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Por que o homem não voltou à lua?

Há 53 anos, o homem pisou na lua pela primeira vez, em uma viagem que mudou os rumos da corrida espacial



Em 20 de julho de 1969, o homem chegou à lua, em um feito que marcou a história mundial. As primeiras iniciativas de viagens espaciais datam do pós Segunda Guerra Mundial e ganharam força e expansão com os desdobramentos geopolíticos da Guerra Fria (1947-1991). A partir disso, o espaço sideral começou a ser utilizado como ambientação para diversos produtos da cultura pop. Para além de exemplos como os filmes “2001” e “Interestelar”, os estudos sobre o espaço, os planetas e as galáxias são relevantes do ponto de vista científico e suscitam contínuas inovações tecnológicas que impactam o cotidiano da sociedade, desde a criação de robôs para a exploração de outros planetas até materiais que possibilitaram o surgimento das câmeras de celulares.

Descrição da imagem: colagem horizontal e em tons de cinza, branco e preto de astronautas, de um foguete e da lua. No centro da imagem, em tamanho grande, a lua, em cinza, com a superfície arredondada e esburacada, e a parte da direita escondida por sombra preta. Sobre a lua, na parte superior e inclinado à esquerda, pessoa em pé, que veste roupa de astronauta branca com detalhes em listras vermelhas na altura da coxa, capacete espacial com visor espelhado e equipamento com oxigênio nas costas, usado da mesma forma que uma mochila, e que tem uma câmera pequena acoplada. Na parte superior direita da imagem, sobre a lua, foguete espacial desfocado, em formato de cilindro com a extremidade frontal pontuda; o foguete tem cor bege e detalhes em marrom. Na parte inferior direita da imagem, atrás da lua e inclinado para baixo, em diagonal, astronauta em tamanho maior, com roupa espacial bege, capacete espacial com visor espelhado e mochila espacial nas costas. No canto inferior direito, em desfoque, detalhe do planeta Terra nas cores azul, verde, branco e cinza. Um pouco acima da terra, mais ao fundo, em desfoque, hexágono amarelo com um círculo no centro. O fundo é preto.

A missão tripulada conhecida como “Apollo 11” foi uma iniciativa do governo dos Estados Unidos que, durante a Guerra Fria, disputava com a União Soviética a imagem de ‘superpotência’. Além de uma iniciativa científica, a viagem e a capacidade de levar uma tripulação ao espaço se consolidou como um marco, em uma guerra que foi, acima de tudo, simbólica. Nesse período, a União Soviética teve grandes feitos, muitas vezes à frente dos norte-americanos, como o primeiro foguete a entrar em órbita e a primeira viagem tripulada, mas julho de 1969 viria a mudar isso. 

 

A preparação da Apollo 11 iniciou meses antes, numa tentativa da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) demonstrar sua capacidade técnica e organizacional. Em 16 de julho de 1969, com todos os módulos já testados e os três integrantes da tripulação preparados, o foguete foi lançado. No dia 20, o módulo pousou na lua. O comandante da missão, Neil Armstrong, se tornou a primeira pessoa a pisar na lua e cunhou a famosa frase: “Um pequeno passo para o homem e um grande salto para a humanidade”.

O pesquisador e professor do Departamento de Eletrônica e Computação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Marcelo Serrano Zanetti, destaca que a chegada bem sucedida da Apollo 11 impactou os desdobramentos da Guerra Fria e tornou os Estados Unidos um centro de poderio tecnológico. Isso influenciou as futuras expedições ao espaço. Mas outros setores da vida em sociedade também foram impactados pelas explorações espaciais, como as redes de comunicação – que passaram a ser realizadas por meio de satélites. Marcelo lembra que o uso do Sistema de Posicionamento Global (GPS), presente em quase todos os dispositivos móveis, é uma herança da ida ao espaço.

Mas por que o homem não voltou à lua?

Apesar de ter se tornado um marco na viagem espacial, a experiência de 1969 foi sucedida apenas por outras seis expedições, todas enviadas pela Nasa e denominadas “Apollo”.  Ao todo, 12 pessoas caminharam pela superfície lunar e 24 viajaram à lua. Durante a viagem da Apollo 13, a terceira missão tripulada enviada à lua, nenhum integrante da tripulação desceu no satélite natural da Terra, por motivos de problemas com um tanque de oxigênio da nave.

O foco das viagens espaciais mudou nos últimos anos, isso porque a lua não é um local com grandes possibilidades de exploração científica. Marcelo destaca que os ganhos científicos de pisar na lua já foram atingidos, uma vez que a grande demanda de investimento necessária não corresponde às possíveis vantagens  que podem ser alcançadas em novas expedições.

Além disso, colocar uma tripulação em órbita também se tornou um impedimento. Levar pessoas ao espaço exige uma grande quantidade de equipamentos e de tempo, uma vez que diversos treinamentos são exigidos, além de equipamentos para sobrevivência da tripulação e coleta de informações. As expedições enviadas, em geral, contam apenas com robôs e equipamentos de tecnologia avançada, como equipamentos fotográficos capazes de registrar as especificidades de diferentes locais.

Novas perspectivas para o turismo espacial

Ir ao espaço pode ser o sonho de muitas pessoas, mas ainda está longe de ser uma viagem acessível à população. Algumas empresas privadas vêem o espaço como um local possível de exploração comercial, em que indivíduos poderiam adquirir viagens para ficar em órbita por algum período. Um exemplo está na SpaceX, do empresário Elon Musk, que promete ser capaz de oferecer viagens espaciais de curtos períodos. 

 

Marcelo destaca que iniciativas privadas podem ser interessantes a longo prazo, uma vez que possibilitam aos cidadãos a exploração do universo e o fomento de novas descobertas na área da pesquisa. No entanto, cabe pontuar que, para  ir ao espaço, um  grande valor em dinheiro tem de ser desembolsado. Dados da Revista Time e compilados pela Folha de São Paulo mostram que o idealizador da Inspiration4, missão da SpaceX que levou civis à órbita da Terra, pagou cerca de 200 milhões de dólares por quatro lugares na viagem, que ocorreu em 2021. Ir ao espaço ainda é algo restrito às pessoas com elevado poder aquisitivo, o que está longe da realidade de grande parcela da população mundial.

O pesquisador enfatiza a necessidade de cuidado com a regulamentação dessas expedições, que podem gerar um aumento da produção de lixo espacial. No caso brasileiro, ainda não há perspectivas de viagens espaciais feitas com módulos nacionais. O país ainda não tem foguetes capazes de se manter em órbita e o investimento nessa área é menor que o de outros países, que já têm uma longa trajetória de desenvolvimento aeroespacial.

 Para saber mais:
Projeto Webservatório: é uma parceria entre o Centro de Tecnologia (CT) e o Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), que busca expandir e revitalizar o observatório astronômico da UFSM.

Expediente:

Reportagem: Milene Eichelberger, acadêmica de Jornalismo e voluntária;

Design gráfico: Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;

Mídia social: Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;

Edição de Produção: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;

Edição geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.

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