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			<title>Revista Arco - Feed Customizado RSS</title>
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			<description>Jornalismo Científico e Cultural</description>
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	<title>Revista Arco</title>
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				<title>5 ações que podem ser ineficazes contra a Covid-19</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/5-acoes-ineficazes-contra-covid-19</link>
				<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 15:54:49 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Listas]]></category>
		<category><![CDATA[contágio covid-19]]></category>
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						<description><![CDATA[Protocolos contra o vírus transmitem falsa segurança para público por algumas práticas não serem totalmente efetivas
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Em meio aos avanços das pesquisas da comunidade científica internacional, surgem novas confirmações do que é - ou não - eficaz no que se refere a medidas de segurança contra a  Covid-19. Porém, ao contrário do que indicavam os órgãos especializados em saúde e ciência, entidades públicas e parte da população sugeriram uma antecipação de retorno à normalidade, <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-20/governo-gaucho-vai-reabrir-comercio-mesmo-com-hospitais-superlotados-e-fila-por-leito-de-uti.html" target="_blank" rel="noopener">como a flexibilização do comércio</a> nos momentos em que a pandemia atingia altos índices de internados, ou a <a href="https://portal.fiocruz.br/noticia/monitoracovid-19-nota-tecnica-alerta-para-riscos-na-volta-aulas" target="_blank" rel="noopener">volta das aulas presenciais nas escolas</a>. Em forma de convencimento da volta “segura” da população aos afazeres de antes da pandemia, protocolos de enfrentamento à Covid-19 foram apresentados como soluções para o período de flexibilização, mas estes nem sempre são eficazes.</p><p>Para a docente do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM, Liane Beatriz Righi, a falta de coordenação nacional e a priorização da economia em detrimento da crise sanitária por parte do poder público impactou na qualidade do enfrentamento da pandemia: “Grande parcela dos governantes atua com a falsa segurança das extensas listas de condutas, das cores dos mapas, de normas de flexibilização sustentadas em cruzamento de algumas informações. Perdemos a possibilidade de enfrentar a crise sanitária ampliando a autonomia das pessoas”.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/Arte_1458_951-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Iniciou-se, então, o “teatro da pandemia”, expressão utilizada pela socióloga turca Zeynep Tufekci como crítica às ações inúteis da pandemia, segundo o site <a href="https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-02-24/fumigar-calcadas-desinfetar-sapatos-e-outros-atos-inuteis-do-teatro-da-pandemia.html" target="_blank" rel="noopener">El País</a>. Nesse contexto, há uma maior preocupação em demonstrar as medidas de proteção que estão sendo tomadas do que, de fato, explicar como elas são eficazes contra o vírus - porque, justamente, algumas delas não são. </p><p>A problemática que envolve esse tipo de protocolo é o fato de gerar uma falsa sensação de segurança. Eles transmitem a ideia de proteção para o público, ou seja, que naquele local visitado há um controle para a não entrada e disseminação do vírus, mesmo que, na realidade, as chances de contágio em decorrência dos protocolos não diminuam.</p><p>Abaixo, algumas condutas que geram essa falsa sensação de segurança, mas que são - ou podem ser - ineficazes para o controle do coronavírus:</p>		
			<h3>1. Medição de termômetros infravermelhos (e suas práticas no pulso)
</h3>		
