{"id":1474,"date":"2013-10-01T15:56:43","date_gmt":"2013-10-01T18:56:43","guid":{"rendered":"http:\/\/coral.ufsm.br\/arco\/sitenovo\/?p=1474"},"modified":"2021-02-10T13:44:46","modified_gmt":"2021-02-10T16:44:46","slug":"vozes-dentro-de-uma-caixa-azul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/vozes-dentro-de-uma-caixa-azul","title":{"rendered":"Vozes dentro de uma caixa azul"},"content":{"rendered":"<div id=\"container_dados\">\n<div class=\"texto_noticia\">\n<p>Uma sala de professores atravancada de caixas. Um mapa envelhecido da Fran\u00e7a colado na parede \u00e0 direita de quem entra. Duas escrivaninhas, uma em frente \u00e0 outra, uma mesa redonda entre elas e v\u00e1rias cadeiras ao seu redor. Uma estante com livros e caixas azuis de pl\u00e1stico que chamam a aten\u00e7\u00e3o em um espa\u00e7o onde cada cent\u00edmetro \u00e9 disputado. A inscri\u00e7\u00e3o na porta de entrada identifica o lugar: Fundo Documental Neusa Carson (FDNC).<\/p>\n<p>S\u00e3o mais de 500 documentos compondo o arquivo da pesquisadora que d\u00e1 nome ao Fundo, pertencente ao Laborat\u00f3rio Corpus. Guardados em caixas azuis de pl\u00e1stico, est\u00e3o provisoriamente empilhados na estante da sala da coordenadora executiva do projeto, Simone de Oliveira, p\u00f3s-doutoranda em Letras da UFSM. A idealiza\u00e7\u00e3o de um Fundo Documental para guardar os arquivos da pesquisadora Neusa Carson partiu da professora do curso de Letras da UFSM e coordenadora geral do projeto, Amanda Eloina Scherer.<\/p>\n<p>O acervo, doado por Hugo Carson \u2013 filho da professora \u2013, atualmente est\u00e1 em fase de organiza\u00e7\u00e3o. A inten\u00e7\u00e3o, de acordo com Simone de Oliveira, \u00e9 digitaliz\u00e1-lo e disponibiliz\u00e1-lo o mais breve poss\u00edvel. Dentre os materiais doados, est\u00e3o artigos, trabalhos, certificados de participa\u00e7\u00e3o em eventos e correspond\u00eancias trocadas com pesquisadores e universidades nacionais e estrangeiras. No entanto, n\u00e3o existem registros em fotografias dos macuxis ou da pesquisadora em seu trabalho de campo \u2013 \u00e0 \u00e9poca, os ind\u00edgenas temiam que a m\u00e1quina fotogr\u00e1fica pudesse \u201ctirar a alma\u201d dos retratados. Entre as raridades do acervo, est\u00e3o os di\u00e1rios de campo da pesquisa de doutorado de Neusa, Phonology and Morphosyntax of Macuxi (Caribe).<a class=\"bigger_image\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2013\/10\/mapa-diario.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2013\/10\/mapa-diario.jpg\" alt=\"\" width=\"405\" height=\"361\" \/><\/a><\/p>\n<p>Natural de Santa Maria, Neusa foi professora do curso de Letras da Universidade Federal de Santa Maria nas d\u00e9cadas de 60, 70 e 80. Em sua tese de doutorado, realizou um estudo de descri\u00e7\u00e3o do Macuxi, l\u00edngua ind\u00edgena do ent\u00e3o Territ\u00f3rio Federal de Roraima. Para tanto, embrenhou-se na Roraima dos anos 80 e passou dias convivendo com as tribos ind\u00edgenas da regi\u00e3o. Seu objetivo era reunir dados sobre uma l\u00edngua pouqu\u00edssimo estudada, visando \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da cultura e da hist\u00f3ria de seus falantes. Em seu di\u00e1rio, Neusa fez anota\u00e7\u00f5es atentas sobre a l\u00edngua \u2013 fonologia, entona\u00e7\u00e3o, deriva\u00e7\u00e3o \u2013 e sobre a cultura Macuxi.