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			<title>Revista Arco - Feed Customizado RSS</title>
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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>Restauração ecológica na UFSM a partir da cosmovisão Kayapó</title>
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				<pubDate>Thu, 09 Mar 2023 12:04:25 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[ambiente]]></category>
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						<description><![CDATA[A recuperação das APP’s no campus com o uso de uma perspectiva indígena]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Se você circulou pelo campus sede da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) recentemente, deve ter visto placas como essa da foto em alguns lugares, como perto do prédio da Reitoria e do Hospital Veterinário. Conforme o <u><a href="http://www.legislacao.sefaz.rs.gov.br/Site/Document.aspx?inpKey=271902&amp;inpCodDispositive=&amp;inpDsKeywords=15434" target="_blank" rel="noopener"><b>Código Estadual do Meio Ambiente</b></a></u> e a <u><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm#:~:text=Esta%20Lei%20estabelece%20normas%20gerais,n%C2%BA%20571%2C%20de%202012)." target="_blank" rel="noopener"><b>Lei Florestal Federal</b></a></u> - legislações que regulamentam a preservação do meio ambiente -, as Áreas de Preservação Permanente (APP’s) são espaços, cobertos ou não por vegetação nativa, localizados em zonas rurais ou urbanas, que têm a função ambiental de preservar os recursos hídricos (como as águas superficiais e subterrâneas), a paisagem, a estabilidade do relevo e a biodiversidade de um local. Além disso, elas têm a capacidade de facilitar o fluxo gênico - transferência de genes entre populações - da fauna e da flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. As APPs também abrigam uma enorme biodiversidade e são responsáveis pela preservação de recursos hídricos e geográficos.</p>		
									<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/03/IC3A5628-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de uma placa em frente à arvores e ao lado de uma ciclovia. A placa está no lado esquerda da imagem, tem pés altos, é horizontal. Tem fundo branco, faixas verde escuras e texto em preto: &quot;Área de Preservação Permanente (APP). Proibido destruir, danificar, invadir, desmatar, jogar lixo ou entulho. Sujeito À multa e detenção. Lei Federal nº 9605/98&quot;. Ao fundo da placa, início de floresta com árvores em vários tons de verde. Do lado direito da placa, faixa de ciclovia em meio a gramado e árvores." loading="lazy" />											<figcaption>Foto: Estevan Garcia Poll</figcaption>
										</figure>
		<p>Dada a importância desses espaços, a preservação e recuperação das APPs são fundamentais para que os habitats degradados ou danificados por ação antrópica sejam renovados. No entanto, deve existir um cuidado extra quanto às práticas de interferência em ecossistemas naturais ao se tratar das Áreas de Preservação Permanente, já que elas são extremamente ricas para o meio ambiente. De acordo com o Engenheiro Florestal e mestre em Engenharia Agrícola pela UFSM, Matheus Gazzola, a restauração ecológica é uma ferramenta estratégica para atenuar os impactos gerados pelas ações humanas nos ecossistemas.</p>		
			<h3>Projeto inovador de restauração ecológica no campus</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-1aebc4f4-7fff-decc-e063-0f083b54f08e" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para Renato Záchia, professor do curso de Ciências Biológicas da UFSM, a importância da existência de Áreas de Preservação Permanente está na necessidade de preservar as interações que ocorrem entre os seres vivos e o ambiente. O docente salienta que as APP’s são locais específicos para manter essas interações e evitar distúrbios, como enchentes, alagamentos e desequilíbrio de espécies. Záchia explica que, muitas vezes, a cultura humana exerce um comportamento dominador e destrutivo sobre os ecossistemas.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O professor idealizou, em 2007, um projeto com alunos moradores da Casa de Estudante (CEU II) e participantes da Casa Verde (que é hoje o Comitê Ambiental) cujo objetivo era plantar árvores com fertilizantes originados na compostagem feita pelos próprios estudantes, a fim de restaurar as áreas no entorno dos córregos do campus. Inicialmente, foi feita a identificação dos quatro braços principais do 'Lagoão do Ouro’, uma grande sanga que liga a parte norte a sul da UFSM. Os braços  foram batizados pelo professor de ‘Braço do Tambo’, ‘Braço Cohab Fernando Ferrari’, ‘Braço Jardim Botânico’ e ‘Braço da Olaria’. Záchia ressalta que os nomes condizem com os locais em que eles se originam e enfatiza a importância de nomear os córregos para facilitar a proximidade deles com o público.</p>		