		<p>A prática de medir a temperatura com termômetros infravermelhos dos visitantes se tornou obrigatória em estabelecimentos com grande fluxo de pessoas, como shoppings, mercados e lojas. As verificações ocorrem na entrada dos espaços e, teoricamente, apenas poderiam entrar aqueles sem indícios de temperatura corporal acima de 37,8° C. Isso se justifica porque um dos sintomas do novo coronavírus é a febre. Então, se uma pessoa está com a temperatura mais elevada, apresentaria riscos de estar contaminada e disseminar o vírus aos que estão no local. Ou seja, a medida é tomada em prol da segurança dos presentes no estabelecimento. Mas será que ela é efetiva?</p><p>O médico epidemiologista da Vigilância em Saúde de Santa Maria e professor do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM, Marcos Antônio de Oliveira Lobato, relata que uma série de motivos comprovam a ineficácia da prática. O primeiro é que, quando contaminadas, algumas pessoas transmitem o vírus antes dos sintomas da doença - chamadas pré-sintomáticas, que são responsáveis por 45% das transmissões da infecção do coronavírus segundo relato da médica Ana Maria Castro, exposto no site <a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/videos/2021/03/pacientes-assintomaticos-transmitem-o-coronavirus" target="_blank" rel="noopener">Senado Notícia</a>. Além disso, há também os pacientes assintomáticos, que contagiam mesmo que não possuam reações ao vírus, como <a href="https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/06/09/transmissao-por-casos-assintomaticos-esta-ocorrendo-a-questao-e-saber-quanto-diz-oms.ghtml" target="_blank" rel="noopener">confirmado</a> pela Organização Mundial da Saúde desde 2020. Ainda, pessoas com sintomas febris poderiam passar despercebidas pelos aparelhos ao utilizarem medicamentos que regulam a temperatura corporal, o que geralmente ocorre quando se busca amenizar o mal-estar provocado pela reação atípica.</p><p>Então, mesmo com essas exceções, alguém que esteja com febre em decorrência da Covid-19 e não tenha tomado medicamentos para normalizar a temperatura vai ser notificado pelo aparelho, certo? Errado! Há outra questão: o manuseio errado do termômetro infravermelho. Segundo o professor Lobato, embora haja exceções, esses aparelhos são preparados para realizar a medição na testa das pessoas e, atualmente, na maioria dos locais a ação é efetuada pelo pulso - processo muito intensificado após a disseminação de notícias falsas sobre <a href="https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/imprensa/noticias/termometro-infravermelho-causa-danos-ao-cerebro-anvisa-diz-que-nao/" target="_blank" rel="noopener">o aparelho causar danos ao cérebro</a>: “Se um aparelho foi projetado para medir na testa, ele não vai captar a temperatura adequada no pulso. Estudos mostram que a variação pode aumentar em um grau conforme o local que for aferido. É a diferença de 36° C para 37° C, ou 37° C para 38° C. É exatamente entre dizer se está ou não está com febre”.</p><p>Ou seja, essa utilização não agrega no controle da pandemia, já que a maioria dos casos de pessoas com Covid-19 não serão notificadas pelo aparelho e, portanto, poderão circular normalmente pelos locais, transmitindo o vírus.</p>		
			<h2>2. Higiene excessiva e fumigação de espaços públicos</h2>		
		<p>Outra prática que não garante eficácia contra a Covid-19 é a higiene excessiva de superfícies, bem como a fumigação de espaços. O professor Lobato explica que essas ações só fazem diferença se realizadas em locais onde haja grande circulação de coronavírus, como em alas de Covid-19 nos serviços de saúde: “As chances de o vírus estar em uma superfície e ser transmitida é muito baixa. Dependendo do local, ele perde sua capacidade de infecção em poucas horas”. No mesmo sentido, uma pesquisa europeia da cientista Teresa Moreno, do Instituto de Avaliação Ambiental e Pesquisa Hídrica, referenciada em matéria já mencionada do El País, encontrou fragmentos do vírus em superfícies do metrô e dos ônibus de Barcelona, mas estes não tinham capacidade de contágio.