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Menos carne, mais qualidade de vida



Dieta vegetariana pode contribuir para redução de diabetes, pressão alta, problemas cardiovasculares e Alzheimer

O vegetarianismo é uma escolha alimentar baseada na exclusão de todos os tipos de carnes. Ou seja, a pessoa vegetariana é aquela que decidiu, por questões éticas, morais, ambientais ou de saúde, nutrir o corpo a partir da ingestão de frutas, legumes, verduras, oleaginosas, grãos e cereais integrais. A dieta pode excluir produtos de origem animal, como ovos, leites, iogurtes e queijos. 

No Brasil, de acordo com pesquisa realizada em abril de 2018 pelo IBOPE, 14% da população se declara vegetariana, o que representa um aumento de 8% em relação aos dados coletados em 2012. Embora essa escolha seja cada vez mais comum, a ideia de tirar alimentos tão populares da dieta ainda causa muitas dúvidas. O quê o vegetariano pode comer? Se não tem carne, de que maneira as proteínas serão ingeridas? De onde o corpo vai tirar energia para se manter? O vegetarianismo é realmente uma escolha saudável?

Antes de tudo é importante entender que existem diferentes tipos de dietas vegetarianas, e que cada uma delas apresenta características específicas. De acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB),  é possível classificar a escolha alimentar em:

  • Ovolactovegetarianismo – inclui o consumo de ovo, leite, queijos e iogurte;
  • Ovovegetarianismo – admite a ingestão de ovos, mas exclui leite, iogurte e queijos; 
  • Lactovegetarianismo – admite a ingestão de leite, iogurte e queijos, mas exclui ovos;
  • Vegetarianismo estrito – dieta cuja base alimentar se dá pelo consumo de frutas, legumes, verduras, oleaginosas, grãos e cereais integrais. Exclui todos os produtos de origem animal do cardápio.

Proteínas vegetais

A nutricionista Eduarda da Rosa destaca que, seja qual for a dieta vegetariana adotada, o corpo tem a possibilidade de receber os nutrientes necessários para se manter saudável, pois o mundo vegetal oferece fontes ricas em proteínas, carboidratos, fibras e minerais essenciais. “Na maioria das vezes, acredita-se que tirar a carne é eliminar a proteína, por exemplo, mas isso acontece porque não se sabe que o grupo dos feijões e oleaginosas têm sim proteínas, mas essas, de origem vegetal”, explica.

Assim como nas dietas onívoras – que admitem o consumo de carnes -, saber equilibrar as refeições é importante para manter a saúde. Para facilitar o entendimento sobre a função de cada grupo e compor as refeições diárias, a nutricionista sugere a adoção da pirâmide vegana. 

Benefícios da dieta vegetariana

Melhora nas dores intestinais, diminuição de inchaços, redução de gordura localizada, diminuição de peso e aumento da massa muscular são alguns dos benefícios a curto da dieta vegetariana, equilibrada e baseada na pirâmide alimentar vegana. A nutricionista Eduarda da Rosa explica que o vegetarianismo é comprovadamente responsável pela redução de sintomas de doenças graves como, diabetes tipo 2, pressão alta, problemas cardiovasculares e isquemia. Também está associado à diminuição da possibilidade de desenvolver Alzheimer e câncer de todos os tipos.

Para que o controle nutricional seja efetivo, Eduarda chama a atenção para a importância de procurar orientação profissional. A nutricionista, hoje em fase de transição para o vegetarianismo estrito, explica que é necessário acompanhamento regular para avaliar excessos ou falta de nutrientes, por meio de exames laboratoriais. O especialista também podem sugerir mudanças na composição diária.

Entretanto, se você pensa que a vegetarismo é capaz de resolver todos os de problemas de saúde, não é bem assim. Na verdade, a exclusão das carnes não garante que o organismo se mantenha saudável. Tudo depende das escolhas: de nada adianta parar de ingerir carne e dobrar o consumo de queijos, sorvetes e molho branco, se você é ovolactovegetariano ou apenas lactovegetariano, por exemplo. A saúde pode sim ficar comprometida se a alimentação estiver baseada em produtos industrializados, lanches rápidos e frituras. Nesses casos, os níveis de triglicerídeos, glicemia e colesterol ruim (LDL) podem aumentar e causar graves problemas ao corpo.