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s dos apontamentos feitos pela pesquisadora, \u00e9 poss\u00edvel visualizar diversos aspectos das tribos por onde passou. Al\u00e9m da descri\u00e7\u00e3o da l\u00edngua Macuxi, ela escreveu sobre suas moradias, sua alimenta\u00e7\u00e3o, sua rotina de trabalho e sobre a divis\u00e3o de tarefas entre homens e mulheres. Explicou tamb\u00e9m alguns de seus rituais, lendas, celebra\u00e7\u00f5es e hist\u00f3rias. Seus ouvidos e olhos vigilantes perceberam ainda algo n\u00e3o t\u00e3o expl\u00edcito quanto os sons e o vocabul\u00e1rio de uma l\u00edngua: o processo de desagrega\u00e7\u00e3o cultural que os ind\u00edgenas da regi\u00e3o estavam sofrendo ap\u00f3s o contato com os homens brancos.<\/p>\n<p>Mais que um registro pessoal para suas pesquisas cient\u00edficas, os di\u00e1rios de Neusa guardam as hist\u00f3rias de muitas pessoas que cruzaram o seu caminho. E, nas entrelinhas, tamb\u00e9m ficaram rastros da sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria.<\/p>\n<h4><strong>TRECHOS DO DI\u00c1RIO DE CAMPO \u2013 NEUSA CARSON (BRAS\u00cdLIA, 15 A 18\/04\/84)<\/strong><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>ALIMENTA\u00c7\u00c3O, MORADIA E CULTURA<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Suas malocas consistem de casas de quatro cantos, modernamente. Tradicionalmente, elas eram feitas circulares, com uma t\u00e9cnica especial. O material usado mais comumente \u00e9 adobe (taipa) para as paredes, com cobertura de palha (buriti). Os macuxis vivem em vilas circulares em grupos de at\u00e9 300 pessoas (aproximadamente 50 fam\u00edlias).<\/p>\n<p>Eles ainda ca\u00e7am e pescam sendo esta a sua ocupa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e uma fonte de nutri\u00e7\u00e3o para todos. As mulheres, tradicionalmente ocupam-se das lavouras ou ro\u00e7as de mandioca, feij\u00e3o, milho e outras plantas deste tipo. O p\u00e3o \u00e9 feito por elas, de mandioca, depois de bem ralada. A mandioca, depois de fermentada de modo especial \u00e9 tamb\u00e9m a base de dois tipos de bebida: \u201ccassiri\u201d e \u201cpajuar\u00fa\u201d.<\/p>\n<p>O grupo vive entre 3 e 4 graus norte e 60 a 61 graus oeste. Seu territ\u00f3rio comp\u00f5e-se principalmente de savana, o que quer dizer vegeta\u00e7\u00e3o baixa e esparsa e palmeiras de buriti nas margens dos riachos. Os macuxi localizam-se na bacia do Rio Branco, especialmente seus afluentes Tacutu e Uraricuera. Ainda encontram-se ca\u00e7a, pesca e frutos em abund\u00e2ncia nesta \u00e1rea. A \u00e1rea compreende 213.000 km\u00b2 e aproximadamente 35.000 \u00edndios vivem a\u00ed. A \u00e1rea cultural \u00e9 a Norte-Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Antes de sair o sol, os familiares se re\u00fanem para uma refei\u00e7\u00e3o. Esta consistia, na ocasi\u00e3o, de uma sopa e p\u00e3o de beju feito de farinha de mandioca. Ent\u00e3o a mulher segue para sua ro\u00e7a de mandioca; \u00e9 um dia de muito sol, de ver\u00e3o. L\u00e1, ela cuidadosamente corta os troncos superiores dos v\u00e1rios p\u00e9s de mandioca, depois os arranca do solo ressequido, o que faz sua tarefa mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Suas can\u00e7\u00f5es e rituais tradicionais est\u00e3o desaparecendo gradualmente. Suas hist\u00f3rias geralmente apresentam h\u00e1bitos humanos personificados atrav\u00e9s de animais.