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			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>Jardins verticais: sustentabilidade dentro e fora de casa</title>
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				<pubDate>Mon, 30 Jan 2023 14:02:19 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[ambiente]]></category>
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		<category><![CDATA[jardins verticais]]></category>
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		<category><![CDATA[Sustentabilidade]]></category>

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						<description><![CDATA[Técnica existe desde o século passado e agora, de forma planejada, é aplicada em diferentes espaços, inclusive no ambiente estudantil]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Dados da <u><b></b></u><u><b><a href="https://news.un.org/en/" target="_blank" rel="noopener">Organização Meteorológica Mundial</a></b></u> (OMM) apontam que os últimos seis anos foram os mais quentes desde a década de 1880. As frequentes ondas de calor intenso preocupam pesquisadores que tentam encontrar alternativas para amenizar os problemas causados pelas altas temperaturas.</p><p dir="ltr"> </p><p>Uma estratégia antiga está ganhando espaço nas cidades, inclusive no ambiente estudantil. São os jardins verticais, que existem, pelo menos, desde a década de 1930, e agora, de modo planejado, são instalados em diferentes espaços como forma de amenizar o calor. Como o próprio nome diz, os jardins verticais são peças de jardinagem que, ao invés de ficarem no chão, são instaladas nas paredes – internas ou externas. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), um <b><u><a href="https://news.un.org/en/" target="_blank" rel="noopener">projeto</a></u></b> orientado pela professora de arquitetura e especialista em conforto ambiental e  sustentabilidade, Minéia Johann Scherer, <u><b><a href="https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/parc/article/view/8661885" target="_blank" rel="noopener">projetou jardins verticais em salas de aulas do Colégio Politécnico</a>.</b></u></p>		
												<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/01/Capa1-1-1024x667.jpg" alt="Descrição da imagem: ilustração horizontal e colorida de um jardim vertical em uma sala de aula. Há três mesas com cadeiras na cor verde escuro enfileiradas. Ao fundo, na parede, retângulo horizontal preenchido com grama na cor verde claro. A parede tem tom de rosa claro, e o piso, rosa queimado." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-8b30000c-7fff-d5a5-4a18-ba50377e86af" dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: left">Para a docente, esse tipo de instalação pode garantir o conforto térmico e a economia de energia nas edificações. Dependendo da espécie utilizada, do clima e do local, as plantas também reduzem a incidência solar na parede protegida. A arquiteta e orientanda da professora, Luciana Rocha Ribeiro, conta que fez um estudo durante o ano de 2019 para entender o tempo de produção das mudas e como fazer o plantio nos módulos. Instalado na sala D2 do Politécnico, o jardim fez companhia aos alunos do 3º ano do ensino médio durante boa parte do ano de 2019. A turma de 36 estudantes foi monitorada pelas pesquisadoras durante o decorrer dos dias. Luciana explica que isso foi importante para perceber o impacto das plantas instaladas e o projeto ser aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Os módulos foram construídos pelo Setor de Paisagismo do Colégio Politécnico e tinham duas espécies: grama-amendoim e clorofito. A grama-amendoim é uma espécie nativa do Brasil e uma das forragens mais procuradas no país, principalmente por conta do crescimento acelerado. O clorofito, também conhecido como gravatinha ou paulistinha, é comum em decorações e se destaca por ser de fácil manuseio.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Durante o período da pesquisa de Luciana, o número de alunos que gostavam de plantas aumentou cerca de 20%, comparado ao início do estudo. “A maior parte dos alunos também alegou que a permanência em sala de aula por horas seguidas se torna mais fácil”, comenta Luciana. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p>[caption id="attachment_9636" align="alignleft" width="300"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/02/jardins-verticais-300x226.jpg" alt="" width="300" height="226" /> Imagens da sala de aula no Colégio Politécnico. Foto: Luciana Ribeiro[/caption]<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O relato de melhora na qualidade do ar também foi percebido pelas pesquisadoras. Sem a presença dos jardins verticais, a maioria dos alunos considerou a sala morna ao entrar na primeira hora do dia. Na presença das plantas, a maioria dos alunos considerou o espaço com uma temperatura ideal. Ao fim da pesquisa, eles também alegaram sensação de conforto e agradabilidade visual na sala de aula. As estruturas foram colocadas de forma experimental durante o trabalho e posteriormente removidas.