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			<title>Revista Arco - Feed Customizado RSS</title>
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			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
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	<title>Revista Arco</title>
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						<item>
				<title>Setembro amarelo: solidão na pandemia</title>
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				<pubDate>Fri, 10 Sep 2021 14:26:45 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
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						<description><![CDATA[Estudo que contou com a participação de pesquisador da UFSM investiga o impacto das relações sociais nos pensamentos sobre suicídio dos brasileiros]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="150" height="150" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/09/trigger-warning-150x150-1.png" alt="" loading="lazy" />														
		<p style="text-align: center"><strong>Esta matéria possui conteúdo que pode desencadear fortes emoções. </strong></p><p style="text-align: center"><strong>Caso você esteja passando por </strong><strong>um momento de maior sensibilidade tenha cautela ao prosseguir com a leitura. Se se sentir desconfortável interrompa a leitura e volte quando estiver mais forte emocionalmente.</strong></p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/09/Arte_2-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>A cada 41 minutos, alguém tira a própria vida no Brasil. Só em 2020, houve mais de 12 mil registros de suícidio, de acordo com levantamento do <a href="https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2021/07/anuario-2021-completo-v6-bx.pdf" target="_blank" rel="noopener">Fórum Brasileiro de Segurança Pública</a>. O distanciamento social, associado ao medo e ao estresse também decorrentes da pandemia de Covid-19, <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/distanciamento-fisico-saude-mental/" target="_blank" rel="noopener">afetou a saúde mental dos brasileiros</a>. Contudo, a principal causa de pensamentos suicidas nesse período foi o sentimento de solidão - algo que não está necessariamente associado ao isolamento.</p><p><a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0165032721003761?via%3Dihub" target="_blank" rel="noopener">Um estudo</a> que contou com a participação do professor Maurício Hoffmann, do Departamento de Neuropsiquiatria da UFSM, analisou se aspectos subjetivos, como a solidão; e medidas objetivas, como distanciamento social e morar sozinho, podem levar à ideação suicida. A pesquisa, desenvolvida nos primeiros meses da pandemia, foi feita em duas etapas: a primeira entre maio e junho e a segunda entre junho e julho de 2020. Ela teve a participação de 1674 pessoas que responderam questionários online e constatou que, dentre as variáveis analisadas, a solidão foi a mais significativa.</p><p>“Não encontramos evidências de que o auto-isolamento e o distanciamento social aumentassem o sentimento de solidão - pode ser que essas pessoas já se sentissem sozinhas antes. Outros estudos também mostraram que as medidas de controle da pandemia não necessariamente irão colaborar no aumento de pensamentos suicidas”, analisa Hoffmann. A solidão apresentou grande fator de risco e foi constantemente associada com a <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/efeito-werther/" target="_blank" rel="noopener">ideação suicida</a> na pandemia. Mesmo levando em consideração sintomas de depressão, ansiedade, uso de álcool e medicamentos, o sentimento foi o principal determinante para a ocorrência de pensamentos suicidas.</p><p>A solidão é uma sensação subjetiva de despertencimento, que pode existir mesmo quando o sujeito está acompanhado de muitas pessoas. Hoffmann explica que a solidão é um sentimento muito desesperador que causa grande sofrimento e pode ser classificado como um sintoma depressivo: “Por mais que os outros queiram ajudar uma pessoa com solidão, ela vai se sentir incompreendida e, mesmo rodeada de amigos, ela ainda vai se sentir solitária. Para ela, o mundo não é mais o mesmo, ela não reconhece mais o que construiu e viveu, por isso é um sentimento muito doloroso”.</p><p>De acordo com os resultados de um<a href="https://www.ipsos.com/pt-br/brasil-fica-em-1o-lugar-entre-28-paises-em-ranking-dos-que-mais-sentem-solidao" target="_blank" rel="noopener"> levantamento feito pelo Instituto Ipsos</a> no início deste ano, os brasileiros são o povo que mais se sente solitário na pandemia. A pesquisa, que ouviu 23 mil pessoas de 28 países, também revelou que 52% dos participantes do Brasil afirmaram que esse sentimento de solidão cresceu no segundo semestre de 2020. </p>		