									<figure>
										<img width="691" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2023/03/WhatsApp-Image-2023-03-09-at-07.01.25-691x1024.jpeg" alt="Descrição da imagem: desenho vertical e colorido de um mapa fluvial em tons de marrom. Há um rio que é apontado no mapa e que cruza toda a extensão dele. Na parte superior, há o &#039;Braço Cohab&#039;. Abaixo, já no território da UFSM, há o &#039;Braço Botânico&#039;. Abaixo, dois recortes de imagens em moldura circular. A primeira, na esquerda, tem árvores e um rio. A segunda imagem tem uma placa de área de preservação ambiental em detalhe. Abaixo, os braços &#039;Tambo&#039; e &#039;Olaria&#039;." loading="lazy" />											<figcaption>Mapa fluvial. Arte: Daniel Michelon de Carli.</figcaption>
										</figure>
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A seguir, ainda em 2007, a partir das disposições do <u><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm" target="_blank" rel="noopener"><b>Código Florestal Brasileiro</b></a></u> e com o intuito de impedir as capinagens em torno dos córregos, o professor determinou que o início do trabalho seria nas matas ciliares - vegetação próxima a corpos d'água - e solicitou autorização à Prefeitura de Santa Maria e à Reitoria da Universidade para dar continuidade ao projeto. Então, ele tomou a decisão de basear-se em <u><b><a href="http://etnolinguistica.wdfiles.com/local--files/suma%3Avol1p172-186/S1_t11_ManejoKayapo_Posey.pdf" target="_blank" rel="noopener">pesquisas de etnobotânica</a></b></u> - estudo da relação existente entre sociedades humanas e plantas - feitas principalmente pelo antropólogo e biólogo estadunidense, Darrell Posey, com povos indígenas do Pará, os Kayapó.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Assim, a partir de uma proposta comunitária e colaborativa e com o auxílio de funcionários da Sulclean, da Pró Reitoria de Infraestrutura (Proinfra) e dos estudantes, no ano de 2007 foram plantadas mudas e sementes e colocados restos de matéria orgânica nas matas ciliares próximas ao prédio da Reitoria, que compõem uma parte do bosque que existe até hoje, com o objetivo social de que as pessoas abraçassem a ideia do plantio de árvores e da proteção de áreas degradadas, por ser uma área de alta circulação da comunidade. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">“Os povos originários tratam a questão ambiental como um prolongamento da dimensão humana”, explica Záchia. A concepção da natureza para os Kayapó têm como base pensar na cosmovisão de que o planeta é um ser vivo e de que os humanos são elementos que integram esse ser único. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">No ponto de vista do professor, não há quem seja superior ou inferior e tampouco há espaço para a colonização de espaços, ou seja, ele considera que as práticas de restauração de ecossistemas dos Kayapó são decoloniais - não perpetuam a dominação de territórios: “A postura dos indígenas deixa de ser de dominação - em que se precisa conhecer e dominar - e passa a ser de contemplação.”</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em relação ao comportamento dos Kayapó reproduzido na UFSM, é importante ressaltar que a aldeia observada no Pará ficava em um ecótono - região entre ecossistemas distintos-, diferentemente do que ocorre no campus em Santa Maria, o que fez com que a experiência tivesse de ser adaptada para um novo ambiente. Na Universidade, o professor precisou lidar com outro tipo de bioma e teve que tratar com fatores restritivos, como a aplicação do processo restaurativo em até oito metros de distância da borda dos córregos, ou seja, ele precisou aplicar as técnicas em um espaço menor do que o esperado.