{"id":10034,"date":"2025-06-05T12:43:07","date_gmt":"2025-06-05T15:43:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/?p=10034"},"modified":"2025-06-05T12:43:09","modified_gmt":"2025-06-05T15:43:09","slug":"os-seres-humanos-evoluiram-e-descendem-de-outros-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/os-seres-humanos-evoluiram-e-descendem-de-outros-animais","title":{"rendered":"Os seres humanos evolu\u00edram e descendem de outros animais?\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A<\/span> evolu\u00e7\u00e3o<span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 um dos conceitos centrais da Biologia e explica como as esp\u00e9cies se transformam ao longo do tempo. Ela tamb\u00e9m mostra como os seres humanos compartilham uma longa hist\u00f3ria de adapta\u00e7\u00f5es que nos conectam a outros animais. Apesar de amplamente aceita na comunidade cient\u00edfica, a ideia de que \u201cOs seres humanos evolu\u00edram e descendem de outros animais\u201d ainda enfrenta resist\u00eancia em parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira. De acordo com a Pesquisa de Percep\u00e7\u00e3o P\u00fablica da Ci\u00eancia mais recente, 35,5% dos entrevistados discordam totalmente da ideia da evolu\u00e7\u00e3o humana e outros 9,1% discordam em parte.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-10035 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/Evolucao-Melhor-Qualidade_Prancheta-1.png\" alt=\"\" width=\"999\" height=\"652\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/Evolucao-Melhor-Qualidade_Prancheta-1.png 4500w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/Evolucao-Melhor-Qualidade_Prancheta-1-300x196.png 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/Evolucao-Melhor-Qualidade_Prancheta-1-1024x668.png 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/Evolucao-Melhor-Qualidade_Prancheta-1-768x501.png 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/Evolucao-Melhor-Qualidade_Prancheta-1-1536x1002.png 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/Evolucao-Melhor-Qualidade_Prancheta-1-2048x1336.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 999px) 100vw, 999px\" \/><\/h3>\n<h3>O que \u00e9 evolu\u00e7\u00e3o?<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 o termo utilizado para se referir ao processo de mudan\u00e7a pelo qual as popula\u00e7\u00f5es passam ao longo do tempo, acumulando altera\u00e7\u00f5es que permitem sua adapta\u00e7\u00e3o aos ambientes. \u201cTrata-se de um processo cont\u00ednuo, inacabado e n\u00e3o linear\u201d, afirma Camilo Silva Costa, bi\u00f3logo e doutorando em Educa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ele explica que esse processo \u00e9 guiado por mecanismos da evolu\u00e7\u00e3o, como a Sele\u00e7\u00e3o Natural. Esse conceito, introduzido por Charles Darwin, em 1859, no livro &#8220;A Origem das Esp\u00e9cies&#8221;, diz que as esp\u00e9cies evoluem ao longo do tempo por meio de um processo em que indiv\u00edduos com caracter\u00edsticas vantajosas em determinado ambiente t\u00eam maior chance de sobreviver e deixar descendentes. \u201cPor exemplo, h\u00e1 seres humanos adaptados a viverem em altas altitudes, como o povo tibetano na \u00c1sia Central. Essas adapta\u00e7\u00f5es mostram como a sele\u00e7\u00e3o natural age no contexto do ambiente\u201d, completa o especialista.<\/span><\/p>\n<h3>Ancestralidade comum<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As evid\u00eancias para a evolu\u00e7\u00e3o humana v\u00eam de diversas \u00e1reas, incluindo arqueologia, paleontologia, gen\u00e9tica e anatomia comparada. \u201cOs f\u00f3sseis mostram nosso parentesco a partir da ancestralidade comum, quer dizer, que todos nos originamos de uma mesma esp\u00e9cie\u201d, explica Camilo. Para exemplificar, ele prop\u00f5e comparar a anatomia das patas dianteiras de vertebrados: as nadadeiras das baleias, as asas dos morcegos e as m\u00e3os humanas: \u201c\u00c9 o que chamamos de \u00f3rg\u00e3os hom\u00f3logos, ou seja, s\u00e3o estruturas que refor\u00e7am a origem de um ascendente comum\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No caso dos humanos, a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 tra\u00e7ada a partir de um grupo de primatas que viveu na \u00c1frica h\u00e1 milh\u00f5es de anos, incluindo esp\u00e9cies do g\u00eanero Australopithecus, precursoras do g\u00eanero Homo. Camilo conta que esse grupo se dividiu em duas linhagens que come\u00e7aram a evoluir independentemente. Uma delas permaneceu na floresta tropical africana, no noroeste da \u00c1frica, dando origem aos chimpanz\u00e9s que conhecemos hoje; e a outra