{"id":10040,"date":"2025-06-05T13:06:18","date_gmt":"2025-06-05T16:06:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/?p=10040"},"modified":"2025-06-05T13:06:20","modified_gmt":"2025-06-05T16:06:20","slug":"algumas-vacinas-podem-causar-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/algumas-vacinas-podem-causar-autismo","title":{"rendered":"Algumas vacinas podem causar autismo?"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As vacinas s\u00e3o um dos principais avan\u00e7os da ci\u00eancia no combate a infec\u00e7\u00f5es preven\u00edveis e no controle de epidemias. No entanto, nos \u00faltimos anos, tem sido um desafio manter os \u00edndices de imuniza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira dentro dos n\u00edveis ideais, em parte devido \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o sobre seus poss\u00edveis efeitos. Mesmo sem evid\u00eancias cient\u00edficas que sustentem essa cren\u00e7a, a ideia de que \u201calgumas vacinas podem causar autismo\u201d ainda divide opini\u00f5es. Segundo a pesquisa \u201cPercep\u00e7\u00e3o P\u00fablica da Ci\u00eancia e Tecnologia no Brasil\u201d de 2023, quase 35% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente, com essa afirma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O movimento antivacina, que voltou a ganhar for\u00e7a especialmente ap\u00f3s a pandemia de Covid-19, tem contribu\u00eddo para esse cen\u00e1rio. Entre os argumentos frequentemente resgatados pelos opositores da vacina\u00e7\u00e3o est\u00e1 a pol\u00eamica em torno de um artigo publicado, em 1998, pelo m\u00e9dico ingl\u00eas Andrew Wakefield.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No estudo, ele sugere uma liga\u00e7\u00e3o entre a vacina tr\u00edplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rub\u00e9ola) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em 12 crian\u00e7as. O artigo foi desmentido em 2004, e Wakefield perdeu sua licen\u00e7a m\u00e9dica, por\u00e9m essa associa\u00e7\u00e3o levou a uma queda nas taxas de vacina\u00e7\u00e3o e ao fortalecimento de grupos contr\u00e1rios \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h3><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-10041 \" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/vacinas_002-1024x667.jpg\" alt=\"\" width=\"973\" height=\"634\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/vacinas_002-1024x667.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/vacinas_002-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/vacinas_002-768x501.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/vacinas_002-1536x1001.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/601\/2025\/06\/vacinas_002.jpg 1657w\" sizes=\"(max-width: 973px) 100vw, 973px\" \/><\/h3>\n<h3><span style=\"font-weight: 400\">O que \u00e9 autismo?<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Transtorno do Espectro Autista (TEA) \u00e9 um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dois grupos principais de sintomas: d\u00e9ficits na comunica\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o social e padr\u00f5es restritos e repetitivos de comportamento e\/ou interesses.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga Franciele Farias explica que algo que auxilia no entendimento das causas do autismo \u00e9 saber diferenciar Doen\u00e7a e Transtorno: \u201cQuando falamos em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">doen\u00e7a<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, falamos de uma causa espec\u00edfica e definida que a gente consegue muitas vezes detectar por meio de exames, como por exemplo uma gripe que \u00e9 causada por um v\u00edrus. Agora, quando falamos de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">transtorno<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, trata-se de algo multifatorial e que n\u00e3o possui uma causa t\u00e3o bem definida\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ela especifica que o TEA \u00e9 considerado um espectro devido \u00e0 grande variabilidade de apresenta\u00e7\u00f5es do transtorno: \u201catualmente classificamos em N\u00edvel 1, 2 e 3 de suporte, sendo\u00a0 que, quanto maior o n\u00edvel, maior o suporte necess\u00e1rio\u201d. A psic\u00f3loga explica que cada indiv\u00edduo ter\u00e1 um conjunto \u00fanico e uma apresenta\u00e7\u00e3o \u00fanica do transtorno. Ou seja, algumas pessoas podem ter mais dificuldade na leitura social, outros podem apresentar grandes altera\u00e7\u00f5es sensoriais, alguns podem apresentar comprometimento intelectual e\/ou de linguagem, entre outras caracter\u00edsticas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo ela, existem muitas pesquisas que investigam as poss\u00edveis causas do autismo e, hoje, constatou-se que o autismo tem uma base gen\u00e9tica importante. Isso explica porque n\u00e3o \u00e9 incomum que, em uma fam\u00edlia, mais de uma pessoa seja diagnosticada com o transtorno, aponta a psic\u00f3loga. Al\u00e9m de causas gen\u00e9ticas, pesquisas indicam problemas na gesta\u00e7\u00e3o ou no parto como fator de risco.