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Acessibilidade Estudantil



 

#ParaCegoVer (foto de capa): Nesta imagem, em primeiro plano, há um homem branco sentado em uma das cadeiras do auditório. Ele usa óculos escuros e fones de ouvido, veste camisa preta, blusão azul e casaco preto. Ao fundo, desfocada mulher branca que veste blusão azul e casaco preto.

 

A acessibilidade aos meios de comunicação é um tema que está em pauta no mundo todo, os esforços neste sentido visam não apenas proporcionar o acesso a produtos culturais a uma parcela da população que se encontra excluída, como também estabelecer um novo patamar de igualdade baseado na valorização da diversidade. Segundo dados do IBGE de 2010, dos 195,2 milhões de brasileiros, 6,6 milhões possuem grande dificuldade de enxergar, e 506,3 mil se declaram cegos.

 

Durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, que ocorre de 21 a 28 de agosto, acontece na UFSM uma oficina sobre leitura inclusiva para bibliotecários. O evento é promovido pelo Núcleo de Acessibilidade da UFSM, e tem como objetivo desconstruir mitos em torno da deficiência visual e da leitura inclusiva.

 

Desde 2008, a UFSM possui o programa de ações afirmativas. Por esse programa já entraram na instituição mais de 300 estudantes com deficiência, desses 16% já se formaram e 44% ainda estão cursando a graduação. Com a entrada de pessoas com deficiência, a universidade precisou se adaptar. Hoje há 194 livros acessíveis para deficientes visuais distribuídos pelas bibliotecas dos campi da Universidade.

 

Além de livros acessíveis,outro recurso inclusivo utilizado na comunicação é a áudio-descrição, ou seja, a descrição clara e objetiva de todas as informações que compreendemos visualmente. Em filmes, por exemplo, ela inclui todas as informações visuais que não estão contidas nos diálogos, permitindo que o espectador receba a informação da imagem ao mesmo tempo em que esta aparece. A áudio-descrição pode ser gravada, ao vivo, ensaiada e simultânea. Uma obra audiovisual que contenha áudio-descrição, legendas e língua de sinais de forma simultânea é considerada inclusiva.

 

O assistente administrativo da UFSM, Cristian Evandro Sehnem, que perdeu a visão em 1996 em decorrência do diabetes, fala que a produção de materiais inclusivos deve passar pela revisão de uma pessoa que possua a deficiência, como, por exemplo, os roteiros de áudio-descrição precisam passar pela revisão de um deficiente visual, para que com sua vivência aprove se o texto é compreensível. Além da comunicação, Cristian também chama a atenção para as outras dificuldades sofridas no dia a dia: falta de pisos táteis, semáforos sonoros e a ausência de braile em caixas de remédios ou rótulos de alimentos. “Só vou saber o sabor de um chá quando chegar em casa e provar”, comenta Sehnem.

 

Desde 2007, o projeto de Lei 2358-07, que prevê a obrigatoriedade do uso do braile para identificação dos produtos das empresas alimentícias, farmacêuticas e de materiais de limpeza, tramitou pela Comissão de Seguridade Social e Família. No entanto, ano passado foi arquivada pela mesa diretora da Câmara dos Deputados. Tornar a sociedade mais inclusiva não é questão de obrigatoriedade, mas sim de pensar nas diferenças.

 

 

#ParaCegoVer (infográfico): Sobre fundo branco, gráfico hierárquico com quatro retângulos horizontais roxos distribuídos verticalmente. No primeiro retângulo, ao lado esquerdo há o desenho vazado de megafone com três ondas sonoras, ao lado direito fica o título “Áudio-descrição” em letras pretas.  No segundo, está escrito “A áudio-descrição é considerado um gênero tradutório que exprime em palavras escritas ou oralizadas os elementos imagéticos necessários à compreensão, apreciação e aquisição de conhecimento dos eventos visuais, promovendo o empoderamento de pessoas com deficiência.”. No terceiro, está escrito, “Mas como isso é feito? A áudio-descrição para produtos audiovisuais, como um filme, é feita a partir da parceria entre um roteirista, geralmente uma pessoa que enxerga, e um revisor, uma pessoa que possua deficiência visual.  O primeiro produz o texto a ser narrado, e o segundo contribui com suas vivências para definir se a descrição está correta ou se é preciso mudanças e melhoras.”. No quarto, se lê “O Decreto 5.296, de 2 de dezembro de 2004, Art. 8º, define acessibilidade como: Condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida”.

 

_delimiter_Reportagem: Luan Romero e Nathalie Martins
Infográfico: Nicolle Sartor
Fotografia: Rafael Happke


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