<\/p>\n<h4><strong>MITOS E RITUAIS<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Para os rapazes se tornarem homens fortes e bons ca\u00e7adores e pescadores eles devem passar por certos rituais que s\u00e3o dirigidos por um parente mais velho. Para ser bom pescador, um rapaz recebe pequenos cortes nas pernas e bra\u00e7os com espinho de arraia ou osso de aguti. Pode ser esfregada pimenta vermelha, ardida, nos cortes. E tamb\u00e9m um amendoin especial, sagrado \u00e9 assado e esmagado em p\u00f3 com uma pequena batatinha (alucinog\u00eanica) de uma planta, esmagada com outras ra\u00edzes; todas s\u00e3o misturadas e passadas nas pernas do jovem ca\u00e7ador ao mesmo tempo que o paj\u00e9 faz algumas preces, para que o homem tenha pernas \u00e1geis e r\u00e1pidas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a primeira menarca (ou per\u00edodo menstrual) \u2013 eesem s\u00e1 \u2013 quando a jovem \u00e9 colocada em uma rede bem alta na casa, ela \u00e9 ensinada sobre os costumes do seu povo. Ela aprende sobre o casamento (w\u00e9mirima ou ani\u00e1y\u00e1), as rela\u00e7\u00f5es sexuais (\u00e8sk\u00fa), o nascimento (ees\u00e9mp\u00f3). Ela n\u00e3o pode andar no sol quente logo ap\u00f3s sua 1\u00aa menstrua\u00e7\u00e3o. Suas m\u00e3os e bra\u00e7os s\u00e3o colocados em um ninho de formigas pequenas, ardedeiras, para que as bebidas que ela prepara para seu marido sejam doces.<\/p>\n<p>Em outros tempos costuma haver urnas funer\u00e1rias onde tanto o homem quanto a mulher eram enterrados em uma posi\u00e7\u00e3o fetal. Os objetos pessoais do morto, tais como colares, cestas, arco e flechas eram enterrados com o morto. A casa era destru\u00edda e reconstitu\u00edda em uma nova posi\u00e7\u00e3o ou em um estilo diferente. O nome do falecido n\u00e3o era dado a outra pessoa por v\u00e1rios anos [&#8230;] Hoje em dia o \u00edndio \u00e9 enterrado em sua pr\u00f3pria rede e o seu cemit\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 muito longe de sua maloca.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>CAN\u00c7\u00d5ES, DAN\u00c7AS E TRADI\u00c7\u00d5ES<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Os ind\u00edgenas costumavam ter celebra\u00e7\u00f5es festivais na \u00e9poca da troca de artefatos entre os grupos, com dan\u00e7as, cantos e comidas t\u00edpicas. Os yanomani, grupo ainda dedicado \u00e0 ca\u00e7a com arco e flecha e ainda dados a encontros menos amistosos com grupos, trocavam seus excelentes arcos e flechas pelas excelentes redes de algod\u00e3o (as deles s\u00e3o de buriti) dos macuxi; ambos os grupos sempre prezaram muito as melhores canoas da regi\u00e3o que \u00e9 feitio dos maiongongues.<\/p>\n<p>Enquanto trabalha, a vov\u00f3 canta e conta hist\u00f3rias. As can\u00e7\u00f5es, cantadas pelas mulheres no seu trabalho falam sobre o p\u00e3o que elas fazem para esperar a ca\u00e7a que o irm\u00e3o ou o namorado ir\u00e1 trazer; as can\u00e7\u00f5es religiosas eram tradu\u00e7\u00f5es dos cantos de igrejas crist\u00e3s, ensinadas pelos mission\u00e1rios; e dan\u00e7as antigas, como Tukui (\u201cbeija-flor\u201d), cantada e dan\u00e7ada em celebra\u00e7\u00f5es inter-tribais.<\/p>\n<p>Tukui \u00e9 a palavra para beija-flor em macuxi. \u00c9 uma dan\u00e7a para representar a amizade entre malocas e at\u00e9 tribos. A dan\u00e7a \u00e9 executada quando os visitantes chegam, o que tradicionalmente ocorria mais ou menos na metade das esta\u00e7\u00f5es (seca ou chuvosa). A tribo hospedeira serve comida e bebida especialmente preparadas para a ocasi\u00e3o e s\u00e3o trocados objetos de feitio das tribos, ao estilo de uma feira.