar em outro lugar…”</span></i>

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<i><span style="font-weight: 400;">“Minhas filhas ficaram nervosas, quer dizer, ficaram transtornadas, abaladas.”</span></i>

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<span style="font-weight: 400;">Ao analisar as mudanças positivas, as autoras da pesquisa encontraram o fortalecimento dos laços familiares e de amizade e o apoio recebido pelas mulheres que, nestes casos, passaram a ser mais valorizadas e admiradas, pela família, companheiro e amigos. A pesquisa cita que o período da descoberta da doença e o acompanhamento de todo o tratamento geram uma situação de “crise” na família, fazendo com que, na maioria dos casos, esta permaneça unida.</span>

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<i><span style="font-weight: 400;">“Ele acha que eu sou uma pessoa muito forte, porque qualquer outra pessoa sucumbiria, iria se entregar, se achar uma coitadinha, e eu nunca fui coitadinha.”</span></i>

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<i><span style="font-weight: 400;">“... saíam cinco e entravam dez pra me visitar, naqueles dias, eu tive visita que não deu tempo nem de pensar muito... é a melhor coisa que a gente tem.”</span></i>

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<span style="font-weight: 400;">O câncer de mama e seu tratamento são momentos difíceis na vida não só da mulher, como também de todo o seu círculo afetivo e social. Portanto, para além dos objetivos científicos da pesquisa, sobram também muitas reflexões.
</span>

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<span style="font-weight: 400;">Reportagem: Tainara Liesenfeld</span><span style="font-weight: 400;">
</span><span style="font-weight: 400;">Arte: Giana Bonilla</span>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Parto domiciliar</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/post467</link>
				<pubDate>Mon, 15 May 2017 14:15:33 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Parto]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisadora analisa motivos que levaram mulheres a optar pelo parto domiciliar planejado]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O parto costuma ser um momento especial para mulheres ao redor do mundo. Após a Segunda Guerra Mundial, os partos domiciliares foram substituídos por maternidades institucionalizadas e os nascimentos passaram a acontecer cercados de rotinas rígidas, sem levar em conta a individualidade de cada mãe, o que resulta muitas vezes na desumanização da assistência às mulheres e, em casos extremos, leva a violência obstétrica. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Conforme a Fundação Oswaldo Cruz, 52% dos partos feitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são cesáreas, sendo que na rede privada chega a 88% – índices superiores aos 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde. No entanto, há mulheres que buscam outras possibilidades. Na pesquisa de Rosimery Barão Kruno, mestra em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), </span><a href="https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/17736/pdf"><span style="font-weight: 400;">publicada na Revista Saúde</span></a><span style="font-weight: 400;"> da UFS em abril deste ano, foram entrevistadas oito mulheres que optaram pelo parto domiciliar planejado com o objetivo de conhecer as razões para essa escolha e saber mais detalhes sobre suas vivências de partos em casa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O estudo analisou aspectos como as motivações para realizar o parto em casa, a vivência desse momento, empoderamento e transformação e a reação da família. As oito mulheres, que moram em Porto Alegre (RS), foram entrevistados em outubro de 2014, elas também participam de um grupo de incentivo ao parto humanizado, chamado “Saber Materno”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Segundo Rosimery, o parto domiciliar planejado tem crescido no Brasil nos últimos anos devido à disseminação de informações na internet sobre o procedimento e ações de políticas públicas que prezam pela humanização do nascimento. Para as mães, o parto foi considerado um processo saudável e natural, que não requer nenhuma intervenção desnecessária. Entretanto isso não significa que desejem um parto desassistido, já que desde o pré-natal buscam profissionais que lhe transmitem segurança, respeito e o direito de protagonizarem o processo. As mulheres relatam a vivência de uma forma intensa, em que o ambiente propiciou mais segurança e intimidade do que um ambiente hospitalar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A situação brasileira</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Conforme a pesquisa </span><a href="http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/arquivos/anexos/nascerweb.pdf"><span style="font-weight: 400;">“Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento”</span></a><span style="font-weight: 400;">, publicada em 2014, as gestantes que têm parto normal nos hospitais brasileiros são submetidas a um modelo intervencionista baseado no uso excessivo de medicamentos. A maioria das mulheres fica restrita ao leito e em jejum, além de receberem remédios para acelerar as contrações, e dão à luz deitadas de costas. Estes procedimentos causam dor e sofrimento desnecessários, e não são recomendados pela OMS como rotina. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Também é estimado que quase um milhão de mulheres ao ano são submetidas a cesarianas desnecessárias no Brasil. Dessa forma, essas mães acabam expostas a maiores riscos de contrair doenças no ambiente hospitalar que podem levar em casos extremos a morte, o que aumenta os gastos com a saúde. Além disso, alguns estudos mostram que a forma como o parto é realizado afeta a saúde futura dos bebês, incluindo um aumento no risco para diabetes, asma, obesidade e outras doenças. </span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<span style="font-weight: 400;"><img class="aligncenter" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2021/05/nascernobrasil.jpg" alt="" width="620" height="348" /></span>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">No Brasil, muitas entidades médicas são resistentes aos partos feitos em casa, alegando que o ato fora do ambiente hospitalar expõe a parturiente e a criança a riscos que podem ser evitados dentro de um centro obstétrico. Porém, pesquisas científicas divulgadas pela OMS têm confirmado que o parto domiciliar é seguro, desde que a gestação seja de risco habitual, além de ter um planejamento prévio e que profissionais qualificados para o procedimento sejam contratados.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Além disso, uma revisão sistemática de 22 estudos, </span><a href="http://www.publish.csiro.au/paper/AH11039.htm"><span style="font-weight: 400;">publicada em 2012 no jornal Australian Health Review</span></a><span style="font-weight: 400;">, constatou que não há diferença nos índices de mortalidade perinatal entre partos domiciliares e hospitalares, considerando as situações de gravidez normal assistidas por profissionais capacitados. </span><span style="font-weight: 400;">Apesar de questões econômicas, políticas e corporativas atrapalharem sua efetivação, o modelo de assistência obstétrica apresentado pelos hospitais têm deixado gradativamente de ser hegemônico, assim dando espaço para um número crescente de partos domiciliares planejados no Brasil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
Repórter: Gabriela Pagel