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O processo integrado com a natureza dos povos originários é lento e engloba a contemplação e a observação da natureza, distinto da postura de dominação exercida pelos povos ocidentais. “Eles juntavam toda a serrapilheira da floresta, que são os animais, plantas, fungos e todos os restos de seres vivos mortos, principalmente troncos de árvores, fragmentavam-os e faziam montes, que eles chamavam de Apêtês, na língua Mebêngôkre, que é como eles se autodenominam”, explica Záchia sobre o comportamento dos povos originários paraenses e aplicado no campus da UFSM. Os Apêtês eram colocados por mutirões em espaços a serem restaurados, formando ilhas de vegetação lenhosa.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Esse modelo se assemelha aos Sistemas Agroflorestais Sintrópicos, que reúnem as plantações agrícolas com as plantas que integram a floresta, como no <u><b><a href="https://agrofloresta.net/static/artigos/break-through-in-agriculture-ernst_goetsch.pdf" target="_blank" rel="noopener">estudo do pesquisador suíço Ernst Götsch</a></b></u><u><b>.</b></u> Uma das diferenças do sistema dos Kayapó para o do Götsch é que os indígenas não utilizam a poda para acelerar o processo, e esta também não foi aplicada no projeto na Universidade.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Renato Záchia também ressalta a importância de futuramente haver um trabalho transdisciplinar, tanto para que a comunidade acadêmica possa conhecer e observar as APP’s,  quanto  para que os estudantes adotem comportamentos que ajudem na manutenção desses locais, com a base em um interesse coletivo e não em uma norma institucional.</p><p> </p>		
			<h3>O papel da Proinfra</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-8d7810f1-7fff-5ec7-42f8-3990fb5c716f" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O Setor de Planejamento Ambiental da Pró-Reitoria de Infraestrutura (Proinfra) é o órgão responsável  por tratar das questões ambientais da UFSM. De acordo com a assessora de gabinete do setor, Marilise Mendonça Krügel, no que diz respeito às Áreas de Preservação Permanente, o órgão tem a responsabilidade de conduzir todas as ações relacionadas à proteção e à conservação delas em cumprimento à legislação ambiental vigente.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">“O levantamento das APP’s foi realizado para o licenciamento ambiental do campus sede em 2014”, explica Marilise. Ela também informou que, na primeira etapa, uma empresa especializada em consultoria ambiental fez a análise topográfica (avaliação das características do terreno), e indicou os locais onde estavam localizadas as nascentes e os cursos d'água. Em seguida, foi feito o trabalho de campo para confirmar esses dados e, então, as APP’s foram demarcadas a partir de um software de sistema de informação geográfica.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Na UFSM, que tem uma área total de 1188 hectares, são 297,2 hectares de APP’s. Enquanto 152,3 hectares de APP’s que estão em conformidade com a legislação nacional, outros 144,9 necessitam de restauração. Dessa forma, há urgência em restaurar essas áreas degradadas, o que pode ser feito colocando-as entre vegetação arbustiva/arbórea ou espaços úmidos.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Existe um projeto em andamento referente à recomposição das APP’s, que é fruto de um convênio entre a UFSM e a empresa Sustentasul, que trabalha com um planejamento de restauração ecológica que será usada para recompor a vegetação nativa nos 144 hectares de Áreas de Preservação Permanente da Universidade. Em outros momentos, certos órgãos da UFSM já tentaram implantar projetos de recomposição das áreas, mas a maioria não teve progresso ou engajamento da comunidade.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Como aponta Marilise, é importante que a comunidade universitária tenha clareza de que as APP’s são áreas protegidas por lei e atuam na proteção dos recursos hídricos e do solo, na manutenção da biodiversidade e, além disso, são corredores ecológicos. “A nossa relação com as APP’s deve ser de cuidado e proteção. A interação das pessoas com estas áreas deve ocorrer de tal forma que não produza impactos ambientais negativos, como o descarte de resíduos, a retirada de plantas ou qualquer prejuízo à fauna”, finaliza Marilise.</p><p> </p><p><strong><em>Expediente:</em></strong></p><p><em><strong>Reportagem:</strong> Isadora Pellegrini, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Fotografia:</strong> Estevan Garcia Poll;</em></p><p><em><strong>Design gráfico:</strong> Daniel Michelon de Carli;</em></p><p><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Arco Entrevista Alencar Zanon, um dos autores de estudo sobre produção de soja e redução de desmatamento no Brasil</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/arco-entrevista-alencar-zanon-um-dos-autores-de-estudo-sobre-producao-de-soja-e-reducao-de-desmatamento-no-brasil</link>