</p><p>Outra prática não mais entendida como eficaz é a higiene excessiva de objetos, como compras, embalagens, etc. Segundo o site <a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/02/pesquisadores-americanos-afirmam-que-transmissao-de-coronavirus-por-embalagens-e-alimentos-e-muito-improvavel-cklgljsm2001301fck6ylvnss.html" target="_blank" rel="noopener">GZH</a>, um comunicado feito pela instituição americana Administração de Alimentos e Medicamentos e pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos ressaltou que as chances de contágio por Covid-19 em alimentos e suas embalagens também são mínimas. O professor Lobato ressalta que a prática não necessita mais de tamanha atenção no que tange a Covid-19, mas que a limpeza de frutas, verduras e embalagens sempre foi recomendada para evitar doenças causadas por bactérias e protozoários, por exemplo.</p><p>Entretanto, para os que preferem dar continuidade com a prática em decorrência da Covid-19, é preferível que uma atenção maior seja dada apenas a partes manuseadas dos objetos, como a alça das sacolas de compras, por exemplo. É importante também que, ao praticar essas ações, esteja-se atento ao principal problema que elas acarretam: em meio a tantas informações sobre a doença, outras condutas já comprovadas mais eficazes podem perder o destaque que deveriam ter - como uso de máscaras e de álcool em gel. Se essas ações não forem priorizadas, novamente, pode-se gerar uma falsa sensação de segurança e aumento da circulação do vírus.</p>		
			<h3>3. Utilizar a máscara apenas em locais movimentados</h3>		
		<p>Uma situação bem comum praticada pelas pessoas é a retirada da máscara do rosto quando estão sozinhas em locais públicos, como banheiros, elevadores, provadores. Isso acontece pela falsa ideia de que o vírus é um risco apenas através do contato com pessoas contaminadas. Na realidade, ele também circula pelo ar e pode contaminar mesmo quem está sozinho em locais fechados. O professor Lobato explica que, quando o lugar é pequeno e tem pouca circulação de ar, basta que uma pessoa infectada entre e deixe partículas do vírus no local para que a outra, assim que adentrar e retirar a máscara, contamine-se por aquele mesmo ar com gotículas expirado pela pessoa contaminada. É diferente, entretanto, de se estar em locais abertos, em que o ar circula intensamente, onde as chances de contágio ao tirar a máscara são menores. </p><p>Deve-se atentar ao cenário em que se está: se o local é fechado, com baixa circulação de ar e baixa ventilação - mesmo que em um estabelecimento grande - ao tirar a máscara, as chances de contaminação não diminuem por não haver ninguém por perto, justamente porque o vírus já pode estar no ar:  “O vírus é carregado pelo ar e ele permanece nos ambientes no ar. É assim que a gente se contamina”, ressalta o pesquisador. Então, o recomendável é que não se tire a máscara quando sair de casa, mesmo que se esteja isolado.</p>		
			<h3>4. Fazer o uso da máscara sem uma higienização correta</h3>		
		<p>Pode-se pensar, então, que ao utilizar a máscara se está necessariamente protegido de contrair o vírus. Porém, mesmo que as máscaras sejam usadas para uma saída rápida, se não forem cuidadas de maneira correta, elas se tornam ineficazes para a proteção. Ainda de acordo com o professor Lobato, a utilização de uma mesma máscara diariamente e mal cuidada resulta em uma falsa sensação de segurança contra o vírus, porque estas precisam de medidas específicas de higienização para estarem ativas na proteção. O recomendado é ter várias máscaras, e as intercalar conforme ficam higienizadas.