Ilustração: Filipe Duarte
Gráfico: ENSP / Fiocruz]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mães no cárcere</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/post465</link>
				<pubDate>Sat, 13 May 2017 14:10:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[Maternidade]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[Penitenciárias]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema Carcerário]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisa da UFSM relaciona as condições da maternidade em prisões com sintomas de depressão em mulheres apenadas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2021/05/AR002_CAPA_MAT-CARCERE.jpg" alt="" width="789" height="631" /></span>

<span style="font-weight: 400;">Nos últimos 15 anos, o número de mulheres privadas de liberdade no Brasil cresceu 567%, mais do que o dobro do número de encarcerados homens. Em 2000, existiam 5.601 mulheres no sistema penitenciário, já em 2015 esse número era de 37.380 encarceradas. Segundo o último Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, de 2014, 75% das penitenciárias recebem apenas homens, 17% recebem homens e mulheres e apenas 7% apenas mulheres.</span>

<span style="font-weight: 400;">Uma das principais repercussões desse cenário para a vida das mulheres apenadas está relacionada às dificuldades com a maternidade. Uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) mostrou que há uma correlação entre sintomas de depressão apresentados pelas apenadas e o afastamento dos filhos. Elas relataram sentirem-se tristes por não poderem manter contato próximo com os filhos e ficam preocupadas com as condições em que eles vivem. O estudo foi desenvolvido pela psicóloga Fernanda Hoffmeister e defendido no ano passado no Mestrado em Psicologia da UFSM. “Apesar de hoje cada vez mais se falar sobre a problemática prisional, ainda são poucos os que querem discutir o assunto. Muitas pessoas tem uma visão deturpada da situação, então eu acredito que é importante discutir esse assunto para dar visibilidade e, quem sabe, abrir os olhos das pessoas, para que possam ver de outro ângulo e não só com aquele pensamento fechado”, ressalta Fernanda. </span>

<span style="font-weight: 400;">Além de Fernanda, a jornalista Nana Queiroz também pesquisou sobre a vida das mulheres que passam pelo sistema penitenciário no Brasil. Ela ouviu sobre a vida e a situação do cárcere através de histórias e experiências contadas por estas mulheres, por agentes penitenciários e por familiares. Nana viajou pelo Brasil conhecendo os estabelecimentos prisionais e conta que existem diferenças entre a prisão de um homem e de uma mulher. Quando homens são encarcerados, a estrutura familiar se mantém e aguarda seu regresso, quando mulheres são encarceradas, elas perdem a casa e o marido, e seus filhos são redistribuídos entre familiares ou entregues ao Estado. As histórias dessas mulheres foram registradas no livro “Presos que Menstruam” (Editora, 2016).</span>

<span style="font-weight: 400;">Em maio de 2009, a Lei 11.942, que dava nova redação à Lei de Execução Penal de 1984, foi sancionada pelo então Presidente Luiz Inácio da Silva “</span><span style="font-weight: 400;">para assegurar às mães presas e aos recém-nascidos condições mínimas de assistência”. A nova redação da lei propõe-se a assegurar acompanhamento médico à mulher, principalmente pré-natal e pós-parto, além de garantir a amamentação de no mínimo seis meses, disponibilidade de berçário e creche para crianças com mais de seis meses e menos de 7 anos. </span>

