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Não era dos dinossauros

Pesquisa da UFSM investiga ancestral dos mamíferos que viveu no período Triássico



Ainda que os dinossauros sejam os animais mais lembrados quando se fala em Pré-História, nosso planeta não era povoado somente por eles. A chamada “era dos Dinossauros” se localiza na Era Mesozoica (251 – 66 milhões de anos atrás, inclui os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo). Mas ainda que eles tenham surgido e se extinguido nessa era, os dinossauros eram apenas uma variedade dentre a grande diversidade de animais. Os mamíferos e as aves que conhecemos hoje, por exemplo, são descendentes de  grupos de animais ancestrais que viveram na Era Mesozoica.

Muitos desses animais, especialmente os que viveram durante o Período Triássico, possuem parentescos ou ligações com animais que conhecemos. Por exemplo, os sinapsidas, hoje representados unicamente pelos mamíferos, no Triássico sul brasileiro eram representados por dois grandes grupos: os dicinodontes, herbívoros com tamanho e presas grandes, que foram extintos no fim da Era Mesozoica sem deixar descendentes; e os cinodontes, que tinham dentes similares aos de um cachorro e uma variação de tamanho entre dez centímetros e até dois metros, dos quais os mamíferos atuais descendem.

Outro grupo de interesse é o dos Diapsida, grupo dos répteis, que além de conter os répteis atuais também incluía o grande subgrupo dos Arcossauros. Nele, estavam os pterossauros (répteis voadores), os crocodilianos e os dinossauros – dos quais descenderam as aves. Podemos perceber que os dinossauros ocupam um pequeno espaço na grande cadeia de animais da Era Mesozoica.

A pesquisadora Ane Elise Branco Pavanatto, integrante do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM), dedicou sua pesquisa de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal ao estudo de fósseis de cinodonte. A espécie estudada, Massetognathus ochagaviae, é comumente encontrada no Triássico do sul do Brasil.

O Massetognathus ochagaviae pertence a família Traversodontidae, a mais diversificada dentre as famílias de cinodontes. Além do sul do Brasil, os fósseis do gênero Massetognathus já foram encontrados na Argentina e remetem ao Triássico Médio – época de idade intermediária do período. Seu nome tem referência do Grego e remete ao poder de mastigação de sua mandíbula. A pesquisa de Ane Elise identifica e apresenta informações sobre novos materiais, como fragmento de crânio, alguns dentes e ossos do esqueleto pós-craniano, como vértebras, costelas, úmero e fêmur. A descrição desses fósseis contribui para o estudo sobre a espécie, já que possibilita um maior conhecimento sobre o Massetognathus ochagaviae que até então tinha poucas características identificadas, para o Triássico do Rio Grande do Sul.

 Os fósseis do Triássico no Sul do Brasil

Os fósseis de animais do período Triássico encontrados no Rio Grande do Sul são similares aos encontrados no sul da África e na Argentina. O Período Triássico do Rio Grande do Sul se destaca por conter o registro fóssil de dois grandes eventos evolutivos: a origem dos primeiros dinossauros e dos mamíferos. Segundo pesquisas, um grupo de pequenos cinodontes encontrados aqui, os Brasilodontes, possuem dentre todos os cinodontes características anatômicas que os identificam como os ancestrais mais próximos dos mamíferos. Durante a Era Mesozoica, os primeiros mamíferos tinham uma média muito pequena de tamanho, viviam em tocas e tinham hábito noturno – e provavelmente eram presas de répteis de grande porte, como os dinossauros. No fim do Período Triássico e início do Período Jurássico, o grande continente chamado Pangeia, que existia então, começou a ser dividido e no fim do Período Cretáceo houve a famosa extinção em massa que culminou com a extinção dos dinossauros. Com o fim desses  grandes répteis, os então pequenos mamíferos se desenvolveram, aumentaram de tamanho e ocuparam o planeta.

A pesquisadora Ane Elise Branco Pavanatto continuou os estudos sobre cinodontes no Doutorado em Biodiversidade Animal na UFSM. “Meu objetivo era estudar uma espécie de cinodonte do Triássico muito comum aqui na Região Central do Rio Grande do Sul, o Exaeretodon. Mas no meio de vários materiais coletados, notamos alguns materiais que apresentavam algumas características um pouco diferentes do observado em  Exaeretodon e isso nos levou a especular sobre a presença de uma nova espécie”, explica Ane. A conformação desses resultados dependem de análises detalhadas e do cruzamento de informações em relação a fósseis já identificados no Brasil e na Argentina.

Para saber mais sobre como os paleontólogos classificam o tempo geológico acesse aqui.

Repórter: Paola Dias
Colaboração de Ane Elise Pavanatto
Foto: Rafael Happke
Gráficos: Ítalo Paula

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