</p><p>Cada tipo de máscara possui cuidados específicos, mas, no geral, máscaras de tecido não podem estar úmidas ou sujas, nem serem guardadas para reuso sem a higienização com água e sabão, porque elas perdem a eficácia de filtragem das gotículas. Da mesma forma, máscaras como a <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/mascara-pff2-mais-eficaz-coronavirus/" target="_blank" rel="noopener">PFF2 e KN95/N95</a>, que possuem um tipo diferente de filtragem, não podem ser utilizadas e guardadas em ambientes fechados - elas precisam de circulação de ar e seguimento das instruções do fabricante. Ainda, máscaras descartáveis não podem em nenhuma hipótese serem utilizadas mais de uma vez. Além da ineficácia, o site <a href="https://www.em.com.br/app/noticia/bem-viver/2020/12/11/interna_bem_viver,1219630/alem-da-perda-de-eficacia-uso-de-mascaras-sem-lavar-pode-causar-doencas.shtml" target="_blank" rel="noopener">Estado de Minas</a> alerta que o mal uso pode causar outros problemas de saúde, como infecções respiratórias, dermatites e halitose.</p><p>Essas ações mal executadas levam a outro cenário, explicado pela professora Liane Righi: o uso de máscaras, embora necessário e eficaz, não garante total segurança à população, porque as pessoas se prendem na obrigatoriedade do uso e não entendem por que é necessário o uso e a higienização adequados. Logo, não os fazem. Além disso, há pouco esforço por entes governamentais em explicar tais questões à sociedade. “A vendedora da loja sem ventilação que retira a máscara para falar alto e ser ouvida pelo colega não conseguiu entender o mecanismo da transmissão. Neste contexto, o uso da máscara é mais uma encenação, um cumprimento de regras para os outros”, exemplifica. Assim, estar em um estabelecimento onde a entrada cobra o uso obrigatório de máscaras não garante seguridade contra o vírus, já que a má utilização representa mais um item do teatro da pandemia. </p>		
			<h3>5. Acreditar que o que os outros fazem não te afeta</h3>		
		<p>A última questão é em relação ao enfrentamento social diante da pandemia. Infelizmente, as ações não são totalmente eficazes se cumpridas por apenas parte da população. Aqueles que seguem os protocolos garantidos pelas organizações de saúde e especialistas, se informam e contribuem em prol do fim da pandemia, não estarão seguros enquanto a outra parte da sociedade optar por ignorar as recomendações do momento atual. Máscaras, isolamento social e álcool em gel são medidas eficazes apenas se aplicadas corretamente, e atos irresponsáveis de outras pessoas (talvez contaminadas) colaboram para a diminuição da proteção.&nbsp;</p>
<p>A professora Righi explica os motivos pelos quais as ações dos outros em uma pandemia também prejudica a saúde coletiva: “Precisamos pensar em redes, itinerários, desenhar trajetos. A pessoa que está na sala de aula usa o transporte e/ou está em contato com quem usa o transporte e que está em outra sala ou escola. Alguém da família trabalha em uma loja, entra em contato com muitas pessoas em ambiente sem ventilação”.&nbsp;</p>
<p>Quando se trata da responsabilidade social no enfrentamento do vírus, todo cuidado é pouco. Porém, algumas ações podem gerar uma falsa sensação de segurança perigosa visto que ainda estamos em um contexto pandêmico.&nbsp; Os protocolos precisam ser seguidos e as informações comprovadas por especialistas precisam seguir sendo disseminadas por entes públicos e pela mídia.&nbsp;</p><section data-id="ddb6ea9" data-element_type="section"><p><strong><i>Expediente</i></strong></p><p><strong><i>Repórter: </i></strong><i>Paula Appolinario, acadêmica de Jornalismo e voluntária</i></p><p><i><strong>Ilustrador:</strong> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário</i></p><p><strong><i>Mídia Social:</i></strong> <i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária</i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p></section>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Me vacinei, e agora?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/me-vacinei-e-agora</link>
				<pubDate>Wed, 27 Oct 2021 12:28:52 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
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		<category><![CDATA[vacina covid-19]]></category>