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Luciana afirma que o uso de jardins verticais em salas de aula é uma prática que pode trazer benefícios ao meio ambiente e aos alunos.  Para ela, além de estimular o plantio de espécies e trazer áreas verdes para ambientes internos, os jardins ajudam os alunos a ter um ambiente melhor para conviver durante a semana, principalmente nos dias quentes de verão. No entanto, para que essas instalações possam ser mais eficientes, a arquiteta explica: “é importante a realização de estudo detalhado quanto à ventilação e à iluminação naturais, principalmente no ambiente interno”. Comparando as duas espécies usadas, Luciana diz que o jardim vertical de grama-amendoim apresentou melhores resultados que a espécie clorofito. Isso porque proporcionou, segundo os alunos, um ambiente mais bonito e também proporcionou melhores condições no ar do ambiente.</p>		
									<figure>
										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/01/GRAMA_AMENDOIM-1024x768.jpg" alt="Descrição da imagem: Fotografia quadrada e colorida de grama tipo amendoim, em detalhe. A grama tem cor verde médio, e as folhas tem formato de amendoim." loading="lazy" />											<figcaption>Grama Amendoim.</figcaption>
										</figure>
									<figure>
										<img width="600" height="303" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/01/CLOROFITO.jpg" alt="Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de uma grama clorofito em detalhe. A grama tem formato de tufos, e folhas finas e compridas. As folhas tem cor verde claro nas extremidades e branca ao centro." loading="lazy" />											<figcaption>Grama Clorofito.</figcaption>
										</figure>
			<h3>Outro jardim, ou melhor, cortina verde</h3>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Um outro <u><b><a href="https://repositorio.ufsm.br/handle/1/23328" target="_blank" rel="noopener">projeto</a></b></u>, chamado “Análise da influência do uso de cortina verde no comportamento térmico em habitação de interesse social em Santa Maria”, também orientado pela professora Minéia, foi o da arquiteta Renata Serafim de Albernard. Para a pesquisa, Renata instalou jardins verticais do tipo “cortina verde” em casas de um residencial no bairro Diácono Luiz Pozzobon, em Santa Maria. Ela diz que escolheu o modelo de cortina por ser de fácil execução e baixo custo: “Esse tipo de instalação permite flexibilidade na manutenção, uma vez que é instalado afastado da casa”, ressalta.</p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O projeto de Renata também foi realizado em 2019 e iniciou durante a primavera. Foram usadas três espécies da chamada “Glicínia”. Elas foram plantadas junto a perfis de madeira instaladas na base da calçada e no beiral das casas. As espécies foram presas com cabos elásticos. Para entender as mudanças provocadas pela instalação dos jardins, Renata fez visitas semanais nas residências. Segundo ela, os resultados mostraram diferenças na temperatura do ar interno. A diminuição foi de até 8,6°C (em uma semana extrema de verão) e 3,68°C (em um dia comum de verão). “Todos os usuários relataram sensação de bem estar com os jardins verticais, tanto é que estão instalados até hoje”, conta a arquiteta.</p>		
			<h3>Como ter um jardim vertical em casa?</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-a8b1d986-7fff-f682-53d5-ee40848d2bc7" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Como orienta Minéia, o planejamento dos jardins requer atenção. É preciso escolher a melhor espécie para o ambiente e um local estratégico para a instalação. O primeiro passo é procurar orientação de um paisagista ou de um arquiteto. Se tiver ajuda dos dois, melhor ainda. O paisagista pode analisar o espaço quanto às condições climáticas, indicar a melhor espécie e como esta deve ser cuidada. O arquiteto é quem planeja o local adequado - interno ou externo, para a colocação do jardim - e também como a estrutura pode ser fixada de modo que atenda à demanda desejada.</p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para Minéia, os jardins são procurados principalmente como elemento decorativo, mas seus benefícios na saúde e no bem estar também se mostram relevantes. Segundo ela, os jardins proporcionam um espaço de lazer, contato com a natureza e melhora na qualidade do ar - principalmente se instalados internamente, onde o ar não circula tanto. Outro ponto importante é o isolamento térmico. As espécies têm o potencial de reduzir as chamadas ilhas de calor, presentes nas grandes cidades. Isso porque elas fazem o “sombreamento”, ou seja, o calor se transfere de forma menos intensa quando passa pelas folhas.