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Humanidades para além das fronteiras



Cátedra Unesco na UFSM busca estreitar laços com universidades internacionais

O ser humano é, por natureza, um ser migrante. Acredita-se que o Homo Erectus, antecessor do Homo Sapiens, costumava migrar em bandos pelos diversos territórios hoje conhecidos como parte do continente africano. Milênio após milênio, manteve-se o desejo humano de buscar melhores condições de vida. No intuito de desvendar o complexo processo das migrações humanas, a Universidade Federal de Santa Maria passa a abrigar a Cátedra de Fronteiras e Migrações da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), instituída e oficializada em março de 2019 no Programa de Pós-Graduação em História (PPGH).

O assunto traz diversas possibilidades de estudo. “Fronteiras e Migrações é um tema que vem desde a pré-história e perpassa toda a América do Sul. Mas ele também diz respeito à atualidade, em entender como o mundo reage diante disso”, comenta o coordenador da Cátedra e professor do PPGH, André Luis Ramos Soares. Além disso, falar do assunto em Santa Maria significa resgatar a história da povoação do estado do Rio Grande do Sul, constituído a partir das migrações e da influência da América Platina, da qual é vizinho. Deste ponto de vista, a UFSM está localizada em uma região estratégica. No entanto, muito mais do que a questão geográfica, as próprias pesquisas realizadas sobre o assunto já chamavam a atenção dos estudiosos da área de fora do país. 

A aprovação da Cátedra foi recebida em dezembro de 2018 e o tema veio ao encontro das produções já em andamento no PPGH. “Além de ser a linha de pesquisa do Programa, o tema ‘fronteiras e migrações’ também dá base para nossa rede no Comitê da AUGM [Associação de Universidades Grupo Montevidéu], visto pelos demais agentes como um local e um grupo de referência na produção que trabalha o assunto”, comenta a professora e vice-coordenadora da Cátedra, Maria Medianeira Padoin.

Desde 2003, a UFSM faz parte do Comitê História, Regiões e Fronteiras da AUGM, sendo representada neste pela professora Maria Medianeira Padoin. Cerca de 18 universidades integram o grupo, que realiza intercâmbios de docentes e discentes, orientações e co-orientações de teses, publicações, minicursos, entre outros. “Os vínculos e a experiência da UFSM integrando a AUGM serviram de base para que o PPGH apresentasse a proposta de criação da Cátedra Unesco, procurando consolidar as ações na área das Humanidades”, afirma Maria Medianeira.  

Em 2016, a UFSM realizou o I Congresso Internacional de História, também lançado pelo PPGH, o que foi um salto para a internacionalização de suas pesquisas. Diversos palestrantes de países europeus e latino-americanos estiveram presentes. Um dos participantes era Luíz Oosterbeek, professor do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), em Portugal, e secretário do Conselho Internacional de Filosofia e Ciências Humanas da Unesco. 

Os professores do PPGH da UFSM já conheciam Luiz de outros encontros internacionais, mas foi durante o Congresso, na UFSM, que começou de fato a articulação para a criação de uma Cátedra em Humanidades. “Fomos incentivados ainda mais nesse momento em que a área de maneira global está num processo de descrédito”, comenta o professor André Luis.

O que é uma Cátedra?

Diversas entidades têm a iniciativa de instituir cátedras no ensino superior. A Unesco é um exemplo. Seu programa de cátedras foi criado há 27 anos e hoje envolve mais de 700 instituições ao redor do mundo. Se contarmos apenas o território brasileiro, já são 29 cátedras. Esses grupos tem como objetivo “a capacitação por meio da troca de conhecimentos e do espírito de solidariedade estabelecido entre os países em desenvolvimento”, segundo definição da própria entidade. Para isso, há atividades dentro de um eixo temático central, como seminários, disciplinas, cursos e grupos de pesquisa. A cátedra reúne pesquisadores com temas em comum, que podem ou não ser de diferentes áreas ou cursos de atuação. No caso da Cátedra Fronteiras e Migrações, existe a possibilidade de professores de outras áreas aderirem. Assim, centraliza-se um conhecimento antes disperso para que novas produções e ideias surjam em conjunto.

O que muda com a criação da Cátedra?

No momento de submeter a proposta de Cátedra para a Unesco, os professores fizeram um planejamento para dois anos. Boa parte dele consistia em ampliar as ações já realizadas pelo PPGH da UFSM. “A diferença é que agora tem um alcance maior, e isso vai nos permitir angariar outros fundos, inclusive por meio de editais internacionais. Mas o objetivo segue o mesmo: fazer discussão acadêmica para tentar resolver problemas pontuais”, reitera André Luis. Além disso, a ampliação torna possível a produção conjunta com parceiros internacionais, assim como a proposição de projetos em editais de órgãos do exterior. 

A ação tem como foco a pesquisa e o estudo dos processos migratórios, mas os coordenadores destacam que isso não significa que ações mais práticas, como as de extensão, não possam acontecer. Um exemplo é a iniciativa de criação do Geoparque da UFSM, na região da Quarta Colônia. 

Em março de 2019, professores vinculados à Cátedra, juntamente com o reitor da UFSM, Paulo Afonso Burmann, estiveram presentes no IV Seminário Internacional Apheleia, na cidade de Mação, Portugal. No evento foram apresentadas futuras ações a serem desenvolvidas e foi firmado o contrato entre a UFSM e o IPT para a cooperação formal entre as cátedras de Fronteiras e Migrações e a de Gestão Integrada do Território. 

A Cátedra Unesco Fronteiras e Migrações iniciou oficialmente seus trabalhos na UFSM em novembro de 2019.

Parcerias

Para ampliar a produção de conhecimento a partir da Cátedra, a UFSM estabeleceu parcerias com diversas universidades de fora do país: o Instituto Politécnico de Tomar, em Portugal; a Universidade de Extremadura, na Espanha; a Universidad de La República, no Uruguai; na Argentina, a  Universidad Nacional de Mar del Plata, a Universidad Nacional de La Plata e a Universidad Nacional do Litoral; a Universidad de San Andrés, na Bolívia; e no Brasil, a Universidade Federal de Minas Gerais.

 

Expediente

Repórter: Taísa Medeiros, acadêmica de Jornalismo

Ilustradora: Yasmin Faccin, acadêmica de Desenho Industrial

 *Texto produzido em 2019 e publicado originalmente em inglês na edição internacional da revista Arco, lançada em 2020.


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