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						<description><![CDATA[Arco responde questões sobre a imunização e o futuro da pandemia]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Posicionado em quarto lugar no ranking entre países que mais aplicaram doses no mundo, o Brasil já conta com mais de 153 milhões de pessoas vacinadas pelo menos parcialmente contra Covid-19. Isso representa 71% da população brasileira, segundo dados desta terça-feira (26/10) do <a href="https://especiais.g1.globo.com/bemestar/vacina/2021/mapa-brasil-vacina-covid/" target="_blank" rel="noopener">Mapa de Vacinação contra Covid-19 no Brasil</a>, do G1 – o qual é baseado em informações do Consórcio de Veículos de Imprensa, com dados retirados de secretarias estaduais de saúde. Quando se trata de imunização completa, 52% da população já tomou as duas doses ou a dose única da vacina. Essas progressões colocam o Brasil em 62º lugar no ranking mundial referente à classificação proporcional, ou seja, considerando a quantidade de doses aplicadas em relação à população total de um país, segundo a <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/painel-da-vacina-brasil-esta-em-62-no-ranking-global-e-e-4o-no-total-de-doses/" target="_blank" rel="noopener">Agência CNN</a>.</p><p>Apesar dos avanços nas campanhas de vacinação e da consequente maior flexibilização das medidas de segurança em diversos estados brasileiros, muitas dúvidas permanecem sobre o contexto atual e o futuro da pandemia. Transmissão pós-vacina, passaporte vacinal, vacinação de crianças, dose de reforço, fim da pandemia: a <b>Arco</b> conversou com o professor do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM, Marcos Antônio Lobato, para tirar essas dúvidas.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/10/Vacinei_Opcao-1-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
			<h3>Transmissão pós-vacina</h3>		
		<p>Após a vacinação, seguimos transmitindo? Segundo Lobato, a resposta é sim: “São poucas as vacinas que conseguem nos impedir de transmitir. Por exemplo, a vacina da gripe não nos impede totalmente de contrair ou transmitir a doença. Isso já conhecido na ciência: não é sim ou não, não é branco ou preto. O fato de não haver essa certeza acontece por um motivo semelhante ao de algumas pessoas conseguirem resistir ao vírus, ou transmitirem menos, ou mal adoecerem: porque depende da resposta imune de cada pessoa. Mas, quando temos uma exposição à vacina, isso gera uma resposta imune melhor. <strong>O que acontece é que pessoas vacinadas, quando contaminadas, pela memória imunológica recorrente da imunização, têm uma resposta mais rápida ao vírus. Mas existe a possibilidade de nunca deixarmos de transmitir.</strong> Na verdade, é essa a expectativa da maioria dos cientistas do mundo e da própria OMS [Organização Mundial de Saúde].”</p>		
			<h3>Vacina x imunidade natural</h3>		
		<p>A imunidade natural se refere à que é construída a partir de uma contaminação prévia. No caso do coronavírus, ela era usada como uma justificativa para negacionistas da vacina relativizarem as campanhas e promoverem que a “imunidade de rebanho” só seria atingida a partir de uma infecção em massa. Porém, segundo<a href="https://www.cdc.gov/mmwr/volumes/70/wr/mm7032e1.htm"> estudo</a>&nbsp;norte-americano publicado no CDC (Center for Desease, Control and Prevention), a possibilidade de uma reinfecção do vírus em casos de não vacinados é duas vezes maior do que entre as pessoas totalmente imunizadas pela vacina.&nbsp;</p>
<p>Lobato explica: “O vírus precisa entrar no nosso corpo para manter a sobrevivência da espécie dele, e nós precisamos evitar que ele nos cause mal. É uma briga. Quem tem as melhores estratégias sobrevive. Os vírus têm essas estratégias envolvidas em enganar o nosso sistema imunológico, mas as vacinas são desenvolvidas estrategicamente para evitar isso.<strong> Os desenvolvedores das vacinas procuram características que possam estimular a nossa imunidade de maneira melhor, para [caso haja uma contaminação] provocar mais resposta imune. Por isso, quem é vacinado tem</strong> <strong>menos chance de ter a doença e de ‘repetir’ a doença, em comparação a quem não é vacinado</strong>, e tem o que chamamos de “imunidade natural”, por já ter contraído a doença. E daí, de onde vem a imunidade rebanho? Não vem. A imunidade natural com esse vírus não funcionou, se não o grande experimento natural da história do Brasil, que foi <a href="https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2021/01/16/pandemia-em-manaus-comparativo-entre-primeiro-e-segundo-surtos-de-covid-19-mostra-situacao-alarmante.ghtml">Manaus</a>, não teria acontecido.</p>