<span style="font-weight: 400;">Apesar da sanção desta Lei, das penitenciárias que recebem somente mulheres - que representam apenas 7% do total de unidades - em torno de 30% garantem dormitórios adequados para gestantes e disponibilizam berçários. Das penitenciárias que recebem homens e mulheres - que correspondem a 17% do total de unidades prisionais no Brasil  - a porcentagem daquelas que garantem dormitórios adequados para gestantes diminui para 13% e 3% que disponibilizam berçários. </span>

<span style="font-weight: 400;">Durante os seis primeiros meses de vida, portanto, as mulheres apenadas em instituições com a estrutura adequada podem ter garantido o direito à convivência com seus bebês. Mas a partir disso, a criança é entregue ao pai, familiares ou ao Estado. No caso daquelas que não estão apenadas em instituições com a estrutura adequada, nem mesmo essa garantia de contato nos primeiros meses de vida está garantida.</span>

<span style="font-weight: 400;">Como sabemos que a maior parte das mulheres que são privadas de liberdade perdem a casa e o marido, seus filhos acabam sendo encaminhados para abrigos. Quando isso acontece, a mulher, após o cumprimento da sua pena, pode reconquistar a guarda dos filhos, mas para isso é necessário comprovar que possui emprego e endereço.</span>

<span style="font-weight: 400;"><strong>Depressão e maternidade no sistema penitenciário</strong></span>

<span style="font-weight: 400;">A pesquisa de Fernanda foi aplicada em três estabelecimentos prisionais do Rio Grande do Sul: Presídio Regional de Santa Maria e Presídio Estadual de Santiago, que atendem homens e mulheres, e a Penitenciária Feminina de Guaíba, que atende apenas mulheres. O estudo foi dividido em duas parte, a primeira investiga a relação da maternidade com a personalidade de mulheres em privação de liberdade e a segunda correlaciona duas escalas, a </span><em><span style="font-weight: 400;">Psychopathy Checklist Revised</span></em><span style="font-weight: 400;"> - PCR-L e a Medida Interpessoal de Psicopatia - IM-P, que identificam tendências comportamentais antissociais e psicopatia. </span>

<span style="font-weight: 400;"><strong> </strong></span>

<span style="font-weight: 400;">A primeira parte do estudo, que investiga a relação da maternidade com a personalidade de mulheres em privação de liberdade, foi aplicada nas três penitenciárias citadas acima. Para não prejudicar o resultado do estudo, foram aplicados dois instrumentos de exclusão, o </span><em><span style="font-weight: 400;">Structured Clinical Interview for DSM Disorders</span></em><span style="font-weight: 400;"> (SCID), ferramenta que fornece diagnóstico psiquiátrico, e a escala </span><em><span style="font-weight: 400;">Psychopathy Checklist Revised</span></em><span style="font-weight: 400;"> - PCR-L, ferramenta utilizada exclusivamente no sistema carcerário para avaliação de psicopatia e comportamentos antissociais. Com a ferramenta de exclusão, ao total, 28 mulheres concordaram em participar das entrevistas. Para diagnosticar os sintomas de depressão, foi utilizada a Escala Beck de Depressão (BDI) além de um questionário produzido por Fernanda para reunir dados sociodemográficos das entrevistadas.</span>

<span style="font-weight: 400;">Ao serem questionadas sobre o afastamento dos filhos, 14 das 28 mulheres sentiam-se muito mal e duas sentiam-se mal com o afastamento, oito sentiam-se muito bem, pois sabiam que os filhos estavam bem cuidados, uma sentia-se bem e uma não sentia-se nem bem, nem mal. Depois das entrevistas, seis mulheres apresentaram sintomas de depressão e, com seus consentimentos, foram encaminhadas para atendimento psicológico da equipe do estabelecimento.</span>

<span style="font-weight: 400;">Além disso, a pesquisa relata que 22 das 28 entrevistadas respondiam por crime de tráfico ou associação ao tráfico. As mulheres contaram que seu envolvimento com tráfico teve início por causa do marido ou companheiro, quando transportavam droga para dentro do presídio em que o marido estava, ao presenciar a circulação do tráfico dentro da sua casa ou até mesmo como alternativa para sobrevivência quando o marido era preso.</span>