			<h3>O impacto das emoções na saúde mental</h3>		
		<p>As emoções e os sentimentos estão presentes na vida de todos os seres humanos, mas, por possuírem diferentes manifestações, podem ser difíceis de serem explicados. O professor do Departamento de Filosofia da UFSM, Flávio Williges, é especialista em Filosofia das Emoções, área que busca estudar a natureza das emoções e a sua relação com outros domínios da condição humana. Ele explica que os sentimentos - como o de solidão - podem impactar significativamente a saúde mental das pessoas e até mesmo gerar distúrbios mentais. </p><p>Para ele, as emoções são como um alarme: quando algo significativo acontece, ele dispara para ajudar a pessoa a monitorar o ambiente e, assim, se adaptar. O problema surge quando este “alarme” dispara por tempo demais. "Ele acaba te deixando preso naquela ameaça que está sendo sugerida pelo seu estado emocional e acaba por afetar outros segmentos da sua vida. Então a pessoa não vai conseguir focar em realizar suas atividades rotineiras, pois a atenção estará sempre direcionada para o risco”, complementa Williges.</p><p>Assim, as emoções podem tomar conta da mente e fazer com que a pessoa fique presa dentro da ativação que elas promovem. Isso, associado com a mudança emocional que eventos traumáticos causam, pode gerar consequências graves. Nesse sentido, a pandemia de Covid-19 pode ser considerada um evento traumático, e a pesquisa integrada por Hoffmann associa o sentimento subjetivo de solidão à incidência de ideação suicida.</p><p>Segundo Williges, a solidão pode ser classificada em três tipos: a solitude, a solidão transitória e a solidão crônica. A solitude é, de certa forma, positiva. É um tipo de solidão necessária e que ajuda as pessoas, pois se trata do ato de se isolar para se concentrar melhor em uma tarefa, para relaxar ou para se organizar. Já os outros dois tipos são mais preocupantes.</p><p>Williges classificou como solidão transitória um sentimento de solidão mais leve e momentâneo, percebido em muitas pessoas na pandemia. Esse tipo de solidão é marcado pela consciência de que a sensação não vai perdurar para sempre e de que o convívio social será restabelecido. Além de que o período também possui consequências positivas, como um <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/distanciamento-social-e-autoconhecimento/" target="_blank" rel="noopener">processo de autoconhecimento</a> e de reformulação do círculo social, na medida em que a pessoa passa a perceber quem realmente é importante em sua vida. Entretanto, o docente reforça que a pessoa com solidão, mesmo que transitória, sente-se desprovida de conexão e abandonada no mundo.</p><p>O terceiro tipo de solidão é o mais perigoso. A solidão crônica é inteiramente negativa: quem a sente se percebe distante das pessoas e não consegue mais estabelecer laços sociais significativos. “O que a pessoa sente internamente é um vazio muito grande, como se estivesse sozinha no mundo, sem ninguém para se apegar, e sente que não tem por quem viver. Por isso, a ideação suicida é parte do padrão de resposta da solidão”, explica Williges.</p><p>O filósofo também atenta que nem sempre é fácil identificar qual tipo de solidão está sendo experimentado. Além disso, é possível que a solidão transitória se torne crônica. Alguns fatores como personalidade, grau de comprometimento social e padrão comportamental em relação à família podem fazer com que uma pessoa evolua rapidamente para um caso grave de solidão crônica.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/09/Arte_1-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>Como combater a solidão
</h3>		
		<p>Por ser um dos fatores de risco para desenvolvimento de transtornos mentais e para o suicídio, a solidão é muito perigosa e deve ser tratada com seriedade. Alguns países já possuem grande preocupação com o tema e buscam maneiras de combatê-la. Em 2018, o Reino Unido criou o Ministério da Solidão para lidar com as altas taxas de doenças mentais nas pessoas que vivem com o sentimento. </p><p>Outro país que está atento ao assunto é o Japão: durante a pandemia, a taxa de suicídio no país teve a primeira alta de casos em 11 anos, e o governo também decidiu instaurar um Ministério da Solidão.</p><p>Hoffmann explica que essas ações são formas válidas de tratar a solidão, pois tendem a incentivar políticas de assistência social e iniciativas de participação social. Para ele, acesso a serviços públicos de saúde, ações de transferência de renda, incentivo à educação e combate à violência são algumas medidas benéficas para a saúde mental da população que os governos podem adotar.  </p><p>No aspecto individual, o psiquiatra também dá algumas dicas para pessoas que sentem solidão como: conversar com um amigo pelo menos uma vez na semana, frequentar lugares públicos como praças e realizar atividades de convivência social. As redes sociais e a internet também são boas aliadas: usar plataformas de vídeo chamada, por exemplo, pode fazer com que as pessoas se sintam conectadas e menos sozinhas. “A internet é uma parte importante da interação social, eu acho que usar a conexão digital para socialização pode ter impactos positivos, principalmente em pessoas com solidão”, diz Hoffmann. </p><p>Para Williges, além de fazer acompanhamento psicológico, é importante ter em mente que, quando se trata de relacionamentos, qualidade é melhor que quantidade. Assim, é importante tentar manter relações saudáveis com pessoas que prestam ajuda nas adversidades e que estimulam a vontade de viver. </p><p>Além disso, é fundamental cuidar da saúde mental. Nesse sentido, Hoffmann recomenda dormir bem, fazer atividade física, manter uma alimentação saudável e fazer pausas para descanso. Ainda, o psiquiatra destaca que se deve ficar atento para detectar precocemente problemas a fim de buscar ajuda profissional o mais rápido possível. </p>		
			<h3>Prevenção ao suicídio e onde procurar ajuda</h3>		
		<p>É possível e necessário ajudar pessoas com ideações suicidas e, segundo Hoffmann, há três passos que podem ser seguidos nesse sentido: o primeiro é perguntar se a pessoa tem pensamentos suicidas e/ou relacionados à morte, conversar abertamente com a pessoa sobre seus pensamentos suicidas não a influenciará a completá-lo; o segundo é reconhecer o seu sofrimento e dizer que você a entende; por último, incentivar a pessoa a fazer terapia e a buscar tratamentos, de forma a mostrar que existe uma solução. </p><p>“A ideação suicida é um sintoma de alguma coisa, 90% das vezes existe um transtorno mental por trás que pode e deve ser tratado. Há sim saída, o suicídio é a forma de não dar nenhuma chance para o alívio do sofrimento. Toda emoção é transitória, não existe emoção permanente, então esse sentimento vai passar”, afirma Hoffmann.</p><p>Um dos falsos mitos em torno do suicídio é que a pessoa não avisa e não fala sobre isso; contudo, deve-se considerar seriamente os sinais de alerta. Alguns deles são: preocupação com sua própria morte ou falta de esperança, visão negativa de sua vida e futuro, expressão de ideias ou de intenções suicidas, isolamento social, agir como se estivesse se despedindo das coisas. Comentários como “vou desaparecer”, “vocês estariam melhor sem mim”, “eu queria poder dormir e nunca mais acordar” ou “eu acho que não faria muita falta” podem parecer sinais óbvios, mas são muitas vezes ignorados. </p><p>Existem muitos locais que oferecem ajuda para prevenir o suícidio. Em âmbito nacional, pode-se ligar para o <a href="https://www.cvv.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Centro de Valorização da Vida - CVV</a> no número 188. Na cidade de Santa Maria (RS), pode-se procurar por atendimento psicológico gratuito nos seguintes locais: <a href="https://cartadeservicos.santamaria.rs.gov.br/servicos/ver/397" target="_blank" rel="noopener">Santa Maria Acolhe</a>, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e na Policlínica Nossa Senhora do Rosário. Quando já houve tentativa de suicídio, é necessário encaminhamento para o pronto socorro, como o Pronto Atendimento do Patronato e o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) que possuem serviços de psiquiatria públicos.</p>		
												<img width="1024" height="649" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/09/Box-1024x649.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p><strong><i>Expediente</i></strong></p><p><strong><i>Repórter: </i></strong><i>Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Ilustrador:</strong> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário</i></p><p><strong><i>Mídia Social:</i></strong> <i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes e Martina Pozzebon, estagiárias de Jornalismo</i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A culpa não é de Werther</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/efeito-werther</link>
				<pubDate>Thu, 26 Sep 2019 13:28:16 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Humanidades]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[efeito werther]]></category>
		<category><![CDATA[setembro amarelo]]></category>
		<category><![CDATA[suicídio]]></category>

