{"id":1378,"date":"2017-05-10T09:48:40","date_gmt":"2017-05-10T12:48:40","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=1378"},"modified":"2017-05-10T09:48:40","modified_gmt":"2017-05-10T12:48:40","slug":"a-ciencia-do-reflorestamento-pelo-eucalipto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/a-ciencia-do-reflorestamento-pelo-eucalipto","title":{"rendered":"A ci\u00eancia do reflorestamento pelo eucalipto"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">As \u00e1rvores possuem o tronco geralmente retil\u00edneo e cil\u00edndrico e a copa quase sempre \u00e9 rala e alongada. Vastas extens\u00f5es de terra, com um eucalipto alinhado metodicamente ao lado do outro, constroem a paisagem de muitas viagens pelas estradas do Brasil e de outros pa\u00edses. Os eucaliptos chegaram ao Brasil em 1825, como plantas ornamentais no Jardim Bot\u00e2nico do Rio de Janeiro e s\u00e3o, no cen\u00e1rio atual, relevantes economicamente devido \u00e0 capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mais diversas condi\u00e7\u00f5es de clima e solo, al\u00e9m da import\u00e2ncia ambiental.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nativos da Austr\u00e1lia e de outras ilhas da Oceania, onde constituem parte dominante da flora, os eucaliptos s\u00e3o \u00e1rvores \u2014 em casos raros, arbustos \u2014 de r\u00e1pido crescimento e ampla diversidade \u2014 ao todo, s\u00e3o mais de 700 esp\u00e9cies. No Brasil, o eucalipto \u00e9 uma das principais fontes de mat\u00e9ria-prima de produtos como celulose, carv\u00e3o vegetal, m\u00f3veis, compensados e postes. As folhas das \u00e1rvores permitem que se extraia um \u00f3leo, que aparece no dia a dia em forma de ch\u00e1s, balas, sabonetes, perfumes, produtos de limpeza e xaropes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A manuten\u00e7\u00e3o da diversidade das esp\u00e9cies em florestas naturais, a conten\u00e7\u00e3o do desmatamento e a busca por madeiras que gerem alto lucro industrial s\u00e3o demandas dos cen\u00e1rios ambiental e econ\u00f4mico e colaboram para que o eucalipto seja significativo nesses dois espa\u00e7os. A silvicultura desse g\u00eanero, isto \u00e9, os m\u00e9todos implantados para recuperar e aperfei\u00e7oar a povoa\u00e7\u00e3o florestal, tendo em vista a necessidade de mercado e o uso racional das \u00e1rvores, est\u00e1 presente no Brasil h\u00e1 mais de cem anos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Devido \u00e0 tamanha import\u00e2ncia do eucalipto, o professor do Departamento de Ci\u00eancias Florestais da UFSM Mauro Schumacher e o professor do curso de Tecnologia em Gest\u00e3o Ambiental M\u00e1rcio Viera organizaram um livro a respeito do tema. \u201cEste livro tem muitas dicas t\u00e9cnicas para estudantes, pesquisadores e empreendedores da \u00e1rea florestal, e n\u00e3o apenas grandes empresas, mas tamb\u00e9m pessoas da comunidade em geral, que lidam com bosques ou \u00e1reas de eucaliptos para lenha, por exemplo\u201d, comenta o professor Mauro Schumacher.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ideia inicial era a produ\u00e7\u00e3o de um material did\u00e1tico menor, de circula\u00e7\u00e3o interna, mas foi expandida e gerou a obra Silvicultura do Eucalipto no Brasil, lan\u00e7ada em 2015 pela Editora UFSM, que re\u00fane artigos escritos por professores e t\u00e9cnicos ligados \u00e0 \u00e1rea. Em 308 p\u00e1ginas, o livro tem como prop\u00f3sito esclarecer aspectos t\u00e9cnicos e cient\u00edficos sobre as atividades e processos produtivos envolvidos na silvicultura do eucalipto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cO que valoriza esse livro \u00e9 o fato de n\u00e3o ser produzido apenas por pesquisadores da Universidade. A obra re\u00fane v\u00e1rios especialistas, que tratam de temas como a origem do eucalipto, as primeiras sementes, melhoramento gen\u00e9tico, escolha do solo, colheita, sistemas agroflorestais. Ou seja, tem uma gama muito grande de professores e profissionais que contribu\u00edram em diferentes vertentes\u201d, ressalta o professor Mauro Schumacher.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Melhoramento gen\u00e9tico e incentivo estatal<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O crescimento da utiliza\u00e7\u00e3o de produtos de origem florestal tem estimulado a cria\u00e7\u00e3o de programas de reflorestamento no Brasil, assim como projetos de melhoramento gen\u00e9tico, o que \u00e9 comum quando se desenvolve uma esp\u00e9cie longe do seu centro de origem. \u201cCreio que o pr\u00f3ximo passo no desenvolvimento da esp\u00e9cie seja a sele\u00e7\u00e3o de materiais gen\u00e9ticos mais espec\u00edficos para determinados usos, sejam novos clones ou cruzamentos com finalidades espec\u00edficas para as nossas condi\u00e7\u00f5es, como materiais mais apropriados para madeira serrada e para condi\u00e7\u00f5es de cultivos diferentes dos utilizados tradicionalmente at\u00e9 ent\u00e3o\u201d, observa o engenheiro agr\u00f4nomo e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecu\u00e1ria de Minas Gerais (EPAMIG) Regis Pereira Venturin.