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SouParte.org: um sistema inovador de doação por assinatura

Projeto permite que cidadãos contribuam, regularmente, com organizações e causas sociais



“Existem vários exemplos de assinaturas em nosso cotidiano, como Spotify, Netflix e Amazon Prime. Por que não assinar uma ONG também?”. Com essa fala, o professor da UFSM Luciano Mattana sintetiza a proposta da Sou Parte: ser um sistema inovador no qual o usuário pode fazer doações mensais e recorrentes para causas e ONGs sociais, sobretudo em formato de assinaturas.

A iniciativa surgiu em uma disciplina de Mattana no curso de Publicidade e Propaganda na Universidade. “No trabalho final dessa disciplina, a proposta era a gente identificar alguns problemas da sociedade”, explica a relações públicas Mari Luana Pozzobon, sócia fundadora da Sou Parte. A experiência anterior de Mari, que por um ano tinha trabalhado como assessora de comunicação em uma instituição beneficente, foi o que a inspirou a iniciar o projeto: “Acabei conhecendo um pouco sobre a realidade da organização, as dificuldades – principalmente na captação de recursos – e como era difícil para a instituição se manter”. A estudante levou essa vivência para o professor e, juntos, eles idealizaram e colocaram em prática a plataforma.

“Eu vi isso ao longo da minha vida inteira. As instituições sofrem com a pontualidade dos projetos, com a rotatividade de pessoas que vão ajudar, voluntários, funcionários, ou seja, tudo tem um ciclo efêmero. Há um esforço em renovar esses ciclos a todo momento, não há continuidade”, constata Mattana. O principal objetivo da Sou Parte é, portanto, resolver tal rotatividade das ONGs:  “Conta de luz vem todo mês, salário é todo mês, conta de mercado é todo mês. Não é você ir lá e doar uma vez e pronto. Os problemas acontecem diariamente. A Sou Parte enxerga dessa forma, não como doações pontuais, mas como assinaturas”, salientam os idealizadores do projeto. 

A Sou Parte está vinculada à Incubadora Tecnológica da UFSM: “Incubou no início da pandemia. A gente iniciou o projeto em julho de 2020, quando as coisas ainda estavam meio instáveis”, conta Mari. A Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) mostrou que, nos primeiros meses da pandemia, cerca de R$6 bilhões foram doados para as ONGs, mas, com o passar dos meses, essas contribuições diminuíram. É aí que entra a importância das doações recorrentes: essa maneira de ajudar é o que sustenta o trabalho e gera a noção de compromissos que as instituições podem ou não assumir de acordo com a receita que dispõem. 

Instituições beneficiadas

Até o momento, a Sou Parte atende a duas instituições em Santa Maria. Uma delas é o Centro de Desenvolvimento Comunitário (CDC) Estação dos Ventos, no bairro João Goulart. O CDC busca atender às necessidades básicas da comunidade local, especialmente crianças de até seis anos, ao proporcionar melhor qualidade de vida, lazer e alimentação, em local adequado, onde possam passar o dia enquanto seus pais trabalham. A outra ONG é o Lar Vila Itagiba, instituição de longa permanência, sem fins lucrativos, na qual vivem 63 idosos. “A instituição se mantém com 70% da aposentadoria dos idosos. Esse valor não cobre nem nossa folha de pagamento de colaboradores. Além disso, nós temos a destinação do imposto de renda, que é variável, temos as doações de pessoas físicas, promovemos rifas e eventos, e participamos de editais”, explica Karoline Arend, funcionária da instituição. Ela comenta que a Sou Parte chega como um aliado e uma possibilidade de segurança financeira: “É uma forma que podemos receber doações recorrentes e, com isso, planejar de maneira mais clara onde iremos investir o recurso”. 

Na prática, como funciona?

Em fase de testes, o projeto está cadastrando organizações e causas sociais e, em breve, terá diversas ONGs para que o usuário possa apoiar o projeto com o qual mais se identifica.

Na plataforma, as doações funcionam a partir de assinaturas, o usuário tem a possibilidade de realizar uma assinatura via cartão de crédito para doar todos os meses ou fazer uma única doação (cartão de crédito, boleto ou pix). Além disso, o sistema permite o acompanhamento da aplicação dos recursos e a identificação do impacto social que as doações geram. Tal transparência visa deixar o doador seguro para assinar a Sou Parte.

E quais os benefícios?

Segundo os idealizadores, aderir a esse tipo de doação é uma boa escolha, porque o doador ganha a possibilidade de colaborar com as ONGs, de uma maneira prática e constante, em um formato que não demanda disponibilidade ou tempo do assinante. 

Entre os benefícios oriundos da receita recorrente, a ONG passa a contar com a previsibilidade de receita, a possibilidade de profissionalização dos serviços diante da entrada regular de verbas e, consequentemente, a sustentabilidade financeira. 

A partir disso, a sociedade ganha com a viabilização de empreendimentos sociais, geração de emprego e renda em entidades e redução de desigualdades socioeconômicas.

Expediente

Repórter: Ana Luiza Deicke, acadêmica de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) e estagiária

Ilustrador: Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário

Mídia Social: Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; e Eloíze Moraes estagiária de Jornalismo

Edição de Produção: Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista

Edição Geral: Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas

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