Ir para o conteúdo Revista Arco Ir para o menu Revista Arco Ir para a busca no site Revista Arco Ir para o rodapé Revista Arco
  • International
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

Monitoramento de abelhas

Projeto de Apicultura de Precisão da UFSM busca melhorar a produção de mel



De 1974 para 2012, a produção nacional de mel cresceu cerca de 10 vezes. Segundo dados do Sebrae, a produção de mel de abelha no Brasil em 2011 passou de 41 mil toneladas, sendo 9,4% superior à registrada no ano anterior. A região Sul do país (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) representa cerca de 49% da produção de mel no país.

 

Para regular a produção de mel das abelhas, os acadêmicos do Mestrado em Agricultura de Precisão da UFSM, David Mojaravscki e Nilton Cardoso Trindade, desenvolveram um sistema que visa o monitoramento das colmeias, com o objetivo de aumentar a produtividade e impulsionar a produção no setor.

 

Conversamos com David para entender um pouco melhor o trabalho realizado por ele.

 

De onde surgiu a ideia de trabalhar com Apicultura de precisão? 
A ideia de trabalhar com Apicultura de Precisão surgiu num paralelo de questionamentos. Inicialmente estávamos focados em desenvolver e implementar uma solução com escopo voltado para a Agricultura Familiar, baseada na Internet das Coisas, isto é, utilizando sensores de baixo custo e com desempenho capaz de permitir ao pequeno e médio produtor o acesso às tecnologias atualmente disponíveis aos grandes produtores. Após os primeiros testes usando Internet das Coisas voltado para a Agricultura familiar, identificamos que o modelo de fluxo de informação era aplicável para a apicultura, agricultura, avicultura e pecuária. Logo me veio à mente o questionamento, ao que acrescentei as preocupações vividas por meu vizinho rural, Sr. Antonio Guedes, que em ano de boa safra melífera [de mel] tem boas receitas e em anos de safras ruins vive de prestações de pequenos serviços aos vizinhos. 

 


O Nilton já andava sondando o Sr. Guedes acerca da necessidade de implantar um pequeno apiário junto ao cultivo das oliveiras em sua propriedade, e foi quando descobrimos um mundo totalmente novo no universo das abelhas. 

Há quanto tempo vocês realizam este trabalho? 
Estamos envolvidos há dois anos, pesquisando tanto a Agricultura Familiar, bem como a apicultura, com a utilização de sensores visando aprimorar o manejo à distância, além de introduzir na Agricultura de Precisão o conceito da utilização de dados na nuvem e big data.

 

 

Qual é a importância de trabalhar com abelhas
Segundo a FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura], a Agricultura Familiar é responsável pela produção de 85% dos alimentos consumidos no mundo e as abelhas são responsáveis pela polinização de cerca de 85% de todas as floresta. Sem as abelhas, tanto a renovação das matas e florestas como a produção mundial de frutas e grãos ficariam comprometidas. O equilíbrio dos ecossistemas e da biodiversidade sofreria um sério impacto, o que afetaria diretamente o ser humano de diversas maneiras. 
 
Culturas como as da maçã, pera, laranja, melão, melancia, café, castanha, abacate, morango, mirtilo, pepino, algodão, soja, pêssego, abóbora, cebola, castanhas, entre várias outras, dependem diretamente da polinização feita pelas abelhas. Sem abelhas, além da diminuição da produtividade dessas culturas, também a qualidade da formação do fruto e, em alguns casos, o seu próprio desenvolvimento, ficam comprometidos. 

De onde veio a necessidade de investir neste trabalho ?
Historicamente, para o modelo agrícola brasileiro, diferentemente de países como os EUA ou a Europa, foi preciso dar pouca atenção à importância da presença dos polinizadores, uma vez que nossa ampla biodiversidade sempre ofereceu esses serviços ecossistêmicos de forma gratuita e natural no campo. Mas é de se esperar que um déficit acentuado de polinizadores imponha a necessidade de que os produtores rurais tenham que demandar e remunerar os serviços de criadores de abelhas para compensar este impacto. 

O sistema já foi aplicado?
Estamos em fase de testes e coleta de dados. Para o nosso trabalho no mestrado utilizaremos cinco caixas com sensores e cinco caixas sem sensores para estudo comparado. Pretendemos alocar em colmeias junto às oliveiras no Cerrito do Ouro, um subdistrito da cidade de São Sepé. Atualmente só temos aplicação no âmbito da UFSM, mas já temos interessados em Santa Maria e em Miami, na Flórida. 

 

 

Como funciona a aplicação?
A Internet das coisas surge pela combinação de sensores, hardware e internet. A internet nesse contexto não se limita à comunicação, é também o conceito que sustenta a computação na nuvem, formando um ecossistema. Através desse complexo mecanismo, criará para o apicultor um histórico dos dados armazenado na internet, possibilitando o acesso às informações de qualquer lugar, através de qualquer dispositivo. Além do histórico, proverá informações que podem ser decisivas na apicultura em tempo real, como o clima dentro da colmeia, conhecer a produção diária, identificar a perda de abelhas ou o crescimento e a possibilidade de identificar a ausência da abelha rainha.

Reportagem: Julia Nadine Schapowal e Lenon Martins de Paula
Infográficos: Nicolle Sartor

Divulgue este conteúdo:
https://ufsm.br/r-601-304

Publicações Relacionadas

Publicações Recentes