</p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Além disso, as plantas atuam como uma barreira natural de isolamento acústico. A superfície verde bloqueia sons de alta frequência e, dependendo da composição das espécies, pode bloquear ruídos de baixa frequência. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Renata afirma que a vegetação otimiza qualidade de vida aos usuários, que são influenciados de forma positiva nos aspectos psicológicos e de saúde. Com sua pesquisa, ela afirma que há alternativas de baixo custo, como a cortina verde, que utiliza a vegetação trepadeira. A instalação planejada é uma estratégia para potencializar o conforto térmico e a sensação de bem-estar dos usuários. </p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Depois da instalação, é preciso seguir alguns cuidados de poda e rega. A professora Minéia recomenda o uso de plantas que se adaptem à sombra ou precisem de pouco sol para se desenvolver. De modo geral, essas espécies costumam funcionar bem em em espaços internos, principalmente em apartamentos. No entanto, a escolha da espécie vai depender da necessidade do morador. Algumas pessoas preferem instalar pequenas hortas, que nem sempre vão ter a função de sombreamento, mas podem oferecer praticidade no dia a dia e garantir uma alimentação saudável. Outras pessoas podem optar pelos jardins como função decorativa, o que vai implicar em um maior planejamento arquitetônico.</p><p><strong><em>Expediente:</em></strong></p><p><em><strong>Reportagem:</strong> Tayline Alves Manganelli, acadêmica de Jornalismo e voluntária;</em></p><p><em><strong>Design gráfico:</strong> Júlia Coutinho, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;</em></p><p><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista; e Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária;</em></p><p><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Aula a céu aberto: Disciplina aproxima estudantes do Colégio Politécnico e agricultura familiar</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/aula-a-ceu-aberto-disciplina-aproxima-estudantes-do-colegio-politecnico-e-agricultura-familiar</link>
				<pubDate>Wed, 27 Jul 2022 16:45:52 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[Agricultura familiar]]></category>
		<category><![CDATA[ciências rurais]]></category>
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		<category><![CDATA[Politécnico]]></category>

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						<description><![CDATA[Proposta busca ensinar alunos por meio da prática e desconstruir paradigmas das ciências rurais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph /--><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Julho é época da couve-flor, da laranja, da abóbora e, também, de homenagens ao produtor rural. Enquanto a última segunda-feira (25) marcou o Dia Mundial da Agricultura Familiar e o Dia do Colono, amanhã (28) será celebrado o Dia do Agricultor. A proximidade entre a agricultura e o pequeno produtor vai muito além do calendário. Como mostram os dados do último<a style="text-decoration: none" href="https://censoagro2017.ibge.gov.br/resultados-censo-agro-2017/resultados-definitivos.html"> <b>Censo Agropecuário</b></a>, 77% dos estabelecimentos rurais do país são de pequenos produtores. Além disso, este segmento é responsável por 67% dos empregos no setor agropecuário.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Para fazer com que o alimento chegue à mesa dos brasileiros, o pequeno produtor conta com o auxílio do extensionista rural. Esse profissional é quem auxilia e orienta os agricultores nos variados desafios do dia a dia. Para isso, ele precisa ter um olhar amplo, pois os problemas do campo não se restringem apenas às questões produtivas.</p>		
												<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/07/Agricultura_Capa-1024x667.jpg" alt="Descrição da imagem: Ilustração horizontal e em tons de azul e verde com detalhes em amarelo e roxo. Na parte central inferior da imagem, montanha em destaque. No canto inferior esquerdo, quatro pessoas em um círculo. Elas vestem roupas nas cores amarelo, todo e rosa pink e seguram cadernos amarelos nas mãos. Estão em pé. Ao lado deles, na direita da imagem, três canteiros na diagonal, com plantas em cima. Não é possível identificar o tipo de planta. Ao fundo, na montanha, seis pessoas espalhadas em duplas. Há árvores e arbustos espalhados pela montanha. Ao fundo, outra montanha em verde escuro. Na metade superior da ilustração, céu azul com três nuvens brancas." loading="lazy" />														