<p>Vamos imaginar que temos um sistema de vigilância para detectar [o vírus]. A ‘arma de defesa’ é a mesma, mas, com a vacina, colocamos mais um ‘sensor’ – e, assim, a resposta é mais rápida.”</p>		
			<h3>Vacinação de crianças</h3>		
		<p>No Brasil, a vacinação de crianças menores de 12 anos ainda não foi permitida – como em alguns países como China e Chile. Lobato comenta:  “A regra geral é que, primeiro, testamos as vacinas em adultos, depois em idosos e, depois disso tudo, aplicamos nas crianças. <strong>Mas temos que ponderar o risco-benefício: com a Covid-19, nós descobrimos que as crianças têm muito menos probabilidade de adoecer gravemente do que todos os outros grupos etários. Isso nos dá mais tempo, eticamente falando, de estudar mais os efeitos possíveis nas crianças antes de aplicar em massa.</strong> O que não era o caso dos idosos: nós tivemos que ofertar antes, porque eles eram o grupo mais frágil, então a chance de ter danos colaterais, o risco disso, era compensado pelo benefício potencial.</p><p>E tivemos êxito, porque mesmo tendo menos pesquisas do que seria o ideal, as respostas foram boas entre os idosos - isso levando em conta a experiência que já tínhamos com outras vacinas. Não somos novatos nesse aspecto.”</p>		
			<h3>Passaporte Vacinal</h3>		
		<p>A implementação da exigência do<a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2021/10/passaporte-vacinal-comeca-a-ser-exigido-no-rs-com-promessa-de-combater-abstencao-de-750-mil-gauchos-ckux7qaxf007d017fz7g01a8u.html"> passaporte vacinal</a> na entrada de algumas atividades de lazer e estabelecimentos no Rio Grande do Sul aconteceu no início de outubro. Mas será que essa medida, que já havia sido adotada em outros estados, como em<a href="https://www.capital.sp.gov.br/noticia/passaporte-da-vacina-sera-solicitado-para-acesso-a-eventos-a-partir-desta-quarta-feira-em-sao-paulo"> São Paulo</a>, tem eficácia assegurada quando se trata de reduzir os riscos da flexibilização de tais atividades?</p><p>Nesse sentido, Lobato explica: “Existe uma certa controvérsia em relação a isso, mas, por princípio, o uso do passaporte vacinal faz todo o sentido. Se pensa assim: ‘qual é o objetivo de fazer a vacinação?’, é que toda a população se vacine e isso garanta que todo o espaço que frequentamos esteja mais protegido. Isso porque as pessoas irão contrair e transmitir menos, assim como ter menos probabilidade de adoecer - e estaremos protegidos contra o adoecimento grave e a morte. Se estamos entre um grupo que não está totalmente vacinado, teremos mais pessoas doentes circulando - mesmo entre as vacinadas -, carregando uma carga viral maior, e mais pessoas com chance de adoecer gravemente. </p><p>Então, separar esses grupos e dizer que quem é vacinado tem mais liberdade de circular ou pode acessar espaços mais confinados, como teatros e cinemas, faz sentido. <strong>É como se a gente criasse artificialmente uma comunidade 100% coberta pela vacina. De certa forma, também estimula a vacinação para poder participar.</strong> É como todo mundo andar com cinto de segurança nos carros: eu estou me protegendo, mas estou protegendo o outro também.</p><p>Mas, ainda assim, tem que haver alguns cuidados, como todo mundo estar de máscara e o ambiente estar com muita ventilação.  Do ponto de vista coletivo, já tivemos muitas flexibilizações. Isso aconteceu porque tem mais gente vacinada. Parar o uso da máscara é o último passo, quando já tivermos o que chamamos de imunidade coletiva.  