				<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 14:24:45 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
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						<description><![CDATA[Estudo publicado na Nature Sustainability alia aumento de produção agrícola à preservação ambiental]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Maximizar o lucro do produtor rural com o mínimo impacto ambiental é um dos objetivos da Equipe FieldCrops e de seu coordenador, o professor Alencar Zanon, do Centro de Ciências Rurais (CCR) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Desde 2017, dada a sua experiência na área, o docente aliou-se a uma rede de pesquisa interuniversidades, o projeto <b><i><u><a href="http://www.yieldgap.org">Global Yield Gap and Water Productivity Atlas</a> </u></i></b>. Em 10 de outubro, a parceria resultou na publicação do artigo <a href="https://www.nature.com/articles/s41893-022-00968-8" target="_blank" rel="noopener"><b><u>“Protecting the Amazon forest and reducing global warming via agricultural intensification"</u></b></a> (Protegendo a floresta amazônica e reduzindo o aquecimento global por meio da intensificação agrícola, em português) na renomada revista Nature Sustainability. </p><p><br />O feito é oriundo do trabalho de universidades e instituições de pesquisa brasileiras (UFSM, Universidade de São Paulo, Universidade Federal de Goiás, Embrapa Arroz e Feijão), argentinas (Universidad de Buenos Aires e Conicet) e norte-americana (University of Nebraska).</p>		
												<img width="1024" height="712" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/10/Capa_soja-1024x712.png" alt="Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida em tons de verde. No centro, um homem de pele branca está agachado em meio a uma plantação de soja. Ele usa boné branco com aba verde, veste camiseta verde clara e calça jeans azul escura. As plantas de soja estão em tamanho médio, e tem cor verde claro. A plantação se estende até o horizonte, onde encontra algumas árvores verde escuras e o céu azul claro." loading="lazy" />														
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O estudo aponta uma alternativa para a questão, outrora antagônica, entre produção agrícola e preservação ambiental: a intensificação. Isto é, por meio de pesquisas e políticas públicas, pode-se aumentar a produtividade de uma lavoura, sem precisar avançar em novos territórios. Assim, os pesquisadores detém-se à soja, principal nome da exportação brasileira, e ao bioma Cerrado. Com isso, o Brasil poderia aumentar a produção anual do grão em 36% até 2035 e, ainda, reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 58%. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Além disso, o artigo lembra que a expansão da soja na Amazônia equivale a um terço das terras convertidas para tal finalidade no Brasil entre 2015 e 2019. Dessa forma, os autores das universidades e institutos em pesquisa presentes na publicação querem evitar que se cumpra a previsão de que o Brasil usará 57 milhões de hectares para a produção de soja nos próximos 15 anos, com um quarto da produção em terras ambientalmente frágeis. A Revista Arco conversou com o professor Alencar Zanon para entender mais sobre o assunto:</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: O estudo afirma que o Brasil fez progressos notáveis no fomento da produção agrícola nos últimos 50 anos, tornando-se um grande país exportador de soja, milho e carne bovina. No entanto, grande parte do aumento da produção agrícola ocorreu devido à expansão das terras agrícolas e não à produtividade delas. O que fez com que esta última não fosse realizada?  </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: O que acontece no Brasil, como um país em desenvolvimento, é que temos muitas áreas que são aptas para a agricultura. Por conta  dessa aptidão agrícola do nosso país, é natural que os produtores busquem expandir novas fronteiras. Em virtude do espírito empreendedor, da coragem que o produtor tem em semear em novas áreas, e também pela aptidão do nosso solo e clima, é que nós tivemos essa expansão, transformando o Brasil de um produtor incipiente de soja ao maior produtor mundial. Então, eu resumo em: solos aptos para a agricultura e um bom clima, os quais permitem que cultivemos hoje mais de 40 milhões de hectares de soja com sustentabilidade.  </p><p><b style="font-weight: normal"> </b></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Nesses 50 anos de avanços, não foi investido em produtividade de terras? </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: Na verdade, foi. Nós tivemos grandes revoluções que permitiram o aumento de produtividade nas áreas, só que a área cultivada era pequena. Sendo assim, quando comparamos o aumento de produtividade com o aumento da área cultivada, isso faz com que os maiores aumentos na produção total venham de novas áreas. Se formos analisar, quando a soja ganhou um espaço grande como cultura agrícola no Brasil, a produtividade era de 1,5 mil quilos de soja por hectare. Hoje, a produtividade é de 3 mil quilos de soja por hectare. A produtividade aumentou em 100%. Mas, se olharmos no cenário geral, como houve expansão de 20 milhões de hectares, nos anos 2000, para 42,5 milhões de hectares em 2022, a maior parte da produção vem dessas áreas novas. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: O que o artigo sugere, então, é que, mesmo com a grande produtividade que temos até agora, é preciso aumentá-la nas terras já existentes, em vez de avançar para novas áreas?<br />Alencar: No artigo, dissemos que há uma oportunidade de aumentar a produtividade na atual área agricultável sem precisar adentrar novas áreas. Em outras palavras, comparando o Brasil com outros dos maiores produtores de soja no mundo - Estados Unidos e Argentina - somos o país que mais pode aumentar sua produtividade por hectare. Esse é o grande lance do Brasil, diferente dos países mencionados, que têm uma margem muito pequena para aumentar a produtividade, nós temos uma margem considerável para produzir mais na mesma área, sem a necessidade de expandir para novos espaços. Por mais que nossa produtividade seja boa, podemos melhorar. É isso que o artigo cita como Rendimento Explorável. Nos biomas Pampa e Mata Atlântica, essa oportunidade é pequena. Já no Cerrado, há uma margem grande. Para aumentar a produtividade da soja no Brasil, com sustentabilidade, devemos focar no Cerrado.</p><p><b style="font-weight: normal"> </b></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Como é possível analisar o cenário da produção agrícola no Brasil?</p><p>Alencar: Chamamos de BAU ou business-as-usual, (tendência atual, em português) o cenário do que aconteceu nos últimos 15 anos e projeta para o futuro a mesma tendência. É como se continuássemos fazendo o que estamos fazendo agora. Isto é, produtividade e expansão de áreas. Então, ele é muito perigoso, porque vai acarretar em um desmatamento muito grande. Não queremos esse cenário. Já no cenário no cropland expansion (sem expansão de terras agrícolas, em português) ou NCE somente o mesmo ganho de produtividade é mantido, porém, não há expansão às novas áreas. Nesta perspectiva, há pouco ganho econômico, comparado com a tendência de produção atual de soja.<br /> Por fim, nós propomos o terceiro, o cenário intensification , INT, (intensificação, em português) de melhores práticas de manejo nas lavouras de soja. Nele, reduz-se o impacto negativo da conversão de novas áreas para a produção desse grão. Assim, assume-se que os produtores aumentarão sua produtividade, ficando próximos de produzir os valores da máxima lucratividade. Esse cenário seria o ideal. Mas, para isso acontecer, precisa haver um investimento muito grande em pesquisa, desenvolvimento e políticas públicas. Isso seria espetacular se ocorresse, porque continuaríamos a produzir grandes quantidades de soja, cuja produção cresceria até 2035, porém, reduzindo drasticamente o impacto ambiental. Ou seja, produziríamos com sustentabilidade. Para que isso seja possível, dependemos de investimentos altos oriundos dos setores público e privado em pesquisa e desenvolvimento, principalmente a nível de lavouras de produtores. <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Você afirma que, para ser eficaz, a intensificação exigiria políticas e fiscalização adequadas. Quais políticas e práticas são essas?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: Seriam editais em que haveria um investimento muito grande de recursos financeiros. Também deve ser onde nós, universidades, e os demais institutos de pesquisa, pudéssemos aplicar e usar esses recursos para mostrar para os produtores como aumentar a produtividade da soja por meio da intensificação diretamente em suas lavouras.  