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre tratamentos e interven\u00e7\u00f5es, Franciele explica que, muitas vezes, os familiares ao identificarem que algo n\u00e3o vai bem no desenvolvimento das crian\u00e7as optam por \u201cesperar mais um pouco para \u2018ver se melhora\u2019 por medo de um poss\u00edvel diagn\u00f3stico. Ou, at\u00e9 mesmo, recebem essa orienta\u00e7\u00e3o de pediatras desatualizados: \u2018cada crian\u00e7a tem seu tempo, vamos esperar, n\u00e3o \u00e9 nada demais\u2019\u201d. Ela refor\u00e7a que, embora seja um medo compreens\u00edvel, na realidade, o diagn\u00f3stico precoce \u00e9 um dos melhores preditores de um progn\u00f3stico positivo no transtorno do espectro autista: \u201cquanto antes iniciarmos a interven\u00e7\u00e3o, melhor para o desenvolvimento da crian\u00e7a. Isso acontece por causa de algo que chamamos de neuroplasticidade: a neuroplasticidade \u00e9 a capacidade do nosso c\u00e9rebro de se moldar e aprender a partir das experi\u00eancias. Temos capacidade de aprendizagem durante toda nossa vida, mas essa capacidade \u00e9 muito aumentada nos primeiros anos de vida\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A psic\u00f3loga esclarece que, atualmente, existem muitas pesquisas que mostram as <\/span><a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC4513196\/\"><span style=\"font-weight: 400\">potencialidades da interven\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, \u201cespecialmente quando realizada de forma precoce, intensiva, com uma equipe multiprofissional e com o envolvimento da fam\u00edlia para dar continuidade \u00e0s estimula\u00e7\u00f5es em casa\u201d. Ela refor\u00e7a que, apesar de o diagn\u00f3stico muitas vezes ser um momento de ang\u00fastia para os respons\u00e1veis, trata-se de um \u201cponto de partida para o desenvolvimento de novas habilidades e possibilidades de forma\u00e7\u00e3o de novos aprendizados, de trabalhar a funcionalidade e melhorar a qualidade de vida da crian\u00e7a e sua fam\u00edlia com as interven\u00e7\u00f5es adequadas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Alexandre Schwarzbold, m\u00e9dico infectologista e professor do Departamento de Cl\u00ednica M\u00e9dica da UFSM, conta que, depois do estudo de Wakefield, in\u00fameros outros trabalhos cient\u00edficos foram realizados para investigar a suposta rela\u00e7\u00e3o entre vacinas e autismo. A conclus\u00e3o foi sempre a mesma: vacinas n\u00e3o causam autismo. Muitos desses estudos utilizaram a meta-an\u00e1lise, metodologia que re\u00fane e analisa dados de diversas pesquisas sobre um mesmo tema, priorizando aquelas com maior rigor cient\u00edfico. Um exemplo dado pelo docente \u00e9 um <\/span><a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/24814559\/\"><span style=\"font-weight: 400\">estudo publicado na revista cient\u00edfica <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Vaccines<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, em 2014, conduzido por pesquisadores australianos. Eles analisaram dados de mais de 1 milh\u00e3o de crian\u00e7as e confirmaram que n\u00e3o existe associa\u00e7\u00e3o entre vacinas e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo sem evid\u00eancias cient\u00edficas que sustentem essa cren\u00e7a, a ideia de que algumas vacinas poderiam causar autismo ainda divide opini\u00f5es. Segundo a Pesquisa de Percep\u00e7\u00e3o P\u00fablica da Ci\u00eancia e Tecnologia no Brasil de 2023, quase 35% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente, com essa afirma\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h3>Rigor na aprova\u00e7\u00e3o das vacinas<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Antes de uma vacina ser liberada para a popula\u00e7\u00e3o, ela passa por diversas etapas para ser aprovada por uma ag\u00eancia reguladora. No Brasil, essa fun\u00e7\u00e3o cabe \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). O professor Alexandre Schwarzbold explica que as vacinas precisam ser embasadas em estudos e documentos submetidos, pelas institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis, \u00e0 ag\u00eancia que ent\u00e3o avalia sua efic\u00e1cia e seguran\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As etapas de seguran\u00e7a monitoram a frequ\u00eancia e a incid\u00eancia de eventos adversos e sua gravidade \u2013 ou seja, se s\u00e3o leves, moderados, severos, se apresentam risco de vida ou se houve, por exemplo, morte nos estudos cl\u00ednicos de teste de vacinas. Assim, pode-se avaliar estatisticamente se um evento adverso ocorre ao acaso ou se pode ser atribu\u00eddo exclusivamente \u00e0 vacina.