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A professora da Faculdade de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e Agr\u00e1rias da Universidade Federal do Estado de Mato Grosso Juliana Garlet afirma que o Brasil \u00e9 o grande detentor mundial da tecnologia de produ\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie e por isso tamb\u00e9m \u00e9 o maior produtor de eucalipto do mundo. \u201cSem d\u00favida, uma das principais perspectivas de avan\u00e7o tecnol\u00f3gico \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o do eucalipto geneticamente modificado ocorrida em 2015, em que o Brasil \u00e9 o primeiro pa\u00eds a possibilitar que isso ocorra e que d\u00e1 a previs\u00e3o de aumento de 20% na produtividade. Al\u00e9m da transgenia, o aumento da mecaniza\u00e7\u00e3o no processo de produ\u00e7\u00e3o, a intensifica\u00e7\u00e3o da silvicultura de precis\u00e3o e melhorias no monitoramento florestal com o uso de Vants (ve\u00edculos a\u00e9reos n\u00e3o tripulados) s\u00e3o outras perspectivas a serem citadas\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>A reden\u00e7\u00e3o do \u201cdeserto verde\u201d<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As primeiras tentativas de reflorestamento do eucalipto \u2014 isto \u00e9, a regenera\u00e7\u00e3o natural ou intencional de florestas e matas \u2014 aconteceram no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 e n\u00e3o obtiveram sucesso no Brasil, devido ao equivocado modo de implanta\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica. No entanto, a demanda de mercado fez com que a lei 5.106, do ano de 1966, propusesse uma s\u00e9rie de incentivos fiscais a empreendimentos florestais, o que gerou o aparecimento de pessoas contr\u00e1rias ao m\u00e9todo e \u00e0s isen\u00e7\u00f5es conseguidas, baseando seus discursos no insucesso inicial. De acordo com o professor Schumacher, a obra desmitifica essas declara\u00e7\u00f5es. \u201cAfirma\u00e7\u00f5es como as de que eucalipto seca e degrada o solo, que destr\u00f3i a fauna e a flora, faz com que se perca a biodiversidade s\u00e3o fal\u00e1cias, sem respaldo cient\u00edfico algum\u201d, assegura Schumacher.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Regis Venturin, pesquisador da EPAMIG e co-autor de um cap\u00edtulo sobre agrossilvicultura no livro Silvicultura do Eucalipto no Brasil, complementa: \u201cIsso \u00e9 um mito que vem sendo desmentido ao longo do tempo. A planta de eucalipto \u00e9 extremamente eficiente em captar e armazenar nutrientes e recursos que ela necessita, assim \u00e9 muito competitiva enquanto est\u00e1 estabelecida. Todavia n\u00e3o \u00e9 diferente de outras tantas esp\u00e9cies cultivadas ou nativas do Brasil. O que observamos \u00e9 que dentro de um plantio de eucalipto temos um sub-bosque diverso [que pode abrigar outras esp\u00e9cies vegetais] e, a partir da retirada da esp\u00e9cie, se n\u00e3o for mais cultivado, temos uma r\u00e1pida recupera\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o original, obviamente com os impactos normais de qualquer cultivo&#8221;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O livro Silvicultura do Eucalipto no Brasil possui nove cap\u00edtulos, contou com a colabora\u00e7\u00e3o de 21 profissionais da \u00e1rea e aborda assuntos como produ\u00e7\u00e3o de mudas, desbastes e derramas, manejo de solos, insetos-praga na cultura, exporta\u00e7\u00e3o e ciclagem de nutrientes, agrossilvicultura e melhoramento gen\u00e9tico. A obra, que tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel na vers\u00e3o digital, pode ser obtida na Livraria UFSM ou atrav\u00e9s do site da Editora UFSM (editoraufsm.com.br).<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rep\u00f3rter: Bernardo Zamperetti<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diagrama\u00e7\u00e3o: Juliana Krupahtz<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Colet\u00e2nea produzida na UFSM aposta na desmistifica\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e oferece pesquisas e t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1826,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1630],"tags":[402,404,406],"class_list":["post-1378","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-editora-ufsm","tag-editora-ufsm","tag-eucalipto","tag-reflorestamento"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1378"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1378\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}