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						<description><![CDATA[Livro de Goethe, associado à onda de suicídios, denuncia a falta de boas referências a serem seguidas 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignnone size-large wp-image-6042" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/09/goethe-capa-1024x668.jpg" alt="" width="1024" height="668" />Em 1774, o escritor e filósofo alemão Johann Wolfgang von Goethe publicou “Os Sofrimentos do Jovem Werther”. A obra narra as desilusões amorosas de Werther, jovem de personalidade sensível e artística. O enredo se desenvolve a partir do momento em que o personagem principal conta ao amigo Wilhelm a história de seu amor impossível por Charlotte, prometida em casamento para outro. Werther não consegue esquecê-la e também não encontra outra saída. Assim, no decorrer das páginas, acaba se suicidando. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Após o lançamento na Europa, a história de Goethe inspirou dezenas de jovens leitores, que passaram a se vestir como o protagonista, com calças amarelas e colete azul. Além disso, foi atribuída à história a culpa por outro fenômeno: uma onda de suicídios. O livro, inclusive, foi proibido em países como Itália e Dinamarca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O romance, a onda de suicídios e as discussões que aconteceram em torno disso deram origem a um termo da psicanálise: o Efeito Werther. Concebido pelo sociólogo David Phillips, em 1974, para definir a imitação do comportamento suicida, a expressão significa que, de certa forma, o suicídio, ou o fato de falar sobre o tema, seria “contagioso”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No entanto, para o professor de Filosofia e Ensino Religioso Márcio Marangon a interpretação que se tem do Efeito Werther somente a partir da onda de suicídios pode ser equivocada. De acordo com o especialista, os jovens começaram a reproduzir as vestimentas e as expressões do personagem. Passaram, também, a se ver como ele. Assim, para Márcio, o Efeito Werther, na Europa, foi – para além dos suicídios - o romantismo. A partir dessa obra, o romantismo ganhou notoriedade, e, dele, outros movimentos artísticos, políticos e filosóficos tiveram origem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O livro de Goethe, então, pode ser compreendido como uma obra que, além de conhecida pela série de suicídios, também, e principalmente, provocou reflexões sobre sentimentos. Assim, serve de alerta para outras épocas, como a nossa.</span></p>
<p> </p>
<blockquote>
<h4><span style="font-weight: 400">“O Efeito Werther precisa ser revisto novamente, na atualidade, como um problema que vai muito além das estatísticas. É um problema de sentimentos, </span><span style="font-weight: 400">de estética, de vida”, argumenta o professor Márcio Marangon.</span></h4>
</blockquote>
<p> </p>
<p><span style="font-weight: 400">O professor conta ainda um fato curioso sobre a obra. O imperador Napoleão Bonaparte tinha “Os Sofrimentos do Jovem Werther” como uma distração literária. Ele confessou que havia lido o livro sete vezes e que era seu predileto, inclusive, guardava-o no bolso para as viagens. Porém, isso não mudou sua forma de agir no mundo. Assim, Márcio defende que a obra precisa servir de base para compreender como nossas regras sociais causam pressão sobre nossos jovens, por exemplo.</span></p>
<p> </p>
<h2>O significado do livro de Goethe nos dias de hoje</h2>