migrou para os campos abertos, nas savanas do leste africano, dando origem ao g\u00eanero Homo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">F\u00f3sseis encontrados ao longo do tempo mostram uma transi\u00e7\u00e3o gradual entre caracter\u00edsticas basais, presentes em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Australopithecus afarensis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, e outras presentes em esp\u00e9cies mais recentes, como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Homo erectus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Homo sapiens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Al\u00e9m disso, estudos gen\u00e9ticos confirmam que os seres humanos compartilham uma alta porcentagem de seu DNA com outros primatas, como chimpanz\u00e9s e bonobos, nossos parentes vivos mais pr\u00f3ximos. Esses dados refor\u00e7am a ideia de uma ancestralidade comum. Embora muitas pessoas associem erroneamente a evolu\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de que \u201cdescendemos dos macacos\u201d, o que a ci\u00eancia afirma \u00e9 que humanos e outros primatas compartilham um ancestral comum. Esse ancestral n\u00e3o era igual aos macacos atuais, mas sim uma esp\u00e9cie basal, que deu origem a diferentes linhagens, incluindo a humana. Portanto, n\u00e3o somos descendentes diretos de macacos como os que conhecemos hoje, mas sim primos evolutivos.<\/span><\/p>\n<h3>Rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar das evid\u00eancias cient\u00edficas, muitas pessoas ainda rejeitam a ideia de que os seres humanos evolu\u00edram ao longo do tempo. Para o bi\u00f3logo Camilo Silva Costa, a complexidade e a longa dura\u00e7\u00e3o do processo evolutivo podem tornar sua compreens\u00e3o mais desafiadora: \u201c\u00e9 muito mais f\u00e1cil crer que o ser humano foi criado [criacionismo] do que acreditar que esse foi um processo longo de milh\u00f5es de anos, muitas ramifica\u00e7\u00f5es, adapta\u00e7\u00f5es, perdas e ganhos\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O criacionismo \u00e9 uma vis\u00e3o que interpreta de forma literal textos religiosos, como a B\u00edblia, para explicar a origem da vida. Contudo, \u00e9 fato que o criacionismo carece de fundamenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e n\u00e3o oferece (nem busca oferecer) explica\u00e7\u00f5es test\u00e1veis para os fen\u00f4menos biol\u00f3gicos. Por outro lado, a evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 respaldada por linhas robustas de evid\u00eancias, incluindo f\u00f3sseis que documentam a transi\u00e7\u00e3o gradual entre esp\u00e9cies, semelhan\u00e7as gen\u00e9ticas que indicam ancestralidade comum e registros geol\u00f3gicos que corroboram as sucessivas mudan\u00e7as na biodiversidade ao longo de bilh\u00f5es de anos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entender a evolu\u00e7\u00e3o humana \u00e9 fundamental n\u00e3o apenas para a ci\u00eancia, mas tamb\u00e9m para a sociedade. Segundo o especialista, o estudo da evolu\u00e7\u00e3o ajuda a interpretar processos adaptativos, gen\u00e9ticos e ambientais: \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas uma explora\u00e7\u00e3o do nosso passado, mas uma ferramenta essencial para enfrentar os desafios do presente e do futuro. A partir da evolu\u00e7\u00e3o, conseguimos interpretar e olhar para a ci\u00eancia que nos rodeia de forma mais cr\u00edtica\u201d, conclui.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">Veredito:<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">COMPROVADO! Os seres humanos evolu\u00edram ao longo do tempo e compartilham uma conex\u00e3o ancestral com outros animais.<\/span><\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">Texto: Luciane Treulieb<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Vinicius Gumisson Motta<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Revis\u00e3o: Fabiana Coradini<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evid\u00eancias f\u00f3sseis, gen\u00e9ticas e anat\u00f4micas demonstram a ancestralidade comum entre humanos e outros animais<\/p>\n","protected":false},"author":161,"featured_media":10035,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1846],"tags":[540],"class_list":["post-10034","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mitometro","tag-mitometro"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/161"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10034"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10034\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10035"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}