<\/p>\n<p>No passado os homens tocavam flauta de osso ou bambu (taquara) e usavam m\u00e1scaras representando um macaco, um jacar\u00e9 ou um peixe. Suas roupas, segundo vov\u00f3 D. constava de um cocar e saia de folhas de buriti. Seus cabelos, especialmente os das crian\u00e7as, era decorado com penas do peito do pato, preso com resina das \u00e1rvores. Seus tornozelos eram decorados com castanhas para fazer o som de guizo. Em suas m\u00e3os havia um bast\u00e3o para marcar o compasso.<\/p>\n<h4><strong>CONTATO COM OS BRANCOS<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>A cultura ind\u00edgena tem sofrido mudan\u00e7as atrav\u00e9s do contato com os colonizadores brancos o que provavelmente iniciou logo ap\u00f3s a chegada de Crist\u00f3v\u00e3o Colombo ao Mar Caribe. A prop\u00f3sito, Kariwa \u00e9 a palavra para \u201chomem branco\u201d em v\u00e1rios dialetos caribes e tamb\u00e9m para \u201cmagro\u201d, inclusive em macuxi.<\/p>\n<p>Os brancos que aqui vieram primeiro (fim do s\u00e9culo XVIII) trouxeram gado, que necessita enormes por\u00e7\u00f5es do territ\u00f3rio para sobreviver. Em tempos mais recentes, a constru\u00e7\u00e3o de estradas e no momento a minera\u00e7\u00e3o de ouro, diamantes, estanho e bauxita em diferentes pontos do territ\u00f3rio atraem mais e mais pessoas alheias \u00e0 cultura ind\u00edgena do Territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Alguns dos grupos ind\u00edgenas tentam ajustar-se \u00e0 nova situa\u00e7\u00e3o. Alguns tornam-se criadores de gado. Alguns tentam estabelecer suas pr\u00f3prias minas, e alguns vendem canoas, farinha de mandioca e gr\u00e3os para os colonizadores\/mineradores\/fazendeiros. Alguns ind\u00edgenas simplesmente trabalham para os brancos nas fazendas e minas. Frequentemente eles s\u00e3o mal pagos, ou recebem roupas usadas e utens\u00edlios em troca, pelo seu trabalho. Embora n\u00e3o estejam bem habituados com a economia ou o sistema de pagamento do homem branco, isto n\u00e3o parece importante. De fato, se eles recebem dinheiro, h\u00e1 a tend\u00eancia em us\u00e1-lo em quinquilharias, como \u00f3culos de sombra, pasta-executivo, r\u00e1dios, rel\u00f3gios, bebidas e doces. As mulheres jovens muitas vezes se tornam prostitutas para os mineiros, e todo o grupo se torna portador de doen\u00e7as previamente desconhecidas.<\/p>\n<h4><strong>DESAGREGA\u00c7\u00c3O CULTURAL<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>Hoje em dia o macuxi se veste como o branco, cozinha seu alimento, usando seus pr\u00f3prios utens\u00edlios, ou panelas e outros utens\u00edlios dom\u00e9sticos de alum\u00ednio. Eles principalmente fervem sua comida, e j\u00e1 usam o sal; iniciam o fogo riscando um f\u00f3sforo, usam sab\u00e3o para lavar a si e aos seus utens\u00edlios. T\u00eam l\u00e2mpadas \u00e0 querosene e alguns tem radinhos de pilha, toca-discos port\u00e1teis, filtros para \u00e1gua, fog\u00e3o \u00e0 g\u00e1s e outros utens\u00edlios deste tipo.