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignnone size-large wp-image-6043" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2019/09/goethe-meio-1024x668.jpg" alt="" width="1024" height="668" />A discussão sobre essa obra é centenária, mas está longe do fim. Para o professor Márcio Marangon, “Os Sofrimentos do Jovem Werther” é um livro que contém denúncias que são importantes nos dias de hoje, já que o suicídio segue como um tema tabu e que causa medo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em </span><a href="http://periodicos.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/reveducacao/article/view/4091"><span style="font-weight: 400">artigo</span></a><span style="font-weight: 400"> produzido em conjunto com os professores Miguel Rossetto e Claudio Dalbosco, ambos da Universidade de Passo Fundo (UPF), Márcio abordou o papel do mestre para Goethe e Foucault. O trabalho fez distinção das formas de mestres em obras dos dois autores e apontou, a partir de passagens, como Werther é um personagem carente de bons mestres - sem se restringir aos professores. “Na obra, ele é caracterizado por estar por si só no mundo. Sem amparo, sem cuidado. E este é um fator determinante para o seu desfecho”, conta. </span></p>
<p> </p>
<blockquote>
<h4><span style="font-weight: 400">No contexto atual, o pesquisador acredita que a denúncia da carência de mestres segue forte. </span></h4>
</blockquote>
<p> </p>
<p><span style="font-weight: 400">“Nossos líderes pregam novamente a guerra, o lucro, os números acima de tudo. Nossas escolas priorizam as disciplinas técnicas e até mesmo a música deixou de ser um refúgio estético. É triste e preocupante entender como o “Efeito Werther” continua com suas denúncias mais de cem anos após sua publicação”, reflete o pesquisador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Para além disso, o livro e os acontecimentos que sucederam o lançamento trazem a reflexão sobre a predisposição a alternativas para findar as dores e sofrimentos. “O livro não levou as pessoas a cometerem suicídio. Levou-as a refletir sobre o tema e, então, cada uma expressou sua dor de determinada maneira. Não significa que causou dor, mas sim que permitiu que ela fosse expressada”, argumenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Tanto a obra de Goethe, quanto os casos mais conhecidos relacionados ao tema são fundamentais para a discussão sobre suicídio. Um exemplo é o mítico Clube dos 27, artistas que acabaram com suas vidas aos 27 anos: </span><span style="font-weight: 400">Janis Joplin, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Brian Jones, Kurt Cobain e Amy Winehouse</span><span style="font-weight: 400">. E, por ser importante para a sociedade e bastante sensível, o tema desperta a curiosidade de pesquisadores.  </span></p>
<p> </p>
<h2>Suicídio pode ser evitado com mais espaços de escuta e de fala</h2>
<p><span style="font-weight: 400">Em “</span><a href="https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/9854/SANTOS%2C%20ROBERSON%20ROSA%20DOS.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y"><span style="font-weight: 400">A influência no outro: das escritas do eu ao suicídio de Werther</span></a><span style="font-weight: 400">”, dissertação do psicólogo Roberson Rosa, pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM, a obra de Goethe também se mostra importante para problematizar o suicídio, mesmo que o assunto ainda assuste as pessoas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“O tema é muito provocante. E, em uma cultura como a nossa, na qual sempre pensamos em nos mantermos, em sobrevivermos, o suicídio vem como essa interrupção da vida de modo voluntário, intencional, e isso cria um choque de alguma forma”, conta Roberson.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Entretanto, para o psicólogo, há uma evolução nas compreensões sobre o assunto, já que existem mais discussões e espaços de escuta e de fala. Hoje, as pessoas falam mais sobre saúde mental, como no Setembro Amarelo, mês dedicado à promoção da vida. Para ele, quanto mais existirem espaços que se propõem a explorar o tema, maior será a possibilidade de evitar suicídios. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“Falar é um modo mais interessante de poder tratar as coisas. Podemos usar os meios de expressão para que a gente possa repensar algumas questões”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio causa uma morte a cada 40 segundos no mundo. Logo, segundo a </span><a href="https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=5671:folha-informativa-suicidio&amp;Itemid=839"><span style="font-weight: 400">Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS)</span></a><span style="font-weight: 400">, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), os dados globais apontam que cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, estimativa superior ao número de mortes por malária ou câncer de mama, guerra ou homicídio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Só no Brasil, entre 2007 e 2016, relatórios do Ministério da Saúde mostram que o número de casos de suicídios foi de 106.374. Assim, a taxa geral do país é de 5,3 a cada 100 mil habitantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400"> Logo, o Efeito Werther, apesar de relevante para a discussão e importante para a psicanálise, não pode ser um fator determinante na hora de abordar o tema suicídio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“Os suicídios acontecem todos os dias e nunca têm um motivo único. Então, não podemos dizer que só isso foi o disparador. Uma característica de identificação com algum personagem fictício pode ser somente a ponta do iceberg”, afirma Roberson. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O professor Márcio lembra ainda que as vítimas estão todos os dias em todos os cantos do mundo. Por isso, a oportunidade de expressar a dor que as consome deve existir e não ser evitada. “É como se, por não falarmos todos os dias sobre a fome na África, as pessoas deixarão de sentir fome, ou, por não falarmos da destruição das nossas matas, elas deixarão de ser destruídas”, ressalta Márcio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Portanto, a obra de Goethe pode ser extrapolada e compreendida de diferentes formas. Por exemplo, pode-se dizer que o autor demonstrou, por meio do livro, a necessidade de expor nossas dores, para que as pessoas ao nosso redor possam nos ajudar. Ou, para que a própria exposição nos leve a compreendê-las e superá-las. </span></p>
<p><em><strong>Repórter</strong>: Leandra  Cruber, acadêmica de Jornalismo</em></p>
<p><em><strong>Ilustradora</strong>: Giovana Marion, acadêmica de Desenho Industrial</em></p>
<p><em><strong>Mídias Sociais</strong>: Carla Costa, relações públicas, e Nataly Dandara, acadêmica de Relações Públicas</em></p>
<p><em><strong>Editora de Produção</strong>: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo</em></p>
<p><em><strong>Editor Chefe</strong>: Maurício Dias, jornalista</em></p>
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													</item>
						<item>
				<title>Vamos falar sobre o suicídio?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/vamos-falar-sobre-o-suicidio</link>
				<pubDate>Thu, 21 Sep 2017 21:00:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Extenda]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[psiquiatria]]></category>
		<category><![CDATA[setembro amarelo]]></category>
		<category><![CDATA[suicídio]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=2274</guid>
						<description><![CDATA[Entrevista com o psiquiatra Renato Piltcher elucida questões relacionadas ao suicídio
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">Para além da chegada da primavera, o mês de setembro é iluminado por mais tons de amarelo, afim de trazer à luz um assunto que, para muitos, ainda é tabu: o suicídio. No Brasil, o movimento começou a tomar força em 2014, quando monumentos históricos e praças passaram a receber tons de amarelo e ganhar maior visibilidade da população. Nesse mesmo ano, o Brasil foi considerado o oitavo país do mundo com a maior taxa de suicídios, a partir de um estudo feito pela Organização Mundial da Saúde. O estudo ainda aponta que a cada 40 segundos - o tempo que você vai levar pra ler esse parágrafo, talvez - uma pessoa comete suicídio no mundo.</span>