É isso que precisamos: focar recursos para que instituições públicas e privadas se habilitem a ir nas lavouras mostrar ao produtor como ele deve proceder para produzir na mesma área, sendo sustentável. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Aplicando as práticas que são propostas pelo artigo, em quanto tempo os resultados poderão ser vistos?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: Em 15 anos, os resultados serão fantásticos, se conseguirmos aplicar as práticas. Isso significa que produziremos 162 milhões de toneladas de soja, sem desflorestar e reduzindo o aquecimento global em 58%.<br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: É possível citar exemplos de ações que já ocorrem nesta perspectiva?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: Devemos intensificar as ações que são feitas em lavouras de produtores. Aqui na UFSM, há a Equipe FieldCrops, que faz justamente isso, pesquisa On Farm e On Demand. Isto é, fazemos pesquisas de acordo com a necessidade do produtor dentro de sua própria lavoura. Logo, isso é um exemplo prático de como podemos aumentar a produção de forma sustentável. Além disso, são práticas muito simples de serem implementadas, inclusive por quem já tem um negócio consolidado, pois estamos falando da melhoria da época de semeadura, colocar a quantidade correta de adubação, colocar a cultivar certa. Então são práticas relativamente simples e que podem ser utilizadas em todos os tipos de lavouras. Temos trabalhos em lavouras desde Nova Palma, onde o produtor tem 15 hectares, até produtores grandes de 8 mil hectares no Maranhão.  </p><p>ARCO: O artigo destaca a preocupação com a preservação ambiental ao mesmo tempo em que aponta para a necessidade de utilizar os commodities como respaldo econômico. De que forma é possível equilibrar essas duas perspectivas?</p><p>Alencar: É preciso intensificar a quantidade de pesquisas realizadas dentro da lavoura e permitir que os produtores tomem decisões de práticas de manejo com base nos dados gerados dentro de suas lavouras. <br />Há um outro estudo que demonstra isso, o artigo “<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0308521X22000701?via%3Dihub" target="_blank" rel="noopener"><i><u><b>Field validation of a farmer supplied data approach to close soybean yield gaps in the US North Central region</b></u></i></a><a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0308521X22000701?via%3Dihub">”</a> (Validação em lavouras com base em uma abordagem de dados de produtores para diminuir a lacuna de produtividade na região Centro-Norte dos Estados Unidos, em português), realizado nos Estados Unidos. Foi usada a mesma metodologia do nosso trabalho e provou-se que, fazendo pesquisa On Farm e gerando dados, em 80% das vezes foi possível aumentar a produtividade e a lucratividade das lavouras. Essa é a forma como conseguimos conciliar o aumento da produtividade, do ganho econômico, com a redução do impacto ambiental. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Como funciona a rede de pesquisadores que está envolvida na pesquisa e como se chegou à proposta do artigo e seu olhar ao Brasil?</p><p>Alencar:  Fazemos parte de um projeto global que já está presente em 75 países. É o Global Yield Gap Atlas (Gyga). Trata-se do maior projeto da atualidade de segurança alimentar a nível global. Ele engloba 15 culturas agrícolas. É um projeto liderado pela Universidade de Wageningen, na Holanda, e a Universidade de Nebraska, nos EUA, com a participação de diferentes universidades no mundo inteiro, como a UFSM. Nós já tínhamos essa hipótese, de que o Brasil consegue manter o desenvolvimento econômico preservando os recursos naturais. Com a pesquisa, pudemos demonstrar isso através do estudo publicado. Isso se pode fazer através da intensificação dos cultivos.<br /></p><p><strong><em>Expediente:</em></strong></p><p><em><strong>Entrevista:</strong> Gabrielle Pillon, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias;</em></p><p><em><strong>Design gráfico:</strong> Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;</em></p><p><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária; e Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</em></p>]]></content:encoded>
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