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Ilustração horizontal colorida inspirada no quadro Última Ceia. No lugar dos apóstolos, personagens relacionadas à cerveja, como a mulher assíria, os antigos egípcios, uma freira, um cientista e um lorde.

Seja em casa ou no bar com os amigos, a cerveja está presente em diversas ocasiões. Mas você sabia que a bebida alcoólica mais consumida no mundo surgiu na mesma época da invenção da roda?

Descoberta

A cerveja surgiu por acaso há 6 mil anos. Na época, as sumérias – povo que habitava a região do Iraque – cuidavam da colheita do trigo. Um dia esqueceram sementes na chuva. O insumo molhado germinou e deu início à malteação, processo em que são produzidas enzimas para a fabricação da cerveja.

 

Pagamento

No Antigo Egito, o consumo da cerveja estava na base alimentar da população. Além da receita tradicional, os egípcios adicionavam especiarias à bebida, como ervas, mel, raízes e frutas, usadas como aromatizantes. Durante a construção das pirâmides de Gizé, os trabalhadores eram pagos com comida e bebida.

 

Alucinação

Os babilônios adicionavam ervas alucinógenas e afrodisíacas à cerveja, considerada sagrada por conta da fermentação espontânea e efeitos alcoólicos. A bebida era usada em cultos religiosos como forma de aproximação entre os humanos e as divindades. Além disso, o consumo estava ligado ao ato sexual. 

 

Líquido sagrado

Na Idade Média, monges faziam cerveja. O consumo ocorria nos jejuns – quando líquidos sem excesso de álcool eram tolerados. Naquela época, o lúpulo foi adicionado pela primeira vez à bebida. A responsável foi a monja Hildegarda de Bingen, autora de livro que apresentou a planta como conservante.

 

Primeira pilsen

Até a Idade Contemporânea, a cerveja não tinha padrão de qualidade. Em 1842, a cervejaria Bürger Brauerei, de Plzen, na República Tcheca, contratou Josef Groll como mestre-cervejeiro. Ao usar água com poucos minerais do subsolo da cidade e lúpulo da variedade saaz, Groll criou Pilsner Urquell.

 

É ciência

A fermentação da cerveja só foi compreendida na década de 1860 por Louis Pasteur. O professor universitário descobriu, com o uso do microscópio, as leveduras, microorganismos responsáveis pelo fenômeno químico. Ele também desenvolveu a pasteurização, técnica de esterilização a partir do aquecimento a 48°C. 

 

Refrigeração

No final do século XIX, a indústria cervejeira se consolidou, impulsionada pela criação da refrigeração artificial pelo alemão Carl Von Linde. A inovação permitiu que a bebida fosse produzida em qualquer época do ano e em qualquer região do mundo. Von Linde também revolucionou a produção da bebida tipo Lager.

 

Latinha de flandres

Em 1935, a cervejaria Gottfried Krueger Brewing apresentou as primeiras 2 mil latas da bebida à população de Richmond, Virgínia. Os recipientes eram de flandres, liga de ferro, aço e estanho.  Os consumidores reclamavam do gosto. A latinha de alumínio surgiu em 1959, com pesquisas da Adolph Coors Company.

 

Bebida saudável 

Já pensou se a cerveja fosse benéfica para a saúde? A pesquisadora Clarissa Obem testou o poder antioxidante da erva-mate na fabricação da gelada. A bebida, com cor e aroma diferenciados, ajuda a neutralizar o envelhecimento das células. A pesquisa foi feita no mestrado em Ciência e Tecnologia dos Alimentos.

 

Redução de custo

No doutorado, Clarissa estuda como usar madeira brasileira na maturação da cerveja – fermentação em baixa temperatura. Em conjunto com o Laboratório de Química da Madeira, a pesquisadora selecionou árvores, como angico e  pitangueira – mais acessíveis que o carvalho, proveniente do exterior.

 

Ale e lager

Existem duas grandes famílias de cerveja: Ale e Lager. Antes da refrigeração, a maior parte era Ale – fermentada em temperaturas acima de 15°C. Após, as do tipo Lager – fermentadas em temperaturas que variam de 6°C a 13°C passaram a ser produzidas em massa ao redor do mundo. 

 

Ao redor do mundo

Cada região faz a bebida conforme ingredientes locais. Na Amazônia, tribos produzem o caxiri, cerveja de mandioca. No Peru e na Bolívia, é feita a chicha, que leva milho mastigado. Na China, adiciona-se de trigo e sorgo. Na Rússia, o centeio, e no Japão, o arroz. 

Reportagem: Paulo Ferraz

Diagramação: Pollyana Santoro e Yasmin Faccin

Ilustração: Yasmin Faccin

Edição: Maurício Dias

Revisão: Alcione Bidionoto

*Matéria publicada na 11ª edição da revista impressa.

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