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">“Além do cultivo agrícola, a extensão rural deve focar na família e em seus aspectos econômicos e sociais. A extensão rural tem este aspecto abrangente de compreender o conjunto de aspectos dessa vivência no campo para promover desenvolvimento e qualidade de vida”, destaca Gustavo Silva, professor do Colégio Politécnico e coordenador da Polifeira.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Com o objetivo de preparar melhor os alunos para lidar com diferentes âmbitos da extensão rural,&nbsp; o professor se juntou a&nbsp; Nathana Diska e Hector Facco, na época alunos do Programa Especial de Graduação de Formação de Professores para a Educação Profissional (PEG - UFSM). Juntos eles desenvolveram uma proposta de ensino diferente para os alunos do curso técnico em Agropecuária. Em vez de trabalharem os conceitos da disciplina de Extensão Rural na sala de aula, os alunos foram organizados em duplas e distribuídos em 25 propriedades rurais do município de Agudo (RS).&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">&nbsp;</p>
<p>A experiência realizada no segundo semestre de 2019 resultou no artigo intitulado <a href="http://rbep.inep.gov.br/ojs3/index.php/rbep/article/view/4531"><u><b>“As vivências como metodologia de ensino da extensão rural: a aproximação entre estudantes e agricultores para a compreensão da realidade social”</b></u></a>, publicado na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos no início deste ano. As duas principais teorias que embasam a metodologia são a pedagogia histórico-crítica, de Demerval Saviani e a perspectiva construtivista de Jean Piaget.</p><table style="border-collapse: collapse;width: 100%">
<tbody>
<tr>
<td style="width: 100%">
<p><b>Pedagogia histórico-crítica:</b> defende uma educação preocupada com o desenvolvimento cultural, intelectual e crítico. Os alunos aprendem a compreender o mundo de forma crítica por meio dos conteúdos trabalhados.</p>
<p> </p>
<p><b>Construtivismo:</b> considera que o conhecimento é construído pelo aluno e em etapas. O estudante não é apenas um aprendiz, mas também um sujeito com conhecimentos que devem ser levados em consideração pelos professores para que o processo de ensino seja efetivo.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table><p>O cronograma da disciplina foi dividido em quatro momentos de “ensino-reflexão-ação”, que combinavam a teoria com a prática. Foram realizados quatro encontros de cinco horas entre alunos e produtores durante o semestre. Ao final de cada saída a campo, os alunos discutiam as informações que haviam recolhido, como as atividades e a configuração familiar de cada propriedade para planejar as próximas ações junto aos professores.</p>		
									<figure>
										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/07/FOTO_-_TURMA_1.jpeg-1024x768.jpg" alt="Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de um grupo de cerca de 50 pessoas. Elas estão reunidas em três fileiras, sendo uma de pessoas sentadas/agachadas, e as outras em pé. Há vários homens e mulheres em roupas coloridas. As paredes são na cor creme e o piso é branco. Há três janelas do tipo venezianas abertas." loading="lazy" />											<figcaption>Antes do primeiro contato com os agricultores, os alunos tiveram três aulas teóricas de preparação para o primeiro contato com os produtores. Foto: Acervo pessoal</figcaption>
										</figure>
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Gustavo trabalha com a disciplina de Extensão Rural desde 2005, com passagem pelo Instituto Federal Farroupilha e atualmente leciona na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Nesse período, ele já utilizou diversas metodologias - desde aulas totalmente teóricas até a combinação de conteúdo com algumas saídas a campo. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Ao observar a atuação dos egressos, o professor percebeu que, muitas vezes, eles não conseguiam trazer as respostas que os agricultores familiares precisam para os desafios cotidianos. Com o auxílio de Nathana e Hector, que realizavam estágio no Politécnico, a inquietação do professor abriu o caminho para a construção de uma metodologia que colocasse os alunos em contato direto com seu futuro ambiente de trabalho: o meio rural.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O docente explica que o diferencial da disciplina é tornar o aluno protagonista na construção da sua aprendizagem por meio da interação com o mundo real. “A sala de aula é um ambiente neutro, que não reage. Nela nós oferecemos apenas um desenho da realidade, mas a prática é diferente. Essa vivência é fundamental para a formação dos alunos, porque auxilia na criação dos princípios que irão nortear suas ações como futuros profissionais”.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O objetivo era fazer com que os alunos trabalhassem o aspecto social da atuação em extensão rural. Por isso, a surpresa foi um elemento chave da experiência: os alunos chegaram completamente às cegas nas propriedades, sem nem mesmo conhecer as famílias com quem trabalhariam. “O objetivo era que eles entendessem e melhorassem a realidade de pessoas que não conheciam. Assim que os alunos chegavam, eles tinham que fazer perguntas para conhecer os agricultores”, destaca Nathana Diska, uma das autoras do artigo.