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cTodas as vacinas passam por testes rigorosos de seguran\u00e7a\u201d, refor\u00e7a Alexandre. \u201cOs estudos cl\u00ednicos, que em geral demoram de meses a anos, envolvem v\u00e1rios volunt\u00e1rios em etapas diferentes antes da aprova\u00e7\u00e3o para a popula\u00e7\u00e3o em geral. Ent\u00e3o, todo pa\u00eds que registra e distribui vacinas, como o Brasil, tem que atender a rigorosos padr\u00f5es tanto de qualidade quanto de seguran\u00e7a\u201d, defende o especialista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Esse controle r\u00edgido em rela\u00e7\u00e3o aos processos de seguran\u00e7a garante que a maioria dos efeitos colaterais sejam leves e tempor\u00e1rios, como dor no local da aplica\u00e7\u00e3o e febre, que costumam durar de um a tr\u00eas dias. Por outro lado, as doen\u00e7as que as vacinas previnem, como poliomielite, sarampo, caxumba, pneumonia e meningite, podem ter consequ\u00eancias muito mais graves do que qualquer efeito colateral decorrente da imuniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h3>Estrat\u00e9gias para combater a hesita\u00e7\u00e3o vacinal<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para Alexandre, a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o correta e a educa\u00e7\u00e3o em sa\u00fade s\u00e3o fundamentais para reduzir a hesita\u00e7\u00e3o vacinal. Ele destaca que a uniformiza\u00e7\u00e3o do discurso com base cient\u00edfica entre sociedades m\u00e9dicas \u00e9 essencial, ressaltando a import\u00e2ncia das estrat\u00e9gias adequadas de comunica\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9 importante que a linguagem seja uniformizada, especialmente entre os profissionais de sa\u00fade que indicam vacinas, como pediatras, infectologistas e pneumologistas\u201d, refor\u00e7a o m\u00e9dico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hoje, a circula\u00e7\u00e3o de fake news se tornou mais f\u00e1cil, pois qualquer pessoa pode publicar conte\u00fados na internet sem passar por filtros ou avalia\u00e7\u00e3o de especialistas quanto \u00e0 qualidade e veracidade. \u201cA pessoa pode ter uma boa comunica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ter consist\u00eancia cient\u00edfica. Por isso, \u00e9 importante o julgamento de pares. N\u00e3o se pode acreditar que um \u00fanico m\u00e9dico seja detentor da raz\u00e3o\u201d, enfatiza Alexandre Schwarzbold. O infectologista defende que n\u00e3o se pode tomar casos isolados de efeitos colaterais graves como regra ao abordar a vacina\u00e7\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o. Segundo ele, \u00e9 fundamental que os profissionais de sa\u00fade enfatizem o impacto positivo das vacinas, destacando que a imensa maioria das pessoas se protege com seguran\u00e7a por meio da imuniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<h3>Queda na ades\u00e3o \u00e0s vacinas no Brasil<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de o Brasil j\u00e1 ter sido refer\u00eancia mundial, a ades\u00e3o \u00e0s campanhas de vacina\u00e7\u00e3o tem ca\u00eddo significativamente no pa\u00eds. Como consequ\u00eancia, doen\u00e7as erradicadas, como sarampo e poliomielite, voltaram a circular. <\/span><a href=\"https:\/\/butantan.gov.br\/noticias\/pni-50-anos-entenda-por-que-o-programa-brasileiro-de-vacinacao-e-referencia-internacional-em-saude-publica\"><span style=\"font-weight: 400\">Desde 2016, o Brasil n\u00e3o atinge as metas de cobertura vacinal para grande parte das vacinas da rede p\u00fablica<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, expondo novamente a popula\u00e7\u00e3o a problemas que j\u00e1 estavam controlados e aumentando o risco de surtos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para reverter esse cen\u00e1rio, \u00e9 essencial que pais e respons\u00e1veis recebam informa\u00e7\u00f5es claras e baseadas em evid\u00eancias cient\u00edficas. O professor Alexandre Schwarzbold destaca que os riscos da vacina\u00e7\u00e3o s\u00e3o m\u00ednimos diante dos benef\u00edcios: \u201co n\u00famero de crian\u00e7as que t\u00eam complica\u00e7\u00f5es com vacinas \u00e9 \u00ednfimo e nem se compara com o de crian\u00e7as afetadas por doen\u00e7as imunopreven\u00edveis quando n\u00e3o vacinadas.