<span style="font-weight: 400;">Os dados alarmantes servem para reforçar a importância do assunto. Mas como devemos tratá-lo? A melhor saída é ocultar os fatos ou fazer questão de falar sobre isso? É um problema a ser tratado em âmbito familiar ou deve compor também os debates de saúde e segurança pública? Na busca pelo compartilhamento de boas respostas a esses questionamentos, ocorre em Santa Maria o 4º Encontro Regional de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio, uma iniciativa que recebe apoio de diversas entidades santa-marienses que lutam pela causa. </span>

<span style="font-weight: 400;"><img class="alignleft wp-image-2280" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2017/09/UFSM.2017.044.030.RA_.jpg" alt="" width="400" height="267" />Três dias após o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, ocorrido no dia 10 de setembro, a UFSM sediou espaço para palestras e rodas de conversas para tratar do suicídio a partir de vários aspectos: desde o apoio nas crises até um debate aprofundado sobre possíveis abordagens da rede de atenção psicossocial. Em um desses momentos, palestrou o psiquiatra Renato Piltcher, que atualmente trabalha em Porto Alegre.</span>

<span style="font-weight: 400;">Confira a entrevista que a nossa equipe fez com o psiquiatra Renato Piltcher:</span>

<b>Arco: Por que o suicídio ainda é tabu?</b>

<b>Renato Piltcher:</b><span style="font-weight: 400;"> O suicídio é menos tabu atualmente, mas ainda assim o é. Da mesma forma que outros assuntos considerados tabus, ele mexe com questões que nos assustam, às vezes nos excitam, nos deixam com receio, pensando se a gente seria ou não capaz daquilo. O tabu tem relação com a cultura, com aquilo que nós homens escrevemos e construímos. Tabu é aquilo que é secreto, que não pode ser mencionado, é perigoso ou indevido. Outra coisa que colabora para que o suicídio seja tabu é aquele senso comum de que “se falar disso, aí vai fazer as pessoas se suicidarem” – o que, quero deixar bem claro, que é inverdade. Existem, inclusive, religiões que não dão para o suicida o direito de ser enterrado ou receber os mesmos rituais que a morte natural traz. Em algumas legislações, o suicídio é considerado crime. Não bastando a pessoa em desespero atentar contra sua vida, em alguns lugares com pouca sensibilidade, é capaz que algum juiz processe a pessoa pelo que ela fez. O outro motivo é uma espécie de desafio de alguma coisa que ou a religião ou a lei dos homens está a proibir.</span>

<b>Arco: Qual o panorama mundial de faixa etária nos casos de suicídio?</b>

<b>Renato Piltcher: </b><span style="font-weight: 400;">Existem duas faixas de pico para tentativas de suicídio: dos 15 aos 30 anos.  Existem vários fatores que podem explicar maior incidência dos 15 aos 30 anos: as responsabilidades exigidas de um adolescente que entra na fase adulta; há uma incidência de depressão e esquizofrenia pela primeira vez nessa faixa etária; a turbulência da adolescência; o turbilhão de informações da internet. Como é uma época em que as doenças são menos frequentes – não é comum morrer por “mortes” naturais devido a doenças – a representação estatística do suicídio fica muito maior. Tanto que as mortes violentas – seja por suicídio, seja por acidente de carro – são a maior causa de morte dos 15 aos 24 anos. Estima-se que, do ano 2000 para o ano de 2014, houve um incremento próximo a 10% na frequência de morte por suicídio nessa faixa etária. A outra faixa etária de pico de morte por suicídio é na faixa da terceira idade. As pessoas acima dos 70 anos têm, por vezes, condições físicas ou emocionais mais debilitadas. Elas fazem uma tentativa de suicídio, geralmente, por métodos letais como ingestão de medicamentos, enforcamento ou tiro.</span>

<b>Arco: E com relação a gênero? Há alguma diferença entre homens e mulheres?</b>

<b>Renato Piltcher: </b><span style="font-weight: 400;">Exceto no caso da China - onde a maioria de suicídios é cometido por mulheres – todos os países do mundo têm a maior taxa de suicídios cometidos por homens, mesmo sendo as mulheres as que tentem com mais frequência. Se pensa que para cada suicídio exista pelo menos de 10 a 100 tentativas.  É muito mais frequente a tentativa, inclusive, porque dentro de cada um a ambivalência entre “viver” ou “morrer” é enorme; e também porque muitos lugares dificultam o acesso a meios mais violentos. Em lugares onde armas são facilmente alcançadas a pessoa pode, em um momento de impulsividade, agarrar uma arma e, em um segundo, terminar com sua vida. Já em lugares onde o indivíduo é forçado a buscar outro método, isso já pode dar tempo suficiente para despertar a vontade de viver dentro da pessoa ou também para que alguém em torno possa intervir e ajudar. <img class=" wp-image-2283 alignright" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/09/UFSM.2017.044.004.RA_.jpg" alt="" width="488" height="325" /></span>

