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O tipo sanguíneo pode influenciar no contágio pelo novo coronavírus?



Estudos apontam que sangue tipo A seria mais suscetível à Covid-19. No entanto, outros fatores importantes, como idade e comorbidades, não foram considerados.

Muitas informações são divulgadas com base em pesquisas recentes sobre a pandemia da covid-19. Alguns portais, como Terra e Uol, compartilharam, no dia 19 de março, a notícia de que pessoas com o tipo sanguíneo A são mais suscetíveis a contraírem o novo coronavírus. Estudos preliminares feitos na China são as fontes das matérias. 

 

O argumento é baseado em um artigo publicado no portal de estudos preliminares em ciências da saúde medRxiv sobre a relação entre o grupo ABO e a suscetibilidade da Covid-19. O levantamento foi realizada com pacientes dos hospitais de Wuhan e Shenzhen, ambos na China. A hipótese parte de pesquisas anteriores que comprovaram, por exemplo, a maior incidência da hepatite B em pacientes com tipagem sanguínea A. Segundo os autores, foi realizado um estudo prévio em Hong Kong sobre padrões de risco e grupos sanguíneos para a síndrome respiratória aguda severa (SARS), realizado por Cheng e publicado no periódico PubMed, em 2005.

Sangue e incidência de covid-19 em Wuhan e Shenzhen

Para o estudo chinês publicado na medRxiv, foi coletado o sangue de 1.775 pacientes infectados com o vírus em Wuhan. Desses, 206 morreram. 

Também foram feitos dois testes preliminares sobre a distribuição de grupos sanguíneos em Wuhan e Shenzhen. Na primeira cidade, com 3.694 pessoas e, na segunda, com 23.386.

Na cidade de Wuhan, os tipos sanguíneos de 3.694 pessoas não-infectadas são distribuídos como na primeira figura.

No hospital de Wuhan, os tipos sanguíneos dos 1.775 pacientes infectados podem ser observados na ilustração do meio.

A distribuição das pessoas que morreram de Covid-19 conforme a tipagem sanguínea é apresentada na última figura.

 

Algumas das limitações do estudo são: baixa amostragem – pequena quantidade de pacientes -; falta de informações sobre idade, gênero e presença de doenças crônicas dos grupos estudados.

Por se tratar de uma pesquisa com limitações e ainda não ter sido revisada pelos pares, o selo que responde essa pergunta é: depende. Ainda são necessárias mais evidências. 

Mitômetro Coronavírus é um projeto de checagem de fatos da revista Arco voltado para a temática da pandemia com o objetivo de combater a desinformação.

Compreenda os selos:

Comprovado – fato com evidências científicas e que pode ser explicado a partir de relatórios, documentos e pesquisas confiáveis e com metodologias factíveis. 

É possível – selo para uma checagem com elementos reais. Não há comprovação 100% em função de determinados indícios, detalhes ou situações.

Depende – é o meio termo entre o que é mito e a verdade. Não existe um consenso entre as fontes e os especialistas. Também usado para quando faltam evidências ou para destacar que o fato pode ocorrer em uma determinada situação. 

Improvável – refere-se a uma situação com pouquíssima possibilidade de ser real. 

Mito – não existe possibilidade alguma de ser verdade. Existem evidências que provam o contrário. Enquadram-se aqui as teorias da conspiração, as lendas da internet e as noticias falsas.


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