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Paleoarte



O paleoartista se inspira em animais atuais para retratar os ancestrais

 

Além das atividades na pesquisa, o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA) tem o objetivo de divulgar seus trabalhos para a comunidade e, por isso, mantém atividades na extensão como palestras para escolas e público em geral, além de visitas guiadas nas instalações em São João do Polêsine. Uma dessas atividades de extensão é desenvolvida por Jorge Gularte, mestre em Artes Visuais pela UFSM, paleoartista ligado ao Centro.

 

Há aproximadamente dois anos e meio trabalhando com o Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA), Jorge costuma fazer desenhos de caneta esferográfica em locais como ônibus ou supermercado. No entanto, segundo o paleoartista, “esse trabalho de paleoartista é mais técnico, porque são desenhos feitos sob encomenda e que têm um caráter e um compromisso científico”, afirma.

 

Os desenhos mais rápidos que costumavam retratar pessoas em situações corriqueiras foram complementados por uma preocupação com ilustrações que demoram mais tempo, de horas a meses, conforme o material recebido pelo artista. Segundo Jorge, no entanto, não são só desenhos de dinossauros. “Eu trabalho a partir de fósseis, não só dinossauros. Aqui na região, inclusive, não se tem tantos dinossauros, mas répteis primitivos e animais do período triássico, anterior ao período dos dinossauros”, explica.

 

O processo de construção dos desenhos dá-se, de início, pelo recebimento do artigo publicado com novas descobertas, com fotos dos fósseis (que podem vir inteiros ou somente em partes) e referências. “A análise que os paleontólogos fizeram de um fóssil leva eles a considerar que aquela descoberta se refere a determinada família ou espécie”, conta.

 

Depois, Jorge procura sobre a espécie, sua superfície, a alimentação, o tamanho – a partir do estudo da anatomia, se faz o desenho do corpo –, o período em que viveu (que vai servir caso haja a necessidade de conhecer a flora, para desenhar cenários). Geralmente, o paleoartista também se baseia em animais como sapos, dragões-de-komodo e até mesmo aves para confeccionar os desenhos. “O trabalho é bem voltado para a imagem, não tem um caráter explicativo”, reitera.

 

Feitos a mão e pintados no Photoshop, os desenhos mudaram a percepção artísticas de Jorge. A partir desse trabalho, explica, começou a reparar em animais como gatos, cachorros e até mesmo nas plantas. “Foi uma adaptação de trabalho. Eu não tenho restrições e limitações quanto a desenhar, mas comecei a desenvolver a técnica de desenho abstrato, porque as plantas têm muitas mudanças entre elas e isso faz das ilustrações mais abstratas”, conta.

 

Além das ilustrações, o projeto também visa a produção de esculturas, réplicas e suas respectivas pinturas. Para a exposição do museu em São João do Polêsine, Jorge fez réplicas de cabeças dos animais. Tanto os desenhos quanto as esculturas e réplicas visam o cumprimento dos dois objetivos que o projeto de extensão tem.

 

O primeiro deles já foi cumprido com a inauguração do museu na Quarta Colônia que irá expor as descobertas da região. O segundo, que é a confecção de um livro, contará com uma explicação mais abrangente do período triássico, uma vez que a maioria dos fósseis encontrados nessa região são desse período. A publicação do livro tem a previsão de acontecer até o final do ano.

 

Para saber mais sobre como os paleontólogos classificam o tempo geológico acesse aqui.

 

Repórter: Germano Molardi

Foto: Júlia Goulart e Rafael Happke


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