<span style="font-weight: 400;"> </span>

<span style="font-weight: 400;">O estudo ressalta que apesar da limitação em relação ao tamanho da amostra, sabe-se que mulheres no cárcere, assim como as fora deste contexto, possuem maior índice de depressão em relação aos homens. Isso, aliado com a situação precária que vivem essas mulheres dentro do sistema prisional e o afastamento em relação a seus filhos, pode indicar um agravamento desses sintomas depressivos, apesar de não ser a causa primária.  </span>

Repórter: Paola Dias
Ilustração: Filipe Duarte]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Guardiãs de Ibarama</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/post427</link>
				<pubDate>Mon, 20 Mar 2017 12:42:28 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[engenharia florestal]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[sementes]]></category>
		<category><![CDATA[sementes crioulas]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/2017/03/20/post427/</guid>
						<description><![CDATA[Exposição de fotos exibe retratos das mulheres que mantêm a tradição de multiplicar sementes crioulas no interior do estado]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">Tímidas, com sorrisos que “não mostram muito os dentes”, as guardiãs de sementes crioulas de Ibarama, cidade do interior do Rio Grande do Sul com aproximadamente 650 famílias de agricultores, foram retratadas pela fotógrafa Bibiana Silveira. As 19 mulheres fotografadas possuem a responsabilidade de proteger e guardar as sementes de </span><span style="font-weight: 400;">milho, feijão e hortaliças</span><span style="font-weight: 400;">. Essa tradição tem suas raízes na colonização italiana e alemã do município, que influenciou nas atividades de resgate e multiplicação das sementes crioulas.</span>

&nbsp;

<span style="font-weight: 400;">Durante o desenvolvimento do projeto, a pesquisadora e engenheira florestal Marielen Priscila Kaufmann pôde perceber que, dentre os membros da </span><span style="font-weight: 400;">Associação dos Guardiões das Sementes Crioulas de Ibarama-RS</span><span style="font-weight: 400;">, há um número muito pequeno de mulheres guardiãs. Em sua pesquisa, Marielen constata que o fato se deve a uma estrutura familiar na qual a mulher tem um papel submisso no desempenho das atividades rurais, o que é comum entre as famílias do município.</span> <span style="font-weight: 400;">Por isso, Bibiana resolveu mostrar esse pequeno grupo de mulheres através de retratos.</span>

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<img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/04/guardias_01.jpg" alt="Com trabalho iniciado há mais de 12 anos, a Associação é composta por mais de 30 famílias que multiplicam cultivares locais, tradicionais ou crioulas" width="600" height="600" />

&nbsp;

<span style="font-weight: 400;">Para Marielen, em texto publicado pela APUSM, a mulher possui um papel muito importante dentro da Associação e também em todo o processo desde a seleção até o armazenamento das sementes crioulas. Isso se deve à simbologia dada à semente como representante do início da vida, característica atribuída à mulher, o que torna o processo de proteção e guarda importante para as famílias. Segundo a fotógrafa, a tradição de guardar sementes influencia muito na forma como elas são vistas dentro da Associação. O reconhecimento do trabalho feminino veio depois da visibilidade dada através da exposição de retratos. </span>

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<span style="font-weight: 400;"><em>As Guardiãs de Ibarama</em>, como é chamada a mostra de fotografias, já esteve em Nova Iorque, Lisboa, Buenos Aires, Montevidéu, Assunção, Porto Alegre, Uruguaiana e, agora, em Santa Maria, pela segunda vez. A mostra integra o projeto de extensão “Sistematização das ações de extensão, ensino e pesquisa relacionadas às cultivares de milho crioulo realizadas nos municípios da microrregião Centro Serra do RS”, realizado pelo Centro Vocacional Tecnológico em Agroecologia, Agrobiodiversidade e Sustentabilidade Prof. José Antônio Costabeber, com o apoio da Emater/RS-Ascar.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Além dos retratos, a exposição conta com cinco textos produzidos pela fotógrafa Bibiana complementados por relatos das pesquisadoras Marielen Kaufmann, Cassiane da Costa e Lia Reiniger. A exposição é paralela ao XXXIII Seminário de Educação Socioambiental, intitulado "Protagonismo de Mulheres na Agricultura Agroecológica". O evento acontece no Auditório Flávio Miguel Schneider (junto ao prédio 42 do Centro de Ciências Rurais da UFSM) no dia 21 de março de 2017 a partir das 16h.</span>

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<span style="font-weight: 400;">Para conferir o ensaio completo “As Guardiãs de Ibarama”, <a href="https://www.behance.net/gallery/26442499/As-Guardias-de-Ibarama" target="_blank" rel="noopener noreferrer">clique aqui</a>. </span>

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_delimiter_Repórter: Júlia Goulart
Foto: Bibiana Silveira]]></content:encoded>
													</item>
					</channel>
        </rss>
        