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#SouMulherEPosso trabalhar com energia elétrica



“Lugar de mulher é em casa”. Essa frase, usada de maneira pejorativa para delimitar o espaço e subestimar as habilidades das mulheres, ganhou uma nova – e positiva – roupagem. Isto porque, em 2018, integrantes do Programa de Educação Tutorial (PET) Engenharia Elétrica da UFSM organizaram um projeto que orientou mulheres a instalar, planejar e consertar redes elétricas em casa.

Com ações que combinaram ensino e extensão, o grupo promoveu aulas teóricas e práticas sobre eletricidade para mulheres do bairro Nova Santa Marta, na região oeste de Santa Maria. As aulas compreenderam conteúdos como: o que é energia e tensão elétrica; recomendações de segurança ao realizar um trabalho do tipo; como fazer um circuito elétrico e instalar tomadas e interruptores. As aulas foram constituídas por cinco módulos, todos guiados por material didático entregue às participantes.

A iniciativa foi da doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFSM, Ana Justina da Fonseca Ziegler, que realizou uma atividade com a comunidade em alusão ao Dia da Mulher, em março do ano passado, mas considerou uma semana um período curto de tempo. Em conjunto com uma moradora da região, articularam ideias e firmaram a parceria com o PET Engenharia Elétrica.

Lecionar em um contexto completamente diferente do seu foi um desafio, como relata Gabriela Ramos, acadêmica de Engenharia Elétrica e integrante do projeto: “A gente fez todo o trabalho partindo do zero, porque não sabia o contexto que iria encontrar, nem as pessoas com as quais iria trabalhar. Uma coisa é apresentar um trabalho na universidade, outra completamente diferente é a vida real”.

Foram quatro meses de preparações interdisciplinares, desde a montagem do projeto, mapeamento do que as participantes gostariam de aprender, formulação do material didático, até a construção da marca #SouMulherEPosso por acadêmicas de Comunicação Social da UFSM.

Mulheres participantes do projeto

A primeira edição do curso aconteceu em abril de 2018, no Colégio Marista Santa Marta localizado no bairro. Os materiais utilizados foram adquiridos com o apoio do Centro de Tecnologia da UFSM e com o dinheiro arrecadado na venda de bottons personalizados com a marca do projeto.

O curso iniciou com 12 mulheres, com idades entre 30 e 40 anos. No entanto, metade delas precisou abandonar as aulas. Entre os vários motivos, o mais presente era a necessidade de cuidar dos filhos – apesar de as integrantes do PET terem se disponibilizado para fazê-lo na área de recreação do Colégio, justamente para que nenhuma ficasse sem a oportunidade de estudar.

Fernanda Martins, estudante de Engenharia Elétrica, conta que “as aulas eram bem produtivas, já que as participantes tinham conhecimento prévio do que estavam fazendo, porque elas testavam em casa”. Além do conhecimento teórico e prático sobre o trabalho com eletricidade, a moradora Nilda Ribeiro, que ajudou a pensar o conteúdo do curso e participou das aulas, ressalta que “a auto-estima foi um dos maiores resultados para todas, já que nos deu a certeza de que cada mulher não só pode, como é capaz de fazer o que quiser”.

Reportagem: Paola Jung, acadêmica de Jornalismo
Edição: Andressa Motter, acadêmica de Jornalismo
Ilustração: Lidiane Castagna, acadêmica de Desenho Industrial
Fotografias: Divulgação


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