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que os costumes antigos, e com eles a l\u00edngua, s\u00e3o pouco a pouco deixados de lado. Portanto, a tend\u00eancia, especialmente para os homens que deixam a tribo para procurar emprego \u00e9 abandonar sua cultura. Desconhecendo os valores do homem branco, eles s\u00e3o deixados de m\u00e3os vazias. O resultado final \u00e9 a desagrega\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>As mulheres tendem a permanecer na vila e ensinar sua l\u00edngua aos filhos. Elas permanecem tamb\u00e9m monol\u00edngues por mais tempo que os homens. Mas assim que as crian\u00e7as iniciam sua escolariza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o for\u00e7ados pelo sistema vigente a aprender portugu\u00eas desde o 1\u00ba minuto.<\/p>\n<p><em>*Optou-se por n\u00e3o corrigir pequenos deslizes de ortografia ou concord\u00e2ncia para preservar a grafia original da pesquisadora em seu di\u00e1rio de campo<\/em><\/p>\n<h4><strong>QUEM FOI NEUSA CARSON?<\/strong><\/h4>\n<div id=\"parent\">\n<figure style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a class=\"bigger_image\" title=\"Foto: Fundo Documental Neusa Carson\" href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2013\/10\/NeusaCarson2300.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/comunicacao\/arco\/wp-content\/uploads\/sites\/601\/2013\/10\/NeusaCarson2300.jpg\" alt=\"Foto: Fundo Documental Neusa Carson\" width=\"300\" height=\"464\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Fundo Documental Neusa Carson<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Neusa Coden Martins nasceu em Santa Maria (RS), no dia 27 de julho de 1944. Aos 21 anos, iniciou sua gradua\u00e7\u00e3o em Letras \u2013 Ingl\u00eas, na Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, atual Centro Universit\u00e1rio Franciscano. Em 1968, ent\u00e3o com 24 anos e rec\u00e9m-formada, tornou-se professora do curso de Letras da UFSM.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, em 1970, viajou para os Estados Unidos, onde fez sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado e conheceu o norte-americano William Carson, com quem se casou, em 1972. Esse tamb\u00e9m foi o ano em que Neusa, retornando ao Brasil, tornou-se oficialmente professora assistente da UFSM.<\/p>\n<p>Com a intensifica\u00e7\u00e3o das pesquisas, Neusa passou a se interessar cada vez mais pelos estudos de Lingu\u00edstica e aprofundou as investiga\u00e7\u00f5es sobre o que viria a ser sua tese de doutorado \u2013 um estudo de descri\u00e7\u00e3o do Macuxi, l\u00edngua ind\u00edgena do estado de Roraima.<\/p>\n<p>Neusa Carson faleceu de c\u00e2ncer, no dia 16 de dezembro de 1987, aos 43 anos de idade.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"texto_rodape\">\n<div class=\"arco_creditos\"><\/div>\n<p><em><strong>Rep\u00f3rter<\/strong>: Camila Marchesan Cargnelutti<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A l\u00edngua, a cultura e a hist\u00f3ria dos \u00edndios macuxis da d\u00e9cada de 80 reencontradas atrav\u00e9s dos di\u00e1rios de campo da pesquisadora Neusa Carson<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":1421,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1609],"tags":[],"class_list":["post-1474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diario-de-campo-2-edicao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1474"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1474\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1421"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/midias\/arco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}