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Irrigação racional

No semiárido brasileiro, o reaproveitamento da água liberada por aparelhos de ar-condicionado é fonte de cultivo de plantas da caatinga



A água é uma das grandes preocupações mundiais nos âmbitos de sustentabilidade e preservação ambiental. As reservas de água potável são escassas, e esse é um recurso natural finito e essencial à vida.  Por isso, desde o século passado, diversos países vêm repensando a forma de utilização da água e desenvolvendo formas para sua reutilização. Isso porque as águas residuais, aquelas que foram descartadas no processo de consumo humano, podem ser usadas em diversas atividades que não exigem uma alta qualidade de pureza, como a regagem de plantas ou limpeza de automóveis e áreas externas.

No Brasil, entretanto, essa prática ainda não ganhou espaço, nem foi difundida entre a população em geral. Existem poucos exemplos de reuso de água no país. A lista inclui apenas algumas indústrias no estado de São Paulo e alguns projetos piloto desenvolvidos no Nordeste, voltados para sua aplicação agrícola.

E na agricultura a questão da água é realmente fundamental. Diferentes técnicas de irrigação do solo buscam alternativas para o desperdício de água e sugerem a necessidade de um uso racional desse recurso.

Pensando nisso, uma equipe de pesquisadores do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), localizado no alto sertão paraibano, a 462 quilômetros de João Pessoa, está propondo o aproveitamento da água liberada pelos aparelhos de ar-condicionado na produção de mudas nativas da caatinga.

Na pesquisa do IFPB, o resíduo de água é proveniente do uso de ar-condicionado na própria instituição. No clima semiárido quente que caracteriza a região, temperaturas médias de 28ºC e umidade na faixa de 64%, a evaporação de água é maior do que os volumes de chuva (a média de precipitação é de 654 mm ano, enquanto o Rio Grande do Sul, por exemplo, registra médias anuais de 1.700 mm de chuva).

A grande quantidade de água condensada que é expelida pelos aparelhos de ar-condicionado do campus era, em grande parte, desperdiçada, porque não existia um destino adequado. Assim, a água proveniente dos 19 aparelhos de ar-condicionado (todos com potência de 18.000 BTUS) foi coletada em dois recipientes com capacidade para 500 litros.

A água coletada serviu para a irrigação de mudas de sabiá e ipê roxo, espécies nativas da caatinga, utilizadas tanto para reflorestamento e recuperação de áreas degradadas como para arborização urbana. A água residual proveniente dos aparelhos foi testada e o processo de irrigação complementado com um substrato de nutrientes elaborado com areia, barro e esterco.

“A problemática da água está inserida em um amplo contexto. Vários fatores afetam a perda da eficiência no seu ciclo hidrológico, contribuindo para essa escassez. Uma das causas é a crescente urbanização sem planejamento da infraestrutura. A ausência de abastecimento de água e saneamento acarretam também agravos à saúde pública”, afirmam os pesquisadores. A pesquisa demonstra a possibilidade de utilização racional da irrigação e aponta a urgência no desenvolvimento de alternativas de produção agrícola sustentáveis.

Reportagem: Matheus Santi

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