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como exemplo, ele menciona o sarampo, uma doen\u00e7a com alto \u00edndice de mortalidade: \u201cO impacto positivo da vacina\u00e7\u00e3o supera infinitamente qualquer risco de efeitos colaterais. Vacinas funcionam, protegem e salvam vidas\u201d, afirma o infectologista. <\/span><a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/opas-alerta-sobre-possibilidade-de-surtos-de-sarampo-devido-a-reducao-da-cobertura-vacinal\/#:~:text=O%20sarampo%20%C3%A9%20uma%20doen%C3%A7a,mortes%20em%20todo%20o%20mundo.\"><span style=\"font-weight: 400\">Ele destaca que, no caso do sarampo, a imuniza\u00e7\u00e3o evitou mais de 23 milh\u00f5es de mortes em duas d\u00e9cadas no mundo todo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. \u201cA vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para proteger crian\u00e7as e adolescentes, pois eles ainda n\u00e3o t\u00eam um sistema imunol\u00f3gico totalmente desenvolvido. Sem essa prote\u00e7\u00e3o, est\u00e3o vulner\u00e1veis a doen\u00e7as que podem ter consequ\u00eancias graves, incluindo a morte\u201d, refor\u00e7a o infectologista.<\/span><\/p>\n<h3>O Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (PNI)<\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Criado em 1973, o PNI tem levado mais de 20 tipos de imunizantes aos brasileiros e acumulado conquistas not\u00e1veis, como a erradica\u00e7\u00e3o da var\u00edola e da poliomielite. O Brasil consolidou-se mundialmente como um dos pa\u00edses com a pol\u00edtica de vacina\u00e7\u00e3o mais abrangente e bem-sucedida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Antes da cria\u00e7\u00e3o do PNI, as a\u00e7\u00f5es de imuniza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds eram epis\u00f3dicas, sem continuidade planejada e com cobertura limitada. A partir do programa, passou-se a adotar um plano nacional unificado e equitativo, garantindo o acesso \u00e0s vacinas em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, independentemente da dist\u00e2ncia ou do tamanho da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 1980, uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o contra a poliomielite fez com que a incid\u00eancia da doen\u00e7a ca\u00edsse de 1,2 mil para pouco mais de 100 casos em um ano. Outro exemplo bem-sucedido foi a Campanha Nacional de Vacina\u00e7\u00e3o contra o Sarampo, que, em 1992, imunizou quase 50 milh\u00f5es de crian\u00e7as em apenas quatro semanas \u2013 um \u00eaxito sem precedentes em um pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Brasil recebeu o certificado de elimina\u00e7\u00e3o da poliomielite em 1994 e implementou estrat\u00e9gias para controlar doen\u00e7as como sarampo, t\u00e9tano neonatal, tuberculose, difteria, t\u00e9tano acidental e coqueluche. Atualmente, o PNI oferta gratuitamente 17 vacinas para crian\u00e7as, sete para adolescentes, quatro para adultos e idosos e tr\u00eas para gestantes, al\u00e9m das vacinas contra a Covid-19 e a gripe. Mais de 300 milh\u00f5es de doses s\u00e3o distribu\u00eddas anualmente em cerca de 40 mil salas de vacina\u00e7\u00e3o espalhadas por todo o pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<h3><strong>VEREDITO:<\/strong><span style=\"font-weight: 400\"> MITO! Vacinas n\u00e3o causam autismo. As causas do Transtorno do Espectro Autista t\u00eam origem gen\u00e9tica e n\u00e3o est\u00e3o associadas \u00e0s tecnologias de imuniza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h3>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">Texto: <\/span><span style=\"font-weight: 400\" data-rich-links=\"{&quot;per_n&quot;:&quot;J\u00falia Zucchetto&quot;,&quot;per_e&quot;:&quot;juliazucchetto@gmail.com&quot;,&quot;type&quot;:&quot;person&quot;}\">J\u00falia Zucchetto<\/span><\/em><br \/><em><span style=\"font-weight: 400\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Evandro Bertol<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Edi\u00e7\u00e3o: Luciane Treulieb<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Revis\u00e3o: Fabiana Coradini<\/span><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desinforma\u00e7\u00e3o permanece um desafio para alcan\u00e7ar altas taxas de imuniza\u00e7\u00e3o e proteger a popula\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as perigosas<\/p>\n","protected":false},"author":161,"featured_media":10041,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1846],"tags":[540],"class_list":["post-10040","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mitometro","tag-mitometro"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/161"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10040\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}