E a vitamina B12?

Uma das maiores dúvidas em relação à dieta vegetariana gira em torno da obtenção da vitamina B12, necessária para manter saudável o sistema nervoso e os glóbulos vermelhos do sangue. A B12 é uma vitamina de origem animal, encontrada em carnes, queijos, leites e derivados. Por isso, em alguns casos, precisa ser suplementada na forma de cápsulas ou injeções. No caso de gestantes e crianças, a atenção precisa ser redobrada, “Em gestantes, além de seguir um plano alimentar saudável, vamos fazer a suplementação de ácido fólico e de B12. Se for lactente, podemos também suplementar ferro e cálcio. Já nas crianças, a suplementação de B12 só acontece após 6 meses até 2 anos”, explica a nutricionista.

Nutrição e autoconhecimento 

A professora de yoga Vera Regina Mata de Souza entende o vegetarianismo não apenas como uma escolha alimentar, mas como uma forma de buscar o autoconhecimento. Vegetariana desde 2012, ela lembra que a vontade de parar de comer carne surgiu há muito tempo. O desejo se intensificou e, a partir das práticas de meditação e relaxamento, a professora passou a perceber o consumo alimentar não mais como uma necessidade do organismo, mas como um vício.

A exclusão da carne abriu possibilidades para que Vera conhecesse mais um instrumento capaz de estimular a busca pela compreensão de si e do universo: o ayurveda. Entendido como um sistema de saúde, corpo e mente, o ayurveda pode ser traduzido como a “ciência da vida” capaz de auxiliar na investigação do indivíduo sobre si. “A premissa principal do ayurveda é: tudo é digestão. Quando a gente fala em alimento, não é só a comida, é o que a gente ouve, o que a gente vê, tudo que os nossos sentidos captam do mundo externo e como essa captação ocorre dentro da gente. São essas coisas que me dão suporte e que me fazer sentir tão segura e à vontade na alimentação vegetariana”, explica a agora terapeuta ayurvédica.

Preocupada com a saúde física, Vera, 63 anos, faz exames anuais e garante que a escolha vegetariana saudável, aliada à atividade física, gera consequências positivas ao seu organismo. Os benefícios do vegetarianismo também são confirmados por Eduarda, ao observar os exames de seus pacientes. De acordo com a nutricionista, com uma alimentação equilibrada e baseada na pirâmide vegana é possível notar melhoras nos níveis de zinco, importante para manter o sistema imunológico resistente; ferro, responsável pela fabricação de glóbulos vermelhos; cálcio, principal componente dos ossos e relacionado à manutenção de funções básicas do organismo; vitamina A, que estimula o crescimento e é responsável por diferenciar os tecidos dos órgãos; e a vitamina D, que equilibra a absorção de cálcio e fósforo e mantém o funcionamento do cérebro.

Segunda Sem Carne

No país, desde outubro de 2009, a Sociedade Vegetariana Brasileira estimula a campanha Segunda Sem Carne. Presente em mais de 40 países, o objetivo do projeto é conscientizar a população sobre os impactos da ingestão de carne para a saúde do planeta, ao incentivar a ingestão de pratos livres da proteína animal. Atualmente, em níveis mundiais, a campanha do Brasil é a mais expressiva: de janeiro a junho de 2019 foram 42 milhões de refeições oferecidas. O projeto representa uma boa alternativa para aqueles que desejam experimentar a alimentação vegetariana.

Repórter: Bárbara Marmor e Mirella Joels, jornalistas

Ilustração: Marcele Reis, acadêmica de Publicidade e Propaganda 

Editora de Produção: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo

Editor Chefe: Maurício Dias, jornalista


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