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O professor enfatiza que o problema para a realização de disciplinas neste formato não é falta de interesse dos docentes, mas sim de estrutura. Somente com os auxílios do escritório da Emater (Associação Rio-Grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural) em Agudo, da prefeitura do município e da Cooperativa Agrícola Mista Agudo (CooperAgudo), que entraram em contato com as famílias e forneceram o transporte para os alunos, que a atividade se tornou possível.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt"> </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Por conta da pandemia e da adoção do Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE) pela UFSM, a disciplina voltou a ser ministrada de forma totalmente teórica. “Voltamos a passar para os alunos apenas um desenho do que acontece lá fora, o que é muito limitante. A extensão rural precisa da presencialidade. A assistência técnica de um cultivo consegue ser suprida pelo WhatsApp, mas não há o diálogo com as famílias, que é fundamental para o processo educativo”, afirma Silva. A expectativa do docente é que as atividades de campo relacionadas à disciplina sejam retomadas no próximo semestre.</p>		
			<h3>Diálogo entre diferentes saberes</h3>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para os pesquisadores, é preciso desconstruir o conceito predominante de que o papel do extensionista se resume apenas a fornecer orientações técnicas sobre cultivo. O que diferencia a extensão rural da assistência técnica é o olhar social, que busca entender a realidade dos produtores e buscar formas de melhorá-la. “A extensão rural não existe sem o contato com o produtor. Nós também trabalhamos com a arte e com as ciências humanas, pois precisamos compreender o contexto onde as pessoas vivem”, enfatiza Gustavo.</p>
<p><b id="docs-internal-guid-4bfa533c-7fff-c60f-54fa-2de022112725" style="font-weight: normal"> </b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Outro aspecto importante é formar alunos que não acreditem estar em uma posição superior a  dos agricultores por conta do conhecimento teórico. “O conhecimento deve ser dialogado e acessível. Os estudantes também podem e devem aprender com os agricultores em inúmeras situações, tanto em vivência quanto até mesmo em teorias”, explica Nathana. Os alunos foram ao encontro das famílias com o objetivo de unir os saberes acadêmico e rural em prol da melhoria da realidade do campo.</p>
<p><b style="font-weight: normal"> </b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Além de ser capaz de compreender o contexto social em que está inserido, o extensionista deve ser capaz de cativar o agricultor para que o seu trabalho seja bem-sucedido.“É preciso entender como o agricultor pensa e se apropriar disso. Se não, quando o extensionista vai embora, ele volta a fazer as coisas do mesmo jeito.  O estudante precisa entender que, sem a troca de conhecimentos com o agricultor, todo o seu trabalho pode ser perda de tempo”, destaca o professor do Politécnico.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O intercâmbio com os agricultores também resultou em novos conhecimentos aos alunos. Nathana conta que a produção de tabaco não é muito trabalhada no currículo do curso, no entanto, o seu cultivo é muito comum no município. “Eles perceberam que tinham conhecimento teórico sobre algo que é muito comum na prática”, lembra.</p>		
									<figure>
										<img width="1024" height="577" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/07/FOTO_-_CAMPO_1-1024x577.jpeg" alt="Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de três pessoas em uma estufa de morangos. Há uma mulher no canto inferior direito da imagem, que usa um chapéu de palha. Atrás, canteiro com duas filas de plantas de morangos com frutas. Atrás, duas pessoas com cestas de morangos: uma mulher e um homem. Os dois usam jaquetas na cor verde militar. O fundo é o teto da estufa transparente." loading="lazy" />											<figcaption>Por meio da atividade, os alunos puderam dialogar com os produtores, conhecer suas realidades e trocar conhecimentos. Fotos: Acervo pessoal</figcaption>
										</figure>
												<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/07/FOTO_-_CAMPO_2-1024x768.jpeg" alt="Descrição da imagem: fotografia horizontal e colorida de três pessoas paradas em uma lavoura vazia. São dois homens e uma mulher. O homem do centro veste camiseta vermelha e calça jeans, e usa boné azul e chinelo de dedo. O homem da esquerda e a mulher vestem a mesma camiseta: tem a cor verde escuro e uma logomarca circular ao centro, com o texto &quot;veterano agropecuária soberano&quot;. O homem veste calça preta e bota de galocha. A mulher veste calça jeans e bota de galocha, e usa boné preto. Ao fundo, trator vermelho com plantadeira amarela. Há um homem sobre a plantadeira. No fundo, montanha verde escuro e o céu azul." loading="lazy" />														
