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Gordura que limpa

Já pensou em produzir sabão à base de óleo reutilizado? Essa prática pode ser mais comum do que você imagina



Seja para limpar a casa, para lavar a louça ou para tomar banho, o sabão está presente há muitos anos no dia a dia das pessoas. Neri Paniz, professor do Centro de Ciências Naturais e Exatas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), explica que a produção de sabão é uma das reações químicas mais antigas existentes no mundo. Sua fórmula foi descoberta por acaso, quando civilizações remotas  misturavam gordura com outras substâncias reagentes.

O processo para fazer sabão obedece uma regra básica: uma reação entre um ácido graxo (gorduras e óleos de origem vegetal ou animal) com um material alcalino – de caráter básico, como a soda cáustica. O óleo de soja, utilizado na cozinha, é um exemplo de ácido graxo que pode ser reutilizado para a fabricação de sabão. Essa forma de reutilização também contribui com o meio ambiente. Se não for descartado corretamente, o óleo pode entupir tubulações e poluir a água. Isso ocorre porque o óleo de cozinha é uma mistura de substâncias que não se dissolvem na água. Ele é apolar, e a água, polar, o que significa que são substâncias opostas. Assim, sempre que essa gordura entra em contato com a água, eles ficam separados em virtude da diferença de densidade. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), os brasileiros descartam, na natureza, cerca de um bilhão de litros de óleo de forma incorreta.

Como o óleo se transforma em sabão?

De acordo com Neri, todos os triglicerídeos podem ser utilizados para produzir sabão. Isso significa que, além do óleo de cozinha, outras gorduras – como a animal, também podem ser aproveitadas. Segundo o docente, a banha do porco, do boi e do carneiro constituem a segunda matéria-prima mais utilizada. A mistura do óleo vegetal e da gordura animal é recomendada para produzir um sabão consistente. Antes de iniciar a produção, é importante lembrar de colocar os óculos de proteção, as luvas e a máscara para tornar o processo mais seguro. O professor Neri lembra que a soda cáustica deve ser manuseada com cuidado, uma vez que ela é altamente corrosiva.

Na prática, durante a produção do sabão acontece um processo chamado saponificação direta da gordura. Para que isso ocorra, primeiro é necessário hidrolisar a gordura, ou seja, quebrar as moléculas, por isso o óleo é misturado com a soda cáustica. Com essa ação, ocorre de forma natural a separação do glicerol e de um material que está pronto para virar sabão. Isso é possível porque uma parte da molécula de gordura reage com o hidróxido de sódio (soda cáustica), que quebra e forma outra molécula.

A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem alguns projetos que realizam coleta de óleo para a reutilização. Um deles é feito pelo Observatório de Direitos Humanos da UFSM, em parceria com a Penitenciária Estadual de Santa Maria (Pesm) e a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). O projeto é realizado desde 2016. Em junho deste ano, o projeto fez uma ação de coleta do óleo em alguns pontos da cidade, como o Shopping Royal. O óleo arrecadado foi enviado ao presídio, onde apenados fazem a produção de sabão. Segundo Victor De Carli Lopes, responsável pelo Observatório, esse convênio foi pensado para levar ações de extensão às penitenciárias, e os presos também receberam oficinas que ensinavam como produzir o sabão. Ele destaca que campanhas como essa são uma forma de pensar na ressocialização dos apenados e de mobilizar a comunidade e os acadêmicos para os cuidados com o meio ambiente. A cada garrafa de óleo doada para a campanha, o doador recebe uma barra de sabão. Segundo Victor, mais edições da campanha serão realizadas em breve.

Outro projeto de arrecadação de óleo é feito pelo Comitê Ambiental da UFSM, que instalou pontos de coleta na Casa do Estudante Universitário (CEU). Atualmente, o órgão planeja oficinas para ensinar a produzir sabão com o óleo recolhido.

A reutilização do óleo de cozinha como matéria-prima para a produção de sabão é uma alternativa de descarte correto desse material. Além de diminuir a poluição da natureza e de contribuir para a educação ambiental, fabricar o próprio sabão e explorar a criatividade é vista como uma atividade prazerosa e que pode ser transformada, inclusive, em tradição familiar. O costume de fazer sabão caseiro, principalmente em cidades interioranas, passa de pai para filho. Tradicionalmente, as famílias desenvolvem sua própria receita de sabão, e a transmitem às gerações seguintes. 

Expediente:

Reportagem: Tayline Alves Manganeli, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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