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Onde a onça bebe água?



Com um título instigante e sugestivo, o projeto científico Onde a onça bebe água? Uma história para contar sobre o Parque Estadual do Turvo foi aprovado pela Fundação O Boticário de Proteção à Natureza. A partir de agora, receberá incentivo para investir em ações de educação ambiental na maior unidade de conservação do Rio Grande do Sul.

 

A iniciativa  é orientada pela professora Suzane Marcuzzo, coordenadora do laboratório do Núcleo de Áreas Protegidas (Neap) da UFSM, vinculado ao Curso de Gestão Ambiental do Colégio Politécnico; e conta com o apoio da Associação Amigos do Interior de Tenente Portela, que busca – entre outras ações – fomentar o turismo da região. A ideia de trabalhar com ações voltadas para a preservação do Parque Estadual do Turvo surgiu da professora Suzane, que conheceu a área e elaborou parte do plano de manejo do local quando trabalhou na Secretaria Estadual do Meio Ambiente, antes de ingressar como docente da UFSM.

 

Localização do Parque do Turvo

 

A onça

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino da América do Sul e o terceiro maior do mundo – depois dos tigres e leões. Também conhecida como Jaguar, ocupa o topo da cadeia alimentar em florestas densas, seu habitat natural. São animais solitários e territorialistas, demarcando seu território com urina, excrementos e marcas de garras, sobretudo, nas árvores. Ainda assim, podem passar longos períodos perambulando e nadando à procura de caça e territórios mais amplos.

 

Por serem animais com hábitos noturnos, dificilmente são flagrados. Como a área de cobertura florestal é maior no lado argentino, no Parque Estadual do Turvo, há 20 anos não se tinham registros de pegadas do animal que já é classificado como criticamente em perigo na lista de espécies ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul. Contudo, nos últimos meses, a equipe que trabalha no local notou a movimentação da espécie através de armadilhas fotográficas instaladas. Com isso, foi possível identificar cinco onças, por meio da observação dos seu padrões distinto de pintas.

A beleza cênica, o deslumbramento e o medo que a onça costuma causar nas pessoas motivaram a escolha do animal como foco no desenvolvimento do projeto. A professora afirma que trabalhar com a imagem da espécie reflete na riqueza da biodiversidade do local. “No projeto focamos na própria espécie [onça-pintada] como veículo de mudança de percepção dos visitantes e dos moradores da cidade de Derrubadas. Isso cria um novo sentimento nas pessoas: de reconhecimento, de preservação”, reflete Suzane.

 

O projeto

 

A ideia surgiu a partir de pesquisas de opinião feitas no Parque, que identificaram a necessidade de criar atividades e ferramentas que permitam aos frequentadores conhecer e vivenciar aspectos relacionados à biodiversidade do local. A estudante do curso de Gestão Ambiental Letícia Jaskulski trabalhou na coleta de dados e informações para a elaboração do projeto, com a aplicação de questionários aos visitantes. “Foi um mês inteiro de imersão no Parque e intenso aprendizado. Trabalhamos no sentido de entender quais eram as percepções e motivações das pessoas que chegavam ali. Agora, a ideia é criar outras formas e sugerir outras percepções acerca do local”, relata a estudante.

 

 

Com a duração do projeto prevista para dois anos, as ações consistem em modernizar o espaço de educação ambiental no centro de visitantes do parque e criar materiais de suporte com informações sobre o local – como totens, cartilhas e placas informativas que serão colocadas ao longo das trilhas. Todos os materiais informativos já estão sendo produzidos no NEAP, e além de serem compostos por ilustrações de espécies da fauna e da flora local, possuem uma linguagem fácil e acessível para todos os públicos.

 

Concomitantemente a isso, o grupo pretende seguir pesquisando a partir dos resultados que serão encontrados, com o objetivo de elaborar novas estratégias para a preservação da biodiversidade na região. Também serão investidos recursos na capacitação de guias e moradores do entorno para estimular o turismo e, consequentemente, a geração de renda na região. A professora Suzane destaca que a intenção é “criar uma rede” de incentivo à consciência ambiental e identificação com o local, além de promover um desenvolvimento sustentável na região que tem sua economia fortemente atrelada à agricultura e à exploração de recursos: “Em conjunto com a natureza, somos todos elos de uma corrente, que pode se fortalecer. Se um romper, todo o resto será atingido.”

Salto do Yucumã, principal atrativo do Parque Estadual do Turvo – local onde “a onça bebe água”

 

Fundação O Boticário de Preservação da Natureza

 

Criada em 1990, a Fundação apoia ações de conservação da natureza e financia projetos no Brasil. O edital em questão tinha como foco a conservação dos biomas e o resultado foi publicado no mês de fevereiro deste ano, premiando no total 21 propostas.

 

A assinatura do contrato com o projeto Onde a onça bebe água? Uma história para contar sobre o Parque Estadual do Turvo ocorreu no mês de agosto. O grupo deve receber em parcelas o valor total de R$ 98 mil para investir nas ações propostas, a partir do ano que vem.

 

Reportagem: Tainara Liesenfeld, acadêmica de Jornalismo

Edição: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo
Infografia: Pollyana Santoro, acadêmica de Desenho Industrial

Mapa: Portal eletrônico do Parque Estadual do Turvo
Fotografia: Bjørn-Einar Nilsen


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