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Os alunos desenvolveram diversas estratégias de atuação nas propriedades - de orientações para a cultura que a família comercializava, até o manejo do que era produzido para consumo próprio. Já outros preferiram auxiliar os produtores na gestão das mídias sociais para a divulgação dos produtos. Para Nathana, a quantidade de ações realizadas reforça a pluralidade das atividades no campo.</p>
<p><b id="docs-internal-guid-3e0dd47c-7fff-5da0-fe7f-181d04b74413" style="font-weight: normal"> </b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ainda, segundo a pesquisadora, o comprometimento dos alunos surpreendeu até professores de outras disciplinas. “Eles comentavam que era engraçado como alguns alunos que eles consideravam problemáticos e que não depositavam muitas expectativas realizaram a atividade com muita desenvoltura”, recorda. No entanto, o que a surpreendeu foi a atenção dos alunos para questões sociais, como a ênfase na valorização e no fortalecimento do protagonismo feminino no meio rural. Para ela, o conhecimento destes temas é fundamental para a formação de um bom extensionista.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O professor Gustavo acrescenta que até mesmo as frustrações de quem não conseguiu realizar a atividade serviram como aprendizado. “Algumas famílias se envolveram no projeto, outras não. Esse é o ritmo da extensão rural. São esses elementos que tornam a experiência rica e que vai dar o sucesso na formação do estudante - compreender o ritmo da ação, compreender que o planejado nem sempre sai como se espera”, pontua.</p>		
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										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/07/FOTO_-_TURMA_2-1024x768.jpeg" alt="Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de sete pessoas na parte da frente de uma sala de aula, na frente de um quadro verde, com cartazes em papel pardo. São três homens e quatro mulheres. Ao fundo, há paredes na cor creme e, na parte superior, luzes fosforescentes." loading="lazy" />											<figcaption>No final do semestre, os alunos apresentaram e discutiram as ações desenvolvidas durante a vivência.  Foto: Acervo pessoal</figcaption>
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		<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para a maior parte das famílias, a experiência também foi positiva. A extensionista do escritório local da Emater, Cláudia Bernardini, conta que após o final da experiência os agricultores ficaram contentes de poder acolher os estudantes e receber sugestões para a melhoria dos processos em suas propriedades. </p>
<p><b id="docs-internal-guid-8f6c2ea5-7fff-9a6f-e8f8-dcc385a09e21" style="font-weight: normal"> </b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Cláudia destaca que a atividade proporcionou o desenvolvimento de uma característica que, para ela, é a principal para quem deseja atuar na área: a empatia. "Quando o extensionista entra na propriedade ele tem que ter um olhar amplo para não apenas resolver o problema, mas para ajudar a melhorar a realidade do produtor. O extensionista não faz milagres. Mas, muitas vezes, é possível fazer a diferença com pequenas ações", enfatiza.</p>
<p><b style="font-weight: normal"> </b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Uma das ações que fez a diferença foi a recuperação da fertilidade do solo da propriedade de Claudete Sell, 56 anos, moradora da localidade de Picada do Rio, em Agudo. Ela conta que a pastagem usada para alimentar o gado não crescia de forma adequada. </p>
<p><b style="font-weight: normal"> </b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Os alunos realizaram uma análise do solo e, a partir dos resultados, sugeriram a aplicação de calcário, o que resolveu o problema. “Foi uma experiência muito válida para nós, porque muitas vezes temos que pagar pela análise do solo e eles fizeram de graça pela Universidade. Além disso, conseguimos bons resultados ao seguirmos as sugestões deles”, relata a produtora.</p>
<p><b style="font-weight: normal"> </b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Claudete também recebeu sugestões de melhorias para a sala de ordenha e recebeu dicas sobre o manejo de leite. A agricultora conta que manteve contato com um dos alunos que concluiu o curso e que agora trabalha no setor agrícola. “Com certeza serão bons profissionais”, projeta.</p>