Isso significa que a pessoa que não está protegida, ao estar no meio de outras vacinadas, conta com uma barreira de proteção, que impede que essa pessoa tenha contato com outros não vacinados. Esse é um dos princípios da vacinação que gera imunidade coletiva. Não há a necessidade de se ter 100% de cobertura da população para isso.  Nos fenômenos de epidemia de transmissão que são com doenças como Covid-19 - doenças de transmissão ampla -, quando não conseguimos identificar exatamente quem transmitiu primeiro, precisamos manter alguns tipos de cuidado até atingirmos uma boa cobertura plena de vacinação em toda a população, pensando coletivamente.” </p>		
			<h3>Dose de reforço</h3>		
		<p>A aplicação das<a href="https://estado.rs.gov.br/distribuicao-de-doses-de-reforco-de-vacina-para-profissionais-da-saude-e-pessoas-acima-de-60-anos-comeca-na-proxima-semana"> doses de reforço</a> em idosos e profissionais da saúde já é uma realidade no Brasil. Mas será que, no futuro, ela será aplicada em toda a população? Lobato diz que: “É provável, eu não tenho certeza disso ainda. Com mais certeza, mais evidências, os idosos e as pessoas com algum comprometimento da imunidade têm de receber. Mas, daí, o princípio é outro: a resposta imunológica dessas pessoas à vacina é menor do que das pessoas que têm imunidade plena - jovens, pessoas que não tomam medicamentos que diminuem a imunidade. E o reforço entre pessoas que têm imunidade plena e que são trabalhadores da saúde é justificado porque a exposição ao vírus no ambiente de trabalho ainda é muito grande, mesmo que não seja tão alta como antes. Então faz sentido o reforço para trabalhadores de saúde. E depois, é possível que sim, o resto da população toda. Mas isso não está confirmado, porque tem uma coisa para se ponderar, que é: <strong>não é melhor termos todos, no mundo todo, vacinados do que algumas pessoas com três doses?</strong> Inclusive tem um questionamento, até da OMS, de estarmos pensando na terceira dose enquanto há alguns países que não conseguiram vacinar nem 10% de sua população. E isso nos deixa em risco: entre essa população que não foi vacinada, onde o vírus ‘original’ ainda circula, pode surgir uma nova variante, inclusive que seja resistente às vacinas – que hoje estão nos protegendo. Isso é uma discussão de saúde global. Pandemias são coletivas, as decisões têm que ser coletivas.”</p>		
			<h3>O fim de pandemia</h3>		
		<p>Em relação ao fim da pandemia, Lobato ressalta: “A classificação de pandemia é feita pela Organização Mundial da Saúde. É a OMS que vai declarar o fim da pandemia. Existem parâmetros técnicos para isso: quando tivermos uma estabilidade e uma queda importante do número de casos, quando chegarmos perto do fim da transmissão, quando tivermos algo que é chamado um estado endêmico. A pandemia é um estado epidêmico, que significa que os casos continuam crescendo ao longo do tempo e que, se liberamos o comportamento para uma normalidade, eles irão aumentar - então temos que estar controlando. <strong> A pandemia terminará quando nós chegarmos em uma dimensão de casos leves, graves e número de óbitos que seja estável, mas não existe um parâmetro de quantidade certo, ainda precisamos de um tempo para entender isso.</strong> Podemos projetar: se chegamos nos números de agora com cerca de 50% das pessoas com as duas doses, então devemos esperar ter um número muito melhor quando estivermos perto de 100% das doses”.</p><section data-id="ddb6ea9" data-element_type="section"><p><strong><i>Expediente</i></strong></p><p><strong><i>Repórter: </i></strong><i>Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Ilustrador:</strong> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista<br /></i></p><p><b><i>Mídia Social: </i></b><i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária<br /></i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p></section>]]></content:encoded>
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