<b>Arco: Entre os estados brasileiros, o Rio Grande do Sul tem maior incidência de casos de suicídio, e, inclusive, Santa Maria é apontada como uma das cidades com maior índice. A que se deve isso?</b>

<b>Renato Piltcher: </b><span style="font-weight: 400;">Uma explicação é a mesma de por que achamos que na Escandinávia, por exemplo, os casos são mais comuns que no Brasil. Na verdade, isso não quer dizer que haja maior incidência lá, acontece que os casos são mais notificados. Tanto as famílias quanto os profissionais da saúde são mais eficientes em notificar isso e, logo, a estatística sobe. Muitas vezes, o motivo do suicídio é notificado como “acidente” pela família que atravessa fenômenos como “vergonha” após o ocorrido. Já nesses países, as notificações são muito mais verazes. Dentro do Brasil, o Rio Grande do Sul, comparado a outros estados – parte por sua colonização e fortes traços da cultura europeia-, é um lugar onde se notificam casos também com maior veracidade. Outra especulação se refere a áreas indígenas. Os índios sofreram uma aculturação, um dizimar brutal na região sul, e isso pode estar diretamente relacionado a casos de suicídio nessas culturas. Além disso, existem estudos sobre o nível de agrotóxicos na alimentação terem ligação aos casos do suicídio; uma vez que as pessoas ingerem de alguma maneira o agrotóxico, o dano causado no corpo leva anos para ser reduzido. A área fumageira, bastante comum no sul do país, normalmente possui muito agrotóxico e isso pode ser um dos motivos pelos quais as taxas de suicídios são maiores. Além de fatores culturais, se tem também maior acesso aos meios com a questão da caça e o uso das armas de fogo.</span>

<b><img class="alignleft wp-image-2284" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/09/UFSM.2017.044.017.RA-1-300x200.jpg" alt="" width="488" height="325" />Arco: Neste ano, uma questão levada a plebiscito foi a revogação do Estatuto do Desarmamento. Caso aprovada, isso poderia aumentar os números de suicídios no país?</b>

<b>Renato Piltcher: </b><span style="font-weight: 400;">Acho que as políticas públicas deveriam se preocupar mais em facilitar o acesso à “arma do conhecimento”, à escolaridade com liberdade. Isso é uma arma poderosa. Os Estados Unidos, que é um país de “referência” no sentido da busca pela “guerra às drogas” não conseguem melhorar os seus índices, por exemplo. É necessário pensar em outras experiências. Dar arma para a população achando que isso vai reduzir a criminalidade é um equívoco e, além disso, pode dar brechas e “inflamar” momentos de desespero dos indivíduos, tanto nas relações interpessoais como para consigo mesmo. Sem dúvida, portanto, mais armas poderiam estar ligadas a um maior número de suicídios no país.</span>

<b>Arco: Além de ser um problema que deve ser enfrentado por profissionais do ramo da saúde e da segurança pública, o ramo da comunicação também encontra sérios desafios nesse assunto. Como devemos tratar o suicídio?</b>

<b>Renato Piltcher: </b><span style="font-weight: 400;">A mídia tem sim uma importante participação e deve achar um equilíbrio nesse sentido, que deve ser dinâmico. A mídia deve noticiar as coisas sem espetacularizar, deve proporcionar através do seu texto um pouco de reflexão. O que se vê muito hoje é uma espécie de “quem grita mais alto, quem fala a palavra mais horrenda” e isso é muito errado ao tratarmos de um assunto tão delicado como é o suicídio. Deve-se pensar bem no que se faz, abordando com profundidade a questão.</span>

Reportagem e fotos: Tainara Liesenfeld]]></content:encoded>
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