<p><b style="font-weight: normal"> </b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Marson Adriano Dumke, 45 anos, morador da Linha Teotônia, também em Agudo, cultiva milho e bergamota, que vende para a merenda escolar.  Ele conta que os alunos do Politécnico sugeriram que ele fizesse a poda do pomar, algo que não costumava fazer. Após a poda o produtor percebeu um aumento significativo na produtividade.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Entre os momentos marcantes da experiência para o produtor não estão somente as orientações técnicas, mas também a troca de vivências com os estudantes. “Eles tiveram a oportunidade de conhecer coisas diferentes. A dupla que me visitou não era do interior e nunca tinham andado de carroça. Foi uma experiência nova para eles. Me sinto feliz por ter contribuído com os estudos deles”, conta o  agricultor.</p>		
			<h3>Papel da academia para a transformação da vida no campo</h3>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Paulo Freire também foi uma das referências teóricas para a realização do trabalho. A proposta de transformar os alunos em sujeitos ativos no seu processo de ensino é inspirada no livro ‘Comunicação e Extensão’. Para Gustavo, a presença do pedagogo é essencial para a elaboração de uma proposta de ensino que realmente transforme a vida dos alunos e daqueles com os quais eles entram em contato. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Segundo o professor, a obra critica a “educação bancária”, lógica de ensino onde o aluno recebe os conteúdos de forma passiva, sem capacidade de ler o mundo de forma em que o aluno é agente passivo que apenas recebe o conteúdo do professor, sem capacidade de ler o mundo de forma crítica – um dos requisitos fundamentais para um bom extensionista rural. “Nossa metodologia está completamente alinhada com a proposta de Paulo Freire. Nós buscamos estimular que o estudante tenha uma postura investigativa, crítica e busque compreender o outro”, afirma o pesquisador.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">A ideia de Freire sobre a educação não ser neutra também é citada no artigo.  Para o professor do Politécnico, o ensino das ciências rurais é focado para os grandes produtores, o que deixa  a agricultura familiar em segundo plano. “Se ensina a trabalhar com a agricultura patronal, que é dominante em termos de produção e concentra a maior parte do capital financeiro, mas que responde à minoria dos agricultores e não possui a mesma importância social que a agricultura familiar”, afirma.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Para Gustavo, o foco em ensinar aquilo que gera mais valor econômico segrega grupos mais carentes e impede que a agricultura traga desenvolvimento para muitas pessoas. “É preciso ver enxergar a agricultura familiar como forma de interação social e preservação de recursos naturais também. Precisamos que ela seja muito mais do que é hoje, mas se não mudarmos a forma de pensá-la, não sairemos do lugar”, salienta.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Esse novo olhar para a agricultura familiar se faz necessário não apenas para o seu aperfeiçoamento, mas para garantir a sua continuidade. “Eu digo que nós vivemos as últimas gerações onde vivemos o modo de ser agricultor na agricultura familiar, por conta da densidade demográfica nas regiões rurais e o envelhecimento dessas populações, que diminuem a mão de obra e põem em risco a sucessão rural”, alerta o professor.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Por conta desse contexto, Silva defende que somente uma relação de diálogo e aprendizado mútuo entre a academia e o meio rural é capaz de transformar o cenário. Para tanto, ele defende que os pesquisadores levem seus trabalhos para os produtores e de lá tragam questões de pesquisa: “Devemos sempre fazer uma autocrítica sobre o nosso trabalho. O que estamos fazendo muda a vida de alguém? Leva desenvolvimento para mais pessoas? Traz respostas concretas para problemas que a comunidade, tanto urbana quanto rural, tem?”, indaga. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt"> </p>
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<p dir="ltr" style="line-height: 1.295;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 8pt">Para o docente o investimento em ações de ensino, pesquisa e extensão que aproximem a comunidade acadêmica e rural é o que garantirá a formação de profissionais capazes de resolver desde desafios cotidianos até às grandes questões do campo que, ao contrário das datas comemorativas, estão presentes todos os dias na rotina dos agricultores.</p><p><strong><em>Expediente:</em></strong></p>
<p><em><strong>Reportagem:</strong> Bernardo Salcedo, acadêmico de Jornalismo e voluntário;</em></p>
<p><em><strong>Design gráfico:</strong> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;</em></p>
<p><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;</em></p>
<p><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em></p>
<p><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
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